O outono nos trouxe suas primeiras manhãs
Acanhadas, tímidas, ventosas
Levemente chuvosas
Mas também manhãs.
E nos trouxe as tardes amenas
As nuvens claras e cautelosas
Quietinhas , dengosas...
Apenas nuvens, nuvens apenas...
O outono nos traz lembranças
Das pessoinhas agasalhadas
Luvas nas mãos, jaquetinhas bordadas:
Adoráveis e belas crianças.
O outono nos leva ao passado
Aos momentos mais sentidos
Aos abraços mais comovidos
Recebidos e dados: lembrados!
Ah, outono, quantas e quantas saudades...
Euclides Riquetti
sábado, 23 de março de 2013
quinta-feira, 21 de março de 2013
O Tempo Passa...
O tempo passa...
E isso é uma verdade incontestável.
A vida se vai
E deixa sinais inapagáveis!
O tempo passa, calado
Então é preciso agir
Porque há um mundo a ser ousado
Uma realidade a se construir.
O tempo passa
Vai-se como um sopro de vento
Vai-se, imperceptível e lento
Mas ele passa...
E, mesmo calmo e silencioso
Vai, despertando saudades nas pessoas
Despertando boas lembranças dos momentos
Nutrindo vaidades ou sentimentos
Enquanto passa!
O tempo passa
E isso é, mesmo, a maior verdade
E, nos rostos, ele vai deixando
Suas marcas indeléveis.
Por onde passa...
Euclides Riquetti
21-03-2013
E isso é uma verdade incontestável.
A vida se vai
E deixa sinais inapagáveis!
O tempo passa, calado
Então é preciso agir
Porque há um mundo a ser ousado
Uma realidade a se construir.
O tempo passa
Vai-se como um sopro de vento
Vai-se, imperceptível e lento
Mas ele passa...
E, mesmo calmo e silencioso
Vai, despertando saudades nas pessoas
Despertando boas lembranças dos momentos
Nutrindo vaidades ou sentimentos
Enquanto passa!
O tempo passa
E isso é, mesmo, a maior verdade
E, nos rostos, ele vai deixando
Suas marcas indeléveis.
Por onde passa...
Euclides Riquetti
21-03-2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
Emendando Latas
Certamente que você, sessentão (ona), já inserido na sociedade consumista, não olha com bons olhos toda aquele montoeira de lixo que sai de sua casa, diariamente, para que o caminhão a leve para o lixão, o aterro, ou a usina. E você passa a verificar, (e analisar) quanta coisa boa está indo para o lixo.
Já fomos da geração dos hippies, da coca-cola, do chicletes, do x-burger... Mas já fomos da geração das latinhas emendadas, lembra? Aquela em que, nas casas, todos zelozamente faziam furinhos nos cantos extremos da lata de azeite, retangular, com um preguinhos, para não estragar o vasilhame e aproveitá-lo para alguma coisa? Ah, duvido que não!
Meu lado "antigamente" levou-me, hoje, para os tempos do óleo "Primor" e do "Sol Levante", produzidos com o legítimo caroço de algodão, embalado em latas, que "quem podia", comprava para compor os temperos das saladas. Sim, só para isso, porque, para cozer, somente usavam banha. Até lembrei-me que, em 84, no dia 7 de setembro, encontrei o Saul Parisotto, ali na XV, em Capinzal e eu estava de muletas, perna direita com gesso. E ele: "E aí, Riquetti, o que aconteceu?" - Expliquei-lhe que quebrara a perna, dois rachos no perônio, um na tíbia, ali no Arabutã, jogando futebol na friíssima manhã de 22 de julho, o dia mais gelado de 1984. E, ele, prontamente: "Sempre digo que os ossos das pessoas estão ficando fracos. É o óleo de soja! Quando cozinhavam com banha isso quase que não acontecia! De repente que ele tenha razão.
A partir da década de 1970, com a introdução das plantações de soja nos estados do Sul, o óleo comestível passou a ocupar o lugar que antes era da banha, mas não é essa a questão que quero abordar...
Bem, no meu antigamente, década de 1960, havia pelo menos três funilarias no antigo Rio Capinzal: a do Santo Segalin (com o filho Nilton), na Felip Schmidt, próxima ao Clube Floresta; a do Valdomiro Morosini, na Rua Narciso Barison, em que trabalhavam com ele o Paulino Teixeira e seus filhos, inclusive o que virou "Sargento Teixeira", e o Nelson Morosini. E, na Rua Dona Linda Santos, um pouco depois, a do Carlos Segalin, que também estabeleceu-se por conta própria. Todos originários da do Santo.
Todos eles eram mestres em emendar latinhas. As pessoas guardavam as latas de óleo vazias, levavam para eles, e eles faziam-lhes utensílios. Aparavam as bordas de cima, rebitavam e estanhavam-lhes os cabos, e tínhamos belos canecos, para usar na tirada do leite, para beber água na fonte, ou para apanhar a água que fervia na panelona de alumínio, a qual descansava na chapa do fogão a lenha e jogar sobre a louça na pia. Ah, quantos canecos "Primor e Sol Levante".
Mas outras coisas bem mais valiosas também eram feitas com as chapas das latas abertas e justapostas: chuveiros de campana, banheirinhas para bebês, bacias para amassar o pão, e formas para assar pães, redondas, retangulares, onduladas. E, com isso, além de se ter economia, não se produzia o incontável lixo que hoje se produz.
Lembro bem do preciso trabalho desses artesãos. Soldavam, utilizando estanho, a ponta do soldador envolvida em brasas para ficar superaquecida, o fole acionado com as mãos ou os pés para soprar o oxigênio e manter os carvões bem acesos. E o capricho, o carinho empregado em cada peça produzida, como se fora para si próprio!
Hoje tudo é prático. Os produtos vêm com as mais criativas e bem desenhadas embalagens e, ao fim do dia, temos todo aquele lixo para jogar fora. Olhamos para tudo aquilo: garrafas, copos, pacotes, pratos, bandejas, cordões, fitas, tudo coisa muito bonita, usados somente uma vez, e indo para o lixo... Quanto desperdício! E pensar que, antigamente, vivíamos sem tudo isso. Mas também sem ficar, a toda a hora, escutando notícias de que lá, em algum lugar, choveu muito e a água levou todas as garrafas pet e pacotes de plástico para as valetas, trancou as bocas dos bueiros e deu aquela inundação...
Euclides Riquetti
22-03-2013
Já fomos da geração dos hippies, da coca-cola, do chicletes, do x-burger... Mas já fomos da geração das latinhas emendadas, lembra? Aquela em que, nas casas, todos zelozamente faziam furinhos nos cantos extremos da lata de azeite, retangular, com um preguinhos, para não estragar o vasilhame e aproveitá-lo para alguma coisa? Ah, duvido que não!
Meu lado "antigamente" levou-me, hoje, para os tempos do óleo "Primor" e do "Sol Levante", produzidos com o legítimo caroço de algodão, embalado em latas, que "quem podia", comprava para compor os temperos das saladas. Sim, só para isso, porque, para cozer, somente usavam banha. Até lembrei-me que, em 84, no dia 7 de setembro, encontrei o Saul Parisotto, ali na XV, em Capinzal e eu estava de muletas, perna direita com gesso. E ele: "E aí, Riquetti, o que aconteceu?" - Expliquei-lhe que quebrara a perna, dois rachos no perônio, um na tíbia, ali no Arabutã, jogando futebol na friíssima manhã de 22 de julho, o dia mais gelado de 1984. E, ele, prontamente: "Sempre digo que os ossos das pessoas estão ficando fracos. É o óleo de soja! Quando cozinhavam com banha isso quase que não acontecia! De repente que ele tenha razão.
A partir da década de 1970, com a introdução das plantações de soja nos estados do Sul, o óleo comestível passou a ocupar o lugar que antes era da banha, mas não é essa a questão que quero abordar...
Bem, no meu antigamente, década de 1960, havia pelo menos três funilarias no antigo Rio Capinzal: a do Santo Segalin (com o filho Nilton), na Felip Schmidt, próxima ao Clube Floresta; a do Valdomiro Morosini, na Rua Narciso Barison, em que trabalhavam com ele o Paulino Teixeira e seus filhos, inclusive o que virou "Sargento Teixeira", e o Nelson Morosini. E, na Rua Dona Linda Santos, um pouco depois, a do Carlos Segalin, que também estabeleceu-se por conta própria. Todos originários da do Santo.
Todos eles eram mestres em emendar latinhas. As pessoas guardavam as latas de óleo vazias, levavam para eles, e eles faziam-lhes utensílios. Aparavam as bordas de cima, rebitavam e estanhavam-lhes os cabos, e tínhamos belos canecos, para usar na tirada do leite, para beber água na fonte, ou para apanhar a água que fervia na panelona de alumínio, a qual descansava na chapa do fogão a lenha e jogar sobre a louça na pia. Ah, quantos canecos "Primor e Sol Levante".
Mas outras coisas bem mais valiosas também eram feitas com as chapas das latas abertas e justapostas: chuveiros de campana, banheirinhas para bebês, bacias para amassar o pão, e formas para assar pães, redondas, retangulares, onduladas. E, com isso, além de se ter economia, não se produzia o incontável lixo que hoje se produz.
