quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Memórias de Cadichon

 



Porque Burro, mesmo, é quem não tem sensibilidade para a Arte Literária!

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          Quando estou a pensar no passado, e isso me inspira a escrever, procuro lembrar de situações que marcaram minha vida ou a de outras pessoas de minhas relações  e amizade. Entrei para o primeiro ano do antigo primário com 8 anos feitos, tinha vergonha por ser mais velho do que os outros. E passei por três professoras, Judite Marcon, que foi substituída por Mariza Calza, e depois Noemi(a) Zuanazzi, pois mudaram-me de sala, colocando-me numa turma um pouco mais adiantada.

          Na nossa condição e capacidade de julgar, da época, fazíamos a separação: Primeiro Ano Fraco e Primeiro Ano Forte. Neste, os alunos que cursaram o jardim da Infância. Naquele, "nosotros". Então, após alguns meses de aula, eu já estava razoável em leitura e escrita, então fui para a turma que estava além do a, e, i, o, u. Nós não estávamos errados em nossos conceitos...

          No segundo ano, em 1962,  lá pela metade do ano letivo, eu já lia bem, com alguma fluência, sem solavancos. Eu era muito privilegiado,  tinha professor em casa, meu pai, que estudou no Seminário São Camilo em São Paulo, até o primeiro ano de Folosofia. Então, eu já olhava as velhas revistas O Cruzeiro, mais as figuras do que as matérias. E, para as férias, as freiras, (provavelmente a Irmã Firmina ou a Terezinha)   disseram que quem fora bom aluno poderia levar um livro da Biblioteca para ler.

          Seriam  dias de encantamento ter um livro para ler. Retirei um volumoso para minha idade: 256 páginas, uma versão brasileira de uma obra da Condessa de Ségur, nascida em São Petersburgo, na Rússia, em 1799, com o nome de Sophie Rostopchine, mas que aos 18 anos foi para Paris, onde só publicou seu primeiro livro aos 58 anos de idade, em Francês. E adotou o sobrenome de seu marido.Eu peguei a nossa versão  de "Les Mémoires d´un âne", "Memórias de Um Burro".

           Fui para casa de meu padrinho, no Leãozinho, então município de Capinzal, para passar minhas férias de inverno, e com a ajuda das filhas dele, Catarina e Delcia, consegui ler tudinho. Elas me ajudavam a entender as sílabas complexas. Lembro que a personagem principal era um Burrinho, Cadichon, muito injustiçado no início, mas que ao longo da trama salva a menina Paulina e consegue ralizar outrs feitos, ganhando respeito e notoriedade, até.

          Quinze anos depois, em 1977, quando eu já lecionava em Duas Pontes, hoje Zortea, ao participar de um encontro de formação lá no Mater Dolorum entrei na Biblioteca e vi que todos os livros antigos tinham sido encapados. Havia centenas deles. Pedi se tinham "Memórias de Um Burro" e disseram-me que não sabiam. Pedi licença, fui para a prateleira, apanhei um daqueles com capa em papel pardo e abri: Era o primeiro livro que eu li. Fiquei emocionado, retirei-o, li e reli, contei pra todo mundo.
          Cadichon me ensinou que o dinheiro tem alguma  importância no contexto da vida, , mas não é a salvação para tudo. Ainda, que ter amor e amizade são itens fundamentais para vivermos bem. Ser honesto nos garante respeito e o respeito abre-nos as portas com facilidade. Vale a pena ser honesto. Era mais ou menos isso que me ensinava. E eu morria de pena dele porque fora muito maltratado.

          Deste este primeiro livro lido, o  hábito pela leitura colou em mim. Leio de tudo. Não costumo ler modismos, leio a literatura que me dê interesse. Revistas, jornais, folhetos e jornaizinhos de igrejas, rótulos de produtos, placas de sinalização, legendas de noticiários, textos nos sites. Cadastrei-me e tenho senha de alguns sites da grande imprensa nacional. Comento, sempre que julgo conveniente, nos sites locais. Comento. Sou moderado, sigo a linha socrateana que me deu a frase que está no do epitáfio de meu pai: "In médio virtus".

