terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Sonhar

 




Sonhar...
Andar com pés descalços nas dunas
Buscar o aconchego das brumas
E encontrar o mar!

Poder sonhar, sim, o sonho infinito
Sonhar com um mundo agradável e bonito
Pisar por sobre as areias e as folhas
São nossas escolhas!

Sonhar, apenas sonhar e nada mais
Buscar horizontes azulados
Que cobrem os mares ondulados
Não desanimar jamais!

Imaginar canções
ler poemas
Ter emoções
Enfrentar os dilemas
E os problemas, enfim...

Bem assim!

Euclides Riquetti

Os Mistérios do Hotel Paraná (Em União da Vitória)

 


Reeditando e relembrando:


Resultado de imagem para fotos Porto União da Vitória


A área onde se localizava o Hotel Paraná, na Praça Coronel Amazonas, dá lugar a edificações de grande porte.


          As amizades que a gente faz têm um incomensurável valor. Às vezes fomos próximos de pessoas que nunca nos notaram e nem nós as notamos, não por orgulho, mas por que, ironicamente, podemos ter trilhado o caminho paralelo, mas não o mesmo. Podemos ter vivido no mesmo bairro, na mesma cidade, mas interesses distintos nos conduziram por distintos caminhos. Hoje, com a disponibilização das redes sociais, consegue-se  fazer novas amizades e redescobrir algumas que se guardaram, adormecidas, por longos anos.  Tenho buscado percorrer os caminhos por onde andei na minha juventude e, felizmente, tenho reencontrado muitas pessoas que também andaram por eles.  E, no mesmo trajeto, acabei formando outros novos amigos. A amizade é algo sensacional. Quando madura, bem construída, torna-se sólida e nos traz muita satisfação e alegria.

          Numa dessas incursões pelo facebook, conheci uma pessoa que me me suscitou ternas lembranças, devo ter passado milhares de vezes pelos caminhos em que ela passou. Agora, quatro décadas depois, descubro respostas para perguntas que nunca obtive.

          Já mencionei, nas crônicas anteriores, meu modo de vida de meus tempos de faculdade, quando eu morei em Porto União da Vitória. São duas cidades, separadas parte pelos trilhos da estrada de ferro, parte pelo Rio Iguaçu. Duas cidades e dois estados: Porto União, em Santa Catarina, a cidade onde se situava o 5º Batalhão de Engenharia de Combate. União da Vitória, no Paraná, onde se situava o Estádio Enéas Muniz de Queiroz, onde vibrei em muitas tardes de domingo, quando ia lá torcer pela A.A. Iguaçu, e na qual jogava meu conterrâneo e amigo Roque Manfredini, um dos melhores goleiros que Capinzal já produziu.

          Morei  quatro de meus cinco anos ali,  bem no centro de União da Vitória, na Rua Professora Amazília e, por último, na Avenida Manoel Ribas. Andava muito, a pé, na cidade plana, vivi ali o melhores anos de minha juventude.

          Dentre as lembranças que atraem meu pensamento, está o trajeto que fazia do "Esquadrão da Vida", a nossa república de estudantes, até a FAFI, onde eu estudava. Apenas quatro minutos a pé. Uma dobra de esquina, duas ruas,  e a Praça Coronel Amazonas, onde três prédios nos chamavam a atenção: a Catedral, a Fafi e o Hotel Paraná. A Catedral, uma edificação que dispensa comentários, uma obra de suntuosa arquitetura. A Fafi, uma edificação funcional e sem atrativos arquitetônicos. Mas tinha seu valor pela sua história e pelo nível de formação de seus acadêmicos. Na não menos histórica Praça Coronel Amazonas, a qual eu atravessava para chegar à aula. Ali, um lugar muito seguro à época, era o lugar em que as mães levavam as crianças para brincar num parquinho. Árvores centenárias marcavam aquela paisagem, eram o seu maior atrativo. E, dirigindo meu olhar de lá para a direita, o casarão do misterioso Hotel Paraná. Dezenas, quiçá centenas de  histórias rondavam aquele sobradão imponente, belo, aristocrático, mas ao mesmo tempo assustador...

