sábado, 27 de novembro de 2021

Alvorecer

 



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Levanta-se, no céu, emerge de atrás dos montes
A luz da foguenta, quente, e avermelhada esfera
Vem tingir, com suas cores, a superfície da terra
Vem  por réstia nas águas dos lagos  e das fontes.

Como um grande bastidor que se suspende no ar
Obra-prima das mãos perfeitas do nosso Criador
Vem  para inspirar-me os versos para te compor
Um poema-oração para que nós possamos  rezar.

É um  alvorecer perfeito, a beleza que se exprime
Na paisagem divinal da bem-aventurada natureza
É o encantamento a revelar o sentimento sublime.

É neste universo amplo, incompreensível e sedutor
Que me entrego a ti, com toda a doçura e a sutileza
Que navego nas nuvens de nosso mundo de amor.

Euclides Riquetti

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

A música do entardecer

 


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Ouça a música que vem no entardecer
Vem trazida pelas sombras do fim da tarde
Traz alento para meu coração que arde
E me faz querer você, querer, querer!

Ouça, sinta que a música nos traz a voz
Embalada na cândida e suave melodia
Um toque gentil de saudades, nostalgia
E mexe com os sentimentos que há em nós.

Ouça e procure entender a mensagem
Tire tudo o que de bom houver nela
A música que nos chega doce e singela
Abençoando-nos quando de sua passagem.

É a voz do entardecer nas ondas sonoras
Para nos animar durante a noite que chega
Feche bem os olhos, sinta-a, ouça e veja
Relembre dos bons momentos de outrora!

Euclides Riquetti

Celebrar a vida

 


 


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Celebrar a vida

Suavemente, abra seus olhos, suavemente
Tente fazer isso com toda a calma possível
Quando estiver sentindo-se triste, vá, tente
Tal qual a garça que voa, plana e sensível
Vai singrando os ares em toda a imensidão
Tecendo a rede da harmonia de seu coração
Elemento que a propulsiona a viver somente!

Voar ao encontro do azul luzidio e infinito
Modular o corpo esbelto, exalar perfumes
Procurar pela paz, realizar um sonho bonito
Porque a noite escura clareia com os lumes
Voando com as asas livres da imaginação
Poder dizer ao mundo com a toda a emoção:
Amar sutilmente, declamar o poema escrito.

E, ao ler meus versos, as palavras escolhidas
Transpor o universo para mergulhar em mim
E, ao sentir neles a mensagem aqui inserida
Imaginar-se uma musa, cravo de meu jardim.
Acreditar em mil encantados contos de fadas
Perceber-me em meus poemas e minhas falas
Sentir-me em cada momento, celebrar a vida!

Euclides Riquetti

O Futebol - poema -

 


 


Gilmar Rinaldi , o Mêti, (meu colega de adolescência em Ouro - SC, é natural de Mariano Moro, RS), reserva de Taffarel no tetra e medalha de prata  nas Olimpíadas de Los Angeles;  Dunga (Capitão da Seleção do tetra) e Taffarel, goleiro titular do tetra. Os três são bem sucedidos como empresários do
agronegócio (Dunga e Taffarel)  e da construção civil (Gilmar). Matilde Rinaldi, irmã de Gilmar, morava em nossa casa, em Ouro - SC.  Segundo o consultor Rogério Baretta, marido da Tulica Zênere, chamávamos o Gilmar de Mêti (ou Metião, por causa do tamanho dele, )  porque isso era a maneira como ele chamava sua irmã Matilde. 


O futebol é a grande paixão do brasileiro.
A paixão que move os corações
É a mesma que move os pés
Que faz com que as pessoas, de todas as idades
Busquem, com determinação
A conquista da vitória!

No verde gramado dançam
Harmonicamente
Os corpos dos atletas.

Nas arquibancadas desenham-se
As mais espetaculares coreografias
E o grito de gol,  incontido
Sai das gargantas dos aficcionados
Pelo esporte bretão
Que encanta e envolve as multidões.

Este, está presente em todos os lugares, a toda a hora
Em todos os pensamentos!

É um Brasil de chuteiras
Para um povo
Onde todos somos técnicos em futebol!

Empunhamos nossas bandeiras
E levamos as cores de nossos times pelas ruas
Pelas fachadas dos prédios
Pelas janelas de nossos carros.

E, neste contexto, desenha-se o cenário do sonho
Da busca da glória
Do vencer
Da superação!...

