sábado, 12 de setembro de 2015

Sentimentos ocultos

 
Sentimentos ocultos, protegidos
Sutilmente velados e escondidos
Na manhã cinzenta
Sonolenta...

Imagens que se perdem na sintonia
Na sincronia do Universo
Sem um trilho aparente, sem um rumo certo.

A vida é mais que um sistema, um dilema
Um conflito abstrato
E uma bela mulher num retrato.

A vida é o encontro
Que repele o que está pronto
E que, ousadamente, corajosamente
Busca encontrar a felicidade autêntica
Na parceria idêntica
Com o sorriso de luz
Que a melodia da orquestra conduz.

É a água bebida
A energia absorvida
E a flor da rosa, do gerânio e do cravo
Lindo, másculo, que eu trago
Na lapela de meu casaco.

A vida condiciona os sentimentos
Coleciona os momentos
E adiciona elementos.

Sentimentos que você teima em esconder
E que não quer deixar que transpareçam.

Porque num outro ser
Há um delicioso querer
Há um desejar
Há um sempre buscar
Um desejo ardente... de buscar você!

Euclides Riquetti
26-09-2014

O seu sorriso, o meu sorriso...

 
          Tenho muitas amigas, conheço muitas pessoas. Vou a muitos lugares, converso com muita gente. De todos os tipos e comportamentos. Sou muito observador, tiro minhas conclusões sobre elas. Cada ser é um ser, cada pessoa é uma pessoa. Fico imaginando se são felizes, infelizes, se o que aparentam ser é o que realmente são. Não sou psicólogo, nem filósofo. Sou um cidadão comum, que sente, pensa, tem opinião sobre as coisas, escreve.

          Assim, procurei lembrar de pessoas e de como elas sorriem. Algumas, nem as conheço pessoalmente. Mas minha imaginação me permite até criar personagens com características que, se eu tivesse o domínio da arte de desenhar ou pintar, poderia dar-lhes o devido retrato. Então, estou propondo a meus leitores que tentem se enquadrar num dos tipos de sorriso que estou sugerindo. Mas não escolha a primeira opção, simplesmente. Procure ler todas e,  depois,  escolha as três que mais combinam com você. Então, dentre estas, escolha a primeira, aquela que "fecha" com seu perfil de sorrir. É uma atividade que pode empolgar, pois você pode até "classificar", pelos dados apresentados, pessoas que você conhece ou com quem mantém relações de trabalho, amizade, ou mesmo pessoais:

1. angelical: sorriso terno, mas não ingênuo, de moça que tem uma luz oculta na expressão de seus olhos e de seu rosto.

2. felino: sorriso de gata, normalmente nos olhos verdes e azuis, sobrancelhas bem delineadas, cílios
vistosos, jeito de quem está sempre pronta a dar o bote, unhas bem afiadas.

3.sutil: olha com graça, os músculos do rosto se movimentam levemente, há um charminho escondido propositalmente, como se fosse uma criança a sorrir.

4. provocador: o mesmo que provocante, a gatona sabe o que quer, sabe atrair o outro, vem e vai, ora olha, ora finge que não vê, mas quando olha procura chamar a atenção. O seu sorriso se alia a repentinos e estudados movimentos  do corpo.

5. praia-sol: sorrisão aberto, olhos escondidos por um óculos grande, de belo desenho. A condição dos cabelos ajuda a compor o quadro visual e a definir o conceito de mulher poderosa.

6. terno-apaixonado: muito tender, dócil, cordato, sem no entanto ser submisso. Olhares e sorrisos dirigidos somente para o amado.

7. loucamente apaixonado: tipo saia de perto que esse cara é meu, entusiasmado, arrojado, combina com movimentos rápidos do corpo em mulher desenvolta e que sabe defender o que é seu.

8. rebelde: mostra contrariedade se algo lhe é subtraído, quer exclusividade do outro e se vê que há perigo de concorrência mostra as garras e se rebela.

9. lascivo: olhar pecaminoso, sorriso que atrai, quer, deseja ardentemente possuir, não importa onde e quando e nem quais as consequências que podem advir.

