terça-feira, 28 de abril de 2020

Quando as verdes folhas dos plátanos voltaram

 










Quando as verdes  folhas dos plátanos voltaram
Vieram  com elas minhas recordações
Dos outonos em que se soltaram
E me avivaram as emoções.

Caídas nas noites de melancolia
Para cobrir as pedras e os gramados
Abrem-me um vazio de nostalgia
Das manhãs dos céus azulados.

E, entre as lembranças que não fenecem
Volvo-me em tênues pensamentos
E perco-me nos sonhos que me enternecem.

E buscarei, no entanto, um novo abrigo
Para me  acalmar em  meus desalentos
No abraço carinhoso  que dividirei contigo.


Euclides Riquetti

O Seminário: boas lembranças!

 

Vista da cidade de Ouro - Sc - O seminário Nossa Senhora dos Navegantes funcionava no prédio azul localizado atrás do prédio em amarelo, após a ponte sobre o Rio do Peixe, que liga Ouro a Capinzal. 



          Vivi minha infância muito presente no Seminário Nossa Senhora dos Navegantes, no então Distrito de Ouro, município de Capinzal.  Havia um Frei lá, João, depois o Frei Otávio, que eram os responsáveis pela educação inicial dos nossos futuros padres. Um  casarão que pertencera à Família Penso fora adquirido pelos Padres Capuchinhos e, com ampliações, comportava o Seminário. Os meninos estudavam no Mater Dolorum, até concluir o Primário. Depois iam para Riozinho, na região de Irati, no Paraná. Mais adiante, o Padre Adelino Frigo e o Victorino Prando estiveram na sua Direção.

      Lembro que o Martin Mikoski e o André Bocheco eram os braços direitos dos diretores nas décadas de 1960 e 1970.  Lideravam os meninos nas lides da roça, do estudo e das orações. Tomaram outros rumos, foram exercer outra vocação que não a do sacerdócio. Depois veio o Frei Orlando, que dirigia o jeep azul e a Ford, levando os seminaristas para trabalhar na granja deles. O esforçado Frei Orlando, compositor do Hino a Nossa Senhora dos Navegantes tornou-se sacerdote. Era uma alma bondosa. Continua sendo uma figura muito carismática. Com sua voz ressonante, enche os espaços das Igrejas onde canta.

          Eu tinha muitos colegas de aula que eram do Seminário. E também um primo. Tinham suas horas de estudos, as de orações e meditação, e ainda ajudavam na Granja dos Padres. Uma Senhora, Dona Aurora, era a mãezona de todos eles. Era uma matrona forte e respeitada, impunha respeito em talvez umas cinco dezenas de meninos afoitos.

          Aos domingos, iam para alguma comunidade, a pé, para jogar futebol. Lembro que o Luiz Frigo corria muito, tinha as pernas compridas e reclamava do juiz, normalmente um Frei.

          Quando a Festa de São Paulo Apóstolo  se avizinhava, eram colocados a pintar estatuetas de gesso do padroeiro, que eram trazidas de Curitiba. A batina marrom, um manto verde, o rosto marfim. Era mais ou menos isso. E havia alguns acabamentos que eram feitos pelo Frei João, para que o serviço ficasse bem feito. Ainda hoje há, em algumas casas no interior, exemplares desse São Paulo Apóstolo, que era benzido e vendido no Dia da Festa, 25 de janeiro, ou no domingo mais próximo. 

          No Colégio, os meninos eram bulidos, sistematicamente, por muitos dos colegas. Eles tinham umas características que os diferenciavam de nós, como por exemplo, na fala: Nós dizíamos "pra" e eles diziam "para". O Frei exigia que aprimorassem sua fala. Nós achávamos que aquilo era coisa de granfino. E diziam os esses nos plurais. E as declinações certas ao final dos verbos. Na sala eram comportados e isso nos deixava intrigados porque tinham mais prstígio do que nós que fazíamos nossas  inocentes  baguncinhas.  No futebol, eram melhores do que nós, porque em seu tempo livre, jogavam muita bola. Faziam petecas com palha de milho e penas de galinhas que eram uma maravilha. Tinham seu material escolar organizado, bem mais do que o meu, que não posso me citar como exemplo para ninguém, tamanho era meu desleixo. Por tudo isso os colegas buliam com eles.

