sábado, 14 de setembro de 2013

Sobre um Pioneiro do Oeste Catarinense


          Já me referi ao cidadão José Waldomiro Silva, que nasceu no interior de Campos Novos, em 21 de junho de 1902, na fazenda do avô paterno, Jordão Francisco da Silva. Silva é um exemplo de pessoa simples, que deu a volta por cima, que podemos considerar um vencedor, com méritos. Um menino de fibra, que tornou-se um homem de fibra, um líder incontestável. Exerceu, em sua vida,  mais de uma dezena de ocupações. O menino que, aos 12 anos,  ajudava a defender o povoado de Rio Capinzal empunhando uma Winchester 44, mesmo pobre, conseguiu, pela sua maneira simples a carismática de ser, eleger-se duas vezes prefeito de Joaçaba e duas vezes Deputado Estadual. Mas sua biografia vale mais pela maneira como conduziu sua vida simples mas de sucesso do que pela carreira política.

          Aos sete anos mudou-se para as proximidades do Rio Pelotas, poróximo da hoje Zortea e em 1910 a família foi para Rio Uruguai, ali próximo de Marcelino Ramos. Acompanhou a chegada da linha férrea, sendo que seu pai vendia carne para os trabalhadores da mesma. Ficaram pobres depois que revolucionários que vinham do Rio Grande do Sul passaram pela propriedade da família e saquearam seus bens.  Viu a construção da ponte sobre o Rio Uruguai, ligando Santa catarina ao Rio Grande, em Marcelino Ramos.

          Em seu livro, "O Oeste Catyarinense - Memórias de um Pioneiro", ele conta toda a história de sua vida, com riqueza de detalhes sobre a construção da estrada-de-ferro, a enchente de 1911, o assalto ao trem pagador pelo grupo liderado por Zeca Vacariano e Manoel Francisco Vieira. Em 1912 foi  morar em São João do Triunfo (Paraná), voltando, em 1914, aos 12 anos, para Rio Capinzal.

          Sobre essa época,  faz uma minunciosa descrição do centro de Capinzal e dos acontecimentos de então,  sobre os conflitos entre os revoltosos do Contestado e os homens da madeireira Lumber. Conta sobre o acampamento de 500 soldados de uma Força Federal que ficaram acampados nas proximidades da estação Férrea de Rio Capinzal, para guarnecê-la,  na época. Interessante é saber que, naquele tempo,  a área situada à  margem esquerda do Rio do Peixe, chamada Rio Capinzal era ligada por uma balsa de Afonsinho da Silva à do lado direito, o então Distrito de Abelardo Luz, onde havia somente a rua central povoada, e hoje se localiza a cidade de Ouro, que pertencia ao Paraná, enquanto que a outra, Rio Capinzal,  pertencia a Santa Catarina.

           Vale muito a pena conhecer as descrições e narrações de José Waldomiro Silva, pois foi uma testemunha presencial dos conflitos em nossa região contestada.

          Das descrições em seu livro, citarei uma que julgo importante para todo o capinzalense conhecer, às páginas 21 e 22:   "O nome de Rio Capinzal se originou do seguinte fato: Segundo voz corrente na época, o fazendeiro-proprietário das terras de Capinzalo, de nome Antônio Lopes, cuja fazenda de campos e matos fazia fundos com o Rio do peixe na barra do rio que levou o nome de Capinzal. Para fazer pastagens e invernar suas criações, fez grande desmatação à  margem do Rio do peixe, da barra do lajeado ali existente, acima e, depois da queima, semeou capim melado ou capim gordura, cuja semente trouxe de São Paulo, para onde viajava seguidamente com tropas de muares que vendia em Itapetininga, tendo assim formado uma grande pastagem (capinzal)"

          Em 1917, quando da criação e instalação de Cruzeiro, no povoado de Limeira (hoje Joaçaba), eles foram morar ali, onde exerceu diversos ofícios, inclusive o de balseiro. Em 1921, morou em Rio do Peixe (Piratuba), depois em Irani, e voltando para Limeira 9Joaçaba), ao final de 1924 para exercer a função de Escrivão de Paz. No ano seguinte, foi para Itá como cartorário, voltando a Limeira em 1927.