10 - pecaminoso: cheio de pecado, convida a pecar ainda mais, esbanja desejo, perfuma o ar do entorno, está disposto a levar o outro à perdição.

11. clear eyes: muito atraente, encanta mesmo sem provocar, na dele, sabe que tem muito poder, mas demonstra ingenuidade e desproteção. Porém, é uma arma que pode tanto fazer feliz quanto destruir.

12. tímido: ligeiramente acanhado, dá a impressão de fragilidade, mas não de fraqueza, parecendo de bebê ingênuo, mas tem alto poder de contaminação de almas e corações.

13. ousado: capaz de arrasar quarteirões, parte para a ofensiva, não está preocupado com as consequências, o que importa é o resultado imediato.

14. debochado: muito dirigido à concorrência, demonstrando que a bela é muito segura de si, não permite que ousem sequer chegar perto do que é seu.

15. dissimulado: o disfarce está sempre presente, há perigo na área, muita culpa no cartório, a mentira é uma arma poderosa e ferina.

16. diabinho: sempre pronta a levar para o inferno, a queimar a alma de alguém, não sem antes tirar proveito do corpo da vítima, é uma tentação que deleita, mas que pode dar dor de cabeça depois.

17. namoradinha apaixonada: características  de estreante nas lidas do coração, alto índice de fidelidade, muito carinho e amor a dar, mas há um longo caminho a percorrer ainda.

18. cínico: reveste-se de intolerância, com olhar de desdém, faz qualquer coisa para mostrar insatisfação com a situação presente, é uma agressora em potencial.

19: abundante: largo sorriso, generoso, encantador, abre espaço para a chegada, mas isso não significa entrega. está mais para simpatia do que para convites...

20. generoso: o sorriso de quem costuma agradecer, de quem dá e recebe, de quem valoriza pequenas coisas, por mais simples que sejam.

21. anjo azul: sorriso de sereia, cheio de mistérios, mas inspira alguma confiança e até ingenuidade, fragilidade e necessidade de proteção.

22. sedutor: reúne muitas qualidades num único sorriso, sensualidade constante, movimentos do corpo que atiçam os olhos e instigam as mentes.


          Bem, agora minha parte está feita. Faça a sua: complete a lista, veja quais deixei de mencionar e escreva em algum lugar onde as pessoas possam ver.

Grande abraço! Sorria, ame, seja feliz sorrindo e recebendo sorrisos em troca dos seus!

Euclides Riquetti

O luar da madrugada

Quando o luar da longa madrugada
Cobrir de prata toda esta  imensidão
Se eu estiver percorrendo uma estrada
Mesmo que sem rumo ou direção
Meu inefável pensamento e minha alma
Buscarão em ti o prazer da perdição.

Buscarei  encontrar caminhos que conduzem
Para além de onde se possa imaginar
Buscarei encontrar corpos que seduzem
Talvez jazendo na beira do mar...

Quando os primeiros raios de sol fulgurarem
E adentrarem pelas portas e pelas janelas
Banhando os seres nas ruas a desfilarem
Energizando as florinhas brancas e  amarelas
Será hora de nossos pensamentos se buscarem
E andarem de mãos dadas nas íngremes ruelas.

Buscarei encontrar-te onde quer que estejas
Não me importa a distância nem o tempo
Buscarei encontrar teus doces lábios de cerejas
E sentir teu perfume que me traz o vento!

Euclides Riquetti
10-09-2015










sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O Onze de Setembro de 2001 - 14 anos depois

         O mundo relembrou, hoje, o atentado terrorista que culminou com a queda das duas torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, em 11 de setembro de 2001, quando 2.749 pessoas perderam a vida. Mas adiante, chegou-se ao número de 2.753, pela perdas de outras vidas em decorrência de males adquiridos em razão das consequências do evento. 80% eram homens, dentre eles centenas de bombeiros e policiais. O ataque suicida matou todos os passageiros que se encontravam nos aviões  comerciais sequestrados, os terroristas e a maior parte das pessoas que se encontrava nas torres. Adiante, confirmou-se que os atentados foram praticados pelos terroristas que fazem parte da organização Al-Qaeda, uma organização fundamentalista islâmica.

