sábado, 29 de setembro de 2018

Gradação romântica






Janela quadrangular, vidro escuro
Roseiras, plantas, calçadas
E, o que haverá além do muro
Atrás da alva parede levantada?

Quem sabe um corpo desnudo
Ou um mistério indecifrável
Uma voz suave, um olhar mudo
Um coração frágil, ou inabalável?

Quem sabe uma rua bem rústica
Ou uma via ricamente pavimentada
Quem sabe uma celestial  acústica
Na mágica imensidão azulada?

Ou montes de concreto armado
Cimento, aço, madeiras e azulejos
Tudo simetricamente desenhado
Em que escondes sonhos e desejos.

Mas que, mesmo assim, ali vicejam
Plantas bem acarinhadas e vistosas
Que tuas mãos delicadamente regam
Com flores multicores e perfumosas!

Euclides Riquetti

A primeira rosa ... é você!

A primeira rosa de maio
 
 
 
 

        
A primeira rosa de maio rego com devoção:
Ela me traz a emoção dos encantos outonais
Com sua realeza e seus odores florais
Que embalsamam meu ardente coração.



A primeira rosa de maio poderia ser amarela
Ter a cor bordô, champanhe ou anilada
Mas ela floriu-se na cor rosa avermelhada
Sem perder sua condição de flor singela.






A primeira rosa de maio enfeita meu jardim
E se coroa como adorno sublime e natural
Esbanja seu charme matutino ou vesperal
E traz o perfume que se impregna em mim.




A primeira rosa de maio está te esperando
Para receber o carinho de tuas mãos graciosas
Para receber a suavidade das almas preciosas
Para colher a água com que a estejas regando.

Euclides Riquetti
05-05-2016
Rosa que fotografei no jardim
de minha casa em Joaçaba - SC
nesta manhã...

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Volte pelo mesmo caminho





Volte pelo mesmo caminho, mas volte
Ultrapasse os obstáculos e barreiras
Deixe que seu coração dengoso se solte
Que busque a sua realidade verdadeira...

Volte pelo caminho em meio às flores
Mesmo que no rude tapete de betume
Deixe-se invadir num mundo de cores
Feliz e  faceira como um vagalume...

Volte, e no seu caminho me reencontre
Onde quer que eu esteja me procure
Passe pelas estradas, passe pelas pontes
Que a trazem de volta vinda de alhures.

De Sul, de Norte, do ensolarado Leste
Venha mergulhar neste pequeno mundo
Ou, então,  me volte pelo lado do Leste
Venha para me dar o seu amor profundo.

De qualquer lugar, por qualquer estrada
Desde que volte porque quer voltar
Venha, sim, venha minha musa encantada
Para meus sonhos de novo embalar!

Euclides Riquetti



Uma canção para você


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Sempre que o sol doura este céu azulado
Traz-me lembranças dos nossos tempos
Marcas de saudades nos vêm do passado
Noites sonhadas, desenhos no firmamento.
Solidão indo embora, fica o amor sonhado
Ilusão em que navego a todo o momento.

Rezo pelo seu bem, sua alegria, felicidade
Adorável mulher, docemente encantadora
Perdição de min´ alma, desejo, saciedade
Catedral do amor, da paixão avassaladora
Alento do coração que sente sua saudade
Acalantos sonhados com você, sedutora!

Radiante, deita na areia o corpo desnudo
Alimenta meus sonhos com a voz macia
Leveza num rosto que ao longe procuro
Seio de amor, de sensualidade, de magia
Candura que provoca meu coração puro
Plana com graça num céu de harmonia.

Campos floridos a esperam calmamente
Exuberante como a ave mais silenciosa
Folhas flutuam e a saúdam alegremente
Olhar contagiante em mulher poderosa
Poesia há nos lábios rosados, contentes
Ternura transborda de sua aura ditosa!

Euclides Riquetti
28-09-2018











quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Corpos que se esculpem


 
 


Corpos que se esculpem e se queimam
Imersos nas brasas da paixão
Corpos que se jogam nas areias
Corpos que se estendem pelo chão...

Almas que se julgam e se penam
Imersas nos pecados, na ilusão
Almas que insurgidas se condenam
Almas enegrecidas de carvão...

