sábado, 28 de março de 2026

Sinto, em ti, o sabor da uva madrura

 


 






Sinto, em ti, o sabor da uva madura
Há, em ti, a energia do sol dourado
A força que brota do vinho tinto
A destreza de um animal alado
Um anjo de docilidade e formosura.

Sinto, em ti, o calor das areias do deserto
A calmaria da nuvem embranquecida
O perfume do lençol bem limpo
O aroma da baunilha  amarelecida
E o frescor do intenso vento do inverno.

Vejo, em ti, a agilidade de uma andorinha
A singeleza e a esperteza de uma criança
A beleza e a realeza da princesinha.

Então...
Reúno todos os teus predicativos
Os teus sabores e a tua energia
As qualidades, todas em harmonia
Todos os melhores dos adjetivos
Para te dizer, com toda a alegria
Que me inspiras no meu dia a dia!

Euclides Riquetti

Sorrindo na chuva

 


 






Sorrindo na chuva


Fico olhando pra você, que se vai feliz
Pela rua cinzenta, com cheiro de luar
Anda, livremente, buscando o seu mar
Sonha acordada com os versos que fiz.

Fico imaginando o que a anima tanto
O que a faz andar sorrindo na chuva
Tão protegida como a mão numa luva
Adeus às tristezas, adeus aos prantos.
 
Vai, esbaldando-se em sua felicidade
Na busca da recomposição de seu eu
Envolta no frescor da pura liberdade.

Vai, flutuando nas nuvens das certezas
Colhendo os frutos do pomar que é seu
Majestade coroada com sutis realezas.

Vai, feliz, sorrindo na chuva!

Euclides Riquetti

Não entregue o seu coração por inteiro



 



Não entregue o seu coração por inteiro
Guarde pra mim um pedacinho dele
Quero ser seu fiel companheiro
Quero me alojar, esconder-me  nele.

Não deixe que o maltratem em nenhum momento
Cuide-o com carinho, é seu valioso bem
Não permita que lhe venha o sofrimento
O direito de ser feliz é seu e de mais ninguém.

Defenda o direito dele de ser  amado
E o seu direito de poder sonhar
O direito de amar e de ser amado.

E, que o respeitem se tiver defeito
Principalmente se este for o de  "amar"
Este verbo perfeito tão imperfeito...

Euclides Riquetti

Viva com alegria, viva com paz!

 


  







Viva com alegria, viva com paz!

Ame todas as coisas que a rodeiam
Ame a luz do sol, o brilho das estrelas
Ame as estradas que serpenteiam
E todas as árvores que pode vê-las.

Viva com alegria, viva com paz
 Viva a magia que a vida lhe traz!

Valorize os seres  que lhe querem
Aqueles que a respeitam também
Acolha as palavras que não ferem
Refute aquelas que não fazem bem.

Viva co alegria, viva com paz
Viva a magia que a vida lhe traz!

Imagine campos e flores amarelas
Lugares bonitos e encantadores
E lembre das palavras tão singelas
E pense em dias mais promissores.

Viva  com alegria, viva com paz
Viva  a magia que a vida lhe traz!

Bem assim...

Euclides Riquetti

Garimpando os raios de sol

 


 






Na manhã de hoje, vou garimpando os primeiros raios de sol.
Os primeiros que chegaram, cortando as nuvens cinzentas que encobriam a vista de minha janela.
Recolho-os para guardar em minha alma. Recolho-os para depositar em meu coração...
Recolho-os para que possa dar a você quando você acordar!

Dormes o sono calmo da noite e da madrugada, enquanto fico acordado planejando a vida.
Dormes como dormem as multidões na manhã do domingo santo.
E eu, com minhas vontades de poeta, penso em você...
Enquanto imagino versos que ainda porei no papel
E, quem sabe, entregarei a você!

Na manhã do sábado, que sucede um dia auspicioso 
E que precede uma semana de ócio (ou de trabalho?)...
Rezo para que Deus coloque muita luz em seu caminho
E que todos os seus projetos se sucedam com pleno êxito
Porque nós escolhemos nossos caminhos, com gramados, pedras ou flores
E deveremos caminhar por eles enquanto nós existirmos, com ou sem conflitos...

