sábado, 21 de março de 2026

A chuva da manhã de outono

 




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Na manhã chuvosa de outono me chega a canção
Que me vem trazida pelo vento
Pousa, suavemente, em meu pensamento
E se aloja em meu frágil  coração.

Vem, num carrossel de anjos que vêm
Com sua melodia indescritível
Canção de sabor aprazível
Vem me deliciar também.

Na manhã chuvosa de outono vem a canção que me afaga
A canção da noite, que você repete
E que me acalenta, me confunde e me embriaga.

Na manhã chuvosa de outono meu coração silencia
Enquanto se acalma, pensa, reflete:
Quer esperar você, cheio de uma doce  nostalgia.

Euclides Riquetti

A História de Linha Vitória, em Ouro - Segunda Parte

 



       A escola isolada existente em Linha Vitória, Ouro,  ofereceu o ensino das séries  iniciais do Ensino Fundamental, o antigo curso primário, por quase um século. Foi muito importante para a formação de pessoas que  continuaram seus estudos em outros níveis em educandários da região. A partir de 1998, foi situada numa situação de núcleo de ensino, para onde foram colocados os alunos das escolas isoladas das comunidades vizinhas. Foi uma inovação proposta pelo prefeito Sérgio Durigon, com a coordenação da então Secretária Municipal de Educação, Roselange Bárbara Zênere Baretta. Na época, o sistema municipal de Ensino passou a ter núcleos rurais em Linha Bonita, Carmelinda, Linha Vitória, e Distrito de Santa Lúcia, este funcionando em anexo ao Colégio Frei Crespin. 

       Ainda ao final do milênio passado, muitos ex-alunos das antigas escolas rurais, que o município chegou a ter 29 unidades entre as da rede estadual e a municipal, procuravam a Secretaria Municipal de Educação para solicitar Certidões ou Declarações para que as pudessem apresentar ao INSS, com o fito de provar tempo de trabalho na área rural, a fim de aposentadoria. O tempo em que o interessado morou na área rural, desde os seus 14 anos, até a sua inscrição na previdência urbana, passaria a ser averbado.


O livro perdido! 

        Eu mesmo fiz busca, redigi e assinei muitas dessas certidões. Na época, tive um constatação decepcionante: Havia os livros com os registros de toda a história de cada escola, com os nomes dos professores regentes, dos alunos, com suas notas obtidas e o número de faltas às aulas. E muitas atas sobre os eventos, as comemorações em geral, e as decisões dos Clubes de Pais. Porém, de uma única escola não se encontraram quaisquer livros do passado, a Escola Isolada de Linha Vitória. Então, para interessados que a frequentaram, redigi declarações que foram assinadas, cada uma, por dois colegas de classe (multisseriadas), em que afirmavam que a frequentaram, e os anos ou séries correspondentes. 

       Fizemos buscas e jamais encontramos o dito ou ditos livros, que pode ter sido guardado por alguém,  não sei por qual motivo. 

       O Sr. Ivo Luiz Bazzo sempre me contava que Ludovico Maestri teria sido o primeiro professor ali. E depois, eu mesmo constatei em minhas vivências, o Sr Tomás Pilatti, que era conhecido como "Tomazim", e sua filha Francisca Pilatti Faccin. Também por muitos anos, ali atuou o professor Domingos Cervelin, meu amigão, de saudosa memória. Adiante, vieram outros, jovens já com a habilitação para o magistério, que depois acabaram ido para outras comunidades ou outras cidades. 

       Lamento que não tenhamos o dito ou ditos livros. Mas a história da educação ali, tenho conhecimento, já está sendo resgatada, assim como a do Clube de Regatas Flamengo, do Clube de Mães, doa times de bochas, futebol feminino, empresas, líderes da Capelas e seus construtores. Acho que, com algumas mãos, poder-se-á ter a história completa de Linha Vitória, ao mesmo até o ano 2.000.

       Neste domingo, acontece grande festa na comunidade, comemorativa ao centenário da sociedade católica local. 

Euclides Riquetti - www.blogdoriquetti.blogspot.com 

21-03-2025

     

Quando o sol redesenhou o céu

 


 





Quando o sol redesenhou o céu ao fim daquele dia
E matizou em cores quentes o horizonte ondulado
Revivi emoções ternas que há muito eu não sentia
Parecia que eu contemplava um santuário sagrado.

Veja quão bela é a nossa natureza santa e colossal
Os quadros que ela pinta através das mãos divinas
Quando  a harmonia se dispõe,  levemente natural
Quando as perdizes se acocoram pelas campinas...

Descubra meus versos por entre todo esse cenário
Retire de cada um deles a mensagem que quiser
Guarde para você os meus poemas num sacrário.

