terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Gauchona - dona do pedaço!

 



Mimosa potranca buenaça
Baita chinoca, macanuda, conservada
Tu me levas a afundar-me na cachaça
Mimosa potranca buenaça.

Tu que jogas no meu corpo o vil cansaço
Tu que espantas a tristeza do galpão
Espreitas o manejo de meu laço
Mas recusas entregar-me o coração.

Tu bem sabes que és a dona do pedaço
Sabes ser de qualquer taura a perdição
Teu olhar reprovador é um talagaço
Fere mais do que o tapa de tua mão.

Gauchona,  pra ti olho e te tenteio
Gauchona,  olha pra mim, deixa de estória
Vem me abraçar, vem pra mim sem mais rodeio
Vem me querer, ou te pego qua gibóia.

Sou um cabra atucanado e provocado
Pelos olhos da gaúcha mui viçosa
Essa potranca vai levar todo o meu gado
Vai me deixar coçando a pança essa mimosa.

Vai embora, vai mulher de tentação
Vai te  fartar com outro trouxa que não eu
Suma, te percas na cinzenta imensidão
Deixa que a paz venha seivar meu coração.
Euclides Riquetti

A Letra Escarlate - The Scarlet Letter

 





          Adoro ver filmes. Raramente  assisto a algum sem, primeiro, ver a sinopse. Não assisto a terror. Documentários e dramas, raramente. Na minha ordem de preferência, aparecem: romances, comédias, aventuras. Ficção, nos moldes como se produz hoje, nada. Considero-me um  romântico, gosto de ser "da paz", não assisto se souber que não tem final feliz. Gosto de ver que o mocinho e a mocinha, ou os pais e os filhos, fiquem juntos ao final!

          Conta-me, muito, o elenco das produções. Ator bom não aceita fazer filme que não seja bom, bem dirigido, bem produzido. Nesse contexto vi, ontem, "A Letra Escarlate", do Diretor Roland Joffé.  É uma produção norteamericana ( e os americanos são ótimos em fazer cinema!), com um belissimo cenário, ambientado em Bay Colony, no Massachussetts, em 1966. Reproduz a história vivida por Hester Prynne e o reverendo Arthur Dimmesdale, numa época em que Estado e Igreja faziam o que queriam, mais do que podiam ou deveriam, em nome de Deus. Nos papéis principais, Demi Moore, à época com 32 anos, e Gary Oldman. A bela senhora chega ao local vindo da Inglaterra antes de seu marido, um médico, para encontrar um lugar ideal para morarem. Conhece um reverendo que se constitui num eloquente e habilidoso orador e se apaixonam.

          Nesse tempo, o marido é sequestrado por índios antes de alí chegar e é dado como morto. A viúva, então, pelas leis puritanas fortemente defendidas no local, deveria esperar por sete anos em luto para só então ser considerada livre de seu vínculo matrimonial.

          No entanto, Hester engravida do reverendo Arthur. Ambos estão perdidamente apaixonados e ela tenta esconder a gravidez. Quando as autoridades descobrem que está grávida, mandam-na para a prisão, o que não aconteceria se revelasse o nome do pai. Não o faz, pois se o fizesse, ele seria enforcado.

         O filme tem contornos de romance e dramaticidade em relevância. Há os conflitos entre brancos e índios, uma sociedade altamente puritana. A Hester é dada a liberdade, porém dever usar, no peito, uma letra bordada em escarlate: um "A", de adúltera. Faz isso por sete anos, sofrendo toda a espécie de humilhação possível nas ruas e no pelourinho da cidade. No ápice da trama, reaparece, sem identificar-se para a sociedade, o marido que fora dado como morto, que começa a aterrorizar a bela esposa, por quem fora muito apaixonado.

           Diferentemente do que traz a verdadeira história, a do livro  "The Scarlet Letter", escrito em 1850 por Nathaniel Hawthorne,  há um final deferente, bem ao meu gosto. E, se eu digo que é bom, é porque é bom. Gosto de filmes "cabeça", mas o que eu gosto, mesmo, é de me divertir. Então, não vou lhes tirar, leitores, o direito de ver o filme, participar das emoções, apiedar-se com o sofrimento das personagens, a inujuriar-se contra as atrocidades das autoridades. Convido-os a verem a candura de Pearl, a filhinha de Hester e Arthur e a beleza da talentosa Demi Moore que, com 41 trabalhos no cinema e 9 na TV, aos 51 anos, cada vez mais nos encanta e nos fascina... Pelo talento, pela beleza, por tudo o que representa!

Abraços e bom filme!

Euclides Riquetti
24-05-2014

Amor de paixão

 



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Bem sei onde moras, bem sei o teu nome
Bem sei como és, como são o teus olhos
Sei a cor de tua pele, o sabor  de teus lábios
Sei do vinho que bebes, dos doces que comes.

Sei sobre tudo o que pensas e tudo o que escreves
És um livro aberto, uma casa sem portas
Sobre  os versos que escrevo, longos ou breves
Sei quanto que os lês, e com quantos te importas.