Euclides Riquetti
(A pedido da Michele, em 02-07-2003)
Poema foi lido pelo apresentador de TV Elia Júnior - ao Capitão Dunga - de nossa Seleção Brasileira de Futebol - no lançamento da pedra fundamental do estádio da cidade de Joinville - SC

Belos pés desnudos

 



Sopram ventos ousados na primavera hostil

Sacodindo as folhas inquietas da caneleira

Teimam em derrubar as pétalas nas roseiras

Movem-se as nuvens, encobrindo o céu anil.


Nas areias as mulheres recolhem as esteiras

Os homens retiram e guardam os guarda-sóis

Nas pousadas lhes esperam brancos lençóis

Nas sacadas estendem-se agora suas cadeiras.


O poeta observa corpos morenos, esculturais

E descreve-os com a volúpia de sua inspiração

Adjetiva-os com as palavras doces e sensuais.


Perde-se nos desejos instintivos e profundos

Corre em suas veias o plasma da alta tensão

Como queimam nas areias belos pés desnudos. 


Euclides Riquetti

26-11-2021



Atrás da luz do sol

 




Atrás da luz do sol está o seu sorriso
Estão seus olhos meigos e brilhantes
Uma mulher muito doce e cativante
Com rosto de fada, com cabelo liso

A luz do sol me provoca e me atiça
Com seu inefável fogo de esplendor
Traz  essências de perfume e de flor
Cheiro de mulher, de mulher noviça.

Luz que se esconde atrás da luz solar
Luz que se embaralha no astro-rei
Luz que vem a mim para me beijar...

Atrás do astro sol há uma outra luz
Muito mais forte do que eu imaginei
Uma luz eu me atrai e que me seduz!

Euclides Riquetti

Quando as pessoas tinham medo de pecar...

 



Matriz São Paulo Apóstolo - Capinzal - SC

          Quando criança, costumava ir sagradamente às missas da Igreja Católica, lá no Rio Capinzal. Primeiro, em Leãozinho, onde o Frei Crespin Baldo vinha celebrar uma missa a cada dois meses, pelo menos. Vinha a cavalo, fazia seus ofícios religiosos e ia embora. Meus padrinhos e seus filhos me levavam com eles. Eu ia faceiro, com a blusinha verde com listras brancas, horizontais, que minha mãe me mandara. E com os sapatos novos, pretos,  que meu pai comprara na loja dos Zuanazzi, ali na esquina contraposta à  dos seus concorrentes, da família Macarini, defronte ao casarão do Sílvio Santos.  Comprava sempre um ou dois números maior, para que, quando o pé crescesse, não escapasse. E já vinha com amassados do "Correio do Povo", na ponta, para que tomasse boa forma no pé., não escapassem.

          A parte boa da missa era que, após, íamos brincar com os filhos dos Seganfredo, Andrioni, Biarzi e Frank, Pissolo e Reina, correr pelo gramado e passar pela ponte coberta, sobre o Rio Leãozinho", que dava acesso à Gruta de Nossa Senhora de Lourdes.

          Nos domingos em que não tínhamos a missa pela manhã, tínhamos a reza do terço à tarde. Lembro que praticamente cada família tinha um integrante no grupo que puxava as orações. Então, além das já mencionadas, havia os Santini, Bussacro, Tonini, Savaris, Poyer, Guzzo, Santórum e outros. E, ocasionalmente, puxavam a "Ladainha de Nossa Senhora", em latim, prática que desenvolvem até hoje. Acho que é um dos costumes mais antigos da Igreja Católica que está remanescente numa região de grande predominância da colonização por descendentes de italianos.

          Eu não prestava muita atenção aos sermões do Frei Crespim, mas lembro perfeitamente que ele condenava os pecadores, falava nos pecados mortais e veniais. Mortais, eram aqueles muito graves, como por exemplo, tirar a vida de outra pessoa. E as pessoas perguntavam: "E os soldados, que matam os outros soldados nas guerras, ficam com pecado mortal?" Para isso nem precisava da resposta do sacerdote: matar na guerra não era pecado...