Corpos que se vestem de vaidade
Belos, formosos, sedutores
Com almas que se esquivam da verdade
Belos, charmosos, pecadores...

Corpos que se deitam em falso chão
Almas que se atormentam na  razão
Vidas que navegam em  incertezas...
São corpos que envelhecem cedo,  cedo
São almas que levitam,  sem sossego
São vidas que flutuam nas correntezas.

(E se vão embora!...)

Euclides Riquetti

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

A música do vento...




A música do vento... embala meus sonhos
E me leva pra longe... me faz navegar
A música do vento... afaga meu rosto
E me transporta pra perto... pra perto do mar!

A música do vento me vem como uma canção
Que você cantava
Pra me animar
A música do vento acalma meu coração
Me faz pensar em você
E de novo sonhar

Adoro o vento que vem brando
Que sopra suavemente
Que vem me acariciando
Como se fossem suas mãos...

Adoro o vento soprando
Deliciosamente
E que vem acalentando
As minhas doces ilusões...

A música do vento é assim,  prazenteira
A música do vento me traz esperanças
De reencontrar a verdadeira
E a mais saudosa das lembranças.

A música do vento... me faz sonhar!

Euclides Riquetti

Não maltratem as rosas...






Não maltratem as rosas
Nem maltratem as flores
Cuidem bem das cheirosas
E das de todas as cores...

Não maltratem as rosas
Nem as pessoas de bem
Nem as mães caridosas
As daqui e as de além...

Cuidem para que não sofram
Não deixem que as pisem
Cuidem para que não morram
Nem que elas desanimem...

Rosas são deusas vegetais
De quem restarei devoto
Por quem rezarei demais
Com poemas meus próprios...

Cuidem bem de todas elas
Como aqueles que as cultivam
Também eu cuido delas
Pois quero que sobrevivam.

Sei que tu as cuidas direitinho
Dá-lhes água e muito adubo
Muito mais lhes dás carinho
E muito amor, sobretudo!

Também as amo como te amo
Também as quero como as queres
Dou-te uma rosa com ramo
Uma flor que muito venero...

Para ti...
Apenas para ti...
Bem assim...
Só assim:

Uma rosa com muito amor!

Euclides Riquetti
07-05-2016

terça-feira, 25 de setembro de 2018

No campo dos girassóis...






Procurei-te nas manhãs azuis de meu imaginário
Nas manhãs de ontem, de hoje e de amanhã
Procurei-te nas granas deliciosas da romã
Que têm o terno gosto de teus lábios...

Procurei-te por debaixo de teus tenros lençóis
Nos gramados, bosques e colinas
Procurei-te em todas as praças e avenidas
Mas só te encontrei no campo dos girassóis...

Procurei-te,  mulher do sorriso contagiante
Que alimenta meus sonhos e pecados
E te encontrei moça, mulher, amada e amante...

Encontrei-te, fonte de meus sonhos e desejos
Encontrei-te,  musa de meus versos declamados
Encontramo-nos, eu, os girassóis e nossos beijos.

Euclides Riquetti

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Na primeira tarde de primavera


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Na primeira tarde do primeiro dia de primavera
Não quero ser a nuvem escura que cobriu o sol
Na primeira tarde do primeiro dia de primavera
Não quero que coloque meu nome num crisol
Nem que espalhe nos ventos ou o jogue à  terra.

Não quero ser o vento frio que soprou debalde
Mas quero ser o por do sol, que enfeitou a praia
Que maravilhou os corpos e pincelou a tarde
Com cores quentes em matizes que me maravilharam.

Quero que você seja o sino que, de nota em nota
Alenta minha vida com seu toque soberano
E que com as mensagens que você  denota.
Torne meu mundo mais doce, muito mais humano.

E quero mais ainda que a tarde azul volte no mar
Onde as ondas e as espumas bordam os areais
Quero apenas reencontrar seu sorriso a me esperar
Quero apenas que me ame e não me deixe jamais!

Euclides Riquetti

Beijos com sabor de flores






Quero seus beijos com sabor de flores
De todos os matizes e todas as cores...
Com cheiro de rosas, com cheiro assanhado
E sobretudo com sabor de cravos...

