domingo, 2 de agosto de 2015

Içami Tiba e Orlando Orfei - duas perdas muito sentidas pelos brasileiros

           O Brasil perdeu dois grandes homens neste fim de semana: Içami Tiba, Psiquiatra e Educador, autor de "Quem Ama, Educa";  e Orlando Orfei, de nacionalidade italiana, mas que adotou o Brasil como sua nova Pátria, proprietário do famoso circo "Orlando Orfei", um dos mais espetaculares do mundo. 

          Içami Tiba era da cidade de Tapiraí SP, nascido  em 1941, estando com 74 anos na data de sua morte, no sábado. Formado Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (1968), especializou-se em Psiquiatria no Hospital das Clínicas da USP. Professor de Psicodrama de Adolescentes no Instituto Sedes Sapientiae e ainda o Primeiro Presidente da Federação Brasileira de Psicodrama e Diretor da Associação Internacional de Psicoterapia de Grupo de 1997 a 2006.

          Içami Tiba, com mais de  77 mil atendimentos como psiquiatra e psicoterapeuta de adolescentes e família, escreveu 29 livros. “Quem ama, educa!” e “Limite na Medida Certa”  são muito conhecidos. Palestrante, com mais de 3.400 palestras em seu currículo, esteve aqui na região algumas vezes. Vi uma palestra dele aqui na UNOESC, em Joaçaba. Lotou o Ginásio de esportes (Centro de Eventos) da mesma. Tem muitos fãs aqui no Meio-Oeste de Santa Catarina, dentre os quais me incluo.

          Estava entre os melhores psiquiatras do mundo, quase em nível de Sigmund Freud e Gustav Jung. Conhecedor e prático, propunha soluções simples e determinadas para o trato dos jovens e adolescentes. Um grande psiquiatra, um notável educador, na minha opinião.

         Já Orlando Orfei, 95,  notabilizou-se pela qualidade dos espetáculos de seu circo.  O Circo Orfei foi fundado por Paulo Orfei, em 1825, na Itália.  Seu neto,  Orlando, também italiano,   deu continuidade ao empreendimento da família, circense por 5 gerações, já. Orlando Orfei, neto de Paulo, iniciou a atividade circense em picadeiro aos 6 anos como palhacinho dentro das calças do irmão palhaço, que a um certo momento do esquete o retirava como se estivesse grávido. Dos 9 aos 15 anos foi malabarista e aos 18 já era quilibrista, ciclista acrobático e mágico.  A partir de 1956  Orfei tornou-se domador, sendo considerado um dos melhores do mundo.. Eclético, também foi  pintor, escritor, dublê de cinema e televisão, empresário, diretor circense e músico.

         Duas grandes personalidades, dois cidadãos que amavam o que faziam, que influenciaram as gerações atuais na maneira de educar ou na arte de entreter. Merecem o descanso eterno.

          Não pode haver educador que não conheça Içami Tiba, nem cidadão brasileiro que nunca tenha ouvido falar em Orlando Orfei. Ou que não tenha sonhado em ver um de seus espetáculos grandiosos!

Euclides Riquetti
02-08-2015

Pés descalços

Pés descalços
Acariciam as calçadas
Abandonadas.
Corações em percalços
Com batidas descompassadas
Retumbam em almas maltratadas
Rejeitadas, mutiladas.

Pés nus buscam caminhos de luz
E pisam na relva umedecida
Adormecida
Sustentando o corpo que seduz.

O corpo que atrai
E que distrai
Furta meus pensamentos pecaminosos
Libidinosos...
E me mergulha nas águas
Me afoga nas mágoas.

Algo me atira às incertezas do momento
Que vaga lento, lento
Como a nau que vai
E se perde no infinito
Bonito...
Bonito, mas cheio de ruelas obtusas
Confusas
Como eu!

Euclides Riquetti

Versos brancos e rosas vermelhas

Sorriem os cravos e as rosas vermelhas
Como se a primavera tivesse chegado
No primeiro dia de agosto,  ensolarado
Dia de sol, amor explodindo em centelhas.

Sorriem as dálias e as sempre-vivas
Sorriem também os lírios acanhados
Saúdam você , que busca em sua vida
Ver os seus sonhos todos realizados.