Assim, vou recolhendo os primeiros raios de sol, que vou guardar
E que deixarei bem protegidos, para dar, junto com todo o meu amor e meu carinho
Para você!

Euclides Riquetti

Para quem sonha e os sonhos descreve...

 


 







Para quem sonha e  sonhos descreve
Um poema longo, terno, ou emotivo
Ou apenas um recadinho bem breve
A palavra amor tem o maior sentido.

Para quem ouve ou simplesmente lê
Minhas divagações tão apaixonadas
Que tentam fazer crer quem não crê
Há respostas a serem interpretadas.

Para quem costuma compor textos
Com teor sarcástico, talvez satíricos
Os argumentos são apenas pretextos
Para fugir dos românticos e líricos.

Pois o amor é essência e substância
É alimento que nos anima e sustenta
É o sentimento de maior relevância
Pois nossa alma estimula e acalenta.

 Euclides Riquetti
www.blogdoriquetti.blogspot.com 

sexta-feira, 27 de março de 2026

Sob o céu anilado

 


 






Repouse:

Deite-se, tranquilamente, sob o céu anilado

Doure seu corpo em canela e bronze

Coloque no rosto seu sorriso encantado

E no corpo, a energia que vem do sol dourado e...

Se tiver que ousar, então... simplesmente ouse!


Ouse desafiar todas as convenções

Use seus dotes e toda a sua inteligência

A vida é feita de sentimentos e emoções

Não haverá vida se não houver chuva nos sertões

E até as sementes ficarão em eterna dormência...


Recrie-se

Saia de sua radical linha de conforto

Projete-se para a vida na atenção aos ideais

Não esmoreça nunca ,jamais

Procure ancorar-se em seguro e vasto porto

Mas não deixe de cuidar da mente e de seu corpo!


Repouse sempre quando necessário for

Sonhe com  pétalas de rosas e com humildes passantes

Pinte paisagens de pastos verdes e montes claros

Castanhos pedregados ou brancos nevados

Busque a alegria e refute qualquer forma de dor.


Reinvente-se, vá à luta, lute e vença

Erga seu braço comemorando cada vitória

Porque, homens e mulheres talentosos

Seres humanos destemidos e corajosos

Defendem com ardor seus propósitos e suas crenças!


Euclides Riquetti

Deve estar escrito... bem assim!


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Deve estar escrito em algum lugar
Que você não me quer amar...
Deve estar escrito num caderno
Que você não quer um amor eterno...

Deve estar escrito na letra da canção
Que você não se importa com meu coração...
Deve estar escrito no verso do poema
Que você não quer saber de meu dilema...

Deve estar escrito num outdoor
Que você conhece meus lamentos de cor...
Deve estar escrito em sua alma encantada
Que você  não se importa com nada...

Não se importa com o que me acontece
Se me ajuda ou me entristece...
Não se importa com a realidade
Se me faz sentir amor ou saudade...

 Não se importa se o sol brilha na manhã
Ou se chove sobre a terra chã...
Não se importa se as flores permanecem coloridas
Ou se fenecem com poucos dias de vida...

Não se importa se o luar ainda continua prateado
Ou se ele já não anima os namorados...
Não se importa em dar a esperança
A quem de você tem as melhores lembranças...

Apenas isso... bem assim!

Euclides Riquetti

quinta-feira, 26 de março de 2026

Como se o tempo não tivesse passado

 


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É como se meu tempo não tivesse passado
E é como se tudo fosse um sonho eterno
Algo fascinante, algo encantador e terno
Que calou em mim; ficou aqui gravado..

É como se a vida fosse só o que foi vivido
É como se não houvesse um futuro adiante
Nada de novo, apenas o passado já distante
Apenas um livro diário já escrito,  antigo...

É como se tudo fosse estático, permanente
Apenas dias nublados, chuvas, tempestades
Ventos que sopram os fogos das vaidades
Como se tudo fora o passado sem presente...

