sábado, 14 de julho de 2018

O Voo da Garça


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A garça voa o voo leve da alma
Voa a garça
Voa como a branca pluma, com graça
Voa a garça.

E no voo breve, voa lenta, calma
Voa com toda a graça a garça.

Voa o infinito, voa por instinto
Voa sobre o monte a a garça...
E pousa na torre da igreja
Ou na árvore da praça
Voa a pousa a garça.

E seu voo atrai o disperso
O menino, o esperto
O velhino, o passante
E voa de novo a garça.

Vai, seguindo os trilhos dos raios de sol
Cortando o azul, a garça.

E pousa suavemente sobre a nuvem
Uma nuvem feita branco lençol...
E descansa outra vez a garça!



(A garça povoa os meus sonhos, orienta minha vida.
A garça é meu ser, é você, sou eu...
A garça é meu norte seguro, é minha inspiração...
É minha emoção transmitida no papel...)


Euclides Riquetti

Além de ti há o mar...


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Além de ti há o mar
Uma imensidão azul que te desafia
Um sol que te agride com ousadia
E que tu não o podes enfrentar.

Além de ti há o mar
Majestoso, atrevido e valente
Misterioso, voraz e imponente
E  que tu não o podes dobrar.

Além de ti há o mar
Cujas águas voláteis te cortejam
Como meus olhos que te devoram e desejam
E que te quer para te embalar.

O mar, apenas o mar...
O mar de milhões de anos
Que lava teus medos e teus enganos
E que alimenta teu sonhar.

O mar, simplesmente um mar
A te fazer pensar
A sentir saudades
De eu querer te amar...

Apenas te amar!

Euclides Riquetti

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Do outro lado do universo

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Me vale sentir que você sorri
Do outro lado do universo
O sorriso que eu posso sentir
Quando me perco nos versos.

No universo de um  romance
Apenas um distância a limitar
Pois  não há o que não alcance
O sonho que nos faz sonhar...

Por sobre pedras e arvoredos
Voa distante a  imaginação 
Vai libertar-se daqueles medos
Que afligem o meu coração...

Me vale sentir que você sorri
Do outro lado do universo
É aquele sorriso que eu senti
Quando lhe fiz estes versos!

Euclides Riquetti
28-03-2016

Amar-te


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Amar, te amei incessantemente
Querer, te quis perdidamente
E, se meus olhos se fecharem de repente
Ter-te-ei amado infinitamente
Eternamente
Para sempre!

Euclides Riquetti

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Faltam poucos dias


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Faltam poucos dias pra eu pisar
As macias e claras areias
E sentir as águas do mar
Da adorável Canasvieiras.


Ali onde eu me sinto bem
Ali onde tudo é encantador
E você se sente feliz também
Onde o sol tem belo esplendor.

É bom poder andar e  rever
As pedras grandes e o trapiche
Os perfumes exalados sorver
E tudo o que ali existe...

Ali, onde o sol vem do Leste
Nas manhãs de todas as estações
E vai para o grande Oeste
Para aquecer corações.

Faltam poucos dias para eu andar
Sob voos de gaivotas e garças
Em meio a pessoas dispersas
Em meio a almas esparsas!

Faltam poucos dias...

Euclides Riquetti
12-07-2018









O livre sonhar


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O livre sonhar conduz a mão do poeta
Para, com as palavras certas
Descrever o mar...

E, de forma dileta
Dizer para o oceano
Que mesmo o coração profano
Tem todo o direito de sonhar!

O livre sonhar induz o pensamento à liberdade
Ao voo sobre vilas e cidades
Para que chegue ao seu destino.

E o poeta, em seus versos divinos
Afaga o íntimo da beldade
Que espera pelo seu amado
Pra ter seus dramas amenizados.

Então, o voo livre do sonho do poeta
Em seus sonetos alexandrinos
Ou nas suas  redondilhas prediletas
Vai reabrindo caminhos já esquecidos:

Os que o levam até você, amor!

Euclides Riquetti

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Palavras

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Palavras existem para serem ditas
Não para se desproverem de significado
Por isso precisam ser lidas e escritas
Para que os pensamentos fiquem marcados.

Palavras são a essência de meus escritos
Por isso as escolho com cuidado
Para tentar escrever poemas bonitos
Que sejam para teu prazer e agrado.

