segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Além de ti há o mar...

 



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Além de ti há o mar
Uma imensidão azul que te desafia
Um sol que te agride com ousadia
E que tu não o podes enfrentar.

Além de ti há o mar
Majestoso, atrevido e valente
Misterioso, voraz e imponente
E  que tu não o podes dobrar.

Além de ti há o mar
Cujas águas voláteis te cortejam
Como meus olhos que te devoram e desejam
E que te quer para te embalar.

O mar, apenas o mar...
O mar de milhões de anos
Que lava teus medos e teus enganos
E que alimenta teu sonhar.

O mar, simplesmente um mar
A te fazer pensar
A sentir saudades
De eu querer te amar...

Apenas te amar!

Euclides Riquetti

O Voo da Garça

 



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A garça voa o voo leve da alma
Voa a garça
Voa como a branca pluma, com graça
Voa a garça.

E no voo breve, voa lenta, calma
Voa com toda a graça a garça.

Voa o infinito, voa por instinto
Voa sobre o monte a a garça...
E pousa na torre da igreja
Ou na árvore da praça
Voa a pousa a garça.

E seu voo atrai o disperso
O menino, o esperto
O velhino, o passante
E voa de novo a garça.

Vai, seguindo os trilhos dos raios de sol
Cortando o azul, a garça.

E pousa suavemente sobre a nuvem
Uma nuvem feita branco lençol...
E descansa outra vez a garça!



(A garça povoa os meus sonhos, orienta minha vida.
A garça é meu ser, é você, sou eu...
A garça é meu norte seguro, é minha inspiração...
É minha emoção transmitida no papel...)


Euclides Riquetti

Zina e Breca - Cachucha e Cride - uma história real em Porto União

 



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Colégio Cid Gonzaga - Porto União - foto da época

          Dois de junho de 1973 - sábado. Dia de Festa Junina em Porto União, no Colégio Cid Gonzaga. Toda a juventude das cidades gêmeas do Iguaçu estava ansiosa para que esse dia chegasse. É que acontecia uma festa muito badalada por lá. Além dos folguedos, dança na sala do auditório. Talvez que essa fosse a parte mais esperada da festa...

          O Professor Welcedino, um "serra-abaixo" catarinense gostava de ter tudo bem organizado. A festa era muito esperada. Quadrilhas de danças, quentão, pipoca, pinhão, doce de abóbora, amendoim, pé-de-moleque... Foguetes espocando no ar. As rádios Colmeia, Difusora e União com seus locutores falando do evento. Os jornais "O Comércio", "Caiçara" e "Traço de União" dando força. E nós, jovens, na expectativa.

          Mandei uma carta para minha irmã Iradi convidando-a. Veio com a prima Salete Baretta. Foram hospedar-se na casa da prima Gena Casara que estava estudando por lá. Chegaram na sexta à tarde. Tudo preparado para irmos à Festa no sábado. Imperdível.

          Mas um imprevisto quase que atrapalha nossos planos. Nosso colega da República Esquadrão da Vida, o Celso Lazarini, o Breca, nascido no hoje Lacerdópolis (quando ainda petencia a Capinzal) e que  morou na casa do Serafim Andrioni, no Ouro, e em 1968 trabalhava nas Casas Eduardo, em Capinzal, estava machucado.  Agora era o melhor goleiro de futsal em União da Vitória, fora profissional no futebol de campo. Pois na  sexta levou  um chute no nariz, na Quadra do Túlio de França.  O Dorinho  ia fazer o gol, o Breca foi brecar e o pé do artilheiro arrebentou o nariz de nosso colega. Emergência, cirurgia. Ficamos todos muito preocupados. Víamos o sofrimento do amigo e tínhamos nossa programação de lazer. Não queríamos perder a festa,  nem deixar o amigo sozinho em casa naquele sábado. Precisava de cuidados. Ele dizia que podíamos ir, que ele mesmo se cuidava. Gentil como sempre. É assim até hoje.