É tudo muito confuso, escuro, sem clareza
É o céu na noite em que somem as estrelas
Em que se olha e não se pode percebê-las
É o futuro incerto e o presente sem certeza!

Euclides Riquetti

Histórias com bilboquês e petecas - Quem não brincou? (Memórias da juventude)

 


 







          Revirando minhas bagunças aqui em casa encontrei um bilboquê. Belo brinquedo que comprei há uns 4 anos em Porto Alegre, numa feirinha lá do Parque Farroupilha. O Parque Farroupilha é uma enorme área verde daquela cidade. Os portoalegrenses podem orgulhar-se de terem um parque assim, como os curitibanos têm o seu Bariguí, também acolhedor. São extensas áreas onde as pessoas buscam o lazer junto  à natureza, fazendo suas caminhadas diárias. Lugares aprazíveis.

          Os bilboquês e as petecas eram os brinquedos mais disponíveis que tínhamos em nossa adolescência. Também tínhamos bolicas, as de vidro. São as bolas de gude. Também  jogávamos muita bola. No Colégio Mater Dolorum nos oportunizavam  o "jogo de caçador" nas aulas de Educação Física, que eram raras. No primário, a própria professora regente nos dava a bola para jogar e arbitrava. No ginásio Padre Anchieta,  o Frei Gilberto, Diretor, fazia-nos exercitar e depois nos deixava jogar bola. Isso nos sábados pela manhã. Dava-nos exercícios militares que aprendera na Itália. Fora soldado na  Segunda Guerra Mundial. E era muito severo. Depois jogávamos futsal. Uma vez o Edovilio Andreis, o Vino, descascou o dedão do pé no piso áspero. É que poucos tinham tênis para jogar. E as congas eram muito frágeis. Se jogasse com uma, estragava-se.

          Como não tínhamos muitas opções, então precisávamos encontrar nossa maneira de brincar, criando nossos brinquedos ou comprando-os. Poucas opções havia.

          O bilboquê é um brinquedo de origem francesa e dizem que tem 500 anos. Existem muitos tipos deles, a maioria de madeira: são umas pequenas torres de cujo topo sai um cordão, normalmente de algodão, que se liga num suporte, também de madeira, parecido com um picolé. Há os redondos que exigem muita habilidade da gente, é difícil pontuar com eles. Outros são parecidos com cones, ou então com sinos de igrejas. Eu não podia comprar um, então pegava uma latinha de fermento Royal ou Fleischmann, fazia um furo com um prego, passava um barbante, amarrava num pauzinho e tinha o meu.

          Na escola, na época do Padre Anchieta havia uns feras no jogo. Compravam os brinquedos na Casa Barraquinha, no centro da XV.  O Zé da Barraquinha nos vendia. Alguns compravam na Marcenaria São José ou no D ´Agnoluzzo, que tinham torno para madeiras e os confeccionavam.

           Acho que os melhores bilboqueiros da época eram o Ézio Andrioni (o Bijujinha, já falecido); o Volmir Costenaro, o Gauchão, que está no Ceará; o Adelmir, irmãõ dele, que chamávamos de Gauchinho; o Antoninho Carleto, que era conhecido como Volpatinho e voltou recentemente para o Ouro; o Severino Mário Thomazoni, que foi para Araruna-PR, o Vilmar Matté, que está em Campos Novos. Esses davam-nos shows. Pontuavam, faziam piruetas e "passavam recibos"  como poucos. Mas havia muitos outros bons jogadores e jogadoras na época. Nunca me dei bem com o bilboquê. Acertava poucas piruetas.

          As petecas foram a "novidade esportiva" que os europeus encontraram no Brasil. Era um jogo dos índios, que só levaram para a Alemanha em 1936. Lá jogam muita peteca ainda, havendo diversas competições. Os índios as confeccionavam com madeiras envoltas em peles de animais ou palha e com penas de aves. Hoje não é muito diferente.