          Hoje, eu o indicaria para muitas pessoas:  gestores públicos,  agentes políticos, profissionais liberais, ambientalistas, engenheiros, veterinários, agrônomos, psicólogos, estudantes e meus colegas professores. E a todos aqueles que acham que a formação acadêmica já lhes deu tudo de que precisam.

         Principalmente, recomendo para pessoas sensíveis. Estas têm, nelas, um pouquinho de Cadichon.

Euclides Riquetti
04-03-2013

Como numa manhã de inverno - poema pra você!

 


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Uma manhã de inverno muito fria, gelada
Um sol chegando pra dourar o dia
Uma manhã com branco de geada
Um coração tomado de muita alegria...

Uma canção tocando com belos acordes
Um sonho antigo sendo realizado
Uma canção que embala enquanto dormes
Um cenário antes nunca imaginado...

Um caminhar com vento frio no rosto
Um poemar com rimas cadenciadas
Uma vontade de te ver de novo
Uma saudade sempre, aqui na estrada...

Eu quero apenas te encontrar sorrindo
O teu sorriso lindo
Os olhos com teu brilho..

Eu quero apenas te abraçar agora
Vê se não demora
Preciso ir embora...

Euclides Riquetti

Eu gosto de ler poesia

 



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Não gosto de dias nublados
Nem de cinzento no céu
Prefiro aqueles ensolarados
Apenas nuvens cor de véu.

Não gosto de noites de inverno
E nem da chuvosa manhã
Prefiro o firmamento eterno
A tarde sem sol é vilã.

Eu gosto da planta florida
Eu gosto do senso da vida
Da canção e  da boa melodia.

Eu gosto de verde na planta
Da ave que voa e que canta
Eu gosto de ler poesia!

Euclides Riquetti

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Navegar em outro mar

 



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O amor flutua no ar
E vem embalar
Meus pensamentos e meus sonhos.

O amor me acalma
Acalenta minha alma
Bane meus defeitos medonhos.

O amor vem cantado nas canções
Colado em sentimentos e emoções
Escrito nos versos das manhãs.

Mas, se não o alimentamos, vai embora!
Vai acampar em  almas que não choram
E não se apega nas  promessas vãs.

O amor é assim:
É um sentimento sem fim
Que procura um galho firme para pousar.
Ao contrário,
Vai navegar em outro mar!

Euclides Riquetti

Meu lado bem Paraná

 




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Eu tenho dentro de mim um lado bem Paraná
E sei bem quando angariei, sei bem como aconteceu
Foi algo que não morreu, de quando morei por lá
E ficou dentro de mim esse meu lado Paraná!

Ficou dentro de minha alma, gravou-se  na minha  memória
Misturou-se com meu sangue o vinho que fui tomar
Não me esqueço dos bons tempos ali em União da Vitória
E dos amigos que fiz, quando ali  fui estudar.

Pesquei no Rio Iguaçu, nadei em suas águas brandas
Li poemas do Furlani e os romances do Zé  Cleto
Tive aulas com Nelson Sicuro, professor naquelas bandas
E com o Geraldo Feltrin aprendi um  Inglês esperto.

Agora,  depois de décadas,  ali volto em meu pensamento
Pras dragas retirando areia e no fundo a verde paisagen
Lembranças da ponte do arco que resta  através do tempo
Do Cristo no alto do morro, protegendo a bela cidade.

Dos poetas herdei a veia que me tornou compositor
Com os colegas da Fafi eu aprendi a me portar
Nas danças dos domingos à tarde eu fui encontrar o amor
E tornei-me um verdadeiro Bicho do Paraná!

Euclides Riquetti

Amor radical



Eu queria que tu arrancasses meu coração
E o colocasses dentro do teu.

E eu ficaria sem vida,
Sem sensibilidade,
Sem sentir saudade...

E tu terias para sempre o meu coração.

No céu, eu viraria um anjo alado
Que ficaria sobrevoando-te
Onde quer que estivesses
Para onde quer que fosses...

Assim, eu sempre estaria por perto
Protegendo-te
Guiando-te...

E continuaria a compor meus versos
Que virariam sonetos românticos.

E continuaria a rezar
A  pedir perdão
A declarar ao mundo que tu és meu grande amor.

E, no dia em que precisasses de minha presença
Apenas me acenaria
E eu viria
Com todo aquele amor que tenho em mim
Que guardo em mim.

