segunda-feira, 2 de novembro de 2020

O afastamento de Carlos Moisés

 


Governador afastado Carlos Moisés - Governadora Interina Daniela Reinehr


      O Processo de impedimento legal contra o Governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, foi aprovado pelo Tribunal Especial que foi instalado com o fim de apurar a culpabilidade do Governado em razão de ter equiparado os vencimentos dos Procuradores do Estado com o dos Procuradores da Assembleia Legislativa - ALESC. A sessão terminou à 1,30 h da madrugada do sábado, 24 de outubro. Moisés foi eleito em 2018, em segundo turno de votação, com 70% dos votos dos catarinenses.

       Houve 6 votos favoráveis ao afastamento, sendo de 5 deputados e de um juiz. A vice -Governadora, Daniela Reinehr, foi absolvida por um deputado e 4 juízes. Assim, coube ao Presidente do Tribunal de Justiça dar o voto de Minerva para a absolvição de Daniela, que assumiu o cargo de Governadora Interina na terça, 27. Na terça, já estava escolhido o novo tribunal que vai julgar o segundo processo de impedimento de Moisés.

       Agora, se Moisés for  condenado pelo plenário da ALESC ainda neste ano, haverá nova eleição para Governador. Se for no curso de 2021, a eleição do seu sucessor será de forma indireta quando um deputado estadual deverá ser eleito.

       Porém, aguardam-se outros desdobramentos, pois que o Governador afastado, certamente, buscará recursos que lhe possam recolocá-lo no cargo, uma vez que a Polícia Federal apurou a inocência dele no processo aquisitivo dos equipamentos.

       Esse segundo julgamento está em pauta, desta vez com denúncia apenas ao Governador, não incluindo a Vice Daniela Reinehr, em que Carlos Moisés é acusado de malversação do dinheiro público em razão da compra, com valores muito altos, de 200 respiradores para equipar UTIs, pagando adiantado por eles. Nem todos foram entregues e ainda não servem para a finalidade para a qual foram comprados.

       Mas uma constatação decepcionante eu tive nesta semana, ao pesquisar sobre os beneficiados pelo Auxílio Emergencial. Fora do serviço público, na atividade privada, muitos “honoráveis” cidadãos se inscreveram para receber a ajuda do Governo Federal através da Caixa. Poucos devolveram o dinheiro recebido indevidamente. Pessoas bem aposentadas e com considerável patrimônio já amealhado, pessoas cuja atividade comercial ou laboral não teve mais do que uma ou duas semanas de interrupção, pegando dinheiro. E isso me fez lembrar de que, muitas vezes, na ocorrência de eventos climáticos adversos, com a ocorrência de estiagens prolongadas, enchentes, alagamentos, vendavais, tornados ou chuvas de granizo, pessoas oportunistas e aproveitadoras buscam  auxílios dos municípios e Estado através da Defesa Civil, cobrindo as despesas com recuperação e ainda sobrando-lhes materiais ou insumos angariados. E tal prática acaba prejudicando aqueles que realmente perdem quando têm seus bens destruídos e que, honestamente, tentam recompor-se do que perderam.

       Bom exemplo aqui na Cidade Alta, em Joaçaba, é o trabalho de implantação de calçadas que a CELSEC está realizando nas bordas dos terrenos do seu almoxarifado. Serviço excelentemente executado pelos pedreiros de uma empreiteira, adequação do traço da argamassa e ferragem bem tramada e em bitola ideal para suportar o peso dos caminhões nos rebaixes para as entradas aos depósitos. Pouquíssimas vezes vi um trabalho tão bem feito em minha vida. Parabéns aos executores e à contratante dos serviços.

       Encontrei o Julinho do PROCON de Joaçaba, o Júlio César Souza,  no sábado passado na saída de um supermercado. Falei-lhe da importância de seu trabalho em favor da sociedade, de sua capacidade de resolução de problemas e da forma muito didática com que se comunica com a população em suas entrevistas em rádio. Linguagem simples, inteligível, fácil de se entender. Também lhe relatei que tenho admiração pela forma que se comunica a Senhora Eugênia Bucco, em Herval d´Oeste, quando informa sobre assuntos da saúde. Nem sequer a conheço, mas tenho uma boa impressão sobre ela.  Ambos têm ótimo nível de comunicação. Enquanto muitos enfeitam a linguagem achando que estão “na moda”, continuam maltratando a língua mater. É assim que precisa ser! Parabéns a ambos!