Lembro bem do preciso trabalho desses artesãos. Soldavam, utilizando estanho, a ponta do soldador envolvida em brasas para ficar superaquecida, o fole acionado com as mãos ou os pés para soprar o oxigênio e manter os carvões bem acesos. E o capricho, o carinho empregado em cada peça produzida, como se fora para si próprio!
Hoje tudo é prático. Os produtos vêm com as mais criativas e bem desenhadas embalagens e, ao fim do dia, temos todo aquele lixo para jogar fora. Olhamos para tudo aquilo: garrafas, copos, pacotes, pratos, bandejas, cordões, fitas, tudo coisa muito bonita, usados somente uma vez, e indo para o lixo... Quanto desperdício! E pensar que, antigamente, vivíamos sem tudo isso. Mas também sem ficar, a toda a hora, escutando notícias de que lá, em algum lugar, choveu muito e a água levou todas as garrafas pet e pacotes de plástico para as valetas, trancou as bocas dos bueiros e deu aquela inundação...
Euclides Riquetti
22-03-2013
Pa(i)trocinadores
Nesta segunda, visitei o estabelecimento de um amigo, aqui em Joaçaba. Conheço-o há mais de duas décadas. É uma pessoa que escreveu sua biografia calcada no trabalho. Não precisa ser promovido, pois está "no mercado" há muitos anos, construiu seu patrimônio cultural e intelectual sem precisar de padrinhos. Comentamos vários assuntos, de política, de gestão pública, meio ambiente e até um pouco sobre futebol. Gosto muito de conversar com gente madura, que já percorreu todas as espécies de caminhos.
Ambos somos pessoas de opinião firme, não precisamos "bailar" de acordo com as convenções ou os interesses. Enfim, não precisamos "dançar conforme a música". Podemos pautar nossa conduta sobre as verdades que defendemos, não precisamos de que todos gostem de nós. Algumas vezes, pelas posições que defendemos ou tomamos, levamos ferro. Mas não nascemos para sermos simplesmente tapetes. E nem precisamos que nos coloquem tapetes para pisarmos.
Uma das histórias que o cidadão me contou calou em mim. Dizia ele que uma senhora, sua conhecida, projetou e idealizou o caminho que uma filha devesse trilhar, desde pequena. Sonhou e proporcionou a ela, junto com o marido, o melhor em termos de educação. Bons educandários e todos os materiais e acessórios que lhe permitissem angariar uma base sólida de estudos, com o fito de, ao tornar-se adulta, ter uma ocupação digna e rendosa, possivelmente constituir sua própria família, palmilhar seu próprio caminho.
Sabemos que muitos pais movem montanhas para verem seus filhos felizes e realizados. Bancam-lhes as melhores escolas, os cursinhos, as melhores acomodações e as melhores faculdades. Não bastasse isso, colocam em suas mãos um carro aos dezoito anos, cartão de crédito, etcetera e tal. Outros, apenas lhes dão a educação familiar e os colocam para estudar em escolas públicas (até mesmo porque não possuem dinheiro suficiente para dar-lhe boa vida). E eles que se virem. E, muitos desses, conquistam excelentes posições no meio em que vivem. Vão buscar, além da Faculdade, as especializações, os mestrados, doutorados e mesmo o pós-doc. Vários filhos de amigos meus e até ex-alunos foram para o exterior, com suas próprias pernas. E cabeças...
Mas, voltando lá atrás, disse-me o amigo que a tal senhora andava muito contrariada porque organizou uma bela festa de casamento para sua filha e, no dia, a noiva não aceitou tirar fotos junto às mesas dos convidados, nem mesmo foto com uma das avós. Disse que isso era coisa fora de moda, "cafona", que não tiraria, que a festa era dela e pronto.
Esse filme já vi antes. Vi em película e em digital. Os pais programando a vida de seus filhos e, com muito orgulho, desejando mostrá-los para seus amigos no dia da formatura ou do casamento. E os filhos dizendo que a formatura é deles, o casamento é deles, tudo é deles e que tem que ser do jeito deles. Para mim, usando um chavão bastante surrado já, digo: "Nem tudo a Pedro e nem tudo a Paulo".
Isso, hoje, acontece com muitas famílias. Há um hiato considerável entre a maneira de pensar dos pais e a dos filhos. O diálogo, antecipado, ainda é a melhor saída. Buscar uma solução convergente se faz necessário. Mas os filhos também precisam esforçar-se para entender a posição dos pais. Até mesmo porque, sem o dinheiro deles, não haveria festa alguma. O fator pa(i)trocínio precisa ser considerado. Fortemente!
Euclides Riquetti
20-03-2013
Ambos somos pessoas de opinião firme, não precisamos "bailar" de acordo com as convenções ou os interesses. Enfim, não precisamos "dançar conforme a música". Podemos pautar nossa conduta sobre as verdades que defendemos, não precisamos de que todos gostem de nós. Algumas vezes, pelas posições que defendemos ou tomamos, levamos ferro. Mas não nascemos para sermos simplesmente tapetes. E nem precisamos que nos coloquem tapetes para pisarmos.
Uma das histórias que o cidadão me contou calou em mim. Dizia ele que uma senhora, sua conhecida, projetou e idealizou o caminho que uma filha devesse trilhar, desde pequena. Sonhou e proporcionou a ela, junto com o marido, o melhor em termos de educação. Bons educandários e todos os materiais e acessórios que lhe permitissem angariar uma base sólida de estudos, com o fito de, ao tornar-se adulta, ter uma ocupação digna e rendosa, possivelmente constituir sua própria família, palmilhar seu próprio caminho.
Sabemos que muitos pais movem montanhas para verem seus filhos felizes e realizados. Bancam-lhes as melhores escolas, os cursinhos, as melhores acomodações e as melhores faculdades. Não bastasse isso, colocam em suas mãos um carro aos dezoito anos, cartão de crédito, etcetera e tal. Outros, apenas lhes dão a educação familiar e os colocam para estudar em escolas públicas (até mesmo porque não possuem dinheiro suficiente para dar-lhe boa vida). E eles que se virem. E, muitos desses, conquistam excelentes posições no meio em que vivem. Vão buscar, além da Faculdade, as especializações, os mestrados, doutorados e mesmo o pós-doc. Vários filhos de amigos meus e até ex-alunos foram para o exterior, com suas próprias pernas. E cabeças...
Mas, voltando lá atrás, disse-me o amigo que a tal senhora andava muito contrariada porque organizou uma bela festa de casamento para sua filha e, no dia, a noiva não aceitou tirar fotos junto às mesas dos convidados, nem mesmo foto com uma das avós. Disse que isso era coisa fora de moda, "cafona", que não tiraria, que a festa era dela e pronto.
Esse filme já vi antes. Vi em película e em digital. Os pais programando a vida de seus filhos e, com muito orgulho, desejando mostrá-los para seus amigos no dia da formatura ou do casamento. E os filhos dizendo que a formatura é deles, o casamento é deles, tudo é deles e que tem que ser do jeito deles. Para mim, usando um chavão bastante surrado já, digo: "Nem tudo a Pedro e nem tudo a Paulo".
Isso, hoje, acontece com muitas famílias. Há um hiato considerável entre a maneira de pensar dos pais e a dos filhos. O diálogo, antecipado, ainda é a melhor saída. Buscar uma solução convergente se faz necessário. Mas os filhos também precisam esforçar-se para entender a posição dos pais. Até mesmo porque, sem o dinheiro deles, não haveria festa alguma. O fator pa(i)trocínio precisa ser considerado. Fortemente!
Euclides Riquetti
20-03-2013
terça-feira, 19 de março de 2013
Poder Sonhar
A liberdade é como o vento:
Sopra, ora para esta, ora para outra direção...
Liberdade é o fogo que queima a lenha, vira brasa e aquece a água e as almas.
É como o pássaro que voa no ar
A água que corre pelo vale
O canto da gaivota que plana, sem cansar
Sobre o mar.
Liberdade é um dia de sol:
É quando as nuvens se escondem atrás do azul infinito
Ou a noite matizada por estrelas.
E, quando perco o rumo de meus olhos para vê-las
Se perdem na imensidão.
Liberdade é como o grito da vitória
O Soco no ar
O abraço comovido.
É o olhar sobre o vasto campo florido
Colorido!
Liberdade é poder não ter que levantar-se cedo
É poder deslizar os pés descalços
No verde gramado
É poder sentar no banco da praça e dizer: Este lugar é meu, aqui é o meu lugar!
Liberdade é andar com a pessoa que se ama
Sem ter hora pra chegar
Em nenhum lugar.
E apenas poder...
Continuar a sonhar!
Euclides Riquetti
19-03-2013
Sopra, ora para esta, ora para outra direção...
Liberdade é o fogo que queima a lenha, vira brasa e aquece a água e as almas.
É como o pássaro que voa no ar
A água que corre pelo vale
O canto da gaivota que plana, sem cansar
Sobre o mar.
Liberdade é um dia de sol:
É quando as nuvens se escondem atrás do azul infinito
Ou a noite matizada por estrelas.
E, quando perco o rumo de meus olhos para vê-las
Se perdem na imensidão.