E, depois de saborear todo o meu carinho  sincero
Venha até mim para me dizer que você me quer
Traga-me todo o seu ser, seu amor puro eu espero!

Euclides Riquetti

Na primeira manhã de outono

 




Na primeira manhã de outono
Quando você acordar
Na primeira manhã de outono
E abrir a janela de seu quarto morno
Para que entre o frescor do ar...

Quando você perceber que  a manhã outonal
Não é diferente das do verão que se foi
E que haverá um tempo para amar depois
Mas que talvez seja uma manhã sem igual...

Quando você lembrar
Que no seu sonho eu estava desperto
Que eu a buscava e chegava tão perto
E você fugia sem poder me abraçar...

Quando você constatar
Que sempre há um novo dia em qualquer estação
Seja inverno, primavera ou verão
Mesmo ao ver o outono começar...

Então pense em mim...
Me queira
Pense assim
De qualquer maneira
Mas pense em mim
Nesta manhã de dia morno
Neste primeiro dia de outono.

Apenas isso
Nada mais!

Euclides Riquetti

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Uma Broadway Flutuante - Crônica de memórias - (Homenageando Camila Jatobá)

 


 



Camila Jatobá — Mãos ao alto

Camila Jatobá - puro talento e romantismo

          Em meados de janeiro tivemos nossa segunda experiência com cruzeiros. Saímos do Porto de Santos no dia 13 e retornamos ali no dia 20. Destinos: Punta Del Este, Buenos Aires e Montevidéo. Vivemos muitos momentos Broadway na viagem e nos deliciamos com isso. No MSC Magnifica fazem  grandes espetáculos musicais, há uma Broadway flutuante, um teatro, o Royal Theatre, com fina decoração em base de um verde envelhecido. A  de todos os ambientes é fantástica. Destaco o Tiger Bar e o Ametista Lounge como os mais acolhedores e sofisticados.

          Numa das esperas para o jantar ficamos no exuberante Topazio Bar, onde a cantora bahiana Camila Jatobá, vestindo um elegante longo,  branco,  interpretava:

 "Como Vai Você?
 Eu preciso saber da sua vida
 Peça a alguém pra me contar sobre o seu dia
Anoiteceu e eu preciso só saber
Como vai...você?"

         Era a música do Roberto Carlos que embalava nossos sonhos  dos tempos de juventude, lá do Clube 25 e no Apollo, em Porto União, bons tempos em que eu tínha longos e encaracolados cabelos e  muita energia jovem.  Vibrei com isso!

          Tirei fotos da Camila, conversei com ela, disse-lhe que tinha muito talento. E tem mesmo! É uma cantora fadada ao sucesso, sei que tem muitos fãs no Nordeste, onde é mais conhecida.  Ela mesma me deu o nome da outra cantora que a sucedeu, Marinês Fugueiredo, uma brasileira de Santos que canta um pop internacional com muita boa voz, postura, dicção e afinação. Disse-me a Camila que as demais cantoras consideram a Marinês a "professora" delas, que lhes dá muita força e até as orienta. Percebi que ela realmente é uma madrinha para as demais, tanto que, num dado momento de sua apresentação, convidou uma bela waiter, a Paola Suarez Heighes, peruana, para estar com ela no palco. As duas entoaram um maravilhoso dueto. Fiquei encantado com aquela singela improvisação!

          Nos dias seguintes conersamos algumas vezes com a Paola, ela tem formação acadêmica em seu país na área de serviços para cassinos. Muito cordial e competente em seu trabalho. Domina muito bem a língua portuguesa. Aliás, esse pessoal que trabalha nos navios tem sempre bom nível de formação escolar e falam no mínimo umas três línguas. Os mais antigos dominam diversos idiomas.

          Na terceira noite, no Royal Theatre, assistimos ao espetáculo "Sonhando Broadway", que fazia referência à ascensão de uma cantora negra ao estrelato, saída de uma daquelas igrejas em que os afroamericanos entoam aqueles belos hinos Evangélicos e muito soul-music para o estrelato. Eu observava a estrela morena que cantava  num elegante vestido longo, púrpura brilhante,  músicas de sucesso nos Estados Unidos,  e imaginava que seria  dublagem. Não acreditava que estivesse cantando, parecia mais uma dubladora fazendo movimentos magistrais com o corpo. Parecia impossível que pudesse cantar e movimentar-se com tanta elegância. Depois, entra um rapaz claro, engalanado,  e formam um espetacular dueto. Passo a perceber que os dois têm atrelados pequenos mas resolutivos microfones, e o público aplaude, freneticamente, cada apresentação de ambos.