          Naquela manhã estava trabalhando na Prefeitura do Município de Ouro quando meus colegas me chamaram para uma sala ao lado da minha. Tinham tomado conhecimento do atentado e ligaram um aparelho de TV para que todos pudessem acompanhar os noticiários que sucederam a tragédia. Imagens impressionantes foram propagadas ao mundo através da TV e da internet.  Era uma realidade muito cruel. Os terroristas, utilizando 4  aviões da American Airlines que sequestraram atingiram primeiro, a Torre Note e, pouco depois, a Torre Sul, com 17 minutos de espaço de tempo. Um terceiro avião foi arremessado contra o Pentágono, a sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O quarto avião sequestrado caiu num campo aberto, na Pensilvânia. Os fatos assim se sucederam naquela manhã:

  • Às 8h46 um avião da América Airlines, que ia de Boston a Los Angeles, atingiu a torre norte do World Trade Center;
  • Às 9h03 um avião da United Airlines, que ia de Boston a Los Angeles, acertou a torre sul;
  • Às 9h37 uma aeronave da American Airlines, que ia de Dulles, na Virgína, para Los Angeles atingiu o prédio do pentágono em Washington;
  • Às 9h59 a torre sul despencou;
  • Às 10h03 um avião da United Airlines, que ia de Newark para São Francisco, bateu em um campo perto de Shanksville, na Pensilvânia;
  • Às 10h28 a torre norte despencou.

  •           Nesta sexta-feira, 11, pela passagem dos 14 anos do ocorrido, o presidente dos EUA Barack Obama participou de um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dessa tragédia e os nomes das vítimas foram lidos em voz alta numa cerimônia no memorial World Trade Center, onde, ainda, lhes prestaram outras homenagens.

              Infelizmente, razões religiosas, fanatismo ou mesmo a tirania e ganância de pessoas que querem o poder ainda fazem vítimas diariamente em todo o mundo. O grande remédio para tudo é a defesa da democracia, da livre manifestação, do respeito ao estado de Direito e ao ser humano. Algo que ainda soa utópico.

    Euclides Riquetti
    14-09-2015
             

    Cinco Tons Multicores x 50 de Cinza

    Replay... 

              Se eu tivesse que escrever, obrigatoriamente, um romance, eu já teria o título: "Cinco Tons Multicores". Criei a expressão ao mandar uma mensagem para uma garota que me propôs tornarmo-nos amigos  no facebook, há uns instantes. Aceitei e convidei-a para que se tornasse leitora habitual em meu blog. O blog me tem permitido que  leve meu pensamento a muitos leitores do Brasil e de diversos lugares do mundo, desde os Estados Unidos até a Rússia.

              O que  chamou minha  atenção foi  a configuração visual de minha amiga Gislaine Leal da Silva no seu facebook. Sua foto e, na lateral, uns partilhamentos coloridos, de uma outra  foto dela, em sequência, como se fossem cortinas em tons articulados e harmonizados, bem dispostas.   Foi algo bem criativo. E isso me remeteu a  menções sobre o badalado livro "50 tons de cinza", do E.L. James. O mesmo que escreveu "50 Tons de liberdade" e "50 tons mais escuros. Senti que ela não fechou muito com a ideia trazida pelo livro, um best-seller... Foi mais criativa, teve imaginação. Não me digam que a geração jovem não é bem criativa, que não tem ideias. Podem não pensar como os mais "adiantados na idade", mas têm seu potencial.

             Na família, o volume "grey" andou na mão da turma da "ala girl" e não senti aprovação. Uma das leitoras aqui de casa me disse que foi até um tanto, menos de metade dele,  e que há muita coisa melhor para ser lida, de autores menos badalados e que nos dão entretenimento melhor. E, como ela lê todos os dias, dezenas e dezenas deles por ano, acatei sua opinião. Como sempre gostei de ser diferente dos outros, na idade adulta  optei por ler livros de consistência, mesmo que simples, de autores pouco conhecidos. Diversos de autores que me dão o prazer  de sua amizade e os tenho autografados.  Aliás, emprestei para alguém o da Dona Holga Brancher e não voltou pra mim. (Por favor, quem estiver com ele me devolva, que quero ler mais uma vez...). Então não pretendo ler o badalado livro do E.L. James. Mas, no futuro, quem sabe, depois que a onda passar.

