Não posso deixar de homenagear o amigo Lico, com quem convivemos longo tempo lá no estádio do Arabutã - FC, em Ouro, com quem joguei no Master do mesmo. E meu ídolo Geraldo Vandré...
Lico, nos áureos tempos do CR Flamengo, início dos anos 80.
Flamengo, Campeão Mundial em 1981. O Lico é o último na fileira dos agachados, depois de seu colega e compadre Zico.
Lico com sua bela família: Ele, as filhas e a esposa. A Mônica (foi colega de minhas filhas Michele e Caroline, no Mater Dolorum, em Capinzal - SC,) a Mariana e a Marina. A esposa, Simone, me substituiu em minha licença na Escola Prefeito Sílvio Santos em Ouro, como professora de Inglês, quando me arrebentei jogando futebol.

O Doutor Geraldo Pedroso de Araújo Dias é advogado e nasceu na
Capital da Paraíba, João Pessoa, em 12 de setembro de 1935, tempos de
Getúlio Vargas. Agora mora em São Paulo e costuma visitar Imbituba, em
Santa Catarina. Em Imbituba tenho um amigo, o Antônio Nunes, que fez o
seu Ensino Médio em Capinzal, minha terra natal. Ele recebeu seu
Certificado de Conclusão da amiga Noemia Banamigo Pizzamiglio, esposa do
Shirlon. Educadora por muitos anos e advogada. Atualmente é Diretora do
Campus na UNOESC em Capinzal. Joguei bola com ele nos Veteranos do
Arabutã. Era extremamente habilidoso. Também foi treinador de nosso time
principal, sagrando-se Campeão Estadual de Futebol Amador. É muito
respeitado em Capinzal e Ouro.
Em 1961 o Geraldo, filho do José Vandregísilo e da Dona Marta
foi para o Rio de Janeiro, onde cursou direito na UFRJ. Militou
politicamene na época, fazendo parte da UNE. Em 1968 cantou no III
Festival Internacional da Canção, no Maracanãzinho, ficando em segundo
lugar. Em primeiro, Cynara e Cybele, interpretando a composição de
Chico Buarque e Tom Jobim, com sua canção "Sabiá".
O Antônio Nunes, nessa época, iniciava-se no futebol.
Tornou-se jogador profissional, jogou no Grêmio de Porto Alegre,
Figueirense e Avaí de Florianópolis, e Joinville. Jogou no Flamengo, no
maior time da história daquele clube, junto com Zico, seu compadre,
ainda Adílio, Andrade, Tita, Raul, Leandro, Mozer, Marinho, Júnior,
Nunes, todos renomados futebolistas. Seu apelido: Lico! Dizem que na
história do rubronegro houve trës jogadores muito habilidosos: Dida,
Zico e Lico! Aos 31 anos, depois de sagrar-se Campeão Mundial pelo
Flamengo, arrebentou os ligamentos do joelho e teve que parar. Já havia
sido comunicado que ia ser convocado para a Selecäo Brasileira. Cirurgia
nos Estados Unidos e depois no Brasil. Aqui, fizeram barbeiragens com o
joelho dele e teve que parar. O sonho da seleção acabou...
O Geraldo pegou parte do nome do Seu pai, Vandregísilo, e tranformou-se em Geraldo Vandré
Sua canção, "Pra não dizer que não falei das flores", ficou em segundo
no Festival de 68, e teve parte de sua letra censurada pelo regime
militar. Exilou-se em 1968 no Chile e depois na Alemanha e na França, só
retornando ao Brasil em 1973. Estamos comemorando os 40 anos de sua
volta...
Em 2010, numa entrevista que concedeu, falou que os danos que
vêm sendo praticados contra a cultura brasileira são maiores do que os
causados pela ditadura militar .Concordo com ele. O Dr. Geraldo, que
preferiu advogar do que continuar cantando, não foi um daqueles artistas
com limitado talento e que são produzidos pela mídia eletrônica. Sua
canção permanece, 45 anos depois, firme na mente, na alma e no coração
dos brasileiros. A letra e a suavidade de sua canção se harmonizam com
os dribles que o Lico dava em seus marcadores no Maracanã, quando a
bola era regida pelos seus pés mágicos.
Fico emocionado ao lembrar-me dos grandes festivais
brasileiros, que resistiram à época o endurecimento e sucumbiram na da
democracia. Deus salve e abençõe o maestro da canção e o maestro da
bola. Dois brasileiros humildes a quem quero render minha homenagem:
Geraldo Pedroso de Araújo Dias e Antônio Nunes, pelo muito que fizeram
por nós, cada um em seu campo de atuação...
Dois ídolos. Não dois fantoches produzidos pela mídia. Dois homens que
fizeram sua parte pelo seu talento, seu esforço. Duas pessoas honestas.
Pessoas a quem quero reverenciar...
"Caminhando, cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas,campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção...
Vem, vamos embora, que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora, não espera acontecer."
Euclides Riquetti
18-07-2013