         Em suas memórias, José Waldomiro Silva fala da Revolução de 1930, da Construção da Ponte Emílio Baungharten, entre Joaçaba e Herval, sobre a passagens dos comboios de trem, sobre a fundação do Clube 10 de maio, de Joaçaba, sobre a morte do pioneiro de Treze Tílias Andreas Thaler, sobre a fundação do Município de Concórdia, o Tiro de Guerra, a enchente de 1951, e outros fatos marcantes.

          Em 1947, já aposentado, foi morar em Ponta Grossa, mas foi convidado a voltar a Joaçaba para concorrer a Prefeito, tendo sido derrotado por oscar Rodrigues da Nova. Fez sua campanha montado em lombo de cavas emprestados pelos seus correligionários, visitando as fazendas de Herciliópolis e Irani.

            Novamente candidato, foi eleito Prefeito de Joaçaba, assumindo em 31 de janeiro de 1951, ficando até 1954, ano em que se elegeu Deputado estadual, sendo o mais votado do Estado, reelegendo-se em 1958. E, em 1960, elegeu-se novamente Prefeito de Joaçaba, vencendo ao jovem Paulo Stuart Wright por uma diferença de apenas 9 votos. Ao final da década de 1960 foi morar em Florianópolis e em 1987 lançou o seu livro de memórias.

           José Waldomiro Silva foi propriamente um cigano. Nas cidades onde morou frequentou escolas do antigo primário, mas sua evolução na escrita veio em razão de tê-la praticado muito na atividades cartoriais. Seu livro de memórias nos traz muitas informações valiosas, incluisive citando os nomes dos primeiros moradores dos povoados onde residiu. Vale a pena ler!

Euclides Riquetti
14-09-2013

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Palavras certas

Palavras certas podem ser apenas palavras
Se estaticamente colocadas, linearmente dispostas
Mas, quando escritas ou faladas
Na conformidade em que são pronunciadas
Ferem, matam, pelo peito, pelas costas...

Palavras podem ser amargas como o fel
Por-nos em caminhos tortos, sem dar-nos um norte
Mas também doces, assim como o mel
Ter tons de azul, de rosa ou pastel
Ou terem a cor negra da temível morte.

Palavras jogadas ao vento
Perdem-se no firmamento
E não voltam mais.
Mas palavras certas, com destino certo
Não importa onde, não importa quais
Se o teu coração estiver por perto
Tu não as esquecerás jamais!

Euclides Riquetti
13-09-2013

Abre a janela (Eu te amo!)

Abre a janela e olha pro céu
(Eu te amo)
Abre a janela e vê o sol
(Sim, eu te amo)
Fecha os olhos e vê as estrelas
(Ah, sim, como eu te amo)
Fecha os olhos e vê as  rosas amarelas
(Sinta que, realmente, eu te amo).

Abre o teu coração e sente que o amor existe
(Percebe que eu te amo)
Abre teus braços e me abraça com toda a paixão
(Claro que eu te amo!)
Traze  teus lábios para perto dos meus
(E veja que muito eu te amo)
Quero sentir o calor dos beijos teus
(Eu te amo, eu te amo, eu te amo!)

Euclides Riquetti
12-09-2013

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Ler com o coração

Ver com os olhos, mas ler com o coração
Saber entender, compreender
Mais do que simplesmente ler
Mergulhar na leitura com paixão!

Sentir as frases inteiras, as palavras isoladas
E achegar-se, sutilmente, nos significados
Mergulhar em todos os monossílabos articulados
Perceber todas as sílabas pronunciadas!

Ler, sim, com a leitura da paixão ardente
Navegar os pensamentos nas ondas do ar
No mundo dos encantos, dos poemas, mergulhar
Lavar com a chuva fria a alma da gente!

Ler com o coração o que está no âmago do outro ser
Tentar sentir do sangue das veias a  quentura
Banir a presença de qualquer amargura
E contemplar com os olhos a beleza que se pode ver.