Sorri você o seu sorriso qual criança
O gentil sorriso do rosto e da voz que fala
Que você guarda desde a sua infância.

E eu escrevo versos nas pétalas macias
E tomo o vinho que me inspira e embala
Com as palavras que me contagiam.

Euclides Riquetti
02-08-2015




sábado, 1 de agosto de 2015

A Demolição da Ponte Pênsil de Capinzal e Ouro... não acredito nisso!

          A Ponte Pênsil Padre Mathias Michelizza, que liga os municípios de Capinzal e Ouro, e  cuja história já publiquei, e reeditei no sábado, neste blog, foi idealizada em 1932 e inaugurada em 1934. Passou por quedas e avarias em razão de enchentes, mas encontra-se ali, com seus 81 anos de bons serviços prestados às duas cidades.

         Mas há algo que me intriga: vi uma enquete num portal de notícias de Capinzal em que se pergunta se ela deveria ser demolida para dar lugar a uma que comportasse a passagem de carros. E, pasmem, 67% dos internautas responderam serem favoráveis à demolição. Assustei-me! Senão, vejamos:

          Nossa ponte pênsil, durante muitos anos, deu-nos o orgulho de estufarmos o peito e dizermos que era a quarta ponte do mundo no gênero. Considero-a patrimônio material e imaterial das duas cidades, que já foram uma só, e onde eu nasci e nasceram meus filhos.  E isso independentemente de haver ou não Lei específica de tombamento ou algo que o valha. Entendo que a preservação de nossa história deve acontecer porque somos pessoas que queremos valorizar o que nossos pais construíram e que nos proporcionam lembranças. Nem preciso repetir que "povo sem história é... " ou que "povo sem memória é..." (Fique à vontade para completar, leitor, leitora.

          Claro que uma enquete é apenas uma enquete, não tem valor jurídico, mas reflete o pensamento das pessoas. E isso nos faz concluir que nossa cultura anda paupérrima!!! Ora, a ponte foi construída e reconstruída, (as duas primeiras vezes...), com muito dinheiro da comunidade: cerca de 55% do investimento financeiro e ainda a prestação de serviços pelos moradores dos então distritos de Capinzal Ouro. O Governo do Estado, participou com menos de metade do investimento.

          A maioria das pessoas que ajudou, com dinheiro ou dias de serviço, já faleceu. Os filhos do Sr. Ivo Luiz Bazzo, ex-Prefeito de Ouro, têm ainda a plaqueta se "sócio" da ponte. E muitas outras famílias ainda as têm guardadas. Mas, quer com dinheiro, quer com serviços prestados, podemos elaborar uma extensa lista de colaboradores da época, das famílias: Bazzo, Baretta, Germani, Maestri, Lanccini, Toaldo, Bonissoni, Cadore, Dambrós, Rech, Mantovani, Nepomuceno, Colombo, Volpato, Carleto, Carletti, Almeida, Baratieri, Barison, Rech, Richetti, Thomazoni, Penso, Suzin, Cruz, Caldart, Viecelli, Masson, Lucietti, Ribeiro, Tessaro, Miqueloto, Bonadiman, Zortéa, Brancher, Zuanazzi, Zóccoli, Spadini, Surdi, Vidi, Branbilla, Olivo, Santos, Machado, Sufredini, Parisotto, Scopel, Dalla Páscoa, Segalin, Casagrande, Dalssasso, D ´Agnoluzzo, Sartori, Ferro, Zaleski, Rossetti, Bertaiolli, Golin, Hachmann, Favorito, Savi, Viccari, Meyer, Maliska, Andrioni, Gasparetto, Boff, Durigon, Correia, Souza, Macarini, Casara, Frigo, Masiero, Viganó, Bonamigo,  Zanini, Richetti, Silva, Ferreira, Siviero, Campioni, etc, etc, que, além de ajudarem na obra, também ajudaram a construir o Hospital Nossa Senhora das Dores, a Igreja Matriz.

          É claro que a comunidade não vai deixar que isso aconteça!

