quinta-feira, 28 de julho de 2016

Rezei por você

 

 
  
Rezei por você, adorável mulher
Pedi a Deus que realize seus sonhos
Escrevi as orações em folhas de papel
Para ler e reler nos momentos tristonhos.

Rezei orações singelas e poéticas
Orações para Deus e Nossa Senhora
Pronunciei as palavras ternas e diletas
E que possam ajudá-la em todas as horas.

Rezei, pedindo pela sua felicidade
Pela sua saúde, pelo seu bem-estar
Rezei porque sempre eu sinto saudades
Você que já  mora  no meu pensar

Rezei, rezei  muito,  infinitamente
Já perdi a conta de tantas orações
Quero que viva feliz e contente
E que possamos viver belas emoções.

Euclides Riquetti

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Cantam as roseiras


Cantam as roseiras que estão à espera
Para os cravos, crisântemos e lírios
Da chegada gentil da  Primavera
Cantam para as flores de seu convívio...

Cantam as roseiras e cantam as rosas
Animadas pelo áureo coral do passaredo
Entoam as canções líricas e lamentosas
Que ressonam no verdejante arvoredo.

E, enquanto cantam e nos encantam
Sorriem como moçoilas de saia escura
De meias pretas em pele de alvura.

E, enquanto as borboletas se alevantam
Sorri também aquela  do sorriso de luz
Que com  mãos leves  me guia e conduz.

Euclides Riquetti

De sapateiros e de sapatos (Homenagem aos sapateiros de Rio Capinzal)






          Sapateiros estiveram presentes na vida das pessoas desde que inventaram as sandálias, os primeiros calçados disponíveis ao homem. O objetivo, primordialmente, era o de proteger as solas dos pés, não o de adorno. Isso há mais de 10.000 anos. Depois vieram as botas, os botinões, as botinas, os coturnos,  os sapatos. A proteção aos pés, nas marchas para as guerras, era um fator de sobrevivência. Quem tinha os pés mais protegidos, conseguia encurtar as distâncias. Nos desertos, as sandálias,  nas montanhas nevadas, os mocassins. Em minha adolescência, todo o cara "bacana" tinha um sapato "Passo Doble", da Vulcabrás.

          Naquela época  eu gostava de frequentar alfaiatarias e sapatarias. Tinha parentes alfaiates e amigos sapateiros. Aliás, quando eu morava no Leãozinho, na época que tinha  anos, um filho de meu padrinho, o Aristides, era sapateiro. E eu ficava entretido em ver que as pessoas traziam seus sapatos gastos para por uma meia-sola. Em Capinzal, os mais tradicionais, de que me lembro, eram o Betinardi e os Zuanazzi. Adiante, na sapataria do Oneide Andrioni, em Capinzal, ele, os irmãos Severino e Antoninho, mais seu cunhado Valdir Souza, o Coquiarinha, tinham uma sapataria muito forte. Os fazendeiros e os colonos traziam suas botas velhas para fazer um remonte. Agora, o Tata Dambrós, ali ao lado da Praça Pio XII é meu "shoe assistant".

          O  remonte, numa bota, consistia em substituir todo "sapato" da mesma, aproveitando-se apenas o cano do par velho. E, com uma boa pintura, daquela tinta a pincel que só o sapateiro tinha, ficava novinha. Meu sonho era ter uma bota, nem que fosse de remonte. Acho que nunca tive um par delas, só botinas.

          O Riciere Caldart, conhecido como "Seu Nini", era uma fera na área, ali no Ouro. Assim como os Surdi, em Capinzal, os Andrioni, na Linha São Paulo, os Tonini, em Novo Porto Alegre, os Frank, na Linha Sete, o Valduga, na Barra do Leão, e outros. Todas as cidades e vilas tinham que ter uma boa sapataria, pelo menos, e em algumas comunidades rurais. Na verdade, nestas, além de lidar com calçados cuidavam dos arreiames dos cavalos, das selas e dos selins. E as mulheres levavam seus sapatos para trocar o salto, conforme a moda exigia. "Quero cortar meu salto e por um médio!"  "Quero que tire esse salto grosso e coloque um mais alto, que tenho que ir a um casamento no sábado!"
         
