terça-feira, 10 de novembro de 2020

Quanto vale a experiência?

          Sempre tive em mim que a experiência é um fator  fundamental em tudo. Quando era jovem ia jogar futebol e, sendo magro e alto, corria muito. Chegava à bola antes que os adversários. Mas, de posse dela, queria me livrar, pois tinha receio de que ma roubassem. Então dava chutões para a frente.




          Nos tempos do Grêmio Lírio, em Zortéa, comecei a jogar futsal junto com os colegas do GEMCRA (Grêmio Esportivo Major Cipriano Rodrigues Almeida), de nossa escola. Dois professores, eu e o Izaías Bonato. E alguns jovens, nem todos eram nossos alunos. Lembro do "Baxo"  (Leonildo de Andrade) e o irmão dele, Preto;  havia o Tarugo (Ulisses Gonçalves)  o Nene, irmão dele.  Eu tinha 24 anos e me achava velho. Era reserva. Um dia entrei ao final e dei dois passes perfeitos: foram dois gols e viramos para 2 a 1. Passei a ter confiança e a jogar bem. Mas,  no futebol de campo,  ainda era de me livrar da bola.

          Melhorei isso quando o Sady Brancher virou treinador do Grêmio Lírio. Ele foi um grande jogador do Arabutã FC em Capinzal, nos tempos do Campo Municipal, ali no centro da cidade. Viu-me no futsal e me convidou a treinar no campo. Eu era firme na marcação e desarme. Colocou-me na lateral direita. Joguel na posição por mais de 20 anos. Aprendi a dar os passes certos, a reter a bola e a bater escanteio na ponta esquerda, em curva. Eu resistia mais no gramado com 40 anos do que quando tinha 18, pois aprendi a dosar a energia e a distribuir melhor o jogo. Passei a valer-me da experiência!

          Na semana passada,  fui a uma borracharia para ver o que vinha acontecendo com um pneu do carro de minha filha. Estava anoitecendo e indicaram-me uma que atende depois da hora, ali na entrada da Vila Cordazo, em Joaçaba. Cheguei lá e havia um senhor moreno, de pequena estatura (do tamanho do Pedro Lima, nosso boiadeiro de Ouro e Capinzal), cabeleira cheia e se agrisalhando. Aparentava mais de 60 anos, o que vi confirmado adiante. Descobri que era irmão do Alduíno Silva Amora. Enquanto ele e o filho iam concluído o serviço já iniciado em pneus de duas motos, fui conversando e tentando descobrir fatos sobre a família deles. O Amora foi um dos pioneiros do Bairro São Cristóvão, em Capinzal. Adquiriu uma área onde era uma casa do pomar do saudoso Ermindo Viecelli e estabeleceu-se com sua "Recauchutadora Amora". De  origem humilde, trabalhou como borracheiro em Joaçaba e teve a visão empreendedora de estabelecer-se em capinzal, bem no local que mais cresceu nos últimos 30 anos, próximo à antiga Perdigão, agora BRF.




          Fiquei muito amigo dele quando eu era Presidente do Conselho da Paróquia de São Paulo Apóstolo, em Capinzal. Se precisássemos, nos trazia 20, 30 homens de confiança para prepararem o churrasco. Foi uma das mais fortes lideranças da história de Capinzal, embora não tenha vivido muitos anos. Numa das enchentes do Rio do Peixe, possívelmente em 1989, o Amora foi visitar uma filha em Lacerdópolis. Ao voltar, na ponte sobre o Rio lajeado dos Porcos, ali na propriedade dos Tessaro, na divisa entre Ouro e Lacerdópolis, a água havia passado sobre a ponte. Deixou a caminhonete no lado de Lacerdópolis e atravessou o pela água. Adiante, um Km mais ou menos, a então Rodovia SC 303 tem uma baixada onde sai uma estrada de chão para o Ramal Lovatel. O asfalto estava com mais de um metro de água e com correnteza. Três dias depois de dada sua falta, quando o rio baixou seu nível, foi encontrado lá, na sarjeta da rodovia, sem vida. vestia blusa de lã tricotada e botas de couro. No barranco, as marcas dos dedos das mãos tentando subir, salvar-se, mas não foi possivel...  Algum tempo depois, nova desgraça: Um incêncio destruiu a Recapadora Amora. (Isso motivou as lideranças a lutarem para a implantação do Corpo de Bombeiros de Capinzal e Ouro).

