sábado, 16 de março de 2013

É preciso dizer... (E é preciso assustar-se!...)

          O tempo passa e muitas situações que não desejamos que nos voltem acabam voltando-nos. Em 23 de fevereiro de 2011, ou seja, há pouco mais de dois anos, tive publicado, na coluna do Ademir Belotto, do Jornal A Semana, de Capinzal/Ouro, um texto em que propunha uma reflexão sobre comportamento ambiental. É um comportamento que relaciona o Homem e a Natureza. Depois disso, várias tragédias já aconteceram. E elas nos mostram que práticas da vida diária das pessoas, em todos os lugares, ocasionam desastres que poderiam ser evitados ou amenizados. Lembro que em 1983, no mês de julho, as enchentes dos Rios do Peixe, Iguaçu e Itajaí assombraram os três vales, causando vítimas e ocasionando prejuízos. E muitos traumas.  A ocupação das cidades em  suas margens,  com muitas edificações e pavimentações das vias,  vem impermeabilizando o solo das mesmas e isso é muito preocupante.   Assim, estou republicando a matéria, pois acho que ela se universaliza ao ponto de eventos adeversos se repetirem: Aí está, na íntegra:

          "Vivemos em cidades charmosas, colonizadas por descendentes de italianos ou germânicos, com declives e aclives acentuados, numa topografia altamente irregular. É assim nosso Vale do Rio do Peixe. Matas exuberantes cobrem os morros e formam os cílios dos riachos e de nosso majestoso rio, outrora piscoso, cujas águas já foram muito cristalinas, depois tornaram-se turvas (e turbulentas).

         Ouro e Capinzal não fogem à regra. São belas e prósperas. Por aqui já aconteceu "de tudo", coisas boas e muitas barbaridades. São cidades onde acontecimentos tristes têm ocupado as notícias no âmbito microrregional ou até estadual. Tivemos perdas humanas que jamais serão compensadas, até porque a vida é irrecuperável. Coisas insignificantes, recorrentemente, ocupam os noticiários.

          Mas os temas verdadeiramente sérios e importantes não têm sido debatidos. Meio ambiente e mobilidade urbana têm ficado em plano secundário. Deveriam ser discutidos à exaustão. Nas conferências das cidades estiveram na pauta, mas a participação popular não foi expressiva.

          Os eventos adversos da segunda semana deste ano, em cidades da serra e do litoral carioca, nos remetem a uma reflexão profunda: De quem é a responsabilidade pelas catástrofes?

          As catástrofes naturais podem acontecer a qualquer tempo e em qualquer lugar. No entanto, algumas delas podem  devem ser previstas e evitadas, ou minimizadas, e isso é responsabilidade dos governos e da sociedade. Note-se que as catástrofes que ocasionam a perda de vidas humanas são decorrentes de danos que o próprio homem já causou à Natureza. E elas podem, então, ser evitadas. Acima das leis, deve haver o bom senso e o conhecimento histórico do que já aconteceu em cada cidade.

          Todo esse intróito é para chegar a um relato cujo conteúdo gostaria que você analisasse:

          Há cerca de três anos, realizamos em Ouro um Seminário Regional do Meio Ambiente. Na oportunidade, um dos palestrantes referiu-se ao Furacão Katrina (ou Catarina), que ocorreu no litoral sul de Santa Catarina, e que causara muitos prejuízos materiais. E sobre as Tsunâmis, na Indonésia. Estudantes presentes indagarm se isso poderia se repetir, quando e onde,  e se ia morrer muita gente. O palestrante disse que sim, e  que "morreria muita gente,sim". No intervalo, foi censurado pelo dito. Houve divisão de opinião sobre o que ele disse. Intelectuais a favor e intelectuais contra.

          Passados poucos meses, a história nos mostrou algumas verdades: A Tragédia de Ilhota, Gaspar e Blumenau; a Tragédia de Angra dos reis. E, agora, a maior delas: a das cidades do Rio de Janeiro.

          Numa palestra que proferi para acadêmicos da UNOESC, apresentei imagens sobre algumas áreas de risco de Ouro  Capinzal, algumas incoerências que causam danos ambientais, e relatei um pouco das histórias das anormalidades climáticas dos últimos 30 anos por aqui: As enchentes de 1983, os vendavais que ocasionaram a queda da ponte pênsil, os vendavais que destruíram parte das instalações de uma agroindústria em Capinzal, bem como dezenas de resiências no Bairro São Cristóvão. As estiagens que ocasionaram prejuízos nas lavouras, as enxurradas que destruíram (e continuam destruindo) pontes e estradas, o granizo que destruiu casas em Linha Sagrado, e outras calamidades.

          Tudo isso é muito preocupante: temos áreas de risco, altamente vulneráveis, e há de se retomar um debate necessário, em que surjam proposições e ações para  minorar impactos ruins que podrão efetivar-se sobre nós. É preciso dizer... E é prciso assustar-se, sim!!!  (Professor Euclides Riquetti)."

Euclides Riquetti
16-03-2013

sexta-feira, 15 de março de 2013

O Papa é Pop

          Agora temos, de novo,  um Papa pop.

          Quando a fumaça branca da Capela Sistina abriu as janelas para o anúncio do novo Papa, o mundo se surpreendeu: ninguém tinha em conta que o eleito, com expressiva votação dos cardeais, pudesse ser um Argentino. Mas foi. E, naquele momento, os internautas brasileiros já começaram a escrever aquelas mensagens malucas, revelando seu descontentamento, até revolta, porque um brasileiro, Dom Odilo Scherer, não havia sido o escolhido. Escreveram coisas impublicáveis em qualquer veículo de comunicação decente.