       As empreiteiras que prestam serviços à Prefeitura de Joaçaba devem ter muito cuidado com a sinalização que usam para indicar a execução de obras. E o pessoal que tem a responsabilidade de acompanhar ou fiscalizar precisa ter muita atenção a isso. Na descida do Joviva para o Menino Deus, a colocação inadequada das placas tem sido um problema para que utiliza aquela via. Presenciei uma fato lá na terça pela manhã, quando a placa que indicava a proibição de passagem pelo local da obra estava fora do centro da via. E os carros que acessaram o local tiveram problemas para retornar devido ao aclive acentuado. Dá para cuidar um pouco m ais disso, não dá?¹

       Mais duas semanas e vamos saber quem dirigirá os municípios brasileiros.

Euclides Riquetti – Escritor 

Jornal Cidadela - Joaçaba - SC

30-10-2020

 


Perdas ensejam saudades...

 




Perdas são sempre sentidas
Ensejam  as saudades
Aguçam a sensibilidade
Ferem os corações e as almas doridas...

As perdas dilaceram os ânimos
E mutilam os pensamentos
Fazem a mente viajar pelo tempo
Perder-se em dias, meses e anos...

As perdas deixam marcas que não se apagam
Que ficam conosco eternamente
E que nos destroem  lentamente.

As perdas acontecem e as vidas passam
Fica a dor a matar quem já tanto sofreu
Fica o tempo a lembrar-nos de quem se perdeu...

Euclides Riquetti

Nossas verdes folhas e nosso céu anil!

 



Nosso mundo verdejante é uma dádiva de Deus
Que enfeita nossos dias ensolarados
Que anima nossos sonhos esperados
Que encanta os olhos teus e os olhos meus!

Ipês elegantes, belos,  roxos, ou amarelos
Cingem a  paisagem em meio às matas aqui do Sul
Que se estendem sob este Divino manto azul
E se banha com os raios do generoso sol  singelo.

Em nossos rios, as águas correm e pedem socorro:
"Cuidem de nós, não deixem que nos maltratem!
Não nos poluam, apenas nos bebam e nos exaltem!
Desde a foz no mar, até a nascente no morro"!

Nas nossas matas, cuidemos das rolinhas e dos sabiás
Respeitemos os canários que cantam em nossos jardins
Que vêm respirar os perfumes dos cravos e dos jasmins.
Preservem nas matas os tatus, as lebres e os preás!

Recomendemos a todos que cuidem de nossas cidades
Usem com critério os recursos naturais que temos
Que os nossos  verbos sejam "respeitemos e preservemos"
E com nossa natureza jamais façamos  maldades!

Que todos os avôs, avós, tios,  mães e também os pais
Deem bons exemplos de conduta ambiental
Ensinando a respeitar a natureza colossal
Para que não nos arrependamos jamais!

Abençoa, Senhor, nossas verdes folhas e nosso céu anil
Abençoa e guarda nossa encantadora natureza
Que Deus criou com toda a sua maestria e beleza
Verdadeiro santuário do Sul de meu Brasil!

Euclides Riquetti

Sentir o teu perfume no ar

 




Na manhã,  depois da tempestade
Volta o vento calmo do Sul
E lembro-me,  com muita saudade
De teu rosto de divindade
De teu  olhar verde-azul...

Na manhã, depois da tormenta
Volta-me toda a alegria
Meu coração já não  lamenta
E minha alma deseja, sedenta
Navegar nesta calmaria...

Na manhã do dia que chega
O canto dos pássaros a me alegrar
Para mandar embora a tristeza
E, no despertar da natureza
Sentir teu perfume no ar...

Euclides Riquetti

O vento que sopra na tarde

 



O vento que sopra na tarde
E que move as folhas da planta
Traz-me paz, sem mais alarde
E faz-me sentir qual criança.

Quando a primavera  chegou
Começou a mudar a paisagem
A flor se abriu, desabrochou
No vaso que abrigou a folhagem.

A juventude é assim:
Surge bela, como a flor
Ocupa os canteiros do jardim
Abre-se em sonhos de amor.

Ah, setembro - primavera!
Tempos de vida e de cor
Vem o sol que a gente espera
Traz na  tarde seu fulgor.
 