Bem conheço tua alma e  teu corpo sensual
És a perfeição que não se encontra num lugar qualquer
A dama que transborda de perfume magistral.

Não quero mais chamar-te de  amiga do coração
Mulher linda e poderosa, mulher, bela mulher
Quero apenas que sejas meu amor de paixão.

Euclides Riquetti

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Morre José Mário Holetz, o Super Zé

  


       Quando fomos morar em Duas Pontes, hoje município de Zortéa, nos primeiros dias de março de 1977, onde fui lecionar Língua Nacional (Portuguesa) e Inglês, na Escola Básica Major Cipriano Rodrigues de Almeida, ao subir até minha casa, que se situava alguns metros acima daquele educandário, eu passava defronte a umas casas, todas iguais e enfileiradas, na estradinha que ligava o centro da vila à parte elevada da comunidade. Na última dela, logo abaixo da escola, moravam uns rapazes que tinham uma bela de uma sonzeira em casa, sempre com música em alto volume, de todos os gêneros. Na frente da casa, um jipe DKW, um Karmann Ghia vermelho, daqueles que foram fabricados até 1969. Com os dias, fui descobrindo quem eram. José Mário Holetz e a esposa Idamir, os irmãos dele Hugo e Ary Holetz. Não sei se o irmão Ivo Holetz morava lá tamb´pe, mas todos eles foram meus alunos.

       Na escola havia disciplina muito rígida, os alunos tanto do diurno quanto do noturno eram gente muito boa e a maioria deles estudiosa. Dentre as proibições uma era a de que não podiam namorar nas dependências da escola, nem no pátio. Na parte da noite havia duas turmas de oitava série, tantos eram os alunos. Um dia, numa reunião, falei: Tem um aluno, aquele Zé Mário, e aquela Idamir, que vivem namorando ali do lado de cima da cozinha. E agora, vamos fazer o quê?

       Todos riram e eu não entendi o porquê disso. Disseram-me: Eles são casados! 

       Poucos meses depois, eu era colega de trabalho dele, trabalhávamos no Financeiro da Zortéa Brancher S/A - Compensados e Esquadrias, ele fazia os serviços junto aos bancos e eu no controle das contas a pagar. De vez em quando, ele trazia um maço de duplicatas pagas, e eu tinha que baixar das listas das contas a pagar. 

       Fomos desligados da empresa mais ou menos na mesma época, ele um pouco antes de mim. Em sua casa, tinha montada uma oficina de reparos de aparelhos de rádio e televisores. Ele buscava peças numa oficina de um amigo dele para realizar os consertos. Transferiu-se, então, ao final da década de 1970, para os altos da Rua XV de Novembro, em Capinzal, instalando sua oficina e morando numa mesma casa, defronte a onde se situava, antigamente, a chamada Associação Rural. Adiante, foi residir para acima do Colégio Mater Dolórum, onde viveu até este 11 de janeiro de 2021. Lá mesmo, naquela época, visitamos ele e a Idamir, quando nasceram seus filhos gêmeos, Márcio e Márcia. Depois  tiveram a Milena, terceira da família. Em seu segundo casamento, com a Sra. Marli, tiveram os filhos Arno e Taiana. 

       Posteriormente, instalou-se numa sala anexa ao Hotel Beviláqua, atrás da Loja Leão. Nos anos todos, dedicou-se à música. Era habilidoso nos teclados, na gaita e mesmo na guitarra e violão. Sabia executar todos os instrumentos necessários a um conjunto animador de bailes. Nos tempos de Zortéa, fundou o Grupo Sistema, junto com seu irmão Ivo Holetz, Izaías Bonato, Hélio Joaquim da Silva e Benito. Outros músicos participaram das formações daquela banda. Adiante, fundou o grupo Zé Mário e seus Penachos, comprou um ônibus para irem tocar em bailes, caracterizado. Eu o recebia muitas vezes em meu trabalho, mas também o visitava em sua empresa. Ele era um bom papo, amigão, e me dizia: "Não trabalho muito, porque quem trabalha muito  não tem tempo pra ganhar dinheiro"! Também fundou a gravadora com estúdio, a MZM Produções, com seu filho Márcio. O estúdio foi amplamente usado para gravações de programas eleitorais de candidatos a Prefeito e vereadores em Capinzal e Ouro. Com seu grupo, lançou diversos Cds com composições de sua autoria. 

       Paralelamente, fundamos a Associação de Difusão Comunitária Prefeito Luiz Gonzaga Bonissoni, detentora dos direitos da Rádio Cidade FM, localizada em Ouro, SC, no Bairro Nossa Senhora dos Navegantes, que é administrada pelo seu filho Arno que, como o pai, é músico.  Para a fundação da Associação e funcionamento da rádio, houve forte trabalho burocrático e trabalhamos muito. Ele cuidava da parte técnica e eu da burocrática. Adiante, passamos a contar com o trabalho do professor e locutor Sílvio Scalsavara, que cuida dessa parte, enquanto que o Arno comanda o empreendimento. 

