quarta-feira, 16 de abril de 2014

Lágrima de cristal

Uma lágrima de cristal
Rolou em teu rosto
Belo
Perfeito
Natural...

Não era uma lágrima de desgosto
Nem de desconforto
Era apenas uma lágrima casual
Como tantas outras que caem
Em momento especiais.

Uma lágrima límpida
Transparente
Insípida
Intransigente
Que apenas queria cair
Rolar
Sumir
No mar!

Uma lágrima de cristal
Como uma joia preciosa
Esplendorosa
Excepcional
De  beleza colossal
Num semblante divinal.

Apenas uma lágrima tímida
Fugidia
Que chegou para me dar bom dia
E foi-se embora
Venturosa.

Euclides Riquetti
16-04-2014

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Morreu o poeta...

Morreu o poeta
Morreu o sonhador
Que foi, um dia, profeta
Que foi semeador.

Morreu o poeta
E levou consigo os seus sonhos
Os seu versos risonhos
As estrofes certas.

Morreu o poeta
Foi poetar em outro lugar
Quem sabe numa janela
Vendo a amada passar.

Morreu o poeta sonhador:
Sicenciaram suas palavras, versos e estrofes
Restaram apenas das canções os acordes
Das canções que pensou compor ...


Euclides Riquetti
14-04-2014

domingo, 13 de abril de 2014

Os primeiros pingos da chuva

Quando os primeiros pingos da chuva rolaram na vidraça
E embaçaram teu rosto angelical
Me pareceu que foram as tristes lágrimas
De uma despedida bem sentimental
Há muito tempo acontecida.

Quando meu pensamento misturou-se às gotas da chuva
E meu coração pulsou intensamente
Pareceu-me reviver aquele dia
Em que em mim morreu toda a alegria
Pois foste embora de repente...

Quando meu corpo de moveu para procurar o teu
E não encontrou  mais teus lábios junto aos meus
O mundo se tornou uma grande incerteza
O mundo então perdeu sua beleza
Ficou sem o sorriso de era meu e teu...

Euclides Riquetti
13-04-2014

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Há algo especial em você

Há algo muito especial em você
Não sei se é o bilho no seu olhar
Ou o seu modo de sorrir e de falar
E isso é bem difícil de descrever
Mas há algo muito especial em você.

Inexplicável, indizível, diferente
Impossível de não ser percebido
Talvez um segredo bem escondido
Que a torna assim tão atraente
Encantadora, sedutora, envolvente.

Mas, o que pode a alma esconder
Num corpo que busca afagos, busca abrigo
Que espera meu abraço ensandecido
Meus beijos, meu desejo, meu querer
E ser o algo especial que há em você?

Euclides Riquetti

O valor do trabalho intelectual

          Veio-me à mente, depois de muitos anos "doando" escritos aos outros, pesquisar sobre o valor do trabalho intelectual. Pesquisei no "Doctor Google" e encontrei respostas estapafúrdias. Pura viagem!

          Então, permiti-me refletir sobre isso. Fechei-me em meus pensamentos e naveguei pelas minhas horas, dias, meses, anos de vivência. Comecei a analisar as coisas que eu fiz, minha vida profissional, minha vida literária. Então, algumas lembranças ( e constatações)  me autorizo a aqui revelar:

1. De certa feita, comentei num site de um poderoso veículo de comunicação de Santa Catarina, sobre a ideia de uma pessoa que defendia, "ardorosamente", quem a empregava:  o Poder Público, naturalmente! E ela postou uma resposta em que me desancava. Pois busquei informações: Ocupava um cargo público, "de confiança", que nada tinha a ver com a sua formação em nível de Ensino Superior. Então, analisei o texto que ela postou e verifiquei que havia um incontável número de erros na expressão de nossa Língua. Não me segurei: Fiz minha réplica ( ou já seria tréplica?...), e disse-lhe que, sendo ela uma "bem agarrada à teta em que mamava", tinha mesmo que defender o patrão. Mas que, trabalhando junto a tantos aspones, deveria, antes de postar qualquer comentário, pedir-lhes que a ajudassem a revisar o seu recado. A conversa parou por aí mesmo!