Ler com emoção
Ler com paixão
Ler com o coração!

Euclides Riquetti
11-09-2013

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A perda do Vitor Savaris

          O primeiro dia da semana veio com o sol emanando energias altamente positivas em seus raios dourados. A temperatura estava agradável e as pessoas se animavam na ida à escola, ao trabalho, ou simplesmente na prazenteira caminhada pelas ruas do Parque e Jardim Ouro. Mas a harmonia da tarde foi quebrada por uma notícia indesejável, mas real... e era alterada toda a rotina tão costumeira ali em Ouro.

           Pela meia tarde ligaram-me vários amigos, em sequência, para informar-me que o nosso amigo Vítor  Savaris tinha falecido. Lamentei muito, pois convivi com ele os últimos 16 anos, tendo-o como colega na atividade pública. Adversários que fomos, tornamo-nos companheiros de jornadas desde 1996. E fomos criando laços de amizade muito fortes. Entendíamo-nos muito bem, nutríamos um forte respeito mútuo.

          Conheci o Savaris nos tempos em que lecionei e trabalhei em Zortea, a partir de 1977,  quando este era ainda um Distrito de Campos Novos. A família dos Savaris (o Nono Selvino e a Nona Amélia), pais do Vítor, moravam ali perto, no Pouso Alto, nas margens do Rio Pelotas. Tinham atividades agropecuárias e um areial. Exerciam forte liderança na comunidade, gostavam de política e de futebol. Eram gremistas fanáticos, todos eles. Até tinham um  time de futebol, o Grêmio de Pouso Alto. E ele, magro e muito alto, era atacante pelo lado esquerdo, corria muito. Marquei-o em alguns jogos nos tempos de aspirante do Grêmio Esportivo Lírio. Na verdade, éramos dois magricelos e ambos muito corredores. Na época já dava para perceber que ele era gente muito boa.
        
          Em março de  1980 voltei a morar em Ouro e, um ano depois, ele também foi lá residir, no Bairro Parque e Jardim Ouro. Não havia sequer 50 famílias ainda por lá. Hojé é o mais populoso daquela cidade. Com forte liderança na Capela São João Batista e no clube de futebol local, foi-se tornando muito conhecido. Lecionei para seus filhos, os quais eram muito educados e dóceis. Recebiam do Vítor e da Nilda um alto padrão de educação familiar.

          Savaris chegou a ser vereador e ocupou o cargo de Secretário Municipal de Transportes e Obras nas administrações dos prefeitos Sérgio Durigon, José Camilo Pastore e Neri Luiz Miqueloto. Conhecia todos os cantos do território do Município e era muito dado com todos os colegas de trabalho. Em 2012 concorreu a Vice-prefeito mas não obteve o resultado que esperava. Pouco tempo depois, foi acometido por doença muito grave, que ceifou sua vida nesta segunda-feira.

          Menos de 60 anos, aposentado há um ano, jovem para os tempos atuais, uma pessoa de grande vitalidade, mas que teve muitos abalos em sua vida.  E acabou não resistindo à doença, infelizmente.

          Na última vez que conversei com ele, estava muito animado, disse-me que tinha ido com os irmãos ver um jogo do seu Grêmio em Porto Alegre, na nova Arena do Clube. Acreditava que iria melhorar, poder curtir a família, ter muitos netos... Mas isso não foi possível!

          Resta-nos guardar dele as boas lembranças do futebol, dos churrascos, da amizade e lealdade no trabalho. Posso asseverar, em qualquer situação, que ele foi um grande amigo... Resta-me rezar a Deus para que lhe dê a Felicidade Eterna, no Reino de Sua Glória! Fique bem, amigo Savaris!

Euclides Riquetti
10-09-2013

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Vai, leva contigo

Vai, leva contigo o perfume que me contagiou
Vai andar pelos caminhos que escolheste e que traçaste.
Vai, leva contigo as lembranças do que se passou
Vai, relembrar, sozinha, o que em ti guardaste.