          Adiante, o apresentador, Netinho,  anuncia que a cantora  irá interpretar uma canção homenageando sau pátria de origem e ela sai cantando um sucesso de Roberto Carlos. O público se levanta e, endoidecido, delirante, aplaude-a em pé. Merecedora consagração à intérprete, nossa talentosa brasileira que nos brindou sendo protagonista daquele espetáculo. Aquele efeito Brasil reinou em todos os nossos corações...

          Foram muitos espetáculos musicais nas sete noites da viagem. Coreografias que nos embasbacavam compunham os cenários. Tudo muito encantador. Até mesmo o piano solitário localizado no "Le Gocce", em que a elegante Gisela executava seus clássicos, parecia flutuar sobre as águas. Um cenário muito bem composto, com um piso de vidro bem transparente, mostrava-nos a água que mole e harmonicamente,  bailava sob o mesmo...  E bailavam, também, meus sonhos e meu coração!

Euclides Riquetti

JÃNEIRO - 2015

Num sábado de sol e de cor

 


 








Sábado de sol e de cor
Dia de alegria desmedida
De andar livre na vida
Nada de tristeza, nem dor.

Sábado com muita euforia
Dia das doces sensações
De dar asas às emoções
Nada de melancolia.

Sábado dos corpos sarados
Dos corações atirando setas
Dos corações sendo flechados.

Dia de comemoração
Nas almas de todos os poetas
Que escrevem com amor e paixão!

Euclides Riquetti

sexta-feira, 20 de março de 2026

De girassóis, canelas e cinamomos

 


 



Eu amo as plantas de meu verde vale
Os girassóis, canelas e cinamomos
O alaranjado aroma das pitangas
O vento calmo em seu lufar.
Eu amo as águas de meus rios e de minhas sangas
Que vagam entre as pedras rumo ao mar...

Nos galhos enramados  os pássaros cantam
E borboletas misturam-se às flores coloridas
As crianças sorriem seus sorrisos brandos
E as mães as abraçam  ternamente.
E elas,  com seus rostos inocentes,  como  anjos
Entregam-se aos afagos docemente.

Aqui  há uma  natureza imensa que nos olha e chama
E nos oferece a vida plena e natural
E,  mesmo que tu chores e  reclames
Dá-te  um mundo de beleza sem igual...
Acredito que é o normal da condição humana
O bem vencer a luta contra o mal.

Euclides Riquetti

Vem beber no cálice da paixão

 



Vem beber no cálice da paixão
Vem beber do vinho que nos excita
Vem beber de minha alma e de meu coração
Vem beber-me  com tua boca bonita...

Vem, e traz com ela teu corpo sedutor
Os teus olhos amendoados
Delicados...
A tua pele macia
E tua  voz de poesia...

Traz também as tuas mãos carinhosas
As tuas pernas formosas
O teu rosto divinal
O teu corpo colossal.

Vem beber de meus sonhos
De meus lábios risonhos
Vem banhar-te em meu suor
Declamar-me versos de cor.

Vem. Te espero...
Vem beber no cálice da paixão!

Euclides Riquetti

Doce pecado de amar

 



Doce pecado
Da maçã vermelha
Da lingerie preta
Do beijo roubado

Doce pecado
Do sangue  quente
Dos labios ardentes
Do desejo malvado

Doce pecado do corpo  molhado...
Da gula que teima
Do fogo que queima
Da incontrolável  paixão.

Doce pecado
Da mente mundana
Na alma insana
Do prazer desregrado, indecente, impensado...


Doce pecado que não tem dor
Doce pecado de sexo, com ou  sem  amor
Na noite sem cor...

Doce pecado que não quer perdão
Doce pecado da doida  ilusão
Que arde no peito...

Apenas um suave e delicioso pecado
Sem apego
Sem medo
Sem punição
Assim, desse jeito
Escrachado, largado
Mas apena pecado....

Doce e eterno pecado de sonhar
Pecado de gostar
Pecado de amar!

Pecado...

Euclides Riquetti

Quero apenas que tu penses em mim

 




Quero, nesta noite, que tu penses em mim

Guardes-me teus mais ternos pensamentos

Nada de incômodos ou sonhos turbulentos

Deixa-me massagear teus ombros e assim

Apenas florescerem teus belos sentimentos.


Permite que eu te corteje doce e sutilmente

Que eu possa  chegar a tua alma e teu coração

Que te declame um poema de amor e paixão

Para que me entregues teu olhar envolvente

E eu te possa desejar com toda a minha ilusão. 


Quando acordares em manhã muito chuvosa

E a umidade boreal embaçar as tuas vidraças

Imagines que eu esteja contigo e tu me abraças

Fulmina-me com teus desejos de mulher fogosa

Eu só quero te satisfazer e que tu me satisfaças.