          O Hotel Paraná, já na década de 1940, abrigava a elite de viajores que passavam pelo Passo do Iguaçu. A cidade era ponto final de linhas de ônibus que vinham de Curitiba, Canoinhas, Mafra, Joaçaba, Palmas, Pato Branco, Concórdia, Chapecó. E dos trens que vinham de Curitiba/Ponta Grossa, São Francisco do Sul e Marcelino Ramos. Então, para seguir viagem no dia seguinte, pernoitavam em Porto União da Vitória. Cerca de uma dezena de hotéis na cidade, mas o mais categorizado, com o melhor serviço e as melhores acomodações, mais luxo em seu interior era, certamente, o Hotel Paraná.

          Depois de reinar absoluto por muitas décadas, com o falecimento do proprietário que sucedeu os fundadores,  o hotel foi arrendado, quando sucederam-se, em seu interior, fatos que marcaram muito a história da cidade,  e que ensejaram todas as especulações em torno do mesmo. Eu perguntava, em 1972, aos colegas,   por que um prédio tão bonito e bem arquitetado, numa paisagem urbana bastante singular, estava ali abandonado, fechado. E me diziam que era um lugar mal-assombrado, que ocorreram  dois assassinatos ali e que, depois disso, nunca mais fora o mesmo. E me explicavam as coisas que eu nunca entendi direito. Mas olhar para tudo aquilo, principalmente à saída da Faculdade, não me causava medo, mas sim admiração, sentimento de perda... Não entendia o porquê de o Poder Público, a Prefeitura, o Estado, não adquirirem aquele exuberante imóvel para ali instalar o Museu da Cidade, uma Casa da Cultura. E nunca obtive respostas.

          Nos cinco anos que  morei na cidade ele permaneceu ali, aumentando seu mistério e suas histórias. (O tempo faz com que se perca a verdade e os fatos se deturpem...) Mas, nos últimos dias, através de uma das herdeiras do imóvel, fiquei conhecendo um pouco da sua história. O avô desta o adquiriu  nos áureos tempos de União da Vitória, na época em que as serrarias eram abundantes e o beneficiamento das madeiras movimentava, fortemente, a economia da região. O Hotel Paraná era o principal destino de empresários e autoridades que chegavam à cidade. Fora construído, não se tem data precisa disso, possivelmente por autoridades de Governo, justamente para abrigar as muitas autoridades que se dirigiam para a região, a qual era integrante do território contestado. Quando o avô faleceu, a família alugou-o para terceiros, tendo acontecido o assassinato de suas pessoas em seu interior. Então, a  mãe da herdeira, com um filho e duas filhas, todos menores, tentou  levar o empreendimento adiante mas, com o falecimento muito prematuro desta, os filhos fecharam o estabelecimento e foram embora.  Havia o sonho de se transformar o prédio numa casa de cultura, mas isso não aconteceu. E, adiante, houve a um incêndio que comprometeu a estrutura de alvenaria, resultando na ocupação do terreno para construção de prédios de apartamentos.  Ao revisitar a cidade, deparei-me, posteriormente, com aqueles prédios que ali estão agora...

          Parte da história daquele sobradão que me encantou na juventude, pude ter resgatada pelas informações de uma amiga recente  que, na época, entre dezessete e dezoito anos,  tendo sido criada no interior daquele hotel, ali viveu os grandes momentos de sua infância e adolescência.   Aqueles tempos em que se faz a amizade na escola, na rua,  nas festinhas de aniversário. Fiquei imaginando como deve ter sido a vida daquele rapaz e de suas duas irmãs, todos menores, que pisaram, pouco antes de mim,  as mesmas calçadas que eu também pisei.  E que brincaram naquela praça, sentiram o frio nevoento do inverno e o sol causticante do verão. E que tinham seus sonhos, sua família, mas acabaram sós. E que foram construir seus sonhos em outra cidade, deixando ali todas as belas lembranças de sua infância... Mas a vida é assim mesmo. De repente, fatos que acontecem mudam tudo na vida das pessoas...

          Obrigado, Consuelo, por me ajudar a conhecer, um pouco, a história dos mistérios do formoso Hotel Paraná, uma imagem que tenho gravada em minha memória saudosista!