Vai, vai-te econder nos vales ou montanhas
Ou  refugiar-te  em ti, só tu e teus pensamentos
E,  mesmo que tuas atitudes me pareçam estranhas
Compreenderei que te movem os sentimentos...

Vai, mas por mais distante que te possas esconder
Não deixarás de lembrar de meus saudosos versos
De todos aqueles que eu pude  te escrever.

Vai, mas onde estiveres, lembra-te de de mim
Pois guardo para ti todos todos os meus afetos
Tudo o que eu sinto em mim, eu guardo para ti!

Euclides Riquetti
09-09-2013

domingo, 8 de setembro de 2013

Enquanto trotam, silentes, os cavalos da noite...

Enquanto os cavalos da noite trotam silentes
As estrelas se espaçam no céu para o seu cintilar
Os ventos frescos  lufam nas árvores contentes
Energizadas pela dócil  fluidez do ar!

Sob os telhados e  os brancos lençóis de algodão
As almas se encostam dentro dos corpos aquecidos
(O tímido luar dissipa a forte escuridão)
E os amantes se escondem com seus instintos adormecidos.

As vozes e as melodias que nos são trazidas nos ruídos do vento
Nos dão recados que brotam  dos corações desalentados
Nos trazem as dores, as angústias e o lamento
Dos seres deprimidos, tristes e  abandonados.

E enquanto trotam, silentes,  os cavalos da noite
Que vagam libertos do malvado açoite
Para onde vão as almas, elas e seus pecados?
Ah! As almas se acomodam em seus corpos pecadores
E esperam os raios do sol, do dia os salvadores
Aop encontro do destino que lhes foi traçado!

Euclides Riquetti
08-09-2013

sábado, 7 de setembro de 2013

Lembranças de Sete de Setembro

          Meu imaginário saudosista me leva de volta à infância em Capinzal. Anos: 1961 a 1964 - Os ensaios de marcha lá no Mater Dolorum, pela Rua Carmelo Zóccoli, em direção ao Sul, para os lados da Pagnoncelli & Hachmann, até as imediações da Fundição. Muitos ensaios, não havia professores de Educação Física ainda. As professoras nos orientavam e as freiras comandavam. E havia o José Carlos Souza que não pisava com o pé esquerdo na batida do Bumbo. A Irmã Terezinha ia à loucura, a professora Marilene Lando tentava insistir para que ele aprendesse. Acho que ele fazia de propósito para zoar com elas...

          Desfile pela Rua Felip Schmidt, no Distrito de Ouro, saindo do Posto de Gasolina que se localizava no meio da Rua da Praia, que depois virou Governador Jorge Lacerda. Indo em direção à Ponte Nova. Havia calçamento apenas até defronte à casa do Amélio Dalsasso. Depois, marchávamos no pó (ou no barro): Soldado que se prezava e amava  o Brasil era corajoso, valente,  e com muito garbo e peito firme marchava, sem olhar para os lados, sem piscar os olhos: "A fronte erguida, o olhar brilhante..." - como no Hino a Capinzal!

          Passávamos pela ponte, dobrávamos à direita defronte ao Cine Glória e íamos até o Campo de Futebol. Ali, um palco especialmente feito com tábuas cedidas pelos Hachmann, os alunos ouvindo os discuros. Uma menina magrela, cabelos escuros, saia azul e camisa social branca com uma logomarca à esquerda, na posição do bolso: BP, de Beliário Pena! A jovem Inelvis, filha do Joanin Serena, lia um texto enaltecendo nossa Pátria, pela qual deveríamos morrer se necessário fosse... E, garbosamente, cantávamos o Hino Nacional.

          Os alunos do Belisário Pena com seu uniforme azul e branco. Num daqueles anos fizeram-lhes umas camisas de brim Santista, azul marinho, com aquelas "golas de padres". O Rosito Masson, o Ademar Miqueloto, O Irenito, o Olino Neis, todos  com aquelas camisas bonitas. Nós, do Mater, também no azul e branco. Mas as Normalistas, ah, essas, sim, com aquelas saias bordô e as camisas marfim/beje, encantadoras. Meu pai, único homem em meio a elas, calça social preta e camisa branca... Mas, muito bonito, era o uniforme do Ginásio Padre Anchieta, com calça social preta ou azul marinho (bem escuro), e aquele uniforme paramilitar, com uns babados na frentes, umas franjas, e  quepe igualmente em azul-marinho. Simplesmente espetacular!