       A última vez que conversei com ele, foi no mês de março, quando fui entregar-lhe um convite para  o lançamento de meu novo livro de crônicas. Conversamos muito, ele já se encontrava acamado, com a saúde debilitada. Disse-me que recebera a visita do Frei Davi, que lhe levara a comunhão, que conversara muito com ele. Zé Mário foi seminarista no Seminário Nossa Senhora dos Navegantes e nasceu em 09 de maio de 1952. 

       A todos os seus familiares e amigos, nossas mais sentidas condolências e nossas orações. O Super Zé, como eu o chamava, sempre foi um bom contador de causos e nós, além de amigos, nos entendíamos muito bem.

Euclides Riquetti

11-01-2021

      

Mãe

 Homenageando, nesta data, minha querida e saudosa mãe Dorvalina Adélia Baretta Riquetti pelos 21 anos de seu falecimento

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Mãe - das dadivosas mãos, mãe
Mãe - das caridosas bênçãos, mãe.

Mãe dos filhos gerados e amados
Mãe dos filhos cuidados e guiados.

Mãe - da vida dedicada, mãe
Mãe - da lida abnegada, mãe.

Mãe das manhãs azuis, esperançosas
Mãe das noites negras e chorosas.

Mãe - do filho perfeito e bem nascido
Mãe - do sagrado leito ali estendido.

Mãe do olhar bondoso mas austero
Mãe do falar que assusta mas sincero.

Mãe - do amor em plena difusão
Mãe - da flor, da alma e coração.

Mães são apenas mães:
Não dependem de elogios
Não dependem de flores
Não esperam por presentes.

Apenas rezam por seus filhos.
E eu rezo por elas.

Felicidades a todas as mães:
À minha, à tua, às mães das outras mães.

Euclides Riquetti

Rindo da própria sorte

 



Replay:

          Na quarta-feira à tarde, em minha "aulinha"  no SESC de Joaçaba, uma de nossas professoras, a Priscila, abriu a mesma propondo-nos uma "dinâmica de grupo". Devo aqui dizer que muitas coisas que deixei de fazer na minha infância, tenho feito agora. Adoro sentir-me "criança" de novo. Por ocasião da Páscoa, pintamos ovos de galinhas, fizemos uma colagem de sementes num "ovão" que a profe Simone França havia desenhado. O ovão foi devidamente pendurado na porta da sala, fotografado pela Liliane e postado no facebook dela. Até gente "grande" gosta dessas coisas, né/ Ou vai dizer que você, leitor, leitora, não gostam disso também?...

          Bem, a dinâmica consistiu, primeiro, em tomar nosso café, que ninguém é de ferro. Depois, apareceram lá umas bolachas. Na aula anterior, o Waldemar trouxe um bolo de chocolate, que foi freneticamente devorado por todos, igualitariamente. Depois de nosso "Café com Risadas", a dinâmica:
Sentamos num círculo (na verdade nas cadeiras...) e cada um tinha que contar uma gafe por que passou. Minha cabeça, na gora, volveu seu pensamento para o passado e começaram a vir lembranças engraçadas. Como sou muito falador (será mesmo??...), solicitei ficar por último.

          A colega Zenaide Sganzerla relatou-nos que, numa dada vez, lecionando Filosofia, estava a imaginar um filósofo (seria daqueles que usam barba??...) e disse que este vivera há 25 Séculos. Uma aluna riu muito... outros se surpreenderam e, só depois, percebeu que, no entusiasmo da aula, nem sabe por que razão, dissera aquilo. O Waldemar contou sobre a noite que chegou em casa da missa com a chave do carro na mão e sem o mesmo, que deixara no estacionamento da Catedral. Voltou lá e o estacionamento já  estava fechado. teve que buscá-lo na manhã seguinte.   O Domingos Dassi pediu para "passar adiante", pois não lembrava de nenhuma gafe dele. Quando provoquei, perguntando se lá no INSS nunca lhe acontecera nada, ele se lembrou de uma e contou. Mas eu não entendi direito porque estava com meu pensamento distante. Vou pedir-lhe que me conte de novo. Priscila falou de uma vez que, ainda adolescente, tomou um ônibus num bairro para ir ao centro da cidade. Quando percebeu, distraída que fora, já estava lá em outro bairro. Era fim da linha.

          Ri muito coma história da colega Lurdes Bortolli. Dizia-nos que, quando saiu lá do Rancho Grande e foi morar na cidade, andava pela rua  meio distraída e deu com a cara e os óculos num poste. Ficou indignada porque o poste estava no caminho dela. Contava e ria! A história dela me fez lembrar de algumas de minhas gafes também. A primeira ligada em poste, como a dela: Foi lá por 1968 que a Celesc começou a trocar a rede de iluminação de Capinzal e Ouro. Começaram pela Rua Dona Linda Santos, a do Belisário Penna e do Juçá Barbosa Callado, em que estudávamos à noite. Trocaram os postes de madeira quadrada por uns redondões, de eucalipto tratado, com luminárias a vapor de mercúrio, que para nós era invenção nova. Retiraram as velhas luminárias com  lâmpadas incandescentes de 150 watts. E as noites viraram dias.

