terça-feira, 19 de outubro de 2021

Faltariam poucos dias

 


 




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Faltariam poucos dias pra eu pisar
As macias e claras areias
E sentir as águas do mar
Da adorável Canasvieiras.


Ali onde eu me sinto bem
Ali onde tudo é encantador
E você se sente feliz também
Onde o sol tem belo esplendor.

É bom poder andar e  rever
As pedras grandes e o trapiche
Os perfumes exalados sorver
E tudo o que ali existe...

Ali, onde o sol vem do Leste
Nas manhãs de todas as estações
E vai para o grande Oeste
Para aquecer corações.

Faltariam poucos dias para eu andar
Sob voos de gaivotas e garças
Em meio a pessoas dispersas
Em meio a almas esparsas!

Faltariam poucos dias...

Euclides Riquetti

Vou, vejo e volto...

 


 


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Vou à praia e vejo o mar revolto...
Vou para me inspirar no dia afável
Na manhã quente e adorável.

Na manhã de encantos a me encantar
Vou, vejo e volto
Para te buscar.

Com isso ou aquilo, pouco me importo...
Vou para ver as espumas que campeiam
E se quebram nas areias que se incendeiam
Com o sol levante
Dourado, causticante
Mas vou, vejo e volto.

É o mesmo sol que queima minha pele
E que me entusiasma, me anima
Me impele...

Me impele a pensar
Viajar no tempo
Voltar ao presente
De repente!

Me impele a sonhar
Navegar no pensamento
Para te reencontrar...

Porque eu te quero!

Euclides Riquetti

Feridas abertas

 






Respostas incertas
Perguntas obscuras
Feridas abertas
Noites mais escuras...

Tempos de incertezas
Em tardes ensolaradas
Manhãs cinzentas
Frias madrugadas...

Corações muito aflitos
Com danos morais
O seres em conflito
Em corpos mortais!

Dias dessas lembranças
Precisam ser esquecidos
Que volte a esperança
Aos corações sofridos...

Que se veja o horizonte
Azul claro como o mar
E que a água das fontes
Se possa de novo tomar!

Euclides Riquetti

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Veio o sol...

 



Veio o sol, veio timidamente

Depois da meia-tarde primaveril

E o poeta, numa resposta sutil

Compôs um poema simplesmente!


Veio o sol, deu o ar de sua graça

E até as avezinhas se alegraram

E, animadamente, cantaram

Nas árvores do bosque e da praça!


Veio o sol apenas por umas horas

Ele e seus raios amedrontados

Recebi-o com todo o ar já respirado

Isso foi agorinha, bem agora!


E, enquanto você sai e nada me diz

Me deixando no suspense e na curiosidade

Talvez com um pouquinho daquela saudade

Apenas  me ocupo em tentar ser feliz.


Euclides Riquetti

18-10-2021














Da ilusão à realidade - sobre a pandemia - escrevi duas semanas após o início do caos

 






       O avanço da contaminação pelo novo coronavírus no Brasil e em outros países da América do Sul é menor do que a havida na China, Itália, França, Espanha e outros países. Verifica-se que na Indonésia e na Austrália o avanço se deu no mesmo ritmo do havido por aqui e há uma razão científica para isso: No hemisfério sul, estávamos no verão e estamos entrando no outono e, com o calor, a propagação do vírus é bem menor.

       Os índices de letalidade, por aqui, causam muita preocupação em São Paulo, epicentro da pandemia no Brasil. Nos outros estados, o índice é menor. Em Santa Catarina, os percentuais ficam em menos de metade do que em São Paulo, pois perdemos apenas duas pessoas até este dia 31 de março de 2020, felizmente.

      Tem sido vergonhoso o comportamento da classe política no Brasil, principalmente em Brasília e São Paulo. Há culpados por estarmos enfrentando tal situação no Brasil? Certamente que ninguém busca desgraça para si voluntariamente. Mas, se quando ainda considerada apenas uma epidemia na China, alguém tomasse alguma providência no Brasil, como, por exemplo, o cancelamento do carnaval, seria perdoado ou trucidado naquele momento?

