sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Poetas precisam de paixão

 





Poetas precisam de paixão
Precisam de inspiração...
Precisam tanto do ar
Quanto precisam do mar...

Navegam entre a calmaria
E a turbulência...
Rezam a Ave Maria
Com eloquência...

Poetas endoidecem
E até padecem...
Padecem por falta de amor
E do perfume de uma flor...

Imergem nas incertezas
Dos mares bravios...
São capazes de proezas
Que nunca antes se viu...

Poetas anciãos ou meninos
Todos buscam um destino:
Declarar o amor e a paixão
A quem querem de coração...

E eu, que sou poeta louco
Mas não sou herói nem bandido
Dou-te meus poemas todos
Dou-te meu cuore ferido!

Euclides Riquetti

Tu tens a mim e eu tenho a ti!

 


 


 



Entrego-te meu corpo e minha alma
Sem ressalvas
Para que os uses
E abuses.
Reservo-me a parte negra,  e dou-te a alva...

E te ofereço  meus beijos
Que se perdem com os teus
Que satisfazem teus desejos
E os desejos meus
Os que se avivam agora e os que hão de vir:
Tu tens a mim e eu tenho a ti!

Entrego-te,  de olhos fechados
Meu coração flechado
Despido
Livre, ou
Atingido
Pelo cupido!

Entrego-me o que tenho de mais sagrado:
A parte de min´alma sem pecado
E fico com o lado carvão.
(O lado escuridão)!

Entrego-te o melhor de mim:
Entrego-te meus versos, minhas estrofes e meus sonetos
Os limitados e os perfeitos
Os livres e os alexandrinos
Que só têm um destino:
Dizer que tu podes ter a mim
E que eu posso ter a ti!

Euclides Riquetti

Cuida de tuas flores como se cuidasses de mim






Cuida de tuas flores como se cuidasses de mim
E eu cuidarei das minhas como se fossem de ti
Quero ser planta a adornar teu jardim
Quero que me abraces com carinho e frenesi...

Cuida, com carinho, de tudo o que me pertence
E eu cuidarei com amor de tudo o que pertence a ti
O tempo a passar a cada ano mais me convence
Que devo cuidar de ti como tu cuidas de mim...

Cuida da tua vida para que ela se prolongue
E eu cuidarei da tua para toda a eternidade
Não importa se estejamos perto ou mesmo longe
Importa que vivamos com alegria e a felicidade...

Euclides Riquetti

Eu preciso do vento que vem do mar

 


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Eu preciso do vento que vem do mar
Preciso da lembrança para me embalar
Preciso do sol nas tardes e manhãs
Preciso de ti nas tardes e manhãs
E no sonho tenro que a noite me traz.

Preciso afirmar minhas convicções
Rever conceitos que me vêm e apago
Conter meus impulsos e frear emoções
Preciso do alento de teus afagos...

Sou como a mão que alinha tijolos
Dispondo-os siametricamente
Como o profeta que prediz os sonhos
Sonhadamente
Como poeta que empilha versos
Livremente, harmoniosamente!

Mas preciso de ti para formatá-los
E só para ti lê-los decerto
E só tu os ouças por certo.
Preciso...

Euclides Riquetti

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Volta...vem pra mim!

 



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Volta...vem pra mim.
Estou com saudades
Saudades de verdade...
Deslocado, atrapalhado
Sem rumo, enfim!

Volta...eu estou aqui.
Estou pensando
Vendo o tempo passando
Sofrido, quase deprimido
Esperando por ti!

Volta...vem me ver
Estou precisando
Ver-te cantando.
De novo, como um bobo
Um bobo que precisa te rever.

Volta... estou muito ansioso
Há muito te querendo
Há muito pretendendo
Abraçar-te, amar-te 
Abraçar teu corpo cheiroso!

Euclides Riquetti

Quero algo de ti...

 



Quero muito algo de ti

E tu bem sabes o que é

O sorriso de quem ri

Teu olhar ternura de mulher.


Quero de ti o beijo ousado

O abraço quente e sensual

O lábio docemente rosado

E o teu desejo carnal. 


Quero de ti o teu cheiro 

Algo que tanto me seduz:

Teu corpo leve e  brejeiro

E teu sorriso de luz.


Euclides Riquetti

20-10-2022









A canção do vento sul

 





A canção do vento sul


Aqui pertinho do mar azul
Limito-me a olhar com olhos de andorinha
A gaivota que  voa de mansinho
Que pousa na areia branquinha
( É um indefeso animalzinho...)
Enquanto escuto o  murmúrio do vento
Que sopra muito atento
E que vem do sul!

Aqui no mar das palmeiras
Passa a germânica de olhos de cristal
A morena nativa e sensual
A portenha dos cabelos crespos e castanhos
A uruguaia do rosto mais risonho
A mulata de corpo magistral
(Mulheres de todos os tamanhos)
E a as gaúchas mais guapas e faceiras.

E, enquanto me enterneço deliciosamente
Enquanto a água me banha carinhosamente
A canção que o vento sul me traz
Me traz sossego, enseja amor e me dá paz.