2. Em todas as situações que pessoas procuram profissionais para lhe prestarem serviços, já vão preparadas com o dinheiro, o talonário de cheques ou o cartão de crédito para fazer a paga. É assim na área médica, no advogado, no engenheiro, etc, etc. Mas, quando precisam de uma orientação de um professor, educador enfim, buscam a informação, não perguntam pelo valor do trabalho prestado, e nem sempre se lembram de agradecer pelo favor. Aliás, professor é o único ser que precisa dar atenção aos pais dos alunos ali defronte à gôndola ou ao caixa do supermercado.

3. Determinados "palestrantes" ganham dinheiro falando as palavras que as pessoas gostam de ouvir. E ganham os aplausos, o dinheiro, a glória e o respeito. Por exemplo, se eu fosse falar a um grupo de empresários eu os encantaria se lhes dissesse que eles são bem explorados pelos governos, que cobram, deles,  impostos exorbitantes. Tenho certeza de que eu seria muito apludido e até fariam uma "rodinha" ao redor de mim para me bajular, após o evento.  Porém, se dissesse que o custo tributário é transferido para o consumidor final, não me vaiariam, mas as palmas seriam escassas. Duvida? Mas claro que jamais vão me contratar para dar palestras. Até porque todas as que proferi, em toda a minha vida, foram gratuitas.

4. O cidadão, homem ou mulher, formam seu capital intelectual através da vivência: no estudo, no trabalho, com a leitura, com a convivência e interrelação com seres que se movimentam e pensam. E, ainda, muitos detêm grandes habilidades manuais, as quais aliam às habilidades intelectuais e, com isso, conseguem criar coisas maravilhosas.

5. Escrevo. Gosto de escrever. Tenho material para publicar livros de poemas, crônicas, histórias e até mesmo artigos e resenhas. Mas eu ficaria muito triste se editasse  um livro e alguém dissesse que iria ao lançamento para "colaborar comigo"! Eu ficaria com vergonha pela pessoa...

6. Então, tenho minhas constatações e convicções de que o trabalho intelectual só tem valor se é vinculado a coisas materiais, infelizmente. A música ao disco. O escrito ao papel. A artesanato ao material de que é feito. E assim vai...E, então, dizer o que do trabalho cultural?

Leitores: O texto veio a minha mente, como poderia ter vindo à minha mente, porque, de vez em quando, tenho que me indignar com algumas situações que surgem em meu caminho. E que me mostram o quanto é difícil medir-se o trabalho intelectual. Um texto como este vale alguma coisa?

Euclides Riquetti 
11-04-2014

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Um calar-se que faz sofrer

Havia um sol a aquecer a tua  aura serena
Um sol que migrou e foi brilhar lá bem longe
Pra encantar uma tímida e frágil falena
Que além do meu vale verde se esconde.

Havia um brilho lunar a pratear teus encantos
Um luar que amenizou a aflição de tua alma
Pra acalmar os teus ais, teus choros e prantos
E fazer-te mais doce, mais terna e  mais calma.

Havia um pedido de perdão e um desculpar-se
Pois um de nós dois, certamente que errou
Um pergunta sem resposta, apenas um calar-se.

Um calar-se que faz sofrer, que nos fere e pune
Mas que não apaga um sentimento que ficou
Pois o tempo que apaga é o mesmo que une....

Euclides Riquetti
10-04-2014

terça-feira, 8 de abril de 2014

Foste embora na noite

Foste embora na noite, pra buscar outro porto
No barco dos sonhos, procurando outro mar
Foste embora pra longe, deixou-me absorto
Em meus devaneios, perdido a pensar.

Ancoraste num cais de uma cidade distante
Ninguém sabe quando, ninguém sabe onde
Fiquei no lamento, na saudade constante
Chamo por ti, mas ninguém me responde.

Passam meus dias, meus meses, meus anos
Sem nenhuma carta, sem nenhum sinal
Recolho-me no amargo de  meus enganos.