          Pois depois a empreitada chegou à Rua XV, bem no centro de Capinzal. Abriam uns buracões para assentarem os postes. Uma tarde, bem ali na frente da Livraria Central, pertinho do Hotel do Túlio Manfredini, estava eu a olhar para a fila de postes já alinhada no sentido "altos da XV" quando caí dentro de um daqueles buracos. Eu tinha 15 anos e o buraco era meio metro mais fundo do que a minha altura. Uns pequenos esfolões, dei um jeito de sair do buraco, não sem antes olhar para os lados conferindo se alguém vira meu infortúnio. Tive sorte, ninguém viu.

          E, de tombo em buraco para tombo em escadas, foi pra já: Doze anos depois, em setembro de 1980, estava eu fazendo o "Censo 80" em todo o perímetro urbano de Ouro. Quando cheguei na casa do João Tessaro, na Rua Senador Pinheiro Machado, a Jaci, sua esposa,  me atendeu. Deu-me as informações, agradeci e saí de lá. Ao descer uma escava que me levaria à rua, levei um tombo escandaloso. Minha primeira reação foi olhar para os lados para ver se ninguém vira meu fiasco. Depois, catei os óculos, a pasta do IBGE, passei um pouco de saliva nos esfolões dos cotovelos e fui-me embora.

          Alguns anos depois, uma senhora muito discreta, que era vizinha deles, contou-me, num evento público, que vira o tombo que eu levara muitos anos antes...

          Lembrar do passado, ah como é bom! Até nossos atrapalhos nos fazem rir. E, poder dividi-los com os amigos e os leitores me deixa muito contente. Divirto-me só de lembrar! E você, vai querer me dizer que nunca cometeu gafes?

Euclides Riquetti
15-05-2014

O Reencontro de Jair Rodrigues com Simonal e Elis Regina

 


Replay:


          O Jair Rodrigues também foi pro céu. Não é lá o lugar de destino de quem vai embora depois de ter feito o bem e de ter alegrado tanta gente? Chegou com o violão embaixo do braço, de terno escuro, camisa branca, gravata escura, distribuindo sorrisos. Saiu de Cotia no meio da manhã, foi levando seu sorriso jovial e alegre, uma sacolada de alegria. Nem deu tempo pra se despedir dos amigos. Difícil imaginar que alguém pudesse ir embora assim, de repente, sem se despedir de ninguém...  Foi recebido pelo Wilson Simonal. Nas décadas de 1960 e 1970 fizeram muito sucesso cá na terra. O Simona com seu Patropi. O Sr. Rodrigues chegou com seu sorriso largo, com sua voz rouca e bem característica, e foi disparando: "Prepare o seu coração... pras coisas que eu vou contar... eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão... e posso não lhe agradar!!!
         
          O coração do Simonal quase que parou de novo. Era muita emoção. O Simoninha chorou muito a partida do Jajá, deu pra ver no Jornal Nacional. O Velho Simona veio, rápido, ao encontro do amigão e foi um abraço que teve hora para começar e não para terminar, fervoroso! Depois Simonal ensaiou uns passinhos e lascou: "Moro... num patropi...!" E os dois começaram a dançar, pareciam duas crianças. Foi emocionante o reencontro. Relembraram de muitas passagens de sua vida, dos festivais, do Geraldo Vandré, do Chico Buarque, do Ronie Von, do Roberto Leal,  de muitos outros.

          "Jajá, vem mais aqui que quero te apresentar a um amigo. Este, conheci quando aqui cheguei, já estava morando na Estância de São Pedro..." E chamou um rapaz bem apessoado, o Tchule. Era assim que era conhecido o José dos Anjos, que foi baterista dos "Fraudsom", lá em Capinzal. O Tchule também foi habilidoso jogador de bola, esteve no Arabutã e no Vasco, lá na sua terra natal. Também foi zagueiro no Grêmio Lírio, no Zortéa!

          O Tchule se achegou, tinha  um papel branco da cor de seus dentes na mão morena, uma caneta Bic, sorriu muito e pediu um autógrafo. E o Jajá: "Vem cá, Negão!, vamos ser grandes parceiros aqui! Nem se preocupe, teremos muito tempo para autógrafos. E mais, vou te dar um bolachão, um dos primeiros LPs meus.  E os dois abraçaram-se, afetuosamente, fã e ídolo, agora companheiros na mais nova jornada, a da Vida Eterna.

             Jair Rodrigues começou a fazer sucesso em 1964, e foi  o primeiro cantor brasileiro a superar a venda de 1.000.000 de discos. Ganhou  muitos prêmios. A vida toda com a agenda cheia, e ainda a atenção necessárias aos filhos Jairzinho e Luciana, também cantores. Ele e a esposa Claudine Mello sempre fizeram o melhor pelos filhos.