          Eu ia diariamente ao seminário, era quase um deles. Algumas vezes me tentava a dizer que queria estudar para me tornar padre, mas  sabia que não tinha nenhuma aptidão ou vontade para isso. Acho que era por causa da companhia dos amigos. Aqueles que terminavam o primário iam para Irati e nós ficávamos muito tristes, pois só vinham para casa ao final do ano. Tinham que ficar lá em provação. Acho que isso levava  muitos deles a desistir de seu intento.

          Certa vez houve uma briga no Colégio e a minha turma de amigos ficou dividida, uns contra e outros a favor deles. Eu era a favor, pois aqueles meninos não incomodavam ninguém, mas havia uma cisma de alguns contra eles. Lembro que os contra eles desciam o morro rapidamente,  ao final da aula, antecipando-se aos seminaristas,  e amarravam as guanxumas  que havia ao lado dos carreiros para que, quando eles corressem, caíssem. E, depois, armavam uma algazarra para vê-los correr e caírem. Para nós, aquilo era divertido, não levam mais do que uns esfolões. Tinha um que era bravo, o Paulo Rosalem, que virou padre e soube que ele faleceu recentemente, em Capinzal.

           E muitos deles acabaram saindo  e tornando-se bons professores. Aliás, muitas das universidades do Oeste e Meio Oeste de Santa Catarina foram bem sucedidas porque ex-seminaristas tornaram-se professores delas, chegando ao Doutorado ou Pós-doc. E tornaram-se  diretores, reitores até. Mas também rechearam o mercado com profissionais liberais. Ou na área pública. A seriedade com que eram cobrados no estudo lhes deu uma base sólida de conhecimentos que lhes permitiu galgar escalas acima com relativa facilidade.

          Tenho boas lembranças daquelas tardes em que eu ia com um irmão pequeno participar das brincadeiras com os seminaristas.

          O Seminário Nossa Senhora dos Navegantes foi desativado, assim como os demais da região. Seus prédios são ocupados por escolas particulares, centros de administração pública e de múltiplo uso. Foi assim em Ouro, Luzerna, Ibicaré e Iomerê. No Paraná, em Ponta Grossa, um deles hoje abriga a Universidade Federal Tecnológica do Paraná.

          Nossa região, em razão de sua colonização italiana, era povoada de seminários. Os pais sonhavam em ter um filho Padre. Os filhos viam no Seminário uma maneira de sair de casa e estudar. E já valia para eles a regra de que "o futuro a Deus pertence". Talvez o Vaticano não tenha conseguido ter o número de propagadores do Evangelho que esperava, mas o certo é que muitos colégios e faculdades ganharam excelentes professores, ajudando a dar um ton de maior qualidade à nossa educação. Graças a Deus,  e não em nome de Deus...

Euclides Riquetti
28-01-2013

Amar com paixão desmedida

 




Amor e paixão, simplesmente
Paixão com amor, certamente
Para a nossa vida, as sementes
Para a felicidade, ingredientes.

Amor com ternura, com leveza
Suave, cândido e muito terno
Amor inocente, mas a certeza
De ser amor sempre eterno!

Amar, receber afagos e carícias
Sorver dos beijos suas delícias
Para a felicidade, a doce vida
Amar com paixão desmedida!

Euclides Riquetti

Te ver, te ouvir, te sentir...

 



Que bom te ver, te ouvir, te sentir
Que bom te querer, te querer, ter-se aqui!

Que bom ver o vento balançando as folhas
Que bom que a gente pode fazer escolhas!

Que bom escutar-te e poder responder-te
Que bom encontar-te e poder te abraçar
Que bom te dizer "te amo" e dest´arte
Sentir o teu sim estampado no olhar.

Que bom ver que o tempo é mais que  lembrança
Que bom relembrar de nossa primeira dança!

Que bom apenas poder te dizer
Que bom apenas ouvir a melodia
E poder te dizer que também neste dia
Eu estou em ti e tu estás no meu ser.