Espero em cada tarde, noite e manhã
Com a alma ferida por teu cruel punhal
Enquanto morro na espera de tua volta em vão.

Euclides Riquetti
09-04-2014

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Ouro - 51 anos

     O município de Ouro está completando 51 anos neste 7 de abril. Foi emancipado pela Lei Estadual nº 870, em 23 de janeiro de 1963. Antes disso, a Câmara Municipal de Capinzal havia aprovado a emancipação. Dos vereadores da época, acho que restam dois, apenas: Lourenço Brancher e Benoni Viel, o primeiro advogado e empresário, o segundo proprietário das concessionárias "Auto Elite" e agropecuarista. Dois grandes amigos.

         Os dois foram muito generosos, na época, aprovando a concessão de equipamentos rodoviários e agrícolas para o novo Município, mas isso não se efetivou adiante. Inclusive parte das ações da Companhia Hidrelétrica Piratuba deveria passar para o município que estava despreendendo-se de Capinzal. Ouro levou junto os Distritos de Dois Irmãos e Barra Fria, esta na parte localizada à direita do Rio do Peixe. Em 11 de novembro do mesmo ano, Ouro concedeu "independência" a estes, que se tornaram, adiante, Presidente Castello Branco e Lacerdópolis.

          O curioso é que Ouro, embora emancipado em 23 de janeiro, só foi instalado em 7 de abril. Motivo: Dia do aniversário da UDN, o Partido que era pratigamente hegemônico em Ouro. Como do outro lado do rio, em Capinzal, havia muita força do PSD, grandes rivais, era conveniente para ambos a separação. Mas em Capinzal havia uma sólida base política do PTB, pelo que se constata.  Outra coisa que nos chama a atenção, é de que a Sede Municipal se situava em Ouro, no Distrito,  e não em Capinzal. Ali no prédio localizado ao lado da Prefeitura, onde funcionam alguns departamentos municipais, a Epagri e a Cidasc. O prédio fora comprado pelo Município de Capinzal junto à família Sartori. Na separação, Capinzal teve sua Prefeitura instalada em prédio alugado. Difícil de acreditar que a sede do município ficasse num distrito...mas era assim mesmo, coisas da política.

     Fato marcante é que as leis de emancipação foram aprovadas "no apagar das luzes" de 1962. Em documentário  que produzi, juntamente com a jornalista Vanessa Siepmann, tenho todos os detalhes da briga da emancipação, com depoimentos valiosos que gravei com algumas pessoas envolvidas: Ivo Luiz Bazzo, Antônio Maliska Sobrinho, Pedro Casemiro Zaleski e até Horácio Heitor Breda, já falecidos. E outros agentes que ainda vivem, dentre eles a Dona Noemia Sartori e o primeiro prefeito, nomeado interinamente, Nelson de Souza Infeld.  Tenho uma cópia do DVD que tem 42 minutos de gravações.

      A História do Distrito de Abelardo Luz, que se transformou em Distrito de Ouro e depois município, é muito interessante. Tenho-a toda registrada e vou deixar para meus filhos.

      Parabéns, Ouro, pelo seu aniversário.
    
Euclides Riquetti
07-04-2014

         

Costelão Campeiro de Santa Luzia

          Quem nunca saboreou um costelão campeiro,  não sabe o que está perdendo. Pois,  neste domingo,  pudemos participar da terceira edição do "Costelão Campeiro da Capela Santa Luzia", aqui em Joaçaba. Pertinho de nossa casa, é um programa imperdível. Feito com muito capricho, são 390 Kg de costelão colocados ao fogo às 5 horas da manhã. Doze horas de fogo brando, de lenha, bom tempero, muita habilidade e jeito campeiro. Capitaneados pelo Alemão do Bairro Anzolin e pelo popular "Torresmo na Área", um piratubense aqui radicado, dez outros assadores e cuidadores do fogo foram a equipe muito eficiente e dedicada ao serviço. Ação comunitária legítima. Gente que trabalha por amor, sem esperar nada em troca.