            Simona e Tchule ajudaram levando a sacola e o violão, foram para o Departamento dos Sambistas, que se situa ao lado direito da estrada dos músicos, após o Departamento de MPB. Deste,  vinha uma melodia suave e uma voz cheia de ternura, bem familiar, bem  conhecida... Abriu-se  uma cortina de uma porta,  branca, cujos marcos eram adornados com véus dourados. Olhou,  discretamente,  e ouviu: "Os sonhos mais lindos, sonhei...!"  Nem parecia acreditar, era ela que estava lá, que veio com seu cabelo curto, jeito moleque, sorrisão, braços abertos, pronta para saudar o antigo companheiro de atuação na TV Record: Elis Regina!

          É impossível descrever os minutos que se seguiram. Apenas se ouvia um coro de aplausos que saíam das mãos enternecidas de milhares de anjos vestidos de branco, que aplaudiam o grande reencontro: Jair e Elis, agora, vão alegrar o céu.

Euclides Riquetti
08-04-2014

Quando as pétalas se desprendem das rosas

 



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Quando as pétalas se desprendem das rosas
E vão enfeitar de cor os gramados
Quando as folhas se desprendem dos plátanos
E vão me fazer volver-me ao passado
Quando os gerânios envermelham as floreiras
E vão alimentar teus olhos amendoados
Quando o passaredo canta na manhã de sábado
Para dizer que um novo fim de semana é chegado
Eu me lembro de ti!

Quando a manhã promete sol escaldante
E eu te imagino correndo para o mar
Quando o suor corre no teu corpo esguio
E vai teus pés finos reidratar
Quando,  docemente,  me chamas de  "meu amor"
E eu fico assim a te admirar
Quando nos vejo felizes,  flutuando
Planando, livremente, no ar...
Em me transporto até ti!

E, quando o fim de tarde me chega de mansinho
Com teu rosto já estampado na mente
Quando a expectativa de estrelas cintilando
Me deixa feliz e muito contente
Quando tudo de bom já me aconteceu
E volto pra perto de ti novamente
Quando o dia valeu a pena por tua causa
E em nós germinou mais uma semente...
Percebo o quanto eu gosto de ti!

Porque as pétalas se desprendem das rosas
Mas sabem que outra vez vão voltar...

Euclides Riquetti

Poema de primavera

 




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No poema da primavera, a exaltação
A sensibilidade em observar e sentir
As palavras simples, beleza, discrição
Harmonia e cores que haverão de vir.

O cedo da manhã clara, bela natureza
O murmúrio das aves, o som do vento
As folhas que se movem na delicadeza
A vontade de propagar os sentimentos.

As manhãs primaveris estão chegando
Com o céu azul, com seu sol dourado
Os perfumes exalados se espalhando...

Tardes com a alegria de um pré-verão
Mais do que um novo dia ensolarado
Meu ser indo em busca de seu coração!

Euclides Riquetti

domingo, 10 de janeiro de 2021

A música do vento... me faz sonhar!

 



A música do vento... embala meus sonhos
E me leva pra longe... me faz navegar
A música do vento... afaga meu rosto
E me transporta pra perto... pra perto do mar!

A música do vento me vem como uma canção
Que você cantava
Pra me animar
A música do vento acalma meu coração
Me faz pensar em você
E de novo sonhar

Adoro o vento que vem brando
Que sopra suavemente
Que vem me acariciando
Como se fossem suas mãos...

Adoro o vento soprando
Deliciosamente
E que vem acalentando
As minhas doces ilusões...

A música do vento é assim,  prazenteira
A música do vento me traz esperanças
De reencontrar a verdadeira
E a mais saudosa das lembranças.

A música do vento... me faz sonhar!

Euclides Riquetti

Dorival Grígolo (Perozin), um benfeitor comunitário

 



       Em Capinzal e Ouro, dos anos de 1970 até recentemente, viveu uma personagem muito simpática e prestativa, que conhecíamos como o "Perozin". Herdou o apelido do nome da empresa em que trabalhava, uma loja que havia em Capinzal e vendiam máquinas e implementos agrícolas e os proprietários eram o Perozin, uma família de empresários da vizinha cidade de Concórdia. O nome dele era Dorival Antônio Grígolo, um cidadão de média altura, tez clara, cabelos castanhos  e detentor de um bigode distinto, à la Freddy Mercury, do Queen. 

       Inicialmente, eu o conhecia do início da década de 1980, pois ele fundara uma empresa própria, com sua loja em frente ao Banco BESC, na Rua XV de Novembro, em Capinzal, em sala de prédio de sua propriedade, que ele construíra. Adiante, ali funcionou a Livraria Central do amigo Odilon  Pizzamiglio e de sua esposa Lílian Clarice Hachmann Pizzamiglio. 