          Era tão bonito ver as mulheres com os cabelos bem arrumados, roupas elegantes, alçadas sobre belos sapatos de salto.

          E os sapatos foram ganhando importância tamanha na vida das pessoas que hoje existem de todos os tipos, de todos os materiais e para todos os  gostos. Pode-se dizer que, para a mulher, as bolsas, igualmente, situam-se não mais como acessórios, mas sim como componente básico da vida diária. E a combinação sapato-bolsa-cinto, quando bem articulada, lhes atribui um elevadíssimo grau de charme e elegância. É encantador  ver uma mulher que sabe vestir-se e harmonizar suas vestes com os seus acessórios.

          E nós, homens, também fomos aprendendo com elas. Aprendemos a combinar as cores das cintas com a dos sapatos. Às vezes, até com a carteira. Eu, particularmente, não dispenso isso. Mas o grande consumo em termos de calçados, hoje, é o tênis, que na minha infância  chamavam de "sneakers". As primeiras marcas mundiais foram, sucessivamente, Reebok, Puma/Adidas e Nike. Estão há quase 100 anos protegendo e dando conforto aos pés dos atletas.

          Em termos de sapatos femininos, várias atrizes, a exemplo de Sofia Loren, cultivaram belas coleções de sapatos. Mas, o que mais chamou a atenção do mundo, nesse quesito, foi o que aconteceu com a esposa do Presidente Ferdinando Marcos, hoje viúva,  ditador das Filipinas, que chegou a possuir 3.000 pares de luxuosos exemplares, enquanto que os compatriotas filipinos passavam fome.

          Ainda,  bem recentemente, o investidor financeiro norteamericano Daniel Shak teve uma baita querela na Justiça de seu país em razão de ter descoberto que sua belíssima ex-esposa, Beth Shak,  armazenava, num apartamento, uma coleção de luxuosos1.200 pares de sapatos, avaliada em mais de sete mil e quinhentos dólares, comprada com dinheiro dele. A gata, jogadora profissional de poker, possui até um blog sobre sapatos.

          E você, já teve muitos pares? Então, convido  a lembrar dos primeiros calçados que lhe deram quando criança. Vale contar também aqueles com número bem maior, para que não lhe escapassem e pudesse usar durante pelo menos dois anos. E das congas que usou para ir ao seu Colégio. E das bambas. E dos kichutes.

          E, hoje, quando você passar pela vitrine de uma  loja e embasbacar-se com os tênis de marca,  mocassins, sandálias, peep toes e scarpins, ou quando olhar para aquele Valentino, Louis Vitton, Chanel, Prada, Christian Loubatin, Charlotte Olympia, Dior, Arezzo e tantos outros, e você puder comprar pelo menos um, lembre-se daqueles senhores que um dia, no seu anonimato, ajudaram seus pés a fazer sucesso no bailinho ou na festinha de aniversário.

Euclides Riquetti
03-02-2013

Quero que teu ser mergulhe em mim...




Divina paisagem matinal
Em que o vento balança as folhas da palmeira
E as plantas  jazem sob o azul do manto celestial
De onde vem-me o doce aroma da cidreira.

Pássaros pousados nos galhos que se embalam
Bailam na harmonia  em  realeza
E seus belos cantos nos ares se propagam
Numa grande sinfonia da natureza.

Eu me transporto para o enlevo de teus braços
E me alento no desejo de estar junto de ti
Buscando apenas os teus beijos e teus abraços.

Preciso, ardentemente, mergulhar no teu divino ser
E quero que teu ser mergulhe em mim
E no teu corpo me envolver e  me perder.

Euclides Riquetti

terça-feira, 26 de julho de 2016

Parabéns, vovô! Parabéns, vovó!


Escrevi há um ano. Hoje repriso... 
 