          Relembramos, saudosamente, com o Sr. Lauri, da família do "Amora". Disse-me que, há três anos, a viúva também faleceu. E que outro irmão também perdeu a vida por afogamento.

          E o pneu? Bem - o pneu - quando percebi, ele já estava afundando-o no tanque de água e mostrando-me que havia um furo por onde o ar saía. Perguntei-lhe por que os outros borracheiros diziam que o pneu estava bem, enchiam-no,  mas em uma semana ficava vazio, e ele respondeu-me: "É que a piazada nova coloca trinta libras e põe pra ver onde está vazando. Eu coloco sessenta libras. Se o pneu resiste, é seguro e aparece o furo. Depois que arrumo, coloco um "macarrão", baixo para trinta libras e o serviço fica garantido.



          Agora, lembro-me do primeiro dia de meu estágio no Colégio Estadual Túlio de França, em União da Vitória: Saí escrevendo no meio do quadro, não utilizei bem o espaço e coube uma observação do professor Breyer ( o do mel), secundada pelo professor  Geraldo Feltrin: "Cuide da distribuição da matéria no quadro!".




          Trinta e um anos escrevendo no quadro negro e  quadro-verde, mas sempre aproveitando bem o espaço. A experiência, no futebol, no trabalho, e nas emergências, conta muito! Por isso mesmo, não desprezar as pessoas que têm muitos anos de estrada... Ouvir o conselho dos mais velhos e observar como eles fazem as coisas.  Até o sermão do padre fica melhor com os anos!




Euclides Riquetti
Escrito e publicado em 2016

A canção da madrugada chuvosa

 




Na madrugada, enquanto chovia
Eu te abraçava
Porque esperava o dia
E, mais uma vez
Reviver o sonho
E a poesia!

Na madrugada, enquanto chovia
Eu apenas pensava
E também escrevia
Um novo poema
Uma nova canção
Com tua melodia!

Era a melodia do encantamento
Que gravei em meu pensamento
Quando você cantou...
Era a canção do momento
Que veio junto com o vento
Quando você cantou!

A canção da madrugada chuvosa
É a mesma da tarde gostosa
Da tarde do abraço e do beijo...
É a canção da alma dengosa
Que canto em verso e prosa
Pra dizer que eu te desejo!

Euclides Riquetti
03-09-2015

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

A paixão que entorpece

 




A paixão que entorpece
É aquela que inebria
O amor que incandesce
É aquele que delicia...

A volúpia que atiça
É aquela que entusiasma
Mas como areia movediça
Engole o que não se acalma...

O sangue que corre quente
É aquele que enrubesce o rosto
A saudade do amor ausente
Faz padecer a alma e o corpo...

A vida mundana
É aquela que embriaga
A atitude profana
Nos expõe e nos deprava...

O pecado cometido
É o que nos faz pedir perdão
O beijo proibido
Vale mais que um  milhão.

O teu olhar fatal
É aquele que me atrai
Tua beleza descomunal
É o que em ti mais me atrai...

O canto que enternece
É aquele que gosto de ouvir
A harmonia de cada prece
Me faz te querer, te sentir.

A distância abissal
É aquela que nos traz mais saudade
Nos mostra o sentimento real
Nos aproxima da realidade!

E minha realidade´
Posso dizer, nada me afeta
A não ser uma grande verdade:
Tenho alma de poeta!

Euclides Riquetti

A chuva que rega a alma

 




A chuva que cobre as plantações

Molha os corações e os gramados

Os corpos morenos e bronzeados

Mas não controla as emoções...


A chuva que vem mansa e fria

Vai reanimando as plantinhas

Salvando as delicadas florinhas

Maltratadas pelo calor da estia. 


A abençoada chuva de agora

É uma resposta a nossas orações

Veio, sim, em boa hora!


A abençoada chuva molhou

Prados e campos dos sertões

E mesmo minh´alma regou!


Euclides Riquetti

09-11-2020



Quando a chuva destrói as rosas

 






Quando a chuva impiedosa destrói as rosas
Ela também desmonta os cravos vermelhos
Então me lembro que diante de um espelho
Há  perdições de amor tensas e impetuosas.

Quando os ventos desfolham as caneleiras
Trazem-nos a mais tristonha das melancolias
Causando as mais temidas das estrepolias
Que fazem balançar os galhos das amoreiras.

Quando você não compreende o ser humano
Não sabe avaliar os verdadeiros sentimentos
Não consegue distinguir o sacro do profano.

