quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Árcade versário

 




Não farei rimas consonantais
Nem abusarei de combinações vogais
Apenas direi o que o coração ditar
Não rimarei adjetivo com verbo regular.

Farei poemas de meus desatinos
Farei sonetos com verso livre
E se julgar que for de bom alvitre
Comporei sonetos alexandrinos...

Farei paródias de canções conhecidas
Repetirei os verbos, porei conjunções
Mas não ousarei desatar emoções
E nem buscarei lembranças perdidas.

Não farei mais nada que não seja eterno
E nem serei um reles parnasiano
Eu a esperarei, ano após ano
Outono, verão, primavera e inverno.

E, quando disser: eu também o amo
Eu lhe entregarei meu coração  profano
Onde ainda cabe nosso amor mundano...

Euclides Riquetti

Cuide, com carinho, de seu coração

 






 
Quando seu coração estiver triste, sentindo-se maltratado
Porque alguém não lhe deu o devido valor ou não o compreendeu
Quando sentir que você deu de seu amor e nada em troca recebeu
Porque ele não entendeu a grandeza e o tamanho de seus sentimentos
Ou ou mesmo porque  não aprendeu o que é um verdadeiro amor.
Lembre-se de que, na vida, temos bons e maus momentos
Que há, nela, turbulências com que nos devemos habituar
E que, depois de cada noite triste e silenciosa
Um novo sol dourado com o céu  azul  pode chegar
Uma manhã límpida,  agradável, terna e prazerosa.

Não permita que  insultem ou maltratem o seu coração
Porque quem o faz não merece as suas lágrimas e melancolia
Nem as noites de sono perdidas por causa da desilusão.
Imagine, então, que pode haver alguém esperando com alegria
Alguém que nunca foi percebido nem notado
Mas que pode, realmente, ser um grande apaixonado
Que espera, há muito,  pela oportunidade de lhe ter.

Então, lute firmente para ser feliz
Sem desesperar-se e nem chorar por quem não a merece
Pois, amanhã, a situação pode se inverter
E o seu sofrimento de hoje pode  alojar-se do outro lado.
Jamais se submeta ao sofrimento e nem à humilhação
Cuide com carinho, cuibe bem, muito bem,  DE SEU CORAÇÃO!

Euclides Riquetti

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Há algo em você que me anima

 



Você é feia
Mas há algo em você que me anima
Você é feia
É feia, assim, desde menina.

Magricela, rosto comprido
Corpo sem nehum atrativo
Mas você me fascina.

Desejo você, ardentemente
Quero você aqui presente
Pois você me fascina
Mesmo feia, assim, desde menina!

Você cresceu
Seus olhos escuros se sobressaem em seu rosto fino
Seus cabelos, sem graça,
Dão-lhe charme desmedido.

Você cresceu feia, sem atrativos
Mas despertou em mim
A paixão pelo desconhecido...

Despertou-me os instintos
Adormecidos
Você, mesmo feia, assim, desde menina...

São tantas, tantas as qualidades que lhe faltam
Que parece uma ninguém
Em meio a tantas.

Mas alguma coisa há em você
Que me encanta, me encanta.
Não é mesmo a simpatia com que me trata
(Desiderata)

Nem há elegância em seu andar
Não há atenção para chamar.

É tão difícil entender o que se passa.
Mas, confesso, há um todo em você
Que me atrai loucamente
Que me enche de desejo
Profundamente...
Que me faz querer seus beijos
Deliciosos
Que me faz amar seus olhos
Melancólicos
Que me faz querer você, perdidamente
Apaixonadamente
Amorosamente...

Euclides Riquetti
Verão/2011

Reverdades

 


Eu preciso reavaliar as minhas teses
E até me aprofundar em teorias
Considerar que nos avanços há reveses
E verdades mesmo em vãs filosofias.

Preciso redescobrir o desconhecido
E, meditando, decifrar grandes enigmas
Levar em conta o fator incerto e não sabido
Quebrar costumes, rejeitar "some" paradigmas.

As verdades infindáveis são eternas
Sobrepõem-se ao tempo e ao efêmero virtual
"Stop and play" controlam máquinas modernas
"Del and save" dão o toque digital.