          Até mesmo porque está projetada uma ponte, com 232 metros comprimentos, com projeto executivo já aprovado, para retirar o trânsito pesado da ponte Irineu Bornhausen, que atravessará o Rio do Peixe ali na Capela do Caravággio, até a Linha Galdina, com subida de uma rodovia (contorno viário), até as proximidades da BRF/Unoesc, em Capinzal. Quem participou das audiências públicas que realizamos, em 2012, no Centro de Eventos de Nossa Senhora do Caravággio, conhece o projeto.

         Ainda, se com isso não for resolvido o problema, há o espaço junto à garagem da Prefeitura de Ouro e a Área de lazer Dr. Arnaldo Favorito, que antes de termos a ponte,  era o porto da balsa com  que o Sr. Afonsinho da Silva realizava as travessias de pessoas, animais, carroças e veículos. Não se precisaria demolir nada para se ter uma nova obra.

         O Governador Raimundo Colombo, sobrevoando as duas cidades de helicóptero, recentemente, confidenciou a uma assessor que tem grande preocupação com a ponte Irineu Bornhausen, pois é a única na cidade e, no caso de alguma interdição ou incidente, teríamos o caos. O Orçamento de Santa Catarina tem rubrica aberta de 4 milhões de reais para a ponte e o contorno viário. Vai mais de 30 milhões para a execução da obra, mas, estando no orçamento e no PPA, como está, é possível a execução iniciando ainda em 2015.

       Entendo que a comunidade empresarial e política, mais a sociedade organizada, precisam agir firmemente com o objetivo de mostrar ao Governo a necessidade de execução da obra na maior brevidade possível. Mobilizem-se!

Euclides Riquetti
01-08-2015
         

Obra-prima

 
Pensei em produzir uma obra-prima
Algo que marcasse, que ficasse eternizada.
Quem sabe um poema com boa rima
Quem sabe uma foto envernizada.

Pensei em produzir uma obra-prima
Algo que ninguém houvesse ainda feito.
Podia ser uma escultura pequenina
Podia ser um monumento perfeito.

Pensei em buscar  uma obra-prima
Algo raro, quem sabe inimaginável.
Podia ser uma  composição divina
Uma ópera de lírica admirável.

Pensei, repensei, tentei, retentei...
Busquei tirar algo de minha inspiração
Fui longe, longe, mas sabes quem eu encontrei?
Foste tu, bem escondida...no fundo de meu coração!

Euclides Riquetti

Ponte Pênsil - Capinzal e Ouro - uma jóia rara! Falando em demolir?


Vejam o que escrevi, há dois anos, sobre a nossa ponte. E analisem bem a importância histórica desse patrimônio material e imaterial . Minha opinião sobre a sua demolição, colocarei em novo texto, mas adianto que considero isso um ATENTADO À  HISTÓRIA DAS DUAS CIDADES.

Ponte Pênsil Padre Mathias Michelizza

          Os Distritos de Ouro e Rio Capinzal, na terceira década do Século XX, pertenciam ao Município de Campos Novos, de vasto território envolvendo o Planalto Catarinense e o Vale do Rio do Peixe.

           Um fator de dificultava a vida da população dos mesmos, principalmente dos moradores da margem direita do Rio do Peixe, era a falta de conexão entre os dois povoados, uma vez que apenas o serviço de balsa e botes era disponível para o transporte de pessoas e produtos de um para o outro. No lado Rio Capinzal,  havia a Estrada de Ferro, inaugurada em 20 de outubro de 1910,  ainda diversas indústrias, hospital,  um comércio bem organizado e até hotéis. No lado de  Ouro, o comércio era bem ativo e a produção agrícola muito forte, até por causa da vocação de seus colonizadores, descendentes de italianos originários da Serra Gaúcha.

          Em 1932, estando em bom estágio de desenvolvimento, precisavam construir uma ligação fixa entre os dois povoados. Então as comunidades, lideradas pelo Sr. José Zortéa, uma pessoa de alto espírito empreendedor, com grande agilidade e muio criativo, fez projetar uma ponte de madeira, sustentada por cabos de aço assentados em pilastras também de madeira. Coube aos Srs. Otávio Ferro e Aníbal Ferro formarem a equipe de trabalho e executarem a obra, pois tinham grandes conhecimentos em crpintaria e marcenaria.