E nós continuaríamos  felizes
Tu e eu.

Te amo demais!!!

Euclides Riquetti

Fatos relevantes da História de Ouro - SC

 


Alguns fatos, pelas suas características, apresentaram-se como marcantes na História  do município de Ouro. Enquanto os empreendedores e desbravadores empenhavam-se na construção de uma base econômica sólida, assentada  na atividade agropecuária, eventos adversos muitas vezes acabaram por destruir aquilo que com muito esforço se construíra:



Enchente de 29 de setembro de 1911: Destruiu parcialmente algumas casas que já se localizavam na parte baixa da cidade, próximo ao Rio do Peixe, da qual se tem poucas informações.



Construção da Ponte Pênsil padre Mathias Michelizza: Ligando Ouro a Capinzal, sua construção deu-se de 1933 a 1934, tendo como responsável pela construção o cidadão José Zortéa, um verdadeiro empreendedor. Foi inaugurada em 1934, mas acabou destruída em 1939, devido a uma grande enchente ocorrida.



Enchente de 1939: Causou graves prejuízos à vila onde hoje é a sede municipal. Ocorrida no dia 21 de junho, alagou as casas comerciais e depósitos ou armazéns. Destruiu a ponte pênsil, há poucos anos inaugurada.


Ponte resistiu à enchente de 1983...

Construção da Ponte Irineu Bornhausen – inauguração em 1956, :  Conhecida como a “ponte nova”, erigida em estrutura de concreto armado, constitui-se em monumento de engenharia, tendo resistido à grande enchente de  07 de julho de 1983, a ponte Irineu Bornhausen ligou o Distrito de  Ouro a Capinzal, sendo inaugurada em 06 de janeiro de 1956.  


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Neve de 1965:  Em  20 de agosto de 1965 a neve cobriu a paisagem em Ouro. Os telhados das casas receberam camadas de até 10 centímetros. Nas que possuíam telhados com platibandas e utilizavam calhas a neve acumulou-se e demorou para derreter, comprometendo, pelo seu peso, alguns telhados, principalmente os que possuíam calhas para chuva,  e até mesmo a estrutura  de algumas casas de madeira. O gado procurou abrigar-se embaixo das árvores e ao amanhecer do dia, instintivamente,  postou-se dentro da água nos córregos, que era o único lugar em que não havia neve.
Houve grande prejuízo ecológico, pois ocorreu grande mortandade de pássaros. As abelhas praticamente sumiram e, por muitos anos, o mel se tornou produto escasso na região. 
Por outro lado,  os descendentes de italianos, já velhinhos, vibraram por vislumbrarem o espetáculo da neve, ao qual foram acostumados em ponto de origem na Itália, como foi o caso de Luiggi Santórum, de Leãozinho.

Chuva de Granizo de 1981 – Violenta chuva de granizo ocorreu em 1981, principalmente na parte territorial compreendida por  Linha Sagrado e redondezas, chegando a Linha Vitória e Linha São Paulo. Pedras de gelo de até 600 gramas destruíram plantações de milho, parreirais e telhados. Animais domésticos, inclusive boizinhos,  foram mortos durante a tempestade. Na época o Prefeito Ivo Luiz Bazzo decretou “Estado de Calamidade Pública” e, após os levantamentos, houve ressarcimento  financeiro aos proprietários pelos prejuízos havidos com telhados, através de recursos liberados pelo Governo do Estado, mediante relatórios da Comissão Municipal de Defesa Civil.