Palavras registram os acontecimentos
Alegrias, vitórias e comemorações
Então, as cultivo como preciosos elementos
Mesmo nos infortúnios e decepções.

Palavras, coleções delas nos glossários
Em diversas grafias e muitos idiomas
Nos papéis jogados, em livros nos armários
Nos vidros de perfume identificam os aromas.

Palavras, com elas escrevo meus versos
Descrevo meus êxitos e as frustrações
Com elas grito "te amo" para todo o  universo
Extravaso as alegrias e minhas paixões.

(Bem assim!)

Euclides Riquetti
11-07-2018








terça-feira, 10 de julho de 2018

As flores de que tu cuidas

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As flores de que tu cuidas com tanto zelo
Estão impregnadas de teu perfume suave
As mãos com que as cultivas com esmero
Enfeitam a tua casa nas manhãs e tardes.

As flores de que cuidas com tanto carinho
Desafiam a cortina branca que ali balança
Mas se têm pétalas, também têm espinhos
Nem por isso me ferem, me desencantam.

As flores que tu admiras, que eu contemplo
Me trazem as ternas lembranças do passado
De valsas e boleros, de calmaria, de vento...

Queria ser como elas, merecer tua atenção
Voar pelo universo em meu coração alado
Voar sorrindo, feliz, por toda a imensidão!

Euclides Riquetti
09-07-2018





Na lentidão dos sonhos...

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Na lentidão de meus sonhos, na noite desvalida
Os anjos tocam seus clarinetes, harmoniosamente
Querem acordar-me,  suavemente
Querem apenas  dar-me de presente
Uma  noite já protegida.

Meu sonhos se portam bravamente!
Não é uma bravura com espadas
Nem com revólveres e coronhadas.
Não é um agredir minha agressora
Nem um reagir diante de uma mulher... sedutora!
É apenas um deixar-me levar por ela... mansamente!

Enquanto os cavalos da noite trotam seus galopes
Flechas encupidadas singram os ares embebidas
Para estraçalhar corações de mulheres ofendidas!
Ah, como sofrem aquelas que amam
E não são correspondidas!

E enquanto os sonhos vagam entre medos e coragens
Vão-se fortalecendo as almas que pedem passagem
Que querem se encontrar.
Para  singelos e delicados afagos
Trocarem beijos delicados
E apenas ... querer, desejar.... amar!!
Apenas isso...

Euclides Riquetti

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Quero que tu inales meu perfume

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Quero que inales bem o meu perfume
Quero que me abraces com abraço forte
Que gostes de borboletas e de vagalumes
E que em momentos tristes me conforte.

Quero que te encantes com o que digo
Que gostes dos versos que eu escrevo
Que te sintas bem ao estares comigo
E vivermos o romance mais longevo.

Quero que tu entendas as palavras ditas
E que descrevas com elas teus anseios
Forme as frases românticas e bonitas
Estrofes completas e poemas inteiros.

Enfim, que meu perfume te contagie
Como me contagia a força de teu abraço
Que Deus nos abençoe, proteja e guie
Que prenda um ao outro com Seu laço.

Euclides Riquetti
08-07-2018





Traz-me a voz do vento o teu sorriso



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Traz-me a voz do vento o teu sorriso
De que eu preciso!
Traz-me teu rosto sorridente
Que perpassa portas, janelas, jardins
E que chega até a mim
Em  teu perfume envolvente.

Traz-me o barulho do vento o teu ninar
O teu sonho
O teu semblante risonho
Que vem me acalmar!

Traz-me o vento tuas palavras doces
Dizendo-me que fostes
Andar ao mar.

E  o sol te deixou mais morena
Com teus cabelos cacheados
E teus ombros bronzeados
Uma  mulher bonita, dócil, serena!

Traz-me  a voz do vento o teu sorriso
E é meu destino
Te esperar!

Euclides Riquetti

domingo, 8 de julho de 2018

O Parque Central de Joaçaba

Minha coluna no Jornal Cidadela, em
06-07-2018:

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Parque Central de Joaçaba - bom para a cidade,
mas com muito concreto e pouca vegetação!

       Por analogia, entende-se que o termo veio por apropriação do “Central Park”, de Nova York, e foi construído numa área bem próxima ao centro de Joaçaba, onde, antes se situavam o Estádio Municipal Oscar Rodrigues da Nova, o Ginásio de Esportes Governador Ivo Silveira e o Tiro de Guerra, três composições que marcaram, grandemente, a história de Joaçaba.