Euclides Riquetti
23-06-2013

Deus me deu as palavras soltas

 




Deus me permitiu ser poeta
Para viver contrariando a lógica
E, de uma maneira discreta
Talvez sem obrigação cronológica
Falar de amor, de flor, de rosas...

Deus me permitiu ter inspiração
Para escrever os versos clássicos
Para escrever com boa precisão
Meus textos românticos básicos
E falar das flores mais cheirosas...

Deus me deu as palavras soltas
As quais eu reúno e aglutino
Para descrever as águas revoltas
Dos mares e de meu destino
Que me levam pra te encontrar...

Ele me abençoou e protegeu
Guiou-me para a atitude certa
Para ir cruzar o caminho teu
No deserto ou na floresta
Reencontrar-te e te abraçar...

Sim, ele me permitiu ser assim
Descritor de rostos bem traçados
Cultivador de rosas de cetim
Pintor de corpos bem moldados
Que atiçam minha imaginação...

Então, saí por aí a te compor
Os meus poemas mais ousados
Milhares de versos de amor
Milhões de vezes declamados
Para que os guardes  no coração!

Euclides Riquetti

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Jeito de pecado

 





Jeito de pecado
Foi de madrugada
Que pensei em você:
Senti algo no peito
Foi assim, do meu jeito
De gostar, de beijar, de querer.

Desejei o seu corpo
Elegante, maroto.
Beijei os seus lábios quentes
Acariciei seu cabelo envolvente
Amei você, perdidamente!

Fui atrevido, incontido bastante
Encantei-me com seu jeito elegante
E, entre pensamentos profanos
Meu coração cigano
Ficou transportado
Para o mundo desejado!

Desejei, ousei...
Pequei. Quis.
Quis ser feliz!...
E foi muito, muito bom!
Bom, mas com jeito de pecado!...

Euclides Riquetti

Se eu me apaixonasse

 




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Se eu me apaixonasse pelo seu sorriso breve
Será que eu mergulharia na ótica da ilusão?
Ou, então, sentisse de perto seu perfume leve
Eu sentiria o pulsar do sangue em seu coração?

Se eu cuidasse das frases que você escreve
E captasse o que se esconde em cada uma?
Ou, então, eu bebesse da água que você bebe
E você não mais entendesse coisa alguma?

Se eu respirasse o mesmo ar que você respira
Será que eu me deixaria contaminar por ele?
Ou, então, quando o vento me afaga e inspira
Eu flutuaria nas ondas e remansos vindos dele?

Ora, se eu me apaixonasse agora, simplesmente
E mergulhasse num mundo docemente mágico
Eu a amaria com todo o amor, verdadeiramente
Eternizando, no presente, o passado nostálgico!

Euclides Riquetti

Apenas me abrace

 



 
 
 
 

 
 
 
 

Apenas me abrace
E,  se quiser, me beije
Mas não me deixe
Me abrace, me abrace...

Apenas me abrace
E diga que me ama
Que seu coração... me chama
Me abrace, me abrace...

Apenas me queira
Me deseje, me beije
Me beije , me deseje
Me queira, me queira...

Apenas me diga
Me sinta, me minta
Me minta, me sinta
Mas me diga, diga:

Faça-me acreditar
(Faça-me pensar)
Que vale a pena sonhar
E amar... amar... amar!

Euclides Riquetti

Obrigado por me deixares dizer "te amo"!

 


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Obrigado por me deixares dizer "te amo"!
E isso a mim é muito puro e verdadeiro
Não é apenas um falar doido e insano
Mas sim algo muito doce e prazenteiro!

Dizer "te amo" pode não ser um belo feito
Mas é um modo de mostrar sentimentos
Dizer "te quiero mucho"! dizer com jeito
De dia, de noite, em todos os momentos!

Dizer "I love you"! seria até meio banal
Seria dizer apenas um surrado chavão
Dizer "Je t´aime"! um charmoso francesal
Mas dizer "te amo"! sai do meu coração!

Ou direi "ti voglio tanto bene, tanto, tanto"!
Pois isso sairá de meu apaixonado cuore
Pelo que há de mais sagrado, divino, santo
Dar-te-ei un bacio, o un bello d´un fiore!


Euclides Riquetti

Diamante negro

 




 
Diamante Negro
Um olhar acanhado, uma sutil timidez
A discrição, a virtuosa e doce sensatez
Uma lembrança, um sorriso,  um segredo!

