quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Evita Perón - Segunda Parte - continuando com reprises


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          A sedutora e carismática aspirante a atriz, Eva Duarte, que em sete anos saiu do anonimato para tornar-se Evita Perón, Primeira Dama da Argentina,  ídolo dos descamisados argentinos, conquistou o Poder através de sua liderança e da coerência de seus discursos. Casada com Juan Domingo  Perón, que alçou à condição de Presidente democraticamente e constitucionalmente eleito pelas classes trabalhadoras argentinas, Eva tornou-se um ícone da política de um país que ansiava por mudanças. Sua determinação e coragem, a firmeza de seus discursos e a simpatia angariada entre os pobres canalizou votos e mais votos para o marido, que se elegeu Presidente.

          As façanhas da líder que organizou e deu vida à Fundação Eva Perón, foram-se tornando notícia em todos os lugares do mundo. Uma jovem senhora, bonita, elegante, apaixonada, que sabia tocar fundo o coração de seus compatriotas, agia na Fundação, mantida com doações de empresários e até de trabalhadores que repassavam parte de seus aumentos salariais conquistados através das lutas de Evita. Lá, comandava voluntários e  organizava eventos esportivos e sociais, sempre com o intuito de contemplar os menos favorecidos. Fundou casas de saúde, de proteção ao idoso, à mãe solteira, e escolas.

          A partir de sua morte, vitimada que foi por câncer, em 26 de julho de 1952, aos 33 anos, Evita causou muita comoção dentre os argentinos. Seu corpo foi embalsamado e restou vestida em vestido de cetim branco e, com sua pele clara,  parecia apenas um anjo ou  uma princesa  adormecido dentro de um caixão. Após seus funerais, longos, seu corpo foi enterrado no Cemitério Monumental de Milão, na Itália, onde permaneceu por 16 anos, até 1971, quando o transferiram para a Espanha, onde se encontrava seu exilado marido.

          Apenas após a morte deste, em 1974, Isabelita Perón, viúva e terceira mulher do General Presidente providenciou para que o corpo de Evita  fosse trasladado para Buenos Aires, onde ficou exposto um tempo numa urna de vidro, perfeito, como se houvesse morrido há poucos dias. Depois, foi sepultado no Mausoléu da Família Duarte, no Cemitério da Recoleta, em Buenos Aires. A comovente e apaixonante história da jovem Primeira Dama, após sua morte, é tão envolvente como a de seu tempo em vida.

          A vida de Evita foi revivida num drama musical biográfico dirigido por Alan Parker em 1996, sendo que seu papel foi vivido pela cantora Madonna, contracenando com Jonathan Price, no papel de Peróm, e Antônio Banderas no de Che. Madonna, ao saber da intenção de Parker em produzir Evita, dirigiu-se uma carta praticamente implorando pelo papel. Cher, Meryl Streep, Maria Conchita Alonso e Michele Pfeiffer também estiveram cotadas para o papel, que coube a Madonna.

          A música de Andrew Lloyd Webber, Don´t cry for me Argentina, com letra de Tim Rice foi gravada inicialmente, em 1978, por Julie Covington, para a Peça "Evita".  Em Italiano, por Rita Pavone, e no Brasil por Cláudia, com o título de "Não chores por mim, Argentina". E em muitos outros idiomas. É um trabalho lírico tão envolvente que, em qualquer língua, desperta emoções indescritíveis. "Santa Evita", de quem já existem até intenções de canonização, merece o louvor dos argentinos e de nós que somos seus seguidores.

          Em 25 de julho de 2012, por ocasião do aniversário de 60 anos da morte de Evita, a cédula de 100 pesos argentinos passou a ter estampada a efígie de Evita Perón, substituindo a de um ex-Presidente. Ela mora no coração do sofrido povo argentino, sempre às voltas com seus problemas políticos e econômicos. Mas ainda inspira os romancistas, os cantadores e os poetas. Inclusive eu...

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Euclides Riquetti
10-12-2012

Brilhou, de novo, o sol




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Brilhou, de novo, o sol que se ofuscara
Que se escondera ao final da Primavera
O sol fugidio  que  tanto me preocupara
Que me torturou pela angustiante espera.

Seu brilho pôs-me alegria no meu coração
Deu entusiasmo a este ser que se abalara
Reconduziu-o ao caminho da inspiração
Ao verso romântico que já se ausentara.

Brilhou o sol, brilharam a estrela e o luar
Fizeram com que voltasse toda a alegria
Depois que a busquei  para me confortar.