          Adiante, adolescente, fui aprendendo. Havia os pecados veniais, que eram os mais simples, que bastava confessar-se, semanalmente, e pedir perdão ao padre que, representante de Deus, perdoava. O problema maior era a vergonha. Alguns desses pecados veniais eram, por exemplo, dar uma espiadinha nas pernas de alguma garota, coleguinha que fosse. Isso quando houvesse um descuido dela, porque as saias não eram curtas. Beijar, então, só quando fosse noivo, e não na frente dos pais. Então, aquele beijinho sutil, roçado, roubado, na subida da escada, só depois de noivos...Amassar, na época, era sovar a massa do pão, ou bater o paralama da bicicleta num poste, no meio da rua. Aliás, eram tão poucos os carros que, em muitas vias, estes eram fincados bem no meio, sobrando espaço dos dois lados para que os eventuais carros pudessem passar. Amassar, agora, é passar a mão, dar abraços apertados, enfim, dar amassos, você sabe em quem...

          Roubar era pecado grave. Além de pecado, era uma vergonha muito grande. Roubar galinhas para fazer brodo em turminhas de amigos, no inverno, era um pecadinho levezinho... Mas roubar galinha pra comer em casa era muito feio. Mais feio do que pecado. E, a gurizada, para não cometer o pecado, burlava: "maiava".  Maiavam melancias e jabuticabas, onde quer que houvesse. Maiar caquis na Siap, indo de bote, pelo Rio do Peixe, ah, isso fizeram muito, muito. Descumprir os "Dez mandamentos da Lei de Deus" era pecado. Agora há  outras classificações de pecados, além dos mortais e veniais, algumas novas nomenclaturas, tipo "leves" ou "pesados".   Nunca entendi direito e nem vou pesquisar sobre eles. Fala-se dos pecados capitais, pois os conceitos sobre pecado evoluíram: gula, avareza, luxúria, ira, inveja, preguiça, vaidade ou orgulho. E cada um tem um entendimento sobre eles conforme sua conveniência. Claro que você, leitor (a), também tem o seu próprio entendimento e vamos respeitar isso.

          As pessoas não acreditam mais em céu e inferno (nem eu). E tiram a vida de outras por motivos muito banais. Há os "marcados para morrer", há toda a sorte possível de delitos contra a vida. Das pessoas, dos animais, da natureza.

          Antes, por medo de pecarem e irem para o inferno, continham-se nas ações, pensavam muito antes de atentar contra a vida, cometer qualquer delito, por simples que fosse. Agora, por pensarem que não há punição, por terem compreendido que a vida não é assim do modo como os padres e pastores dizem que deveria ser, fazem tudo o que julgam necessário para ficarem bem, levarem algum tipo de vantagem. Danando os outros.

          Claro que nem tudo o que nos ensinaram era "pecado", é isso que  nos revela nossa compreensão de adultos. Entretanto, tenho saudades daqueles tempos em que, se não fosse por educação, pelo menos pelo medo os seres respeitavam os outros seres. Ah, como era bom!

Euclides Riquetti
13-04-2013


Vista interna da Igreja Matriz - Capinzal - SC - onde fui batizado, fiz minha catequese e primeira comunhão.

Com carinho, para ti!

 


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Eu fiz pra ti estes meus simples versos
Palavras comuns,  mas bem escolhidas
Em frases sinuosas os caminhos certos
Palavras cheirosas a serem sentidas...

Desejo que calem em tua alma confusa
Desenhar no corpo o teu pensamento
Desenhos que te lembrem, doce musa
Que o tempo passa, mas caminha lento.

Dou-te, de presente, este meu poema
Para que jamais te esqueças  de mim
Dou-te, de presente, este novo poema
Para que o leias e guardes, bem assim!

Felicidades pra ti, em data tão preciosa
Quero que a comemores intensamente
Deixo-te esta lembrança bem carinhosa
Para que seja eternizada em tua mente.

Com carinho, para ti!

Euclides Riquetti

O sol vai voltar!

 






O sol vai voltar, acredite
Virá com a força de seus raios dourados
Virá, pois Deus assim o permite
Porque o direito dele é brilhar!

O sol virá para alegrar o dia
Para restabelecer o ânimo perdido
Por causa do medo da pandemia
Porque os povos estão muito sofridos.

Quando, na primavera, ele voltar
Com seus raios fúlgidos que iluminam
Voltarei perto de ti, perto do mar
Onde as gaivotas no céu azul predominam.

Quando voltar a vida em setembro
Em sua normalidade já há tanto esperada
Bons tempos virão, é assim que eu entendo
Para viver a vida como foi planejada!

Euclides Riquetti
26-06-2020


Cumplicidade

 




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Há uma cumplicidade entre nós dois:
Uma palavra que rima com felicidade
Há uma pequena distância que não conta
Porque depois, depois da saudade
Vem sempre o reencontro, o amor de verdade.