Mas, entre análises e métodos profanos
Reviverão  os sentimentos colossais
Não findarão, são próprios dos humanos
A sensibilidade não fenecerá jamais.

(Jamais a máquina sobrepujará os sentimentos humanos)

Euclides Riquetti

A busca do soneto perfeito


A busca do soneto perfeito

Desejei compor um soneto perfeito
E quem sabe chorar desatinos
Era jovem, era aquele o meu jeito
Já buscava meus alexandrinos...

Desejei tal soneto, faz tanto
Com os versos mais certos, rimados
Que em ti despertassem encanto
E marcassem os beijos roubados.

Escolhi as palavras bonitas
Acendi o meu sonho romântico
E dediquei-te as linhas escritas

Eu pus nele o ideal parnasiano
Foi poema, foi trova, foi canto
Foi a glória de um poeta espartano.

Euclides Celito  Riquetti

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Poeta - Cronista - 
Fafi -Letras-Inglês - 1975

Como se fosse um verso reverso

 



Como se fosse um verso reverso

Ou um soneto já muito declamado

Encontro o teu olhar desconfiado

E busco reunir teu sorriso disperso.


Como um conto sem personagem

Ou um calendário já anacrônico

Configuro-te num senso irônico

Para chegar e ir pedindo passagem. 


Como um compositor sem violão

Ou um poeta sem mesmo um papel

Como o pintor sem nenhum pincel

Vou-te  desenhando com o coração.


Como um ignoto catador de estrelas

Passo pela tua rua e abro a tua janela

E te entrego a cândida flor amarela 

Para que a guardes onde possas vê-la. 


Peço que a cheires nas noites solitárias

Para que captes a minha sensibilidade

E me namore sentindo muitas saudades

Quando tentas dormir e não consegues.


Euclides Riquetti

01-12-2021








Como se não existisse paz!


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Como se não existisse paz!

O mundo está virando... já virou
E ficou virado!
Parece-me que já não há tantas verdades
Há desamor, atrocidades
E que tudo mudou.
Mutilaram-se as cidades
Apedrejou-se o céu, assassinaram os rios
Indefiniu-se o comportamento
Do tempo.
Ora chuvas descontroladas
Ora assolador estio.

Quisera que houvesse menos tragédias
E que a realidade não seja travestida de comédias.

Quisera que imperasse o senso da honestidade
E que as pessoas agissem com mais seriedade.

Quisera que nascessem flores ao longo das estradas
Mas estas precisariam terem sido plantadas.

Quisera que os males tivessem a devida cura
E que as almas pudessem pintar-se de brancura.

Precisamos que a mão da Divina Providência
Nos abençoe com sua força e excelência
Pois:

É como se não existisse mais amor
É como se não existisse paz!

Euclides Riquetti

Depois dos girassóis

 


 




Depois dos girassóis vieram as rosas vermelhas

Plantadas e cultivadas em parelhas

Depois que os girassóis gigantes

Com suas flores exuberantes

Foram-se embora!


Passou seu ciclo anual, primavera e parte do verão

Embelezaram as margens de meus caminhos

Dos seus e dos meus!

Encantaram meus olhos, afagaram meu coração

A chuva lhes deu água com carinho

E eu recebi os carinhos seus!


Depois das rosas imperiais

Virão outras flores no inverno rigoroso

As palmas brancas, as amarelas, as rosadas

Os cravos cheirosos deliciosamente naturais

E, de novo, o girassol alto e garboso

Para me alegrar nas manhãs e tardes ensolaradas!


Euclides Riquetti 

Gente que fez e que faz. Clementino Anzolin e Valério Dal Cortivo.

 



Reeditando:



 
Motociclo Jawa


                                                                     Rádio Semp

          Clementino Anzolin tem 87 anos e mora em Erechim, no vizinho estado do Rio Grande do Sul. Valério Dal Cortivo tem 84 anos e mora em Joaçaba, aqui pertinho de casa. Quando estraga algum aparelho eletro-eletrônico, levo para ele, deixo lá  e quando busco, está consertado. E funcionando perfeitamente.