          Agora, menos de dois dias após a escolha, as abóboras estão-se acomodando na carroça. As primeiras atitudes de nosso Papa Francisco mostraram o porquê de ele ter sido o escolhido. É uma pessoa humana sensacional, um ser muito carismático e humilde. Saiu da Capela Sistina e foi para a casa onde estava hospedado de ônibus, junto com os cardeais, dispensando o carro oficial do Vaticano. Em seu pronunciamento, por diversas vezes quebrou o protocolo oficial. Foi rezar na Capela onde costumava celebrar missas. Vestiu sua túnica branca sem nehum adereço. Discursou numa linguagem simples, compreensível. Recebeu os cardeais,  não para um beijo no anel, mas para um afetuoso abraço. E, nesta quinta-feira, ao levantar de sua cadeira, quase caiu um tombo porque não percebera o degrau. Mas reequilibrou-se, sorriu, achou graça de si mesmo e foi abraçar, de pé, os que vieram cumprimentá-lo.

         E seus compatriotas, em Buenos Aires, davam, ontem, declarações sobre sua simplicidade. Dormia num quartinho muito simples, aos fundos da Catedral da Capital Argentina. Ali, houve intensa comemoração quando do anúncio de seu nome. Duas missas foram celebradas na mesma noite. E o povo saiu às ruas com suas bandeiras azuis e brancas, como se tivessem conquistado a Copa do Mundo.

        E, mesmo as  acusações, costumeiras em ocasiões assim, de que ele teria servido à Ditadura Militar, na Argentina, não se sustentaram. Nosso Papa é mesmo Pop. Por isso corre os mesmos riscos que correm quaisquer outras pessoas. Mas ele é um Homem de Deus e terá a Proteção Divina para o exercício de seu Ministério Papal. Dizer "seu Reinado" não combinaria com a simplicidade de alguém que não pretende ser Rei, mas sim um Peregrino, como foi João Paulo Segundo, que era Papa há 12 anos quando a Banda Engenheiros do Hawaii escreveu na letra de um rock que o Papa era pop. Foi o maior sucesso da banda, vendendo, no início, 400.000 long-plays.

          E já saíram as piadas. Eu recebi uma foto de uma amiga em que Dom Odilo Scherer estava com aquele chapéu de Bispo e uma cruz de malta nele,  e a mensagem mais ou menos assim: "ficou em segundo", uma gozação em cima de nós, vascaínos, que somos acostumados a ficar vem segundo no Campeonato Carioca de Futebol. E umas caricaturas do Maradona com uma cara emburrada. O Maradona, agora, tem três sombras a lhe tirar o título de Rei, a afrontar sua vaidade: Primeiro, a de Evita Perón, que  já ofuscou por demais sua pretensão de ser o argentino mais popular. Depois, Leonel Messi, o craque do Barcelona e da seleção portenha. E, agora, o Papa muito Pop, Francisco, de nome Jorge  Mário Bergoglio. Francisco, um Argentino!

          Com alegria, posso dizer que agora temos um Papa bem  Neymar:  alegre, disposto e ágil como o craque santista e da Seleção Brasileira de Futebol.

Euclides Riquetti
15-03-2013

 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Vida No Vale

Eu amo as plantas de meu verde vale
Os girassóis, canelas e cinamomos
O alaranjado aroma das pitangas
O vento calmo em seu lufar.
Eu amo as águas de meus rios e de minhas sangas
Qua vagam entre as pedras rumo ao mar...

Nos galhos enramados  os pássaros cantam
E borboletas misturam-se às flores coloridas
As crianças sorriem seus sorrisos brandos
E as mães as abraçam  ternamente.
E elas,  com seus rostos inocentes,  como  anjos
Entregam-se aos afagos docemente.

Aqui  há uma  natureza imensa que nos olha e chama
E nos oferece a vida plena e natural
E,  mesmo que tu chores e  reclames 
Dá-te  um mundo de beleza sem igual...
Acredito que é o normal da condição humana
O bem vencer a luta contra o mal.

Euclides Riquetti
14-03-2013



quarta-feira, 13 de março de 2013

Habemus Papam - Papa Francisco - de Buenos Aires.

          A fumaça branca, emitida através da chaminé especialmente implantada na Capela Sistina, em Roma, anuncia o nome do novo Papa, Ministro de Deus e sucessor de Pedro, sobre quem a Igreja Católica e Apostólica Romana se sustenta.

          O Conclave teve seu início oficial na terça, 12 de março de 2013, na Capela Sistina, que sofreu todas as adequações físicas necessárias para a sua ralização. No dia anterior, os cardeais vindos de todos os lugares do mundo onde a Igreja se faz presente, foram  hospedados na Casa Santa Marta, de onde deviam sair pela manhã, a partir das sete horas do horário de lá, onze horas no horário oficial brasileiro,  e voltar para o almoço às treze horas. À tarde, mais duas reuniões diariamente, somando-se até 4 votações por  dia. No primeiro dia foi celebrada a missa oficial de abertura do Conclave e houve apenas uma votação. Os cardeais são os delegados da grande convenção, a mais esperada da presente década e talvez dos últimos 600 anos, desde que houve a última renúncia,  porque se reveste de características diferentes das demais. Agora, há um Papa Emérito, Bento XVI, que surpreendentemente renunciou ao cargo.