Então, os últimos dias do ano se salvaram
E vi dissipar-se a dúvida que me afligia 
E voltaram-me os sonhos que me faltaram.

Euclides Riquetti

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Evita Perón - A História de um Mito (primeira parte) Iniciando uma série de reprises



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          Quatro décadas após sua morte, Maria Eva Duarte de Perón, a Evita (07-05-1919 - 26-07-1952), ainda fascina poetas, escritores e diretores do cinema mundial. O fato de ela ter morrido de câncer, aos 33 anos, quando era a Primeira Dama da Argentina e estava no auge de sua popularidade,  muito contribuiu para a propagação de seu nome. Evita foi tema recorrente nos noticiários radiofônicos e televisivos do mundo pelo menos por duas décadas após a sua morte. E, até hoje, seus fãs, como eu, lembram dela com emoção.

          Em minha infância e juventude, muito ouvia falar de "Evita", a "Santa Evita", protetora dos descamisados e das mulheres da Argentina. Evita, que fora esposa do Presidente Juan Domingo Perón, tornou-se um mito, mais pelo seu carisma e talento político do que por seus dotes artísticos. Mas, até hoje, o povo argentino chora sua morte... Meu primeiro contato efetivo com sua história ocorreu em 1979, quando recebi a incumbência de um amigo e patrão, Lourenço Brancher,  de traduzir a ópera-rock que foi produzida em sua homenagem. Era um álbum com disco de vinil e a letra impressa de "Evita". Encantei-me com sua história, comecei a pesquisar sobre sua vida e fui lendo tudo o que pude encontrar sobre ela. Mais adiante, com o sucesso de uma música em sua homenagem, passei a emocionar-me em todos os momentos que a ouvi. Evita era bonita, mas muito mais bonita era sua história...

          Eva Duarte era filha de Juana Ibarguren, a bela amante de um fazendeiro do povoado de Los Toldos, localizado ao sul de Junin, Província de Buenos Aires. Juana fora adquirida pelo estancieiro, a troco de uma carroça e um jumento...Ela e mais quatro irmãos, um menino e três meninas,  foram criados na fazenda, ao mesmo tempo que seu pai, Juan Duarte, vivia com sua família e seus outros seis filhos legítimos, em Junin. O pai dava assistência aos filhos que teve com Juana, até que ele morreu. E os filhos de Juana eram constantemente humilhados por serem bastardos. Depois, a família, desprotegida, quando Eva tinha 11 anos, foi morar em Junin.

          Evita era obstinada em tornar-se atriz famosa e,  aos 15, com seu irmão Juancito, a  sonhadora foi trabalhar em Buenos Aires, levada pelo cantor de tangos Agustín Magaldi, onde pretendia fazer carreira como atriz de teatro e cinema.
          Desde criança, Eva sonhava em ser atriz, inspirando-se em Norma Shearer, americana. Queria ser igual a ela, ter as mesmas coisas belas que ela tinha, morar em casas como ela morava. Evita era uma sonhadora, tando que, ainda menina, dizia: "Só me casarei com um príncipe ou um presidente!"

          Conseguiu um papel no filme "Segundos Afuera", em 1937, e passou a integrar elencos de radionovelas, fazendo com que, aos poucos, fosse tornando-se conhecida em Buenos Aires.

          Seu conto de fadas, no entanto, começou a ganhar corpo em 1944, quando o então Coronel Juan Domingo Perón, Vice-presidente da República da Argentina, e Ministro do Trabalho e da Guerra, promoveu um evento artístico no Ginásio Luna Park, em, Buenos Aires,  para angariar fundos para as vítimas de um terremoto. Eva aproveitou-se da situação em que uma atriz que acompanhava o Coronel levantou-se e sentou-se em seu lugar, ao seu lado. Encantada que era com seu ídolo, disse-lhe, francamente, e do fundo de seu coração: "Coronel, obrigada por existir!"

          Dali para seu casamento com ele, no ano seguinte, foi apenas uma questão de tempo. Apaixonaram-se e, aos 25 anos, tornara-se esposa do político de grande influência em seu país, por defender as classes operárias. Ela, igualmente, defendia os pobres e as mulheres. Sofrera humilhações na infância e não queria o mesmo para seus compatriotas. Perón, em razão de suas posições fortes em favor dos operários, foi preso pelos militares conservadores. No entanto, a luz de Evita começa a brilhar mais fortemente, liderando comícios e manifestações em favor do amado, e ele é libertado.  E, em 1946, é eleito Presidente da Argentina, com o incondicional apoio de sua Evita.

