quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Um porto seguro


 


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Quando em seu coração houver turbulência
Estiver abalada, ferida de agonia
Busque reencontrar a calmaria
Faça seu pensamento navegar com maestria
E vá  buscar motivação para a existência.

Quando sentir que o céu de seu dia ficou escuro
E que o chão parecer ter-se aberto de repente
Cuide de analisar o que seu íntimo sente
Tome a atitude que precisar, firmemente
Para ir de volta ao seu porto seguro.

Busque encontrar quem lhe dê apoio
Irrestrito, amplo, incondicional
Pois quem ama, a ninguém quer o mal.

Procure agir de modo simples e natural
Na tarefa de separar o trigo do joio...

E se a tarefa lhe parecer difícil e espinhosa
Pense em mim, delicie-se com meus beijos
Na noite silenciosa, longa, silenciosa...

Euclides Riquetti

Primavera chegou

 


A nova primavera chegou há pouco, bem devagarinho

Foi um dia de céu anil, chumaços flutuantes de algodão

Eram nuvens animadoras, mostrando, por antecipação

Que o amanhã será promissor, abrir-se-ão os caminhos.


A primavera costuma vir bela e sempre muito agradável

Faz com que nos animemos mais, que o dia se alongue

Já até o pôr-do-sol se colore ao oeste, muito mais afável

Porque, em pouco tempo, o sol do dia, de novo se esconde.


E eu buscarei orientação segura, seguirei a estrela guia

Navegarei até te encontrar, muito além de tudo, além

Para onde repousas, para me esperar por mais um dia.


E a encontrarei, porque esta é a minha determinação 

Estar perto de ti, te abraçar, afagar, e beijar-te também

Encostar meu peito no teu, sentir o pulsar do coração!


Euclides Riquetti

22-09-2021







Águas de setembro

 


Águas de setembro


Mergulho nas chuvas das primeiras águas de setembro
Que descem dos cântaros que se deitam no céu escuro
Já fiz isso em outras épocas, nos tempos que relembro
E, em cada novo ano, eu  navego na mente e te procuro.

Regam as águas as terras, as gramíneas e os arvoredos
Molham e atiçam o solo dos campos brotados, floridos
Rolam pelas encostas cinzentas e cortam os vilarejos
Reverdejam os pastos que a geada deixou enegrecidos.

As águas de setembro nos remetem aos saudosos dias...
Elas chegam, lavam os perfumes dos corpos e das almas
Mas não conseguem apagar as saudades, nem as alegrias.

As águas de setembro nos remetem ao passado distante
E afagam as peles lisas e caem brandas nas flores alvas
E eu te componho versos a toda a hora, a todo o instante!

Euclides Riquetti

Quando o coração manda meus olhos te procurarem

 





Quando meu coração manda meus olhos te procurarem
Nas ruelas ou vielas de alguma cidade
E eles se alam para te buscarem
É porque ele já sente saudade...

Quando meus olhos saem para te ver em algum lugar
E se vão seguindo apenas alguns rastros
De perfumes que exalas para que eu os possa cheirar
Apenas sigo os brilhos que emanam os astros.

Quando meu corpo encontra o teu e o deseja abraçar
Para te dar os afagos e carinhos de que precisas
E minha canção encontra a tua alma que vem pelo ar
Os anjos abençoam nosso dia e nossas vidas..

Então eu faço uma oração para que continuem nos abençoando
Em todos os dias e em todos os lugares
Porque meus olhos sabem que precisam continuar sempre te procurando
Onde houver desertos, florestas ou mares.

Porque precisam levar-te meu recado:
"Eu te amo!"

Apenas isso... bem assim!

Euclides Riquetti

Sob o céu anilado

 






Repouse:

Deite-se, tranquilamente, sob o céu anilado

Doure seu corpo em canela e bronze

Coloque no rosto seu sorriso encantado

E no corpo, a energia que vem do sol dourado e...

Se tiver que ousar, então... simplesmente ouse!


Ouse desafiar todas as convenções

Use seus dotes e toda a sua inteligência

A vida é feita de sentimentos e emoções

Não haverá vida se não houver chuva nos sertões

E até as sementes ficarão em eterna dormência...


Recrie-se

Saia de sua radical linha de conforto

Projete-se para a vida na atenção aos ideais

Não esmoreça nunca ,jamais

Procure ancorar-se em seguro e vasto porto

Mas não deixe de cuidar da mente e de seu corpo!