          Mais de 400 pessoas presentes ao evento, onde pude rever alguns amigos de longa data, dentre ele o Claudenei Schumann, que foi meu colaborador na época da CD Laser, lá  no Ouro. Ainda, a participação de muitos de nossos vizinhos aqui do Bairro Nossa Senhora de Lurdes.  O Maurinho Fracasso, filho do Nene e da Maria, lá de Capinzal, que era coroinha dos Freis David e Luiz Wolf. Os anos passaram, agora ele faz parte do Conselho Administrativo da Capela. É bonito ver que os outrora crianças, agora têm liderança e grandes responsabilidades, constituíram suas famílias, são gente do bem.
As pessoas de nossa região, para onde quer que se dirijam, sempre são muito ativas e líderes.

          Levamos a Júlia, que encontrou-se com as amiguinhas Maria Clara e Mariana, com quem costuma brincar nos fins de tarde, muitas vezes. O trio se movimenta muito, corre pra cá, corre pra lá e as mamães e vovós que corram atrás delas para cuidar.

          É, também, nessas ocsiões que formam pequenas rodinhas em que um fala de política, outro de futebol, outro de... Bem, mas dos amigos que encontrei disse-me que vira minha crônica sobre o Wilker e me indagou: "O cara era um baita beijador. Se participou de quase 120 produções no cinema e na TV, mais as dos teatros, mais as zinhas pelaí, quantas será que ele beijou?"  Falei: "Deve ter beijado pelo menos umas 150, né?" É por isso que gosto de me enturmar com gente divertida!
         O Costelão, aqui, é tão bom quanto o do amigo Willy Lamb, do Tordilho, do Celso Valkiv,  ou do Palhinha, lá em Capinzal e Ouro. E, nessas ocasiões, a gente lembra de quantas e quantas festas comunitárias e religiosas a gente passou na vida, que trabalhando, quer apenas prestigiando-as. Sempre que posso, participo de ventos do gênero, admiro o trabalho que as pessoas fazem pelas suas entidades. A Apae e o Abrigo do Coração, com suas feijoadas, a ARAD, com o tradicional almoço, aqui em Joaçaba, costumam levar um considerável número de pessoas para participar. Defendem causas muito nobres e merecem nosso aplauso e admiração.

         Parabéns, Torresmo e Alemão, pela qualidade do seu Costelão Campeiro!

Euclides Rquetti
07-04-2014


         

sábado, 5 de abril de 2014

José Wilker no Purgatório?

          Nem era de dia ainda. Os anjos que davam plantão na entrada  do céu estavam participando de uma greve geral. Isso preocupava, pois poderiam chegar muitos para a Vida Eterna no Paraíso e, se não tivesse quem abrisse as portas, essas pessoas teriam que esperar no purgatório. E o purgatório não é,  nem de pertinho,  confortável como o céu. Lá,  eles não têm sofá com cheese, nem TV a Cabo, nem internet com facebook.  E celular é proibido, embora há uma semana alguns mais espertos estão usando livremente uns aparelhos que tinham escondido, pois acabou o contrato com a empresa que cuida dos bloqueadores de celular no purgatório,  e esqueceram de fazer a licitação para novo contrato.

          Mister Wilker chegou no hall do céu, pôs sua malinha com algumas roupinhas no chão, tirou o seu Ray Ban, aquele que usou quando fez o Giovanni Improtta em "Senhora do Destino", encarou a anjada como se fosse o Jango ou o Juscelino, todo imponente. Na mala, muitos óculos, bem moderninhos, coloridos, como os que costumava usar nas novelas. (A malinha era a mesma que usou, aos 19 anos, quando foi do Ceará, onde era locutor,  para aventurar-se na carreira de ator, no Rio.)