       O projeto é bom para a cidade, tanto é que está com boa frequência de Público. As gerações que, como eu, sentem saudades dos equipamentos que ali existiam, vão continuar com saudades por muito tempo. Mas virão nossos sucessores e teremos bom uso do parque, que recebeu o nome, merecidamente, do ilustre Ivan Oreste Bonatto.

       Mas, há algumas considerações que não posso deixar de expor aqui:

  1. A cidade não recebeu outro estádio comportando campo de futebol em troca. E o futebol, uma forte paixão dos joaçabenses,  foi sepultado, aqui, junto com a desativação, primeiro do JAC, e depois do estádio;
  2. O ginásio não foi ainda substituído, devidamente, por outro equivalente. O do bairro Santa Tereza será bem melhor do que o que foi demolido, mas ainda não foi entregue à população e o público que o frequentar não terá espaços, nas imediações, para estacionamento de seus veículos. Assim, terá que ser definido como um ginásio “do Bairro Santa Tereza” e não “de Joaçaba”. O bairro o merece.
  3. O Tiro de Guerra foi o que teve melhor destinação. Está localizado no Bairro Clara Adélia, ocupando uma edificação de escola que foi ali desativada, com boas instalações. Sou muito a favor de que os equipamentos públicos sejam retirados da área central e colocados nos bairros. (Herval d´Oeste, por exemplo, perdeu a oportunidade de ter o prédio de sua Prefeitura transferido para um bairro, levando desenvolvimento a uma nova área da cidade, deixando o imóvel atual para a instalação do Fórum de sua Comarca, numa negociação vantajosa para ambas as partes).

       Com relação ao Parque, há algumas observações a serem feitas: Para a quantidade de material produzido a partir de cimento, ferro e pedras, não houve a implantação proporcional de vegetação. Ainda na época da implantação, sugeri às autoridades que fossem plantando árvores, o que aconteceu somente na fase final de execução do projeto. E, no barranco que sustentava arquibancadas, ainda não foi oferecida a necessária cobertura vegetal, com plantio de árvores e gramados.

       É certo que, quando o verão chegar, e as pessoas estiverem usando muito o local, o calor será insuportável ali. Então, imagino que, onde puderem ser plantadas mais árvores, o momento é agora, no inverno. Miremo-nos na Praça central de Campos Novos, ou na Área de Lazer Dr. Arnaldo Favorito, de Capinzal, e copiemos o bom exemplo de lá!

       De qualquer forma, o Parque central é um bem muito útil para nós e é possível que, ali caminhando, além de necessário e deleitante exercício físico e mental, possamos encontrar muitos amigos.

Euclides Riquetti – Escritor – Membro da ALB/SC

Deixe minha poesia beijar seus lábios

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Deixe minha poesia beijar seus lábios
Levemente rosados
Habilmente delineados
Desejados...

Deixe minha poesia massagear seu corpo
Graciosamente esculpido
Elegantemente definido
Esculturado...

Deixe minha poesia afagar sua alma
Divinamente branca, clara
Simplesmente única, simples, rara
Jamais ignara...

Lábios, corpo, alma, paixão
O grande conjunto de minha inspiração
Objetos do querer e do desejar
Enquanto lembro de você... e escuto o mar!

Euclides Riquetti
08-07-2018















sábado, 7 de julho de 2018

Enchente de 1983 - 35 anos!

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Rua XV de Novembro - Capinzal

SC - foto Rádio Capinzal




           Quantos anos tinhas no dia 7 de julho de 1983?  Então, se eras jovem ou criança, deves ter ficado com marcas em sua alma  que jamais serão esquecidas. Quem viveu as incertezas climáticas daquele início de inverno, sabe por quantas situações de anormalidade os moradores do Vale do Rio do Peixe passaram. E o mesmo ocorreu com os do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, e os do Rio Iguaçu, na divisa entre os estados de Santa Catarina e Paraná, onde o volume de águas esteve acima dos parâmetros até então conhecidos.