Diamante que se enobrece com o passar dos anos
O mais singelo, magistralmente  lapidado
Soprepôs-se a tudo pelo tempo já passado
E ainda  resplandece e povoa meus sonhos profanos!

Diamante que exala elegância, charme, sensualidade
Mas que esconde, em si, mistérios indecifráveis
Sentimentos ocultos e infindáveis
Que esbalda a fragrância, o perfume, a veleidade...

Diamante de beleza singular
Diamante negro como a noite mais morena
Divindade cândida, dócil, serena
Preciosidade rara e sem par!

Diamante negro, mais do que um corpo bem esculpido
Mulher amada, musa, anjo deslumbrante
Mulher desejada, tal qual raro diamante
Mulher do sorriso de luz, do olhar eternecido!

Mulher diamante
Amada
Distante
Segredo
Que me traz medo!
Tão rara quanto...
Diamante Negro!

Euclides Riquetti

Coreia do Sul Elimina Alemanha na Copa do Mundo de Futebol na Rússia - aconteceu em 2018...

 


     



Seleção da Coreia do Sul conseguiu o maior feito
futebolístico de sua história. Hoje, enfrenta o Brasil! Não teremos jogo fácil!

       A seleção de futebol da Coreia do Sul, venceu a equipe da Alemanha por 2 a 0, com os dois tentos conseguidos no fim do jogo, o segundo nos acrescimentos ao tempo regulamentar, e eliminou o escrete germânico ainda na primeira fase do torneio mundial, na Rússia.

       A Suécia, por sua vez,  venceu por 3 a 0 o  México, e este ficou em primeiro no seu grupo.. A Coreia do Sul  ficou em terceiro lugar e a Alemanha em quarto, não sendo classificada para as oitavas de final, mas saiu de campo cheia de glórias.

       Isso mostra, mais uma vez, que houve muita evolução do futebol em todos os continentes do mundo. A tradição já não conta mais, o que vale é o empenho dos jogadores e o seu entrosamento em campo.

Parabéns, coreanos, pelo grandioso feito!

Euclides Riquetti
27-06-2018

Dezembro chegou






Dezembro chegou, enfim
Chegou com os raios de sol
Ou com as chuvas  molhando os trigais
Com perfumes nos campos florais
Chegou dezembro, enfim
O dezembro das tardes... e das manhãs de sol.

Dezembro chegou com ares de dezembro mesmo
Dezembro chegou  porque era sua vez
Depois de novembro.

Dezembro veio para cobrir tua pele de verniz!

Chegou o dezembro tão esperado
O dezembro de Natal, do velhinho de vermelho
Do velhinho bom e animado
Que traz presentes pras crianças.

A chegada de dezembro suscita lembranças!
Doces e ternas lembranças
Da infância
Que todo mundo diz
Foi muito feliz!

Dezembro é o mês em que a cidade reluz
Para esperar...
O Menino Jesus!

(E eu espero você...)


Euclides Riquetti

domingo, 4 de dezembro de 2022

Acordar feliz







Acordar feliz, ser feliz, viver feliz...
Assim quero que seja
Como o poema que diz:
Tudo vale a pena
Se a gente tiver como lema
Acordar feliz, ser feliz, viver feliz!

Acordar sabendo que se ama e é amada
Que se desperta desejos
E que se é desejada...

Acordar com a alma lavada
Dar e receber muitos beijos
Da pessoa amada...

Acordar com o sorriso nos olhos
No rosto
Nos lábios...

Acordar irradiando luz nos olhos
No rosto
Nos lábios!

Acordar feliz, ser feliz, viver feliz
Amando e sendo amada...
Amando e sendo amado
Sendo feliz
Muito feliz!

Euclides Riquetti

Saí para encontrar os raios de sol

 

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Saí para encontrar os raios de sol
Numa das primeiras tardes outonais
Sentindo os aromas dos florais
Sonhando envolvê-la em meu lençol...

Saí para encontrar o seu sorriso
Beijar os seus lábios de cor rosada
Encontrá-la  na tarde ensolarada
E isso é tudo de que eu preciso...