E, se não vestir as sandálias da humildade
Se não distinguir da natureza os elementos
Perderá seus encantos e toda a jovialidade.

Euclides Riquetti

Com o calor de seu corpo

 



Quero que me aqueça com o seu calor
Que me alegre com suas palavras amáveis
Que me abrace com seus braços adoráveis

Que me ame com volúpia e com ardor.


Quero que me beije com beijos de cereja

Que me afague com a mão suave e  macia

Que me olhe com seus olhos de alegria

Que me diga que me quer e me deseja.

Quero ainda que nunca se esqueça de mim

Que reze por mim nas noites enluaradas

Que me envolva em seus pijamas de cetim.

Que aqueça,  com seu calor,  o corpo meu

Que viaje nas nuvens esbranquiçadas

Porque eu, docemente,  aquecerei o seu!

Euclides Riquetti

Quando as luzes se apagam

 




Quando as luzes se apagam

Não importa se é de noite ou dia

E forças invisíveis nos afagam

Após vencermos mais uma porfia

As vozes cansadas se calam

E tudo, de repente, silencia!


Quando vem o breve escurecer

Depois das horas de um labutar 

E chega um deprimente anoitecer

Busco o repouso e o meu ninar

Porque amanhã preciso te rever

E sentir o teu sorriso de encantar.


Quando nós tivermos entendido

A força da vida que nos reluz

Depois do nosso dever cumprido 

E encontrado mais uma vez a luz

Louvar a Deus por nos ter ouvido

Por alguém que nos ama e seduz!


Euclides Riquetti

09-11-2020










domingo, 8 de novembro de 2020

Morando em República - Um bom modo de viver






          Morar em repúblicas de estudantes, principalmente quando se tem regras de convívio bem definidas e, sobretudo, quando as pessoas se entendem, é muito auspicioso. Posso falar disso de cadeira, pois morei numa dessas em plena juventude, em União da Vitória.

          Cheguei ali no final de fevereiro de 1972 e, após ficar três dias num hotelzinho, busquei uma pensão de custos compatíveis com minhas possibilidades. Encontrei a "Pensão Nova", ao lado da Prefeitura de Porto União, que de nova só tinha o nome. A primeira providência foi comprar um daqueles espelhos de moldura de madeira cor laranja, tão tradicionais, mais para ver minha cara de tristeza do que para corte de barba. Hoje, ainda fazem daqueles espelhos, iguaizinhos, só que com "soada" de plástico em vez de madeira.

          Os primeiros dias naquela cidade foram deprimentes. Ainda bem que as aulas começaram de imediato. Ia para a Fafi, ali na Praça Coronel Amazonas e, ao passar na frente de dois sobrados idênticos, visualizava uma placa" "República Embaixada do Sossego".  No térreo, depois, implantaram a lanchonete X Burguer. Imaginava que seria um sonho poder morar numa república, ter colegas e fazer amigos para conversar, trocar conhecimentos, viver alegremente. Lembrei-me de que em Capinzal havia uma, a dos funcionários do Banco do Brasil, e nela moravam, dentre eles, dois colegas e um professor meu: Valdir Marchi, Itamar Peter e Wolfgang Behling, o Professor Wolf. Este, era muito compenetrado em nos ensinar Matemática, sendo que ás vezes, distraído, colocava o giz entre os lábios e o cigarro punha entre os dedos, para escrever no quadro-negro.

          Meu sonho de morar em República tornou-se realizado graças ao Cabo Leoclides Frarom, meu amigo capinzalense que estava servindo no 5º BE.  Eu andava na calçada, defronte à Casa do Bronze, na Rua Matos Costa, quando passou uma viatura do Éxercito e escutei aquela voz conhecida que gritou: "Rua Professora Amazília, 408 - no Paraná" Passe lá amanhã! .  Fui!!!

          Veio o convite: "Quer morar conosco?" - Convite feito, convite aceito! Fui morar na "República Esquadrão da Vida", colegas muito leais e divertidos. Uma vez mandaram cartão de Natal com a mensagem:  "Nós, da República Esquadrão da Vida, neste Natal e Ano Novo, estaremos alertas e vigilantes" Era a senha  para sua proteção e o cumprimento natalino. 

          Já nos primeiros meses mudamos para o nº 322, da mesma rua. Morar quase 4 anos com a turma foi muito bacana! Quanto aprendi, quanto socializei-me! Primeiro, fui corrigindo minhas pronúncias erradas das palavras. Depois,  alguns hábitos. Minha parte Jeca foi ficando de lado...