        A população mundial, principalmente nos primeiros dias de março, começou a formular sua opinião. Os brasileiros desejavam  um Papa Brasileiro, afinal  é o Brasil o país onde se concentra o maior número de católicos do mundo. Sabia-se que a intenção dos cardeais era de que o Papa escolhido tivesse inteligência e energia suficientes para trabalhar em duas frentes: a pastoral e a administrativa. E ainda propor mudanças no Direito Canônico e em algumas posições da Igreja. Mas, só agora, que temos um Papa, é que vamos ficar sabendo qual será a linha de conduta e ação do novo Pontífice. Em miha opinião, o Sumo Pontífice deveria cuidar da Pastoral e ter uma espécie de Primeiro-ministro que cuidasse da Administração do Vaticano.

          Os principais noticiosos do mundo apontavam, como favoritos: O italiano Ângelo Scola, teólogo conservador; o brasileiro Odilo Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo;  o canadense Marc Oullet; o ganense Peter Turkson; o nigeriano Francis Arniz. Também o italiano Tarcísio Bertone era  considerado um candidato com chances.

         Nas redes sociais os internautas comentaram as notícias conforme sua conveniência. Alguns de forma respeitosa, outros usando linguagem baixa e a costumeira péssima ortografia. No meio brasileiro, os mais doidos e chulos comentários. E o português mais sofrível ainda.

          Alguns cardeais estavam mapeados, pelo menos pelos jornalistas que cobrem o Vaticano, como favoritos a serem eleitos:
          Mas os votos dos 115 delegados deu a sucessão de Bento XVI a  Jorge Mário Bergoglio, um religioso de Buenos Aires - Argentina, contrariando as expectativas. Adotou o nome de "Francisco"

         Sua linha de conduta, na opinião dos principais comentaristas e vaticanistas do mundo, vamos conhecer logo. Latino, Jesuíta. Bom para todos nós.

         E os católicos do mundo inteiro esperam por mudanças   na conduta da Igreja Católica, especialmente no comportamento dos padres, uma vez que muitos deles têm sido um mau exemplo para os fiéis e em nada têm ajudado nossa Igreja. Aliás, além de não ajudarem, têm atrapalhado. E muito!

          Esperamos que o novo Pontífice possa dar linhas de ação ou diretrizes que possam influenciar os governantes de todos os países a iniciativas que melhorem a vida de seus dirigidos e que a violência, em todas as suas concepções, possam ser evitadas.

         Boa sorte, Papa Francisco! Pela primeira vez um Chico! O mundo espera que seus conselhos e seus exemplos possam ajudar a melhorar a vida de todos.


Euclides Riquetti
13-03-2013

Zé da Barraquinha

          O Zé da Barraquinha era um sujeito muito simpático. Tinha uma... barraquinha!

          O seu Zé estava instalado com seu comércio ali em anexo ao Hotel Imperial, da Dona Clementina  Goelzer. Ele tinha um jeito meio diferenciado de falar, tinha um sotaque peculiar. Como nunca soube o seu sobrenome, também nunca conectei isso bem, não pude saber qual  sua origem.  Não sei se era germânica, mas possivelmente que sim. Tinha jeito de alemão! Na época, íamos lá comprar canetas, cadernos, revólveres de brinquedo e bolicas de vidro.  Mas essas coisas também vendiam na Livraria Central, do Alfredo Casagrande.

          Se uma senhora precisasse de um diadema para segurar os cabelos, encontrava lá no Zé. Lembro que minha prima,  Salete Baretta,  adorava diademas. Para segurar seus belos e bem tratados cabelos escuros. Aliás, foi ela que me disse, um dia, que os  lavava com shampoo. Shampoo tinha para vender na farmácia.  O Palmolive era o melhor. Nem sei se havia algum outro... Na barraquinha não vendiam shampoo, mas vendiam aqueles espelhos que em todas as varandas de casas e nos banheiros tinha, os com a moldura alaranjada. Nossos italianos chamavam aquilo de "soada", não sei  por quê. Ainda vou descobrir... E foi assim que eu aprendi que as mulheres já estavam usando shampoo, uma maravilha tcnológica para dar mais brilho e leveza aos cabelos.

          Tinha até uma propaganda na TV nas décadas  de 1960 e 70: "Você está vendo minha voz? -Continua a mesma. Mas meus cabelos... quanta diferença!"

          O seu Zé da Barraquinha era muito atencioso e educado. Uma vez uma Senhora me pediu para ir lá comprar-lhe  uns grampos para cabelos. Foi lá por 1966. O Zé me disse: "Crampos, só loiros." É que ele vendia uns grampos de cor dourada, uma inovação para a estética. mais uma revolução. Mas a senhora me fez levá-los de volta porque ela  era conservadora. Queria os pretos. Estes, sim, combinavam com a cor de seu cabelo.

          O Djair Pecinatto, que era meu colega de Colégio e amigo do Zé, fazia uma brincadeiras, imitava-o. Eles tinham sua loja de calçados defronte à Barraquinha, ali onde é a Churrascaria Riquetti, dos meus primos. Quando o Pecinatto foi embora pra Lages, o Gabriel Casagrande, que veio de Piratuba, montou ali uma loja. Comprou o estoque e colocou sapatos bem bonitos. Tinha aqueles com "couro de cobra" e os com "couro de crocodilo", tudo coisa artificial. E meias vermelhas, que estiveram no auge da moda na virada de década. Até eu tive um par delas.

          Pois o Zé sumiu de Capinzal. E ninguém nuca mais o viu. Você, litor (a) deve estar-se perguntando por que o Zé vendeu a sua barraquinha para o Arlindo Henrique e foi embora. Pois eu acho que ele queria mudar de cidade. Penso que as pessoas devam ter ficado com saudades dele. Era simpaticíssimo. Depois da hora e nos domingos, costumava estar ali na Rua XV, normalmente em  frente ao Sanalma. Pegava, no máximo, um cinema à noie.