Euclides Riquetti

domingo, 1 de novembro de 2020

Cumplicidade, amor, pecado

 



Um doce pecado de amar

Uma leve cumplicidade 

A sutil sutileza da realidade

O real desejo de sonhar...


O encantamento poético

Um entender e desentender

O raio de sol ao amanhecer

O amor do namoro discreto...


A espera do anoitecer

A chegada do luar

As estrelas a cintilar

E continuar a viver...


Oh, escuros sons da noite

Por que açoitam meus ouvidos?

Por que lembro de ais já esquecidos?

Para minha dor tantos açoites?


Oh, amores interrompidos

Rios de lágrimas ainda meninas

De águas puras, cristalinas 

Lavem meus pecados bandidos.


Cumplicidade, amor, pecado

Amor fruto da cumplicidade

Pecado de sentir saudade

E medo de não ser... perdoado!


Euclides Riquetti

01-11-2020



Reverenciar quem já se foi...

 



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Reverenciar quem já se foi...
Dia de Finados, de reverenciar os que amamos
De lembrar dos entes queridos que foram morar no céu
Dos que não nos esquecemos, mesmo que com os anos
Estejam eles sob terra, em sepulturas ou mausoléus...

Dia de silenciar, de muita meditação e muitas orações
De manifestar nosso carinho pelo que nos representam
De levantar os olhos ao céu, manifestar as intenções
Verdadeira é a vida quanto as rezas que a sustentam.
Lembro, com muito carinho, de tantos que nos deixaram
Alguns prematuramente, outros nos deixando história
Todos aqueles que amamos e todos os que nos amaram.
Reconhecer o mérito de cada um, dar-lhes o devido valor
Ter a imagem de todos eles gravada em nossa memória
Seguir os caminhos mais justos, viver para distribuir amor!


Euclides Riquetti

Zina e Breca - Cachucha e Cride - uma história real!

 




Neuzina Fischer - a Zina - faleceu em Porto União no
dia 13-09-2018 - É a personagem desta crônica da nossa
vida real!




          Dois de junho de 1973 - sábado. Dia de Festa Junina em Porto União, no Colégio Cid Gonzaga. Toda a juventude das cidades gêmeas do Iguaçu estava ansiosa para que esse dia chegasse. É que acontecia uma festa muito badalada por lá. Além dos folguedos, dança na sala do auditório. Talvez que essa fosse a parte mais esperada da festa...

          O Professor Welcedino, um "serra-abaixo" catarinense gostava de ter tudo bem organizado. A festa era muito esperada. Quadrilhas de danças, quentão, pipoca, pinhão, doce de abóbora, amendoim, pé-de-moleque... Foguetes espocando no ar. As rádios Colmeia, Difusora e União com seus locutores falando do evento. Os jornais "O Comércio", "Caiçara" e "Traço de União" dando força. E nós, jovens, na expectativa.

          Mandei uma carta para minha irmã Iradi convidando-a. Veio com a prima Salete Baretta. Foram hospedar-se na casa da prima Gena Casara que estava estudando por lá. Chegaram na sexta à tarde. Tudo preparado para irmos à Festa no sábado. Imperdível.

          Mas um imprevisto quase que atrapalha nossos planos. Nosso colega da República Esquadrão da Vida, o Celso Lazarini, o Breca, nascido no hoje Lacerdópolis (quando ainda petencia a Capinzal) e que  morou na casa do Serafim Andrioni, no Ouro, e em 1968 trabalhava nas Casas Eduardo, em Capinzal, estava machucado.  Agora era o melhor goleiro de futsal em União da Vitória, fora profissional no futebol de campo. Pois na  sexta levou  um chute no nariz, na Quadra do Túlio de França.  O Dorinho  ia fazer o gol, o Breca foi brecar e o pé do artilheiro arrebentou o nariz de nosso colega. Emergência, cirurgia. Ficamos todos muito preocupados. Víamos o sofrimento do amigo e tínhamos nossa programação de lazer. Não queríamos perder a festa,  nem deixar o amigo sozinho em casa naquele sábado. Precisava de cuidados. Ele dizia que podíamos ir, que ele mesmo se cuidava. Gentil como sempre. É assim até hoje.