          Nossa geração jogou muita peteca. Meu último jogo foi numa competição escolar em que formei dupla com a colega professora Neusa Bonamigo, da Escola Sílvio Santos. Jogamos no Abobrão.  Ganhamos os mata-mata e ficamos campeões. Éramos os mais girafudos, tínhamos braços longos e isso ajudou muito. Acho qu fui um razoável jogador de peteca.

          Uma peteca qualquer pessoa podia ter. Era só pegar umas palhas e arrancar uma penas dos rabos dos galos e fazer. Os rabichos, os mais longos, davam uma bela aparência para a peteca. Ter um bilboquê, naquela época, era bem mais difícil do que ter um telefone celular com câmera, hoje. 

          Lembrar dessas pequenas coisas me dá prazer e gosto de dividir isso com as pessoas com que divido minhas amizades. Hoje, quando os brinquedos nas mãos das crianças são, em sua maioria  vindos da China, tenho saudades daqueles brinquedinhos simples com que nos divertíamos. Por isso gosto de meu bilboquê.  Foi o primeiro que consegui comprar e só fiz isso após aposentar-me como professor.  O único que eu tive. Tenho certeza de que muitos de meus leitores e leitoras também viveram isso. E sentem, como eu, muitas saudades. Mesmo que tenham celulares, tablets e Iphones....

Euclides Riquetti
04-02-2013

Porque a vida não é perfeita

 


 



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O ser humano não é perfeito
Como não é perfeita sua vida
Tem suas virtudes e defeitos
Há a instabilidade desmedida.

As imperfeições são evidentes
Os nossos íntimos vulneráveis
Muitas vezes são tão aparentes
No âmago dos corpos frágeis.

Reações calmas ou violentas
Ou simplesmente inesperadas
Angústias nas almas sedentas.

Emoções em seres conturbados
E a esperança sempre buscada
Na imensidão do céu azulado.

Euclides Riquetti

A música das flores

 


 

                                                                 Créditos: Nísia Digital

A música das flores

Me convida pra dançar

A valsa das cores

E há perfume no ar...


A tarde da harmonia

Me convida a sonhar

E a sensorial sintonia

Contagia o bailar...


Os cantos angelicais

Invadem o meu ser

E os sensos naturais

Me motivam a viver...


Então eu te convido

Estou te chamando

Vem dançar comigo

Estou aqui esperando!


Euclides Riquetti

O vento que sopra na tarde

 




O vento que sopra na tarde
E que move as folhas da planta
Traz-me paz, sem mais alarde
E faz-me sentir qual criança.

Quando a primavera  chegou
Começou a mudar a paisagem
A flor se abriu, desabrochou
No vaso que abrigou a folhagem.

A juventude é assim:
Surge bela, como a flor
Ocupa os canteiros do jardim
Abre-se em sonhos de amor.

Ah, setembro - primavera!
Tempos de vida e de cor
Vem o sol que a gente espera
Traz na  tarde seu fulgor.
 
Euclides Riquetti

Se eu soubesse pintar...

 


 


 

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Se eu soubesse pintar
Começaria pelo teu rosto contente
Pincelaria teu corpo envolvente
Poria vermelho nas unhas de  teus pés...

Se eu pudesse pintar
Pintar-te-ia com roupas pretas
Que te tornam bonita, atraente
Que te deixam morena fascinante...

Se eu soubesse pintar
Pintar-te-ia como és:
Com toda a tua exuberância
Com tua beleza e elegância.

Se eu pudesse pintar
Pintaria teu rosto com tinta clara
Cor da primavera que chegara
E o próprio verão cobrir-te-ia com verniz...

Mas,  todo o teu corpo
Idealizado, desejado
Eu jamais conseguiria concretizar!
Não eu, nem outro:
Ninguém conceberia o ideal de tua perfeição...

Mas teu beijo
Sensual, gostoso, (ardoroso?)
Eu levaria!
Tuas palavras
Doces, amáveis, (adoráveis?)
Eu também as levaria!

E teus olhos fugidios teriam que fitar os meus e dizer:
"Eu te amo!"