           "Caríssimos anjos, I am here!", disse José Wilker.  Miguel, o anjo mor,  riu. Era o chefe da guarda: "Mister Wilker, we have close doors here! The angels are in a srike! You need to stay some days at purgatory! Wilker entendeu: estavam com as portas fechadas, em greve, ele teria que ficar uns dias no purgatório...). Depois, cochichou para o colega Gabriel: "Psssst! É o Mundinho!" "Qual?", perguntou este.
E Miguel: "O Roque Santeiro...".

          Acostumado com as manifestações e greves do Rio de Janeiro, não se surpreendeu. Mas imaginava que lá, em cima, não houvesse falta de dinheiro oficial, que o Orçamento Celestial fosse bem generoso, que Pedro pudesse pagar seus assessores a contento. Então, começou a meditar: 68 filmes, 49 participações na TV, 1 filme e 2 novelas dirigidos, 1 seriado... E, mesmo com todo esse currículo, ficar fora do céu?!  Que coisa sem graça, pensou! Mas, educado e cavalheiro, como sempre, resignou-se. Sentou numa pedra ao lado da  malinha para esperar o busão que o levaria, junto com outros que ali se encontravam, para um estágio por tempo indeterminado no purgatório. Pareceu-lhes que havia alguns que vieram daquele avião da Malásia que desapareu, mas não tinha certeza.

          Os anjos, a essa altura, estavam decidindo se devessem ou não "abrir geral", ou seja, deixar que todo mundo entrasse. Com isso, causariam alguma confusão e poderiam ter sua pauta de reivindicações atendidas mais depressa.

          De repente, escutou uma vozinha: "Joseph... Mister Wilker...!"

           Olhou, era uma anja. Uma anja norteamericana, provavelmente.  Tão bonita que parecia reunir a beleza e todas as virtudes de suas ex-esposas, Renée de Vilmond, Mônica Torres, Guilhermina Guinle e Cláudia Montenegro. Encantou-se, foi de primeira. Pensou: "Estou salvo!"

            Dear, come in, silently! Here is a friend of yours waiting for you... Olhou, incrédulo. Lá estava o amigão Paulo Goulart, recém-chegado, para dar-lhe as boas-vindas. Cheio de moral, Goulart, com sua simpatia e habilidade, já tinha conseguido, com seu jeitinho brasileiro,  liberar a entrada do colega. Foi recepcionado por uma galera vibrante, comandada pela Hebe Camargo, que gritou: "Chega aqui, gracinha!"

          Chico Anísio deu-lhe um forte abraço. Darcy Gonçalves apertou seus peitões caídos conta o peito dele. Reginalso Rossi, The King, saudou-o com um soleado no violão.  Hebe lascou-lhe um selinho. Avassalador... Sentiu-se em casa!

Euclides Riquetti
06-04-2014

         

Tentei parar de pensar

Tentei parar de pensar em ti
Esquecer os teus beijos e teu doce sorriso
Mas por mais que tentasse,  eu não consegui
Pois ter o teu amor é de que eu mais preciso.

Tentei jogar fora os poemas que eu fiz
Apagar os momentos em que juntos ficamos
Mas a realidade é que me fizeste feliz
E de certo que  nós muito nos amamos.

Percebi que é difícil te reconquistar
O teu coração não quer mais o meu
Então só me resta  lembrar e sonhar.

Mas há uma dúvida que me tortura e consome
E que me faz acreditar que nosso amor não morreu:
Às pessoas com que falas, ainda dizes meu nome.

Euclides Riquetti
05-04-2014

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Padre Anhieta - agora sim!

"Eia colega, sempre avante
Pelo bem, pela verdade
E que noss ´alma exulte e cante
Ao florir da mocidade..."

          Era assim que começava o Hino de nosso Ginásio Padre Anchieta, em Capinzal, em 1965, quando eu cursava a primeira série do ginasial. Nossas professoras, principalmente Dona Vanda Bazzo e Dona Lorena Moraes nos motivavam a cantar. O próprio Frei Gilberto, padre italiano nosso Diretor, cujo nome civil era Giovanni Tolu, também cobrava-nos saber o Hino. E também o Nacional, o da Bandeira, o da Independência.  Mas o que nos orgulhava e encantava, mesmo, era o moderníssimo hino de nosso Ginásio.

