A pandemia do
novo coronavírus está causando mortes ao redor do mundo e abalando todas as
economias. Gigantes estão caindo diante da Covid 19, que está atingindo pessoas
de todas as idades e de todas as classes sociais.
Os seres, amedrontados, isolam-se nas suas casas, enquanto
outros desafiam o letal e invisível inimigo. E, enquanto muitos se preocupam,
outros simplesmente ignoram o problema ou fazem pouco caso da doença,
julgando-se imunes e acima de tudo. Até o Presidente da República, que deveria
dar o exemplo, expõe outras pessoas ao risco, no momento que sai para a rua e
cumprimenta seus defensores sem mesmo usar uma máscara de proteção. No Brasil,
temos o direito Constitucional de ir e vir. Mas, nem por isso, precisamos nos
comportar conforme nossa conveniência. O Presidente, se fosse inteligente e
ouvisse seus assessores mais sérios, certamente que ficaria em casa e deixaria
que as manifestações contra ouros dois poderes ocorressem pela naturalidade.
Aqui na região,
infelizmente, casos suspeitos e uma morte ocorrida até o último domingo, na
vizinha cidade de Tangará. No estado, uma incidência maior na área litorânea.
Embora as orientações dos técnicos da saúde, metade das pessoas anda livremente
por onde quer.
Há os que pouco se
importam e os que precisam trabalhar para poder levar comida para casa e
cumprir com todas as obrigações que uma família possa ter. Imagino que o outro
contingente, que fica isolado em casa, seja composto por idosos já aposentados,
funcionários públicos que pouca falta fazem no serviço, e crianças que estão
deixando de ir às escolas, mas nem por isso deixando de ter suas aulas, quer no
modo online ou mesmo recebendo material impresso nas suas escolas.
A parte feia,
nisso tudo, é ver as querelas e a irresponsabilidade dos políticos, que agem
conforme seus interesses e com muita demagogia perante o público. O Congresso
Nacional, por sua vez, aprova leis que, logo ali, podem decretar a quebradeira
do Brasil e a extinção de milhões de empregos. Rodrigo Maia, presidente da
Câmara dos Deputados, é um dos mais demagogos e se acha o importantão do
Brasil. O tempo nos mostrará, realmente, como ele é...
Nem vou me detalhar nas questões da
diferença de pensamento e atitudes de alguns governadores, pois eles,
pressionados por prefeitos e parlamentares, precisam tomar decisões, nem todas
elas agradando a todos. A judicialização e a insegurança jurídica também causam
temores e medidas importantes deixam de ser tomadas.
Aqui em Santa Catarina, algo que chamou a
atenção de todos foi a tentativa de contratação de uma empresa de São Paulo
para instalar um hospital de campanha em Itajaí, por valores extraordinariamente
altos. E, quando lembramos que pessoas comuns, acometidos de doenças
gravíssimas, muitas vezes precisam buscar a Justiça para obterem os
medicamentos aos seus tratamentos, isso se torna muito relevante. Temos dezenas
de hospitais fechados, inclusive novos e já equipados, que não estão sendo
utilizados. Imagino que o Governador Moisés não esteja sendo adequadamente
orientado e aconselhado pelos colaboradores mais próximos. Até pessoas simples,
aqui de nossa região, acham que se fosse instalada uma dezena de hospitais,
mesmo que de campanha, distribuídos nos locais onde há a maior ocorrência de
casos, a solução seria mais eficaz e imediata. Em cada região há profissionais
que, com brevíssimos treinamentos, podem fazer com que os internados tenham adequado
atendimento.
Têm razão o
Presidente e muitos governadores e prefeitos que se preocupam com a economia.
Ninguém quer ver gente morrendo. Mas todos sabem que, depois da pandemia, virão
as contas e vai faltar dinheiro. Fabricar cédulas, simplesmente, ou emitir
títulos da dívida pública, indiscriminadamente, resolve de imediato, mas causa
danos irreparáveis logo adiante. Então, cada cidade deve ter seu planejamento
de volta às atividades. Em lugares onde as pessoas estão sabendo cuidar-se,
mesmo que tenham que deslocar-se para o trabalho ou cumprir com seus
compromissos, a conduta e as normativas locais não precisam ser iguais às dos lugares
onde o caos está instalado e estão ocorrendo as infecções e as mortes.
No domingo,
manifestações populares ocorreram em alguns lugares do Brasil, bradando pelo
fechamento do Congresso Nacional e do STF. Pessoalmente, acho que deveriam, ao
menos, terem ido todos com máscaras no rosto. Também, quero que possamos viver
em plena democracia e que no mundo atual não haja mais espaço para qualquer
tipo de ditadura. Mas também concordo que o Congresso Nacional, especialmente,
precisa ser mais coerente com a realidade. O diálogo entre todos os poderes e
os níveis de autoridades é essencial tanto quanto proteger-se para não contrair
o vírus tão letal.
Ao meu ver, em
mais duas semanas vamos saber quem tem razão. Haverá um entendimento um pouco
mais claro, as estatísticas nos indicarão os lugares onde há um maior ou menor
número de contaminados e mortes, e que resultados estão sendo obtidos com as
metidas já tomadas. Na verdade, há uma crescente opinião de que há a
necessidade de ir-se revisando as limitações impostas por decretos estaduais e
municipais. As estatísticas é que determinação a dosagem em que isso deva
ocorrer.
Euclides Riquetti – Escritor
Publicado no Jornal Cidadela - Joaçaba - SC
em 24-04-2020