       Com sua pick up Willys, ele vinha até próximo a minha casa, ali no Ouro, na então Rodovia SC 303, hoje alcunhada de Avenida Felip Schmidt, um prolongamento dela. Encostava o veículo em frente à oficina de conserto de motores do Zenor Faccin, pai dos meus alunos Jaison e Marcieli, que eram pequenos, ainda. Trazia motores estacionários acionados a óleo diesel ou gasolina. Faccin também sabia converter os motores para funcionarem com gás GLP. Também construía jericos, uns veículos montados sobre plataformas de pick ups e rurais da Willys Overland, baixados do Detran e utilizados nas propriedades rurais.  O Perozin trazia muito serviço para o Xennor, que era o mais experiente e habilitado mecânico na área. 

       Em nossas conversas, ali, fomos formando uma amizade de respeito mútuo, tínhamos diferenças políticas, ele tinha admiração por um partido que era adversário do meu. Contava suas histórias e eu as minhas. O Zenor apenas ouvia e dava umas risadinhas comportadas...

       Os ano foram passando e, ao final de 1987 eu,  que era vice-Presidente do Conselho Administrativo da Paróquia São Paulo Apóstolo, de Capinzal, a qual abrangia, então, 47 capelas da Igreja Católica Apostólica Romana, localizadas em Capinzal, Ouro, Zortéa e parte de Campos Novos, integrava as equipes de promoção da festa de nosso Padroeiro, acontecidas sempre no domingo mais próximo ao dia 25 de janeiro, dia que lhe é consagrado fui eleito Presidente do Conselho Administrativo, formando uma equipe com diversos casais de nossa comunidade católica, encabeçados por Valêncio José de Souza, Sérgio Scarton, Ademir Romani, Osvaldo Federle, Elói Correa, Pedro Beviláqua, Reinaldo Durigon, Sérgio Riquetti, Nelson Luvison e outros, formais ou informais. Eu tinha como vice Nadilce Dambrós, que fora meu colega dos tempos de Ginásio padre Anchieta, em em 1965 e 1967. 

       Dorival Grígolo, os Lagni (ou Lanhi), Alduino Silva Amora, Alduir Silva (Binde), Tito  Carelli, Adelmo Queratti, Olivaldo Helt, Elói Lanhi, Sílvio Scalsavara, Edvino Dacás, Rogério Toaldo, Breno Toaldo, Eurides Gomes da Silva, Celso Farina, Oneide Andrioni, Severino Andrioni, Jandir Coronetti, Zeferino Tonini, Arno Kalsing,  Vilson Farias, Irenito José Miqueloto, Neri Luiz Miqueloto, com suas esposas, e outros. Além de suas senhoras, Ivone Benetti e Ladir Dorini, que junto com a Nair Andrioni tocavam a cozinha da festa. A paróquia tinha Frei Luiz Wolf como pároco e ainda Frei Nélvio Davi Cole,Victorino Antônio Prando e Frei Orlando Moreira. Prando era diretor do Seminário Nossa Senhora dos Navegantes. 

       No mês de janeiro, vários desses colaboradores nos auxiliavam no serviço de arrecadar prendas. Saíamos pelas comunidades do interior, utilizávamos as caminhonetes de alguns deles e uma da própria paróquia. O Grígolo, com sua pick up, muito nos ajudava, não cobrando sequer o combustível. Era muito conhecido no meio rural e quem o acompanhava era muito bem recebido. As festas que promovíamos tinham grande público presente e vendíamos mais de 2.000 Kg de carne, entre churrasco de gado bovino, suínos e galinhas recheadas. Todas as equipes se dedicavam muito. Um grupo de senhoras matava e limpava as galinhas na casa de Dona Ézide Miqueloto. 

       Numa feita, o Frei Davi tombou o Gol CL 1.6 quando de uma ida a Joaçaba, numa curva na Serra da SC 303, entre a comunidade de Santa Bárbara e São Cristóvão, no município de Lacerdópolis. Um carro daquele modelo valia dez mil dólares, mas um modelos similar, hoje, está em torno de R$ 60 mil reais. Pois o custo para recuperação estava orçado em metade desse valor e o carro não tinha seguro algum. Fizemos uma reunião de emergência e o Dorival Grígolo se propôs a doar uma trilhadeira de cereais nova, do estoque de sua empresa, para que fizéssemos uma rifa e obtivéssemos o dinheiro para cobrir as despesas. Ele justificou que sua esposa, que era uma senhora religiosa e que estivera doente havia superado seus problemas e, então, em agradecimento, doaria um bem para ajudar nossa Igreja. O projeto foi exitoso, foram expedidos 100 bilhetes, que foram vendidos e com isso tudo ficou resolvido. 

