Foto de Capinzal - SC - à noite - créditos foto: Caçadores de Imagens.
Dentro daquele
autoconceito que tenho de medir o andamento da economia pela quantidade de
caminhões que passam aqui perto de casa, na BR 282, ou em minhas viagens pelas
BRs e as SCs, na segunda-feira, 8 horas da manhã, levei um susto. Depois de
muitas notícias assustadoras e desencontradas, e de opiniões divergentes pelos
que realizam suas falas através do meio televisivo ou redes sociais, iniciei a
nova semana indo a Capinzal, onde eu teria meu novo livro de crônicas sendo
lançado na quarta-feira à noite, em evento exclusivo e fazendo
parte do calendário dos 71 anos de emancipação daquela cidade. No trajeto
percorrido desde o Trevo da Reunidas e o do Chocodinho, não havia nenhum
caminhão trafegando, seja no sentido Oeste a Leste, ou ao contrário.
Sou acostumado
a visualizar, costumeiramente,
pelo
menos uma dúzia deles no trecho de 4 Km e já naquele momento passei a me
preocupar com a situação provocada pelo crescimento do número de infectados
pelo novo coronavírus no Brasil, e mesmo em Santa Catarina, mesmo que, naquele
dia, apenas 5 casos estavam confirmados em Santa Catarina, mais ao litoral. Isso
me significando que o abalo na economia pode ser maior do que o propalado e o
imaginado. Mas, minha grande preocupação, era como fazer um evento em que eu
programara receber mais de 300 pessoas, com os riscos sanitários do momento.
Já em Capinzal,
senti que o movimento habitual no centro da cidade não era o mesmo. Fui me
encontrar com o prefeito Nilvo Dorini e a Vice Noemia Pizzamiglio,
onde iria entregar exemplares de meu novo
livro a eles e a alguns colaboradores. Ainda antes de adentrarmos ao seu
gabinete, fui recebido pelo mesmo e a Secretária Kamille Sartori Beal, da
Saúde, na antessala. A preocupação deles era a mesma que a minha e me
informaram que estavam editando um Decreto e que, diante disso, não seria
possível realizarmos o evento programado, nem o III FEINC, seu Festival
Intermunicipal da Canção. Senti-me aliviado e uma grande carga desceu de meus
ombros. Ainda bem! Não faltará oportunidade para executarmos o que havíamos
planejado.
Agora, o que
preocupa os brasileiros, e eu me incluo no grupo, é o avanço do número de
contaminados, uma curva que está crescendo, cujos percentuais ainda não são
alarmantes como na Itália, mas uma situação muito preocupante. De positivo, as
ações tomadas pelo Ministério da Saúde e Secretarias Estaduais ou Municipais. A
lição aprendida por nós, mirando o exemplo da Itália e outros países asiáticos
ou europeus, é a de que não se pode ignorar uma ameaça tão forte. Os países que
se precaveram, com campanhas de esclarecimento à população e medidas de
proibição de aglomeramentos, tiveram menor propagação do vírus entre a
população.
O feio, nisso
tudo, é a politização dos fatos. Uma vergonha o que já protagonizaram o
Presidente Jair Bolsonaro, o da Câmara Rodrigo Maia e o Governador de São
Paulo, Jorge Dória. Um candidato à reeleição e dois que desejam tornar-se
presidente do Brasil. Um teatro horrível, cenas das quais poderíamos ser poupados.
Toda essa crise
em todos os continentes do mundo, todas as informações disponibilizadas aos
povos através dos meios de comunicação, vão ocasionar mudanças nos hábitos das
pessoas, no tocante à higiene. As pessoas vão se cuidar mais e isso vai evitar
a contaminação através de outros tipos de vírus ou por bactérias.
Quando à economia, é preciso que se perceba
que, muito mais do que bolsa de valores, dólares e euros, o que conta é termos a
produção sustentável de alimentos, habitações e outros bens de consumo. Tudo o
resto é efêmero, passageiro, virtual. Na hora H, o que vale para o ser humano é
ter saúde e comida na mesa.
Euclides Riquetti – escritor –
Publicado no Jornal Cidadela, de Joaçaba - SC,
em 20-0302020