          Pois justamente neste 3 de abril de 2014, quando o papa Francisco decreta a Santidade do Apóstolo do Brasil, José de Anchieta, tornando-o "São José de Anchieta", meu pensamento volta para meus 12 anos de idade. Nossa escola tinha um uniforme bastante singular, belíssimo, e nos eventos cívicos ficagvamos engalanados, verdadeiramente...

           O Padre Anchieta era nosso patrono. Conhecíamos a história dele. Chegou ao Brasil com apenas 19 anos de idade. Era um Missionário Jesuíta, da Companhia de Juseus, nascido na Ilha de Tenerife, no Arquipélado das Canárias, descendente de judeus. Da nobreza, não tinha força nem saúde suficiente para as armas, então, aos quatorze anos, entrou para a Companhia de Jesus, liderada pelo seu primo Santo Inácio de Loyola. Inteligente e criativo, fundador da cidade de São Paulo, foi ordenado padre aos 32 anos. Falava e escrevia em quatro línguas: Português, Castelhano, Latim e Tupi Guarani, a língua do Brasil, sobre a qual editou uma gramática.

          Seu "Poema à Virgem", com 4.172 versos de quatro estrofes, foi o primeiro épico, ainda antes de Camões escrever "Os Lusíadas", dizem os estudiosos. Escreveu-o nas areias da Praia de Iperoig, em Ubatuba. Era um exímio poeta, sendo assim o início do seu poema:

          "Minha alma, por que tu te abandonas ao profundo sono?
          Por que no pesado sono, tão fundo ressonas?
          Não te move à aflição dessa mãe, toda em pranto,
          Onde a morte tão cruel do Filho chora tanto?"

          Dezenove anos! A mesma idade em que cheguei a União da Vitória para cursar Letras. E onde me iniciei como poeta, timidamente. Uma idade em que tudo nos é novo. E que temos uma energia a nmos propulsionar para a conquista de nossos sonhos...

         Salve Padre Anchieta, agora "São José de Anchieta",  nosso Apóstolo do Brasil!

Euclides Riquetti
03-04-2014

Desenhei teu coração na areia

Desenhei um  coração na areia  do mar
E nele escrevi um belo nome
De alguém que me suga e consome
E que diz não me amar
Mas que me faz cantar
Sem rir, sem chorar:
Sonhar... sonhar!

Na areia longa a se perder
Que borda as ondas e as marés
Onde banhas teus graciosos pés
Procuro o corpo que flutua
Da musa grácil e nua
Que me faz sofrer...

Sofro da doença do poeta sonhador
Que morre por paixão, que chora por amor!

E, na dor indolor
Na onda do sol e do calor
Procuro me reencontrar
No teu suave flutuar
Entre as areias e as ondas
Do oceano a bailar!

Euclides Riquetti
03-04-2014




quarta-feira, 2 de abril de 2014

Para beijar os lábios meus!

Quando o novo dia chegar
Eu vou poder te rever
Eu vou poder  te abraçar
Te abraçar e te querer
Quando o novo dia chegar...

Mas, antes do sol tem a noite
Tem os sonhos, tem as lembranças
Tem uma dor que se esconde
Num  coração que balança
Antes do novo dia chegar...

Quando o novo dia amanhecer
Quem sabe eu possa entender
Se tu me queres ou me rejeita
Se teu coração me aceita
Quem sabe eu possa saber.

O que me importa, no entanto
É que eu tenho teu coração
E que eu posso escutar o canto
Que vem suave dos lábios teus
Para beijar os lábios meus!

Euclides Riquetti
02-04-2014

terça-feira, 1 de abril de 2014

Cinquenta anos depois...