         Pessoas como o Tio Clementino e o Tio Valério, que na verdade é primo e não tio, mas o respeito me leva a tratá-lo como tio, são figuras em extinção por aqui. Aprenderam seus ofícios na adolescência, até hoje fazem seu trabalho com dedicação, mais por prazer do que por necessidade.

         Clementino tem uma oficina de consertos de motosserras na Rua Sarandi, 500 metros longe da Avenida Maurício Cardoso, no centro de Erechim.  É irmão de minha sogra. Perdeu os pais quando tinha 5 anos apenas (o pai com 34 e a mãe com 32 anos). Tinha um irmão, João Anzolin, dois anos mais velho, o qual faleceu há dois anos. Uma irmã, Anita, dois anos mais nova, minha sogra, que mora na Meia-Praia, em Itapema. E dois irmãos que são gêmeos, Francisco e Luiz, de Capo Erê. O Chico faleceu há menos de dois anos.

        A oficina do Seu Clementino fica aos fundos de sua casa. Lá ele tem toda a sorte de ferramentas que foi comprando durante quase que sete décadas. Uma verdadeira coleção, de todos os tamanhos e para todos os serviços. Muitas vezes, começa a trabalhar às seis da manhã, pois tem muito serviço a fazer. Ele costuma me mostrar as peças das motosserras, opina sobre o material de cada uma. E, quando uma peça nova custa caro, ele mesmo fabrica as peças. Na última vez em que lá estive, estava fazendo uma peça utilizando nylon. Diz que é muito resistente e ele consegue passar para o cliente por metade do preço do que uma unidade importada. Mostra-me a falta de cuidado que as pessoas têm para com suas motosserras. A maioria das vezes, os danos vêm pela falta de prática no seu manuseio ou pelo desleixo com que é cuidada. Na juventude, era mecânico de motociclos, motocicletas. Era exímio piloto de motocicletas Jawa. Milhares de motociclos e motosserras passaram pelas mãos habilidosas dele.

         Como seus filhos tomaram rumos diferentes do seu, não tem sucessores em vista. Diz que o Juliano, sobrinho dele, filho do Tio João, é  o que tem mais interesse, mas que trabalha como matrizeiro numa fundição e que não teria tempo para trabalhar com ele. Acho que, merecidamente, todo aquele arsenal irá acabando, merecidamente, nas mãos do Juliano, que sabe dos ofícios quase que tanto quanto seu tio.

         O Seu Valério, marido da Dona  Terezinha, que costura fantasias para uma  escola  de samba aqui de Joaçaba, por sua vez, fez e tudo na vida. Foi colono em Nova Petrópolis, gaiteiro (tocou muitos bailes na região...),  alfaiate, inventor, mecânico de máquinas de costura, aposentou-se como eletricista. Tem sua oficina num dos compartimentos de sua casa, aqui na Rua Albino Sganzerla. Menos de 100 metros de minha casa. Nas prateleiras, na mesa e,  mesmo penduradas pelas paredes, têm ferramentas e objetos os mais diversos. Na última vez que estive lá, levei meu rádio Motorbras que ganhei há poucos meses. Fez testes, disse-me que havia algo de errado na condução da voz para o alto-falante.  Quando lá retornei, recebeu-me sorrindo e disse que "o doente estava curado"! Liguei-o e estava tudo uma maravilha. Outra vez, levei uma furadeira que diziam, nas especializadas, que não tinha mais conserto. Ele fez uma peça para substituir a que estava com desgaste e deixou tudo funcionando.

         Isso tudo me faz lembrar dos ferreiros, sapateiros, funileiros, latoeiros e açougueiros da antiga Rio Capinzal. Com exceção dos dois últimos, os demais pertencem a castas em extinção. Mas há poucas pessoas dispostas a aprenderem os citados ofícios. Tais profissionais, artesanalmente, consertaram utensílios calçados, máquinas e equipamentos durante sua vida. Hoje, altas tecnologias estão colocadas no mercado consumidor para serem descartadas intensamente. Ocasionando montes de lixo...

         Aqui, minha homenagem ao Clementino Anzolin e ao Valério Dal Cortivo, verdadeiros artistas em suas funções!