Que bom escrever românticos  poemas
Com palavras doces de que me lembro
Quando vagam no céu os trenós e as  renas
No calor das tardes e manhãs de dezembro.

E eu, aqui pensando em parnasianos!...

Euclides Riquetti

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Amar o mar e amar




Amar o mar e amar
Absorver os raios dourados
Do sol que chega ousado
Na manhã colossal
Outonal!

Amar um amor impossível
Distante, escondido à Leste
Em sua imensidão inconteste:
Amar esse mar oceânico
Imponente, magnânimo!

Amar com a força de um homem
Que ama uma mulher
Que simplesmente a quer
Que anda à beira do mar
Sem se mostrar...

Amar sobre todas as coisas
Com a paixão do adolescente
Com toda a Fé do crente
Amar o amor verdadeiro
O dia, o mês, o ano inteiro!

Euclides Riquetti
27-04-2020










O botão da rosa

 




O botão da rosa tremeu
Quando você passou
Acho que foi seu perfume
Que o contagiou
(E seu balançar o  emudeceu)...

O botão da rosa era vivo e galante
Portava-se como um príncipe virtuoso
Bonito, formoso!

O botão da rosa era predestinado
A tornar-se uma rosa encantada
Talvez branca
Talvez vermelha
Ou rosa matizada.

Mas quando você passou
Bonita e deslumbrada
Jogando sorrisos pra todo lado
Intimidou-se o rapagão
Que via-se ficar apenas botão.

Mas passou a tarde e a noite chegou
E caiu sereno na madrugada.

Então, na manhã azul chegou a fada
Com sua varinha abençoada
E o botão sentiu-se revigorado
E ficou todo prosa:
Um toque da varinha mágica
Era tudo de que precisava.

Então  virou uma bela de uma rosa
Esplendorosa
Perfumada!
Que foi por você beijada
E levada...

O botão  virou uma moça
Bela, risonha, cobiçada
Muito amada
Como você...

Euclides Riquetti

O mundo desabando e os políticos fazendo m...






       A pandemia do novo coronavírus está causando mortes ao redor do mundo e abalando todas as economias. Gigantes estão caindo diante da Covid 19, que está atingindo pessoas de todas as idades e de todas as classes sociais.

Os seres, amedrontados, isolam-se nas suas casas, enquanto outros desafiam o letal e invisível inimigo. E, enquanto muitos se preocupam, outros simplesmente ignoram o problema ou fazem pouco caso da doença, julgando-se imunes e acima de tudo. Até o Presidente da República, que deveria dar o exemplo, expõe outras pessoas ao risco, no momento que sai para a rua e cumprimenta seus defensores sem mesmo usar uma máscara de proteção. No Brasil, temos o direito Constitucional de ir e vir. Mas, nem por isso, precisamos nos comportar conforme nossa conveniência. O Presidente, se fosse inteligente e ouvisse seus assessores mais sérios, certamente que ficaria em casa e deixaria que as manifestações contra ouros dois poderes ocorressem pela naturalidade.

       Aqui na região, infelizmente, casos suspeitos e uma morte ocorrida até o último domingo, na vizinha cidade de Tangará. No estado, uma incidência maior na área litorânea. Embora as orientações dos técnicos da saúde, metade das pessoas anda livremente por onde quer.  Há os que pouco se importam e os que precisam trabalhar para poder levar comida para casa e cumprir com todas as obrigações que uma família possa ter. Imagino que o outro contingente, que fica isolado em casa, seja composto por idosos já aposentados, funcionários públicos que pouca falta fazem no serviço, e crianças que estão deixando de ir às escolas, mas nem por isso deixando de ter suas aulas, quer no modo online ou mesmo recebendo material impresso nas suas escolas.

       A parte feia, nisso tudo, é ver as querelas e a irresponsabilidade dos políticos, que agem conforme seus interesses e com muita demagogia perante o público. O Congresso Nacional, por sua vez, aprova leis que, logo ali, podem decretar a quebradeira do Brasil e a extinção de milhões de empregos. Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, é um dos mais demagogos e se acha o importantão do Brasil. O tempo nos mostrará, realmente, como ele é...