              De comum com o "50 tons de cinza"  tenho a gravata da capa. No guarda-roupas, aqui atrás, está uma que comprei no Floripa Shopping há pouco tempo, na mesma cor, no mesmo ton, um cinza/chumbo metalizado, com linha em negro. Acho até que já usei uma vez, não lembro quando. Mas só isso!

             Busquei na internet para sentir o que os leitores diziam a respeito. Carlos Rodrigo é um cidadão que escreve e também compartilha resenhas de livros na rede. Faz uma crítica ao livro e diz que é perda de tempo ler. Alguns de seus  seguidores concordam com ele, os masculinos. Mas algumas  femininas, poucas, acham "o máximo".

              Até anotei o comentário de uma delas: " concordo com você pois, as pessoas só lê o 1º livro e fica falando do que não sabe. É melhor que leiam os outros e depois coloque sua opinião ai você não iram falar besteiras".  Bem, não sei se uma pessoa que se diz leitora e comete tantos erros de pontuação, concordância verbal, nominal e acentuação gráfica pode ser levada em conta. Parece-me que seja apenas mais uma das que lê para ter o que dizer nas rodas de amigos. Outras leitoras escreveram que não gostaram, que só menciona sexo e que, como romance é muito fraco. Até dizem que se for transformado em filme tem que ser pornô, não dá para fazer um romance porque resultaria vazio.

              Mas, voltando à nova amiga "do face", Gislaine, parabenizo pela apresentação de sua página inicial. Bem bolada, alegre, criativa. Postou sua foto pessoal em cinco belos tons coloridos. E, como sempre me diz a minha netinha Júlia: "Tive uma ideia". Escrevi esta crônica. E, do mesmo modo que dizem por aí: Amei!!!

    Euclides Riquetti
    03-06-2013

    A maciez de tuas mãos

    Quando toco a maciez de tuas mãos
    E enlaço teus dedos longos e finos
    Respiro fundo, são momentos divinos
    Em que minha alma chega ao teu coração.

    Quando  as sinto me fazendo carícias
    Me mantendo vivo, firme e atento
    Me deliciando em cada movimento
    Me perco em devaneios e delícias.

    Se  me tocas com tua leveza e magia
    Ou se me acenas de longe a me sorrir
    Teu gesto me anima e me contagia
    Me entusiasma pelo novo que há de vir.

    É bem assim: mãos de real divindade
    Realeza que me encanta e motiva
    Energia forte e altamente positiva
    Minha luz e norte, minha felicidade.

    Euclides Riquetti
    11-09-2015








    quinta-feira, 10 de setembro de 2015

    Terceiro e quarto cantos

                 Terceiro canto
    Sonhei contigo, sonhei , sonhei,  amei
    Sonhei  contigo, amei,  sonhei, sonhei
    Sonhei contigo, nas noites em que as estrelas adormeceram...
    E nas noites em que elas reviveram:
    Sonhei contigo, sonhei, amei, sonhei!...

                   Último canto
    Há uma cumplicidade entre nós dois
    Uma palavra que rima com felicidade
    Há uma pequena distância que não conta
    Porque depois, depois da saudade
    Vem sempre o reencontro, o amor de verdade

    Euclides Riquetti

    Primeiro e segundo cantos

               Primeiro canto
    Preciso roubar um beijo teu
    Por isso eu quero estar perto de ti
    Quero que tu sintas o beijo meu
    Quero te sentir, sentir, sentir...

                 Segundo canto
    Beijar-te-ei com ardor, eternamente
    Perder-me-ei  em ti,  perdidamente
    E em ti me inspirarei para compor
    Por ti exaltarei o meu amor
    Para  ti escreverei por hoje e sempre...
     