          Mas, como o mundo é mesmo cheio de surpresas, eis que, em meados da década de 1990, eu estava em São Miguel D´Oeste visitando meu cunhado Nei. Passamos perto  da Estação Rodoviária e o Nei perguntou-me: "Conhece aquele cara lá? Ele era de Capinzal, tem uma barraquinha aqui! Fui lá. Era o nosso Zé da Barraquinha. Conversamos, relembramos coisas alegremente. Você também deve ter conhecido o Zé. Ele continua lá, com os seus óculos, sua bondade, sua simpatia. Se não conheceu, sabe agora que ele existiu. E não foi uma página em, branco em minha vida. Tomara que ainda esteja bem. Ah, em tempo: Ele ainda vendia "crampos loiros".

Euclides Riquetti
13-03-2013

   



        

terça-feira, 12 de março de 2013

Perde-se de mim

Dócil e envolvente
Despida de pudor, a roupa ausente
Com ímpetos de amor e de vontade
Silhueta  de perfeita divindade.

Mulher,  alegre, sorridente
Corpo espelhado na luz:  reluzente.
Charme e olhar provocador
Lábios que desejo com amor.

Vai assim, depressa como veio
Nega-me  o abraço, o lábio, o seio
E desaparece num repente, num instante...

Perde-se na noite chuvosa e ecura
Perde-se com seus afagos e sua ternura
Perde-se de mim, mas acha-se  adiante!

Euclides Riquetti


segunda-feira, 11 de março de 2013

O Assalto Frustrado em Ouro

          Setembro de 1980, eu havia voltado há poucos meses ao Ouro.  Lecionava na Escola Sílvio Santos. Em setembro, a oportunidade de ganhar um dinheirinho extra. Fui contratado para trabalhar durante o mês  na execução do serviço de recenseamento de toda a área urbana do município. Lá fui eu, de casa em casa, mapa da cidade na mão, maletinha  do IBGE sob o braço.  Era a época ideal para isso, estávamos  fugindo do Inverno, prestes a chegarmos à Primavera.

          Meu supervisor era o Rogério Baretta. Fizemos, em agosto, o  treinamento nas dependências do antigo Ginásio Padre Anchieta, juntamente com o pessoal de Capinzal. Naquela cidade, lembro que havia o Bragato e o Régis Golin atuando. Eu tinha outros companheiros: o Dirceu Cadore, popular Cadorna, na ára rural, e Francisco Miquelotto, na região de Linha Sete de Setembro. Lembro bem desses.

          Eu havia ficado oito anos morando fora, entre Porto União da Vitória e Duas Pontes, hoje Zortéa. Muitas pessoas não me conheciam mais. Comecei pelo centro da cidade, fui para o Bairro Navegantes e depois para o Parque e Jardim Ouro. Havia, no máximo, trinta famílias somando-se os dois bairros.

          Tenho alguns  fatos que ficaram fortemente registrados em minha memória. Primeiro, quando fui fazer o censo na casa do João Tessaro, ali na Rua Pinheiro Machado, ao terminar, agradeci a atenção da Dona Jaci e ela foi cuidar de seus afazeres domésticos. Ao descer da escada, revestida com cacos de cerâmica, foi "um tombo só". Fui parar lá na rua. Olhei para todos os lados e não vi ninguém, graças a Deus. Ia ser uma vergonha para mim. Uns pequenos esfolões, mas o produto do meu trabalho estava salvo: a maleta preservada, com os formulários dentro. Os óculos, que voaram longe, também intactos. Bem, os esfolões seriam resolvidos com um pouco de mertiolate...

          Dias depois, o maior e mais inesperado ( e inusitado) acontecimento da história de minha cidade: o assalto ao Banco Bamerindus. Lá trabalhavam alguns amigos e alunos, dentre eles: Minha futura cunhada, Marise Früauf, a Zanete Helt (Miqueloto), que virou minha comadre, O Ladir Reina, filho do Texaco, o Ivan Vitorazzi, sobrinho de minha madrinha Raquel, e o vigia, Onorino da Silva, irmão do Terto, e outros.

          Três bandidos, sendo um  menor em idade, que vieram de São Paulo para trabalhar na construção de um frigorífico em Capinzal, realizaram o assalto ao Banco, no horário de almoço.  Lembro que fecharam alguns funcionários no banheiro. Minha cunhada estava voltando do almoço com meu irmão, Piro,  e viram que o assalto estava acontecendo. Tiveram sorte. Funcionários, como o Texaco e o Onorino, foram feridos.

          A notícia espalhou-se em instantes pela cidade.As pessoas colocaram um caminhão atravessado em cada saída da Felip Schmidt para que os assaltantes não pudessem fugir. Lembro que algumas pessoas atiravam contra o Banco, como o Sr. Santo Segalin, com espingarda, e o Rangel, conhecido como  "Alemão da Carlota",  com seu 38.

          Mas a bravura maior veio com o então Delegado de Polícia, Sargento Pedro Morosini, que adentrou à agência dando tiros nos bandidos. Até saía fumaça pela porta, de tantos tiros trocados. Quando acabaram as balas, de ambos os lados, os assaltantes partiram de faca para cima do amigo  Mosorini, que acabou sendo projetado por sobre um banco de corvin preto (aquele em que a gente senta na frente do gerente para pedir empréstimo...) e ficou  defendendo-se com os pés.  Levou golpes de  faca na cabeça, tendo, inclusive, restado uma ponta de faca alojada ali  próximo do cérebro. E alguns chumbos de tiros de espingarda restaram cravados em seu pé.