       Nem vou me detalhar nas questões da diferença de pensamento e atitudes de alguns governadores, pois eles, pressionados por prefeitos e parlamentares, precisam tomar decisões, nem todas elas agradando a todos. A judicialização e a insegurança jurídica também causam temores e medidas importantes deixam de ser tomadas.  Aqui em Santa Catarina, algo que chamou a atenção de todos foi a tentativa de contratação de uma empresa de São Paulo para instalar um hospital de campanha em Itajaí, por valores extraordinariamente altos. E, quando lembramos que pessoas comuns, acometidos de doenças gravíssimas, muitas vezes precisam buscar a Justiça para obterem os medicamentos aos seus tratamentos, isso se torna muito relevante. Temos dezenas de hospitais fechados, inclusive novos e já equipados, que não estão sendo utilizados. Imagino que o Governador Moisés não esteja sendo adequadamente orientado e aconselhado pelos colaboradores mais próximos. Até pessoas simples, aqui de nossa região, acham que se fosse instalada uma dezena de hospitais, mesmo que de campanha, distribuídos nos locais onde há a maior ocorrência de casos, a solução seria mais eficaz e imediata. Em cada região há profissionais que, com brevíssimos treinamentos, podem fazer com que os internados tenham adequado atendimento.

       Têm razão o Presidente e muitos governadores e prefeitos que se preocupam com a economia. Ninguém quer ver gente morrendo. Mas todos sabem que, depois da pandemia, virão as contas e vai faltar dinheiro. Fabricar cédulas, simplesmente, ou emitir títulos da dívida pública, indiscriminadamente, resolve de imediato, mas causa danos irreparáveis logo adiante. Então, cada cidade deve ter seu planejamento de volta às atividades. Em lugares onde as pessoas estão sabendo cuidar-se, mesmo que tenham que deslocar-se para o trabalho ou cumprir com seus compromissos, a conduta e as normativas locais não precisam ser iguais às dos lugares onde o caos está instalado e estão ocorrendo as infecções e as mortes.

       No domingo, manifestações populares ocorreram em alguns lugares do Brasil, bradando pelo fechamento do Congresso Nacional e do STF. Pessoalmente, acho que deveriam, ao menos, terem ido todos com máscaras no rosto. Também, quero que possamos viver em plena democracia e que no mundo atual não haja mais espaço para qualquer tipo de ditadura. Mas também concordo que o Congresso Nacional, especialmente, precisa ser mais coerente com a realidade. O diálogo entre todos os poderes e os níveis de autoridades é essencial tanto quanto proteger-se para não contrair o vírus tão letal.

       Ao meu ver, em mais duas semanas vamos saber quem tem razão. Haverá um entendimento um pouco mais claro, as estatísticas nos indicarão os lugares onde há um maior ou menor número de contaminados e mortes, e que resultados estão sendo obtidos com as metidas já tomadas. Na verdade, há uma crescente opinião de que há a necessidade de ir-se revisando as limitações impostas por decretos estaduais e municipais. As estatísticas é que determinação a dosagem em que isso deva ocorrer.

Euclides Riquetti – Escritor

Publicado no Jornal Cidadela - Joaçaba - SC
em 24-04-2020

Versos ao vento...

 




Versos jogados ao vento
Desprotegidos e desconexos
Versos jogados ao tempo
Que flutuam dispersos...

Versos sem rimas e sem consequências
Palavras escritas sem consentimento
Jogadas ao vento...
Estrofes escritas sem alma, sem nenhum sentimento:
Apenas palavras e versos solteiros
Sem um poema hospedeiro
Sem endereço certo
De um poema perdido nos caminhos do universo...

Versos procurando sentido e razão de ser
Versos procurando quem os queira ler
Mas tu não os vês
E ninguém  os lê.

Versos órfãos de autores e de leitores
Que, no anonimato
Escrevi e te mandei
Que se desintegraram dos meus sonetos
E de meus poemetos
Mas que teimam em te  procurar
Nos caminhos do vento!

Euclides Riquetti

domingo, 26 de abril de 2020

Roubaram-me os versos

 




Roubaram-me os versos e minha alegria
Na noite docemente enluarada
Roubaram-me as estrofes, o poema inteiro
Em que eu falava,  com nostalgia
De minha doce amada...