Liberdade é como o grito da vitória
O Soco no ar
O abraço comovido.
É o olhar sobre o vasto campo florido
Colorido!
Liberdade é poder não ter que levantar-se cedo
É poder deslizar os pés descalços
No verde gramado
É poder sentar no banco da praça e dizer: Este lugar é meu, aqui é o meu lugar!
Liberdade é andar com a pessoa que se ama
Sem ter hora pra chegar
Em nenhum lugar.
E apenas poder...
Continuar a sonhar!
Euclides Riquetti
19-03-2013
segunda-feira, 18 de março de 2013
A Conferência das Cidades.
Os noticiários e sites das cidades do Vale do Rio do Peixe passam a anunciar uma nova Conferência Regional das Cidades. Cada cidade fará sua reunião preparatória e Joaçaba realizará a conferência maior. A população é convidada a participar, mas só quem tem representatividade poderá votar e ser votado para atuar como delegado à Conferência Estadual.
Na conferência anterior, cada cidade realizou a sua preparatória e depois aconteceu a Regional, no Auditório Jurídico da Unoesc. Foi uma lástima, uma vergonha. Saí de lá chateado porque as propostas votadas e encaminhadas foram pequenas afrontas à inteligência. Coisa tipo que o Governo Federal deveria dar mais dinheiro aos Municípios para eles contratassem empresas para a feitura de projetos, alteração dos percentuais de FPM (Fundo de Participação dos Municípios) de modo que os municípios possam ter mais dinheiro e executar seus projetos. E muitas coisinhas típicas do varejo, nada para o atacado.
Um advogado amigo meu, o Carlos Brustolin, tinha algumas ideias muito parecidas com as minhas, que seriam próprias para cidades como as nossas do Baixo Vale do Rio do peixe, com menos de 30.000 habitantes. Uma delas era a de que se viabilizasse implantação de vilas jurídicas fora dos concentrados urbanos, onde deveriam funcionar todos os órgãos públicos, repartições e autarquias. Joaçaba, por exemplo, proporia Lei para que essa transição ocorresse em 10 anos. Uma área ampla deveria ser designada, um lugar de fácil acesso regional, até porque os órgão públicos que aqui se localizam, muitos deles, atendem interesses regionais.
A área escolhida teria seu Plano Diretor e os órgãos comprariam o necessário de espaço para as construções, acessos e estacionamentos. Isso desafogaria toda a ára central de um movimento de veículos inútil, que só traz problemas para a cidade, pois entende-se que os que acessam esses serviços pouco deixam no comércio local. A área antiga ficaria como um centro de comércio, ainda melhor do que já é. O Executivo deveria porpor leis e o Legislativo analisar e, sendo concensuais, aprová-las. Mas na conferência o público presente não tinha compreensão disso. Fora uns poucos engenheiros do CREA e AMMOC, as prefeituras encaminharam funcionários que exercem funções que nada tinham a ver com os temas dos 4 eixos propostos pelo Ministério das Cidades. E a sociedade estava ausente. As entidades que representativas estavam ausentes, não deram importância ao que estava acontecendo. Vão, ainda, se arrepender disso...
Não acredito muito que o quadro possa mudar para a Conferência deste ano. Mas vou fazer a minha parte.
Na forma como o desenvolvimento das cidades tem sido entendido, cada vez mais vê-se crescer o caos da mobilidade. Se tivermos ações planejadas poderemos evitar mais dores-de-cabeça do que já temos, evitando muitos outros problemas muito maiores que ainda estão por vir. E virão, ninguém duvida disso, pois quem iria imaginar,há 20 anos, que as cidades um dia viessem a ficar abarrotadas de carros como hoje. ´
As pessoas estão preocupadas com vagas para estacionar. Ora, isso é fácil de resolver: A iniciativa privada pode ser estimuldada a construir edifícios de estacionamento, como já acontece nas cidades grandes. Essa verticalização resolve um problema, mas faz aumentar o tamanho do outro. Não é só lugar para guardar carros, é lugar para que eles andem, sem confusão.
A Conferência das Cidades é o fórum para que as pessoas possam melhorar seu conhecimento e opinar sobre os problemas, sugerindo soluções. E as autoridades maiores devem dar o bom exemplo, participando de todas as reuniões. Até porque as idéias discutidas precisam ser bem assimiladas. Ao contrário, continuarão a empurrar os problemas com a barriga e, quanto mais o tempo passa, mais difícil fica resolver.
Tenho propostas claras, firmes e exequíveis sobre a mobilidade urbana, que estarei levando à Conferência. Principalmente sobre mobilidade urbana para nossas pequenas cidades. Se a conferência acontecer quando eu estiver fora, vou protocolar propostas que refletem meu pensamento junto à Comissão Coordenadora. Não quero omitir-me. Estarei verificando o interesse pela participação no evento e as propostas apresentadas e aprovadas. Cobrarei posições dos que se omitirem, embora o propósito é de que as coisas efetivamente aconteçam e deem resultados positivos.
Euclides Riquetti
18-03-1013
Na conferência anterior, cada cidade realizou a sua preparatória e depois aconteceu a Regional, no Auditório Jurídico da Unoesc. Foi uma lástima, uma vergonha. Saí de lá chateado porque as propostas votadas e encaminhadas foram pequenas afrontas à inteligência. Coisa tipo que o Governo Federal deveria dar mais dinheiro aos Municípios para eles contratassem empresas para a feitura de projetos, alteração dos percentuais de FPM (Fundo de Participação dos Municípios) de modo que os municípios possam ter mais dinheiro e executar seus projetos. E muitas coisinhas típicas do varejo, nada para o atacado.
Um advogado amigo meu, o Carlos Brustolin, tinha algumas ideias muito parecidas com as minhas, que seriam próprias para cidades como as nossas do Baixo Vale do Rio do peixe, com menos de 30.000 habitantes. Uma delas era a de que se viabilizasse implantação de vilas jurídicas fora dos concentrados urbanos, onde deveriam funcionar todos os órgãos públicos, repartições e autarquias. Joaçaba, por exemplo, proporia Lei para que essa transição ocorresse em 10 anos. Uma área ampla deveria ser designada, um lugar de fácil acesso regional, até porque os órgão públicos que aqui se localizam, muitos deles, atendem interesses regionais.
A área escolhida teria seu Plano Diretor e os órgãos comprariam o necessário de espaço para as construções, acessos e estacionamentos. Isso desafogaria toda a ára central de um movimento de veículos inútil, que só traz problemas para a cidade, pois entende-se que os que acessam esses serviços pouco deixam no comércio local. A área antiga ficaria como um centro de comércio, ainda melhor do que já é. O Executivo deveria porpor leis e o Legislativo analisar e, sendo concensuais, aprová-las. Mas na conferência o público presente não tinha compreensão disso. Fora uns poucos engenheiros do CREA e AMMOC, as prefeituras encaminharam funcionários que exercem funções que nada tinham a ver com os temas dos 4 eixos propostos pelo Ministério das Cidades. E a sociedade estava ausente. As entidades que representativas estavam ausentes, não deram importância ao que estava acontecendo. Vão, ainda, se arrepender disso...
Não acredito muito que o quadro possa mudar para a Conferência deste ano. Mas vou fazer a minha parte.
Na forma como o desenvolvimento das cidades tem sido entendido, cada vez mais vê-se crescer o caos da mobilidade. Se tivermos ações planejadas poderemos evitar mais dores-de-cabeça do que já temos, evitando muitos outros problemas muito maiores que ainda estão por vir. E virão, ninguém duvida disso, pois quem iria imaginar,há 20 anos, que as cidades um dia viessem a ficar abarrotadas de carros como hoje. ´
As pessoas estão preocupadas com vagas para estacionar. Ora, isso é fácil de resolver: A iniciativa privada pode ser estimuldada a construir edifícios de estacionamento, como já acontece nas cidades grandes. Essa verticalização resolve um problema, mas faz aumentar o tamanho do outro. Não é só lugar para guardar carros, é lugar para que eles andem, sem confusão.
A Conferência das Cidades é o fórum para que as pessoas possam melhorar seu conhecimento e opinar sobre os problemas, sugerindo soluções. E as autoridades maiores devem dar o bom exemplo, participando de todas as reuniões. Até porque as idéias discutidas precisam ser bem assimiladas. Ao contrário, continuarão a empurrar os problemas com a barriga e, quanto mais o tempo passa, mais difícil fica resolver.
Tenho propostas claras, firmes e exequíveis sobre a mobilidade urbana, que estarei levando à Conferência. Principalmente sobre mobilidade urbana para nossas pequenas cidades. Se a conferência acontecer quando eu estiver fora, vou protocolar propostas que refletem meu pensamento junto à Comissão Coordenadora. Não quero omitir-me. Estarei verificando o interesse pela participação no evento e as propostas apresentadas e aprovadas. Cobrarei posições dos que se omitirem, embora o propósito é de que as coisas efetivamente aconteçam e deem resultados positivos.
Euclides Riquetti
18-03-1013
domingo, 17 de março de 2013
Voa, pensamento
Sagaz inspiradora de palavras e versos
Mergulha-se em devaneios e ilusão
Escravos pensamentos estão despertos
Companheiros na sua solidão.