          Evita consegue o direito de voto às mulheres e luta pelos seus "descamisados". Torna-se um mito. É idoltrada e venerada pelos argentinos,  e suas aparições na sacada da Casa Rosada atraem uma grande massa de seguidores. O sonho de mocinha que queria ser atriz é substituído pelo carisma e habilidade política. Suas palavras alentam e dão esperança de dias melhores para todos os que a admiram e ouvem. E, em apenas sete anos, a menina de Los Toldos transforma-se numa poderosa líder, a Líder Espiritual dos Argentinos, tornando-se parte integrante de sua vida e de sua história...



Euclides Riquetti
17-11-2012

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Onde está a perfeição? - Poema ilustrado...




Estaria a perfeição na forma da obra do escultor
Ou na premonição dramática do velho profeta?
Estaria ela na arte sacra ou no desenho do pintor
Ou no soneto alexandrino de um pobre poeta?
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Estaria a perfeição na grácil destreza da ginasta
Ou nos movimentos harmoniosos da bailarina?
Estaria ela no cometa que vem e logo se afasta
Ou no luar prateado que os namorados ilumina?

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Estaria a perfeição nas águas límpidas da fonte
Os nos raios de sol que douram a sua pele macia?
Estaria ela na neve que decora os topos do montes
Ou na nuvem branca que nos encanta e contagia?

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Direi apenas que ela está na mulher idealizada
E no rosto ingênuo da criança que eu vejo em ti
Está na musa sedutora, no rosto da bela amada
Está naquela por quem meu coração sorri!

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Euclides Riquetti

O sol e a poesia


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O sol da manhã negou-se a me trazer a poesia
Não me deixou sorver os seus raios dourados
E não me trouxe a minha tão esperada alegria
E meus desejos de te querer foram abortados.

O sol veio, deu o ar de sua graça e foi embora
Partiu a brilhar para outro ser que não fosse eu
E eu fiquei procurando reavê-lo em toda a hora
Tentando buscar o lugar onde ele se escondeu.

O sol, aquele mesmo sol que já nos alimentou
Que nos deu a energia, a força e o maior vigor
Simplesmente veio, sorriu e logo se ausentou...

Sim, o sol nos anima, nos motiva e nos inspira
Quero que volte para me inspirar a te compor
Um poema novo, como ar que a gente respira.

Euclides Riquetti

Como nos desertos



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Como nos desertos
Ventos e areias me ferem os olhos
E meu coração cheio de imbróglios
Entrega-se aos rumos mais incertos...

Como se num inverno
O frio inibe meus movimentos
E fico paralisado como se os ventos
Me tornassem um corpo de gelo eterno...

Como se não houvesse luz
Escondo-me nas trevas misteriosas
Nas estradas mais longas e perigosas
Nos caminhos pelos quais você me induz...

Como se não houvesse nada
Nem um amanhã risonho a me esperar
Ou um barco com o qual navegar
Sou uma alma perturbada...

Mas espero por um novo dia
Por seu sorriso terno e cativante
Por flores perfumadas com alegria
Pelo seu abraço contagiante.

Apenas por isso, nada mais!

Euclides Riquetti

Depois que a chuva caiu



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Depois que a chuva caiu e veio o sol
Aquele mesmo que você me mandou
Que chegou vestido de poesia e cachecol
Veio, então, a tarde em que me desejou.

E, nela, a doçura romântica, a fala muda
O desejo tácito, o ímpeto desenfreado
A paixão implícita, da musa desnuda
O instinto que brota livre e desnaturado.

E perderam os pensamentos os seus freios
Que, portentosos, foram buscar outro lugar
Longe de suas açoiteiras e dos seus reios.

E, no entardecer da mansidão, a calmaria
Aloja-se  nas entranhas de meu divagar
E eu penso em você com amor e alegria.

Euclides Riquetti

domingo, 15 de dezembro de 2019

Me deem notícias


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Me deem notícias...
Digam-me onde a gaivota foi voar
Digam-me onde a canária foi cantar
Me deem notícias!

Informem-me simplesmente
De alguma forma muito cara
Ou mesmo me deem uma pista clara
Pois preciso saber, realmente
Onde foi parar essa ave tão bonita e rara!