          Pertinho de casa havia um salão de estética, o "Silhueta". A Zina, a Célia comandavam. A Ivone, cunhada da irmã da Zina, estava sob seus cuidados. Eram minhas amigas. A Zina estava chorosa, de mal com a vida, deprimindo-se. Pedi-lhe um favor. Perguntei-lhe se poderia cuidar do Breca naquela noite para que pudesse participar da festa junina no Cid. Disse-lhe que ele estava machucado e precisava de cuidados. Pensei que um podia cuidar do outro. Aceitou que eu o deixasse em sua casa. Cuidaria dele. E assim o fez.

          Fomos com os colegas, o Osvaldo e os dois  Odacir, o Giaretta e o Contini, mais  minha irmã  e a prima para a festa. Eu de braços dados com minha irmã. O Boles não foi, tinha que ficar no ponto de táxi com seu Corcel 4 portas. Era um horário bom pra ganhar uma graninha.
Na chegada, percebi que havia uma bela garota com quem eu tinha dançado no "Clube 25"  duas semanas antes. Ela deve ter-se decepcionado comigo, pois eu estava de braços dados com uma de quase minha altura. Não sabia ela que era minha irmã que estava comigo.  Adiante, contou-me que pensou que era minha namorada...

         Na dança, muita animaçao na sala do auditório. Um colega meu era Cabo do Exército Brasileiro, do 5º BE, de Porto União, Odacir Contini. Educado, respeitava as regras dos militares. Quando íamos ao cinema, com os Cabos Frarom, Backes, Godói, Figueira ou Maciel, tínhamos que sentar atrás de qualquer oficial superior deles. Então, no Cine Ópera, entrávamos olhando para as cadeiras e precisávamos  ir ao fundo do cinema ver os filmes e respeitar essa regra hierárquica. Nenhum subalterno podia sentar à frente de um superior.  Pois bem, o Contini falou-me: "Vou tirar aquela morena que está com a Dora pra dançar. E, educadamente, deu a volta por detrás dos  presentes, pois havia um sargento no local.

          Quando vi que era a garota que eu conhecera poucas  semanas antes, cortei caminho pelo meio do salão. Eu não era militar, não  tinha superior, podia ir por onde bem entendesse. E, quando ele lá chegou, eu já estava com ela. E dançamos. Dançamos, dançamos  muito, rimos, contei-lhe piadas.

           Hoje, mais de 40 anos depois, continuamos a dançar, juntos. Temos três  filhos, uma neta, um neto... Dois genros, uma nora!

           E o Breca e a Zina?    Bem, ela está cuidando dele há  40 anos também. Têm uma filha, a Marcela, que voltou recentemente para Porto Uni'ao depois de estudar na Austrália. O Breca  vende carros em sua loja numa bela esquina da ida para o Estádio do Ferroviário. A Zina tem seu salão ali perto do Clube Concórdia. Continua igual há  40 anos. A mesma disposição, a mesma silhueta, a mesma amabilidade e a mesma simpatia. Visitei-os recentemente. Rimos muito, contei para duas amigas dela essa história. Disseram-me que eu deveria escrever sobre isso. Então aqui está.

           Duas histórias que começaram no mesmo dia. E, mesmo com as dificuldades do dia-a-dia, com todas as barras enfrentadas, formamos nossas duas famílias. A Zina e o Breca, a Cachucha e o Cride.


Euclides Riquetti
24-03-2013

Um rosto fascinante

 



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Procuro, nos céus, um precioso elemento
Algo que me substancie e me reenergize
Busco, nas ondas infinitas do firmamento
Um rosto fascinante que te identifique!

Vasculho, por entre as estrelas e meteoros
O semblante sutil do rosto bem delineado
Sai-me o suor de tenro odor de meus poros
Para colar-se na pele de teu corpo molhado.

Procuro, nos mergulhos das vãs procuras
Mergulho no universo da paixão exacerbada
Anseio pela frágil ilusão em noites impuras.

E te encontro nas respostas de sonetos líricos
De versos nas estrofes por mim declamadas
E eu te abraço e beijo os teus lábios lívidos!

Euclides Riquetti

domingo, 11 de dezembro de 2022

Como se não existisse paz!