Euclides Riquetti

20-03-2026


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Um poema universal

 





Emolduram-se no amanhecer as flores do pessegueiro
E as brancas das laranjeiras exalam seus olores
Perfumam meu dia, tornam-no claro e  prazenteiro
Infundem, em todo o meu ser, o encantamento das cores.

Celebram o dia bonito as orquídeas matizadas
Ilustram as horas as singelas flores do campo
Cinzem os jardins as rosas vermelhas e as rosadas
O sol abençoa a terra azul com seu dourado manto.

Expande-se,  pelo universo, a força de teu pensamento
Vai navegar por entre estrelas, meteoros e cometas
Vai para me encontrar em algum lugar do firmamento.

Coaduna-se, no cosmos, toda a energia sideral
Que vai sensibilizar os seres em todos os planetas
E que me inspira a te escrever um poema universal!

Euclides Riquetti

Nada é mais claro do que a paixão que a gente sente





 




Nada é mais claro na vida da gente
Do que o desejo de seguir em frente
Refazer as coisas que não deram certo
Retomar o caminho inverso
Daquele que já se percorreu...

Nada deve impedir-nos de realizar
Os sonhos que nós desejamos
Alquilo que almejamos
Aquilo que pode nos fazer bem
Que é estar feliz também...

Nada no mundo nos deveria abalar
Nada no mundo nos deveria fazer sofrer
Nem  nos impedir de querer
Amar e ser muito amado
Viver o amor mais ousado...

Nada é mais claro
Do que a paixão que se sente
Do que o amor presente
Nada é mais claro...

Bem assim!

Euclides Riquetti

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Um tributo a Dona Aurora Moro Bressan

 


 



Um tributo a Dona Aurora Moro Bressan

       Tomei conhecimento, bem cedo, do falecimento da professora Aurora Moro Bressan, viúva de Antônio Bressan e mãe de dois amigos meus, Leonir e Almir. Pelo respeito que sempre nutri por ela, sempre a tratei  como Dona Aurora, a professora da Linha Galdina, interior de Campos Novos, mas próxima da cidade de Capinzal, e pela atividade voluntária dela como catequista e depois domo Coordenadora da Pastoral da Catequese, na Paróquia São Paulo Apóstolo, de Capinzal. Fomos parceiros em diversas atividades, uma vez que fui integrante de equipe litúrgica, palestrante em cursos de noivos, vice e depois presidente do Conselho Administrativo Paroquial, tendo o Nadilce Dambrós como vice. Adiante, este me sucedeu na Presidência do Conselho.

       Dona Aurora e Nadilce são personagens que tenho guardadas com muito carinho em minha memória, pois fomos estudantes à mesma época e guardamos a amizade para sempre. O Nadilce era meu colega de turma, em 1965 e 1966, nas primeira e segunda série do curso ginasial, do Ginásio Padre Anchieta, de Capinzal. Dona Aurora era normalista, frequentava, pela manhã, a Escola Normal Mater Dolorum, no colégio do mesmo nome. Mas, o que me conecta tão grandemente a eles?

       A vida, naqueles tempos, não era tão fácil como é hoje, não havia carros disponíveis, poucas pessoas tinham condições de comprar um jeep Willys, uma Rural ou o que quer que fosse. Então, ambos vinham de suas comunidades montados em seus cavalos. Dona Aurora vinha de Linha Galdina, interior de Campos Novos, comunidade localizada à margem esquerda do Rio do Peixe, mas fronteiriça com Capinzal. Amarrava a montaria ali abaixo di Mater Dolorum, retirados os arreiames, e o animal ficava pastando nos capins Na mesma quadra havia uma pequena casa das irmãs servas de Maria Reparadoras, onde chegou a funcionar a Escola Profissional Madre Fabiana de Fabiani. A minha colega do Ginásio Juçá Barbosa Callado, 1966 e 1968, Erondina, é irmã dela, e foi a pessoa responsável por me apresentar à Senhora Vitória Leda Brancher Formighieri, em 1976, viabilizando, no ano seguinte, minha vinda para Zortéa como professor. 

       O Nadilce vinha de Linha Dambrós e deixava o cavalo ali atrás de onde funcionava o lojão das Indústrias Reunidas Ouro, hoje imóvel da família D ´Agostini. Havia um bom espaço ali, onde ficava a sua montaria. Hoje é utilizado para estacionamento de veículos. Depois de trabalhar no setor administrativo do antigo Frigorífico Ouro, atuou na Perdigão Agroindustrial , hoje BRF, em Capinzal.