Digam-se se voou sobre o oceano
Ou se foi passar o fim de ano
Em algum lugar de nosso mundo
Ou foi dormir seu sono mais profundo
Nos galhos de uma árvore de um pomar!

Informem-me, de imediato, por favor
Desejo saber seu paradeiro
Se a gaivota foi voar o céu inteiro
Ou se foi esconder-se do calor
Do verão que veio pra ficar!

Me deem notícias...
Digam-me onde a gaivota foi voar
Digam-me onde a canária foi cantar
Me deem notícias!

Euclides Riquetti

Ouro - Antigo Distrito de Abelardo Luz?



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Ouro do sol e dos trigais...
Ouro dos nossos laranjais...
Os dois versos que iniciam o Hino do Município de Ouro bem refletem o que ele sempre representou em termos de força trabalho e grande seleiro agropecuário do Vale do Rio do Peixe, onde se localiza,  em território catarinense.
Ouro, que já no início do Século XX começou a receber corajosas famílias de descendentes de italianos que vinham da Serra Gaúcha, grande parte deles de Caxias do Sul e Farroupilha, foi-se constituindo num lugar próspero e  que muito os atraía, mesmo porque é  montanhoso, com topografia semelhante à de seus lugares de origem, tanto na Itália como no Rio Grande do Sul.  Era uma paisagem que lhes trazia sempre as mais  saudosas lembranças.
A vila que deu origem à cidade foi fundada em 20 de outubro de 1906, mas a ocupação das terras deu-se ainda antes, pois, segundo pessoas de idade avançada que ainda vivem, seus pais lhes relatavam sobre isso. Eles mesmos conheceram muitas famílias de caboclos, que eles chamavam de “brasileiros”, sendo que alguns deles chegaram a possuir grandes áreas de terras, como Veríssimo Américo Ribeiro, na região de  Pinheiro Baixo; Severino Teixeira, em Linha Bonita; e Honório Cassiano, desde Nossa Senhora Saúde até as proximidades com o Município de Cruzeiro, hoje Joaçaba.