          Foi um grande e sangrento combate: Ao final, dois assaltante mortos, estendidos ao chão. E o menor, sendo conduzido a pé, pelo Carleto Póggere, que o segurava pelo pescoço com o braço esquerdo e carregava seu revólver na mão direita. Encontrei-o e ele me disse: "Esse não vai incomodar mais ninguém", e o levou para a Cadeia do Ouro. Este, depois, foi recambiado para São Paulo, terra de origem.

          O Delegado Morosini teve muitos ferimentos. Mas, com coturno nos pés, defendeu-se bravamente dos golpes de faca desferido contra ele. E teve muita sorte de sobreviver.

          Nos dias que se seguiram, o pânico rondava as casas. Mal escurecia e todos trancavam portas e janelas. O trauma levou muitos meses para ser amenizado. Eu lembro que, quando fui fazer o censo na casa do Serafim Andrioni, a esposa dele não queria abrir a porta porque não me conhecia. E, na época, a cidade tinha 6.000 habitantes. Só depois que eu disse que era o filho do Guerino Riquetti que havia estudado em Porto União e voltado para casa,  que ela concordou em abrir.

         Seguramente,o assalto  foi um fato que ficará registrado em nossa Hístória. Já são 32 anos passados. Mas, coisas assim, a gente não esquece nunca...

Euclides Riquetti
11-03-2013

         

    


      

sábado, 9 de março de 2013

Sempre sonhos

Sonhos são sempre sonhos
Sonhos apenas...
Não se explicam
Nem se justificam
Apenas são sonhos.

Sonhos que embalam
Sonhos que encantam
Que me embalam... e me encantam!

Adoro sonhar, pois:
Sonhar é prenúncio de estar
Sonhar é precedente de amar
Sonhar é um verbo eterno
Excelentemente regular
Tão regular quanto AMAR!
Adoro sonhar...

Euclides Riquetti
09-03-2013

Viva Nosso Campeão!

Num domingo bem festivo
Dia de sol, de céu azul
Ouro foi do brilho vivo
Campeão em Rio do Sul.

As meninas altaneiras
Lutaram pelas nossas cores
Foram fortes as guerreiras
Merecem a coroa de flores.

Ouro foi ouro na quadra
Foi luta, foi boa condição
Foi o esforço de uma esquadra
Que não poupou preparação.

Nossas jovens vitoriosas
Levantaram o troféu
Com jogadas portentosas
E a proteção de Deus no céu.

Foi conquista emocionante
Foi sucesso, foi a glória
O que deu-se num instante
Vai ficar por toda a história.

As atletas aguerridas
Jovens belas, aplicadas
Merecem ser enaltecidas
Pelas glórias conquistadas.

E que o sucesso se repita
Que haja comemoração
E a verdade seja dita
Nosso handebol é um timão.


Parabéns ao handebol
Parabéns pra todo mundo
Que Ouro brilhe como o sol
É nosso desejo profundo.

Que todos possamos gritar
Nosso clamor de emoção
Como é bom poder vibrar
Viva o nosso Campeão!

Euclides Riquetti
06-11-1995
Homenagem à equipe de Ouro-SC, Medalha de Ouro nos
Jogos Abertos de Santa Catarina em Rio do Sul - SC








Parabéns, Fabrício!

          Naquela manhã de  28 de novembro de 1987, depois de algumas horas de espera numa sala do Hospital São José, em Capinzal, me aparece, todo sorridente, vibrando,  o Dr. Paulo Jefferson Mendes, obstetra,  e me diz, exultante: "Riquetti, eu me enganei, não é menina. É um baita menino! E eu vibrei também. Era um menino. Já tínhamos as gêmeas, Michele e Caroline e agora veio um menino! Por que o engano? Ora, comemoramos juntos, eu e ele. O ultrassom fora no início da gravidez, não fizemos outros.

          No pré-natal, no ultrassom, veio a informação de que seria uma menina. Já tínhamos até o nome: Gabriela. Preparamo-nos para que assim seria. Tudo estava bem, o bom acompanhamento médico, o parto normal. Não fizemos mais do que cuidar da saúde e preparar o enxoval. Dessa vez não seríamos pegos de surpresa, como da primeira vez, que vieram duas. (Naquele tempo, ultrassom só em grandes cidades). Então, o nome escolhido: Fabrício Guilherme. Fabrício foi o nome que minha esposa escolheu. Guilherme fui eu que escolhi e ela concordou. Era o de uma pessoa que muito nos apoiou, Guilherme Brancher.

          Depois veio a infância, a opção pelo Palmeiras e pelo Vasco da Gama, influenciado pelo tio Ironi e pelo pai. Até ensaiou umas de sãopaulino. Fui ao Mater Dolorum com o bolo, os doces, os refrigerantes, e levei-lhe um uniforme completo do São Paulo: camisa dez, calção dez e meia 10.  Fazia seis anos.  Tudo com a assiinatura do Raí, irmão do Doutor Sócrates, seu ídolo. Mas, adiante, veio de presente uma camisa do Palmeiras/Parmalat, dada pelo  tio, e foi por aí mesmo. No último Natal, dei-lhe aquela camisa especial do Vasco, a azul com a faixa vertical branca e a cruz-de-malta. Ficou felicíssimo.

          As quatro séries finais do Ensino Fundamental no CNEC, o Ensino Médio no Colégio Marista Frei Rogério de Joaçaba e, depois, três anos e meio, 7 fases,  de Engenharia de Produção Mecânica, na Unoesc, em Joaçaba. E a proposta: "Pai, não quero mais estudar Mecânica. Não gosto, não me adapto". Gosto de negociar, quero mudar de curso. Quase morri de susto. Fiquei muito contrariado, mas procurei entender isso.  Então, mais quatro anos e meio de Comércio Exterior. Em novembro último, o término do curso. E, hoje, neste sábado muito chuvoso, a formatura. E, dentro daquele espírito: A formatura é do filho, ele decide quais amigos convidar. Os amigos dele, não os nossos...