       Carinhosamente, quero homenagear a bondosa e atuante Senhora que parte e deixa uma descendência honrada. Uma história bonita, uma atuação marcante, dentro das características de humildade, dignidade e severidade. Uma pessoa do bem!

       Sempre com a Proteção de Deus!


Euclides Riquetti

26-08-2023

quinta-feira, 19 de março de 2026

Quando meus sonhos estiverem maduros

 



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Quando meus sonhos já estiverem maduros
Então eu tiver escrito alguns poemas de amor
Com os versos simples, românticos e puros
Talvez desenhados nas pétalas daquela flor...

Uma  rosa champagne de perfume adocicado
Me atrairá em meio às brancas e vermelhas
Revolvendo-me às lembranças do passado
Devolvendo-me o amor caído em centelhas.

Quando as andorinhas voltarem a sobrevoar
Aquelas plantas imponentes e majestosas
Os canários orquestrarão um terno cantar.

E quando eu tiver navegado para te encontrar
Numa nova manhã ensolarada e esplendorosa
Beijarei teu sorriso fascinante na beira do mar!

Euclides Riquetti

Pendure atrás do fogão

 


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          O fogão a lenha ainda é um equipamento de cozinha indispensável nas casas das pessoas que hoje estão na condição de semi-idosas ou já inclusas. Principalmente nas de quem não reside em apartamentos.

          Os fogões, aqueles esmaltados brancos com estampas de flores bem coloridas, bem tradicionais, das margas Geral, Marumby, Wallig ou Venax,   estiveram presentes na história de nossas famílias. Deles, tenho belas lembranças, principalmente da casa de minha madrinha Raquel, no Leãozinho, ou da Nona Baretta, na Linha Bonita, em minha casa e nas das tias, no antigo Rio Capinzal. As panelas grandes, de alumínio, fervendo o leite, ou no preparo do arroz quebradinho ou da macarronada. As de ferro,  para o cozimento do feijão e  as carnes. A polenteira, pesada, presente também. Algumas famílias tinham uma composição tão numerosa que precisavam de duas dessas polentas no almoço para saciar a fome após a lida da manhã. Os queijos, os salames, as copas, as bacias de saladas, principalmente os radicci.

          Um grande caixão para a lenha, com tampa, situado atrás do fogão, onde as crianças gostavam de ficar para menterem-se aquecidas nas frientas manhã de nossos invernos. Era disputado, mas os pais o reservavam sempre para os mais pequenos. E, de vez em quando, um susto, quando o vapor da água elevava a tampa da panela e, em gotas caía sobre a chapa muitas vezes avermelhadas pelo calor...

          Minha mãe conservou um até o final de sua vida. Nós, aqui em casa, também tivemos o nosso, mas já abolido desde que as crianças cresceram.  Porém, o que me faz retornar a ele não é a sua utilidade como o principal componente da cozinha, em tempos que as pessoas não tinham geladeiras e nem fogões a gás.

          Lembro dos arames esticados atrás dos fogões, fixados com pregos na parede angular, de madeira. E ali penduravam os uniformes para que secassem e as crianças pudessem ir para a escola devidamente paramentadas. Outras vezes, punham dois peçados de lenha no forninho e sobre eles um par de calçados, para que secasse e no outro dia pudessem ser usados...

          E há até lembranças que me fazem rir: uma vez minha irmã Iradi, professora na escola em Linha Pocinhos, colocou uma gravura de uma cozinha no quadro-negro. Estava ensinando  os alunos a fazerem uma descrição. E, uma aluninha, hoje uma respeitável senhora, escreveu: "Atrás da bunda da moça tem o fogão". Nada mal se os malandros não tivessem apelidado de "fogão" o traseiro dos homens.

         Também  histórias muito tristes foram protagonizadas diante desse histórico equipamento, com pessoas levando queimaduras que as marcaramou que lhes tiraram a vida...

         O fogão a lenha é um objeto que está caindo em desuso, gradativamente. Mas há muita gente herdando o costume de tê-lo e vão continuar utilizando-o. Alguns já substituíram a lenha por um dispositivo a gás que aquece a chapa. Mas, aquele brilho saindo da porta do fogão, ou aquele cheirinho da cinza da gavetinha sob a grade da combustão das lenhas, nunca será esquecido.

         Não importava para as crianças se suas roupas ficassem impregnadas de odores de fumaça ou de frituras.  Quem ligava para isso? O importante era não passar frio e no outro dia ir para a escola de uniforme e com calçados secos. Além disso, no inverso, tomar mate doce e comer aquele pinhão delicioso cozido sobre a chapa aquecida. E, todos sabemos, a comida que a mamãe ou a nona fizeram nos fogão a lenha era muito mais gostosa, não era?