Ouro, antigo Distrito de Abelardo Luz 
A vila de Ouro situada à margem direita do Rio do Peixe, foi fundada em 20 de outubro de 1906, juntamente com outras, à  época em que a  Ferrovia Paraná/Santa Catarina vinha sendo implantada.
Relatos desses moradores mais antigos indicam-nos que já  havia habitantes  em praticamente todas as regiões da colônia , quando os  “italianos” aqui chegaram. Viviam em casas de madeira, cobertas com madeira mesmo e raramente telhas de barro.
A partir da inauguração da Estrada de Ferro ligando Marcelino Ramos a  União da Vitória, que se deu em 20 de outubro de 1910,  muitos dos trabalhadores da mesma foram comprando  áreas de terras que pagavam com o que recebiam pela prestação de serviços  na construção da mesma, com títulos que lhes eram vendidos e que continuavam a pagar em prestações a cada seis meses. Outros interessados, com procedência do Rio Grande do Sul, adquiriam-nas da mesma forma, assumindo compromisso contratual de coloniza-las gradativamente. Houve quem comprasse terras da Companhia de Estradas de Ferro São Paulo – Rio Grande, que chamavam de “rede” e que depois foram reclamadas pelos verdadeiros proprietários, tendo ocorrido, na comunidade de Linha  Santa Bárbara, por exemplo,  até o duplo pagamento de algumas, pois o verdadeiro dono, Honório Cassiano, obteve decisão judicial a seu favor, com reintegração de posse. Cassiano residiam na área rural do Distrito de Rio Capinzal. Segundo alguns moradores atuais, veio um “bando” de homens, todos armados, com uma ordem judicial, ficando uma situação de evidente confronto. A maioria dos colonos escondeu-se no mato, restando jovens e mulheres nas casas. As “autoridades” confiscavam armas que os agricultores tinham para sua segurança, quando não agrediam menores pressionando para que delatassem outros. Para evitar derramamento de sangue, alguns passaram a pagar as terras a estes, interrompendo o pagamento de prestações à rede.
O trecho entre União da Vitória e Marcelino Ramos, cortando o Vale do Rio do Peixe e seguindo paralelamente ao seu curso, era administrado pela Rede Viação Paraná-Santa Catarina, depois Rede Ferroviária Federal S/A, estatizada.
Nas primeiras duas décadas do Século XX Ouro era o 4º Distrito de Palmas, Paraná, sendo que suas terras eram contestadas pelo Governo daquela província. Em 1914 eclodiu a Guerra do Contestado, com muito derramamento de sangue pela disputa das terras contestadas. Depois a colônia passou a pertencer a Abelardo Luz, sendo que no ano de 1920 instalaram o primeiro Cartório  do Registro Civil .
Verdadeiramente, os descendentes de italianos  e até italianos natos, começaram a chegar a partir da inauguração da estrada de ferro, sendo que,  de 1915 e 1930,  é que ocorreu o grande afluxo para Ouro.
 Abelardo Luz, Sede do Distrito de Ouro.
Em razão da facilidade de acesso à água, pelas razões de proximidade com o Rio do Peixe, e por ser cortado pelo Riacho Coxilha Seca, o lugar onde atualmente se situa  a sede municipal, foi sendo habitado gradativamente, reduzindo-se a atividade e o número de residências em Coxilha Seca.
Assim, foi-se formando ali um aglomerado de residências e estabelecimentos comerciais, com casas construídas em madeiras. A atividade principal era o comércio e a prestação de serviços. Empresas importadoras e exportadoras foram-se instalando ao logo da Rua da Praia, hoje Governador Jorge Lacerda, que se prolongou com a atual Avenida Felip Schmidt. Esses estabelecimentos compravam a produção agropecuária, transferindo-a para São Paulo, principalmente, favorecida que a região era pela existência da estrada de ferro.
As “casas de pasto” e os hotéis eram os estabelecimentos onde as caravanas  de carroças, cavalos ou cargueiros de burros e mulas paravam para o pernoite. Eram oferecidas refeições aos homens e alfafa ou milho para os animais.
Através de contatos e reuniões com antigos moradores que ainda vivem e que estão já com mais de 80 anos, foi possível levantarmos um rol de nomes dos primeiros moradores da Vila de Ouro, a saber:
Afonsinho da Silva, casado com Eleonora, era balseiro e padeiro, morando no sul da cidadezinha, no local onde hoje se situa a Unidade Clínica de Saúde; Teodoro, um senhor de origem germânica; Afonso Ribeiro, casado com Maria,  e seu pai, que era chamado de “Velho Espiritista Ribeiro”; um cidadão de nome Messias, casado com Maria; Ernesto Toaldo, que comprava porcos e exportava para São Paulo; Eugênio Lunardi; Demétrio Calliari, casado com Ângela, possuía comércio geral, comprando cereais e vendendo inclusive tecidos,  ferragens  e louças; Bonalume, era comerciante; Ângelo Montanari, possuía uma “casa de pasto”, que era uma espécie de restaurante; Família Ampessan, com os irmãos Marcelino, Domingos e Joana, foram balseiros, tendo comprado a balsa de Afonsinho da Silva; Leonarda Zavaski Gonçalves, possuía uma escola onde hoje é a esquina entre a Rua Presidente Kennedy e a Júlio de Castilhos; Francisco Casagrande, com ferraria e carpintaria, onde hoje se localiza a Prefeitura; Abramo Pizeta, possuía uma  funilaria; Euclides Scaiarol, era relojoeiro; Petry, era representante a Companhia de Colonização do Rio do Peixe; Júlio Maestri, comprava porcos; Jacom Maestri, em 1928 era  comerciante geral; Análio Vargas, comprava  produtos coloniais e os exportava para São Paulo; Raimundo Formighieri e Catarina Zóccoli; Palmiro  Germani , era contador e comerciante, casado com Meneghina de Souza;  José Scott, Severino Baretta; Baltazer Brambila, casado com Oliva Broll, veio um pouco depois que os demais e fez uma fábrica de bebidas e refrigerantes, na Rua Júlio de Castilhos; Cabo Antônio, era  responsável pela cadeia; Alcindo Vicente da Silva, era carroceiro; João Nepomuceno da Silveira, era pescador; Alberto Viero, alfaiate; Manoel da Silva, pintor; Abíliio Cercal, era comprador de alfafa; Antônio cadore, casado com Irene; Domingos Gerra, morava na subida para a Cixilha Seca; Pasqualin Andrioni, era proprietário de um hotel com “casa de pasto”; Fritz, era dentista; Eugênio Cozer, era comerciante; Eugênio Lunardi, era carpinteiro e bodegueiro; Pedro Baretta e Carlos Baretta, tinham comércio onde é a Praça Pio XII;  Honorato Nepomuceno e outros.
Euclides Riquetti

Vem beber do cálice da paixão



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Vem beber no cálice da paixão
Vem beber do vinho que nos excita
Vem beber de minha alma e de meu coração
Vem beber-me  com tua boca bonita...