          Para financiar a obra obtiveram, através do Município, uma pequena ajuda do Governo do Estado, mas o custos maiores foram bancados pelos moradores dos dois Distritos. Depois de quase dois anos desde a concepção do projeto, a ponte ficou pronta e teve sua inauguração em 1934, numa concorrida solenidade, quando o Padre Mathias Michelizza, um dos grandes incentivadores da obra, atravessou-a a cavalo. Na parte localizada em Rio Capinzal, havia sobre ela uma Casa de Pedágio, onde os usuários pagavam para passar de um lado a outro. À época,  era considerada a terceira ponte do gênero no mundo.

         Porém, por ocasião da grande enchente de 21 de junho de 1939, ela veio a ruir pela força das águas do Rio do Peixe, que atingiram, inclusive, a Rua da Praia, hoje Rua Governador Jorge Lacerda, e a Felip Schmidt. O local onde se situa a Praça Pio XII foi totalmente inundado. Fora uma enchente sem prcedentes. Também houve alagamento na área central da Rio Capinzal.

          Mas nossa comunidade, muito unida e determinada, contratou um responsável técnico, o Engenheiro Austríaco Máximo Azinel, que também teve o apoio do prático,  também austríaco,  Antônio Holzmann, e conseguiram reconstruí-la, agora com pilastras de concreto e com um vão central de 84,50 metros e ainda a parte de extensão imóvel. Hoje, na totalidade, atinge 142 metros. A segunda ponte exigiu um investimento de Cr$ 200.000,00 (Duzentos mil cruzeiros), e houve a participação do estado com Cr$ 90.000,00. Os Cr$ 110.000,00 faltantes e ainda muitos serviços, foram bancados pelos moradores dos Distritos de Capinzal e Ouro. Foi inaugurada em 1945. Os nossos benfeitores guardam, até hoje, plaquetas metálicas em que consta serem "sócios" do emprendimento.

          Cabe mencionar que tinha uma largula de 3,5 metros, o que possibilitava a passagem de carroças com tração animal e de pequenos caminhões, os quais transportavam artigos de consumo de Capinzal para o Ouro,  e suínos deste para serem abatidos no Frigorífico Ouro, mas que era localizado em RioCapinzal, ali próximo da Estrada de Ferro.

         Alguns anos depois da inauguração da Ponte Irineu Bornhausen, a chamada "Ponte Nova",  inaugurada em 06 de janeiro de 1955, a pista da Ponte Pênsil foi estreitada, ficando na largura atual, apenas permitindo-se a passagem de pedestres.

          Na enchente de 07 de julho de 1983, ela foi parcialmente destruída, sendo reconstruída pela ação dos Prefeitos de Capinzal, Celso Farina, e de Ouro, Domingos Antônio Boff. Entretanto, na segunda metade do ano de 1984, pouco tempo após a sua reconstrução, um violento vendaval seguido de ciclone atingiu a área central de Ouro, levando parte da cobertura de alumínio do Ginásio Municipal de Esportes André Colombo e derrubando a ponte.

         Foi uma cena horrível: A cidade escureceu na meia tarde, virou tudo noite, vieram fortíssimas rajadas de vento, o ar frio misturava-se ao quente, formava redemoinhos, as pessoas se agarravam aos postes e mesmo aos pneus dos carros estacionados na rua Felip Schmidt para não serem levadas pela sua força. E, num dado momento, os cabos laterais de segurança foram rompidos, a plataforma de madeira foi lançada ao ar sentido Sul/Norte, até a altura do topo das colunas altas que sustentavam os cabos de aço.