          E o seu, era de que marca? De que cor? Tinha flores estampadas? Como era o caixão da lenha? Qual a marca: Geral? Marumby? Wallig? Venax?

          Você pode ter esquecido da marca, mas não esqueceu, certamente, das roupas penduradas atrás dele...

Euclides Riquetti
30-03-2013

Seus olhos entristecidos







Navegam seus olhos fundos,  entristecidos
Buscando no horizonte algumas respostas
Talvez buscando entender alguns desatinos
Escrevendo o poema certo nas linhas  tortas.

Navegam seus olhos bonitos nas incertezas
Buscando entender os difíceis mistérios da vida
No rio que leva distante,  em suas correntezas
Histórias de traumas, de lutas,  confrontos e brigas.

Navegam seus olhos com medo de ver as verdades
Estradas que levam no tempo, na busca da cura
E trazem consigo lembranças e muitas saudades
Dos tempos de amor, de ilusão e aventura.

Navegam seus olhos e,  ao longe, encontram os meus
Despertos na espera do encontro que tanto desejam
Que aguardam  respostas que venham de dentro dos seus
Respostam que acalmem meu ser e também me protejam.

Eu olho seus olhos, seguro suas mãos e você nem me vê
Em pensamentos, desejos, pecados, pecados, desejos
Só quero sentir o perfume sutil que vem de você
E, se possível, roubar de seus lábios apenas um beijo.

Um beijo do amor sentido e não correspondido
Um beijo para não mais ser esquecido!
Um beijo meu
Um beijo seu
Nada mais!

Euclides Riquetti

Sensação de liberdade


 



Sensação de liberdade

De andar na rua ao encontro do nada

De poder ver rostos expressivos

Talvez fazer novas amizades!


Sensação de liberdade

De esperar solitário pela madrugada

De rosto coberto com máscara de tecido

E ficar esperando pela mulher amada!


Sensação de liberdade

De poder viver a vida intensamente

E poder vagar por todas as ruas da cidade

Calmamente!


Euclides Riquetti

quarta-feira, 18 de março de 2026

Um porto seguro

 







Busque encontrar um porto seguro
E navegar nos mares da tranquilidade
Evite as turbulências do céu escuro
Busque a calmaria nos dias de tempestade.

Busque viver com pessoas otimistas
Com gente que a respeita e lhe quer amar
Mais vale ter poucos amigos leais e realistas
Do que ter muitos em quem não  confiar.

Busque tornar seus dias alegres e prazenteiros
Ter alguém simples, mas com que possa contar
Para compartilhar seus medos, para  juntos sonhar.

Busque os encantos mais puros e verdadeiros
A sinceridade nos gestos, o sorriso mais largado
Busque apenas ser feliz e me ter ao seu lado...

Euclides Riquetti

Linha Vitória – crônica de uma história que merece ser registrada e contada




       No antigo Distrito de Abelardo Luz, que pertenceu ao municipio de  Cruzeiro, hoje Joaçaba, ainda antes da construção da Estrada de Ferrro São Paulo-Rio Grande, depois Rede Viação Paraná-Santa Catarina e, adiante, Rede Ferroviária Federal S.A., esta inaugurada em 1910, já havia alguns moradores, caboclos, que se tem notícia de sua existência, porém poucos registros oficiais sobre eles. Mas, com a inaguração da Estrada-de-Ferro, começaram a aparecerl ali levas de descendentes de imigrantes italianos, vindos de diversas cidades da Serra Gaúcha. A comunidade de Linha Vitória, uma das mais prósperas no início de nossa colonização, não fugiu à regra. 

       Uma comunidade das mais antigas, Linha Vitória, teve suas primeiras casas construídas por volta de 1914 e 1915, quando também construíram a primeira Igreja ali. Primeiro mais abaixo, e, depois, onde se encontra a atual capela. 

       Pessooalmente, conheci a comunidade quando eu deveria ter uns 4 ou 5 anos. Lembro bem que, morando com meus padrinhos João Franck e Rachele Vitorazzi Franck, fui com a filha deles, Catarina, comprar alguns objetos pessoais para ela, que era noiva de Dionízio Pilatti, com quem se casou e teve filhos e netos ainda em vida. Lembro que ela comprou um espelho, pentes, flores artesanais brancas para compor sua vestimenta do casório. Fomos atendidos por familiares de Antônio Biarzi, então com uma bela casa comercial no centro da comunidade. De outra feita, fui com filhos de meu padrinho até a casa da família Savaris (pai do Waldemiro), onde amigos fizeram um mutirão para colher o trigo de sua plantação, uma vez que ele não tinha a capacidade motora de movimentação, uma severa limitação física. 