Repouse sempre quando necessário for

Sonhe com  pétalas de rosas e com humildes passantes

Pinte paisagens de pastos verdes e montes claros

Castanhos pedregados ou brancos nevados

Busque a alegria e refute qualquer forma de dor.


Reinvente-se, vá à luta, lute e vença

Erga seu braço comemorando cada vitória

Porque, homens e mulheres talentosos

Seres humanos destemidos e corajosos

Defendem com ardor seus propósitos e suas crenças!


Euclides Riquet

Mais uma bela primavera




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Mais uma bela primavera está por chegar
E, mais uma vez, eu poderei dizer te amo
Continuar te querendo, podendo abraçar
Quem me inspira e por quem tanto clamo.

Primavera é a estação do ano abençoada
Por seus encantos, pelos  pássaros e flores
O tempo certo de compor pra doce amada
Poemas inspirados em suas  belas cores.

Vem, primavera, vem logo, estou a esperar
Vem colorir o jardim da  praça e o gramado
Vem me fazer sorrir de novo, vem alegrar
A alma deste ser que nas flores é inspirado.

Vem apenas pra animar o poeta sonhador
Que espera pelos dias azuis e ensolarados
Que espera pelos sol dourado e inspirador
Espera por teu afago e beijos adocicados.

Euclides Riquetti

Bom dia, primavera!

 


 



Bom dia, primavera!

Seja, majestade,  bem-vinda! 

Há dias estou à sua espera

E a espero ainda...


Sei que você vem à tarde

Quase que já à tardinha

E que vai chegando sem alarde

Na tarde dela e na tarde minha!


Ora, chegue de mansinho

Porque a estamos esperando

Com suas flores ou brotinhos

Para os jardins ir enfeitando.


Que seja amena e perdure

Exale os cheiros das maçãs

E, perfumado enquanto dure

Seja o olor das romãs.


Então, primavera, Bom dia!

Venha com sua paz, traga a flor

Ao nosso mundo mais alegria

Porque "a vida pede cor"! 


Euclides Riquetti

22-09-2021

Leve seus olhos em direção ao firmamento

 





Leve seus olhos em direção ao firmamento

Saia do lugar melancólico que a entristece

Pelos trilhos do sol, ande em seu movimento

Como a gaivota em seu planar, no sobe-e-desce.

Dias nublados ou dias de céu azul, ensolarados

Por caminhos que a conduzam à felicidade

Vai ao encontro do seu príncipe muito amado

Faz coro com as legiões de anjos celestiais

Que, com os clarinetes amenizam nossos ais!


Realidade ou fantasia, sol, terra ou mesmo mar

Cada verso que escrevo, cada estrofe ou poema

Propõem viver sonhos, sentir seu corpo, abraçar

Sorrir o sorriso doce, sentir o cheiro de alfazema

Amar com os olhos, os lábios, com mãos macias

Cada parte de seu corpo que me atrai e encanta

Amar a quem se ama, ter prazer, viver na alegria.


Campos florescem na primavera que está por vir

Louvem-se os astros que a guiam e trazem a mim.

Belo é o seu rosto juvenil tão bem delineado..

Olhos que lhe conferem uma meiguice sedutora

Que me atraem pela sua beleza encantadora

Cor suave num quadro ricamente emoldurado. 


Euclides Riquetti

21-09-2021















Primavera!

 



Bom dia, primavera!

Seja, majestade,  bem-vinda! 

Há dias estou à sua espera

E a espero ainda...


Sei que você vem à tarde

Quase que já à tardinha

E que vai chegando sem alarde

Na tarde dela e na tarde minha!


Ora, chegue de mansinho

Porque a estamos esperando

Com suas flores ou brotinhos

Para os jardins ir enfeitando.


Que seja amena e perdure

Exale os cheiros das maçãs

E, perfumado enquanto dure

Seja o olor das romãs.


Então, primavera, Bom dia!

Venha com sua paz, traga a flor

Ao nosso mundo mais alegria

Porque "a vida pede cor"! 


Euclides Riquetti

22-09-2021







terça-feira, 21 de setembro de 2021

Calor de verão, em tempos de Primavera!

 





Calor de verão

Em tempos de Primavera!