          Leitores:  "31 de Março"  é uma data de muita significação para o povo brasileiro, pois marca a tomada do Poder pelas forças militares no Brasil. Com a eleição de Jânio Quadros para Presidente da República e João Goulart para Vice, em 1961 o eleito renunciou no mesmo ano de sua posse. Jango, como era conhecido o Vice, assumiu o cargo pelo seu direito Constitucional, mas teve muitas dificuldades para para governar. Enfrentou toda a espécie de pressão mas, de alguma forma, estava se mantendo no cargo. Porém, em 31 de março de 1964, havia muita turbulência no país, imperando a corrupção e a "subversão da ordem". A inflação em alta e o medo de que o sistema comunista, nos moldes de Cuba, fosse instalado, mobilizou setores da sociedade, a Igreja e as Forças Armadas.

          Em razão disso, as forças militares, apoiadas pelo alto clero da Igreja Católica, e alguns setores da sociedade e alguns jornais, ensejaram a derrubada do Governo Goulart, o que aconteceu em 1º de abril de 1964. Provisoriamente, Ranieri Mazzilli governou-nos até 15 de abril, quando o Marechal Humberto de Alencar Castelo  Branco foi eleito, por votação indireta, inclusive com o "voto articulado" do Senador Juscelino Kubitschek, ex-Presidente.

          Muita "confusão" precedeu o ato que recebe nomes conforme a ideologia de quem o conceitua: "Golpe Militar", "Revolução de 1964" ou "Contrarrevolução de 1964". Lembro que em Capinzal e no recém instalado município de Ouro já panfletavam a cidade com convites para a Greve Geral. Duas agremiações estudantis atuavam nos meios estudantis: A ACES e a ALEAR. A primeira, Associação Catarinense de Estudantes Secundaristas, que tinha sede junto ao prédio de madeira do Cine Farroupilha; e a Associação Lítero Estudantil Aparício Ribeiro, que era liderada por Agadir Almeida Lovatel, que funcionava ali em Ouro, no local onde se desativara a Indústria de Bebidas Prima. E a gente, no meio de uim tiroteio, não sei se ideológico ou de vaidades... Não tínhamos, ainda, maturidade para descernir sobre isso!

          Eu estava na quarta série do curso primário, no Mater Dolorum, as irmãs nos levavam para rezar na capelinha porque tinham medo do Comunismo. Nos meios, falava-se no perigoso Leonel Brisola... Meu pai já havia planejado que, se a guerra estourasse, iríamos nos esconder em Linha Bonita, que era na colônia, na Casa do nono Victório Baretta.  Nós, crianças estávamos curiosos em saber a diferença entre "guerra e revolução". Eu era privilegiado, meu pai entendia disso e me explicava.

           A intervenção militar deveria ser temporária, até que houvesse a eleição direta, mas isso não aconteceu, o que levou setores da sociedade a se manifestar e, consequentemente, a repressão, o endurecimento. O erro dos militares foi terem praticado a tortura e demorado para devolvar a nação para a administração eleita pelo voto popular. O Poder que fascina e o medo de que os rumos da política tomem caminho diferente do que as expectativas de quem manda é que determina o tamanho da vontade de tê-lo nas mãos. O exemplo se verifica em muitos países, ainda.

          O resto, é aquilo que se lê nos livros, que se lê ou ouve na imprensa. Cada um tem sua versão, sua predileção. Descarta-se qualquer hipótese de os militares voltarem ao Poder, não é essa a sua função Constitucional. De minha parte, não embarco em nenhuma onda. Procuro ver o lado A e o lado B de todas as coisas, na política, na economia, nos esportes, na vida social. Quando vejo uma posição defendida, procuro ver se a posição contrária também tem seus preceitos e seus argumentos. Não sou uma "maria-vai-com-as-outras, definitivamente.

          O que a população quer, hoje, é que haja ordem no País, nos Estados e nos Municípios, com  segurança, saúde, e educação de alto nível. A Democracia, sem dúvida alguma, é o melhor regime para todos, para quem governa e para quem é governado. A sociedade tem nas nossas  mãos um poder muito forte que a democracia e a Constituição lhe garantem: o voto! Serve para varrer o que não serve e para manter o que serve, conforme a opinião de cada um. Vale a sua, a minha, a do outro...

Euclides Riquetti
31-03-1964.