          Todos os estudantes eram obrigados a marchar. Nos anos anteriores ao Governo Militar e também durante. O espírito cívico era algo sagrado que havia em nós. Claro que isso não era unanimidade. Mas havia o respeito pela Pátria em cada um de nós. Podíamos não concordar com os governos, mas queríamos o melhor para nosso país... E querer o melhor para o Brasil era querer o melhor para nós mesmos, nossas famílias.

          E os alunos do Ginásio Normal Juçá Barbosa Callado: Calça de Tergal verde e camisa branca. A maioria pessoas já adultas, que viram no ginásio noturno a oportunidade de estudar. Ah, para todos os uniformes, de todos os colégios, sapatos pretos. Em algumas situações, congas brancas, para algumas alas, especificamente.

          Minhas últimas lembranças de desfiles como estudante me remetem ao ano de 1971, quando concluí meu Técnico em Contabilidade pela então Escola Técnica de Comércio Capinzal: calças pretas e camisa social manga longa vermelho royal. A escola não costumava desfilar, mas convidada que foi, não queria recusar e a sugestão do Diretor Professor Antônio Maliska foi aceita: "Se é para aparecer, então vamos aparecer". E fomos com aquela roupa bem chamativa. Orgulhosos!

          E as fanfarras, muito bem ensaiadas, com os bumbos, caixas, taróis, pratos e cornetas. Lembro, com muita saudade. E, quando vejo fotos antigas daqueles tempos, sinto uma inefável saudade... não sei se dos sentimentos cívicos ou... da força de nossa juventude!

Euclides Riquetti
07-09-2013

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A Canção do vento que sopra

Eu quero que o vento que sopra na tarde faceira
Me traga as lembranças sutis de seu rosto rosado
Espero sentir o prazer de abraçar essa bela campeira
De quem guardo um retrato bonito, porém desbotado.

Eu quero, sonhando, enconstar os meus lábios nos seus lábios vermehos
E acariciar os seus ombros enquanto se mira, se olha no espelho... (Bis)

Eu quero que as folhas  nas plantas ressurjam agora
Setembro está aí, vêm as flores enfeitar a paisagem
E deixar nosso mundo tão belo como foi outrora
Isso podemos, eu posso, sim, posso, não me falta coragem.

Eu quero, sonhando,  encostar os meus lábios nos seus lábios vermelhos
E acariciar os seus ombros enquanto se mira, se olha no espelho...(Bis)

Eu quero poder lhe dizer com palavras sinceras
Que valeu ter voltado a meus braços, trazer seu calor
Pois valeram os anos de aguardo, os anos de espera
Compensados com muito carinho, apego e amor.

Eu quero poder encostar os meus lábios nos seus lábios vermelhos
E acariciar os seus ombros enquanto se mira, se olha no espelho... (Bis)

Euclides Riquetti
06-09-2013

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Eu quero dizer a você (canção)

Traz-me o  sorriso o pensamento que vem
Na noite de inverno aqui do Sul
Vem me encantar com o seu olho azul
Com o belo sorriso que você tem...

E depois da noite vem o novo dia
E a lembrança da hora sonhada, encantada
Na viola dedilho uma linda toada
O meu coração é só alegria...

Eu quero dizer a você: meu amor é sincero
Só quero dizer a você o quanto eu a quero! (Bis)

Eu quero dizer a você um  poema de amor
Que fique no seu coração por onde se for
E quando na noite voltar-me o sorriso bonito
Farei outro  poema dizendo-lhe tudo o que eu sinto...

Eu  quero dizer a você: meu amor é sincero
Só  quero dizer a você o quanto eu a quero! (Bis)

Que venha a mim o seu belo e suave sorriso
Pra animar o meu dia,  é disso que eu tanto preciso
Pra animar o meu dia, é disso que eu tanto preciso!!!...