          Um longo  filme retroage na minha cabeça: aproveitou a vida, jogou todos os tipos de esportes, é forte, saudável, resoluto. Tem Medalhas de Ouro no futebol, futsal, handebol, hae-kon-dô. Joga tênis de quadra, gosta de pescaria, tem seu trabalho, está casado com sua Luana, têm a vida independente, ela ainda está cursando Psicologia.

          Pedir mais a Deus? Não! Apenas saúde para ele e para todos os da família. Desejar que a cada dia encontre mais alegrias em seu caminho. E continue com sua costumeira energia.

          Tímido, embora falante como o pai. Leitor,  como todos os da família. Agora, escolhido Orador da Turma. Sei que está com o discurso pronto, não me mostrou. Mas imagino que seja algo mesclado com sensiilidade e irreverência, próprio do jeito dele.

          Então, parabéns, Fabrício Guilherme!

Euclides Riquetti
09-03-2013


         

sexta-feira, 8 de março de 2013

Palavras Mágicas de Amor

Três palavras mágicas:

Querer
Beijar
Amar

Uma frase mágica:

Eu te amo!

Euclides Riquetti
08-03-2013

Reverenciando as Mulheres

          A mulher sempre teve muito poder ao lado do homem e, por muitas vezes, esse poder sobrepôs-se ao dele. Mas, historicamente, em razão de uma suposta supremacia dos homens, passou a maior parte da história da Humanidade relegada a uma figura de decoração. Poucas, ao longo do tempos, conseguiram ocupar importantes espaços e marcar grandemente suas posições.

          É sabido que persas, egípcios, gregos e romanos  tiveram suas rainhas, mas quase que sempre vinculadas a um Rei ou Imperador. Porém, Cleópatra Théa Filopátor, a Cleópatra Rainha do Egito, que viveu de 69 a 30 A.C., tornou-se rainha aos 18, casou-se com Júlio César e depois Marco Antônio, suicidando-se aos 39 anos, teve uma presença extraordinária no círculo de Poder do Mundo Conhecido de sua época. Aliava sua astúcia e intelegência à sua beleza e charme para conseguir o que queria, e tinha sucesso na maioria de seus intentos.


          Ainda Garibaldi, a catarinense que é conhecida como a  Heroína de Dois Mundos, nascida em 30 de agosto de 1821, possívelmente em Laguna (Lages também reivindica esse fato para si), que casou-se aos 14 anos e foi deixada pelo marido aos 17, quando este alistou-se para combater na Revolução Farroupílha, e aos 18 anos juntou-se a Giuseppe Garibaldi, italiano, tem importante registom histórico no Brasil, Uruguai e na Itália.   Um filho gaúcho, três uruguaios e um Italiano, morreu de parto no Quinto, em Mandriole, na It´palia em 04 de agosto de 1949. Combatia, junto seu marido, em terra e água, defendendo ideais revolucionários e libertatórios.

          Evita Perón, que viveu por 33 anos, falecendo em 1952, da condição de filha bastarda chegou a transformar-se em apresentadora de novelas de rádio, atriz e, sobretudo, casou-se com o Coronel Juan Domingo Perón, transformando-o em Presidente da República da Argentina. Antes de morrer de câncer, idealizou e tonou realidade diversos programas sociais em seu país, sempre contmplando os trabalhadores e "descamisados". Conseguiu o direito do voto para as argentinas.  Determinada, na infância, disse que haveria de "casar-se com um príncipe ou um presidente". Fez mais que isso: casou-se e transformou seu marido em Presidente.

         Benazir Bhutto, nascida em 21 de junho de 1953, no Paquistão, estudou o Ensino Médio em Harward, nos Estados Unidos,  e Filosofia, Ciências Políticas, Economia, Direito Internacional e Democracia em Oxford, na Inglaterra. Governou o Paquistão, na condição de Primeira-ministra, de 1988 a 1990 e de 1993 a 1996. Seu pai foi executado e dois irmãos assassinados.  Ela também foi assassinada em 27-12-2007, quando estava em comício para as eleições de seu país, novamente candidata ao cargo. Sua família sofria grande repressão dos militares de seu país e foi morta por um terrorista. Combatia o terrorismo e defendia a democracia, colecionando inimigos. Mas foi uma das figuras mais notáveis de seu país e é uma das mulheres mais marcantes da História Mundial.
Temos muitas outras que se destacaram por defenderem  causas nobres: Irmã Dulce, na Bahia; Madre Teresa de Calcutá, na Índia,  e a catarinense Dra. Zilda Arns, com que tive o prazer de conviver algumas horas, e que pode ser considerada a maior defensora da infância brasileira.

       Também, quero ressaltar algumas professoras que marcaram minha vida e que me ajudaram muito:  Judite Marcon, Marilene Lando, Marli Sartori, Vanda Meyer,Vanda Bazzo, Olga Brancher, Vera Lúcia Bazzo, todas em Capinzal. Fahena Porto Horbatiuk, Abigail, Rosa Maria da Maia Filha, na FAFI, em União da Vitória. Foram mulheres que contribuíram para que  eu obtivesse meu conhecimento e minha formação na área da Literatura.