       A ocorrência que levou o Brasil a entrar em Estado de Calamidade Pública nos mostra o quanto a saúde tem sido apenas pauta de discursos na época das eleições e depois acabamos ficando com menos do que o básico. Dizem os cientistas que somente quando 70 % da população brasileira estiver portando o vírus, e criado anticorpos para sua autodefesa, é que a situação se normalizará. Discute-se se devem ser tomadas as medidas de quarentena vertical ou horizontal e não se tem uma conclusão. Invoca-se, por um lado, as recomendações da OMS. Por outro, há quem defenda que a atividade econômica seja retomada, pois poderá haver falta de comida logo ali.

       Os recursos para o SUS sempre foram vergonhosos. O repasse aos hospitais filantrópicos e outros prestadores de serviços ao SUS ficaram com valores sempre abaixo do próprio custo aos que prestam atendimento ao público. O SUS é um dos melhores sistemas de saúde do mundo. Mas, em vez de investir em melhorar os hospitais e acabar as construções paradas, investiu-se em construir estádios para a malfadada Copa do Mundo e para as Olimpíadas do Rio de Janeiro. Muita gente que está bradando bobagens na televisão já esqueceu que foram eles mesmos que quebraram o Brasil e que investiram errado, oportunizando, ainda, que muito dinheiro fosse roubado ou mal empregado.

       Nós estamos acostumados a viver no mundo da fantasia. O futebol, por exemplo, nos cega. Enquanto uns ganham fortunas jogando futebol ou apresentando-se como "artistas", a grande maioria mora em lugares sub-habitáveis. A crise vai fazer com que voltemos à realidade. A que abramos os olhos e vejamos o que, realmente, é importante ou o que é supérfluo. Nunca o provérbio socratiano "In medio virtus" esteve tão em alta.

       O comportamento de um grande número de jornalistas da Tv é simplesmente ridículo. Falam bobagem, ironias e desdenham. Vi uma que “se acha” enfatizar que houve falta de vacinas para a H1N1. Não sabe ela que o Instituto Butantã tem batido recordes na produção das vacinas, mas que houve a antecipação da data da campanha de vacinação, justamente para diminuir a "confusão" e as dúvidas que aumentariam para a identificação que qual doença estaria acometendo os pacientes. O oportunismo, por outro lado, no meio político, é vergonhoso, tanto de esquerda como de direita, passando pelo "meio".

       A proposição de medidas precisa ser conjunta e definida com alguns critérios. A retomada da atividade produtiva pode ser programada considerando não a essencialidade agora considerada, mas também o mapa dos casos de contaminação já constatados. Em Santa Catarina, por exemplo, temos uma grande concentração no litoral. Na Serra, um caso comprovado em Lages, 5 em Chapecó e um em São Lourenço do Oeste. E temos mais de 100 municípios em que podem haver suspeitos. Dentro desse prisma, ,imagino que as medidas para cada cidade sejam específicas.

       Hoje, terça-feira, tive que ir ao Banco porque não havia como outra pessoa fazer o que eu precisava por mim mesmo. E  passei numa farmácia. Tomei todas as precauções possíveis. Mas os atendentes da farmácia, onde procurei por máscara de proteção, não tinham nem mesmo para eles. Então, fico me perguntado: "Qual a diferença de um trabalhador que atua numa produtora de alimentos e uma metalúrgica?" Então, imagino que as normas precisam ser revistas, todos os cuidados tomados, e quem possa produzir, que produza.

       Na área rural, onde há forte atividade agropecuária, aqui em Santa Catarina, há perdas por causa da estiagem. Em algumas cidades, há o racionamento de água para o consumo humano, embora ainda não tenha faltado e se espera por chuvas em 3 dias. Então, precisamos da convergência de ideias e da inteligência. Buscar planos para a retomada de atividades que possibilitem que as pessoas tenham renda ou que consigam pagar seus tributos para que o governo tenha dinheiro para ajudar alguns setores que serão os mais atingidos.  É quase que certo de que algumas coisas que importavam até a época do carnaval  passem não mais importar. Estamos caindo na real!

Euclides Riquetti – escritor – publicado no Jornal Cidadela - Joaçaba SC
03-04-2020 

Navegar em outro mar

 


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O amor flutua no ar
E vem embalar
Meus pensamentos e meus sonhos.