          Fiz lá amigos que jamais esquecerei, pois muito me ajudaram: O Cabo  Dionízio Ganzala, que me deu suas chuteiras de presente e um livro de Inglês Básico. O Osvaldo Bet, que tinha já na época poucos cabelos, era faixa laranja no judô, e lá adiante conquistou a preta. O Cabo Backes, que era nativo do Lajeado Mariano, que num final de domingo, após um jogo do Iguaçu,  matou a galinha que a Dona Lídia criava numa gaiolinha e cozinhou sem retirar todas as penas, mas que matou nossa fome. O Evaldo Braun, que estava se despedindo, indo embora para São Paulo.

          Havia o  Aderbal Tortatto, da Barra do Leão, que trabalhava no Banco do Brasil, a quem chamávamos de "Pala Dura, o Impecável", porque se arrumava muito bem para ir encontrar-se com a fotografa de "A Fotocráfica", com quem se casou. O Tortatto, quando foi Cabo do Exército, atuava com jóquéi no final de semana para melhorar a renda... O Odacir Giaretta, marceneiro, palmeirense e coxa  fanático,  que tinha um sonho: Ser contador. Virou contador e foi montar escritório próximo ao estádio do Coxa, em Curitiba. E vieram o João Luiz Agostini (Milbe), que depois trouxe o Carlinhos, seu irmão. E o Eduardo, irmão do Osvaldo, que chamávamos de Betinho. O Mineo Yokomizo, o Japa, que me deu um sapato 39 (o meu era 42, mas usei mesmo assim...), trabalhava no Banco do Brasil, era meu colega de turma.O Francisco Samonek, que o Japa chamava de "Sabonete", ex-seminarista, do BB, agora lidera ações sociais na Amazônia. O Ludus, Luoivino Pilattri, de Tangará, era eventual e tocava violão.

         Mais adiante os cabos Godoy (de Caçador, Odacir Contini (de Concórdia)  e Maciel, também de Concórdia, com quem eu praticava meu Inglês. E o Cabo Figueira, que nos dias de temperatura abaixo de zero tomava banho frio, às 5 da manhã, para ter disposição durante o dia. E o Frei Guilherme Koch, parente do tenista Thomas Koch, parceir de Edson Mandarino. O Frei era Diretor do Colégio São José. Viera aprender como  era a vida real. O "Boles", cujo nome era Boleslau, que tinha um táxi, viera de Cruz Machado.  O Celso Lazarini, o "Breca" de Lacerdópolis, que fora  goleiro do Igauçu. O Celestino Dalfovo, o Funilha, que não gostava de enxugar os pés, era da região dos arrozeiros de Rio do Sul.

          E o Frarom  era nosso "Administrador", controlava as despesas da Mercearia, o ordenado da cozinheira, o aluguel. O convite dele foi muito bom, muou minha vida.

         Lá,  no Esquadrão da Vida, tínhamos uma geladeira que não funcionava. Tomávamos café preto da garrafa térmica, amanhecido, e comíamos pães franceses com margarina (cada um comprava a sua). Todos os dias tínhamos feijão, arroz e um ovo, mas seguidamente tínhamos bifes (um para cada um). De vez em quando saía uma limonada. Ganhávamos gelo para colocar no Q Suco e no Q Refresco,  da mãe do Neomar Roman (primo do Odacir Giaretta), que hoje é médico. Assistíamos às corridas do Emeron Fittipaldi na F1 pela janela. A mesma Senhora deixava a janela da sala dela aberta para vermos TV. Nos revezávamos em nossa janela para ver os "lances" da corrida. Ah, e no domingo, além de frango, tínhamos maionese... Que delícia, que mordomia! Como valorizávamos o pouco de que dispúnhamos!

          Foram esses, sim, os melhores anos de minha juventude. Ter morado com esses e  mais alguns, foi uma grande realização pessoal. Vivi, aprendi, vivi. Um bom modo de viver.  E há, ainda, muito para contar, oportunamente.

Euclides Riquetti
27-11-2012

Eleições municipais – indo para a reta final

 



       Resta uma semana para o dia das eleições que elegerão prefeitos, vices e vereadores. O eleitor joaçabense tem quatro opções para prefeito, não há muitas diferenças de níveis entre eles. Mamão foi prefeito duas vezes e busca nova eleição. Dioclésio deseja reeleger-se e é egresso do mundo empresarial. Chico Lopes já esteve interinamente no cargo. Mamão e Chico têm experiência legislativa. Jorge Pohl tem experiência no serviço público, pois circulou na Prefeitura e na SDR e se constitui forte liderança no meio empresarial. Agora, cabe ao eleitor escolher qual será o prefeito para os próximos quatro anos.