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Enchente de 1983: Ocorrida na noite do dia 07 de julho, poderia ter-se tornado uma grande catástrofe, porém Deus poupou as vidas dos atingidos. No bairro Parque e Jardim Ouro foram destruídas todas as casas localizadas na Rua Voluntários da Pátria, cerca de doze. Na área central as águas, ainda antes do meio-dia,  16 horas,  já invadiam o Ginásio de Esportes André Colombo, destruindo o revestimento do piso, formado por tacões de madeira-de-lei aplicados por base de concreto. Atingiam também casas localizadas em áreas mais baixas e muitos porões de moradias. Mas foi a partir das 18 horas que as águas cobriram a Praça Pio XII e atingiram as Ruas Governador Jorge Lacerda e Felip Schmidt e, conseqüentemente, residências e casas comerciais, com incalculáveis prejuízos.
 Vendaval de 1984:  Violento vendaval ocorreu em Ouro e região no dia 03 de julho de 1984, atingindo principalmente a área central da cidade. Formou-se uma espécie de ciclone, vindo pelo Vale do rio do peixe desde a Vila São José, arrebentando no Parque e Jardim Ouro, após a curva do Rio do Peixe, em direção à Linha  Galdina. Além de descobrir mais de uma centena de casas das mais próximas ao Rio do Peixe, arrancou parte da cobertura do Ginásio Municipal de Esportes André Colombo, levando chapas de alumínio até as proximidades da ponte Irineu Bornhausen. A ponte pênsil Padre Mathias Michelizza, que houvera recentemente sido recuperada das avarias causadas pela enchente de 1983, foi totalmente destruída, quando os ventos desprenderam os cabos de aço de segurança laterais e esta balançou para o Norte, ficando com a face de seu piso em vertical, recebendo toda a fúria e a força do vento.  Seus pilares de concreto com quase que um metro de diâmetro foram partidos ao meio, em fato que só quem presenciou pode testemunhar sobre a sua dimensão  e sua gravidade.  Duas pessoas que transitavam sobre ela foram jogadas ao solo, fora das águas, felizmente, com ferimentos que não as comprometeram com gravidade.
Euclides Riquetti

De alma e de corpo

 


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Passam os dias
Passam outros e outros
Vem nova semana
Vem outra, outra ainda
Longa, morosa, infinda:
Só tu não vens!

E chega um novo mês
Para animar
Meu coração já insano
Enquanto fico a  esperar
Que comece um novo ano
Que venham outros, muitos talvez, outra vez.

Passa o tempo, inclemente
Num repente!
Só não passa a dor no coração
De  quem  perdeu  algo precioso
Forte, imedível, inimaginável...
Passa simplesmente.



A vida corre  e o tempo passa
Enquanto sento na praça
Na espera da sorte
Que deveria vir do norte
Mas não vem...
Nem do Sul, nem de lá, nem de cá!

Todo o meu conforto
É imaginar-te em mim pensando
Acreditar que não me esqueceste
Que não te arrependeste
De ter sido minha de alma...
E de corpo!

Euclides Riquetti

De Nossa Senhora dos Navegantes e de Yemanjá.

 




Anualmente, em 02 de fevereiro, após procissão
pelo Rio do Peixe, os fiéis veneram Nossa Se-
nhora dos navegantes, na Praça Pio XII, em
Ouro - SC
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          Em 02 de fevereiro várias cidades do Brasil e de Portugal comemoram o Dia de Nossa Senhora dos Navegantes. Isso  acontece em Pelotas, Porto Alegre  e Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina, destaque para Navegantes e Itajaí,  e para algumas praias. Em Salvador, na Bahia, é venerada como Yemanjá, a Rainha do Mar. No bairro do Rio Vermelho, 350 embarcações estarão participando de uma procissão e milhares de oferendas sendo jogadas ao mar. Se foram devolvidas, é porque não foram aceitas. Se o mar as levar, Yemanjá as aceitou.

          No Rio de Janeiro há grande reverência à Rainha do Mar em toda a orla marítima. Estas são as referências mais badaladas anualmente. Contudo, outras cidades pequenas, de menos visibilidade, também veneram a  Santa que está no coração de tantos e tantos. Para os católicos, Nossa Senhora dos Navegantes. Para os umbandistas, Yemanjá.

          Acompanho Nossa Senhora dos Navegantes desde minha infância. Em janeiro de cada ano, meu pai começava a preparar seu bote para ajudar na procissão que costumava acontecer no Rio do Peixe. Ele e os amigos gostavam de trazer a imagem vinda desde proximidades da Ilha, na antiga SIAP, pelas águas do Rio, até o valo que abastecia de água a usina hidrelétrica da família Zoréa, ali abaixo da barragem de pedras. E isso se repete até hoje. É uma magnífica procissão fluvial, ao anoitecer. Um belo show pirotécnico a recebe quando chega, em sua comitiva, próximo à ponte, onde é retirada das águas no portinho da família Costa, seguindo pelas ruas  Giavarino Andrioni,  Guerino Riquetti e Felip Schmidt, até a Praça Pio XII, onde acontece a Santa Missa. Lembro que o Sr. Olivo Zanini era um dos que sempre estavam ali esperando para ajudar a levar o seu andor.

