quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Até as plantas choram

 


 


 


Até as plantas choram

Porque

Os tempos estão muito difíceis

Há incertezas

Perdas

Desolação...


Os sorrisos estão escondidos

Apagados

Ocultos

Decepção...


Vidas são perdidas

Ficam as saudades

Sonhos são destruídos

Há a impotência para a reação..


Só a fragilidade

Uma falta de perspectivas

Muitos Enganos

Difícil realidade...


Bem assim!


Euclides Riquetti


O levante do luar dourado

 









Levanta-se, no fim da tarde,  no eldorado
O luar dourado que resplandece
E, ao levitar sobre o mar,  extensamente ondulado
De um  prateado fulguroso se reveste
Para abençoar o horizonte santificado. 

Levanta-se, com a cor do ouro casto e polido
O luar fogoso a redesenhar o agreste
E, ao escalar as nuvens, no acorde sustenido
Energiza  os coqueirais perfilados do Nordeste
No quadro fantástico pela  natureza esculpido.

E os sonhos  dos amantes e dos enamorados 
Juntam-se no vagar das ondas da imaginação
Enquanto os ideais já  quistos e projetados
Juntam-se no eternizar do  poema e da canção
No concerto dos ventos gentis ali soprados. 


Euclides Riquetti

Coração desnudo



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Coração desnudo
Fragilizado
Coração mudo
Desacalentado.

Coração desnudo
Desprotegido
Coração escondido
No abismo escuro.

Desnudo  a  flutuar
Desnudo no abandono
Sem um porto para ancorar
Sem rumo e  sem dono.

Coração a navegar
Sem destinatário
Sem um corpo para ocupar
Desconsolado e solitário.

Coração em stand by
Relembra o  que já senti
Vai e vem, vem e vai
Apenas esperando por ti
Por ti
Por ti!
(E tu nãos vens...)


Euclides Riquetti

Como um leão faminto

 


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Muitas vezes eu me sinto
Tal qual pássaro sem voar
Ou como um leão faminto
Sedento por se alimentar.

Talvez como o cachorrinho
Que não recebeu teu afago
Ou como o medroso gatinho
Que espera pelo teu agrado.

Outras como o beija-flor
Que plana sobre o pomar
Que vai buscar em cada flor
O néctar pra se saciar.

Quero ser a águia poderosa
Que voa para te raptar
Com as garras portentosas
Que te leva pra te devorar.

Ou, simplesmente o ursinho
Que seguras para o ninar
Para te dar meu carinho
Que é meu jeito de te amar.

Te amar, adorar, te querer
Como um animal carente
Te desejar, beijar e te ter
Assim: perdidamente!

Euclides Riquetti

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

No salto do teu verniz

 




Passas por mim com toda a elegância

Cenário jovial e doce encantamento

Perfume que espalha sua fragrância

Atração fatal e meu deslumbramento.


Levas em ti todo o charme e a beleza

E os predicados da mulher idealizada

Do alto dos ares de soberana realeza.

No salto do teu verniz, vai equilibrada. 


Fulminas-me com todo teu olhar crítico 

Miras-me de cima a baixo, altivamente

Condenas o sonhar, o meu sonho idílico.


Então só posso limitar-me na irrelevância

E a curvar-me diante de ti humildemente

Ou rebelar-me por minha insignificância!


Euclides Riquetti

Cuide bem do sol

 


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Cuide bem do sol
Cuide bem!
Porque hoje tem
Chuva e sol.

Porque hoje é sábado
Um dia encantado
De chuva e sol
De sol e de chuva
De vinho e de uva.

Porque é tarde quente
De sorvete napolitano
De coração que sente.

Cuide das gaivotas
No céu a voar
Mas cuide do sol
E cuide do mar.

Então, cuide bem do sol
E de meu coração espartano
Mas cuide bem do sol!

E, se quiser
E se você se dispuser
Também cuide de mim
Cuide de meu corpo, sim
Bem assim!

Euclides Riquetti

Uma chuvinha fresca

 



 




Uma chuvinha  fresca caiu na tarde quente

E colocou tudo em seu devido lugar

Só não apagou as mágoas da gente

Nem reduziu os conflitos que se sente

Nem me permitiu acalmar-me para ninar!


Foi uma chuvinha tristemente silenciosa

Que parecia estar com medo de cair

Molhou a roseira da rosa mais formosa

Animou as folhas da dália branca, cheirosa

Fez até a flor amarela do hibisco sorrir!


Ah, chuva da tardinha que veio abençoada

Que vai tornar minha noite muito mais amena

Que lavou os pecados da alma manchada

E confortou-me da tristeza ora alojada

Para devolver-me a alegria mais serena!


Euclides Riquetti

Esvazia teu coração

 



Esvazia teu coração do que não te faz bem

Joga fora tudo o que não serve pra ti
Despe-o de tudo o que acumulaste ali
Livra-te de tudo conforme te convém.

Esvazia teu coração cumulado de erros
Joga para a terra as experiências inservíveis
Despe-o das lembranças frágeis e sofríveis
Livra-te de tudo o que te causa os medos.

Coloca  dentro dele os  meus versos francos
Sinceros mensageiros que te levam conforto
Mistura-os com teus dotes e teus encantos.

E, quando constatares que já raiou a aurora
Quando perceberes que ele não está mais morto
Abre-o para receber novas  paixões de agora.

Euclides Riquetti

Uma roseira quebrada

 


 



Uma roseira quebrada

Que o vento danificou

Algumas rosas deitadas

É tudo o que dela ficou...