          Pertinho de casa havia um salão de estética, o "Silhueta". A Zina, a Célia comandavam. A Ivone, cunhada da irmã da Zina, estava sob seus cuidados. Eram minhas amigas. A Zina estava chorosa, de mal com a vida, deprimindo-se. Pedi-lhe um favor. Perguntei-lhe se poderia cuidar do Breca naquela noite para que pudesse participar da festa junina no Cid. Disse-lhe que ele estava machucado e precisava de cuidados. Pensei que um podia cuidar do outro. Aceitou que eu o deixasse em sua casa. Cuidaria dele. E assim o fez.

          Fomos com os colegas, o Osvaldo e os dois  Odacir, o Giaretta e o Contini, mais  minha irmã  e a prima para a festa. Eu de braços dados com minha irmã. O Boles não foi, tinha que ficar no ponto de táxi com seu Corcel 4 portas. Era um horário bom pra ganhar uma graninha.
Na chegada, percebi que havia uma bela garota com quem eu tinha dançado no "Clube 25"  duas semanas antes. Ela deve ter-se decepcionado comigo, pois eu estava de braços dados com uma de quase minha altura. Não sabia ela que era minha irmã que estava comigo.  Adiante, contou-me que pensou que era minha namorada...

         Na dança, muita animaçao na sala do auditório. Um colega meu era Cabo do Exército Brasileiro, do 5º BE, de Porto União, Odacir Contini. Educado, respeitava as regras dos militares. Quando íamos ao cinema, com os Cabos Frarom, Backes, Godói, Figueira ou Maciel, tínhamos que sentar atrás de qualquer oficial superior deles. Então, no Cine Ópera, entrávamos olhando para as cadeiras e precisávamos  ir ao fundo do cinema ver os filmes e respeitar essa regra hierárquica. Nenhum subalterno podia sentar à frente de um superior.  Pois bem, o Contini falou-me: "Vou tirar aquela morena que está com a Dora pra dançar. E, educadamente, deu a volta por detrás dos  presentes, pois havia um sargento no local.

          Quando vi que era a garota que eu conhecera poucas  semanas antes, cortei caminho pelo meio do salão. Eu não era militar, não  tinha superior, podia ir por onde bem entendesse. E, quando ele lá chegou, eu já estava com ela. E dançamos. Dançamos, dançamos  muito, rimos, contei-lhe piadas.

           Hoje, mais de 40 anos depois, continuamos a dançar, juntos. Temos três  filhos, uma neta, um neto... Dois genros, uma nora!

           E o Breca e a Zina?    Bem, ela está cuidando dele há  40 anos também. Têm uma filha, a Marcela, que voltou recentemente para Porto Uni'ao depois de estudar na Austrália. O Breca  vende carros em sua loja numa bela esquina da ida para o Estádio do Ferroviário. A Zina tem seu salão ali perto do Clube Concórdia. Continua igual há  40 anos. A mesma disposição, a mesma silhueta, a mesma amabilidade e a mesma simpatia. Visitei-os recentemente. Rimos muito, contei para duas amigas dela essa história. Disseram-me que eu deveria escrever sobre isso. Então aqui está.

           Duas histórias que começaram no mesmo dia. E, mesmo com as dificuldades do dia-a-dia, com todas as barras enfrentadas, formamos nossas duas famílias. A Zina e o Breca, a Cachucha e o Cride.


Euclides Riquetti

Ao meu pai, com saudades...

 




Dias sem pássaros, noites sem estrelas
Dias de densas nuvens, o vento a volvê-las
Noites tão escuras, luar contido, ausente
Fazem dos meus sonhos futuro sem presente...

Dias de chuva forte, sem sol, sem luz no céu
Dias sem esperança, cinzento mausoléu
De alguém que foi distante, buscando seu destino
Tombando para sempre, subindo ao céu divino.

Conforto-me em saber que fez o bem na terra
Que pela sua bondade fará novos amigos
No céu que é manto azul, é flor da primavera
Verá,  mais uma vez, seus entes tão queridos.

E entre dias sem lindas noites, noites sem dias lindos
Eu fico recordando, pensando nos já findos
Em que você se foi, naquele longo inverno
Buscando nova vida, buscando o Pai Eterno!

Euclides Riquetti
Composto em julho de 1993.