Quero seu beijo na manhã dourada
Manhã azul, depois da madrugada
Com as carícias que vêm de suas mãos
Com os afagos pro meu coração...

Quero seu beijo que me extasia
Que me motiva pra  enfrentar o dia...
Com seu jeitinho de mulher brejeira
Com seu olhar de moça bem faceira...

Apenas quero seus beijos...
Todos eles...
Só pra mim...
Bem assim!

Euclides Riquetti

24-04-2016

domingo, 23 de setembro de 2018

Juntos de novo



Poema de minha caixinha de papelão, resgatado:



Um ano que passa é uma eternidade
Para quem sente saudades...
São meses e meses de sentida angústia
Quando uma dor profunda amarga, sutilmente, no meu coração.

São centenas de dias de separação
Em que lágrimas constantemente rolam no rosto de quem fica.
Então, imagine milhares de dias, dezenas de anos...

Um descaminho é sempre aparente
Quando a distância não se situa no pensamento
E serve para nos mostrar que temos sensibilidade
E que, mesmo longe, podemos estar ligados em todos os momentos.

Pois, quando se tem vontade de chorar, que se chore...
Quando se tem vontade de sorrir, que se sorria...
E, quando tivermos que nos alegrar, mostremos nossa alegria...
Pois o amor nunca  morre!

Há uma indizível saudade em nós
Há uma vontade de abraçar, de beijar...
E a esperança está sempre presente nos seres imortais.

Um  reencontro pode ser, sempre, adiável
Mas não é inconcebível
Nem inevitável!

Um dia, todos juntos, vamos  poder comemorar
Pois o amor verdadeiro, duradouro
Transcende a vida, é imorredouro,

E nós vamos, como num passe de mágica, ficar juntos de novo.

Euclides Riquetti
26-08-1998

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Bons e maus exemplos no cotidiano


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Prefeito Claudinei de Paula Castilhos, de Bituruna -
PR - Adriana Nhoatto  (Primeira Dama), Raquel
Dalmas,  (Vice Dama) e Rodrigo Marcante (Vice-
prefeito) protagonizando a Primeira Festa da Erva-
mate.


Em todos os setores da atividade humana, temos pessoas boas ou más, lúcidas ou sem noção das coisas, acomodadas ou engajadas. Algumas são ótimos exemplos, outras nos envergonham. Teriam que ter vergonha na cara, mão não têm. Um bom exemplo é o que está sendo dado pelo Lions Clube de Joaçaba, que está distribuindo 5.000 envelopes contendo cada um 3 sementes de Jacarandá Mimoso, uma planta que produz uma flor azulada. Exatamente 2.668 crianças e adolescentes receberam nas suas escolas essas sementes que, se devidamente plantadas e cuidadas, deixarão nossa cidade muito mais bonita e atraente aos olhos da população local e dos visitantes.

       Neste fim de semana, estarei conduzindo um grupo de pessoas de Joaçaba, Herval D ´Oeste, Luzerna, Lacerdópolis, Ouro e Capinzal, à Primeira Festa do Mate, em Bituruna,  e ao Jardim Botânico Faxinal do Céu, este no município de Pinhão, no Paraná. Ali encontram-se plantadas todas as espécies de árvores do mundo, nativas ou exóticas, uma verdadeira suíça na América do Sul, distante 220 Km de Joaçaba. Muitos de meus convidados já visitaram o local por duas vezes, devido ao encantamento que a paisagem proporciona e à qualidade dos vinhos de Bituruna, produzidos com uvas europeias ou americanas, a partir de vinhas de altitude ou de clima tropical. E ainda pelo padrão das comidas coloniais oferecidas nos restaurantes. A cidade tem dois bons hotéis: Grezelle, onde costumamos nos hospedar; e Avenida.

       Bituruna, distante apenas 165 Km de Joaçaba, a exemplo de Lacerdópolis, vem asfaltando as estradas rurais que dão acesso às suas 5 vinícolas. Foram 6,5 Km neste ano. O Prefeito Claudinei de Paula Castilhos busca conhecimento e alternativas para melhorar seu Município. No carnaval de 2017, percorri com ele e sua equipe política, as estradas rurais asfaltadas de Lacerdópolis e, desde então, empenhou-se em obter verbas no Governo do Paraná para realizar seus projetos. E vem obtendo êxito em seus  intentos.  O calendário de eventos da cidade contempla, dentre outros diversos eventos, a Festa do Vinho.