          Com o represamento do vento, foi tanta a força exercida, que as pilastras de concreto quebraram-se ao meio, na altura da plataforma, caindo tudo dentro do Rio do Peixe. Custou-me acreditar que isso tivesse acontecido. Presenciei a cena da janela da sala do Pré-escolar da Escola Prefeito Sílvio Santos, para onde corri quando percebi que vinha a escuridão. Preocupei-me porque esta era uma casinha de madeira, ao lado do prédio principal da Escola.  Com calma incentivei as crianças da Professora Neusa Bonamigo a "brincarem de se esconder" debaixo de suas mesinhas. Formulei uma brincadeira de nos escondermos, pois tive medo de que a edificação também desabasse sobre eles. A professora logo entendeu o que eu estava fazendo e o porquê. . Eu apontava o dedo para a janela sugerindo que fosse olhar sem as crianças notarem aquele cenário desolador. Fazia sinais e ela não imaginava a cena de horror que se passava lá fora. Eu não queria que as crianças se assustassem, mas entendeu que algo se passava e alojou os pequenos sob suas mesinhas.  Evitamos  que as crianças percebessem o que se passava. . Felizmente, nada de mal  lhes aconteceu.

          Alguns minutos  depois, a ocorrência de chuva. Um aluno nosso e o filho de uma professora, nossa colega, estavam sobre a ponte, mas conseguiram escapar de cair no rio ou serem atingidos pelos materiais da ponte. Caíram fora das águas. Tudo terminou bem. Mas as águas subiram e levaram todas as madeiras embora, de novo...

          No ano seguinte, 1985, foi reconstruída, com o aproveitamento das bases dos pilares e a fixação dos pórticos de sustentação dos cabos de aço sobre essas. Fizeram furações verticais nas pilatras restantes e conseguiram "chumbar" as colunas sobre elas. Tudo ficou bem novamente. Houve substituição do madeiramento por duas vezes, desde então, em 1991 e em 2005, , ficando no mesmo padrão, com o objetivo de preservar seu modelo arquitetônico, uma verdadeira obra de arte. Está ali, impondo sua simplicidade historica, majestosamente, sobre o nosso Rio do Peixe!


Euclides Riquetti
24-05-2013

Beijo com sabor de canela

Dê-me um beijo com sabor de canela
Um beijo bem gostoso, bem adocicado
Quero sentir as sensações que revela
Um beijo ardente, um beijo demorado.

Dê-me um abraço carinhoso, apertado
Abraço delicioso, quente e  sensual
Deixe-me sentir o seu corpo perfumado
Abraço terno, que me levanta o astral.

Dê-me a alegria de senti-la e assim
Sentir a alegria de quem dá e recebe
Sentir você bem juntinho de mim.

Beijos, abraços, o que mais querer
Se são os prazeres que você me concede?
Beijos e abraços, que me fazem viver!

Euclides Riquetti
01-08-2015

Uma semana de muitos reencontros (com conterrâneos)

          Uma das coisas de que eu muito gosto é reencontrar velhos amigos. E, nesta semana, em pelo menos 4 vezes, tive a alegria de rever pessoas que estiveram presentes em minha vida. Na terça-feira, num mercado em Herval ´Oeste, encontrei um casal que fazia compras. Cumprimentei-os e perguntei ao cidadão se ele era de Herval, se conheceu alguns amigos que fui mencionando. Perguntei se conhecera o Dircinho, aquele meu amigo que fora jogador de futebol profissional no Água Verde (Curitiba), Rio Branco (Paranaguá) Iguaçu (União da Vitória) e JEC (Joaçaba),  e virou maquinista de trem. Conhecera-o, mas não sabia do paradeiro dele. Pedro Álvares de Brito e a esposa Rose.

          Perguntei se conhecia o "Preta", um amigo de meu tempo de adolescência, que era de Capinzal, que jogou no nosso Palmeirinhas (da Rua da Cadeia...). Para minha surpresa, a esposa dele falou-me: Sou irmã do Preta! Foi pura alegria para mim. Disse-me que o Preta e o Reni, (Reinaldo e Reni Padilha),  seus irmãos, moram aqui em Joaçaba, até me indicou o local. Perguntei sobre o Romeu, irmão deles, que foi um dos melhores laterais esquerdos que vi jogar,  que veio do Vasco, de Capinzal, jogou no antigo Comercial, aqui de Joaçaba, disse-me que já é falecido. Consegui o telefone do Preta. Vou, uma hora dessas, fazer uma surpresa para ele.