Roubaram-me os versos das redondilhas
Também os de meus alexandrinos
Do último ao primeiro
E minhas declamações ficaram maltrapilhas
Empobrecidos meus instintos libertinos...

Roubaram-me a expressão de meu lirismo
Tiraram-me a tela, a tinta e o pincel
Jogaram os meus clássicos num abismo.

Só não conseguiram me tirar o pensamento
Que mesmo sem caneta e sem papel
Permite-me expressar meus sentimentos.

Euclides Riquetti

Rio de Janeiro: A Saúde e o Estádio Engenhão... mudou algo?

Escrito e publicado em junho de 2013 no meu blog. 



"Estádio Engenhão - mais uma vergonha" - Em junho de 2013,  publiquei um texto com este título. Agora, dois anos e meio depois, continuamos com  muita demagogia no Rio de Janeiro, muita publicidade em torno das Olimpíadas que virão, muita politicagem , muita sem-vergonhice, muita irresponsabilidade. - Revejam parte do que publiquei e minha opinião atual:
         " Aquilo que parecia ser um orgulho para o Rio de Janeiro há 6 anos atrás, quando foi inaugurado, agora se transforma numa vergonha.

         Construído para tornar-se um estádio poliesportivo que pudesse abrigar os Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro em 2007 e as Olímpíadas de 2016, o Estádio Olímpico João Havelange, apelidado de Engenhão por se localizar na localidade denominada Engenho de Dentro, foi, após o uso oficial para que fora destinado, dado em arrendamento por 20 anos para o Botafogo Futebol Clube, do Rio de Janeiro. Contrato vigente até 2027, poderá ser prorrogado por mais 20, até 2047, por vontade unilateral, ou seja, desde que uma das duas partes, Prefeitura ou Clube, assim o queira.

          Celebrado como o mais moderno e bonito da América do Sul em sua inauguração, começou a fazer água, literalmente, pouco tempo depois. Com problemas na cobertura, foi interditado ainda em março. E serviu de palco, não para espetáculos esportivos, mas sim para que os políticos do Rio de Janeiro, (aqueles mesmo que deixaram o Hospital Infantil de Bonsucesso, que faz transplantes em crianças  ficasse  fechado por alguns meses), se alfinetassem  publicamente. Um denuncia e atesta a incapacidade do outro, um teatro para angariar simpatia e votos. Dizer aqui o nome deles seria estar propagando-o, e vai que algum deles ainda se candidate a Presidente e eu o teria ajudado a tornar-se conhecido...Não vou fazer isso, minha consciência recusa.

          Pois não é que agora decidiram que aquele campinho de futebol, que custou há seis anos R$ 380.000,000,00 - trezentos e ointenta milhões - aos cofres da Prefeitura do Rio, vai ter que ficar fechado até 2015 para reforma? Dizem que é por causa da cobertura. E nem têm ideia ainda de quanto vão gastar para deixá-lo em condições de uso com conforto e segurança. Digo campinho porque tem as dimensões de 105x68 metros, enquanto que o nosso, do Arabutã FC, onde joguei bola dos 12 aos 50 anos, tem 120x90 metros. Foi justamente por isso que nosso Arabutã ganhou de todos os times da região que ali recebeu, pois vinham acostumados com seus campos acanhados e o nosso era um Maracanã interiorano. Os próprios Paulo César Caju, Edu Américo, tricampeões mundiais se impressionaram com o tamanho quando qui vieram jogar, em meados da década de 1980. O mesmo disseram  Pedro Rocha, da Seleção Uruguaia e do São Paulo FC, e Djalma Dias, do Palmeiras.