    Euclides Riqueetti

    Décima Oitava Crônica do Antigamente

    Décima Oitava Crônica do Antigamente
              Já me referi, anteriormente, aos périplos de meu pai, Guerino, no final da  década de 30 e início da de 40 do Século Passado, em São Paulo, depois de ter fugido do Seminário São Camilo, onde era noviço e cursava Filosofia, já usando batina.

              Bem, como relatei, um mascate português prometeu-lhe que, se reunisse algum dinheiro, o traria de volta a Santa Catarina, ao Distrito de Ouro, em Linha Bonita, onde seus pais deveriam estar residindo. Conseguido o dinheiro para a viagem, vieram de trem, pela Rede Viação Paraná Santa Catarina, atravessaram o Rio do Peixe em balsa existente na Estação Avaí, 10 Km ao Sul da Estação  Rio Capinzal. Foram a pé, carregando suas malas, retangulares, duas para cada um. Atravessaram o Passo do Rio do Peixe, passando pelas propriedades dos Teixeira Andrade, de Victório Baretta (que mais tarde se tornou meu avô), Serafim Baretta, Ambrósio Baretta, Francisco Zanini, Constantino Bressan, Abramo Colombo, Joaquim Casara, Angelim Baretta, Elias Baretta e, finalmente chegaram à de Frederico Richetti, seu pai, depois  meu avô paterno. As pessoas olhavam curiosas para aquele mascate e o rapaz, que parecia conhecido, um moço de olhos castanhos esverdeados, magro, alto, de caminhar firme, gestos elegantes. Algumas informações buscadas com pessoas que encontrava, das quais nem mais lembrava direito, e os locais não se atreviam a perguntar-lhe quem era, embora imaginassem ser  Guerino, o seminarista.

              E então, 11 anos depois de ter saído de casa, chegam ao portão da propriedade cercada de taipas capichosamente feitas com pedras irregulares manualmente assentadas e alinhadas, que seguiam pelo plano próximo ao riacho e se estendiam morro acima, perdendo-se por entre as árvores verdes de um capão ao alto, onde os animais costumavam franquear-se, fazendo inveja aos mortais que tinham que trabalhar de sol a sol. O portão de madeiras falquejadas, com ferragens malhadas numa  ferraria colonial da Coxilha Seca, foi transposto com expectativa, com os olhos do jovem buscando descobrir algum familiar, possivelmente Dona Genoveva Píccolli Richetti, a mãe. Após uns 150 metros caminhados,  foi possível visualizar sua mãe, magra, rosto  sofrido, olhos fundos, meigos,  lenço amarrado na cabeça, protegendo os cabelos castanhos. Foi de muita  emoção o encontro dos dois: o abraço, as lágrimas de alegria, " l´era lo figlio perduto que a casa ritorneva". Alegria incontida,  a "corneta" berrando para atrair para casa o pai e os irmãos que estavam na roça, os gritos de alegria ecoando pelo vale e chamando a atenção da vizinhança.

              A "Mama Genoeffa", que era a pronúncia italiana para Genoveva, mal pode acreditar que o filho  retornara, pois quando este  figiu do seminário e dele não mais teve notícias, julgava que estivesse ido para a Itália, na Força Expedicionária Brasileira, e que lá tivesse perecido. Uma vez lera uma reportagem  n´O Correio Riograndense, jornal que ainda hoje circula no meio rural, editado em Caxias do Sul, sobre um "figlio perduto", em que uma  mãe chorava sua perda na Guerra. Ela pensara que o mesmo havia se sucedido com seu Guerino.

              Foi uma semana de festa na propriedade, lá onde hoje mora o primo Nelson Baretta, irmão do Chascove. Ninguém trabalhou naqueles dias, apenas tiravam o leite das vacas e alimentavam os animais. Abateram-se porcos, ovelhas e até bois. A comunidade foi convidada a festejar a volta do filho. Muito vinho e muita gasosa. Dizem que por lá esteve uma filha do Victório Baretta, comerciante, de olhos bem verdes, bonita, dois anos mais jovem do que ele, e que foi "amor à primeira vista". Foi, sim, minha mãe, Dorvalina, casou-se com ele um ano depois, e tiveram seis filhos, sendo eu o segundo deles. Ah, posso parodiar um renomado escritor e dizer: "fui fruto de uma marretada  que um  noviço deu no dedão do pé de um colega de seminário"...  Ainda bem!