 


         Neste belíssimo domingo com a tarde muito ensolarada e o céu azul estamos comemorando o Dia dos Avós,  que pode ser também dos Avôs. A data foi institucionalizada ainda em 1879,  pelo papa Leão XIII, cujo nome era Gioacchino, mas que em Português significa Joaquim. Ele teve a intenção de homenagear  aos pais da Maria Santíssima, a mãe de Jesus, Joaquim e Ana. Eles viveram em Nazaré, estavam em idade avançada, mas desejavam muito ter um filho. Deus, depois de muitas orações, concedeu que Ana ficasse grávida e o casal teve uma menina, que batizaram com o nome de Maria.

          Ana tornou-se Santa Ana e o marido São Joaquim. Ana morreu quando Maria tinha apenas três anos. E, adiante, Maria casou-se com José e tiveram um filho, jesus Cristo. O casal foi escolhido como padroeiros dos avôs e avós. Brasil e Portugal são os países em que a data é comemorada com certa intensidade. São Joaquim e Santa Ana são os avôs de Jesus Cristo, daí a importância que lhes foi conferida.

          Hoje almoçamos com a filha Carol e a Júlia, nossa neta Jujubinha. E ela tinha uma convidada, a Maria Clara, coleguinha e amiguinha dela, filha do Sandro e da Rita, nossos vizinhos. A Dona Santa, vovó da Maria Clara, mora aqui pertinho também. É uma senhora muito simpática e religiosa. Costuma cantar nos cultos e missas aqui da capela Santa Luzia, aqui do Nossa Senhora de Lurdes. Foi uma alegria almoçar com a neta e a amiga, fazendo as vontades da Jujubinha. Ela é muito carinhosa e, logo cedo,  ganhei um abracinho de ambas.

          Dizem que as crianças gostam dos avôs porque eles fazem as vontades deles. Acho que é um pouco diferente. Concordo com o Tchê Mendes que diz que as crianças gostam da gente porque temos mais paciência em lidar com elas. é, o tempo nos torna um pouco mais pacientes, mais entendedores do comportamento das crianças. E, ainda, temos muito mais tempo para nos dedicarmos a dar atenção a elas.

          Através deste texto, quero homenagear e parabenizar a todas as leitoras e leitores que já são avós e avôs. E ainda referir-me aos meus pais, Guerino e Dorvalina, que são os avôs de nossos filhos. Ainda, aos meus avôs Frederico e Genoveva (Piccoli)  Richetti, e  Vítório e Severina (Coltro) Baretta.

          Um carinhoso abraço em todos!

Euclides Riquetti
26-07-2015

Antes de as estrelas voltarem



Antes de as estrelas voltarem
Haverá uma manhã e uma bela tarde
Quem sabe um sol sem alarde
Ou um sol bronze, dourador
Que nos traz no inverno o calor
Antes de as estrelas voltarem!

Antes de as estrelas cintilarem
Haverá um pensamento com asas
Que sobrevoará os jardins e as casas
E materializará os nossos sonhos
E os imaginares mais medonhos
Antes de as estrelas cintilarem!

Antes de as estrelas irem embora
Haverá uma felicidade renovada
Quem sabe uma esperança idealizada
Tão fortes como é o azul do firmamento
A alegria como o principal elemento
Antes de as estrelas irem embora!

Euclides Riquetti

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Lady Michele Obama ... a true woman - in fact!


Michelle Obama


                                      Michelle, com o marido Barack e as filhas Malia e Sasha

         Michelle Obama, Primeira Dama dos Estados Unidos da América, disse hoje que "a Casa Branca foi construída por escravos, e que hoje suas filhas brincam em seus jardins"...

         Gosto muito da postura de Michelle Obama. Uma senhora respeitável, mulher do presidente do país mais poderoso do mundo. Não precisa de promoção pessoal, não lhe interessa glamour, nem badalação. Ela é, simplesmente, Michele Obama, nascida Michelle LaVaughn Robinson, agora Obama, advogada, escritora, esposa de Barack Obama, nascida em Chicago e graduada pela Universidade Princeton.

        Michelle e Barack têm duas filhas, Malia e Sasha. É admirada ( e invejada..) por mulheres de todo o planeta. Admiro-a, também, por ser uma mulher exemplar, não apenas um "apêndice" na vida de um presidente. Tem luz própria, não precisa de que lhe escrevam discursos, mito menos de valer-se de plágios...