Dia de Finados

 


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          Neste dia consagrado aos mortos, quero, respeitosamente, congratular-me com todos os meus leitores que já perderam familiares, pessoas próximas e amigos queridos. O ser humano, sensível, sofre quando perde entes que muito ama.

          Hoje, rezei pelos meus amados e saudosos pais, Guerino (falecido em 1977), e Dorvalina Adélia Baretta  (falecida em 2000). E pelo meu irmão Ironi Vítor, que partiu, aos 51 anos, em 1998. Sempre sonho com todos eles, parece-me, então,  reviver a realidade como se ainda estivessem conosco. Também por meus cunhados Anílton (Kiko) e Círio Carmignan, o primeiro descansando em Pato Branco e este em Araucária. Ainda, para meus ex-colegas de trabalho e ex-alunos que partiram antes de nós, para as pessoas que fui conhecendo, ao longo da vida, nas cidades onde morei: Capinzal, Ouro, Porto União, União da Vitória, Zortéa e, agora, Joaçaba.

          Costumo dizer que precisamos viver bem e com dignidade  aqui na Terra,  fazer o bem, querer que todos estejam bem e que fiquem bem. Procuro fazer a minha parte, oriento as pessoas de quem me aproximo para que tenham a vida saudável e que estimulem a alegria, rejeitando a melancolia, que uma forma de dar saúde física e mental a nós mesmos.

         Que Deus dê muita paz aos que se foram e saúde e longevidade aos que aqui estão!

Euclides Riquetti

A gente só chora por quem ama, amou, ou foi amado!

 


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          Os cristãos católicos do mundo todo celebram, no dia 2 de novembro, o Dia de Finados, que também é conhecido como o Dia dos Mortos. Há, ainda, a denominação de "Dia dos Fiéis Defuntos". Isso ocorre desde o Século II, mas foi somente no Século XIII que a Igreja Católica impôs, através de Roma, que ele fosse dedicado, obrigatoriamente, para que os viventes visitassem os túmulos de seus entes queridos. Foi secundar o Dia de Todos os Santos, que acontecem no dia primeiro do mês de novembro. Dizem que a Igreja Católica baseou-se em em informações Bíblicas para fundamentar a data coomemorativa de finados.

          Mas, hoje, mais do que a presença do ser humano que visita os seus entes queridos num cemitério, tem-se que o que vale é a intenção de se prestar o reconhecimento a pessoas que queremos bem, o que me vem como algo  muito certo. Mas, rememorar as pessoas que amamos e nos deixaram, é uma prática que cultivamos em quaisquer de nossos dias.

          A prática de se visitar os túmulos dos entes queridos no dia 2 de novembro, porém, traz um pouco de "protocolo social". Enquanto que alguns acendem uma vela com a intenção de "dar mais luz" a quem já a a tem, e o fazem com muito respeito e carinho, e lhes levam pelo menos um flor, a mais bonita que possam colher no jardim de sua casa, outros compram belíssimos buquês, que vão adornar os túmulos nos cemitérios. Ainda, observa-se que, durante o mês de outubro, há intensa atividade laboral nos "campos santos", uma vez que as pessoas costuman fazer reformas em jazigos, pintar ou lavar túmulos. Há, em cada lugar, desde os montinhos de terra com uma velha cruz indicando que ali há um corpo enterrado, bem como verdadeiros mausoléus revestidos com mármores ou granitos.

          Algo também que deve ser considerado, aqui no Brasil, é o fato de que os cemitérios, públicos ou privados, precisam adequar-se à Legislação Ambiental, devendo passar por rigoroso processo de licenciamento para funcionar. Isso para evitar que os corpos em decomposição venham a contaminar os lençóis de água subterrâneos e os rios e lagos. Um processo de licenciamento envolve profissionais gabaritados, inclusive é de suma importância a participação de um geólogo no procedimento de avaliação do solo em que se localiza. Participei do licenciamento de um, junto com o amigo geólogo Jorge Augusto da Silva. Todo o processo somou mais de 50 folhas de papel com memoriais descritivos e plantas.

          O aspecto histórico dos cemitérios tem muito valor cultural, também. Aqui na região, o de Campos Novos tem centenários jazigos, com toda a sorte de arquitetura. Em Capinzal, há o cemitério redondo, pouco utilizado mas de muito valor histórico, segundo o saudoso historiador  Dr. Vítor Almeida. No interior de Água Doce, ali próximo à Fazenda Nossa Senhora de Belém, há um cemitério com belos jazigos construídos com muita arte.