       Nosso município tem algumas carências. Somos virtuosos em alguns setores e fracos em outros. Sistema universitário, médico e jurídico acima da média, comércio diversificado. Nossas estradas rurais melhoraram muito na atual administração. Tivemos perdas de empresas, não contamos com um distrito empresarial, há deficiências na mobilidade e nem sequer temos um projeto de contorno viário. Falta-nos o asfalto rural, estamos há tempos aguardando que o aeroporto seja adequado e possa ter linhas de voos, não temos um posto de saúde que possa, além da consulta, dar ao trabalhador os medicamentos receitados à noite, ao menos os analgésicos, anti-inflamatórios e os antibióticos básicos. Atendimento de excelência na UPA, conveniada, mas o cidadão precisa esperar o outro dia para receber os medicamentos, a não ser que tenha dinheiro para comprar em farmácia de plantão.

       Não temos um projeto habitacional consistente capaz de reduzir o déficit de moradias. Não temos mais estádio, o ginásio do bairro Santa Tereza não foi inaugurado ainda, não temos uma “casa de dia” para os idosos ficarem enquanto os familiares vão trabalhar, não temos um museu histórico-cultural, nossas ações para o turismo não acontecem, embora tenhamos hotelaria e gastronomia para fazer inveja a outras cidades. Pouca arborização, flores são raridade, os rebaixos das calçadas para acessibilidade a cadeirantes são precários. Rodoviária velha não sendo devidamente aproveitada e município pagando aluguel de salas. Praça da Catedral não humanizada. Infraestrutura viária, turismo e cultura são nossas principais fraquezas.

       Revi, no feriadão, o filme documentário produzido por Elias Zampirão sobre a história da soja, “Legião de Pioneiros – 50 anos de Soja”  aqui na região. Um primor de trabalho! Pesquisou muito, entrevistou as pessoas certas, a maioria de Joaçaba e Capinzal. Traz-nos um conhecimento histórico formidável sobre acontecimentos das quatro últimas décadas do século XX. Acho que o joaçabense é mais um dos que é pouco valorizado em nossa cidade em termos de cultura. Poeta, tem levado prêmios nos eventos da Casa da Cultura Rogério Sganzerla.

       A falta de um museu histórico-cultural em Joaçaba nos coloca entre os últimos  em termos de preservação cultural. Muitas famílias ainda guardam objetos preciosos que poderiam ser expostos num museu. Mapas antigos e livros também estão guardados em escritórios de casas de famílias tradicionais. Precisaríamos de um lugar adequado para que todo o material pudesse ser catalogado e exposto. No âmbito particular, Francisco Filipin possui um museu com excelente acervo em seu Hotel Fazenda Pica-pau Verde, localizado no acesso à Linha Abati.        

       Na semana passada falei do bom exemplo que é a construção de calçadas pela CELESC em seus terrenos no Nossa Senhora de Lurdes. Trabalho concluído, está melhor ainda!

       O eleitor tem uma boa gama de candidatos a vereador para escolher o que o represente na Câmara. Mas há um percentual elevado deles que não conhece nem sequer a parte mais básica da legislação eleitoral. Vamos ter uma câmara com maioria de novos  e isso é motivação para que lutem até o fim da campanha para serem eleitos. Alguns que estiveram foram esperam voltar.

       Joaçaba é um considerável arrecadador de impostos municipais, estaduais e federais. Buscar dinheiro em Florianópolis e Brasília é dever dos políticos, pois as nossas receitas correntes não chegam nem aos pés do volume de impostos aqui pagos e cujo dinheiro fica, principalmente, em Brasília.

       Então, é esperar que os bons projetos constantes nos planos de governo dos candidatos sejam efetivados nos próximos 4 anos. Ainda, não é vergonha um prefeito, depois de eleito e empossado, utilizar as ideias que seus adversários ou mesmo prefeitos de outras cidades sejam aplicadas à sua. Eu mesmo, quando em campanha para prefeito, acompanhei a campanha do saudoso Dr. Vítor Almeida, em Capinzal, e apliquei em Ouro. Copiar bons exemplos não é demérito!