Mas a rosa rubra versátil

Tem a razoável reação

Pode sobreviver intáctil

Mesmo deitada no chão.


Ergo o galho espinhento

Escoro em varinha seca

O ramo deitado ao relento

Protejo, cubro com seda.


E assim salvarei a rosa

De minha roseira outonal

Vai colorir, bem formosa

Este meu cenário natural!


Euclides Riquetti

Roubaram-me os versos

 


 



Roubaram-me os versos e minha alegria
Na noite docemente enluarada
Roubaram-me as estrofes, o poema inteiro
Em que eu falava,  com nostalgia
De minha doce amada...

Roubaram-me os versos das redondilhas
Também os de meus alexandrinos
Do último ao primeiro
E minhas declamações ficaram maltrapilhas
Empobrecidos meus instintos libertinos...

Roubaram-me a expressão de meu lirismo
Tiraram-me a tela, a tinta e o pincel
Jogaram os meus clássicos num abismo.

Só não conseguiram me tirar o pensamento
Que mesmo sem caneta e sem papel
Permite-me expressar meus sentimentos.

Euclides Riquetti

Quando a chuva parou de cair

 


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Quando a chuva parou de cair no telhado
E já era bem de tardinha
Restava o ar fresco e o chão molhado
A calçada lisa,  e a graminha
Suspendia as pétalas que caíram com o vento...

E elas se misturavam com as folhas já castanhas
E se confundiam com meus sentimentos
E com meus pensamentos
Nas horas tristes e estranhas...

E uma melancólica melodia vinha
De algum lugar
Para pousar
Em meus ouvidos e na pele minha!


E eu divagava...
Andava, em trenós ou andores
Eu, meus anseios e minhas dores
Eu, meus devaneios e meus desamores
A escrever-lhe meus versos
E a espalhá-los no universo
Enquanto eu chorava
Quando a chuva parou de cair!

Euclides Riquetti

terça-feira, 27 de setembro de 2022

Na noite silenciosa...





Na noite silenciosa, o céu se fecha em escuridão
O claro do dia rende-se às trevas inclementes
Que afligem meus medos antigos e os recentes
E enquanto os anjos  me protegem firmemente
Eu rezo a Deus pela  Divina proteção.

E, no silêncio que campeia
Vem o seu pensamento
Vem encontrar os meus devaneios
E os meus tormentos
Vem  punir meu nefasto atrevimento
Vem punir-me em meu silêncio
Que também é o seu...

E enquanto ouço a orquestra dos ventos sinfonizando a natureza
Deixo-lhe uma oração de paz a vagar pelos ares
Quero que a encontre entre o céus, entre os mares
Arrefeço  meus pensamentos, dando-lhes leveza
Pois só os pensamentos leves e libertos é que perdoam
Extinguem as palavras e atitudes que magoam...

E, enquanto escrevo, ouvido o murmúrio do mar
Ali, do outro lado da rua
Algo me impele a pensar:
Há uma forte presença sua
Em meu sonhar...

Euclides Riquetti

O pantanal me encantou


 



O pantanal me encantou

Quando eu estive por lá

Mas no sul onde eu estou

Vivo bem feliz eu por cá!


Pantanal dos pantaneiros

Dos cavaleiros audazes

E dos peões galopeiros

De domadores capazes.


O pangtanal das sucuris

Também da onça pintada

Tuiuiú tem lá e não aqui

Espreitando a boiada!


No pantanal dos jacarés

Andei de barco e chalana

Nas casinhas chaminés

E pelego velho na cama!


Deus proteja o pantaneiro

O gaúcho e o sertanejo

Somos todos brasileiros

Das cidadess ou lugarejos!


Euclides Riquetti

14-05-2022






Como se não existisse paz!

 


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O mundo está virando... já virou
E ficou virado!
Parece-me que já não há tantas verdades
Há desamor, atrocidades
E que tudo mudou.
Mutilaram-se as cidades
Apedrejou-se o céu, assassinaram os rios
Indefiniu-se o comportamento
Do tempo.
Ora chuvas descontroladas
Ora assolador estio.

Quisera que houvesse menos tragédias
E que a realidade não seja travestida de comédias.

Quisera que imperasse o senso da honestidade
E que as pessoas agissem com mais seriedade.

Quisera que nascessem flores ao longo das estradas
Mas estas precisariam terem sido plantadas.

Quisera que os males tivessem a devida cura
E que as almas pudessem pintar-se de brancura.

Precisamos que a mão da Divina Providência
Nos abençoe com sua força e excelência
Pois:

É como se não existisse mais amor
É como se não existisse paz!

Euclides Riquetti

Quando a tarde se encontra com a noite

 


 



Quando a tarde se encontra com a noite, depois do longo dia
Me transporto no tempo, mergulho no universo
Sinto uma leve saudade, uma gostosa nostalgia
Algo que me impele e me embala nos meus próprios versos.

Quando as estrelas desfilam diante de meus olhos inquietos
E o voo das andorinhas atiça as folhas verdes que balançam
A sinfonia do vento me atrai e me mantém desperto
E eu busco você nas palavras que me inspiram e me encantam.

Quando os ruídos da noite começam a se silenciar
Minha inquietação se transforma em ternura e alento
E meus olhos silentes fecham-se no meu divagar.


Então me revolve na alma cinzenta e  que  num novo dia
Eu possa lhe compor um poema enquanto sopra o vento
Possa projetar nos nossos  sonhos  a nossa  poesia...

Euclides Riquetti