          Mas o campinho chamado de Estádio Engenhão guarda o privilégio de ter Engenheiros que desafiaram as leis da física. desafiaram, erraram nos cálculos estruturais e levaram na cabeça. Foi mais uma daquelas coisas que nos confirmam que  "quem vê cara,  não vê coração". "
         Pois bem, os noticiários, ontem e hoje, deram farto material sobre a situação do sistema público de saúde no Rio de Janeiro. Uma lástima! Continua muita politicagem e pouca solução para os problemas. E, sabemos, em muitas cidades pequenas neste Brasil afora os hospitais públicos e filantrópicos continuam a vender números de  rifas para poder saldar seus compromissos. Uma calamidade pública! Enquanto isso, os PODERES levando muito dinheiro para sustentarem seus privilégios. E os vícios dos políticos eivados na corrupção, causando danos a toda a sociedade e deixando nosso País desmoralizado e com a economia combalida.
Vamos aproveitar as folgas de fim de ano para dar uma refletida nisso tudo!
Euclides Riquetti
24-12-2015

Maracanã X Saúde - O Rio da Vergonha

segunda-feira, 24 de outubro de 2011


Hospital de campanha instalado no Rio Centro para atendimento a pacientes
vitimados pelo Coronavírus - 2020 - Há quase 9 anos eu já reclamava do
mau emprego do dinheiro público, priorizando estádios e relegando a saúde
a planos secundários. 


 

Não posso, como cidadão, omitir-me. Vi , há poucos minutos, uma notícia chocante: No Rio de Janeiro, depois de esperar por mais de uma semana, a família de uma paciente (idosa) conseguiu uma decisão judicial em que os Secretários de Saúde do Município e do Estado do Rio de Janeiro deveriam disponibilizar um leito de UTI para a mesma, sob pena de os mesmos serem presos caso não cumprissem a determinação. E o Prefeito e o Governador deveriam ser informados da decisão da Juíza.  Azar da paciente, que morreu antes do cumprimento do ato judicial. Sorte dos Secretários,  por ela ter morrido. Não iam cumprir a decisão judicial porque não tinham leitos suficientes na Rede de Saúde Pública. Disseram que a internação em UTI é seletiva, baseando-se em critérios técnicos. QUE VERHONHA! Que disparate! Quanta insensatez!

Isso me remeteu a analisar como vivemos num país "Reino da Fantasia". Um Sistema de Saúde que garante direitos à população e que os governos não cumprem. Quanta falta de senso de responsabilidade, quanta falta de critério,  de prioridade. Quanto dinheiro queimado em meu país! Que vergonha, Rio de Janeiro!

Senão, vejamos:

As reformas do Maracanã para os Jogos Panamericanos de 2007 consumiram R$ 395.000.000,00. Alguns dizem que existem "aditivos contratuais". Não posso afirmar isso, pois não moro lá... Mas falam, na imprensa televisiva, que o valor chegou a R$ 500.000.000,00. Quinehntos milhões. E também construíram o Engenhão, que deram para o Botafogo. Mas, o absurdo, mesmo, é o que vão fazer agora, para a Copa do mundo: Maracanã fechado, em reformas, ao custo de R$ 1.000.000.000,00.  Um bilhão de reais. Dizem que os contratos iniciais chegam perto disso, mas, certamente, virão os aditivos, as correções, os ajustes e reajustes. Serão Um bilhão e meio de reais para reformas no Maracanã, para que possa ter condições de  sediar as finais da Copa do Mundo, em 2014, SE O BRASIL FOR FINALISTA. Tomara que o seja, senão vai ficar muito chato para o Rio de Janeiro.

Mas, se a Seleção Brasileira não for às finais, a decisão não será no Maracanã. E agora, eu que sempre fui um fiel torcedor de nossa Seleção, fico como? Torço para meu país, como sempre fiz ou faço, ou torço contra, para que percamos e passemos a "tomar vergonha na cara"? Ah, claro, se o Brasil ganhar a Copa, vamos perdoar todo mundo, até gostaremos de ter autógrafo de alguns jogadores, mesmo que seja do  terceiro goleiro. Ou do Mano, se sobreviver até lá, ou do Massagista. Ou mesmo do Ricardo Teixeira, do Governador demagogo do Rio de Janeiro, que ainda não conseguiu atender direito àqueles que perderam suas casas nos desabamentos das encontas, que não consegue dar atendimento hospitalar aos seus governados.