Euclides Riquetti

Num universo de paz e amor


 


Não sei onde se encontram agora

As flores que você plantou
Se apenas sumiram por ora
E por causa delas você chora
Depois que a tormenta passou...

Não sei onde estão as rosas e as margaridas
Que você regou com seu pranto
Mas que deixaram suas manhãs floridas
E ajudaram a curar suas feridas
Que desapareceram como que por encanto...

Mas sei onde se encontram os versos
Que você me inspirou a compor:
Vagam pelas ondas dos mares mais  incertos
Nos lugares mais diversos
Num universo de paz e de amor......

Euclides Riquetti

Feridas no coração

 


 




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Dores que não se acalmam
Vêm de feridas no coração
Que rapidamente se espalham
Causando angústia e aflição...

Dores vêm por algum motivo
E nos causam muita tristeza
Quando atacam um ser vivo
Trazem o sofrer e a incerteza.

Dores, é melhor nunca tê-las
São como pedras em desertos
Jamais serão luas ou estrelas
Nem me inspirarão os versos!

Dores, delas é difícil livrar-se
Pois dissabores elas nos dão.
Como de sofrimentos afastar-se
Se há dor em nosso coração?

Euclides Riquetti

quarta-feira, 25 de março de 2026

Quem ama só quer o bem

 


 








Quem ama só quer o bem
Quer ser amado
E quer amar também.

Desejar que o outro seja feliz
Do amor ser um adepto
Professor e aprendiz...

Quem ama o faz porque quer
Faz de caso (im) pensado
Em lugar qualquer...

Deseja dar alegria e contentamento
E que tudo aconteça do jeito certo
Tão certo como há sol e vento...

Quem ama só quer o bem!

Euclides Riquetti

Um belo entardecer

 


 




Foto: Caçadores de Imagens - Capinzal - SC -

-  granjas de grãos entre Capinzal e Zortéa



Está ali um belo entardecer

Depois de uma tarde ensolarada

Com um céu de azul discreto

As folhas da palmeira balançadas

Ouvindo as músicas prediletas

Prenúncio do breve anoitecer...


Mais um dia com esperanças

Vendo as horas indo embora

Enquanto alguém triste chora

Pelas desventuranças.


Esperar pelas boas novas

Para que as pessoas se animem

Pra que você, então, se energize

Que sinta os olores das rosas

E, depois, se regozige!


Rezar, amar, e muito acreditar 

Que possam vir dias bem melhores

Que se possa andar pelos arredores

Sem se preocupar...


E que o bom Deus nos proteja

Nos dê saúde e muita alegria

Que o amanhã, sendo um novo dia

Que Ele guie meu barco que veleja

Para que eu possa navegar

E rever, de novo, nosso velho mar!


Euclides Riquetti

Chuva de melancolia

 


 








Chove muito em seu telhado
São as gotas da melancolia
Talvez meu  pensamento frustrado
Talvez o prenúncio de uma noite fria...

E toda a chuva que cai por aqui
Busca as valetas de nossas ruas
Corre as ribanceiras até ti
Vai pra acalmar as dores tuas!

Choveu na noite e chove agora
E isso aprofunda a tristeza
Pois sei que o mundo ali fora
É uma rota de incertezas...

Mas deixe que a chuva role solta
Esse é seu papel na natureza
Porque, depois dela, tudo rebrota
E se colore com rara beleza!

E que a chuva de melancolia
Se torne algo promissor
Que logo nos volte a alegria
Que tudo se revista de paz e amor!

Bem assim!

Euclides Riquetti

terça-feira, 24 de março de 2026

Coloque sua alma dentro de meu coração

 


 







Coloque sua alma dentro do meu coração
Levemente
Suavemente
Sutilmente...

Feche seus olhos e apenas me abrace
Gentilmente
Carinhosamente
Firmemente...

Traga seus lábios vermelhos para junto dos meus
E me beije
Deliciosamente
Perdidamente
Amadamente...

Apenas porque
O lugar de sua alma é estar em mim
O lugar de meus lábios é estarem em você
Juntos de novo... sempre...bem assim!