Ah, que me dera

Ter os dias esperados

De clima amenizado

Nem calor nem o frio

De dar arrepios...


Dias de sol forte

De Sul a Norte

De Leste a Oeste

De Oeste a Leste

Até a bela praia 

Onde você mora...


Mas, enquanto isso

Cuido de plantas e paredes

E, por não ter rede

Durmo numa King

Com molejo abençoado

E ar condicionado!


E, por maior ocupação

Faço poemas com devoção

Até encontro rimas razoáveis

Nas tardes e noites  de calor...

E me voltam lembranças de amor

Em nós inapagáveis!


Euclides Riquetti

Para o amor não há fronteiras


 

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Sintonizam-se pensamentos lado a lado 
Na transposição dos limites do universo
No sobrepor-se às fronteiras das paredes
Onde se escondem os corpos e o pecado
Nos  desejos, nos afagos  tão diversos.

Para o amor, não há fronteiras, acredite
Para nosso amor, só o céu é o limite"-

Sintonizam-se almas gêmeas que se buscam
Dos parceiros na  distância imensurável
Nas fontes de prazer apenas saciar as sedes.
Nem as trevas e tempestades os ofuscam
Porque há um  amor puro, um sentimento inabalável.

Para o amor não há fronteiras, acredite
Para nosso amor, só o céu é o limite!


Euclides Riquetti

A Era do Rádio - memórias

 


Semp - modelo que a maioria das família tinha em sua casa. 

          Na minha infância, quando raras famílias podiam dar-se ao luxo de ter um televisor ou uma geladeira em casa, havia um aparelho indispensável: o rádio. Ah, o rádio era a invenção mais cobiçada de todos. A maioria deles eram grandes, uns energizados com  baterias, na área rural; outros a luz, nas áreas urbanas, e os acionados a pilha. ´

          Ter um rádio era o sonho de nossa família. Meu pai conseguiu comprar um quando eu tinha doze anos. Imagine uma casa sem um rádio! Era um aparelho que fora remontado pelo Sr. Ernesto Fontana, em Barra Fria. O caixão, em madeira, media aproximadamente 60 centímetros. Mas o miolo ocupava metade do espaço, no máximo. Porém, pegava de tudo. Era um "caixão de abelhas". Quando alguém tinha um pequeno, era um "caixão de mirinzinho". Quando um rádio não pega bem, dizem que é uma "beiera", que traduzo para vocês como uma "abelheira"!

          Aliás, as pessoas inventavam piadinhas assim: "O seu rádio pega Pato Branco? Pega?  Então reserve um casal pra mim... (Alguns trocavam pato por Arapongas...) Os pedreiros sempre trabalhavam ( até hoje o fazem), com um rádio ligado. Um portátil. Diziam que pedreiro que não tem rádio portáteil "não é pedriro". O receptour a suportar o trabalho pesado sob o sol. Ter um rádio portátil era um luxo. O Breno Montanari era pedreiro e tinha um que levava ao campo nos jogos do Arabutã. Levava para escutar o Gre-nal. Quando saía um gol ele erguia o volume e todos perguntavam: "Gol de quem?"

         Já o saudoso meu vizinho Idalécio Antunes de Souza, pai da Helena, era torcedor o Internacional. Quando dos tempos da Máquina Colorada, qu tinha o Falcão, o Figueroa, o Batista, ele colocava a vitrola na janela da casa e com todo o volume. Até lá do outro lado do Rio do Peixe, em Capinzal, se escutava. E, quando o Inter fazia gol, tinha foguete.

          O importante era ter um rádio em casa. Um que sintonizasse pelo menos as emissoras mais cobiçadas: Bandeirantes, Record  e Tupi, em São Paulo; Globo, Tupi e Nacional, no Rio; Guaíba, Farroupilha e Gaúcha, em Porto Alegre. E, os mais  americanizados e europeizados, dentre os quais eu incluo meu pai, gostavam de ouvir "A Voz da América" e a BBC, de Londres. No âmbito regional, as Rádios Fátima, de Vacaria, Catarinense e Herval D ´ Oeste, de Joaçaba, Cultura, de Campos Novos, e Rural de Concórdia. E havia os que gostavam da Rádio Aparecida, de São Paulo, onde escutavam missas e pregações. Passei minha juventude ouvindo rádio.