Euclides Riquetti

Parque e Jardim Ouro (em versos)!

 


 


Capela do Bairro Parque e Jardim Ouro - Ouro - SC 


(foto da Rádio Capinzal - Jornal A semana)

Ao Norte da cidade de Ouro

A Família de Werner da Silva
Fundou um bairro muito nobre
Que recebeu muitas famílias
Nosso Parque e Jardim Ouro
Um lugar que muito brilha!

Sua história é de gente honrada
Honrada e batalhadora
De gente de bem é a morada
Gente honesta e trabalhadora
Uma terra abençoada
Progressista e promissora!

Quantos ali já cresceram
E viram nascer as construções
Das pessoas que ali viveram
Temos muitas recordações
Saudades dos que já morreram
A quem devoto orações!

Frarom, Peroza e Thomé
Grulke, Martins, Bonamigo
Rodrigues, Bernardi e Bonato
Proner e  muitos amigos
Savaris, Lima e Mattos
Moradores muito antigos.

Precisamos também falar
Dos Zóccoli e Vilarino Dutra
E ainda nos  lembrar
Dos Duarte, Faccin e Oliveira
Dos Esganzela e dos Dacás 
Nesta terra hospitaleira.

Vieram depois os Córdova
Os Meneghini e os Deitos
Os Pereira e Schlindenwein
Os Chiocca e os Freitas
Mantovani e Franceschi
Os Andrioni  e os Vieira.

E  também dos Spadini
Com sua seriedade e respeito
Dos  Rosa,  Forlim e  Brandini
Dos Camargo e dos Fonseca
Beviláqua, Coeli e Tidre
Vian, Schwantes e dos Baretta.

Tieppo, Minks, Crippa e Gálio
Zambon, Wulf, Frá  e Franquini
Anjos,  Córdova e Bazzo
Biarzi, Recalcatti e Colpani,
Rático, Storti, Toigo e Santos
Miqueloto, Silveira e Souza.

Minha homenagem aos Garcia
Aos Bassotto e aos Teixeira
Aos Forlin e Morosini
Aos César e aos Possamai
Coronetti e Filipini
Bortolli e a todos os demais.

Os Casara e os Bressan
Pastore, Correa e Chiamolera
Parisotto, Casagrande e  Boz
Basei, Susin e os Durigon
Professora Ione  Dambrós
E ainda Adiles Masson!

Procurei aqui saudar
Os mais antigos moradores
Os pioneiros que lutaram
E ainda os fundadores
Os primeiros que chegaram
Os verdadeiros desbravadores.

Hoje podemos nos orgulhar
Desse povo tão educado
A quem eu quero homenagear 
Com esses versos rimados
Continuem a nos honrar
E sejam por Deus abençoados!

Euclides Riquetti

Me leva embora


 


A chuva desta tarde cai leve, lentamente

E suas águas correm pelas valetas tristemente

E tal rolar, que vai suave, suavemente

Leva minhas dores a encontrar as tuas, certamente!


A chuva que cai me remete a um tempo saudoso

Às paixões juvenis, a um cenário silencioso

E, em meus adjetivos, que os escolho criterioso

Te qualifico como amor belo, lindo formoso!


A chuva cai como já caiu nas tardes de outrora

Como quando esconde nosso sol no raiar da aurora

Então eu rezo por ti, onde quer estejas agora

Vem, vem me buscar e me leva embora!


Euclides Riquetti

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Inquietação

 



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Inquietação

Inquieta-se minha alma constantemente
Inquieta-se ainda meu coração sedento
Inquieta-se meu corpo ardentemente
Inquieta-se todo o meu ser turbulento.

Se se inquietam minha alma e o coração
Também se inquietam meu corpo e meu ser
Que querem teu carinho e tua atenção
Inquietam-se por te desejar e te querer

Porque marcas indeléveis que remontam
Me torturam, me judiam e me amedrontam
Teimam em me maltratar e fazer sofrer.

Porque o tempo que passa nada apaga
Apenas o vento do mar me seduz e embriaga
Apenas ele me faz feliz e me faz viver.

Euclides Riquetti

Elvides Roque Zulianello da Silva - a partida de mais um amigão de juventude.