          Ouro e Capinzal compõem meu cenário daquele tempo, quando eu morava em Ouro e tinha duas filhas, gêmeas, com 4 anos, Michele e Caroline. Eu era professor, atuava na Escola Sílvio Santos, e era possível perceber, já há um mês antes, que as chuvas torrenciais que caíram em junho prenunciavam novas chuvas e enchentes. Os dias alternavam-se quentes ou frios. Nos dias quentes, já era de se imaginar temporais, as águas do Rio do Peixe com elevação de seu nível normal. Na parte aos fundos da escola, as águas da chuva formavam um lago, cobrindo o pátio todas as vezes que chovia. Reclamavam que a drenagem era insuficiente, mas a cada nova chuva mais água vinha do "Morro dos Padres", e as valas e tubulações não davam conta de escoá-las. A Festa Junina, de Santo Antônio, ficou prejudicada. E, no dia 7 de julho, cedo as aulas foram suspensas, os alunos deveriam ir para suas casas, pois o rio já saía de sua caixa, os riachos da área rural estavam transbordando, e os alunos precisariam retornar para as propriedades rurais, para não ficarem ilhados em algum lugar.

          Lembro que os caminhões das Prefeituras de Ouro e Capinzal começavam a retirar mudanças das casas ribeirinhas, pois havia um histórico de enchentes que precisava ser respeitado. Dez anos antes, na Grande Enchente do Rio Tubarão, o Rio do Peixe chegara a meio metro dos trilhos da ponte férrea sobre o Rio Capinzal. A preocupação das autoridades era pertinente. Naquele tempo,  nem se sabia da existência de órgãos de Defesa Civil. As pessoas norteavam-se pelas informações que ouviam na Rádio Capinzal e na Rádio Catarinense, esta de Joaçaba. O Aílton Viel narrava, o Jorginho Soldi reportava, e todos ficavam com os ouvidos ligados ao rádio para saberem notícias. Com os ventos que precederam a enchente, foram tombadas as torres repetidoras de TV, e o acesso às informações vinha, mesmo, pelo rádio.

         Ainda na parte da manhã, lembro que o Celito Matté liderava um grupo de pessoas para por sacos de areia nas portas dos fundos do Ginásio Municipal de Esportes (André Colombo), mas, isso foi em vão, pois logo as águas adentraram à quadra, destruindo o belo piso de madeira. Foram lá para o sexto degrau da arquibancada. Destruiu documentos que estavam na Secretaria do Ginásio, peças do Museu Professor Guerino Riquetti, que estavam alojadas som a Biblioteca Municipal Prefeito Ivo Luiz Bazzo.

          No meio da manhã, com a ajuda do primo Hélcio Riquetti, retiramos a mudança da colega professora Elzira, levando para o andar de cima da casa da mãe dela. O fogão a lenha, pesado, deixamos no andar de cima do sobradinho de seu irmão Kiko, que à tardinha  também foi alcançado pelas violentas e barrentas águas do Rio do Peixe.   E os caminhões se alinhavam na Felip Schmidt e Jorge Lacerda para carregar os estoques das casas comerciais e mudanças. Em Capinzal, ao anoitecer, as águas chegavam ao Depósito do Supermercado Barcella, ao do D´Agostini, às Casas Pernambucanas, Bradesco, Rodoviária, Fórum da Comarca, Hotel Beviláqua, cobriram a ponte Governador Jorge Lacerda,  também a ponte próxima ao Moinho Crivelatti e todas as outras possíveis passagens do Sul para o Norte do Centro de Capinzal, no rio do mesmo nome. A nova Central Telefônica, da Telesc,  que havia sido inaugurada poucos dias antes, foi invadida pelas águas. Eu havia comprado telefone e só tivemos o prazer de utilizá-lo por um, dia. Depois ficamos sem, por mais de um mês, apenas com um ramal improvisado, na Prefeitura de Capinzal,

          Quando entardecia,  as águas invadiram a Praça Pio XII, em Ouro. Retiramos a mudança do colega Jerônimo Santanna, com a pick-up do Luiz Toaldo. Depois fomos retirando a da casa do amigo Selvino Viganó. Lembro que do guarda-roupas de cerejeira, novo, fixo, só pudemos levar as portas. Logo depois, riui a primeira casa acima da Ponte Pênsil, em Ouro, onde funcionou a fábrica de ladrilhos do Iraci Toigo (antes anida fora do Armédio Pelegrini). E, ao mesmo tempo, 96 casas que se localizavam entre a estrada-de-ferro e o rio, em Capinzal, foram sendo derrubadas em série, pela violência das águas.