          Antes disso, quando era bem pequeno, um rapaz chegava a cavalo na casa de meu padrinho para nanorar uma das filhas dele, após a janta do sábado o programa era "ouvir rádio". E sobrava pra mim. Todos iam dormir e me deixavam cuidando deles para que nada de mal lhes  acontecesse. Pegavam suas cadeiras empalhadas e ligavam, na Farroupilha para escutar "os caipiras". Ela, gentilmente, colocava um pelego ao chão e um travesseirinho para que eu ficasse mais confortável na tarefa de vigiar o casal. Eu vigiava  uns minutos, mas a maciez do pelego me levava ao sono profundo. No outro dia, perguntado, eu dizia que não acontecera nada entre os namorados, que eles se portaram bem. Eu não mentia, porque, mesmo, nada havia visto, só dormira!

          Em Capinzal havia, na década de 1950,  a Rádio Sulina, com o Celso Farina como locutor. Também trabalhavam nela o Aderbal Gaspar  Meyer (Barzinho), a Alda Viecelli e outras pessoas. Sobre a Sulina e a Clube vou escrever, oportunamente.

          No final da década de 1960, à  noite, costumávamos, eu e meu irmão mais velho,  escutar o Paulo Giovani, na Globo, do Rio. Era um grande comunicador. Ao final, lá próximo da meia noite, apresentava uma paradinha com as mais solicitadas no dia. Eu ficava encantado com o que ele dizia.

         Pela manhã, ouvíamos "Primeira Hora", na Bandeirantes. Havia um locutor, Vicente Leporace, que era muito bom. Eron Domingues apresentava o  "Répórter Essso" (Alô, alô, Repórter Esso, aloooo!!!!), acho que numa cadeia de emissoras. Ao meio-dia, o noticiário Herval D´Oeste ou da Rural. Depois o rádio era desligado e só religávamos à noite, que era para não gastar muita luz... Na hora de  "A Voz do Brasil" ficava desligado, porque seria um noticiário que só falava o que interessava ao Governo e nós não queríamos ouvir o que eles tinham a nos dizer.

          Contou-me uma vez a saudosa Dona Elza Colombo, italiana que veio por duas vezes ao Brasil e viveu mais de 96 anos, que, durante a Segunda Guerra Mundial, os colonos do Ouro, quando iam para a cidade, chegavam à casa dela  para saber notícias sobre a Guerra, que o marido, André, acompanhava. Muitas vezes ficavam lá para esperar por um noticiário, para que pudessem ouvir as pretendidas notícias, pois muitos tinham parentes lá na Europa lutando.

          Quando veio a TV, diziam que o rádio ia pras cucuias. Não aconteceu isso. E você, certamente, deve ter muitas boas lembranças do rádio. Tem certeza de que nunca mandou uma cartinha e ofereceu uma música para alguém? Mesmo que tenha usado pseudônimo?
        
             Hoje, mesmo com as emissoras de TV, os computadores e todas as mídias possíveis, o rádio ainda é nosso companheiro inseparável. E há de todos os modelos, de todos os tamanhos e para todos os bolsos. Com menos de R$ 10,00 você pode ter um. Mas é difícil encontrar um caixão de abelhas...
         

Euclides Riquetti
07-02-2013

Se Deus me desse asas...

 


 


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Se Deus me desse asas, eu voaria
Iria te encontrar onde tu estivesses
E, então, eu te abraçaria
Desde que tu permitisses e me quisesses!

Se eu pudesse voar, certamente
A distância entre nós diminuiria
E, quando a saudade viesse, assim, de repente
Ei ia te encontrar, claro que eu iria!

Se eu voasse na manhã ensolarada
Seguiria os trilhos do céu para te encontrar
Iria buscar-te, doce mulher amada
Quer fosse nas serras, quer fosse no mar!

Eu iria, sim! Ah, certamente que eu iria!

Euclides Riquetti

O som da alma que canta

 


 


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O som da alma que canta
É como uma história já contada
É como a canção já cantada
Enquanto o sol se levanta...

É um som que vem de mim
E que some lá no horizonte
Que se sobrepõe à ponte
No azul do infinito sem fim!

É como a discrição do poema
Que exala perfumes discretos
Com versos brancos seletos
Perfumados de alfazema!

O som que se espalha no ar
Na noite da doce melodia
Flutua na leveza da harmonia
E vai buscar nosso mar!