          Na quarta, em outro mercado, agora em Joaçaba, encontrei meu ex-aluno e colega,  professor Darci Coelli, que foi meu aluno no Sílvio Santos, no Ouro. Estava com a esposa, a advogada Marcela, uma portenha de Buenos Aires, estudiosa de línguas, muito culta e amável. Foi uma verdadeira alegria vê-los e relembrar dos tempos em que o Darci era o aluno mais forte da sala, muito humilde, mas que recebia o apoio dos colegas e dos professores. É um vencedor! Agora foi embora do Brasil, mas estava por aqui, pois tem familiares residindo em Capinzal.

         Na quinta, pela manhã, ao voltar da costumeira caminhada, ouvi uma voz: "Ô, Riquetti!" Era o  Diomar, centroavante que jogou no Arabutã nos tempos que o campeão mundial de futebol, o Lico (Antônio Nunes), era nosso treinador. Lembramos de uma partida em que fomos jogar em Concórdia, com os másters daquela cidade e aplicamos 7 a 3. O Lico jogou apenas um tempo porque o joelho, aquele mesmo que o tirou do Flamengo aos 31 anos,  e o fez parar precocemente com o futebol, estava doendo. Lembrei das jogadas que o Lico nos orientava, que era para tomar a bola dos outros e passar para o Chimia (Valdir Thomé), que, canhoto, fazia bons lançamentos para o Diomar, que se posicionava no ataque entre o central e o lateral direito e, na indecisão deles, a bola ficava com nosso atacante, que fazia gol ou passava para o atacante da direita, que também fazia. Também estava lá o Alaor, filho  do Caetano Morais, e o gerente da Log Master, outro conterrâneo, e uma garota.  Lembrei com o Alaor dos tempos em que eu fugia da aula no Juçá Barbosa Callado, a Dona Holga Brancher era diretora, para jogar bolão às escondidas, porque eu era menor. Uma vez pulei a janela e esqueci o guarda-chuva na sala, tive que voltar, quietinho, para a sala d aula...Que vergonha!

          Já na sexta-feira, cedo, acabei encontrando dois homens trabalhando na construção do Posto do Batatinha, onde era a Lanchonete Trevo, perto do Hotel Joaçaba. Conversa vai, conversa vem, descobri que um era irmão da comadre Jurema, mãe do Ezequiel, meu afilhado, e da Clementina, mãe da Jocasta, lá do Alvorada, no Ouro. E o outro, Joel, sobrinho deles. Perguntei ao "tio" o seu nome e ele falou: "Deolice!" Sorri e falei: "Tenho certeza de que esse lhe foi dado por causa do Deolice Zênere, Prefeito de Capinzal na década de 1960". E não deu outra, foi isso mesmo! É irmão do Vilson, amigo do Chimbé, a quem já me referi em outra oportunidade aqui no blog, quando escrevi "Bahia, meu Deus do céu!"

        Quatro situações, o reencontro com  pessoas simples, que e viram na vida e que, felizmente, estão aqui firmes  e saudáveis. Um prazer enorme tê-los visto e batido um bom e saudoso papo com eles. Saúde e longa vida a todos vocês, amigos que guardo no coração!

Euclides Riquetti
01-07-2015

sexta-feira, 31 de julho de 2015

A noite é tua!

A noite é dos homens e dos meninos
É daqueles que sofrem acordados
De todos os corações maltratados
A noite é o palco dos desatinos...

A noite é o estágio  mais límpido
O melhor  cenário para a encenação
Dos dramas, dos romances, da ilusão
Da revelação dos segredos mais íntimos.

A noite é das mulheres e das meninas
Que viajam no universo do infinito
A esbaldar suas vontades femininas.

A noite é de todos os viventes
De rosto feio ou de rosto bonito
A noite é palco para todas as gentes!

É bem assim: é tua!

Euclides Riquetti
31-07-2015



Décima Crônica do Antigamente ... (reprise)

 Reprisando: mais uma de minhas crônicas da série "do antigamente"...
 
         Há aquele chavão muito batido e repetido:"Recordar é viver". Recordar, para mim, não é viveé reviver. E, quando recordo, revivo momentos de minha vida. Meu subconsciente esforça-se por deletar os ruins, dando  "stop-and-go" e chegando  a momentos que me trazem a sublime felicidade. Ah, mas não é tão mecânico, tão fácil assim...