         O Agnaldo de Souza, Agente da Estação Férrea, marido de minha colega Professora Gracita, colocou a mudança na Estação, mas a água chegou lá também. Salvou apenas uns sacos com roupas, que ficaram sujas de óleo que vinha do norte, misturado às águas...

          No Parque e Jardim Ouro, 12 casas que se situavam na Rua Voluntários da Pátria, a Beira-rio, foram levadas pelas águas. A ponte próxima à Igreja de Caravággio no Rio Leãozinho, foi coberta pelas águas, bem como a SC 303, próximo ao Ramal Lovatel. Em Snata Bárbara o Lajeado dos Porcos cobriu-se pela enchente. Em Lacerdópolis a parte próxima ao Lajeado Nair foi a primeira a ser atingida, depois toda a área central da cidade.

          Já noite, as águas continuavam a subir, atingindo a Loja D ´Agostini, a Serraria da São José, no Campo,  a tipografia Capinzal, a ferraria do Luiz Segalin, a Funilaria do Santo Segalin,  a Comercial Maestri, o Bamerindus, o Bolão Ouro, a Auto Mecânica Ouro, a Prefeitura, o Posto de Saúde, enfim, dezenas de casas comerciais e centenas de residências.

          E ficamos sem energia elétrica, sem água potável, pois o ponto de captação do SIMAE foi totalmente destruído. Nos mercadinhos e armazéns foram vendidas todas as velas que dispunham em seus estoques. A gasolina acabou nos postos. Nos açougues faltava a carne. Alguns gêneros de primeira necessidade faltavam nas lojas. As farmácias haviam sido inundadas. A Rádio catarinense anunciava que  a ponte de concreto armado Emílio Baungart, que ligava Joaçaba a Herval D ´Oeste, fora destruída. E que o Rio Itajaí e o Iguaçu faziam horrores com os moradores de cidades como Rio do Sul, Blumenau, Itajaí e Porto União da Vitória. Nossa Ponte Pênsil também teve o madeiramento de suas cabeceiras arrancado dos cabos de aço de sustentação. Enfim, foi um Deus-nos-acuda!

          Mas sobrevivemos. Cada cidade buscou, de uma forma ou outra, recuperar-se, com ajuda do Governo federal e Estadual. Blumenau, para recuperar a autoestima, criou a Oktoberfest. Em União da VItória, criaram uma área ambiental nos pontos mais vulneráveis, acima da Ponte do Arco. Em Capinzal, o Prefeito Celso Farina obteve doação de casas de madeira que foram retiradas das obras da Usina de Itaipu, as quais eram utilizadas para alojar operários em sua construção,  e as  implantou na Cidade Alta, em São Cristóvao, e  criou a  Área de Lazer" (Arnaldo Favorito) ali onde antes havia 96 casas. Também aproveitou para remover as famílias que ocupavam áreas próximas à estrada-de-ferro, acima da ponte Irineu Bornhausen, levando-as para a Cidade Alta e arborizando o local. Em Ouro, o Prefeito Domingos Boff construiu casas nos altos do Parque e Jardim Ouro, onde agora se situa o Centro Comunitário do Bairro Alvorada. E projetou  um conjunto de casas da pela Cohab, que dei continuidade na condição de Prefeito, em 1989.

          Registros fotográficos de Jaime Baratto, Olávio Dambrós e de Nélito Colombo, dentre outros, mostram a gravidade da situação na época.

          Só de lembrar me dá vontade de chorar. Agora, 35 anos depois, parece que tudo aconteceu ontem.

Euclides Riquetti

Noa afã de te amar e de te querer


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No afã de te amar e de te querer
No afã de te querer e de te amar
Mergulho no propósito das escolhas
Entre te amar e te querer
Entre te  querer e te amar.

No afã de te louvar e te bendizer
No afã de te bendizer e de te louvar
Divido-me no propósito das escolhas
Pois flutuo entre te louvar e te bendizer
Como a uma deusa que eu quero ter.

E em meu afã na busca do te encontrar
Deparo-me com a imensidão colossal
Enquanto me sacio nas areias do mar
E me inspiro na natureza sem igual.

Porque meu amar é meu te querer
Porque meu querer é meu te amar.
Porque aqui é onde te quero ter
Porque aqui é teu lugar!

Apenas isso
Somente isso!

Euclides Riquetti