        Hoje, felizmente, as mulheres, em especial no Brasil, já ocupam a maior parte das vagas nos cursos de ensino superior, e nas escalas de pós-graduação como mestrado, o doutorado e o pós-doc. Ao contrário  do que acontecia há três décadas, atuam em todos os setores de atividades, não apenas como Professoras ou Enfermeiras. E, esse fato, mostra que a sociedade evoluiu muito, pois elas estão deixando a condição de "cuidadoras" para adentrar, efetivamente, na de executoras. Assim, Engenheiras, Arquitetas, Designers,  Farmacêuticas, Psicólogas, Fisioterapeutas, Advogadas, Promotoras, Juízas, Médicas, Dentistas, Contadoras, Publicitárias, Administradoras, Biólogas, Veterinárias, Agrônomas, Motoristas de táxi, ônibus ou caminhão, e uma infinidade de tantas outras ocupações, mostram que a mulher, com sua inteligência, conhecimento,  habilidade e  determinação, conseguiram ocupar o espeço que realmente deve ser seu.

          Mas há ainda muito preconceito a ser eliminado. Ainda há quem pense que o trabalho da mulher tenha que ser remunerado menos que o do homem, pelo mesmo serviço. E que as tarefas domésticas sejam de responsabilidade delas. E os que, quando os filhos choram, à noite, viram-se de costas... Mas isso tudo ainda vai ser superado, pois, a cada ano, a força da mulher mais se agiganta!

          Um grande abraço e um beijo no coração de cada uma de minhas leitoras e das que conviveram comigo no trabalho e nas lides comunitárias.

Euclides Riquetti
08-03-2013

quarta-feira, 6 de março de 2013

Palmeirinhas - a amizade de meio século

          Como preservar uma amizade de meio século? Tenho certeza de que você, leitor (a) madurão (ona), que já está pré-idoso, tem muitas amizades assim. São aquelas de que nunca nos esquecemos, aquelas que ficaram internalizadas em nós e que, mesmo que não estejam constantemente alimentadas, estão guardadas no fundo de nosso coração. Uma amizade verdadeira, mesmo que seja em alguns momentos abalada por percalços, a esses sobrevive quando ela é autêntica, não surgiu como fruto de algum interesse.

          Resgatar amizades tem sido meu afazer favorito  neste novo ano. E como me sinto contente em poder fazer isso, ter tempo disponível para tal! E uma arma fortíssima a me apoiar é o Mr. Google! Esse cidadão merece meu reconhecimento e meu aplauso, pois me tem possibilitado chegar a endereços que eu jamais imaginei que pudesse.  E, nesses endereços eletrônicos, quantos amigos já revi!  Que felicidade, quanta alegria isso já me trouxe!!!

         Simples recados, uma mensagem curta enviada e uma resposta obtida, por mais sintética que seja, sempre nos reaproxima de alguém que queiramos. Não sei como que se operam as artimanhas da comunicação digital, mas, por alguma razão, recebo solicitações de amizade. Aceito todas, porque sempre que algum pede minha amizade, o mínimo que posso fazer é retribuir aceitando. E, de minha parte, procuro buscar pessoas com quem algum dia convivi, mais antiga ou mais recentemente. Quando envio uma solicitação é porque alguma razão me diz que é uma pessoa confiável e que merece minha amizade. Ou porque algo me diz que é uma pessoa confiável e de quem posso aprender algo novo.

         Nesta semana, reencontrei um amigo que, desde 1965, quando saiu ali do Ouro para Araruna, no Paraná, eu só o vi uma vez, há quase 30 anos: Severino Mário Thomazoni. Éramos vizinhos, moradores da Rua da Cadeia naquela época. Fundamos um time de futebol, entre vizinhos, nenhum distante mais de que 1 Km da Cadeia. Todos pessoas humildes, que gostavam de jogar bola nos campinhos. Em 13 de dezembro de 1964 fundamos o Palmeirinhas. E nosso campinho, justamente, ficava ao lado da cadeia. Primeiro, no próprio terreno desta. Depois, com a sua construção, foi deslocado um pouquinho ao lado.

           Tínhamos uma sede, numa sala no porão da casa do Sr. José Thomazoni, junto à sua fábrica de vassouras. Passamos a jogar no Campo de Futebol Municipal, em Capinzal, que pertencia à Rede Ferroviária. Obtínhamos muitas vitórias jogando nas comunidades rurais. Tínhamos jogadores habilidosos. Nosso principal rival era o Juvenil do Grêmio Esportivo São José. Tínhamos jogadores da mesma faixa de idade. Em Capinzal havia o Botafoguinho, de jovens. Os aspirantes deles tinham idade compatível com a nossa. Os times existiram enquanto as pessoas estavam por lá. Ficando adultos, foram jogar para outros e os times sumiram. Muitos foram estudar fora e isso prejudicou nosso futebol. Eu fui para o juvenil do Arabutã, depois para Porto União. Lá foram anos de estudo e bola só am brincadeiras.

          Na segunda-feira, 04, depois de contato via facebook, liguei para o cellular do Mário. Grande surpresa teve ele. E muita alegria tivemos. Falamos mais de duas horas, entramos na madrugada. Quantas belas lembranças, ele me perguntando sobre as pessoas daqui e eu perguntando sobre seus pais, que faleceram, sua irmã Nina e o irmão Arlindo. Falamos de família, de esposas, de filhos, de netos. Que alegria!

          Lembrei-o de uma vez que fomos tarrafear, à noite, ali abaixo da barragem do Rio do Peixe, no lugar que chamávamos de "ladrão" de água. Acendemos um fogo ao lado de uma corrente de água para clarear  e os lambaris saíam do rio e se metiam no meio das pedrinhas por onde escorria um pouco de água. Nós os pegávamos com as mãos, enchíamos as sacolas. Diz que quando conta isso em Araruna falam que é "conversa de pescador". Mas é pura verdade.