Saí pra sentir o seu corpo elegante
Afagar o seu rosto de pele macia
E dizer-lhe que você me é importante.

Olhar no espelho da verdade
Matar os desejos que eu tanto sentia
Entregar-me a você por saudade.

Euclides Riquetti

Gabriela Weber - Uma História de Amor!

 





                                      Relembrando...

 

          A Gabriela Weber era uma jovem muito bonita. Estudiosa.  Inquieta. Trabalhadeira. Caprichosa. Preocupada com o futuro. Responsabilíssima. Carinhosa. Generosa. Adorada pela família, pelo namorado, pelos amigos. Sonhadora, tinha os mesmos sonhos da maioria dos jovens de sua idade:  Queria ser feliz!

          Na manhã de 13 de outubro de 2011,   saí de casa muito cedo para ir ao meu trabalho em Ouro. Passei, de carro, pela Escola do Bairro Nossa Senhora de Lourdes, fui em direção à BR 282. Também Passei diante de uma sequência de casas ao lado esquerdo da Avenida Santa Luzia, e de prédios ao lado direito. Eram poucos minutos antes das 6,30. De uma dessas casas, também, saiu com sua motocicleta a jovem Gabriela...

         Gabriela tinha 18 anos, era terceiranista do Colégio Certi, aqui de Joaçaba. Trabalhava numa gráfica aqui na parte alta da cidade, 1 Km distante da sua casa.  No dia anterior, Dia da Criança, Dia de Nossa Senhora Aparecida,  recebeu um telefonema: Era para ir mais cedo do que o horário de costume para o trabalho, na manhã seguinte,  pois com a proximidade do final do ano havia muito serviço a darem conta. Acordou muito cedo naquele dia pós-feriado, plena Primavera. Os dias já costumavam clarear mais cedo, as pessoas eram acordadas pelos cantos dos passarinhos. Próximo à casa de Gabriela, muitos deles  nas árvores. Flores nas floreiras e nos jardins das casas. O vento, no entanto, sacudindo os eucliptos, as plantas pequenas, as árvores altas. O céu, naquela manhã, teimava em não clarear. Nuvens escuras o  cobriam, havia perspectiva de tempestade, de turbulência.

          Dona Rosa da Silva, a mãe da Gabi, não queria que ela saísse de casa, pois  o tempo estava ameaçador, perigoso. Mas o senso  de responsabilidade da jovem era muito grande. Tinha os sonhos a realizar, precisava ser assídua no trabalho, na escola. Nunca deixara de cumprir seus compromissos e não seria naquele dia que iria falhar.

          Gabriela logo ia casar. Amava e era muito amada pelo namorado, o Jair da Silva. Queria estudar Pedagogia, ser professora, adorava crianças. Não gostava de ver criança chorando, aquilo lhe partia o coração. Tinha a vocação para o magistério, para a maternidade. Gostava de crianças, gostava de animais. Tinha seus gatos  de estimação, não admitia que fossem maltratados. Duas semanas antes,  o casalzinho havia sido  padrinho de um casamento. O sonho deles era o do casamento também.

          Gabriela gostava de jogar  futebol e vôlei, de ir à praia. Viajar a encantava, principalmente quando o destino era estar nas areias das praias, nas águas  do mar. Tinha planos, muitos planos. Trocar a motocicleta por um carro para se sentir mais segura era um deles.

          Fazia amizades com facilidade, tinha amigos jovens, crianças, pessoas de todas as idades. Adorava festas sertanejas, que frequentava sempre que possível. Mas também gostava de estar em casa, junto com a família, escutado música ou vendo filmes na TV. A menina que gostava da cor pink e que tinha sonhos rosados e gostava da música "Sem ar", de D´Black (uma belíssima canção),  também gostava do Grupo Roupa Nova, de Jorge e Matheus, Fernando e Sorocaba, e Paula Fernandes.

          Mas naquela manhã em que saiu antes do horário de  costume para o trabalho, a moça bonita,  de pele macia, olhos brilhosos e cabelos castanhos,  não imaginava o que estava a esperá-la: No trajeto para o trabalho, na Rua 12 de Outubro, paralela à BR 282, os fortes ventos partiram o tronco de uma árvore. Fatalmente, Gabriela Weber ia passando pelo local com sua moto. Atingida na cabeça, teve morte instantânea. Chamada, sua mãe, a Dona Rosa, foi a terceira pessoa a chegar ao local. Foi levada ao Hospital Universitário Santa Terezinha pelos Bombeiros Socorristas, mas lá já chegou sem vida.