Apenas isso, bem assim!

Euclides Riquetti
26-07-2016





.

Sorriso de mulher bonita


Que volte sempre seu sorriso forte
Ou, melhor, que nunca vá embora
Que seja feliz e tenha muita sorte
Ter um sorriso sem lugar nem hora.

Que seu sorriso sempre resplandeça
Seja contagiante e sempre animador
Que do seu rosto não desapareça
Que fique belo como a rosa flor.

Amo seu sorriso de mulher madura
Amo seu sorriso de mulher,  mulher
Amo seu sorriso doce de candura
Sorria aqui, ali, em lugar qualquer.

Amo seu sorriso de mulher matreira
Amo seu sorriso de mulher catita
Amo seu sorriso de mulher faceira
Amo seu sorriso de mulher bonita!

Euclides Riquetti
25-07-2016



Buscar-te



 

Buscar viver
Perto de ti
Perto de um rio
Perto de um mar.

Buscar viver
Buscar sorrir
Tornar a ti
Tornar a amar.

Buscar-te incessantemente
Perdidamente
Desesperadamente
Esperançosamente.

Apenas buscar-te
Estar perto de ti.
Apenas abraçar-te
Ver-te sorrir.

Encontrar-te:
Suavemente
Carinhosamente
Amorosamente...

E beijar-te!

25 de Julho - Dia do Colono - Dia do Motorista








          O dia 25 de julho no Brasil, marca comemorações importantes como o Dia do Colono e o Dia do Motorista. Em muitas cidades acontecem eventos em sua homenagem. Merecem!

          Há outro lado que quero mencionar, enaltecer. Não por oportunismo, nem por demagogia, nem por qualquer outro motivo que não o de lamentar a situação dessas duas classes de trabalhadores no Brasil. Ajudam, grandemente, a alavancar o desenvolvimento, produzem, os colonos, transportam as riquezas, os motoristas.

          Os colonos, ao final da década de 1960, conseguiram seu direito á aposentadoria. A mulher, aos 55 anos, o homem aos 60. Imagine você , leitor, leitora, com quantos anos um menino ou menina começa a trabalhar na lavoura. certamente que desde que aprende a andar, muitas vezes aos 5 anos. Ou, então, aos 12, adolescente. A própria legislação brasileira passou  a contar como tempo de serviço, a partir dos doze anos de idade,  o trabalho do menor agricultor que residiu na área rural, frequentou as escolas isoladas, o pai teve inscrição no INCRA como proprietário de terras. Então, uma mulher agricultora trabalharia 43 anos e o homem 48 para se aposentar. É muito trabalho, não acham? E ainda houve quem dissesse que a Previdência Social andava  com dificuldades porque os colonos foram aposentados sem terem contribuído. Ora, esquecem de que ele contribuiu  ao Funrural? De que ele gerou riquezas, essas mesmas riquezas que receberam alta tributação e engordaram os cofres dos governos, que gastaram muito mal o dinheiro?

         Os motoristas, pior ainda a situação deles, por causa dos riscos nas estradas. Hoje, os caminhões são confortáveis, têm direção hidráulica, ar condicionado, cabinas confortáveis, são uns gigantes nas estradas. E as estradas, como estão? Lotadas de veículos de todos os tipos e tamanhos, sinalização péssima, esburacadas, sem oferecer segurança aos motoristas. E, quando razoavelmente cuidadas, é porque foram concedidas (uma forma de privatização), com cobranças de valores exorbitantes nas praças de pedágio, encarecendo o custo para os freteiros.  Detentores dos pedágios cada vez mais ricos e motoristas cada vez tendo que trabalhar mais para pagar as prestações dos caminhões, os impostos, o alto valor do óleo diesel, que traz embutidos muitos impostos também.

          Assim, no dia que lhes é consagrado, 25 de julho, aceitem minha solidariedade, amigos colonos e amigos motoristas. Que Deus esteja com todos  em todas as nossas jornadas.  E que possam ao fim de cada dia, ou ao fim de cada viagem, retornarem, com saúde, para o seio de seus familiares.

Com um carinhoso e fraterno abraço!