 





Uma vez escrevi uma crônica sobre "O filho do Almiro e da Gessi" - e nele incluí o seguinte parágrafo:


     O Almiro era meu amigo. Antes de ir estudar em União da Vitória, eu o conhecera. Viera do "Rio Grande", fora morar com o tio, Zulmiro Meloto, em Capinzal. Sua irmã, a jovem Irone, estudava no Mater Dolorum, era namorada do Jaime Baratto, o fotógrafo. Nos domingos, vinha com uma Kombi azul claro até o Ouro, onde tinha um amigo que morava de pensão na casa de minha tia, Maria Lucietti, esposa do tio Victório Richetti, o Elvides Roque Zulianello da Silva, gaiteiro, gaúcho de Vacaria. Éramos companheiros de bailes,  de festas  e de serestas. Cinco anos depois, ao voltar, depois de formado, fui morar em Zortea e reencntrei o Almiro: bigode e cabelão. Foi uma alegria reencontrá-lo!

       Pois bem... Recebi hoje de tarde um comentário - recado -  postado por Paulo Deniz    Sinhoratti, em que me noticiava que ontem, 24 de novembro de 2021, faleceu em sua residência, aos 71 anos, em Capinzal, o amigão de juventude Elvides Roque Zulianello da Silva. Fiquei muito triste!

       O Roque chegou em Ouro e Capinzal com 18 anos, talvez nem feitos ainda. Tinha dois sonhos: ser cantor, gravar um disco, e dirigir caminhão. Procurou emprego, começou como ajudante de pedreiro, sumiu, foi ao Rio Grande do Sul, voltou acho que com dois irmãos e um disquinho compacto simples, com duas músicas  dele. Gravara,  acho que em Caxias do Sul. Conseguiu vender alguns e depois começou a dirigir um caminhão da Marcenaria São José. Casou-se e ficou morando por ali. Virou caminhoneiro. 
 
       Pois bem, de novo! Estava eu morando em União da Vitória, 1972, trabalhando na seção de peças da Mercedes-Benz Álvaro Mallon e Filhos, na Rua Clotário Portugal, 974, antes de mudarmos para a BR. Eu andava sempre saudoso de minha cidade natal, de meus familiares, de meus amigos. E, num daqueles dias muito tristes, me aparece lá na Mercedes o Roque com seu patrão Marcos Fortunato Penso.Ambos eram meus amigos. Estavam com um 1313 trucado, iam para Paranaguá. Acho que era uma câmara fria. 

       Senti a alegria recíproca no sorriso deles ao me verem. Uns anos antes, o Sr. Marcos me convidou para trabalhar no comércio deles, acho que era Sociedade Mercantil Unidos, ali na hoje Rua Ernesto Hachmann, em Capinzal, num dos impoveis dele. 

       Foi muito bem revê-los. Disseram-me que a nova rodovia era excelente, BR 476, nova, mas que havia pouca estrutura nas margens, em termos de borracharias, restaurantes e postos de combustíveis. 
  
       Depois o Roque virou carreteeiro, comprou seu próprio caminhão e nos últimos anos viveu em Capinzal, estava já aposentado. 

       Adiante, voltei a morar em Zortéa e depois em Ouro. Vi o Roque algums vezes, conheci o filho dele, por sinal muito parecido com o pai. Uma vez, há umas duas décadas, visitou-me lá na Prefeitura de Ouro. O Roque estava do mesmo jeito, tinha aquele cabelo meio crespo, o mesmo jeito do gaiteiro de nossa juventude, o rapaz que gostava de calça de tergal cinza chumbo e a camisa branca de manga longa. 

       Agora, me veio a notícia de seu falecimento e não posso deixar de registrar aqui o meu afeto por ele, por sua família. 

     Que obtenha a merecida felicidade, com a proteção de Deus.
E com minha mais sincera homenagem e a lembrança dos bailinhos improvisados com sua gaita e suas canções gaúchas.

Euclides Riquetti
25-11-2021


       

Quando me despedi das águas do mar

 



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Quando me despedi das águas do mar
Molhei meus pés nas suas espumas
E, na estrada me perdi entre brumas
Com o chuvisco frio a me incomodar.

E, nas areias macias que acariciavam
Meus pés ansiosos para te reencontrar
Desenhei corações que se buscavam
Que se fundiam na vontade de amar.

Nas horas que se seguem desde então
Meu pensamento vai encontrar o teu
Buscar em ti a mais doce ilusão...

E, nos outros dias que ainda virão
Buscar-te-ei para vir ao mundo meu
Para vivermos nossa grande paixão!

Euclides Riquetti