       Nas eleições de 1988, para o cargo de Prefeito Municipal em Ouro, obtive uma vantagem de 64 sufrágios na urna daquela comunidade. Ajudamos a comunidade a construir seu Ginásio de Esportes, e inauguramos um telefone para ser usado pelos moradores. Até hoje frequento Linha Vitória, onde tenho um pequeno sítio. 

       Ainda no milênio anterior, quando eu era Secretário da Administração e Planejamento do Governo Sérgio Durigon e José Camilo Pastore, agendei reunião para buscar informações que me permitissem obter a história de cada participaram da mesma, dentre outros, os irrmãos Espedito e Antoninho Cervelin, Adolfo e Afonso Faccin, Waldomiro Savaris, Dionízio (Capelão) e Dionísio Roque Pilatti, Antônio Pilatti e Dalposso. 

        Tenho de certo que as primeiras famílias vieram de Casca e São João de Montenegro, no Rio Grande do Sul. Vieram com cargueiros de cavalos e burros, outras já com o trem de ferro até Rio Capinzal, passando o Rio do Peixe e, indo por picadas abertas a facão e foices, até o local onde se situa Linha Vitória.

        Dentre os pioneiros, destacamos; Thomaz Pilatti, casado com Albina Lúcia Pituco, originário de São João de Montenegro; Vitório Cervelin, casado com  Idalina Rossato; Antônio Gubbert, casado com Oliva ; José Brustolin; José  Vacari; José Fachin; Pedro Faccioni; João Vargas; João Helt; Hermínio Maestri, que foi o primeiro professor na comunidade; Luiz Fabri;João Fachin Sobrinho; Fernando Berna, casado com Margarida Bernardt; Natal Formentão, casado com Catarina; João Pilatti, casado com Serafina Bearzi; Aldino e Vitório  Mariani; Marcelino Casagrande; Germino Biarzi; Atílio Felipe; Avelino Savaris; João Penso; Izaías Formentão, casado com Adelina Fachin; Maximiliano Biarzi, casado com Maria Prandini.

       Depois vieram as famílias Trentin, Máscchio, Zambon, Savaris, Perin, Bonamigo, Rech, Dalposso, Zanol e FaCcin, além de outras.

        Em Linha Vitória, havia inicialmente uma casa comercial de Thomaz Pilatti, que foi sendo sucedido por Hermínio Maestri. Jacob Maestri, Vitório Tonini,  Valídio Berna, Antônio Bearzi e Ivo Broll, a qual comercializava armarinhos, ferramentas e utensílios de cozinha, comprando produtos coloniais para serem repassados a exportadores da sede do Distrito de Ouro.

        A comunidade possuía um pequeno núcleo central onde, além da Igreja, da casa de comércio e da escola, havia também uma ferraria, uma serraria e um moinho colonial, para moagem de milho e descascamento de arroz, bem como uma cantina produtora de vinho e vinagre de uva, das antigas Indústrias Reunidas Ouro S/A.

        Pela ordem, foram proprietários de ferrarias ali; Luiz Fabri, João Penso, Dário Nora, João Tonini, Marcelo Fachin , Antônio Dambrós e Ângelo Pecinatto.

       As serrarias passaram pelas mãos de João Penso, Família Poyer, João Rech e depois Otto Pilatti, enquanto que foram moinheiros Luiz Biarzi, Antônio Biarzi e Ivo Broll.

        Também havia um campo de futebol em propriedade de Ermindo Zanol, depois de Itacir Rech, Adolfo Faccin  e, atualmente, há um bem localizado, no núcleo central.

          Alterações significativas ocorreram nos costumes e na economia. Algumas atividades foram sendo suprimidas e hoje a produção agropecuária ainda é muito forte, 

           Linha Vitória realiza, neste domingo, uma festa comemorativa que vem criandograndes expectativas pela capacidade de oraganização e entusism de seu povo. 

Euclides Riquetti – Escritor – www.blogdoriquetti.blogspot.com 

18-03-2026

Texto sujeito a atualizações em qualquer momento. 


terça-feira, 17 de março de 2026

Feche seus olhos e me responda

 


 



Feche seus olhos e me responda
Não quero que me diga que não me entende
Não quero que nada, nunca me esconda
Pois sei que se você quer, você me compreende.

Feche seus olhos e escute minha voz
Quero que ouça o que tenho a lhe dizer
Quero que saiba que eu estou muito só
E que em todos os momentos só penso em você.

Deixe que seu pensamento me busque e me encontre
Que venha juntar-se a meus sonhos românticos
Para que eles sejam entre nós uma doce ponte.