Euclides Riquetti

domingo, 24 de julho de 2016

Aline Rocha nas Olimpíadas...





        Aline Rocha é camponovense de nascimento. Tem 25 anos. É uma garota muito determinada. Tem um noivo, Fernando Orso, filho da Maristela, que é também seu treinador. Ela iniciou sua trajetória como para-atleta aqui em Joaçaba. Seu grande incentivador, o Fernando a estimulou muito à pratica esportiva. É uma  cadeirante que, em vez de ficar lamentando sua sorte, foi conquistando seu espaço no cenário esportivo brasileiro. Aline Rocha é uma vencedora! O Fernando também é um vencedor. A Aline vai participar das Paraolimpíadas do Rio de Janeiro, neste ano, tão logo terminem as Olimpíadas.

       Em 2006 a Aline estava ainda com 15 anos quando sofreu um grave acidente na Rodovia BR 282, aqui em Joaçaba. Ficou 4 anos, vamos dizer que apenas "vegetado". Aos 19, passou a alimentar um sonho, o de um dia chegar a uma paraolimpíada. Muito treino, aqui no Clube Comercial, perto de nossa casa. Em 2011, Aline venceu um concurso de fotografias que está na página principal do site oficial dos Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeiro. Aline é uma garota bonita, inteligente, uma dotada de uma forte capacidade de liderança. Tem um apurado poder de comunicação. Hoje, Aline Rocha está entre as 10m melhores maratonistas para-atletas do mundo. Um orgulho para nós, que desfrutamos de sua amizade desde os tempos em que treinava aqui no Clube Comercial, junto com seus colegas da ARAD. Tricampeã da São Silvestre, tem algumas medalhas internacionais. Aline é uma colecionadora de medalhas.

         O primeiro e sempre presente patrocinador foi o laboratório Pasteur, aqui de Joaçaba, do Dr. Joélcio. Este foi o primeiro a acreditar, efetivamente, no potencial da nossa para-atleta. Aline dos Santos Rocha é uma poetisa. Aline é nosso ídolo. Aprendemos a gostar dela há seis anos. E continuamos admirando-a até hoje. Ela e o Fernando Orso se completam. São dois jovens muito felizes. E nós, brasileiros, vamos torceu para que suba no pódio mais uma cvez, ela que já subiu muito no pódio da vida!

Parabéns, Aline!

Euclides Riquetti
24-07-2016

Feliz aniversário!


 

 
 
          Minha mãe estaria de aniversário, hoje, se estivesse ainda conosco. Meu pai faria aniversário na terça, 11 de agosto. Eram leoninos... Viveram juntos até 18 de junho de 1977, quando ele nos deixou vitimado por grave doença. Tinha 55 anos. Ela nos deixou em 09 de janeiro de 2000, na chegada do novo milênio, aos 76. Hoje, estão lado a lado, no campo santo da Vila São José, em Ouro. Lá está com eles o mano Ironi, que se foi em 04 de maio de 1998, aos 51 anos.  Estão perto dos seus familiares, da família Baretta e Richetti/Riquetti.

         Saudades, dá saudades, sim...  Sempre! É tudo como se fosse ontem, como se o tempo não tivesse passado, como se nada houvesse mudado. Sentimentos reais e verdadeiros são permanentes, eternos, não fugazes. Sentimentos, laços de família, são a expressão do amor mais singelo e verdadeiro, aquele que não se apaga, não se extingue, não se deixa abalar.

         Saudades, dá saudades, sim... Porque quem amou e foi amado não esquece nunca. Não importa se foi uma vida de facilidades ou dificuldades. Não importa que os dias tenham sido diferentes, que em alguns tenham havido tempestades ou alegrias... Importa, sim, é que tenham sido vividos com intensidade, que tenha havido o respeito mútuo, o amor mútuo. Importa, sim, que a memória nos compila a irmos em busca das lembranças que estão escondidas em nosso ideário. Importa que tenhamos a condição de perceber que um dia eles foram importantes e que isso não se extingue. Importa que guardemos em nosso coração uma elevada gama de carinho para podermos expressar nosso afeto para com eles. E, minha maneira de homenageá-los é reviver os sentimentos e lembrar dos bons momentos. E, sempre que possível, manifestar-me aqui, dividindo com meus leitores minha sensibilidade.