Vem, e traz com ela teu corpo sedutor
Os teus olhos amendoados
Delicados...
A tua pele macia
E tua  voz de poesia...

Traz também as tuas mãos carinhosas
As tuas pernas formosas
O teu rosto divinal
O teu corpo colossal.

Vem beber de meus sonhos
De meus lábios risonhos
Vem banhar-te em meu suor
Declamar-me versos de cor.

Vem. Te espero...
Vem beber no cálice da paixão!

Euclides Riquetti

Estamos produzindo uma geração de mal-educados?


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       É vergonhoso, lamentável, mas verdadeiro, infelizmente. O Brasil regredindo em sua qualidade de ensino, especialmente em matemática e ciências. Em leitura, estamos entre os 10 piores do mundo num contexto de 80 países avaliados. A constatação vem pelos resultados do Pisa divulgados nesta semana,  que é um Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. Estabilizamos em leitura no fundo do poço e nas outras duas disciplinas estamos indo de marcha à ré.

       Isso nos remete a refletir sobre o assunto e relembrar de o quanto já perdemos de tempo sentados nos bancos escolares no presente Milênio, aprendendo menos do que deveríamos. Foi muita balela, muito discurso ideológico, muita filosofia, muito papo inútil e aprendizagem evolutiva, que é bom, nada! Muitos especialistas, mestres e doutores aparecendo no ensino privado ou no público, muita titulação, mas os resultados decepcionantes. Muitos diretores de escolas fracos, sem liderança sobre professores e alunos, incapazes de encontrarem meios de trazerem os pais para o âmbito dos educandários. Imagino que apenas metade deles ainda consegue ter o controle da situação em sua escola. E não vejo como que isso vá melhorar! Dirigentes precisam ter capacidade de gestão e também conhecimento da psicologia, da didática, o técnico na sua área de formação, geral nas outras áreas, capacidade de liderar equipes e pessoas, e vontade de tornar-se um bom gestor.  Os alunos precisam ter mais vontade de estudar e aprender e os pais mais seriedade na cobrança dos estudos a seus filhos.

       A educação precisa acontecer na escola, preferencialmente na sala de aula e em todo o âmbito da escola, não nos gabinetes ou nos escritórios. Os educadores precisam tornar-se grandes leitores, buscarem incessantemente a ampliação de seu leque de conhecimento, tornarem-se exemplos a serem seguidos. A conduta dos educadores diante dos alunos é avaliada constantemente, pelos mesmos. Sabemos que os alunos são exímios observadores e, se não sentirem que estão sendo conduzidos à aprendizagem por gente competente, passam a dirigir sua mente a outras coisas de seu interesse, que lhes causam maior prazer.

       Se compararmos a situação das escolas com três décadas atrás, veremos que hoje as condições de trabalho são melhores, há razoável ambiente físico de trabalho, os recursos tecnológicos são maiores e melhores. Então, todos precisam colocar o corpo e a mente para andarem, agirem, oportunizarem e EXIGIREM que tudo seja levado muito a sério para a aprendizagem dos alunos e o êxito das escolas.

       Para complementar, registro aqui que, quando vou ao mercado comprar algo, tenho meus próprios critérios pessoais para a escolha dos produtos que coloco no carrinho. Leio todos os rótulos dos produtos, não compro pela marca, não sou adepto de marcas famosas. Primeiro, vejo se há a qualidade sanitária, o modo como são embalados e conservados, as datas de validade. Depois, meu critério de seleção contempla: a) O produto de produção ou fabricação local; b) o de produção ou fabricação microrregional; c) o produto de Santa Catarina. Depois, o produto nacional, e o importado somente se não houver similar disponível. Com isso, ajudo minha cidade, minha microrregião, minha região e meu estado a se desenvolverem mais, a obterem melhor arrecadação de impostos, mais geração de trabalho e renda perto de mim. Também, ajudo a quem me paga a aposentadoria a ter dinheiro para me pagar e mesmo para investir naquilo de que a população precisa. Muito simples! E as escolas podem trabalhar isso muito bem, levando alunos, professores e comunidade escolar a ajudarem a si mesmos!

Euclides Riquetti – Escritor em fase de produção do seu novo livro “Crônicas de Rio Capinzal, Abelardo Luz/Ouro e arredores” (título provisório).  

Publicado em 06-12-2019