          A voz silenciou, o sorriso se apagou, seu rosto serenou... Gabriela partiu deixando uma legião de amigos e os familiares: Rosa e Osmar, seus pais; Carla Cristina, Daiane, Viviane e Douglas, seus irmãos; Vany, a cunhada, e os sobrihos. E Jair, o namorado, com quem pretendia realizar o sonho maior: O de viver, para sempre, sua História de Amor.

          Dos muitos recados que lhe passaram pelas  redes sociais, escolhi o postado por sua colega  Bonnie, que sintetiza o que seus amigos pensavam dela:

"Gabi, eu gostaria de dizer que você era uma pessoa maravilhosa e que nunca irei te esquecer. Foi um imenso prazer ter te conhecido, nunca me esquecerei de nosso tempo juntas na escola, de como você era simpática e bonita. Nunca achei que isso iria acabar um dia, sempre achei que você teria um grande futuro... Adeus, Gabi, em sinto muito... sem palavras... ( de sua amiga Bonnie)".

          Por dois anos eu  passava diante daquela casa e via a figura solitária de uma senhora que olhava para a rua, para o céu, imóvel sentada numa cadeira da varanda. Ficava imaginando o que aquela família deveria estar passando. E, quando lia notícias de  mães que perderam seus filhos, me comovia. Há uns meses subi a escada e fui conversar com aquela mulher simples e  de aspecto tão triste. Apresentei-me, ouvi sua história, a  da  filha Carla Cristina, e pedi-lhes licença para escrever esta crônica sobre a Gabi. A Gabi, como tantos outros jovens que perderam a vida, não foi  uma simples folha em branco. Teve seus sonhos, sua História. Amou e foi amada.  Não partiu por vontade própria, mas a fatalidade a afastou de seus entes queridos.

          Tenho em mim a lógica de que os filhos é que devem enterrar os pais. Infelizmente, como a Dona Rosa, muitas outras mães tiveram que passar por isso.

          Que Deus tenha para a Gabriela um belíssimo lugar no paraíso. Que possa, com sua bondade e sorriso, ser luz para os que aqui ficaram e que sentem muita dor pela sua perda.

           Esteja bem, tenha a certeza de que seus familiares e amigos muito a amaram também, Gabi!

Euclides Riquetti

Perdi o poema...

 



 




Perdi o poema, não sei onde coloquei
Eu não o jogaria fora, certamente
Mas já não me lembro se o guardei
Ou se me desfiz dele, simplesmente.

Quem sabe ele não tinha importância
Ou não lhe foi dado o devido valor
Ou ele tinha apenas pouca substância
Não expressava um verdadeiro amor.

Mas, certamente, que está perdido
E já não tenho como o encontrar
A não ser que estivesse num arquivo
Ou  se espalhado nas águas do mar.

Não, não tenho o poema na memória
Ali guardo apenas as boas lembranças
Se algo me entristece, na vida inglória
Procuro trocar por bem-aventuranças.

Perdi o poema, faço outro, bem bonito
Que possa encantar um terno coração
Jogo palavras no papel ou no infinito
Tudo o que faço, faço com  paixão...

Apenas isso
Bem assim!

Euclides Riquetti

Apenas um simples poeta

 

     

                                                            Rosas de meu cultivo, na tarde de domingo


Nem adivinho, nem profeta

Apenas um simples poeta

Que lida com as palavras

E com as frases certas

Transformadas em versos!


Não nasci assim

Apenas algo mudou em mim

Acostumei-me com palavras

Com flores em meu jardim

E os pensamentos dispersos!


E, golpeando a insensatez

Não apenas por já ser

Um encantador de palavras

Por direito, é  a minha  vez

De mostrar-te meu afeto...


Sim, ser poeta e cantador

Mesmo que isso não leve a nada!

Ir cantando versos de amor

Todos os que eu puder compor

Nas minhas madrugadas!


Euclides Riquetti

04-12-2022