          Padroeira do Município de Ouro, é venerada pela população, que, no dia que lhe é consagrado, feriado, costuma aglomerar-se por sobre a Ponte Nova, na ligação com Capinzal, para presenciar a chegada da imagem que foi esculpida em cedro na década de 1980, pelo escultor Paulo Voss, que residia no Bairro que leva o nome da Santa. Nos dias anteriores, celebra-se um tríduo nos bairros da cidade, em preparação para o dia culminante.

          Diz-nos a História local que o balseiro Afonsinho da Silva, logo após a Guerra do Contestado, construiu um pequeno capitel à margem direita  do Rio do Peixe, colocando uma imagem para sua proteção, próximo ao passo. Contudo, na enchente de 1939 as águas levaram a imagem mas, tendo implorado pela sua ajuda,  foi atendido, salvando-se num momento muito adverso, quando achava que isso já era impossível. Então, adquiriu outra, em Caxias do Sul, que acabou na primeira capela construída, aos fundos da atual Prefeitura e, depois, na esquina da Rua Formosa com a Pinheiro Machado. Atualmente, a imagem esculpida é exposta num belo capitel, na Praça Pio XII.

          Há pelo menos três  fatos que me marcaram a presença da Santa em minha vida: A primeira vez, na metade da década de 1980, eu estava em casa ouvindo no rádio as preocupações  em relação à estiagem que vinha ocorrendo e pensando em Nossa Senhora dos Navegantes. Lembrei que o amigo Reinaldo Durigon, que aniversaria no dia 02 de fevereiro, e era muito devoto dela. De repente, escuto um bater de palmas, é o Durigon vindo a minha casa, coisa que nunca havia acontecido antes. Adivinhei o que seria: veio propor-me realizarmos uma procissão, mexer com a imagem da Santa que, dizem, ajuda a movimentar as águas. Organizamos uma procissão levando a imagem desde a matriz, em Capinzal, até o Seminário, em Ouro, e logo depois choveu.

          Na segunda vez, a estiagem assolando nossas plantações, todo mundo desesperado e pedindo uma procissão para que chovesse. Aguentamos mais uma semana, até o dia 02, quando montamos um palco para celebração em cima de um caminhão do Ivo Maestri, na ponta do canteiro central, próximo do comércio de sua família. Bem na hora do Evangelho veio uma chuva tão intensa que todos foram abrigar-se embaixo das marquises das lojas. A Eliza Scarton trouxe uns guarda-chuvas  para o Frei David continuar a celebração. Restaram somente o Padre e algumas abnegadas senhoras para ajudar. Poucos restaram para receber a comunhão e para os ritos finais...

          Numa oportunidade mais recente,  estava participando da Festa de São Paulo Apóstolo, na área de Lazer, em Capinzal, quando o Sr. Pingo, o Pingo das Cocadas, veio falar comigo, queria autorização para vender seus doces na semana seguinte, dia da Procissão, na Praça Pio XII. Estava a explicar-lhe que a responsabilidade do evento, naquele ano, era da Capela do Bairro Navegantes, liderados pelo Rovílio Primieri. Dizia-lhe que era para falar com ele, que eu concordava, e tentava mostrar-lhe onde se situava a casa do mesmo, apontando com o dedo, para que o Pingo o procurasse lá. Nesse instante, uma mão tocou meu ombro: era o Rovílio. Queria saber porque estávamos olhando para seu bairro! E já se entenderam ali mesmo. Coincidência, ou presença de Nossa Senhora?

          Essas são apenas as minhas histórias, mas há as de outros. A grande verdade é que as pessoas acreditam, firmemente, que Nossa Senhora dos Navegantes tem poder e domínio sobre as águas dos mares e dos rios. Tem poder de regular as chuvas. E ajuda as pessoas a se defenderam das incertezas dos mares da vida. Como Yemanjá ou como Nossa Senhora dos Navegantes, o fato é que ela tem um elevado número de adeptos no país, principalmente nas cidades litorâneas. Então, todos os anos, no Dia da Padroeira, as pessoas   se reúnem para render-lhes graças. E, se for em tempo de estiagem, para pedir por chuva...
       