Olhos castanhos/negros que censuram
As palavras nos seus lábios pronunciadas
As mãos graciosas outras mãos seguram
O sonho que rouba as madrugadas.
Vaga pisoteando pedras entre a verde relva
Vaga sem cuidados, sem limites, sem reservas.
Entre sucessos, tropeços e conquistas.
Voa o pensamento entre as nuvens alvas
Voa no firmamento sua dileta alma
Equanto a névoa lhe embaraça as vistas.
Euclides Riquetti
17-03-2013
Mergulha-se em devaneios e ilusão
Escravos pensamentos estão despertos
Companheiros na sua solidão.
Olhos castanhos/negros que censuram
As palavras nos seus lábios pronunciadas
As mãos graciosas outras mãos seguram
O sonho que rouba as madrugadas.
Vaga pisoteando pedras entre a verde relva
Vaga sem cuidados, sem limites, sem reservas.
Entre sucessos, tropeços e conquistas.
Voa o pensamento entre as nuvens alvas
Voa no firmamento sua dileta alma
Equanto a névoa lhe embaraça as vistas.
Euclides Riquetti
17-03-2013
sábado, 16 de março de 2013
É preciso dizer... (E é preciso assustar-se!...)
O tempo passa e muitas situações que não desejamos que nos voltem acabam voltando-nos. Em 23 de fevereiro de 2011, ou seja, há pouco mais de dois anos, tive publicado, na coluna do Ademir Belotto, do Jornal A Semana, de Capinzal/Ouro, um texto em que propunha uma reflexão sobre comportamento ambiental. É um comportamento que relaciona o Homem e a Natureza. Depois disso, várias tragédias já aconteceram. E elas nos mostram que práticas da vida diária das pessoas, em todos os lugares, ocasionam desastres que poderiam ser evitados ou amenizados. Lembro que em 1983, no mês de julho, as enchentes dos Rios do Peixe, Iguaçu e Itajaí assombraram os três vales, causando vítimas e ocasionando prejuízos. E muitos traumas. A ocupação das cidades em suas margens, com muitas edificações e pavimentações das vias, vem impermeabilizando o solo das mesmas e isso é muito preocupante. Assim, estou republicando a matéria, pois acho que ela se universaliza ao ponto de eventos adeversos se repetirem: Aí está, na íntegra:
"Vivemos em cidades charmosas, colonizadas por descendentes de italianos ou germânicos, com declives e aclives acentuados, numa topografia altamente irregular. É assim nosso Vale do Rio do Peixe. Matas exuberantes cobrem os morros e formam os cílios dos riachos e de nosso majestoso rio, outrora piscoso, cujas águas já foram muito cristalinas, depois tornaram-se turvas (e turbulentas).
Ouro e Capinzal não fogem à regra. São belas e prósperas. Por aqui já aconteceu "de tudo", coisas boas e muitas barbaridades. São cidades onde acontecimentos tristes têm ocupado as notícias no âmbito microrregional ou até estadual. Tivemos perdas humanas que jamais serão compensadas, até porque a vida é irrecuperável. Coisas insignificantes, recorrentemente, ocupam os noticiários.
Mas os temas verdadeiramente sérios e importantes não têm sido debatidos. Meio ambiente e mobilidade urbana têm ficado em plano secundário. Deveriam ser discutidos à exaustão. Nas conferências das cidades estiveram na pauta, mas a participação popular não foi expressiva.
Os eventos adversos da segunda semana deste ano, em cidades da serra e do litoral carioca, nos remetem a uma reflexão profunda: De quem é a responsabilidade pelas catástrofes?
As catástrofes naturais podem acontecer a qualquer tempo e em qualquer lugar. No entanto, algumas delas podem devem ser previstas e evitadas, ou minimizadas, e isso é responsabilidade dos governos e da sociedade. Note-se que as catástrofes que ocasionam a perda de vidas humanas são decorrentes de danos que o próprio homem já causou à Natureza. E elas podem, então, ser evitadas. Acima das leis, deve haver o bom senso e o conhecimento histórico do que já aconteceu em cada cidade.
Todo esse intróito é para chegar a um relato cujo conteúdo gostaria que você analisasse:
Há cerca de três anos, realizamos em Ouro um Seminário Regional do Meio Ambiente. Na oportunidade, um dos palestrantes referiu-se ao Furacão Katrina (ou Catarina), que ocorreu no litoral sul de Santa Catarina, e que causara muitos prejuízos materiais. E sobre as Tsunâmis, na Indonésia. Estudantes presentes indagarm se isso poderia se repetir, quando e onde, e se ia morrer muita gente. O palestrante disse que sim, e que "morreria muita gente,sim". No intervalo, foi censurado pelo dito. Houve divisão de opinião sobre o que ele disse. Intelectuais a favor e intelectuais contra.
Passados poucos meses, a história nos mostrou algumas verdades: A Tragédia de Ilhota, Gaspar e Blumenau; a Tragédia de Angra dos reis. E, agora, a maior delas: a das cidades do Rio de Janeiro.
Numa palestra que proferi para acadêmicos da UNOESC, apresentei imagens sobre algumas áreas de risco de Ouro Capinzal, algumas incoerências que causam danos ambientais, e relatei um pouco das histórias das anormalidades climáticas dos últimos 30 anos por aqui: As enchentes de 1983, os vendavais que ocasionaram a queda da ponte pênsil, os vendavais que destruíram parte das instalações de uma agroindústria em Capinzal, bem como dezenas de resiências no Bairro São Cristóvão. As estiagens que ocasionaram prejuízos nas lavouras, as enxurradas que destruíram (e continuam destruindo) pontes e estradas, o granizo que destruiu casas em Linha Sagrado, e outras calamidades.
Tudo isso é muito preocupante: temos áreas de risco, altamente vulneráveis, e há de se retomar um debate necessário, em que surjam proposições e ações para minorar impactos ruins que podrão efetivar-se sobre nós. É preciso dizer... E é prciso assustar-se, sim!!! (Professor Euclides Riquetti)."
Euclides Riquetti
16-03-2013
"Vivemos em cidades charmosas, colonizadas por descendentes de italianos ou germânicos, com declives e aclives acentuados, numa topografia altamente irregular. É assim nosso Vale do Rio do Peixe. Matas exuberantes cobrem os morros e formam os cílios dos riachos e de nosso majestoso rio, outrora piscoso, cujas águas já foram muito cristalinas, depois tornaram-se turvas (e turbulentas).
Ouro e Capinzal não fogem à regra. São belas e prósperas. Por aqui já aconteceu "de tudo", coisas boas e muitas barbaridades. São cidades onde acontecimentos tristes têm ocupado as notícias no âmbito microrregional ou até estadual. Tivemos perdas humanas que jamais serão compensadas, até porque a vida é irrecuperável. Coisas insignificantes, recorrentemente, ocupam os noticiários.
Mas os temas verdadeiramente sérios e importantes não têm sido debatidos. Meio ambiente e mobilidade urbana têm ficado em plano secundário. Deveriam ser discutidos à exaustão. Nas conferências das cidades estiveram na pauta, mas a participação popular não foi expressiva.
Os eventos adversos da segunda semana deste ano, em cidades da serra e do litoral carioca, nos remetem a uma reflexão profunda: De quem é a responsabilidade pelas catástrofes?
As catástrofes naturais podem acontecer a qualquer tempo e em qualquer lugar. No entanto, algumas delas podem devem ser previstas e evitadas, ou minimizadas, e isso é responsabilidade dos governos e da sociedade. Note-se que as catástrofes que ocasionam a perda de vidas humanas são decorrentes de danos que o próprio homem já causou à Natureza. E elas podem, então, ser evitadas. Acima das leis, deve haver o bom senso e o conhecimento histórico do que já aconteceu em cada cidade.
Todo esse intróito é para chegar a um relato cujo conteúdo gostaria que você analisasse:
Há cerca de três anos, realizamos em Ouro um Seminário Regional do Meio Ambiente. Na oportunidade, um dos palestrantes referiu-se ao Furacão Katrina (ou Catarina), que ocorreu no litoral sul de Santa Catarina, e que causara muitos prejuízos materiais. E sobre as Tsunâmis, na Indonésia. Estudantes presentes indagarm se isso poderia se repetir, quando e onde, e se ia morrer muita gente. O palestrante disse que sim, e que "morreria muita gente,sim". No intervalo, foi censurado pelo dito. Houve divisão de opinião sobre o que ele disse. Intelectuais a favor e intelectuais contra.
Passados poucos meses, a história nos mostrou algumas verdades: A Tragédia de Ilhota, Gaspar e Blumenau; a Tragédia de Angra dos reis. E, agora, a maior delas: a das cidades do Rio de Janeiro.
Numa palestra que proferi para acadêmicos da UNOESC, apresentei imagens sobre algumas áreas de risco de Ouro Capinzal, algumas incoerências que causam danos ambientais, e relatei um pouco das histórias das anormalidades climáticas dos últimos 30 anos por aqui: As enchentes de 1983, os vendavais que ocasionaram a queda da ponte pênsil, os vendavais que destruíram parte das instalações de uma agroindústria em Capinzal, bem como dezenas de resiências no Bairro São Cristóvão. As estiagens que ocasionaram prejuízos nas lavouras, as enxurradas que destruíram (e continuam destruindo) pontes e estradas, o granizo que destruiu casas em Linha Sagrado, e outras calamidades.