          E, quem é antigo, como eu, tem muito mais a re-cordar, a re-viver. Bem hoje que o Vando, o colecionador de calcinhas e corações foi pro "outro andar", pegou o elevador pro céu. É, quem dilacerou tantos corações, fez afagos generosos a tantas almas, embalou tantos sonhos, encarnou tantas vezes o cupido, deixou-nos. Moça...

          Que bom quando podemos dizer algo de bom sobre alguém que muito nos deu "de bom". O Vando foi a alegria de muitos  jovens, como foi o Paulo Sérgio, de "Última Canção", o Evaldo Braga, de "Sorria", o Carlos Imperial com "A Praça", e tantos, tantos outros, que nos encantaram no som do três-em-um ou no toca-fitas do Fusca, do Chevette, ou da Brasília. Deus o receba romanticamente em sua Eterna Glória...

          E, lembrando-me dos antigos tempos românticos, lembro das noites dançantes do Primeiro de Maio, da Cabana, do Ateneu e do Floresta, na OUROCAP, e do "25", em Porto União da Vitória. E havia o romantismo singelo, puro, das pesoas que viviam os sonhos mais simples, como jogar ou ver voleibol no Floresta, no campinho do Botafoguinho, ali na XV, ou do Expresso, lá pras bandas do Santa Terezinha, estes em Capinzal, ou jogar futsal na quadra do Padre Anchieta. Bons aqueles tempos que minha mente atiçam, minha alma provocam. Bons, porque tínhamos uma poderosa juventude, uma força descomunal em cada um de nós, uma vida preciosa em cada ser e, em nossa imaturidade, não sabíamos quanto isso nos era importante...

          É, naqueles tempos não tínhamos a novela das seis,  a "Vida da Gente", a Marjorie Estiano,  mas tínhamos os filmes do Cine Farroupilha, do Cine Glória, onde íamos ver a Gina Lolobrígida, a Catherine Deneuve, a Brigitte Bardott, a Claúdia Cardinalle, a Marylin Monroe. E elas iam ver o Giuliano Gemma, o Dean Martin, o Marlon Brando, o Elvis Presley, o Kirk Douglas... E ouvir trilhas sonoras de Romeo anda Juliet e Love Story! Agora, amigo, amiga, tu podes curtir um Michel Telló, um MC-não-sei-o-quê, um funk arretado, ver um filme de mutações, ou qualquer outra banalidade que queira.

          Ter sido antigo me permite falar de pessoas assim. Até da Demi Moore, ex Senhora Bruce Willis, a belíssima de "Proposal", que está internada para desintoxicar-se de álcool e outras drogas, como já esteve a mais antiga do que eu, vera Fisher.

          Deus dá beleza e talento para muitas pessoas. Algumas desperdiçam isso, perdem a noção de quanto a vida é imortante, esquecem-se de re-cordar, de re-viver! E, eu, cá, desperdiçando minhas habilidades em escrever sobre o Telló.

Euclides Riquetti
09-02-2012 

Como se fosse um verão

Como se fosse um verão
Quero segurar tua mão
Numa praia deserta..

Não sei porque razão
Ao escrever  esta canção
Meu coração aperta...

Como se fosse tempo de sol
No quente, sem cachecol
Andando na beira do mar...

Vai  pelo tempo a lembrança
Talvez querendo ser criança
E nas areias brancas brincar...

Olhar teus  olhos que brilham
Beijar com gosto de baunilha
Abraçar teu corpo formoso

Dizer-te palavras escolhidas
Dizer-te versos com rimas
Querer-te de novo e de novo...

E, como se fosse um verão
Deitar no quente do chão
E rezar pra agradecer

E, em cada nova estação
Compor uma nova canção
Reviver, cantar, reviver...

Reviver, por você!

Euclides Riquetti
31-07-2015






Lá fora...

  
Vai lá pra fora
Olha as estrelas
É possível vê-las
Bem agora.!

Olha pro céu infinito
Negritude prateada
Noite abençoada
Firmamento bendito.

Pensa comigo:
A noite é dos sonhadores
Dos  sentimentos avassaladores
E eu me perco contigo.

As estrelas, o céu, os sonhos
Os teus olhos risonhos
Os teus pensamentos (medonhos?)
Me tornam menino, menino!