          O Cemitério da Recoleta, construído pelo Padres Recoletos, em Buenos Aires, é um dos mais importantes e imponentes do mundo, seguramente o mais visitado da América do Sul, como atrativo turístico da bela Capital Portenha. Visitei-o no início do ano, pois queria conhecer o lugar onde repousa o corpo de Eva Maria Duarte de Perón, a Santa Evita dos argentinos. Sou simplesmente fissurado em Evita. Já li tudo o que me apareceu à frente sobre a vida da Primeira Dama da Argentina, que faleceu no ano em que eu nasci, aos 33 anos. Uma arquitetura fantástica, baseada na melhor arte parisiense e londrina.  Lá também visitei o túmulo do Ex-presidente Raúl Alfonsín, que o amigo Juca Santos dizia-nos que seria o salvador, pela democracia, do povo argentino. (E também dizia que viriam as eleições diretas e que Ulisses Guimarães iria ser o maior presidente da história de nosso país.)

         Na semana, fui levar velas e flores para meu pai, Guerino Riquetti, minha mãe, Dorvalina Adélia Baretta Riquetti, e meu irmão Ironi Vítor Riquetti, cujos corpos descansam lá no cemitério municipl em Ouro. Todas as vezes que vou para aquela cidade costumo visitá-los. Estar próximo de seus corpos aviva minha memória, faz-me lembrar de muitas e saudosas passagens que vivi com eles. E, hoje, só no ato de escrever este último parágrafo, não consigo conter minhas lágrimas. Isso acontece sempre que escrevo algo sobre eles. A gente só chora por quem ama, amou, ou foi amado!

Euclides Riquetti

Um poema de amor

 






Não há manhã sem sol que não seja agradável
Não há noite de luar que não o seja também
Não há tarde de chuva que seja interminável
Que não  se possa parar pra  pensar em alguém.

Não haverá mais amor numa carta chorosa
Não haverá  mais amor que em minha poesia
Não há, mas espero você, carinhosa
No canto que eu canto e que lhe leva a magia.

Não há nenhum dia que eu não componha um poema
Não há um só momento que eu não pense em lhe ver
Não há uma semana em  que eu não escreva
Um poema de amor, só de amor por você!

Euclides Riquetti

Na noite da super lua

 








Na noite da super lua
Tentei agarrá-la
Delicadamente
Deliciosamente
Com minhas mãos segurá-la...

Queria que ela me dissesse
Algo que me comovesse
Algo que me convencesse
Como o sol que me incandesce...

Na noite em que ela desfilou
Bela, maliciosa, altaneira
Bela, majestosa, faceira
Sobre as areias de Canasvieiras
Eu a beijei com minha alma ditosa...

E ela, branca, prateada, caprichosa
Me fez buscar palavras
Em minhas lavras
Para compor o tema
Deste meu poema
Que fiz e guardei para você
Pra você!

Euclides Riquetti

sábado, 31 de outubro de 2020

Beijar seus pés... com sedução!

 





Eu queria beijar seus pés com devoção
Acariciar sua pele com sedução
Causar-lhe desejo e emoção
Sim, desejo e sedução
Apaixonadamente!

Eu queria ser aqueles grãozinhos de areia
Que se grudam em seus pés
E os massageiam
Num ritual terno e suave
Que se juntam aos demais
Para pousar nas praias colossais...

Eu queria, docemente, beijar seus pés
Fazer-lhes carinho
E, devagarinho
Acariciá-los!


Sim, docemente
Suavemente
Desejosamente...
Com muita sedução!

Euclides Riquetti

Inquietação

 



Há uma inquietação que invade meu ser
Na manhã em que o sol não se faz presente
Na manhã em que tudo me parece indiferente...

Há algo que me perturba, que não sei dizer
Que me deixa indisposto, frágil, sonolento
Que me torna tão volúvel quanto o vento...

Há um mundo de infortúnios e impropérios
Que me assustaria, se não tivesse força pra encarar
Que te amedrontaria, se não tentasses enfrentar...

Mas, mesmo que tudo seja coroado de mistérios
Nada afrontará  meu ímpeto avassalador
Nada me afastará de teu brilho e teu esplendor!!!

Euclides Riquetti