          Feliz aniversário, mãe Dorvalina. Feliz aniversário, pai Guerino!

Euclides Riquetti

sábado, 23 de julho de 2016

Dia do Escritor - 25 de Julho. Leio, portanto escrevo!

 

 



 
Euclides Riquetti - Declamando para crianças no Centro de Educação Infantil Mundo Encantado - Joaçaba - SC

 Declamando num dos eventos de Canto, Arte e Poesia - Capinzal - Ouro - SC 
 
          De tanto me chamarem de  escritor, acabei até acreditando que o fosse. Ou que o seja ..  Não sou lá de dar muita importância a publicar livros, até tive poemas editados em coletâneas, mas nunca tirei o tempo para organizar um sequer, embora tenha material para pelo menos uma dúzia deles: uns oito de poemas, três de crônicas e um de História, esta relatando acontecimentos do Município de Ouro desde a sua colonização, época em que seu território era denominado Distrito de Abelardo Luz, pertencendo à Colônia de Palmas, Paraná.

           Minha predileção, em termos de poemas, é pelo soneto. Fui influenciado pelo meu saudoso e competentíssimo professor Nelson Sicuro, na FAFI, em União da Vitória, em que me formei em Letras/Inglês no ano de 1975.  Influenciado pelo também saudoso professor Francisco Boni, li dezenas de livros de Literatura Inglesa e Norte-americana. Tudo foi-me ajudando a formar meus conceitos e meu estilho. Escrevi, em 1974, um soneto "Uma Canção de Acalanto". Não guardei cópia, não memorizei. Tinha conseguido compor um "alexandrino" com rimas ricas, raras e métrica perfeita, isorrítmico. Que pena! Até compus um poema com o mesmo título, mas nunca próximo daquele.

          Em 1960 eu estava prestes a completar 8 anos e não ia à aula regular ainda. Eu voltara a morar com a família, já disse aqui no blog, depois de ter saído de casa (levado, né?...) com menos de 14 meses de vida, quando nasceu minha irmã,  Iradi. Meu pai me levava com ele,  uma ou duas vezes  por semana,  até a Escola de Linha Savóia, em Capinzal, onde ele lecionava. Era a maneira que a família tinha de me tirar de casa. E ele me ensinava a escrever minhas primeiras sílabas.  Eu gostava de ouvir os alunos lerem a cartilha em voz alta e achei que iria aprender a ler também. E isso de ler me aconteceu nos dois primeiros anos de aula no Mater Dolorum, em Capinzal também.

      Pois que, no dia 25 de julho daquele ano, houve a  realização do primeiro Festival do Escritor Brasileiro, acredito que em São Paulo, organizado pela  União Brasileira de Escritores. O escritor  João Peregrino Júnior era o seu presidente, e Jorge Amado o vice-presidente, e eles criaram, então,  o Dia do Escritor, numa homenagem a todos aqueles que têm habilidades ( e vocação...) para, através das palavras articuladas, escrever  relatos, histórias, fantasias, sentimentos e vivências. Sou sentimentalóide e saudosista. Imaginei, um dia, tornar-me escritor. Acho que estou conseguindo.  Li e  escrevo muito, Sou, portanto, escritor!

          Tenho meus ídolos. Não leio livros badalados, leio aqueles cujos autores considero que merecem ser lidos. Desde  a Condessa de Ségur, passando por  Machado de Assis, Jorge Amado, Cecília Meirelles, Charles Dickens, Edgar Alan Poe, Camões e Camilo Castello Branco,  Abílio Diniz, Ivonisch Furlani, José Cleto, Eloí E. Bochecho,  e Vítor Almeida, não importa se famosos ou não, leio-os. E por ler muito, escrevo muito.

         Então, neste Dia do Escritor Brasileiro, desejo homenagear a todos os que, de uma ou outra forma, expressam seus sentimentos e relatam os fatos que lhes são ditados pela vivência e o conhecimento. Ainda veremos o povo brasileiro transformado em leitor, mesmo morando num país onde até um ex-presidente disse, uma vez, que não gostava de ler...