Eclides Riquetti

À mulher amada

 




À mulher, o poeta mandou flores vermelhas
E lhe deu paixão
Em centelhas.

Escreveu-lhe versos de amor
Que desenhou
Nas pétalas de uma flor.

Desenhou também um coração
E nele seus nomes pincelou
Com toda a sublime devoção:

A de amá-la, infinitamente
A de respeitá-la, eternamente
A de cortejá-la, docemente
A de valorizá-la, certamente.

E o poeta fez-lhe versos surpreendentes
Alegres
Bonitos
Românticos
Comoventes!

Pintou com suas palavras um retrato sem igual
Fantástico
Belíssimo
Magistral.

O poeta queria mandar-lhe um jardim todo.
Mas seria tolo
Se assim o fizesse.
Melhor que ele mesmo lhe dissesse:

Mando-lhe um ramalhete de cada vez
Assim me diz minha sensatez.

Educado,
Preciso fazer-lhe um agrado
Mostrar-lhe minha alegria
Um pouco de cada dia.

À mulher amada
A certeza de ser cortejada
Desejada
Endeusada!

Ao poeta
Que não é Deus nem profeta
Apenas uma certeza:
Poder descrever sua beleza
Infinita
De mulher bonita.

E fazê-la sentir-se, todos os dias
Muito bem amada
Pois é assim que ele a quer:
Feliz sempre, ter muita alegria
Pois todo o dia é dia
É Dia da Mulher!



Euclides Riquetti

Mulher, mulher

 


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Mulher carinhosa, mãe gentil
Inteligente, bonita e elegante
Rendo-lhe a homenagem sutil
Imaginando-a feliz, fascinante
Alma tão serena, olhar pueril
Maravilhosamente cativante!

Como flores que me aprazem
Antes de um escaldante verão
Raízes profundas que jazem
Muito bem fincadas no chão
Indescritível é sua imagem
Grande é seu doce coração.
Nome de santa e de coragem
Amores de amor e de paixão
Nas noites que se refazem!

Real, constante e verdadeira
Imagem em poemas diversos
Que escrevo à minha maneira.
Um nortear para meus versos
Espalhados pelas ladeiras
Todos pelo mundo dispersos
Trazidos à vida prazenteira
Indo embalar-se  no universo!

Euclides Riquetti

Quero te encontrar no fim da tarde

 


 






Quero te encontrar no fim da tarde, bem à tardinha
Pra te dizer "boa noite" e  te desejar belos sonhos
Pra que durma alegre, sorrindo, sonho de rainha
Pra que todos os seus dias sejam de paz e risonhos.

Quero te encontrar no fim da tarde e poder escutar
Palavras carinhosas que vêm de teu íntimo profundo
Ver o brilho de teus olhos, também poder te admirar
E dizer que te amo com todo o amor deste mundo.

Quero, sim, ah como eu quero poder encontrar-te
Nem que seja somente para poder afagar a tua mão.
Ah, como eu quero poder te ver, poder abraçar-te.

E, em cada abraço, em cada toque bem carinhoso
Sentir o frescor da pele e o pulsar de teu coração
E a forte energia que vem do teu corpo formoso.

Euclides Riquetti

Uma oração para você

 

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Quando o céu parecer mais azul, atrás dos montes,
E as tímidas árvores receberem os primeiros raios de sol,
E as flores fizerem a vida mais colorida,
E até mais azuis ficarem as águas das fontes...
Então estarei pensando em você, menina!

Quando quente o tempo estiver em dezembro,
E eu estiver um pouco mais velho do que agora,
E minhas noites ficarem tristes sem seu calor,
Mesmo que eu não saiba onde você esteja vivendo,
Eu estarei pensando em você, querida!

Mas o tempo não para e chegará o outono!
As folhas,  já pálidas como eu, cairão sobre a terra,
Virá o vento e nuvens escuras cobrirão o céu,
A chuva fria molhará o meu rosto sofrido...
Mas estarei pensando em você, meu bem!

E quando o inverno chegar novamente,
E eu andar pelas ruas ao encontro do nada,
E como hoje o vento soprar fortemente,
Pensarei em você sem rancor, com saudades...
Pois quem errou fui eu, meu amor!


Euclides Riquetti

Composto no inverno de 1973
e publicado no livros "Prismas - volume IV, da Coleção
Vale do Iguaçu", em União da Vitória - PR - em 1976,
(com ilustração).

No Dia do Poeta - minha devota e fervorosa homenagem ao meu primeiro ídolo: Ivonnisch Furlani



O CANTO DO ESTRANGEIRO

Este é o canto do estrangeiro
que tu acolheste um dia!

          Foi em setembro,
          eu me lembro:
          quatorze anos são passados.
          Com a alma de sonhos povoada,
          aqui aportei às tuas margens.
                 Benditas paragens!

Afundei raízes,
bebi água do Iguaçu ...
Não sei o que possa hoje separar-te de ti, 
Porto União, cidade hospitaleira,
recanto singular da minha pátria onde floresce 
tanta amizade verdadeira
na encantadora singeleza de teu povo!