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Paulo Stuart Wright X José Waldomiro Silva - Dois Grandes Catarinenses


          Estão acontecendo em Florianópolis, na nossa bela Ilha da Magia, eventos que visam a esclarecer e recuperar a história de um joaçabense "desaparecido" há exatos 40 anos: Paulo Stuart Wright, político catarinense nascido em Helval d ´Oeste, em 1933,  quando esta ainda era um Distrito do muncípio de Joaçaba. Filho de um presbítero americano, Lothan Ephrain Wright e de Dona Maggie Belle Müller Wright. Foi militante do Grupo Ação Popular. No dia 04 de setembro de 1973, depois de levado para o Doi-Codi da Capital Paulista,  foi dado como "desaparecido" ou "morto".

          Os cidadãos brasileiros e catarinenses têm informações sobre ele sempre referindo-se como político que foi cassado quando era deputado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina,  por decoro parlamentar. A alegação foi um despautério: Não aceitava usar gravata, e  outras atitudes de pouca significação. Na verdade, era um "rebelde com causa". Com muita causa!

          O rapaz Paulo Stuart Right sempre foi muito bondoso e atencioso com as pessoas. Dizia-me, ontem, o Névio Ziero, aqui em Joaçaba, que quando era menino ia entregar leite na casa do Paulo, ali um pouco acima de onde hoje se situa o Hotel Jaraguá.  Este era uma figura extraordinária, inteligente, estudado e querido pela juventude. Tinha ideais bem definidos. Ela atencioso com os mais simples, os humildes. Um fundador de sindicatos.  Cursou Engenharia na Faculdade de Engenharia da UFRGS e pós-graduou-se nos Estados Unidos.

          Após seus estudos universitários foi para os Estados Unidos e voltou pós-graduado. Antes, já se candidatara a Vereador, não sendo eleito. Aos 27, já de volta do Norte da América para Joaçaba, candidatou-se a Prefeito, concorrendo pelo PTB/PDS. Perdeu por 9 votos, apenas, para o José Waldomiro Silva, da UDN, que já havia sido prefeito e duas vezes deputado estadual.  (E não por 11votos,  como consta em material publicado pelo Brasil Nunca Mais). Foram 4.284 para Silva e 4.275 para Stuart, segundo o próprio, em seu livro de memórias.

           Duas pessoas extraordinárias, o perdedor e o vencedor. Paulo Stuart Wright, desolado com a derrota por tão pouco, foi para Florianópolis, vindo dois anos depois a  eleger-se deputado. Cassado, foi para os Estados Uniudos e depois exilou-se no México. Nos três países onde viveu foi um notável mobilizador social das classes operárias, provavelmente herdando de sua mãe, conhecida aqui por Dona Bela, missionária como seu esposo,  esse espírito de ajudar o próximo.

          José Waldomiro Silva, na maturidade, escreveu o livro: "O Oeste Catarinense - Memórias de um Pioneiro", em que relata sua vida desde os 8 anos, quando a fazenda de seu avô, ali nas proximidades de Zortéa,  foi dizimada e ele foi com seu pai abater gado para vender para os trabalhadores da Estrada de Ferro, em 1910, ano de sua inauguração.  Aos 12, já empunhava uma Winchester 44, quando trabalhava numa farmácia do Farmacêutico Cavalcanti, ali onde há o prédio dos Beviláqua, em Capinzal, para defender-se dos revoltosos do Contestado. Conheci o Sr. Valdomiro em 1982, quando ele visitou o Sr. Ivo Luiz Bazzo, na Prefeitura do Ouro, e me foi por este apresentado.