       Segundo uma técnica florestal do Jardim Botânico, ali estão 43 variedades de azaleias floridas. Botânicos de todos os lugares buscam material genético no local para produzirem flores, inclusive para a Festa das Flores de Joinville. Considero que a região do Faxinal do Céu está com tantas hortênsias quanto Gramado, no RS. No domingo, 23, visitaremos os pontos turísticos de Porto União e União da Vitória.

       Plantar árvores no “dia da árvore” é uma simbologia, mas também uma ação muito meritória, pois é educativa. Chama a atenção, principalmente das crianças, que crescem conscientes da importância das árvores para a qualidade do ar que respiramos. Aqui em Joaçaba, presenciamos, na semana passada, o Festival de Danças, que nos mostrou cerca de 1.000 bailarinos entre locais e os de fora. Um espetáculo muito bonito e bem organizado.

       Por outro lado, vimos nesta semana que o  candidato ao Governo de Santa Catarina pelo PCO, Ângelo Castro, funcionário do Dataprev, teve sua candidatura impugnada pelo TRE  por ter apresentado uma nota fiscal de um hotel onde se hospedou com o valor adulterado para maior. Ele, em sua defesa, alegou que a Lei da Ficha Limpa é in constitucional. Agora, e isso já vem acontecendo a algum tempo, quando não têm como se defender alegam inconstitucionalidade! Há uma notícia de que ele alega ter fraudado a nota por protesto... E, se essa moda pega, como é que ficamos?! De qualquer forma, foi uma prática ilícita e um péssimo exemplo que nos deu.

Euclides Riquetti – Escritor – Membro da ALB/SC    www.blogdoriquetti.blogspot.com

Sorriso que me faz bem






Sorriso que me alegra e me faz bem
Dá ânimo ao meu dia, torna-o melhor
Sonoro, tímido, ou vibrante também
Já o conheço bem, conheço-o de cor...

Seus movimentos leves e desenvoltos
O balanço de seus abraços é elegante
Seus cabelos macios, secos e soltos
Delineiam seu olhar meigo e cativante.

Mulher idealizada, corpo de menina
Mulher imaginada, jovem,  mulher
Paixão que se incendeia e se ilumina...

Sorriso jovial, harmonia deslumbrante
É tudo o que me coração almeja e quer
Encantadora criatura, bela e cativante!

Euclides Riquetti
25-04-2016

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Viver o sonho dos apaixonados




Quisera te carregar com braços fortes
Beijar teus lábios róseos e formosos
Perder-me nos teus seios deliciosos
Esperar que de manhã sempre me acordes...

Quisera viver o sonho dos apaixonados
Dos amados, desejados, pecadores
Poder entregar muitos ramos de flores
Pra namorada que me faz agrados...

Quisera em todos os momentos breves
Realizar as nossas doces fantasias
E envolver-me em teus afagos leves

E alojar meu pensamento no teu ser
Mergulhá-lo em ti todos os dias
E no teu corpo esbelto me perder!

Euclides Riquetti

Lembranças do Mater Dolorum


Dizem que "recordar é viver". Então, recordemos... 


 

 
 
          O Mater Dolorum chegou há 6 décadas e pouco...  Chegou antes de mim. E, quando me dei por gente, estava ali, no alto do mesmo morro, impondo-se, sutilmente, sobre Capinzal. Um casarão de madeira com dois pavimentos, um sótão e um "porão". Um edifício muito estiloso, de elevado padrão de arquitetura para a época.

          Em 1961,  adentrei pela primeira vez pelas portas do Mater. Conhecia muitas histórias sobre ele. Meu irmão mais velho e meus primos me contavam sobre isso. Era um educandário particular, de posse e administração das Irmãs Servas de Maria Reparadoras. Justamente naquele ano, iniciara convênio com o Governo Federal, e eu pude entrar ali como aluno, com 8 anos feitos já. Viera de "Linha Leãozinho", que na época ainda pertencia a Capinzal. E, tão logo aprendi a ler, identifiquei uma placa enorme, em que se podia ver: "Plano de Metas do Governo''. Era o plano do Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, que tinha como slogan "50 anos em cinco", ou seja, estava dando uma sacudida no País para que deixasse de "dormir em berço esplêndido". Atacava na indústria e na educação. Começavam a fabricar carros e nós a frequentar boas escolas, gratuitamente.