Euclides Riquetti – Escritor 

Minha coluna no Jornal Cidadela - Joaçaba - SC - 06-11-2020


Poetas e escritores - pessoas muito especiais (poema)

 





Existem pessoas muito especiais
São os  poetas e os escritores 
Que conseguem sentir muito mais
Que gostam de gente e de flores
De crianças delicadas
E de senhoras abençoadas:
Têm olhos no braços e nas mãos
Têm a alma no coração!
Poetas e escritores são assim:
Fazem crônicas, contos e versos
E poemas de amor sem fim.
Legam-nos,  com generosidade
Para os seres mais diversos
De toda uma sociedade.
Poetas vendem a ilusão
Escritores navegam... na imensidão!
 O que seria do mundo se não houvesse
Quem contasse as histórias
Quem não avivasse as memória
Que a lembrança fortalece?
O que seria se o papel ficasse apenas branco
Sem palavras, sem tinta, sem grafite
Sem o escrito muito franco
Que a beleza nos transmite.

Ora, escritores e poetas
Poetas e escritores
Sonhadores ou profetas
Profetas ou sonhadores
Nosso mundo precisa deles
Pois, o que seria sem eles
Que, na noite serena e calma
Alimentam nossa alma?
Euclides Riquetti

Nas turvas tardes de domingo

 



Nas inglórias e turvas tardes de domingo
Vem sol, vem chuva, e vem o sol de novo
E, enquanto o céu, de novo,  vai se abrindo
Minha alma arde em chamas, arde em fogo...

Nas turvas tardes de domingo, tão confusas
Corações estão sôfregos e despedaçados
Mesmo as mentes limpas ou aquelas sujas
Vão redesenhando as dores do passado...

E, enquanto as dores ferem a dor de morte
As mentes dóceis loucas  se embaralham
Mas os ânimos reacendem minha sorte
E as lenhas se repartem e se enfornalham...

Para queimar minha alma trôpega e carente
Para abrandar a ira de quem não compreende
Para dizer que minha alma sofre e sente
Porque você não me escuta nem me entende!

Euclides Riquetti

Vendavais de paixão

 






Vendavais destroem cidades
Arrasam prédios e praças
E, em tempos de saudades
Arrasam almas onde passam.

Vendavais de amor e paixão
Da força mais descomunal
Arrasam também o coração
Como fossem inimigo fatal.

Vendavais fortes, violentos
Com sua força impetuosa
Arrasam meus pensamentos
Com sua sanha tão belicosa.

Vendavais, ambos, destroem
Destruição física ou moral
E nada mais reconstroem
Nos legando a dor e o mal.

Quiçá o tempo possa reparar
Refazer tudo o que é perdido
Nossas lembranças carregar
Espalhar pelo céu infinito.

Euclides Riquetti

E, se eu te abraçasse

 




E, se eu te abraçasse
Impetuosamente
E tu me quisesses
Perdidamente
E eu te beijasse
Ardentemente...

E, se você me abraçasse
Deliciosamente
E se eu te quisesse
Adoidadamente
E tu me beijasses
Docemente...

Eu me perderia em teus aromas
E tu te perderias nos meus
Certamente!

Euclides Riquetti

sábado, 7 de novembro de 2020

O voo da gaivota




Plana a gaivota sobre o mar azulado
Quebrando o vento nas lufadas de outono
Na manhã  azul do sábado morno
Na ilha da magia de meu Sul amado.

Vai a gaivota cortando o infinito
Imerge na nau  de meu pensamento
Busca se esbaldar por todo o firmamento
Em seu lento planar pelo céu bonito.

Voa a gaivota de branco e de princesa
Soberana,  charmosa, doce e elegante
Voa a gaivota vestida de deusa.

E meus olhos a contemplam com carinho
Em sua viagem pela trilha provocante
Enquanto volta ao seio de seu ninho.

Euclides Riquetti

Pensa em mim

 




Pensa em mim, que eu pensarei em ti
Escuta minha voz, que escutarei a tua
Reza por mim, que eu rezarei por ti
E te ouvirei ao sol e te ouvirei à lua...

Pensa em mim, vê os versos que te escrevo
Sente  meus poemas como eu sinto os teus
Quando penso em ti, me empolgo e me atrevo
A querer te levar todos os beijos meus.

Pensa em mim, com toda a força do teu sentimento
Abre teu coração em toda a tua singeleza
Que eu penso em ti, com a força de meu pensamento.

Pensa em mim, com toda a tua energia
E eu te direi, com todo o carinho e sutileza
Que eu te amo em todas as horas de meu dia.

Euclides Riquetti