          Dizia-me, ontem, o amigo Raul Furlan, (com quem convivo desde janeiro de 1989, quando ele assumiu como Prefeito em Joaçaba e eu em Ouro. Dividimos, com os demais, a sua angústia pelo acidente que seu filho tivera, e que somente sobreviveu por ter tido o melhor atendimento médico possível e as mãos de Deus protegendo-o.), que quando da abertura das urnas, restando apenas uma a abrir, a que se localizava no prédio da Prefeitura Municipal, o Stuart estava com uma boa dianteira em relação ao Valdomiro. Furlan era militante do mesmo partido, o PTB, e tinha uma preocupação: Ali, na área central da cidade, moravam os pioneiros, mais conservadores, e a tendência era muito forte em favor da UDN. E isso se confirmou, causando grande decepção ao corajoso Stuart, de  apenas 27 anos, que mudou-se para a Capital Catarinense para, dois anos depois, eleger-se deputado estadual.

          Veja, leitor, dois cidadãos que andaram por caminhos opostos, mas ambos com sua dignidade. Se buscarmos a história de Wright, veremos que nosso Estado perdeu um grande político, com um futuro brilhante pela frente. E a de Silva também é meritória. Ambos têm muita semelhança. Diferenças, apenas ideológicas. Mas, ambos, vencedores! Orgulho de nossa História, de nosso Vale do rio do Peixe, de Santa Catarina!

Euclides Riquetti
04-09-2013 - 40 anos do desaparecimento de
Paulo Stuart Right


Cabelos de tranças

Mulher dos cabelos de tranças
Que já foi menina, que já foi criança
Que já encantou meninos
E deixou lembranças...
Mulher da pele da cor do pinhão
Dos olhos da cor da noite
Que já teve todos sonhos
Do coração...

Mulher dos talentos incontáveis
Das palavras amáveis
Dos gestos irretocáveis...

Mulher das tardes nubladas e das manhãs ensolaradas
Mulher das noites estreladas
Que sonhou nas madrugadas...

Mulher que já foi menina, que já foi criança
Que já encantou meninos
E deixou lembranças...

Mulher: menina, moça, senhora
Hoje avó, criança outrora
Mas sempre mulher!

Mulher de sentimentos profundos
Da voz maviosa
Declamadora talentosa
Que nos sensibiliza:
Amiga, humilde, despreendida:
Amiga Amiga!

Euclides Riquetti
03-09-2013

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

As andorinhas da noite (soneto)

Voam, silenciosas, na noite, as andorinhas
Como a que não querer que as vejamos
Abanam suas asas pequeninhas
Que as sustentam em seus voos calmos e planos.

Voam, silenciosas, sobre os telhados
Sobre os quartos onde dormem as crianças
Vagam  diante das janelas de vidros espelhados
Timidas em seus voares e em suas andanças.

Voam, silenciosas,  as andorinhas singelas
Voam com a delicadeza e a sua sutilidade
Sobre as casas verdes, brancas e amarelas.

E seu voo é como o dos anjos protetetores
Que cuidam dos lares, das praças, e da cidade
Vigiando tudo, nos céus dos esplendores.

Euclides Riquetti
02-09-2013



domingo, 1 de setembro de 2013

Um Norte pro seu Coração

Seu coração precisa
De norteadores seguros
Não pode andar à deriva
Nem em mares escuros.

Um  coração que sempre busca
O mar da tranquilidade
Evita a turbulência brusca
Deseja amor e lealdade.

(Seu coração está longe
De ser um coração cigano
Se  eu chamar ele responde
Está em meu  primeiro plano.)

Dê um norte pro seu coração
Trace-lhe um caminho por onde andar
Não deixe que uma fugaz ilusão
O faça sofrer e chorar...

Euclides Riquetti
01-09-2013

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Atrativos Turísticos na Serra Gaúcha

          A região da Serra Gaúcha é pródiga em atrativos turísticos naturais. Posso assegurar que tem lá o equivalente ao que há no litoral catarinense. Aqui em Santa Catarina, belíssimas praias, muito sol. Nossa propaganda é o sol e o calor no verão e... muita gente bonita. Lá, o frio, a irregularidade topográfica, os vinhedos, muitos empreendimentos de cultura e lazer e... muita gente bonita também!
          Ora, dizer que somos privilegiadíssimos é redundante, é chover no molhado. É preciso ver, estar presente, sentir o clima, fazer a interação devida e sim, poder dizer: Nosso Sul é um verdadeiro paraíso! Caxias do Sul uma cidade industrial basicamente colonizada por italianos, onde se realiza a grandiosa Festa da Uva. Bento Golçalves, com o Caminho de Pedras, os parreirais e as cantinas de vinho de altitude que competem com os melhores do mundo. E o conjunto Nova Petrópolis/Gramado/Canela com sua grande evolução em termos de nos ofertar suas confecções, os chocolates, sua cultura, natureza e  e os empreendimentos arrojadíssimos.