E alguém imprime um destino:

Quem?

Euclides Riquetti

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Água poluída para provas nas Olimpíadas do Rio

         No dia 02 de outubro deste ano serão completados 7 anos desde que, em Copenhague, na Dinamarca, o Brasil foi  escolhido como País-Sede para a realização dos Jogos Olímpicos de 2016, contemplando a cidade do Rio de Janeiro como palco do maior evento poliesportivo do mundo. Algumas tarefas, o tal do "dever de casa", não mereceu a devida atenção. Parece-nos que, como já é de nossa cultura, apenas há a preocupação com as obras que causem impacto visual, não com a qualidade estrutural. Na questão ambiental e  sanitária, um comportamento ridículo. Já gastaram R$ 10 bilhões para despoluir a Baía de Guanabara e dizem que precisam de mais R$ 20 bilhões.

         Os Jogos Olímpicos foram iniciados em Atenas, na Grécia, 2.500 anos antes de Cristo, embora alguns historiadores atribuam a datas mais recentes. Em 393 depois de Cristo foram suspensos,  e retomados em 1896,  com o início da realização das Olimpíadas da Era Moderna, também em Atenas. EM 1900, em Paris.  As Olimpíadas irão ter sua edição no Brasil no início do segundo semestre de 2016, daqui a um ano, portanto. No entanto, os principais noticiosos brasileiros desta quinta-feira, 30, nos dão conta de que a baía de Guanabara, e a Lagoa Rodrigo de Freitas, dois dos três locais onde serão realizadas as provas náuticas com equipamentos, estão  horrivelmente poluídas. E, de 10 emissores de esgotos existentes na Baía de Guanabara,  , apenas um foi adequado de forma a não mais poluir as águas. 

        Agora, velejadores estrangeiros que estão chegando para treinarem estão se queixando da péssima qualidade da água ali. Um competidor estrangeiro reclamava de que havia muitos animais mortos e  até móveis boiando na água, que se encontra excessivamente escura, denotando haver poluição no local, sem condições de balneabilidade e prática de esportes.

         Uma universidade gaúcha examinou as águas dos locais das provas e a constatação foi a de que as pessoas que tiverem contato com as mesmas correm sérios riscos de ficarem doentes, uma vez que há muitos vírus na composição.

          No Brasil, e lamento ter que dizer isso, o planejamento de ações públicas, normalmente, é feito por incompetentes e as ações acontecem na base da improvisação. É uma vergonha para nós, que em todos os momentos estamos nos noticiários por causa de nossos malfeitos. E, ainda esperamos que nossos atletas estejam sendo bem preparados, pois, como anfitriões, temos a obrigação de não fazer feio. fazer bonito, dadas as circunstâncias, é algo muito difícil.

Euclides Riquetti
30-07-2015

A lua azul...

Noite de poemas  e de lua cheia
Um belo luar de cor azul
Que como uma luz de candeia
Brilhará para a América do Sul.

As almas dos poetas flutuarão
Surfando nos ares enluarados
O coração exalando uma paixão
No luar dos sonhos enamorados.

Uma lua azul, um forte brilhar
Que adorna a terra e o firmamento
Uma lua azul a nos encantar...

Na noite de lua azul, de lua plena
O poeta eterniza o doce momento
Na noite clara, prateada e  serena.

Euclides Riquetti
30-07-2015








Quando os ventos sopram do sul

Quando os ventos do sul me trazem seu perfume
Vêm de leve para fazer carícias em meu rosto
E, prestes a chegarem as noites no mês de agosto
As estrelas me protegem com seu cândido lume .

Quando os ventos do sul me trazem ares celestiais
E as gotículas de aljôfar refrescam minha mente
Dorme o meu coração,  e vibra minha alma quente 
E os anjos se harmonizam na sinfonia de seus corais.

Cantam os anjos as ternas canções que você canta
Que me transportam para um indescritível paraíso
Para um castelo distante,  que a vista não alcança.

São as canções que os ventos do sul me trazem
Perfumadas com os acordes de que tanto preciso
Nos embalos harmônicos que feliz  me fazem.

Euclides Riquetti
30-07-2015