 


 

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O mundo está virando... já virou
E ficou virado!
Parece-me que já não há tantas verdades
Há desamor, atrocidades
E que tudo mudou.
Mutilaram-se as cidades
Apedrejou-se o céu, assassinaram os rios
Indefiniu-se o comportamento
Do tempo.
Ora chuvas descontroladas
Ora assolador estio.

Quisera que houvesse menos tragédias
E que a realidade não seja travestida de comédias.

Quisera que imperasse o senso da honestidade
E que as pessoas agissem com mais seriedade.

Quisera que nascessem flores ao longo das estradas
Mas estas precisariam terem sido plantadas.

Quisera que os males tivessem a devida cura
E que as almas pudessem pintar-se de brancura.

Precisamos que a mão da Divina Providência
Nos abençoe com sua força e excelência
Pois:

É como se não existisse mais amor
É como se não existisse paz!

Euclides Riquetti

Tempos de viver intensamente

 


 



Tempos de viver simplesmente

De aproveitar todas as horas

Que são todas muito valiosas

E que se passam num repente...


Tempos de viver intensamente

De ocupar o espaço reservado

Aquele que para ti foi deixado

Desde o agora e para o sempre...


Sem te esqueceres que ele corre

Enquanto o coração pulsa forte.

Não deixar nada à própria sorte

E saber que o amor nunca morre!


Euclides Riquetti

Um coração que nos agita


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Um coração sul-americano palpita
Um elemento que vibra e faz vibrar
É um coração que nos agita
Agita por aqui e além do mar!

Um sul-americano guerreiro
Que se aloja na vida prazenteira
Um coração bem brasileiro
Uma alma gloriosa e altaneira!

Um coração que habita o Sul
Coração intrépido e muito valente
Aqui onde nosso céu é mais azul
Há um coração alegre e irreverente!

Um coração que sabe dizer "te amo!"
Que nunca teve endereço certo
Mas passe dia, passe mês, ou ano
Do teu sempre estará por perto!

Euclides Riquetti

Morrer de amor, quem sabe?

 


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Morrer de amor,
Quem sabe?
Morrer de paixão?
Talvez...
Morrer só na ilusão?
Insensatez...
Morrer sem ter pedido perdão?
Fazer o quê?


Melhor viver com amor, claro...
Viver o amor com paixão...
Viajar na doce ilusão...
Se errar, pedir perdão...

Mas, se não ama
Se não se apaixona
Se não se ilude
Se não sabe pedir perdão...

Então, ao menos sonhe:
Sonhe viver a doce ilusão
Se amar, ame com paixão
E, se errar, peça perdão!

Sempre é tempo de reparar erros
De começar vida nova
De acreditar no amor
De viver o amor com desmedida paixão.

Sim, eu acredito nisso!

Euclides Riquetti

Encosta seu rosto em meu peito e sinta

 


 


 


 


Encosta seu rosto no meu peito e sinta

Veja o ritmo com que ele está pulsando

Sinta as cores deste  meu mundo cinza

Com suas variantes em preto e branco...


Parece que o universo roubou as cores

Levou-as para espalhar na via-láctea

Coloriu com elas os jardins e as flores

E sobrei assim, só eu e minhas mágoas.


Não posso ficar sem o que me inspira

Nem me tornar um poeta desanimado

Se por meus poemas você me admira

Pelo seus olhos me sinto apaixonado.


Pois que me devolva as cores tomadas

Para eu poder colorir sonhos e escritos

E possa adornar as palavras empregadas

E compor-te poemas gráceis e bonitos.


Euclides Riquetti

Não deixe o sol ir embora

 


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Não deixe o sol ir-se embora
Faça alguma coisa pra ele ficar
Pois que ele chegou bem agora
Então não o deixe se apagar...

Segure o sol até o mês de agosto
Falta pouco tempo para isso
Deixe-o brilhar em seu rosto
Deixe-o enfeitar o seu sorriso!

Deixe que ele seja nossa fantasia
Que durma à noite  no Ocidente
Que brilhe pra nós durante o dia
E que durma apenas lá no Oriente.