Euclides Riquetti
25-07-2015
Dia do Escritor!


Palestrando para alunos do Colégio Mater Dolorum em Capinzal - SC

Com uma leitora, no CMD - em Capinzal - SC

 

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Quero que a luz de seu sorriso volte





Quero que a luz de seu sorriso velho volte
Quero que a luz de seu sorriso novo brote
Quero que você sorria em todas as horas
Quero que comece a sorrir bem agora...

Apenas quero pra você o melhor
Apenas quero ajudar você
As palavras a dizer já sei de cor
Apenas quero ajudar você.

Quero que a luz de seu sorriso velho volte
Quero que a luz de seu sorriso novo brote
Quero que você sorria em todas as horas
Quero que comece a sorrir bem agora...


Apenas quero pra você o melhor
Apenas quero ajudar você
As palavras a dizer já sei de cor
Apenas quero ajudar você.

Euclides Riquetti
22-07-2016

O dia em que minha vida virou ao avesso - Minha história real!

 
Doeu demais...sofri... chorei... mas sobrevivi.
 

 
Local do campo em que sofri a grave contusão: Trave e área lado Leste (foto RC)
 
Arabutã FC - Início da década de 1970... época em que eu morava em União da Vitória - PR (Foto RC)

          O dia 22 de julho de 1984 me é inesquecível. Tinha tudo planejado: jogar bola, ir a uma festa, descansar para na segunda trabalhar. Levantei-me cedo, peguei a sacola com minhas chuteiras, despedi-me da família e fui para o Estádio do Arabutã. Era o dia mais frio do ano,  um domingo.  Tivéramos duas semanas de férias escolares e, no dia seguinte,  haveria o reinício das aulas. Queria aproveitar bem meu domingo. Depois do jogo, me encontraria com a família e amigos numa festa de batizado.

          Ali, ao lado do Estádio, havia uma sede recreativa onde seria realizada a festa do batizado da Aquidauana, uma bebezinha,  filha do compadre Neri Miqueloto e da Zenete. Fui o primeiro a chegar ao campo. Havia neblina e frio, muito frio. A promogênita deles, que atualmente cursa um doutorado nos Estados Unidos.

          Nove horas e já estávamos em campo. O treinador Valdomiro Correa deu-me a camisa branca com  mangas vermelhas, número 4,  jogaria como quarto zagueiro, fazendo dupla com o Fank.  Normalmente eu jogava com a 2, na lateral direita. Nsta atuou  o Mantovani, que era apelidado de "25". Era o mais maduro da turma. Na esquerda, o Mingo Barbina. Eu tinha 31 anos e estava em plena forma física. E me achava velho... Tinha ossos fortes, minha mãe sempre dizia que me deu muito cálcio quando criança. E eu achava que jamais pudesse machucar-me, era muito corajoso nas jogadas, não tinha medo de que algo me pudesse acontecer...

          Placar ainda em branco e nossos adversários fazendo pressão. Formávamos linha de impedimento, já tínhamos um ótimo entrosamento e sempre que jogávamos, nos  adiantávamos quando o adversário iria lançar a bola. Deixávamos os desavisados sempre impedidos. Nossa média de idade era bem acima da deles e tínhamos que dispor de nossa esperteza para enfrentá-los. E, num desses lances, quando saímos, um de nossos jogadores deu condição legal de jogo para os adversários. O Tita, de 16 anos, muito habilidoso e veloz, recebeu a bola e saí atrás dele. Quando ele entrou na grande área e ia fazer o gol, alcancei-o e dei toda a força possível para cortar a bola. Nesse instante, veio o goleiro, meu companheiro, num carrinho e me atingiu. Foi um estouro. Disseram-me o Mafra, o Marcon e o Nito Miqueloto, meus companheiros, que pareceu um tiro de revólver 38. Senti que algo de muito ruim me havia acontecido. Eu não queria acreditar: O que iriam dizer meus familiares? Cmo iria dar aulas no dia seguinte?