       Outro fato acontecido com ele, dizem respeito a minha pessoa e ele e refere-se à politica partidária.  Encontram-nos, no curso de meu mandato de Prefeito em Ouro, possivelmente em 1991, numa festa de casamento realizada em Leãozinho, comunidade em que eu nasci, em que casava-se um filho do Arcênio Andrioni.  A pauta política entrou na conversa em uma roda de amigos, lá, e se falava sobre a pavimentação da Rodovia Ouro-Jaborá, que havia sido implantada dez anos antes e ainda não fora asfaltada. Pois fizemos uma aposta, que foi proposta por ele e eu aceitei. Governava Santa Catarina o engenheiro Vilson Pedro Kleinubing. Ele dizia que a obra não seria construída por aquele governador e que, nas eleições de 1994 o partido dele, PMDB, elegeria Paulo Afonso como governador e este asfaltaria a Rodovia. Eu lhe disse que não acreditava que isso fosse acontecer nos próximos 10 anos e que eu teria muito prazer em pagar a aposta se eu perdesse, pois assim seríamos contemplados com aquela antiga reivindicação, que já havia sido defendida pelos ex-Prefeitos Ivo Luiz Bazzo e Domingos Antônio Boff, além dos vereadores Ivo Brol, Severino Luiz Bernardt e Gabriel Penso. 

       A aposta consistia em que, se até o ano 2.000, ou em dez anos, a estrada fosse pavimentada, eu pagaria um churrasco para ele e a esposa, com convidados dele. Se não fosse executada, após os dez anos, ele pagaria um churrasco para mim e minha família, o qual seria preparado em Leãozozinho, minha comunidade natal. Pois passaram-se os dez anos e nada da obra. Falei a ele que daria mais 10 anos de prazo e que eu continuaria lutando para que nosso sonho se concretizasse, prorrogando o prazo para 20 anos. Passamos também pelos Governos de Paulo Afonso Vieira, Esperidião Amin Helou Filho, dois mandatos de Luiz Henrique da Silveira, Leonel Pavan, Eduardo Pinho Moreira, e nada! Somente no primeiro mandato de Raimundo Colombo é que a obra foi licitada e autorizada. Isso começou em 2012, eu mesmo fiz a locução e protocolo das audiências públicas que precederam à autorização de execução. No entanto, empresas vencedoras dos processos licitatórios foram sendo dispensadas por não cumprirem o objeto contatado ou mesmo por falência. 

       Em 2019 a obra estava andando, mas a passos lentos. O novo Governador, Carlos Moisés, fez sua equipe de assessores olhar com muita seriedade e dar a devida atenção ao andamento da execução da obra. Assim, no dia 23 de outubro de 2020, no Centro de Eventos de Nossa Senhora do Caravággio, em Ouro, a mesma foi  inaugurada inaugurada pelo Governador Carlos Moisés da Silva, com a presença de prefeitos da região, vereadores, imprensa e poucos convidados, em razão da pandemia do novo coronavírus. A Rodovia SC 467, ligando Jaborá a Ouro e Capinzal, recebeu no nome de Rodovia Prefeito Luiz Bazzo, que foi o politico histórico, duas vezes prefeito em Ouro, e que me introduziu na política partidária, nas fileiras do antigo PDS.

       No dia 17 de novembro, 25 dias depois, Dorival Antônio Grígolo faleceu no Hospital São Francisco, de Concórdia, aos 70 anos de idade, sendo sepultado na comunidade de Barra Fria, interior do município de Concórdia. Fiquei sabendo do acontecido pelo site da Rádio Capinzal-Jornal AS Semana, de Capinzal. Eu sempre imaginara que um dia nos encontraríamos para relembrar o assunto el quem sabe, comemorar a inauguração. Ao Grígolo, também conhecido por "Perozin", que tenha o descanso eterno bem merecido, com as honras de quem só fez o bem aqui na terra.


Euclides Riquetti

10-01-2021

   

   


Fera desprotegida?

 



Vejo
Desejo
Não o horizonte azul
Nem a neve no sul
Apenas vejo ... e desejo!

Espero
Quero
O melhor momento
Do mundano pensamento
Calmamente,  eu espero... porque quero!

Tu sorris
Tu, ali
Indefesa e desprotegida
Fera desassistida
Em meio a meus pensamentos banais... e vis!

Entendo
Compreendo
Há uma lógica destoante
Em teu rosto fascinante
Belo, formoso, estupendo!

E eu me declaro
Na negra noite, ou no dia claro:
Sou teu fã incondicional!
Não, o mundo não é banal:
Tu és bonita, e resistes
Porque tu és real, e existes!
Euclides Riquetti

Celebrar, num poema, uma nova vida

 



Mergulhado em dúvidas e em indagações

Busco respostas para minhas incertezas

Não é o presente como os outros verões

Pois foi-se a alegria, escondeu-se a beleza.


Caminhos convencionais já não ajudam

Estradas costumeiras parecem inseguras

Passa-se o tempo e as coisas não mudam

Não encontro as luzes nem nas Alturas.


E assim vai-se a vida em passos céleres

O tempo mostra-se cruel com todos nós

Que buscamos vitórias em nossos revezes. 


Então, em meus sonhos lembro-me de ti

Pois a dor maltrata os que vivem sós

Some a alegria lá, oculta-se o ânimo aqui!