Tudo isso é muito preocupante: temos áreas de risco, altamente vulneráveis, e há de se retomar um debate necessário, em que surjam proposições e ações para minorar impactos ruins que podrão efetivar-se sobre nós. É preciso dizer... E é prciso assustar-se, sim!!! (Professor Euclides Riquetti)."
Euclides Riquetti
16-03-2013
sexta-feira, 15 de março de 2013
O Papa é Pop
Agora temos, de novo, um Papa pop.
Quando a fumaça branca da Capela Sistina abriu as janelas para o anúncio do novo Papa, o mundo se surpreendeu: ninguém tinha em conta que o eleito, com expressiva votação dos cardeais, pudesse ser um Argentino. Mas foi. E, naquele momento, os internautas brasileiros já começaram a escrever aquelas mensagens malucas, revelando seu descontentamento, até revolta, porque um brasileiro, Dom Odilo Scherer, não havia sido o escolhido. Escreveram coisas impublicáveis em qualquer veículo de comunicação decente.
Agora, menos de dois dias após a escolha, as abóboras estão-se acomodando na carroça. As primeiras atitudes de nosso Papa Francisco mostraram o porquê de ele ter sido o escolhido. É uma pessoa humana sensacional, um ser muito carismático e humilde. Saiu da Capela Sistina e foi para a casa onde estava hospedado de ônibus, junto com os cardeais, dispensando o carro oficial do Vaticano. Em seu pronunciamento, por diversas vezes quebrou o protocolo oficial. Foi rezar na Capela onde costumava celebrar missas. Vestiu sua túnica branca sem nehum adereço. Discursou numa linguagem simples, compreensível. Recebeu os cardeais, não para um beijo no anel, mas para um afetuoso abraço. E, nesta quinta-feira, ao levantar de sua cadeira, quase caiu um tombo porque não percebera o degrau. Mas reequilibrou-se, sorriu, achou graça de si mesmo e foi abraçar, de pé, os que vieram cumprimentá-lo.
E seus compatriotas, em Buenos Aires, davam, ontem, declarações sobre sua simplicidade. Dormia num quartinho muito simples, aos fundos da Catedral da Capital Argentina. Ali, houve intensa comemoração quando do anúncio de seu nome. Duas missas foram celebradas na mesma noite. E o povo saiu às ruas com suas bandeiras azuis e brancas, como se tivessem conquistado a Copa do Mundo.
E, mesmo as acusações, costumeiras em ocasiões assim, de que ele teria servido à Ditadura Militar, na Argentina, não se sustentaram. Nosso Papa é mesmo Pop. Por isso corre os mesmos riscos que correm quaisquer outras pessoas. Mas ele é um Homem de Deus e terá a Proteção Divina para o exercício de seu Ministério Papal. Dizer "seu Reinado" não combinaria com a simplicidade de alguém que não pretende ser Rei, mas sim um Peregrino, como foi João Paulo Segundo, que era Papa há 12 anos quando a Banda Engenheiros do Hawaii escreveu na letra de um rock que o Papa era pop. Foi o maior sucesso da banda, vendendo, no início, 400.000 long-plays.
E já saíram as piadas. Eu recebi uma foto de uma amiga em que Dom Odilo Scherer estava com aquele chapéu de Bispo e uma cruz de malta nele, e a mensagem mais ou menos assim: "ficou em segundo", uma gozação em cima de nós, vascaínos, que somos acostumados a ficar vem segundo no Campeonato Carioca de Futebol. E umas caricaturas do Maradona com uma cara emburrada. O Maradona, agora, tem três sombras a lhe tirar o título de Rei, a afrontar sua vaidade: Primeiro, a de Evita Perón, que já ofuscou por demais sua pretensão de ser o argentino mais popular. Depois, Leonel Messi, o craque do Barcelona e da seleção portenha. E, agora, o Papa muito Pop, Francisco, de nome Jorge Mário Bergoglio. Francisco, um Argentino!
Com alegria, posso dizer que agora temos um Papa bem Neymar: alegre, disposto e ágil como o craque santista e da Seleção Brasileira de Futebol.
Euclides Riquetti
15-03-2013
Quando a fumaça branca da Capela Sistina abriu as janelas para o anúncio do novo Papa, o mundo se surpreendeu: ninguém tinha em conta que o eleito, com expressiva votação dos cardeais, pudesse ser um Argentino. Mas foi. E, naquele momento, os internautas brasileiros já começaram a escrever aquelas mensagens malucas, revelando seu descontentamento, até revolta, porque um brasileiro, Dom Odilo Scherer, não havia sido o escolhido. Escreveram coisas impublicáveis em qualquer veículo de comunicação decente.
Agora, menos de dois dias após a escolha, as abóboras estão-se acomodando na carroça. As primeiras atitudes de nosso Papa Francisco mostraram o porquê de ele ter sido o escolhido. É uma pessoa humana sensacional, um ser muito carismático e humilde. Saiu da Capela Sistina e foi para a casa onde estava hospedado de ônibus, junto com os cardeais, dispensando o carro oficial do Vaticano. Em seu pronunciamento, por diversas vezes quebrou o protocolo oficial. Foi rezar na Capela onde costumava celebrar missas. Vestiu sua túnica branca sem nehum adereço. Discursou numa linguagem simples, compreensível. Recebeu os cardeais, não para um beijo no anel, mas para um afetuoso abraço. E, nesta quinta-feira, ao levantar de sua cadeira, quase caiu um tombo porque não percebera o degrau. Mas reequilibrou-se, sorriu, achou graça de si mesmo e foi abraçar, de pé, os que vieram cumprimentá-lo.
E seus compatriotas, em Buenos Aires, davam, ontem, declarações sobre sua simplicidade. Dormia num quartinho muito simples, aos fundos da Catedral da Capital Argentina. Ali, houve intensa comemoração quando do anúncio de seu nome. Duas missas foram celebradas na mesma noite. E o povo saiu às ruas com suas bandeiras azuis e brancas, como se tivessem conquistado a Copa do Mundo.
E, mesmo as acusações, costumeiras em ocasiões assim, de que ele teria servido à Ditadura Militar, na Argentina, não se sustentaram. Nosso Papa é mesmo Pop. Por isso corre os mesmos riscos que correm quaisquer outras pessoas. Mas ele é um Homem de Deus e terá a Proteção Divina para o exercício de seu Ministério Papal. Dizer "seu Reinado" não combinaria com a simplicidade de alguém que não pretende ser Rei, mas sim um Peregrino, como foi João Paulo Segundo, que era Papa há 12 anos quando a Banda Engenheiros do Hawaii escreveu na letra de um rock que o Papa era pop. Foi o maior sucesso da banda, vendendo, no início, 400.000 long-plays.
E já saíram as piadas. Eu recebi uma foto de uma amiga em que Dom Odilo Scherer estava com aquele chapéu de Bispo e uma cruz de malta nele, e a mensagem mais ou menos assim: "ficou em segundo", uma gozação em cima de nós, vascaínos, que somos acostumados a ficar vem segundo no Campeonato Carioca de Futebol. E umas caricaturas do Maradona com uma cara emburrada. O Maradona, agora, tem três sombras a lhe tirar o título de Rei, a afrontar sua vaidade: Primeiro, a de Evita Perón, que já ofuscou por demais sua pretensão de ser o argentino mais popular. Depois, Leonel Messi, o craque do Barcelona e da seleção portenha. E, agora, o Papa muito Pop, Francisco, de nome Jorge Mário Bergoglio. Francisco, um Argentino!
Com alegria, posso dizer que agora temos um Papa bem Neymar: alegre, disposto e ágil como o craque santista e da Seleção Brasileira de Futebol.
Euclides Riquetti
15-03-2013
quinta-feira, 14 de março de 2013
Vida No Vale
Eu amo as plantas de meu verde vale
Os girassóis, canelas e cinamomos
O alaranjado aroma das pitangas
O vento calmo em seu lufar.
Eu amo as águas de meus rios e de minhas sangas
Qua vagam entre as pedras rumo ao mar...
Nos galhos enramados os pássaros cantam
E borboletas misturam-se às flores coloridas
As crianças sorriem seus sorrisos brandos
E as mães as abraçam ternamente.
E elas, com seus rostos inocentes, como anjos
Entregam-se aos afagos docemente.
Aqui há uma natureza imensa que nos olha e chama
E nos oferece a vida plena e natural
E, mesmo que tu chores e reclames
Dá-te um mundo de beleza sem igual...
Acredito que é o normal da condição humana
O bem vencer a luta contra o mal.
Euclides Riquetti
14-03-2013
Os girassóis, canelas e cinamomos
O alaranjado aroma das pitangas
O vento calmo em seu lufar.
Eu amo as águas de meus rios e de minhas sangas
Qua vagam entre as pedras rumo ao mar...
Nos galhos enramados os pássaros cantam
E borboletas misturam-se às flores coloridas
As crianças sorriem seus sorrisos brandos
E as mães as abraçam ternamente.
E elas, com seus rostos inocentes, como anjos
Entregam-se aos afagos docemente.