    Euclides Riquetti
    19-06-2012

    quarta-feira, 9 de setembro de 2015

    Pensa em mim...


    Pensa em mim, que eu pensarei em ti
    Escuta minha voz, que escutarei a tua
    Reza por mim, que eu rezarei por ti
    E te ouvirei ao sol e te ouvirei à lua...

    Pensa em mim, vê os versos que te escrevo
    Sente  meus poemas como eu sinto os teus
    Quando penso em ti, me empolgo e me atrevo
    A querer te levar todos os beijos meus.

    Pensa em mim, com toda a força do teu sentimento
    Abre teu coração em toda a tua singeleza
    Que eu penso em ti, com a força de meu pensamento.

    Pensa em mim, com toda a tua energia
    E eu te direi, com todo o carinho e sutileza
    Que eu te amo em todas as horas de meu dia.

    Euclides Riquetti

    Para as mulheres

    Escrevi isso uma vez, há 3 anos. Li e eu mesmo gostei!
                 "A mulher foi concebida naturalmente tão perfeita, que se fosse uma árvore e perdesse as flores ainda continuaria charmosa; se perdesse as folhas,  tornar-se-ia  um corpo sublime; se perdesse os galhos, permanceria sendo mulher; se lhe tomassem as raízes, restaria como um anjo, divina,  flutuante, elegante, frágil mas  forte,  exalando  amor e esperando respostas. Almas não se destroem: recompõem imagens, corpos, seres. Mulheres serão sempre perfeitas. Mulheres serão sempre mulheres, acima de tudo. E de todos!"

    Minha homenagem a você, mulher!

    Euclides Riquetti

    Geração Jovem Guarda

    Relembrando...   
           
       No início da década  de  60, o então jovem município de Capinzal, no Baixo Vale do Rio do Peixe, era composto também pelos territórios de seus distritos de Ouro, Dois Irmãos e Barra Fria. Em 1963, no dia 23 de janeiro, Ouro emancipou-se de Capinzal, abrangendo em seu território os outros dois distritos.  No mesmo ano, no dia 11 de novembro, concedeu emancipação aos mesmos, que se tornaram, respectivamente, Dois Irmãos e Lacerdópolis, sendo que o primeiro, adiante, passou a chamar-se Presidente Castelo Branco.

              Naquela metade da década, logo após esses acontecimentos políticos, surgia no Brasil  a Jovem Guarda, começando a aparecer  no cenário musical Roberto Carlos (o "Brasamora"),  Erasmo Carlos ( o "Tremendão") , Vanderléa ( a "Ternurinha"), Vanderley Cardoso (o "Bom Rapaz"),  Jerry Adriani (o "Coração de Cristal"), e Martinha, como principais expressões. Havia o Agnaldo  Rayol (o "Rei da Voz"), o Agnaldo Timóteo, que fazia sucesso com "Meu Grito", o Caetano Veloso, que adiante saiu-se bem com "Alegria, Alegria",  o Chico Buarque, com "A Banda", e o Ronie Von (o "Pequeno Príncipe"), com "A Praça". O Sérgio Reis, também da mesma geração, projetava-se com "Coração de Papel". Depois, virou cantor sertanejo. Havia outros, os preferidos pelos adultos, que nós, teenagers, chamávamos de "Velha Guarda".

             A Juventude e os teens curtiam muito as feras daquela hora, deixávamos os cabelos bem compridos, usávamos calças "boca-de-sino", uma camisas xadrez, de gola bem alta. As mulheres usavam "bomlon", arrumavam os cabelos à La Doris Day, e a charmosa Leila Diniz saiu para a praia grávida usando biquini, uma afronta aos costumes da época. Ah, leitor (a), tu deves ter sabido de todos esses acontecimentos, ou tomastes conhecimento deles algum dia. Foi uma época marcante de minha vida e da maioria de meus amigos.