Euclides Riquetti
31-05-2016

Os poemas com que você se encanta

 



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Eu quero apenas respirar o ar que você respira
Bronzear-me no mesmo sol em que você se bronzeia
Inspirar-me nas mesmas flores em que você se inspira
Tatear seu corpo do mesmo jeito que você me tateia.

Quero cheirar as mesmas rosas vermelhas que você cheira
Sentir as mesmas sensações doces que você sente
Perfumar-me com perfumes da seiva da madeira
Experimentar as paixões que seu coração me consente.

Quero enxergar as mesmas paisagens que você enxerga
E me permitir pensar que brigas entre nós nunca houve
E carregar comigo as mesmas lembranças que você carrega.

Quero, sobretudo, cantar as mesmas canções que você canta
Ouvir as mesmas músicas românticas que você ouve
Encantar-me com os mesmos poemas com que você se encanta.

Euclides Riquetti

Com o verbo amar

 


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Tentei rimar
Algo com o verbo amar
Busquei seu nome
Mas ele some
Você não me responde
Acho que se esconde..

Mas vou encontrar
Em algum lugar
Descobrir o motivo
De você ter sumido
Ah, sim,eu buscarei
E, pode crer, encontrarei.

Em todos os caminhos
Onde houver espinhos
Ou nos jardins em cores
Onde houver flores
Buscarei, incessantemente
Amar você... intensamente!

Euclides Riquetti

Maio





Fria manhã cinzenta de maio
Mês da mãe, da noiva, da mulher
Manhã que inspira o desejo da noite
Da cama, do lençol, de alguém que se quer...

Fria manhã dos pensamentos perdidos
Dos sentimentos doridos
Do amor escondido
Do olhar proibido!

Fria manhã das almas confusas
Das palavras difusas
Das mensagens escusas...

Fria manhã do encontro casual
Do olhar fatal
Do tratamento legal!

Bom dia!!!
Com muita alegria
Com carinho, amor, nostalgia...


Euclides Riquetti

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Vontade de te abraçar

 




Tenho vontade de te abraçar
Sentir o calor de teu corpo e o frescor de tua alma
Na manhã chuvosa e calma
Tenho o desejo de te encontrar.

Tenho vontade de me perder
E me ver reencontrado num lugar distante
Sinto  em mim a saudade constante
Tenho o desejo de te rever.

Tenho vontade de amor e delícias
Embalar-me nos teus braços que me seduzem
Sonhar os sonhos que me induzem
Tenho o desejo de ganhar tuas carícias.

Tenho vontade de andar nas nuvens
Flutuar com elas mesmo quando densas e escuras
Esquecer-me das angústias e das agruras
Reviver os sentimentos que nos unem.

Euclides Riquetti

Nas incertezas do tempo...

 



Fotos de Sereias


Flutuam nas águas serenas as sereias
Prateiam-se nos lustros raios solares
E, depois, vêm deitar-se nas areias
Vêm deleitar-se nas orlas dos mares.

Cantam, as sereias, os cantos líricos
Dançam, as sereias, as coreografias
Desfilam, nas areias, corpos líricos
Cantam canções de amor e nostalgia.

Enquanto as garças e  gaivotas voam
Os grunhidos espalham-se nas dunas
Nos rochedos, nossos gritos ecoam
Planam nos ares suas brancas plumas.

E se ocultam nas incertezas do tempo
As dores mais fortes e inimagináveis
Enquanto olho o mar e te contemplo
Nas lembranças suas, inapagáveis...

Euclides Riquetti

Sopram os últimos ventos de setembro

 



Sopram-me os últimos ventos de setembro

Passam pelas portas e pelas minhas janelas

São os mais suaves dos quais eu me lembro

Eles vêm para dar graça a nossa primavera.


Sopram os ventos, barulham a água do jarro

Réstias solares invadem a minha sala grande

Uma sabiá canta e anima os canários raros

E seu canto exala a melodia que se expande. 


Sopram os ventos porque precisam soprar 

E foi para isso que eles foram inventados

Sopram em minhas árvores e vão pro mar.


Sopram os ventos frescos em minha cidade

Bemvindos sejam eles, benditos e abençoados

Sopram em mim os ventos de minha saudade.


Euclides Riquetti

30-11-2021