Euclides Riquetti

Palavras bonitas...

 




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Não vou poder te dizer palavras bonitas
Não vou poder atiçar a tua imaginação
Não vou entender as palavras já ditas
Não vou alimentar uma doce ilusão.

Não vou poder dizer dos teus olhos bonitos
Não vou poder elogiar dos cabelos a cor
Não vou rimar co´s  teus doces conflitos
E nem te dizer mil palavras de amor.

Não vou entender o que se passa comigo
E nem o que vai em teu pensamento
Não quero mudar o caminho que sigo...
Só quero teus beijos, teu corpo moreno
Nem que seja por um breve, curto momento
Quero sentir os teus lábios que tanto desejo...

Euclides Riquetti

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Uma janela entreaberta

 


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Uma janela entreaberta
Uma porta fechada...
Haverá uma  hora certa
De sair para a calçada?

Um coração aberto
Uma alma delicada!
Qual será o seu pecado
Morena da pele bronzeada?

Uma lágrima sentida
Um olhar muito distante.
Por que assim, desiludida
Se a vida é tão importante?

Um pensamento guardado
Uma voz suave e bonita.
O seio me incita ao pecado...
Haverá uma palavra não dita?

Uma atitude que falta
O temor a uma paixão...
Por que não tirar a alça
Que prende o seu coração?

Uma manhã de sol quente
Uma tarde de verão.
Por que não ficam noite sempre
Noite de amor e paixão?

Um jardim com poucas plantas
Poucas flores, poucas rosas...
Por que não cultivá-las, tantas
Iguais a você, tão formosa???


Euclides Riquetti

Em busca de paz e de amor

 



Eu venho de velhos mares

De todos os cantos e ares

Das águas mais tranquilas 

Ou então das ondas ferinas

Onde se erigem os altares.


Do Sul, do Norte, talvez

Eivado de pura honradez

Eu venho de muito longe

De onde a águia responde

Com a astúcia e altivez.


Sou como o sutil Condor

Que voa sobre a branca flor

Que na neve se expande 

Que voa sobre os Andes 

Em busca de paz e de amor!


Eu sou um clarim que soa

Sou como água que escoa

Por entre as pedras brancas

Pelas areias claras e francas

Que a mão de Deus abençoa!


Euclides Riquetti

01-02-2021




Pouca saúde e muita política, os males do Brasil são!

 



       Em minha juventude fui um leitor compulsivo. Encantado pela Literatura Brasileira, viajei pela Portuguesa, pela Inglesa e pela Norte-americana. Nesta, lia livros de romances em Inglês dos maiores expoentes da Inglaterra e dos Estados Unidos. Lia até dez vezes mais do que era minha obrigação como acadêmico do curso de Letras/Inglês na FAFI, a Fundação, Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras, em União da Vitória – Paraná. Foi ali que ingressei na atividade político-estudantil, tornando-me vice-presidente do Diretório Acadêmico da mesma, aos 20 anos, em 1973.

       Dentre os britânicos, li muitas obras, em inglês, de William Shakespeare, Oscar Wild, Lewis Carrol, Charles Dickens; nos norte-americanos, Edgar Allan Poe, Ernest Hemingway. Também as traduções do francês Júlio Verne. Na literatura Portuguesa, Camões, Camilo Castello Branco,  Fernando Pessoa, Eça de Queirós, Florbela Espanca. Dentre os brasileiros, Machado de Assis, Jorge Amado, José de Alencar, Monteiro Lobato, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino e o catarinense, simbolista, Cruz e Souza. De todos eles, tirei o que me servia, ampliei minha concepção de mundo. Duas frases ficaram em minha memória: “O Petróleo é nosso”, do nacionalista Monteiro Lobato, e a de Macunaíma, personagem de Mário de Andrade: “Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são!”

       Macunaíma foi “pintado” para simbolizar aquilo que era entendido como o legítimo brasileiro, malandrão, preguiçoso, “herói sem caráter”, egoísta, porém um ser muito astucioso. Escrito em 1928, seis anos depois da Semana de Arte Moderna, em São Paulo, um dos mais importantes movimentos políticos e artísticos do Modernismo, que aconteceu em 1922. Andrade foi um dos principais nomes do nosso Modernismo, e ajudou a organizar a Semana de Arte Moderna, juntamente com Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Menotti del Picchia.