Euclides Riquetti

Não tente compreender o Universo


 




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Não tente compreender o Universo
Com toda a sua imensidão e infinitude
Pois não  há como saber o que há além
Se nem sequer entendemos também
O que nos dizem os brancos versos
Que componho na noite de negritude.

Não tente entender o incompreensível
Nem imaginar o que for inimaginável
Pois há coisas que fogem de seu alcance
Não há perdão se não houver uma chance
Nem o novo se tudo parecer impossível
Então me entregue seu coração afável!

Não deixe que o seu tempo passe célere
Não perca os seus anos, os meses e dias
Busque viver a sua vida intensamente
Liberte seu corpo, sua alma e sua mente
Usufrua de tudo o que a vida lhe confere
Viva cada instante com paixão e alegria!

Euclides Riquetti 

Para ser feliz

 






Para ser feliz

Na vida, não há um futuro a se prever
Nem sempre nos contentamos com o que temos
Não queira nada além do que pode ter
O que é pra ser nosso, nós nunca perderemos...

Sermos felizes, vivermos contentes
Poder dar e receber muito amor
Contar com os que estão aqui presentes
Darmos à vida muita cor e sabor...

Para ser feliz, cuidar das coisas simplesmente
Dar valor a quem nos quer e a quem queremos
Oferecer carinho, segurar a mão fortemente
Presente e futuro risonhos é o que teremos.

A felicidade precisa da  busca incessante
Da harmonia tênue, do entendimento
De termos um coração alegre e cantante
Aplausos pra vida sem dor ou sofrimento!

Euclides Riquetti

www.blogdoriquetti.blogspot.com 


Meu pai noviço em São Paulo - crônica da nossa vida "muito real"

 

 



Seminaristas do São Camilo - SP




O segundo "menino" na fila de trás, da esquerda para a direita, é meu pai, na sua adolescência, no Seminário São Camilo, na Vila Pompeia, em São Paulo, onde hoje está a sede dos hospitais São Camilo.
          Na década de 1950, as cidades de Santa Catarina eram muito pacatas. As do Oeste e Meio-Oeste Catarinense eram pequenas. Seus moradores vieram entre 30 e 50 anos antes, a maioria originários da Serra Gaúcha, onde se situam Caxias do Sul, Farroupilha, Bento Gonçalves e outras cidades, cujos distritos originaram muitas outras. Eram filhos e netos de imigrantes italianos, que ali chegaram a partir da década de 1970. Meu familiares, de parte de minha mãe, os Baretta, chegaram em 1876. Os Richetti vieram de datas próximas às deles. Para Santa Catarina, para o antigo Distrito de Abelardo Luz, o primeiro nome da vila onde hoje se situa o Município de Ouro, vieram em meados da  década de 1920. Meu pai, Guerino,  nasceu em 1921,  e minha mãe, Dorvalina Adélia,  em 1923. Viraram moradores da Linha Bonita, embora meu pai tenha morado em outras paragens do nosso antigo Município de Cruzeiro, hoje Joaçaba.

          Ouvir as histórias que eles e os tios me contavam sempre me foi muito interessante. Ser antigo me permitiu ter vivido quando ainda nem se sabia que TV existia. E,  rádio, só alguns tinham. Dizem que na época da Segunda Guerra Mundial, quando as pessoas iam para a cidade (1939 a 1945), passavam na casa do André e da Dona Elza Colombo para saber notícias da Guerra, pois havia expedicionários nossos combatendo na Europa, mais precisamente na Itália.

          Foi justamente durante essa Grande Guerra que meu pai fugiu do Seminário,  do Instituto São Camilo, de São Paulo. Com nove anos (1932),  ingressou no Seminário de Iomerê, ele e outros vizinhos, um Boaretto, tio do Leonir, Prefeito de Capinzal, o Albino  Baretta, Padre que faleceu há poucos anos,  e dois Ravanelli, do Pinheiro Baixo. 