Aqui há uma natureza imensa que nos olha e chama
E nos oferece a vida plena e natural
E, mesmo que tu chores e reclames
Dá-te um mundo de beleza sem igual...
Acredito que é o normal da condição humana
O bem vencer a luta contra o mal.
Euclides Riquetti
14-03-2013
quarta-feira, 13 de março de 2013
Habemus Papam - Papa Francisco - de Buenos Aires.
A fumaça branca, emitida através da chaminé especialmente implantada na Capela Sistina, em Roma, anuncia o nome do novo Papa, Ministro de Deus e sucessor de Pedro, sobre quem a Igreja Católica e Apostólica Romana se sustenta.
O Conclave teve seu início oficial na terça, 12 de março de 2013, na Capela Sistina, que sofreu todas as adequações físicas necessárias para a sua ralização. No dia anterior, os cardeais vindos de todos os lugares do mundo onde a Igreja se faz presente, foram hospedados na Casa Santa Marta, de onde deviam sair pela manhã, a partir das sete horas do horário de lá, onze horas no horário oficial brasileiro, e voltar para o almoço às treze horas. À tarde, mais duas reuniões diariamente, somando-se até 4 votações por dia. No primeiro dia foi celebrada a missa oficial de abertura do Conclave e houve apenas uma votação. Os cardeais são os delegados da grande convenção, a mais esperada da presente década e talvez dos últimos 600 anos, desde que houve a última renúncia, porque se reveste de características diferentes das demais. Agora, há um Papa Emérito, Bento XVI, que surpreendentemente renunciou ao cargo.
A população mundial, principalmente nos primeiros dias de março, começou a formular sua opinião. Os brasileiros desejavam um Papa Brasileiro, afinal é o Brasil o país onde se concentra o maior número de católicos do mundo. Sabia-se que a intenção dos cardeais era de que o Papa escolhido tivesse inteligência e energia suficientes para trabalhar em duas frentes: a pastoral e a administrativa. E ainda propor mudanças no Direito Canônico e em algumas posições da Igreja. Mas, só agora, que temos um Papa, é que vamos ficar sabendo qual será a linha de conduta e ação do novo Pontífice. Em miha opinião, o Sumo Pontífice deveria cuidar da Pastoral e ter uma espécie de Primeiro-ministro que cuidasse da Administração do Vaticano.
Os principais noticiosos do mundo apontavam, como favoritos: O italiano Ângelo Scola, teólogo conservador; o brasileiro Odilo Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo; o canadense Marc Oullet; o ganense Peter Turkson; o nigeriano Francis Arniz. Também o italiano Tarcísio Bertone era considerado um candidato com chances.
Nas redes sociais os internautas comentaram as notícias conforme sua conveniência. Alguns de forma respeitosa, outros usando linguagem baixa e a costumeira péssima ortografia. No meio brasileiro, os mais doidos e chulos comentários. E o português mais sofrível ainda.
Alguns cardeais estavam mapeados, pelo menos pelos jornalistas que cobrem o Vaticano, como favoritos a serem eleitos:
Mas os votos dos 115 delegados deu a sucessão de Bento XVI a Jorge Mário Bergoglio, um religioso de Buenos Aires - Argentina, contrariando as expectativas. Adotou o nome de "Francisco"
Sua linha de conduta, na opinião dos principais comentaristas e vaticanistas do mundo, vamos conhecer logo. Latino, Jesuíta. Bom para todos nós.
E os católicos do mundo inteiro esperam por mudanças na conduta da Igreja Católica, especialmente no comportamento dos padres, uma vez que muitos deles têm sido um mau exemplo para os fiéis e em nada têm ajudado nossa Igreja. Aliás, além de não ajudarem, têm atrapalhado. E muito!
Esperamos que o novo Pontífice possa dar linhas de ação ou diretrizes que possam influenciar os governantes de todos os países a iniciativas que melhorem a vida de seus dirigidos e que a violência, em todas as suas concepções, possam ser evitadas.
Boa sorte, Papa Francisco! Pela primeira vez um Chico! O mundo espera que seus conselhos e seus exemplos possam ajudar a melhorar a vida de todos.
Euclides Riquetti
13-03-2013
O Conclave teve seu início oficial na terça, 12 de março de 2013, na Capela Sistina, que sofreu todas as adequações físicas necessárias para a sua ralização. No dia anterior, os cardeais vindos de todos os lugares do mundo onde a Igreja se faz presente, foram hospedados na Casa Santa Marta, de onde deviam sair pela manhã, a partir das sete horas do horário de lá, onze horas no horário oficial brasileiro, e voltar para o almoço às treze horas. À tarde, mais duas reuniões diariamente, somando-se até 4 votações por dia. No primeiro dia foi celebrada a missa oficial de abertura do Conclave e houve apenas uma votação. Os cardeais são os delegados da grande convenção, a mais esperada da presente década e talvez dos últimos 600 anos, desde que houve a última renúncia, porque se reveste de características diferentes das demais. Agora, há um Papa Emérito, Bento XVI, que surpreendentemente renunciou ao cargo.
A população mundial, principalmente nos primeiros dias de março, começou a formular sua opinião. Os brasileiros desejavam um Papa Brasileiro, afinal é o Brasil o país onde se concentra o maior número de católicos do mundo. Sabia-se que a intenção dos cardeais era de que o Papa escolhido tivesse inteligência e energia suficientes para trabalhar em duas frentes: a pastoral e a administrativa. E ainda propor mudanças no Direito Canônico e em algumas posições da Igreja. Mas, só agora, que temos um Papa, é que vamos ficar sabendo qual será a linha de conduta e ação do novo Pontífice. Em miha opinião, o Sumo Pontífice deveria cuidar da Pastoral e ter uma espécie de Primeiro-ministro que cuidasse da Administração do Vaticano.
Os principais noticiosos do mundo apontavam, como favoritos: O italiano Ângelo Scola, teólogo conservador; o brasileiro Odilo Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo; o canadense Marc Oullet; o ganense Peter Turkson; o nigeriano Francis Arniz. Também o italiano Tarcísio Bertone era considerado um candidato com chances.
Nas redes sociais os internautas comentaram as notícias conforme sua conveniência. Alguns de forma respeitosa, outros usando linguagem baixa e a costumeira péssima ortografia. No meio brasileiro, os mais doidos e chulos comentários. E o português mais sofrível ainda.
Alguns cardeais estavam mapeados, pelo menos pelos jornalistas que cobrem o Vaticano, como favoritos a serem eleitos:
Mas os votos dos 115 delegados deu a sucessão de Bento XVI a Jorge Mário Bergoglio, um religioso de Buenos Aires - Argentina, contrariando as expectativas. Adotou o nome de "Francisco"
Sua linha de conduta, na opinião dos principais comentaristas e vaticanistas do mundo, vamos conhecer logo. Latino, Jesuíta. Bom para todos nós.
E os católicos do mundo inteiro esperam por mudanças na conduta da Igreja Católica, especialmente no comportamento dos padres, uma vez que muitos deles têm sido um mau exemplo para os fiéis e em nada têm ajudado nossa Igreja. Aliás, além de não ajudarem, têm atrapalhado. E muito!
Esperamos que o novo Pontífice possa dar linhas de ação ou diretrizes que possam influenciar os governantes de todos os países a iniciativas que melhorem a vida de seus dirigidos e que a violência, em todas as suas concepções, possam ser evitadas.
Boa sorte, Papa Francisco! Pela primeira vez um Chico! O mundo espera que seus conselhos e seus exemplos possam ajudar a melhorar a vida de todos.
Euclides Riquetti
13-03-2013
Zé da Barraquinha
O Zé da Barraquinha era um sujeito muito simpático. Tinha uma... barraquinha!
O seu Zé estava instalado com seu comércio ali em anexo ao Hotel Imperial, da Dona Clementina Goelzer. Ele tinha um jeito meio diferenciado de falar, tinha um sotaque peculiar. Como nunca soube o seu sobrenome, também nunca conectei isso bem, não pude saber qual sua origem. Não sei se era germânica, mas possivelmente que sim. Tinha jeito de alemão! Na época, íamos lá comprar canetas, cadernos, revólveres de brinquedo e bolicas de vidro. Mas essas coisas também vendiam na Livraria Central, do Alfredo Casagrande.
Se uma senhora precisasse de um diadema para segurar os cabelos, encontrava lá no Zé. Lembro que minha prima, Salete Baretta, adorava diademas. Para segurar seus belos e bem tratados cabelos escuros. Aliás, foi ela que me disse, um dia, que os lavava com shampoo. Shampoo tinha para vender na farmácia. O Palmolive era o melhor. Nem sei se havia algum outro... Na barraquinha não vendiam shampoo, mas vendiam aqueles espelhos que em todas as varandas de casas e nos banheiros tinha, os com a moldura alaranjada. Nossos italianos chamavam aquilo de "soada", não sei por quê. Ainda vou descobrir... E foi assim que eu aprendi que as mulheres já estavam usando shampoo, uma maravilha tcnológica para dar mais brilho e leveza aos cabelos.
Tinha até uma propaganda na TV nas décadas de 1960 e 70: "Você está vendo minha voz? -Continua a mesma. Mas meus cabelos... quanta diferença!"