              Pois bem, naquela época, o Colégio Mater Dolorum apresentava o seu novo e imponente prédio. Nós estudávamos lá, a sua quadra de esportes era um terrão com pedras, onde se jogava caçador e vôlei. Lembro bem que o colega Milvo Ceigol, irmão do Neivo, perdeu parte de seus dedos numa serra elétrica, na Marcenaria de seu tio Orestes Albino Fávero e, com os dedos cheios de mercúrio, gaze e esparadrapo, teimava em ser escalado para jogar vôlei. Depois, havia uma mesa de pingue-pongue, onde estrelavam a Vênus Siviero, a Marlene de Lima, a Ana Shiley Bragatto (agora Fávero, que quando perdia uma jogada esboçaba um sorrisinho delicado e afastava-se suavemente da mesa). Havia uma interna, a Rita, que era muito bonita, e que o pai a visitava de vez em quando, com um jipão. Os alunos de primário usavam calça de cor cáqui e camisa azul, as meninas saia e blusa dessas cores.  As alunas do Normal usavam saias bordô e camisas marfim. No Padre Anchieta, estudavam somente rapazes, camisa branca e calça azul. E a onda, na época, erta ouvier "iê, iê, iê". No ginasial, os rapazes no Anchieta e da garotas no Mater. É, não podia misturar menino com menina. E, no primário, quando alguém fazia bagunça, a primeira pena era ser colocado a sentar-se ao lado de uma menina.(Que humilhação, que vergonha...). E, os casos mais graves, eram levados para terem seu nome registrado no "Livro Negro" (Que medo!...). E diziam que os mais "fortes e disciplinados", iriam assinar o "Livro de Ouro". Nunca vi nem um nem outro, mas acho que existiam, não sei se sob as chaves da Irmã Marinela, da Irmã Fermina, da Irmã Terezinha. Esta, diziam que iriam dirigir a caçamba Ford, amarela, comprada para o transporte do material da construção do novo prédio. Mas o motorista acabou sendo, mesmo, o Lóide Viecelli.

              Enfim, nós, que vivemos e nos encantamos com nossos ídolos da época, também fizemos parte da história de nossas escolas, de nossas cidades. E, agora, espalhados pelo Brasil, vemos a geração que nos sucedeu buscando espaços também em outros países. Cada um vai fazer sua história onde acha que deve fazer. O mundo mudou mais do que podíamos imaginar. Mas as tecnologias permitem que nos aproximemos.

              É impossível esquecer de uma época tão boa de minha vida. E, certamente, também tua, leitor (a)!

    Euclides Riquetti
    15-06-2012

    terça-feira, 8 de setembro de 2015

    Poetas e escritores - pessoas muito especiais

     Existem pessoas muito especiais
    São os  poetas e os escritores
    Que conseguem sentir muito mais
    Que gostam de gente e de flores
    De crianças delicadas
    E de senhoras abençoadas:
    Têm olhos no braços e nas mãos
    Têm a alma no coração!

    Poetas e escritores são assim:
    Fazem crônicas, contos e versos
    E poemas de amor sem fim.
    Legam-nos,  com generosidade
    Para os seres mais diversos
    De toda uma sociedade.
    Poetas vendem a ilusão
    Escritores navegam... na imensidão!

     O que seria do mundo se não houvesse
    Que contasse as histórias
    Quem não avivasse as memória
    Que a lembrança fortalece?
    O que seria se o papel ficasse apenas branco
    Sem palavras, sem tinta, sem grafite
    Sem o escrito muito franco
    Que a beleza nos transmite.

    Ora, escritores e poetas
    Poetas e escritores
    Sonhadores ou profetas
    Profetas ou sonhadores
    Nosso mundo precisa deles
    Pois, o que seria sem eles
    Que, na noite serena e calma
    Alimentam nossa alma?

    Euclides Riquetti

    A paixão que entorpece

    A paixão que entorpece
    É aquela que inebria
    O amor que incandesce
    É aquele que delicia...

    A volúpia que atiça
    É aquela que entusiasma
    Mas como areia movediça
    Engole o que não se acalma...

    O sangue que corre quente
    É aquele que enrubesce o rosto
    A saudade do amor ausente
    Faz padecer a alma e o corpo...

    A vida mundana
    É aquela que embriaga
    A atitude profana
    Nos expõe e nos deprava...