         Meu colegas vieram acudir-me. Estavam apavorados. Olhei para minha perna direita e o pé estava desgovernado. A perna dobrou-se, apenas a pele mantinha o pé preso ao meu corpo. Uma fratura na Tíbia, duas no Perônio, e os ossos esfacelados. Uma senhora contusão! Tiraram minhas chuteiras, minhas meias. Uniformizados,  não conseguiam achar as chaves dos carros para levar-me ao hospital. Ficaram todos atrapalhados. Vi o Irineu Miqueloto (saudoso...), que viera de Ponta Grossa para o batizado de sua sobrinha, pedi para que me socorresse,  e ele, apavorado, no alambrado, procurava nos bolsos as chaves de seu carro, e nada! Até se esquecera de que não estava de carro lá.  Havia deixado o carro com a esposa e nem se lembrava disso.  Estavam todos desorientados...

          Enfim, os amigos Vilson Farias, atual Vice-prefeito de Capinzal, e o Alvanir Mafra, com o Fusca deste, resolveram que deveríamos ir de imediato para o hospital, no fusca. Colocaram-me no banco traseiro,  o Mafra dirigia e o Farias me dava apoio moral. Iríamos direto pra Joaçaba, onde haveria ortopedista no Hospital Santa Terezinha.

          Na estrada eu olhava para o espelhinho retrovisor e via que estava pálido, meus cabelos molhados, o rosto muito suado. Não sentia dor, ainda, porque estava om o corpo muito quente, havia  corrido muito e por mais de meia hora. Não me conformava por aquilo estar acontecendo comigo...

          Em menos de meia hora estávamos nas ruas centrais de Joaçaba, onde não havia asfalto ainda. Quando o carro trafegava sobre sobre os paralelepípedos do calçamento, os ossos pareciam espinhar os músculos e doía muito, muito. No Hospital Santa Teresinha, fui posto na numa maca, e o médico Dr. Marino, ortopedista, colocou uns saquinhos de areia nos lados da perna, imoilizando-a. Como que se  a mão de Deus tirasse a dor, senti-me aliviado. Veio o raio-x, o gesso, envolvendo toda a perna até a bacia. Não havia necessidade de cirurgia, graças a Deus. Apenas 90 dias no gesso. Levaram-me para casa. Eu estava chateado porque minha família não pudera participar da festa da Aquidauana. mas não sentida dores. Até que passou o efeito da anestesia  quando passei por dores insuportáveis. Ligaram para o hospital e indicaram-me injeções para alviar a dor que um rapaz, meu aluno, o Neodir Zanini, veio aplicar, junto com o pai dele, o Nadir.jovem, trabalhava na Farmácia São Pedro.  A dor  ia e voltava...

         À noite, demorei para dormir. Depois sonhei. Sonhei que estava numa bela tarde de sol, lá no mesmo campo, jogando futebol, mas na lateral esquerda, com a camisa 6. Jogando contra o Clube 4 S de Linha Sul, marcando o Joãozinho Baretta, um primo. Ele estava de camisa verde e eu marcando-o.
Muitos dias com dores, passei os primeiros vendo na TV as Olimpíadas de Los Ângeles, torcendo pelo Brasil, em especial pelo goleiro Gilmar Rinaldi, que defendeu até pênaltis. E nos deu a Medalha de Prata. O Gilmar foi nosso compnheiro de bola no campinho, ali no Ouro, quando vinha passar as férias na casa de sua irmã, a Matilde. Jogava no Inter, depois jogou no São Paulo, na Udinese, num clube do Japão e no  Flamengo.

          Seis meses depois, estava eu de volta aos campos. Mudei meu jeito de jogar, mais cauteloso, usando menos a força e mais a inteligência. Percebi que nosso corpo tem limites, esta foi minha lição. E consegui correr atrás da bola por mais 25 anos, apenas com 3 meses de interrupção em 98, quando estourei menisco e ligamentos, pondo até parafuso de titânio no joelho esquerdo, que está ali até hoje. Estou até pensando em voltar a jogar,  agora na Primavera...

          Realmente,  aquele domingo, 22 de julho de 1984, meu mundo ficou de pernas pro ar. Mas sobrevivi!

Euclides Riquetti