O seu Zé da Barraquinha era muito atencioso e educado. Uma vez uma Senhora me pediu para ir lá comprar-lhe uns grampos para cabelos. Foi lá por 1966. O Zé me disse: "Crampos, só loiros." É que ele vendia uns grampos de cor dourada, uma inovação para a estética. mais uma revolução. Mas a senhora me fez levá-los de volta porque ela era conservadora. Queria os pretos. Estes, sim, combinavam com a cor de seu cabelo.
O Djair Pecinatto, que era meu colega de Colégio e amigo do Zé, fazia uma brincadeiras, imitava-o. Eles tinham sua loja de calçados defronte à Barraquinha, ali onde é a Churrascaria Riquetti, dos meus primos. Quando o Pecinatto foi embora pra Lages, o Gabriel Casagrande, que veio de Piratuba, montou ali uma loja. Comprou o estoque e colocou sapatos bem bonitos. Tinha aqueles com "couro de cobra" e os com "couro de crocodilo", tudo coisa artificial. E meias vermelhas, que estiveram no auge da moda na virada de década. Até eu tive um par delas.
Pois o Zé sumiu de Capinzal. E ninguém nuca mais o viu. Você, litor (a) deve estar-se perguntando por que o Zé vendeu a sua barraquinha para o Arlindo Henrique e foi embora. Pois eu acho que ele queria mudar de cidade. Penso que as pessoas devam ter ficado com saudades dele. Era simpaticíssimo. Depois da hora e nos domingos, costumava estar ali na Rua XV, normalmente em frente ao Sanalma. Pegava, no máximo, um cinema à noie.
Mas, como o mundo é mesmo cheio de surpresas, eis que, em meados da década de 1990, eu estava em São Miguel D´Oeste visitando meu cunhado Nei. Passamos perto da Estação Rodoviária e o Nei perguntou-me: "Conhece aquele cara lá? Ele era de Capinzal, tem uma barraquinha aqui! Fui lá. Era o nosso Zé da Barraquinha. Conversamos, relembramos coisas alegremente. Você também deve ter conhecido o Zé. Ele continua lá, com os seus óculos, sua bondade, sua simpatia. Se não conheceu, sabe agora que ele existiu. E não foi uma página em, branco em minha vida. Tomara que ainda esteja bem. Ah, em tempo: Ele ainda vendia "crampos loiros".
Euclides Riquetti
13-03-2013
O seu Zé estava instalado com seu comércio ali em anexo ao Hotel Imperial, da Dona Clementina Goelzer. Ele tinha um jeito meio diferenciado de falar, tinha um sotaque peculiar. Como nunca soube o seu sobrenome, também nunca conectei isso bem, não pude saber qual sua origem. Não sei se era germânica, mas possivelmente que sim. Tinha jeito de alemão! Na época, íamos lá comprar canetas, cadernos, revólveres de brinquedo e bolicas de vidro. Mas essas coisas também vendiam na Livraria Central, do Alfredo Casagrande.
Se uma senhora precisasse de um diadema para segurar os cabelos, encontrava lá no Zé. Lembro que minha prima, Salete Baretta, adorava diademas. Para segurar seus belos e bem tratados cabelos escuros. Aliás, foi ela que me disse, um dia, que os lavava com shampoo. Shampoo tinha para vender na farmácia. O Palmolive era o melhor. Nem sei se havia algum outro... Na barraquinha não vendiam shampoo, mas vendiam aqueles espelhos que em todas as varandas de casas e nos banheiros tinha, os com a moldura alaranjada. Nossos italianos chamavam aquilo de "soada", não sei por quê. Ainda vou descobrir... E foi assim que eu aprendi que as mulheres já estavam usando shampoo, uma maravilha tcnológica para dar mais brilho e leveza aos cabelos.
Tinha até uma propaganda na TV nas décadas de 1960 e 70: "Você está vendo minha voz? -Continua a mesma. Mas meus cabelos... quanta diferença!"
O seu Zé da Barraquinha era muito atencioso e educado. Uma vez uma Senhora me pediu para ir lá comprar-lhe uns grampos para cabelos. Foi lá por 1966. O Zé me disse: "Crampos, só loiros." É que ele vendia uns grampos de cor dourada, uma inovação para a estética. mais uma revolução. Mas a senhora me fez levá-los de volta porque ela era conservadora. Queria os pretos. Estes, sim, combinavam com a cor de seu cabelo.
O Djair Pecinatto, que era meu colega de Colégio e amigo do Zé, fazia uma brincadeiras, imitava-o. Eles tinham sua loja de calçados defronte à Barraquinha, ali onde é a Churrascaria Riquetti, dos meus primos. Quando o Pecinatto foi embora pra Lages, o Gabriel Casagrande, que veio de Piratuba, montou ali uma loja. Comprou o estoque e colocou sapatos bem bonitos. Tinha aqueles com "couro de cobra" e os com "couro de crocodilo", tudo coisa artificial. E meias vermelhas, que estiveram no auge da moda na virada de década. Até eu tive um par delas.
Pois o Zé sumiu de Capinzal. E ninguém nuca mais o viu. Você, litor (a) deve estar-se perguntando por que o Zé vendeu a sua barraquinha para o Arlindo Henrique e foi embora. Pois eu acho que ele queria mudar de cidade. Penso que as pessoas devam ter ficado com saudades dele. Era simpaticíssimo. Depois da hora e nos domingos, costumava estar ali na Rua XV, normalmente em frente ao Sanalma. Pegava, no máximo, um cinema à noie.
Mas, como o mundo é mesmo cheio de surpresas, eis que, em meados da década de 1990, eu estava em São Miguel D´Oeste visitando meu cunhado Nei. Passamos perto da Estação Rodoviária e o Nei perguntou-me: "Conhece aquele cara lá? Ele era de Capinzal, tem uma barraquinha aqui! Fui lá. Era o nosso Zé da Barraquinha. Conversamos, relembramos coisas alegremente. Você também deve ter conhecido o Zé. Ele continua lá, com os seus óculos, sua bondade, sua simpatia. Se não conheceu, sabe agora que ele existiu. E não foi uma página em, branco em minha vida. Tomara que ainda esteja bem. Ah, em tempo: Ele ainda vendia "crampos loiros".
Euclides Riquetti
13-03-2013
terça-feira, 12 de março de 2013
Perde-se de mim
Dócil e envolvente
Despida de pudor, a roupa ausente
Com ímpetos de amor e de vontade
Silhueta de perfeita divindade.
Mulher, alegre, sorridente
Corpo espelhado na luz: reluzente.
Charme e olhar provocador
Lábios que desejo com amor.
Vai assim, depressa como veio
Nega-me o abraço, o lábio, o seio
E desaparece num repente, num instante...
Perde-se na noite chuvosa e ecura
Perde-se com seus afagos e sua ternura
Perde-se de mim, mas acha-se adiante!
Euclides Riquetti
Despida de pudor, a roupa ausente
Com ímpetos de amor e de vontade
Silhueta de perfeita divindade.
Mulher, alegre, sorridente
Corpo espelhado na luz: reluzente.
Charme e olhar provocador
Lábios que desejo com amor.
Vai assim, depressa como veio
Nega-me o abraço, o lábio, o seio
E desaparece num repente, num instante...
Perde-se na noite chuvosa e ecura
Perde-se com seus afagos e sua ternura
Perde-se de mim, mas acha-se adiante!
Euclides Riquetti
segunda-feira, 11 de março de 2013
O Assalto Frustrado em Ouro
Setembro de 1980, eu havia voltado há poucos meses ao Ouro. Lecionava na Escola Sílvio Santos. Em setembro, a oportunidade de ganhar um dinheirinho extra. Fui contratado para trabalhar durante o mês na execução do serviço de recenseamento de toda a área urbana do município. Lá fui eu, de casa em casa, mapa da cidade na mão, maletinha do IBGE sob o braço. Era a época ideal para isso, estávamos fugindo do Inverno, prestes a chegarmos à Primavera.
Meu supervisor era o Rogério Baretta. Fizemos, em agosto, o treinamento nas dependências do antigo Ginásio Padre Anchieta, juntamente com o pessoal de Capinzal. Naquela cidade, lembro que havia o Bragato e o Régis Golin atuando. Eu tinha outros companheiros: o Dirceu Cadore, popular Cadorna, na ára rural, e Francisco Miquelotto, na região de Linha Sete de Setembro. Lembro bem desses.
Eu havia ficado oito anos morando fora, entre Porto União da Vitória e Duas Pontes, hoje Zortéa. Muitas pessoas não me conheciam mais. Comecei pelo centro da cidade, fui para o Bairro Navegantes e depois para o Parque e Jardim Ouro. Havia, no máximo, trinta famílias somando-se os dois bairros.
Tenho alguns fatos que ficaram fortemente registrados em minha memória. Primeiro, quando fui fazer o censo na casa do João Tessaro, ali na Rua Pinheiro Machado, ao terminar, agradeci a atenção da Dona Jaci e ela foi cuidar de seus afazeres domésticos. Ao descer da escada, revestida com cacos de cerâmica, foi "um tombo só". Fui parar lá na rua. Olhei para todos os lados e não vi ninguém, graças a Deus. Ia ser uma vergonha para mim. Uns pequenos esfolões, mas o produto do meu trabalho estava salvo: a maleta preservada, com os formulários dentro. Os óculos, que voaram longe, também intactos. Bem, os esfolões seriam resolvidos com um pouco de mertiolate...