          Lembrei-o de que quando saímos para casa, altas horas da noite, ao passar por sobre uma árvore tombada no valo, que servia de ponte de passagem, ele caiu na água. Estava com casaco, de "conga" e com uma sacoleta pendurada com a tarrafa dentro. De um ímpeto, muito ágil, o Ademir Miqueloto (falecido em Porto Alegre), atirou-se na água e o salvou. Coisa para nunca mais se esquecer. E ele foi dando-me deltalhes sobre isso...Foi um susto para nós.

          Nossa sessão saudosista terminou quando ele me passou as fotos dos times antigos, de 1964 e 1965, de Capinzal e Ouro: Do nosso Palmeirinhas (da Rua da Cadeia), do Botafoguinho (de Capinzal), do Arabutã e do Vasco. Ver essas fotos me dá uma nostalgia dolorosa, pois verifico que muitos  dos viventes da época já foram pro céu...

          Como não é meu propósito publicar fotos no blog, as que ele mandou estão no meu facebook, quem quiser vê-las, busque por lá e sintam-se à vontade para compartilhar. Ele, inclusive, descreveu os nomes dos atletas e dirigentes. Tem tudo bem organizado, coisa de quem gosta muito de futebol.

          Uma das fotos, de dezembro de 1964, traz os seguintes atletas: Ivanir Souza (Coquiara), Ironi Riquetti (o Foguete, falecido), Cosme Richetti (Joaçaba), Djair Pecinatto (Lages?), Juventino Vergani (Bicicleta ou Bichacreta,  Água Doce/Joaçaba), Romário de Vargas (Caçador),  Nereu de Oliveira (Curitiba), Moacir Richetti (Joaçaba), Ademar Miqueloto(Ouro), Altevir Souza (Joaçaba) Valdir Souza (Joaçaba), Luiz Alberto Dambrós, (o Tratorzinho, Goiás), Severino Mário Thomazoni (Araruna-PR), e Euclides (Pisca) Riquetti (Joaçaba). Nós arrumamos umas camisetas brancas, regatinhas, cada um,  e tingimos de verde. Bordamos um "P" do Palmeiras com ponto corrente.  Fizemos isso tudo nós mesmos. Foi o único jeito de termos uniforme. E quem não tinha chuteira, jogava de conga ou descalço. Foi nosso primeiro time.

          Uma segunda foto, mostra nosso time já evoluído, tínhamos A e B. Incorporamos o Fluminense do Rogériol Caldart e ficamos com a seguinte formação: Rogério Caldart, Sílvio Dorini, Arli Silva, Vicente Gramázzio, Rubens Flâmia, Severino Mário Thomazoni, Paulo Zuanazzi, Sérgio Baratieri, Valdir Souza, Altevir Souza, Dejair Pecinatto e o mascote Cleverson Richetti, que faleceu 15 dias antes de completar 18 anos, em 1976. O time usou a camisa do Fluminense.

          Uma terceira, da inauguração de um jogo de camisas mangas longas, brancas, teve: Nereu de Oliveira, Antônio Gramázzio  (Pítias), Vicente Gramázzio, Romário Vargas, Severino Mário Thomazoni, Nilton Segalin, Ricardo Baratieri, Antoninho Carletto, Valdir Souza e Djair Pecinatto. O Ricardo Baratieri atuou no lugar do Celito (Bandito)  Baretta, que entrou depois. Foi a única partida do Ricardo.  Quando se substituía um jogador, este pagava a camisa do que estava em campo, pois não tínhamos camisa de reservas...
         
          Fico contente em poder, junto com o Mário Thomaoni, resgatar um pouco de nossas histórias. Foram tempos em que, para comprar uma bola, fizemos uma rifa americana de um Ferro Elétrico, vejam bem. E era o único jeito de democratizar o futebol, pois se aceitássemos jogar com a bola de alguém, esse iria querer ser titular e jogar  tempo todo. Então, melhor do que aceitar isso, era vender os números da rifa do ferro elétrico...

Euclides Riquetti


   

    

   

         

terça-feira, 5 de março de 2013

Infinito Como o Céu

Distância?
Saudade...
Lembrança?
Eternidade...

Quando me atiro em pensamentos conturbados
E em sonhos atormentados
Que me afundam em seu corpo tão  desejado
Amado...
E, quando me perco em sentimentos proibidos
E vejo-me abandonado e esquecido...

Eu passo a não mais articular as palavras ditas
A não combinar as frases escritas.

Então me esforço para trazer a mim o seu olhar
Reconquistar!

Queria tanto os seus lábios provocar
Beijar...
Ver seu rosto sorrindo
Lindo
E bonito. E beijar...

Repito:
Quero apenas lhe tocar:
Para amenizar
Minha saudade
Nossas saudades (Ou você nega?....)

E nos meus versos
Diversos - apenas em meus versos
Poder me expressar:

Meu amor é, sim, muito bonito
Bonito porque é... infinito:
Tão grande como o céu!!!

Euclides Riquetti
05-03-2013

segunda-feira, 4 de março de 2013

Navegar em outro mar

O amor flutua no ar
E vem embalar
Meus pensamentos e meus sonhos.

O amor me acalma
Acalenta minha alma
Bane meus defeitos medonhos.

O amor vem cantado nas canções
Colado em sentimentos e emoções
Escrito nos versos das manhãs.

Mas, se não o alimentamos, vai embora!
Vai acampar em  almas que não choram
E não se apega nas  promessas vãs.

O amor é assim:
É um sentimento sem fim
Que procura um galho firme para pousar.
Ao contrário,
Vai navegar em outro mar!

Euclides Riquetti
04-03-2013