      Mas antes, em 1816,o Botânico francês August da Saint´Hilaire  passou pelo Brasil e outros países da América do Sul, e deixou-nos uma frase: “Ou o Brasil acaba com as saúvas, ou as saúvas acabam com o Brasil”. Isso porque constatou a existência de muitas formigas saúvas destruindo plantações no Brasil. Um século depois, Macunaíma, a seu modo, repetia a expressão, mesmo com outras palavras.

       Passaram-se 100 anos, depois mais 100, e continuamos com as duas frases muito atuais e evidenciando o que tem acontecido em nosso País, tanto em termos de política como de saúde. A política foi ganhando espaços generosíssimos nos meios de comunicação, educação e saúde passaram a fazer parte dos discursos de toda a classe, mas continuamos muito defasados em ambas. As saúvas humanas proliferaram mais que os insetos.  Nosso  SUS é um dos melhores programas de saúde do mundo, mas as estruturas instaladas não são suficientes para comportar grandes adversidades, como é o caso da Pandemia da Covid 19. E os políticos continuam querendo ser as estrelas na desgraça, os protagonistas das soluções, quando houve um vacilo geral no início da desgraceira e um descuido enorme da população, que nem sabe mais em quem acreditar.

       O comportamento das autoridades em nível federal, não apenas  no que diz respeito à pandemia, mas com as relações internacionais, foi ridículo e muito prejudicial ao Brasil. Ofender parceiros comerciais é o mesmo que brigar com o vizinho que mora ao lado de nossa casa. Não sabemos de quem iremos precisar um dia. E a idolatria de Jair Bolsonaro para com Donald Trump o tornava cego. Bolsonaro precisa aprender que governar, em uma democracia, exige do governante que tenha posturas de estadista. Ou, no mínimo, que aprenda a ficar de boca fechada quando se mete a falar sobre assuntos que não domina. Tanto que seu prestígio está caindo justamente diante do pib bolsonarista. Agora, o foco de interesse político já não é o do âmbito municipal. Começa-se a campanha, antecipada como sempre, das eleições de presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Saber fazer a leitura correta do ambiente político é o fundamental para quem quer se manter no poder. E, sobretudo, o eleitor merece respeito, tanto o vitorioso quanto o derrotado.

       Os brasileiros esperam que os governantes considerem que há muita saúva campeando por aí e que falta muita saúde para todos nós.

Euclides Riquetti – Escritor – 

Minha coluna no Jornal Cidadela - Joaçaba SC 

 29-01-2021

Amor, saudade, felicidade



Reencontrei, em ti, a inspiração que havia perdido
Nas palavras "amor, saudade, felicidade"
Palavras mágicas, românticas, na verdade
Que vêm do fundo de um coração dorido...

Amor, sentimento nobre e inspirador
Se faz presente,  mesmo na simplicidade
Amor, contagia todos em qualquer idade
Amor bandido, puro, amor,  amor...

Saudade, sentimento que não se traduz
Mas, se há saudade,  é porque o amor  existe
É um sol brilhante a nos trazer a luz.

Felicidade, sentimento que nos contagia
Sempre presente quando o amor resiste
Pensar em ti me traz paz, me traz alegria...

Euclides Riquetti

A dança harmônica do Universo

 

Ponte Pênsil Padre Mathias Michelizza, liga Capinzal e Ouro - SC

Eu amo as plantas verdes de meu vale
Os belos girassóis, os cândidos cinamomos
Contemplo as águas dos riachos e das sangas
Que vagam entre as pedras rumo ao rio.

Encanto-me com os pássaros que cantam
E as borboletas entre as flores coloridas
Me perco em  ver crianças que sorriem
Com seus rostos inocentes  feitas anjos.

Admiro os jovens belos e sadios
Que buscam ideais de vida pura
A nobreza da alma das pessoas
Os rostos que irradiam muita alegria.

A  natureza  é a vida plena , é colossal.
É a dança harmônica do Universo
Que se move consoante a grande orquestra
Sem rimas, só com notas musicais.

Euclides Riquetti