Dias depois, o maior e mais inesperado ( e inusitado) acontecimento da história de minha cidade: o assalto ao Banco Bamerindus. Lá trabalhavam alguns amigos e alunos, dentre eles: Minha futura cunhada, Marise Früauf, a Zanete Helt (Miqueloto), que virou minha comadre, O Ladir Reina, filho do Texaco, o Ivan Vitorazzi, sobrinho de minha madrinha Raquel, e o vigia, Onorino da Silva, irmão do Terto, e outros.
Três bandidos, sendo um menor em idade, que vieram de São Paulo para trabalhar na construção de um frigorífico em Capinzal, realizaram o assalto ao Banco, no horário de almoço. Lembro que fecharam alguns funcionários no banheiro. Minha cunhada estava voltando do almoço com meu irmão, Piro, e viram que o assalto estava acontecendo. Tiveram sorte. Funcionários, como o Texaco e o Onorino, foram feridos.
A notícia espalhou-se em instantes pela cidade.As pessoas colocaram um caminhão atravessado em cada saída da Felip Schmidt para que os assaltantes não pudessem fugir. Lembro que algumas pessoas atiravam contra o Banco, como o Sr. Santo Segalin, com espingarda, e o Rangel, conhecido como "Alemão da Carlota", com seu 38.
Mas a bravura maior veio com o então Delegado de Polícia, Sargento Pedro Morosini, que adentrou à agência dando tiros nos bandidos. Até saía fumaça pela porta, de tantos tiros trocados. Quando acabaram as balas, de ambos os lados, os assaltantes partiram de faca para cima do amigo Mosorini, que acabou sendo projetado por sobre um banco de corvin preto (aquele em que a gente senta na frente do gerente para pedir empréstimo...) e ficou defendendo-se com os pés. Levou golpes de faca na cabeça, tendo, inclusive, restado uma ponta de faca alojada ali próximo do cérebro. E alguns chumbos de tiros de espingarda restaram cravados em seu pé.
Foi um grande e sangrento combate: Ao final, dois assaltante mortos, estendidos ao chão. E o menor, sendo conduzido a pé, pelo Carleto Póggere, que o segurava pelo pescoço com o braço esquerdo e carregava seu revólver na mão direita. Encontrei-o e ele me disse: "Esse não vai incomodar mais ninguém", e o levou para a Cadeia do Ouro. Este, depois, foi recambiado para São Paulo, terra de origem.
O Delegado Morosini teve muitos ferimentos. Mas, com coturno nos pés, defendeu-se bravamente dos golpes de faca desferido contra ele. E teve muita sorte de sobreviver.
Nos dias que se seguiram, o pânico rondava as casas. Mal escurecia e todos trancavam portas e janelas. O trauma levou muitos meses para ser amenizado. Eu lembro que, quando fui fazer o censo na casa do Serafim Andrioni, a esposa dele não queria abrir a porta porque não me conhecia. E, na época, a cidade tinha 6.000 habitantes. Só depois que eu disse que era o filho do Guerino Riquetti que havia estudado em Porto União e voltado para casa, que ela concordou em abrir.
Seguramente,o assalto foi um fato que ficará registrado em nossa Hístória. Já são 32 anos passados. Mas, coisas assim, a gente não esquece nunca...
Euclides Riquetti
11-03-2013
Meu supervisor era o Rogério Baretta. Fizemos, em agosto, o treinamento nas dependências do antigo Ginásio Padre Anchieta, juntamente com o pessoal de Capinzal. Naquela cidade, lembro que havia o Bragato e o Régis Golin atuando. Eu tinha outros companheiros: o Dirceu Cadore, popular Cadorna, na ára rural, e Francisco Miquelotto, na região de Linha Sete de Setembro. Lembro bem desses.
Eu havia ficado oito anos morando fora, entre Porto União da Vitória e Duas Pontes, hoje Zortéa. Muitas pessoas não me conheciam mais. Comecei pelo centro da cidade, fui para o Bairro Navegantes e depois para o Parque e Jardim Ouro. Havia, no máximo, trinta famílias somando-se os dois bairros.
Tenho alguns fatos que ficaram fortemente registrados em minha memória. Primeiro, quando fui fazer o censo na casa do João Tessaro, ali na Rua Pinheiro Machado, ao terminar, agradeci a atenção da Dona Jaci e ela foi cuidar de seus afazeres domésticos. Ao descer da escada, revestida com cacos de cerâmica, foi "um tombo só". Fui parar lá na rua. Olhei para todos os lados e não vi ninguém, graças a Deus. Ia ser uma vergonha para mim. Uns pequenos esfolões, mas o produto do meu trabalho estava salvo: a maleta preservada, com os formulários dentro. Os óculos, que voaram longe, também intactos. Bem, os esfolões seriam resolvidos com um pouco de mertiolate...
Dias depois, o maior e mais inesperado ( e inusitado) acontecimento da história de minha cidade: o assalto ao Banco Bamerindus. Lá trabalhavam alguns amigos e alunos, dentre eles: Minha futura cunhada, Marise Früauf, a Zanete Helt (Miqueloto), que virou minha comadre, O Ladir Reina, filho do Texaco, o Ivan Vitorazzi, sobrinho de minha madrinha Raquel, e o vigia, Onorino da Silva, irmão do Terto, e outros.
Três bandidos, sendo um menor em idade, que vieram de São Paulo para trabalhar na construção de um frigorífico em Capinzal, realizaram o assalto ao Banco, no horário de almoço. Lembro que fecharam alguns funcionários no banheiro. Minha cunhada estava voltando do almoço com meu irmão, Piro, e viram que o assalto estava acontecendo. Tiveram sorte. Funcionários, como o Texaco e o Onorino, foram feridos.
A notícia espalhou-se em instantes pela cidade.As pessoas colocaram um caminhão atravessado em cada saída da Felip Schmidt para que os assaltantes não pudessem fugir. Lembro que algumas pessoas atiravam contra o Banco, como o Sr. Santo Segalin, com espingarda, e o Rangel, conhecido como "Alemão da Carlota", com seu 38.
Mas a bravura maior veio com o então Delegado de Polícia, Sargento Pedro Morosini, que adentrou à agência dando tiros nos bandidos. Até saía fumaça pela porta, de tantos tiros trocados. Quando acabaram as balas, de ambos os lados, os assaltantes partiram de faca para cima do amigo Mosorini, que acabou sendo projetado por sobre um banco de corvin preto (aquele em que a gente senta na frente do gerente para pedir empréstimo...) e ficou defendendo-se com os pés. Levou golpes de faca na cabeça, tendo, inclusive, restado uma ponta de faca alojada ali próximo do cérebro. E alguns chumbos de tiros de espingarda restaram cravados em seu pé.
Foi um grande e sangrento combate: Ao final, dois assaltante mortos, estendidos ao chão. E o menor, sendo conduzido a pé, pelo Carleto Póggere, que o segurava pelo pescoço com o braço esquerdo e carregava seu revólver na mão direita. Encontrei-o e ele me disse: "Esse não vai incomodar mais ninguém", e o levou para a Cadeia do Ouro. Este, depois, foi recambiado para São Paulo, terra de origem.
O Delegado Morosini teve muitos ferimentos. Mas, com coturno nos pés, defendeu-se bravamente dos golpes de faca desferido contra ele. E teve muita sorte de sobreviver.
Nos dias que se seguiram, o pânico rondava as casas. Mal escurecia e todos trancavam portas e janelas. O trauma levou muitos meses para ser amenizado. Eu lembro que, quando fui fazer o censo na casa do Serafim Andrioni, a esposa dele não queria abrir a porta porque não me conhecia. E, na época, a cidade tinha 6.000 habitantes. Só depois que eu disse que era o filho do Guerino Riquetti que havia estudado em Porto União e voltado para casa, que ela concordou em abrir.
Seguramente,o assalto foi um fato que ficará registrado em nossa Hístória. Já são 32 anos passados. Mas, coisas assim, a gente não esquece nunca...
Euclides Riquetti
11-03-2013
sábado, 9 de março de 2013
Sempre sonhos
Sonhos são sempre sonhos
Sonhos apenas...
Não se explicam
Nem se justificam
Apenas são sonhos.
Sonhos que embalam
Sonhos que encantam
Que me embalam... e me encantam!
Adoro sonhar, pois:
Sonhar é prenúncio de estar
Sonhar é precedente de amar
Sonhar é um verbo eterno
Excelentemente regular
Tão regular quanto AMAR!
Adoro sonhar...
Euclides Riquetti
09-03-2013
Sonhos apenas...
Não se explicam
Nem se justificam
Apenas são sonhos.
Sonhos que embalam
Sonhos que encantam
Que me embalam... e me encantam!
Adoro sonhar, pois:
Sonhar é prenúncio de estar
Sonhar é precedente de amar
Sonhar é um verbo eterno
Excelentemente regular
Tão regular quanto AMAR!
Adoro sonhar...
Euclides Riquetti
09-03-2013
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