    O pecado cometido
    É o que nos faz pedir perdão
    O beijo proibido
    Vale mais que um  milhão.

    O teu olhar fatal
    É aquele que me atrai
    Tua beleza descomunal
    É o que em ti mais me atrai...

    O canto que enternece
    É aquele que gosto de ouvir
    A harmonia de cada prece
    Me faz te querer, te sentir.

    A distância abissal
    É aquela que nos traz mais saudade
    Nos mostra o sentimento real
    Nos aproxima da realidade!

    E minha realidade´
    Posso dizer, nada me afeta
    A não ser uma grande verdade:
    Tenho alma de poeta!

    Euclides Riquetti
    08-09-2015





    Nosso Sete de Setembro - memoráveis lembranças


              Fui dar uma olhadinha no desfile cívico do Dia da Independência em Joaçaba. E acompanhei os acontecimentos na região e o País pela internet e TV. Em Joaçaba, um belíssimo desfile pela XV de Novembro, com as pessoas que fazem parte das entidades locais se apresentando, com garbo, perante o palanque oficial, onde estavam as autoridades: Prefeito, Vice, Vereadores, representantes das instituições militares. 

              Na oportunidade, reencontrei o amigo Elói Corrêa, nosso conterrâneo. Estava lá, som a marquise de uma loja, olhando a beleza das alas que passavam. Abordei-o: "Então, Elói, matando saudades?" - senti que esse sentimento estava presente e bem forte no coração do amigo. Havia uma jovem ao lado dele, também contemplativa. Falei: "O Elói sabe tudo de desfiles. Foi maestro de fanfarras em Capinzal e Ouro durante toda a vida". E começamos a relembrar. A gentil senhora, professora de música, também falou, saudosamente, do tempo em que os desfiles por aqui eram bem maiores, com muitas fanfarras e bandas. Hoje, apenas duas restando...

              O Elói, (a exemplo do Edgar), foram muito importantes para minha cidade natal. Tinham no sangue o amor pela causa: as fanfarras executando os ritmos apuradamente, com belíssimas coreografias. Lembramos dos filhos: O Ed Wilson e o Elanderson, que herdaram dele o dom de organizar grandes e exitosas fanfarras. A Michele, uma verdadeira "borrachinha", entortava o corpo com habilidade e colocava as pernas atrás do pescoço. A Carol tocava pratos e bumbo....

              Na adolescência, aos 11 anos, eu tocava na banda do Mater Dolorum. Nos ensaios, ia com o  Pedro Perotto dar ritmo aos ensaios durante as aulas. No Sete de Setembro e nos dias que o antecediam, memoráveis jornadas com ensaios. Bons tempos!

              O irmão do Elói, o Mídio, de nome Sérgio, também se constituiu num maestro de fanfarras, atuando em Capinzal, Ouro (e, recentemente, no Distrito de Barro Preto). Quem tem isso no sangue, não esquece nunca. Por isso mesmo, quero aqui homenagear a família Corrêa pelos bons serviços prestados ao civismo e à cultura. Também ressaltar a importância do Elói para com nossa Paróquia de São Paulo Apóstolo, onde ele e os familiares participaram, por muitos anos, de nossos grandes eventos, principalmente da organização da sua festa. E no Vasco da Gama e no Arabutã, tendo sido vitorioso presidente deste, além de exímio lateral direito.

               Mas, voltando ao desfile cívico, tive informações ( e vi as fotos na internet), sobre o acontecido em Capinzal: uma verdadeira maravilha. Uma estupenda diversificação cultural, o enaltecimento aos diversos estados brasileiros, às entidades representativas da sociedade e empresarial, um verdadeiro espetáculo cívico. Que não morra o civismo...

               Nossa Pátria merece nosso respeito, mesmo que haja quem a maltrate. As pessoas passam, mas a história registra o bem feito e o mal feito. Tenho orgulho de ser brasileiro. Faço minha parte, procuro registrar, para a história, os feitos das pessoas simples, que deram algo, de graça, pelas cidades.

    Parabéns, brasileiros!

    Euclides Riquetti