O amor me acalma
Acalenta minha alma
Bane meus defeitos medonhos.

O amor vem cantado nas canções
Colado em sentimentos e emoções
Escrito nos versos das manhãs.

Mas, se não o alimentamos, vai embora!
Vai acampar em  almas que não choram
E não se apega nas  promessas vãs.

O amor é assim:
É um sentimento sem fim
Que procura um galho firme para pousar.
Ao contrário,
Vai navegar em outro mar!

Euclides Riquetti

Como numa manhã chuvosa de outono

 



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Na manhã chuvosa de outono me chega a canção
Que me vem trazida pelo vento
Pousa, suavemente, em meu pensamento
E se aloja em meu frágil  coração.

Vem, num carrossel de anjos que vêm
Com sua melodia indescritível
Canção de sabor aprazível
Vem me deliciar também.

Na manhã chuvosa de outono vem a canção que me afaga
A canção da noite, que você repete
E que me acalenta, me confunde e me embriaga.

Na manhã chuvosa de outono meu coração silencia
Enquanto se acalma, pensa, reflete:
Quer esperar você, cheio de uma doce  nostalgia.

Euclides Riquetti

Quando a solidão bater à sua porta

 


 




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Quando a tristeza bater à sua porta
Mande-a campear em outro lugar
Quando a melancolia bater à sua porta
Mande-a embora para não mais voltar...

Quando a dor bater à sua porta
Mande-a buscar outro ser pra torturar
Quando o sofrimento bater à sua porta
Mande-o navegar em outro e longe mar...

Quando a saudade bater à sua porta
Mande-a vagar na prata do luar
Quando a solidão  bater à sua porta
Diga-lhe não e não a deixe mais entrar...

Mas quando eu bater em sua porta
Por favor, me convide pra ficar..
Porque se o amor bate em nossa porta
É tempo de se viver e se sonhar...

Apenas isso...
Nada mais que isso!

Euclides Riquetti

Realidade - A difícil vida dos brasileiros e a falta de perspectivas de melhora

 



       A vida dos brasileiros anda muito difícil. Vivemos em brasis diferentes. Temos as diferenças regionais e as sociais. Estas, são muito maiores do que aquelas. Numa ou noutra região, independente de seu nível ou grau de desenvolvimento, sempre há os dois extremos: a vida fácil dos abastados e a vida miserável dos pobres. E o pior é que não se alinham no horizonte perspectivas de que tudo vá melhorar, nem em curto e nem em médio prazo.

       Os meios televisivos não cansam de nos mostrar a situação de dificuldade de muitas pessoas, que moram em locais de condição de vida sub-humana. Aqui mesmo em Santa Catarina, onde somos altamente privilegiados e nos acostumamos a ver carros de som  e anúncios no rádio chamando gente para trabalhar, ainda temos gente morando em habitações degradadas e alimentando-se de restos de comida dispensados pelos que têm as geladeiras e prateleiras cheias.

       Os meios de comunicação, que deveriam praticar o autêntico jornalismo, preferem dar espaço a picaretas da política, gente que já se aproveitou que chega da população, a mostrar as verdades e a realidade que assusta. Um mundo fantasioso é mostrado através das novelas, cantores, atores e jogadores de futebol que são colocados como semideuses, a indução a pensar-se que há vida fácil, que basta que nos mexamos.

       Dia desses vi uma matéria originada em Joinville, uma das mais ricas e a mais populosa cidade catarinense. Pessoas que não têm o que comer, que moram em meio ao lixo, em casebres montados com restos de latões, madeiras e chapas velhas de zinco ou compensados de cobertura. Nas grandes cidades, como Rio, São Paulo, Salvador, Recife e outras, os problemas são ainda maiores. Isso já vem de muito tempo e não aparecem perspectivas que nos deem ao menos esperanças.

       Não tenho inveja de quem tem bastante, até parabenizo e admiro quem consegue, com esforço, continuar a progredir, a aumentar seu capital de maneira limpa e honesta. Conheço muitas pessoas cuja família precisava de ajuda dos outros para matar a fome e hoje são exitosas, tendo condições de formar seus filhos em cursos como Medicina, Direito, Engenharia, mesmo que em universidades particulares. Mas, no geral, falhamos! Falhamos como autoridades eleitas (ou nomeadas) responsáveis para melhorar a vida das pessoas.