Euclides Riquetti

10-01-2021













Sorriso que me faz bem







Sorriso que me alegra e me faz bem
Dá ânimo ao meu dia, torna-o melhor
Sonoro, tímido, ou vibrante também
Já o conheço bem, conheço-o de cor...

Seus movimentos leves e desenvoltos
O balanço de seus abraços é elegante
Seus cabelos macios, secos e soltos
Delineiam seu olhar meigo e cativante.

Mulher idealizada, corpo de menina
Mulher imaginada, jovem,  mulher
Paixão que se incendeia e se ilumina...

Sorriso jovial, harmonia deslumbrante
É tudo o que me coração almeja e quer
Encantadora criatura, bela e cativante!

Euclides Riquetti

sábado, 9 de janeiro de 2021

Nossa Senhora de Lourdes - Sempre em Nossa Vida

 

Replay:






          Comemoramos, nesta terça, 11, os 156 anos da primeira aparição da Virgem Maria a três meninas na Gruta de Massabielle, menos de 2 Km fora da cidade, em Lourdes, na França, no dia 11 de fevereiro de 1858. Bernardette Soubirous, 14 anos, tinha ido com uma irmã e uma amiga buscar lenha para vender a fim de ganhar um dinheirinho para comprar pão quando a Virgem lhes apareceu.  Até hoje, a Santa cuja imagem se apresenta com uma túnica branca com bordas douradas, um manto azul e uma rosa amarela em cada um dos pés, é venerada no mundo todo.

          Sou devoto de Nossa Senhora de Lourdes, tenho uma imagem dela aqui em casa, acredito nela desde minha adolescência, quando tive um irmão doente, com febre que não baixava dos 42 graus e meu pai fez uma promessa à mesma.Ele salvou-se, meu pai cumpriu a promessa, que não vou colocar a público. Mas meu pai era religioso convicto, muito devoto da Santa. Chegou ao noviciado, ao Curso de Filosofia no Seminário São Camilo, em São Paulo, onde chegou a usar batina. Felizmente, para mim, por desavenças com seu colega Albino Baretta, que se tornou padre, abandonou o Seminário durante a Segunda Guerra Mundial e eu estou aqui escrevendo para vocês lerem. (A desavença é que ele deu uma marretada no dedão do pé do colega e jorrou muito sangue, arrebentou até a unha. Teve que fugir para não ser expulso. Ainda bem que ele era nervosinho...)

          Nascemos, eu e minha irmã, Iradi Lourdes (Riquetti Ghidini), que mora em União da Vitória,  na comunidade de Leãozinho, então Distrito de Ouro, município de Rio Capinzal. Eu em 23 de novembro de 1952,  e ela em 09 de janeiro de 1954, com apenas 1 ano, 1 mês e 16 dias de diferença de idade entre nós.  Meu pai homenageou a Santa de sua devoção incluindo seu nome na composição do de minha irmã.

           Então fui morar com meus padrinhos, João e Rachele Frank, com quem fiquei até os 8 anos de idade, voltando depois à casa dos pais para começar a estudar. Vivi minha infância brincando e subindo os morros do Leãozinho. Aos domingos, íamos ao terço na Capela, que ficava menos de 300 metros da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes. Eu, o Valdecir Frank, os filhos do Danilo Pissollo, os do João Andrioni,  o Darcy Biarzi e um filho do Seganfredo, de nossa idade, costumávamos brincar na gruta e numa caverna ao lado dela. Desde a época ali está uma imagem da Santa que nos protege.

          O local é muito bonito e aprazível, é visitado por excursões de devotos, principalmente por Grupos de Terceira Idade. Há um riacho em frente do paredão rochoso, com uma ponte de madeira coberta sobre ele, uma obra simples mas que tem grande significação. Costumávamos brincar na ponte quando criança. Meus filhos, quando eram pequenos, fizeram o mesmo. Nós os levávamos para as festas lá e eles se divertiam. A Michele, quando íamos em lugares assim, costumava deixar-se cair na água propositalmente, molhava-se, deixando a Carol, o Fabrício e a Mirian fulois da vida, pois tínhamos que ir para casa antes da hora programada.

          Ao longo de minha vida, sempre roguei pela proteção de Nossa Senhora de Lourdes em todas as situações de perigo e adversidades. Tenho muita Fé nela. Acho que herdei isso de meu pai. Uma situação de confiança, de cumplicidade, de entendimento, de diálogo franco no pensamento, nas orações. Ter Fé é necessário para o Ser Humano, ele não pode ser um descrente, precisa ter uma religião, algo em que se apegar, algo que lhe dê um Norte de confiança e segurança.

          Por coincidência, vim morar em Joaçaba há cinco anos e meio, acima da Gruta de NS de Lourdes e no Bairro do mesmo nome. Não tenho explicações, mas tudo me levou a que asssim acontecesse, não por opção, mas pelas circunstâncias inexplicáveis.

          Salve Nossa Senhora de Lourdes - a Santa das Grutas - devoção de tanta gente no mundo, inclusive minha!

Euclides Riquetti
11-02-2014