          Minha primeira professora foi Judite Marcon, uma interna do Convento das Irmãs, que havia em anexo. Ela foi embora para continuar seus estudos e veio, em seu lugar, Noemia Zuanazzi. Adiante, passei pelas mãos generosas de Marisa Calza,  Marlene Matos, Tarsila Boff, Marli Sartori,  Marilene Lando e outras. Pelo menos estas foram as mais presentes, pois as outras atuavam temporariamente. Havia a Almeri Pasin, que lecionava para outra turma, onde estudava um primo.

          Algumas lembranças tenho bem claras na memória: Ao lado do casarão de madeiras, edificava-se o prédio do  Mater Dolorum  em seu corpo principal. Lembro-me bem que um dos mestres da obra era o Sr. Valdomiro Viganó.  Adiante, o casarão deu lugar ao auditório, que na nossa memória ficou registrado como "palco". Daquele velho casarão, os medos que vinham com os rumores: No sótão, numa sala bem aos fundos, haveria o fantasma de algumas freiras já falecidas. As histórias que nos contavam eram horripilantes. E nós nos pelávamos de medo das assombrações. Acho que queriam assustar-nos para que não fôssemos meter o nariz onde não devíamos. E nós éramos tão xeretas quanto são os adolescentes de hoje, talvez piores que eles.

          Uma grande expectativa na cidade foi com a chegada do Caminhão "Caçamba" das Irmãs para ser utilizado na remoção de terras das escavações, que foram muitas e geraram grande volume de material a ser retirado para a construção do prédio novo e os pátios, inclusive o a quadra, que exigiu muito trabalho. Trator e carregadeira de esteiras da Prefeitura, que davam apoio. E o caminhão com carroceria basculante, amarelo, Ford F 600 novinho e brilhoso, enfim chegou. Eu nem era aluno ainda quando isso aconteceu. Dizia meu irmão Ironi, que ali estudava, que seria dirigido pela Irmã Terezinha. Mas, na verdade, o motorista acabou sendo o Sr. Loid Viecelli. Este, além de motorista do caminhão, muitas vezes animava as festas juninas com sua gaita para que dançassem a quadrilha.

         Irmã Fermina, Irmã Marinella, Madre Prisciliana são algumas das freiras que muito marcaram a minha vida e a história dali. A primeira, moreninha , franzina, delicada. Marinella, alta, jeito de italiana, dócil. Prisciliana era chamada somente de "Madre", uma mulher magra, de média estatura. e a Irmã Terezinha tinha fama de "braba".  Era bonitona, pele do rosto bonita, usava óculos clássicos. Bem, nunca ninguém viu nenhuma que não estivesse envolta em seu hábito preto e branco, que deixava mostrar apenas o rosto e as mãos. Sapatos pretos com meias. Ninguém nunca lhes viu os pés. Ficávamos imaginando como podiam passar calor nos dias de verão. Mas, não muito tempo depois, mudaram as convenções da Igreja católica e padres e freiras passaram a vestir-se como os cidadãos comuns. Aliás,  a população ficou dividida em relação a isso, pois uns achavam que estavam certos e outros de que deveriam manter-se com as vestimentas características, para facilmente serem identificados e não serem confundidos.

          Muitas histórias boas de meus quatro anos de estudos no Mater Dolorum ainda estão em minha cabeça. E também de minha atuação como professor de Inglês nos seus últimos anos de funcionamento enquanto escola particular, da Congregação Servas de Maria Reparadoras. O educandário legou-me uma educação de alto nível. Aprendi muito do primeiro ao quarto ano, entre 1961 e 1964.  E, sobretudo, aprendi muito em termos de educação e formação pessoal. Mais do que aprender a ler, escrever e calcular, aprendi a ser gente ali! E isso me orgulha muito!

Parabéns, Mater Dolorum, palco de grandes acontecimentos, memórias, eventos, lembranças!

Euclides Riquetti
31-08-2014