       Precisaremos de duas ou três gerações para recuperar o tempo perdido. Precisaremos de menos demagogia e mais seriedade e responsabilidade das autoridades. Precisamos deixar de seguir a toada das comunicações e dos políticos e cobrar que a realidade seja sempre exposta, analisada e que se encontrem soluções. A concentração de recursos nas altas esferas é um câncer. Envida a corrupção, o atraso e os desperdícios. E somos levados a nublarmos nossos olhos em cortinas de fumaça, ao darmos muita atenção a aproveitadores que se apresentam como salvadores da pátria.

       A vida está cara! A comida está cara! A gasolina, o diesel e o gás de cozinha estão caros. Os programas de habitação são tímidos. As pessoas se endividam em cartões de crédito. Os homens batem nas mulheres. Os carros ocupam os espaços das cidades que deveriam ser ocupados pelos seres comuns, que andam a pé. Poucas praças, poucas áreas verdes, poucos locais de lazer. Até os campinhos sumiram, os terrenos foram murados e aguardam valorizar-se para a especulação imobiliária. A inflação está crescendo e não podemos achar a desculpa de  que o cenário externo é que está azarando nossa vida. Governantes são eleitos e viram donos do País, dos estados, das cidades. Há uma distância enorme, um largo hiato entre Brasília e nossos bairros pobres. Quem mais tem acesso aos meios de comunicação é quem mais se dá bem. Os que têm a voz abafada ou calada é que sofrem.

Queimadas no Brasil – Estive no Pantanal na semana anterior, à sudoeste de Cuiabá. Muitas áreas secas, cenários marrons em vez de verde. Um raio numa árvore, um toco de cigarro na margem de uma rodovia, um poste caído com os fios elétricos gerando fogo, um pequeno fogo para assar uma carne em meio ao mato, a réstia de um vidro de carro estacionado, ou a capina com fogo mal organizada, tudo pode gerar incêndios em áreas secas. Conversei com os nativos, me interessam muito mais que os outros seres. Eles sabem das coisas de sua região. Temos, lá, gente honesta que conhece tudo do comportamento da natureza pantaneira. Mas também há os espertalhões que, sem escrúpulos, danificam a natureza. Há ações sérias tanto por parte dos governos quanto de algumas Ongs. Mas, também, há a malandragem em todos os lados.

       Por isso mesmo, sou a favor de que as ações públicas passem pelas prefeituras, com severa fiscalização. São as instâncias públicas mais próximas do cidadão. Em todos os estados, precisamos de menos lero-lero e mais planejamento. Em todos os lugares há pessoas bem intencionadas e que podem ajudar!

Euclides Riquetti – Escritor – www.blogdoriquetti.blogspot.com

Acordar feliz

 





Acordar feliz, ser feliz, viver feliz...
Assim quero que seja
Como o poema que diz:
Tudo vale a pena
Se a gente tiver como lema
Acordar feliz, ser feliz, viver feliz!

Acordar sabendo que se ama e é amada
Que se desperta desejos
E que se é desejada...

Acordar com a alma lavada
Dar e receber muitos beijos
Da pessoa amada...

Acordar com o sorriso nos olhos
No rosto
Nos lábios...

Acordar irradiando luz nos olhos
No rosto
Nos lábios!

Acordar feliz, ser feliz, viver feliz
Amando e sendo amada...
Amando e sendo amado
Sendo feliz
Muito feliz!

Euclides Riquetti

domingo, 17 de outubro de 2021

O sol reclamou da lua

 


 


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O sol reclamou da lua
Por ter-lhe tomado o espaço
E o dourado se escondeu
Perdeu o lugar que era seu
Pois se tornou opaco
E ela  continuou nua!

O sol nem chegou a se zangar
Pois havia muitos lugares
Onde pudesse acampar...

O sol nem chegou a lamentar
Pois encontraria outros lares
Onde pudesse brilhar...