          Em 1994 realizamos, na Linha Bonita, o Primeiro Encontro da Família Baretta, idealizado pelo amigo Albino Baretta, não o Padre, mas o filho do Pierim. O Catequista, Ministro da Eucaristia, que cuidou do irmão dele, paraplégico, o Neto, por cerca de 30 anos e que mora em Capinzal. Foi uma festa e tanto. Vieram familiares de diversos estados brasileiros. E também veio, de São Paulo, o outro Albino, o Padre, que já estava velhinho, com mobilidade limitada. Perguntei-lhe se fora amigo de meu pai, em São Paulo. Ele nada respondeu. Mais adiante o primo Rozimbo me contou o porquê de o Albino não gostar de meu pai e eu o compreendi. Fiquei muito contente por ele não gostar de meu pai. A Festa da Família Baretta foi algo bonito. Repetiu-se uma vez, mas depois não mais aconteceu.

          Devo minha vida justamente ao Padre Albino Baretta. Albino significa "alvo", "branco", bem claro. Mas foi justamente porque ele era inquieto, e aquele que viria a ser meu pai também, que eu existo. Senão vejamos:

          Os seminaristas do São Camilo, de Iomerê,  foram todos para São Paulo, na Vila Pompéia, onde meu pai ficou de 1932 a 1942, tendo, então, 19 anos. Fez ali o Colegial, equivalente ao hoje Ensino Médio, que já foi Segundo Grau. Estudava Filosofia que, pela regra, são dois anos de Filosofia e três de Teologia para que o Noviço se torne Padre. Meu pai usava batina escura, era alto e magrão, tinha óculos clássicos. Aprendera Canto Orfeônico, Francês, Italiano, até tocava piano e órgão. Gostava muito de História e Geografia, tinha sempre excelentes notas. Mas também gostava de trabalhar, costume ou hábito de todos os descendentes de italianos. Sabia lidar com o serrote, o martelo, a marreta, o nível, o metro, a colher de pedreiro, o esquadro. Os mais limitados iam de enxada, foice, picareta... Ele, bom de cálculo (ensinou-me a calcular medições de terras e volumes quando eu estava no segundo ano primário), era pedreiro. E, no Seminário, sempre havia o que fazer. Herdara do Nono Frederico as habilidades.

          Bem, num dia daqueles, estava meu pai a construir uma cancha de bochas, lá na Vila Pompéia, quando o colega Albino Baretta começou a dar palpites, em vez de ajudar. Meu pai deu-lhe uma marretada no dedão de um pé e foi sangue para tudo o que é lado.

          À noite, a Cúpula Diretiva do Seminário, imbuída do maior senso de justiça, reuniu-se para decidir o futuro do rebelde Guerino. Era uma decisão difícil, que ficou adiada para a manhã seguinte. Precisavam analisar tudo, calmamente, mas, à espreita, o réu já percebia que seu destino seria a rua, a expulsão, uma vergonha para a Família Italiana, em plena Segunda Guerra Mundial. Então, enquanto todos dormiam, jogou uma trouxa de roupas pela janela do quarto, saiu devagarinho e silenciosamente pelo corredor, sem ser percebido, e adeus seminário. É por isso que o Padre Albino é responsável por eu existir. E, terei imenso prazer em lhe proporcionar, cara leitora, caro leitor, a continuidade dessa história, em próxima crônica.


Euclides Riquetti

Vem, abre tuas asas, voa

 


 




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Vem, abre tuas asas, voa, vem
Sobrevoa as nuvens, banha-te ao sol, vem
Traze teu corpo, teu charme, tua elegância
Vem me acariciar, vem me fazer sonhar!

Vem, com tua magnitude e exuberância
Vem pra me seduzir
Vem pra e fazer sentir
Vem pra me querer, vem pra me amar!

Vem, supera os obstáculos, as montanhas, as florestas
Sobrevoa as planícies e os desertos
Vem pra escutar a voz das ondas, o ruído do mar
Vem pousar nas areias brancas a te esperar!

Deita-te na maciez da areia clara
Morena-te sob os raios dourados
Curte a singeleza desta paisagem rara
E deixa-me admirar teu corpo bronzeado!

Vem...


Euclides Riquetti
www.blogdoriquetti.blogspot.com