           Algo que muito nos encantou, em Gramado, foi a visitação ao conjunto de museus que é oferecido para um pacote de visitações. Sabe, leitor, aquele dia de chuva que você precisa cuidar-se um pouco e buscar atrativos "indoor"? Pois dois núcleos de museus, com dois departamentos cada um, salva o seu dia. O primeiro, o Museu de Cera: Simplesmente fantástico. Eu já o conhecia de reportagem televisiva, mas estar lá, presente, até tirar fotos com personagens da arte cinematográfica é simplemente maravilhoso:  Estátuas que parecem reais,  de Michael Jackson, Elvis Presley, Marylim Monroe, Lady Di, Woopy Goldberg, Paul Mac Cartney, Elton John, Indiana Jones, Ayrton Senna, Santos Dummont, Charles Chapplin, Einstein e outros é algo divino e que nos leva a pensar o quanto o ser humano já evoluiu em termos de técnicas de reproução de imagens físicas ou digitais.

          Em anexo a este, o Harley Motos Show, com suas potentes e clássicas motocicletas Harley-Davidson, com uma dezena e meia de exemplares, decorando uma choperia, numa reprodução de um ambiente americano, é algo impagável... e inesquecível aos nossos olhos. Coisa de encantar até quem nunca sentiu nenhuma atração por esse tipo de veículo. E o som-ambiente inglês, e ornamentos de neon trazidos da Alemanha, tudo muito harminizado, fino.

          Depois, num segundo núcleo, mas dois museus extraordinários: O Super Carros, com possantes veículos importados que vão das Ferraris vermelhas até os Camaros Amarelos atualíssimos. Para quem gosta de carros, a delícia de fotografá-los e adminrá-los. Mas, quem não gosta de carros bonitos? Só  indo lá e ver para crer nas maravilhas que a tecnologia moderna nos pode oferecer.

          E, finalmente, o mais extraordinário deles, em minha opinião, que combina com meu jeito saudosista de ser: o "Hollywood Dreams Cars". Impressionante! Logo na entrada, um Cadillac Eldorado Biarritz modelo 1957, de uma cor perolizada pink, conversível, com assentos brancos, tudo devidamente harmonizado, díficil de se imaginar que, há mais de 50 anos, pudessem fabricar carros com tamanha tecnologia e beleza.  E, mesmo que você procure intensamente com seus olhos, estará longe de encontrar qualquer defeito em sua conservação.

          Parece que reuniram toda a coleção de preferência da geração Elvis Presley e colocaram lá para que víssemos. Ford, Lincoln, Mercury, Chevrolet, todos com suas irretocáveis pinturas originas e seus estofamentos exuberantes. Que maravilha! Tem razão o locutor que recebe os turistas em dizer que o automóvel americano era o sonho de todo o endinheirado brasileiro nas décadas pré 1960.

          Tudo isso, os quatro museus, em dois pontos diferentes da cidade, você pode visitar por R$ 70.00, (R$ 60,00 para grupos de turistas).

            É porque os atrativos são diversificados na região  que para lá se dirigem milhões de turistas todo o ano, de todas as procedências. Há opções de lazer, compras,  hospedagem e gastronômica,  para fazer com que o turista sempre deseje voltar. Foi meu quarto tour por lá, mas pretendo ir outras vezes. Que Deus permita que viva muitos anos e possa conhecer os que ainda não o fiz. Eu recomendo para você também!
     
Euclides Riquetti
31-08-2013