Então o sol ameno
Pediu à lua o seu perdão
E os dois se deram um beijo
Um beijo com muita paixão
Cheio de amor e desejo
E a lua foi banhar-se
Foi, sozinha, refrescar-se
Na noite de sereno!

Então o sol se refez astro
Fez-se estrela grandiosa
E continuou a iluminar o espaço!

E a lua dos namorados
Ficou ali, toda formosa
Para inspirar os apaixonados!


Euclides Riquetti

Quando os cisnes brancos voltarem... (o romântico em tempos de vírus)

 






Traz-nos, o pós-verão, as plantas entristecidas
Temerosas pelo rigoroso inverno que há de vir
E os medos das incertezas já se fazem sentir
Afugentando as pessoas das praças e avenidas.

Quando, depois do outono, o inverno vier
E os pássaros já buscarem onde se esconder
As noites ficarão mais longas até o amanhecer
Pois o universo segue a lógica que precisa e quer.

Quando chegar a primavera, toda prazenteira
E as flores tingirem os campos com seu colorido
E a calmaria retornar depois do risco temido
A vida nos voltará a ser bela e alvissareira...

Então, quando os cisnes brancos voltarem
Mais um ano de nossas vidas já terá passado
As folhas que foram caídas já terão rebrotado
Quando os cisnes brancos, de novo, voltarem!

Euclides Riquetti -

Me tome nos seus braços


 

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Me tome nos seus braços
Me envolva com você
Busque-me no espaço
Me envolva com você
Me tome nos seus braços
Me deixe amar você...

Me abrace com carinho
Me envolva com você
Busque-me de mansinho
Me envolva com você
Me abrace com carinho
Me deixe amar você...

E cante a nossa canção
De mim e de você
Lembre com emoção
De mim e de você
E cante nossa canção
Que eu fiz para você...

Quando estiver sozinha
Lembre com todo o carinho
Do encontro na tardinha
Andando pelo caminho
E na saudade minha
Quando  me sinto sozinho...

Porque longe de você
Sou como peixe fora d´água
Sou poeta sem poema
Sou como o vento que apaga
O versos que você lê
Nas areias da praia!

Euclides Riquetti

O anjo azul sobrevoou as flores

 



O anjo azul sobrevoou as flores na tarde cinzenta
Estendeu suas asas e planou divino sobre meu jardim
Abençoou primeiro as rosas champanhe e as magentas
Depois o cravo bordô, o lírio amarelo e o vaidoso jasmim.

O anjo azul entoou um cântico santamente sagrado
Secundado por clarinetes com seus acordes triunfantes
Alegrou-nos com seus versos docemente cadenciados
Encantou-nos com a harmonia das notas ressonantes.

O anjo azul azulou com sua túnica discreta a manhã nova
O anjo azul enfeitou com seus cabelos dourados a manhã ditosa
O anjo azul te protegeu com suas armas em todas as horas...

E eu esperei por ele enquanto olhava pela minha janela
E eu rezei por ele e pedi por ele na oração venturosa
Enquanto o dia passava e eu ficava a esperar por ela...

Euclides Riquetti

As palavras soltas

 




Deus me permitiu ser poeta
Para viver contrariando a lógica
E, de uma maneira discreta
Talvez sem obrigação cronológica
Falar de amor, de flor, de rosas...

Deus me permitiu ter inspiração
Para escrever os versos clássicos
Para escrever com boa precisão
Meus textos românticos básicos
E falar das flores mais cheirosas...

Deus me deu as palavras soltas
As quais eu reúno e aglutino
Para descrever as águas revoltas
Dos mares e de meu destino
Que me levam pra te encontrar...

Ele me abençoou e protegeu
Guiou-me para a atitude certa
Para ir cruzar o caminho teu
No deserto ou na floresta
Reencontrar-te e te abraçar...

Sim, ele me permitiu ser assim
Descritor de rostos bem traçados
Cultivador de rosas de cetim
Pintor de corpos bem moldados
Que atiçam minha imaginação...

Então, saí por aí a te compor
Os meus poemas mais ousados
Milhares de versos de amor
Milhões de vezes declamados
Para que os guardes  no coração!

Euclides Riquetti