Ficamos assim: Se, antes da Copa do Mundo, os  problemas com a saúde pública daquele Estado ficarem  resolvidos, pelo menos boa parte deles, e conseguirem debelar  a dengue, escreverei uma crônica enaltecendo os feitos daquele Governador. E pedirei desculpas pela minha ousadia.

Mas, investir fortunas para preparar um estádio para um jogo que nem sabemos se vai acontecer, é mesmo uma grande irresponsabilidade, uma vergonha.

Como cidadão, não posso omitir-me. Haverá os que acham que futebol é a melhor coisa do mundo, que me criticarão. Mas não terei a crítica de minha consciência, a acusar-me por omissão.

Quantas vagas de UTI poderiam ser construídas e mantidas com Um Bilhão e Meio de Reais???

Para a pequena Beatriz


Nasceu Beatriz - mais uma neta querida
Há uma semana veio mais uma indiazinha
Chegou linda nossa esperada criancinha
Nos berços do Pequeno Príncipe trazida.

Assustou-nos, todos, logo em sua chegada
Mas veio firme trazida por mãos mágicas
Recebida pela mãe, uma pessoa fantástica
Veio para receber o amor e para ser amada.

Beatriz - um pequeno raio de sol brilhou
Clareou este mundo escuro e nevoento
Veio para transformar o domingo cinzento...

Guerreira, nossa pequena Beatriz já chegou
Vai ficar uns dias com cuidados de realeza
Precisa e merece, nossa adorável princesa!

Euclides Riquetti
26-04-2020



(Para a querida Beatriz Fagundes dos
Passos Riquetti - nascida em 19-04-2020
em Curitiba - PR)






Quero meu sol de volta!

 


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Quero meu sol de volta
Aquele mesmo que me foi roubado
Que venha trazido com escolta
Sob este céu cinzento, nublado
Quero meu sol de volta!

Quero que ele venha, mesmo que atrasado
Para me dar energia, alegrar meu sábado
Meu sol cor de sol, cor da vida...

Quero que volte, depressinha
Para animar a tarde minha
Pois... a tarde convida!

Quero meu sol de volta
Para me ajudar a compor com poesia
Sem dor, sem nenhuma revolta
Uma canção de nostalgia
Então, me dê agora, me dê meu sol de volta!

Quero que ele venha dourado
Meu sol do presente, meu sol do passado
Um sol divinamente...acalentador!

Quero um sol causticante
Deliciosamente gostoso e fascinante:
Estimulante, lindo, encantador!

Euclides Riquetti

Na harmonia do universo

 


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Pássaros azuis prateados vagam na noite enluarada
Seguem o caminho onde passam os cavalos alados
A estrela maior cintila soberana na manta sagrada
Que cobre o sol ausente e o esconde no outro lado.

Cantigas saudosas flutuam em leves ondas sonoras
E em alfa e centauro flertam com o cruzeiro do sul
Navegam, discretas, nas mentes ágeis e prodigiosas
E afagam as almas puras que rondam todo céu azul.

Partículas estáticas se desprendem dos astros soltos
Que se perdem no ar e se espalham pelo céu infinito
E se curvam diante das divindades e ídolos revoltos.

E, na harmonia do universo meus olhos te procuram
Buscam encontrar teu corpo moreno e o rosto bonito
Pois no leste e no oeste os sonhos nascem e perduram!

Euclides Riquetti

sábado, 25 de abril de 2020

Menino matreiro...



Fabrício com a esposa Luana - filho e nora


Corre pra lá
Vira pra cá
Pula que pula
Volta a pular
Criança marota
Criança feliz
Adora nas plantas
Fazer seu xixi.
 Sobe que sobe
Desce que desce
A noite vem logo
O céu escurece
Sorri como o sol
Sorriso matreiro
Mordendo o lençol
E o seu travesseiro.
Canta que canta
Cantigas de roda
Se finge de santa
Criança dengosa
Me conte  piada
Me conte menino
Você vai traçando
Seu jeito ladino.
Dorme que dorme
Bonito menino
Come que come
Vagar, vagarinho
Você é o anjo
Que me faz feliz
Você é o sonho
Que eu construí
(Composta quando o Fabrício
tinha 8 anos)
Euclides Riquetti
09-03-1995