          Tanta gente canta
          a sua terra amada;
          mas não há o que suplante,
          em poesia e encanto,
          o sol das veredas! 

Imenso Iguaçu rebrilhando,
espelhando,
retratando
toda beleza que encerra,
esta terra!

          Ao longo do teu rio audacioso,
          ou entre o teu povo tão sincero,
          cidade amiga,
          mister que o diga,
          quanta lembrança, quanta emoção,
          vivemos juntos, Porto União!

Não recordo prantos,
pois que não houveram;
lembro apenas alegrias
e que foram tantas!
Tenho a alma impregnada
de otimismo eterno,
e, ao escrever-te hoje 
os versos do teu cinquentenário,
são eles bafejados
pela brisa vespertina
que te acompanha sempre
são leques de palmeiras
a se debruçarem,
à guisa de homenagem
simples e sincera...

           Este é o canto do estrangeiro
           que tu acolheste um dia, 
           embora esta linguagem
            não se pareça tanto

à de alguém que vem de fora.
-Há um toque sutil de intimidade,
há tanta familiaridade
nestas palavras que te ofereço,
que me custa crer, sinceramente,
que um dia o destino, de repente,
me faça palmilhar caminho incerto...

Salve veredas do Iguaçu!
Salve várzeas e quebradas,
rios, bosques e lombadas,
pinheiros que tombaram um dia
para engrandecer-te!
Salve povo hospitaleiro,
povo forte, pioneiro,
de memoráveis jornadas
na história deste torrão!
são versos do coração!
- O canto do estrangeiro
que tu acolheste um dia, Porto União!!! 

(Poesia Vencedora publicada nos jornais O Comércio e Caiçara, Edição Especial do Cinquentenário de Porto União, Juntamente com as poesias "Porto União Doce Lar" de Diva Correia da Rosa, 2º Lugar e "Porto União" de Alvim Ulrich, 3º Lugar, em 9 de setembro de 1967).

Num evento no Clube Concórdia, na primeira metade da década de 1970, 
em Porto União, encantei-me com as declamações de Ivonnisch Furlani. Em minha cabeça, até hoje, registro a memória de "Eu sou o verso" - "Parece que o insano dinamismo... a velocidade, esse transformismo...até o verso silenciou".

Euclides Riquetti
20-10-2022

Se eu não fosse poeta... (No Dia do Poeta)

 


  


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Permitam-me homenagear Ivvonisch Furlani...(Eu sou o verso)
Se eu não fosse poeta
Seria, naturalmente, arquiteto:
E na minha prancheta discreta
Poria riscos sinuosos
Bonitos
Jeitosos!

Ou, quem sabe
Seria advogado:
E defenderia
De noite e de dia
O direito sagrado
De escrever poesias!

Engenheiro - pedreiro
Ou construtor:
E, com meu lápis matreiro
E meu jeito faceiro
Construiria versos de amor.
Também jardineiro
Colocaria em cada canto uma flor!

Se eu não fosse poeta
Poderia ter sido doutor
Ou, quem sabe, profeta
Andarilho
Maltrapilho
Ou um simples cantor!

Ou, quem sabe,
Seria um pintor:
E, com meu terno pincel
Faria seu retrato
Belíssimo e fiel:
Um rosto de sonho e de cor!

Mas escolhi ser sonhador
Sonhador e menestrel:
Para compor,  com muito trato
Calma, leveza e tato
Um poema cheio de  amor
Azul da cor do céu!

Euclides Riquetti

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

De madrugada, enquanto chove a chuva calma

 



De madrugada, enquanto chove a chuva calma

Descansa o meu corpo, repousa, feliz, a minha alma

Mas o cérebro impetuoso em mim fervilha

E faz da distância entre nós uma bucólica trilha. 


De madrugada, enquanto cai  a chuva branda

Escondem-se as estrelas e nenhum pássaro canta

Me vem a música que você me manda dali do mar

E meu rosto afaga, vêm suas mãos para me acariciar.


As madrugadas são minhas companheiras de solidão

Horas pra meditar, refletir sobre nossa história

Descansa o corpo, mas desassossega meu coração.


As madrugadas, passo com as saudosas lembranças

Tudo me vem à mente, todos os registros da memória

Pois, depois das saudades, me voltarão as bonanças!


Euclides Riquetti

20-10-2022








A Divina Arte

 


 


Eu divido contigo esta Divina arte

Nos céus, a mais perfeita das criações

Saída de Suas mãos mágicas na tarde

É o real que se sobrepõe às ilusões.


Isso vai além de nossa compreensão

Intima-nos a nos rendermos à essência 

Colorindo, com maestria, a imensidão

É o cenário verdadeiro, a eloquência!


E eu me tranporto para os teus  agrados

Carícias que eu retribuo docemente

Mais do que instintos e meros afagos.


E tu me esperas com os braços abertos

Enquanto eu te procuro incansavelmente

Procurando tatear os caminhos certos!


Euclides Riquetti