E, quando ouvir os anjos tocarem seus clarins
E eles orquestrarem os seus mais belos cânticos
Pensarei em você e espero que  pense  em mim....

EuclidesRiquetti

Gotinhas de orvalho

 


 




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Gotinhas de orvalho


Gotinhas de orvalho queimam
Quando caem na madrugada
São como princesinhas que reinam
Na terra dos sonhos e encantada.

Gotinhas de orvalho tão delicadas
Também podem causar avarias
Podem ser como pedras nas estradas
Ou como espinhos nas cercanias.

Gotinhas de orvalho também ferem
Ferem de dor, ferem  uma paixão
São como flechas que se desferem
E podem machucar meu coração.

Gotinhas de orvalho, ora inofensivas
Outras vezes vorazes e impetuosas
Caíram nas relvas de minha vida
Transformadas em gotas lacrimosas!

Bem assim...

Euclides Riquetti 

Quando me deste o céu

 


 



 

Quando me deste o céu


Quando me deste o céu, eu te dei o mar
Quando me  deste o sol, eu te dei meu sorriso
Quando me deste as estrelas, eu te dei o luar
E descobri que tu és tudo de que eu tanto preciso.

Quando me propuseste sonhos, eu te permiti sonhar
Quando me disseste adeus, eu permiti o teu retorno
Quando me ofereceste carícias, te permiti me amar
E vi que tu és mais do que um simples adorno...

Quando a chuva molha as gramíneas e as plantas
Quando a chuva molha as pétalas das roseiras
Quando a chuva molha o corpo com que me encantas

Eu me entrego em divagações ternas e saudosas
Eu me inspiro em suas risadas doces e faceiras
Eu me perco em suas curvas belas e formosas.

Euclides Riquetti

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Homenageando Genoval Braga Ramos, amigo capinzalense!

 



       


       Soube do falecimento do amigo Genoval Braga Ramos. Conheço-o desde minha infância: estudávamos, ambos, no Colégio Mater Dolorum, no ensino primário; e no Ginásio Padre Anchieta, em Capinzal, na década de 1960. Viramos a décadas na Escola Técnica de Contabilidade de Capinzal, que se tornou, posteriormente, Colégio Capinzalense Flor do Vale e, ainda Colégio Cenecista Padre Anchieta.

       O Genoval, bom moço, sempre foi um amigo confiável. Éramos, ambos afilhados de meu tio Adelino e de Dona Clorinda (Baretta) Casara, comerciantes em Capinzal. Dividimos nossa amizade em conversas, jogo de bolicas de vidro e futebol. Eu era Vasco e ele Flamengo. Juntos fizemos parte de diretoria no Arabutã FC, com jogos na Baixada Rubra, em Capinzal.

       Além de trabalhar na agência de estatística, que mais tarde se tonou IBGE, sob o comando de Guilherme Odil Doin, Genoval enveredou-se para a profissão de contador. Atuou na Auto Elite Ltda, em Capinzal e depois ingressou em carreira da Polícia Civil de Santa Catarina.

       Tenho duas lembranças marcantes com o amigo: a primeira, na época de nossa juventude, quando ele e o Bonato, que hoje mora no Navegantes, em Ouro, saíram remando um bote no Rio do Peixe, num domingo à tarde, após saírem da sessão de cinema de matiné do Cine Odete, antes Cine Glória. Pois os dois amigos casaram com as namoradas e construíram sólidas famílias. Tiveram filhos e netos e deixaram bons exemplos para seus descendentes e amigos. A segunda, vem dos primeiros anos da década de 1970, quando ele apareceu lá na República Esquadrão da Vida, situada à Rua Professor Amazília, 322, em União da Vitória. Aparecera lá para procurar por seu irmão, o Bastiãozinho, que morava naquela cidade e era meu amigo. O Genoval tinha amizade com o Leoclides Fraron e comigo. Chegou na cidade às 11 horas da noite, de trem, e apareceu lá na nossa República. Veio procurar o irmão, de quem não tivera mais notícias. Conseguimos reunir ambos e então o amigo voltou, tranquilo, para Capinzal, onde viveu até esta manhã.

       Genoval exercia forte forte liderança na cidade, chegou a ocupar o cargo de delegado de polícia, fazendo parte também parte do Centro Espírita Amor e Caridade. Podem sua esposa, filhos e netos, ter orgulho de terem convivido harmoniosamente e carinhosamente com ele. Pai coruja, vovô coruja, tinha muito orgulho de todos.

       Tenho a plena certeza de que ele, pela pessoa que foi, tem um lugar aprazível na Glória Eterna.

Um abraço carinhoso em todos!

Euclides Riquetti
03-05-2018