Não deixe o sol ir-se  embora
Faça com que ele se apaixone
E que nos traga nova aurora
E que ele  nunca nos abandone!

Então o sol que há em você
E que também há em mim
Precisa ficar conosco porque
Preciso de seu brilho sem fim!

Euclides Riquetti

Um horizonte azul


 




Há um horizonte azul a nos esperar
E corpos que  flutuam embalados em canções
Nas ruas da terra , através das gerações.
No azul da cor do céu, no  azul da cor do mar.

Há um horizonte azul  a nos amparar
Em todas planícies verdes deste mundo
Nos mares que cobrem do sol  rotundo
E ombros que me esperam pra chorar.

Havia um horizonte azul no teu olhar
Que me buscou entre os andantes do universo
E um doce abraço teu a me chamar:

Agora, em cada nova manhã de invernos e verões
O Poeta   te exalta  em prosa e verso
Ó  musa de meus encantos e paixões!

Euclides Riquetti

Enquanto minha alma chora

 



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Parece que foi ontem, parece
Que eu a vi pela primeira vez
E disso a gente não se esquece
Pois esquecer seria insensatez.

Lembro das primeiras carícias
Dos primeiros olhares receosos
Beijos acanhados, uma delícia
Depois vorazes e pecaminosos.

Fecho os olhos para relembrar
De cada bom momento vivido
Enquanto vejo o tempo passar...

Fecho os olhos e vão as horas
Os meses e os anos já sumidos
Enquanto minha alma chora...

Euclides Riquetti
04-07-2018

Escute o barulho que vem do vento, o barulho que vem do mar

 

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Escute o barulho que vem do vento, o barulho que vem do mar
Escute as notas das canções que a magnífica orquestra propaga
E mergulhe, profundamente, nas emoções que a fazem bailar
Viva, obstinadamente, toda chama do amor que nunca se apaga.

Observe todos os pássaros que voam e se esbaldam no infinito
Que planam no horizonte azul e nos encantam com sua singeleza
Gaivotas, garças, condores com seu voo seguro, seu voo bonito
Que nos acalmam a alma, atiçam nossa mente, na mansa realeza.

Veja que há florestas densas, verdejantes, que guardam riquezas
Animais ferozes, aves de penas multicores e árvores frondosas
Mas ali tudo se equilibra, se harmoniza, se soma em suas belezas
E se navega, calmamente, em suas águas dormentes e piscosas.

Sinta, sobretudo, que nos vêm os odores, os cheiros e os aromas
Sinta e absorva todos os sons, as cores, os perfumes, e a calmaria
Pense que a natureza, como o seu amor, entende todos os idiomas
E que a mulher, no universo, é a regente do todo em  harmonia!

Euclides Riquetti

sábado, 10 de dezembro de 2022

Pelos oceanos da paixão

 




Viva, intensamente, todos  os  seus momentos
Viva a alegria, muito mais  com  seu coração
Dê asas a todos os seus melhores sentimentos
Navegue, sutilmente, pelos oceanos da paixão.

Viva, porque viver é uma bênção divina e cara
Porque viver é o grande dom que Deus nos dá
Porque viver  é nossa joia mais preciosa e rara
É o nosso pão e o vinho, é nosso melhor  maná.

Viver em harmonia, entregar-se e receber amor
Andar com pés descalços nas areias ou na relva
Render-lhe, com toda a devoção, o devido valor.

Cuidar para que ela jamais venha a ser abalada
Pelos infortúnios advindos desta impiedosa selva
Viver pelo amor, para amar, viver para a amada!

Euclides Riquetti

Num sábado de sol

 


  


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Sábado de sol e de cor
Dia de alegria desmedida
De andar livre na vida
Nada de trizteza, nem dor.

Sábado com muita euforia
Dia das doces sensações
De dar asas às emoções
Nada de melancolia.

Sábado dos corpos sarados
Dos corações atirando setas
Dos corações sendo flechados.

Dia de comemoração
Nas almas de todos os poetas
Que escrevem com amor e paixão!

Euclides Riquetti