Euclides Riquetti

O "Bastião" Barbina


Assim era nossa "Rio Capinzal"


        Não sei por que motivo os chamavam de "Barbina" talvez pela corruptela da palavra Balbino, mas essa família existiu em Capinzal na época de minha infância e adolescência. Vou me referir, aqui, ao "Bastião", certamente que seu nome era Sebastião, um biscateiro. Na madrugada, quando acordo e, bem cedo, cevo meu mate amargo, meu pensamento viaja, voa pelas cidades onde vivi, pousa em ambientes e épocas que se registram em minha memória história, com imagens e fatos que se armazenam adormecidos em minha mente. Guardei e guardo as boas lembranças do ontem e do hoje, principalmente as que me aprazem e me inspiram...

          O Bastião Barbina era amigo de meu tio, Arlindo Baretta, marido da tia Elza (Dambrós), que ainda vivem em Ouro, pais da Salete, da Selita, da Sirlei e da Roselei. Ele teve um armazém de "secos e molhados", que adquiriu de Clarimundo Bazzi, transferindo-os para o andar térreo de nosso sobradão, ali na Felip Schmidt, defronte ao Posto Dambrós. Trabalhei lá entre 1969 e 1971, quando fui trabalhar no Posto Dambrós. O Bastião vinha para comprar fumo, tomar um martelinho de pinga, uns fígados para uns bifes, soquete para um brodo, erva-mate para seu chimarrão e, sobretudo, para bater um papo com meu tio.

         Como fui balconista dos 12 aos 17 anos, convivi com muita gente assim, simples, honesta,  boa praça, verdadeiros cavalheiros, de excelentes hábitos. Já houve um tempo que as pessoas, em sua grande maioria, trabalhavam para se sustentar, não dependiam de governos, davam um jeito pra tudo. Claro que não tinham em casa (nem nós tínhamos...), o conforto, mas comiam aquilo que lhes dava  energia para o trabalho e tinham o que vestir. Quem trabalha, historicamente, pode ter dificuldades, mas, se tiver saúde,  não vive na miséria. Tem aquela frase bem conhecida de que "o trabalho dignifica o homem".

          O Bastião Barbina era um senhor entre 45 e 50 anos e, na época, me parecia "velho". (Eu não tinha a dimensão que tenho hoje de idade com relação aos que vivem mais tempo.) Rosto fino e moreno cor de cuia, caboclo, cabelos lisos, escuros, cavanhaque ralo, magro, altura mediana, gestos delicados, fala mansa e, sempre, um sorriso muito alegre e simpático no rosto. Duvido que, algum dia, tenho sido ríspido, sequer deselegante com alguém.

          Convivi com o "Mingo Barbina", acho que Domingos dos Santos, trabalhei com ele no Posto Ipiranga, em Capinzal, que fora do João Flâmia e que havia sido arrendado pelos Hachmann, em 1971. Depois saí para estudar em União da Vitória, mas o reencontrei em 1983, jogando nos másters do Arabutã Futebol Clube, na Baixada Rubra. Ele também atuava como juiz, de vez em quando. Era linha dura, bem diferente do pai. Foi meu amigão, jogamos muita bola juntos, visitou-me quando fraturei a perna jogando ali, em 1984 e fiquei 90 dias no gesso. Tinha habilidade em cortar e assentar pedras em muros de contenção. Tinha também a irmã dele, esposa do "Bugre", este mais um artesão das pedras e benzedor, família que ia ao campo do Arabutã nos dias de jogos, todos com suas camisas vermelhas, eram considerados torcedores-símbolo do alvi-rubro, como também o foi o Mário "Ferro" Borges.

          Nunca mais tive notícias do Bastião, acho que faleceu há décadas e, se hoje estivesse vivo, certamente que beiraria os 100 anos. Mas aqui está a possibilidade que o mundo virtual me permite: registrar que um dia conheci um homem simples e trabalhador, honesto, que serviria de exemplo para outros, e que me marcou muito. Tenho, sim, saudades das pessoas que cruzaram em meu caminho, não importa a sua condição social, nem intelectual. Mas que fizeram história, nas cidades, pela sua simples maneira de ser.

          Uma oração para você, Bastião Barbina. E, se  estiver com Deus, que seja bem feliz na Eternidade!

Euclides Riquetti
13-10-2015