quinta-feira, 13 de abril de 2023

Preciso de você

 

 

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Preciso de você, incessantemente
Para melhorar o espírito e meu astral
Para poder me perder, perdidamente
Preciso de você no meu mundo real...

Preciso tanto como preciso da água
Como preciso do ar para respirar
Preciso de alento para minhas mágoas
Como a vela do vento para singrar...

Preciso, sim, e isso é incontestável
É definitivo, não entra em discussão
Preciso do abraço suave e agradável...

Ah, como eu preciso e eu quero ter
Todos os afagos ao meu coração
Ser feliz é amar, ser feliz é viver!

Euclides Riquetti

Como se não existisse paz!

 

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O mundo está virando... já virou
E ficou virado!
Parece-me que já não há tantas verdades
Há desamor, atrocidades
E que tudo mudou.
Mutilaram-se as cidades
Apedrejou-se o céu, assassinaram os rios
Indefiniu-se o comportamento
Do tempo.
Ora chuvas descontroladas
Ora assolador estio.
Quisera que houvesse menos tragédias
E que a realidade não seja travestida de comédias.
Quisera que imperasse o senso da honestidade
E que as pessoas agissem com mais seriedade.
Quisera que nascessem flores ao longo das estradas
Mas estas precisariam terem sido plantadas.
Quisera que os males tivessem a devida cura
E que as almas pudessem pintar-se de brancura.
Precisamos que a mão da Divina Providência
Nos abençoe com sua força e excelência
Pois:
É como se não existisse mais amor
É como se não existisse paz!
Euclides Riquett

Razões para viver


 



Procure encontrar razões para viver
Imaginando que cada manhã é apenas o início de um novo dia
E que, mesmo que nem tudo  esteja como é de seu querer
Sempre haverá  motivos para se  ter alegria.

Procure olhar ao seu redor com mais atenção
E ver quanta gente se importa com você
Há muito amor em cada ser, em cada coração
E sempre  uma fonte de água onde possa  beber.

Nunca deixe que o pessismismo a contamine
Nem que a desesperança venha alojar-se em seu interior
Haverá sempre um tempo para que Deus determine
Quanto poder amar e quanto receber de  amor.

Acredite na força do bem que pode nos ajudar
E enseje pensamentos sempre muito positivos
Conjugue, diariamente, amar e sonhar
Os verbos balsâmicos que nos mantêm vivos.

E, mesmo que as coisas não aconteçam como espera
Lembre que o tempo pode  curar todas  as feridas
Depois do inverno voltará a primavera
Para florir a minha, a tua, as nossas vidas!

Euclides Riquetti
02-03-2014

Uma torre infinitamente alta...




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Uma torre infinitamente alta...

Que tal subirmos a torre infinitamente alta
E olhar para o horizonte na tarde de céu anil?
Que tal olharmos para as luzes da ribalta
E nos deliciarmos com a noite fresca e gentil?
Ou, da Torre Eiffel, admirarmos a cidade em calmaria
Depois dos desatinos que a assolaram no outro dia?

Importa, sim, olharmos para a mesma direção
Sentirmos no coração a saudade ou a alegria
Sentirmos,  em cada momento,  uma terna emoção
Um doce lembrar, uma doce nostalgia...
Ou, se olharmos para planos diferentes
Recostarmos nossos corpos efervescentes!

E, se não houver um tal que muito importe
Que não haja nada que possa nos entristecer
Se não houver uma emoção terna, mas muito forte
Que haja um piano a nos brindar e a nos sorver
Com as melodias dos cancioneiros universais
Pra que nosso amor não morra  jamais!

E, como diria Lennon: Living life in peace, you too!

Euclides Riquetti

Feridas no coração

 




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Dores que não se acalmam
Vêm de feridas no coração
Que rapidamente se espalham
Causando angústia e aflição...

Dores vêm por algum motivo
E nos causam muita tristeza
Quando atacam um ser vivo
Trazem o sofrer e a incerteza.

Dores, é melhor nunca tê-las
São como pedras em desertos
Jamais serão luas ou estrelas
Nem me inspirarão os versos!

Dores, delas é difícil livrar-se
Pois dissabores elas nos dão.
Como de sofrimentos afastar-se
Se há dor em nosso coração?

Euclides Riquetti

Gotinhas de orvalho

 




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Gotinhas de orvalho queimam
Quando caem na madrugada
São como princesinhas que reinam
Na terra dos sonhos e encantada.

Gotinhas de orvalho tão delicadas
Também podem causar avarias
Podem ser como pedras nas estradas
Ou como espinhos nas cercanias.

Gotinhas de orvalho também ferem
Ferem de dor, ferem  uma paixão
São como flechas que se desferem
E podem machucar meu coração.

Gotinhas de orvalho, ora inofensivas
Outras vezes vorazes e impetuosas
Caíram nas relvas de minha vida
Transformadas em gotas lacrimosas!

Bem assim...

Como um cusco esquecido...

 



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Sinto-me como um cusco esquecido
Pobre, feio, maltratado
Um cusco desaparecido
Que gostaria de ser encontrado
Um velho cusco ferido
Deprimido e abandonado!

Um cusco triste e sem dono
Como guaipeca judiado
Animal já velho e nono
Pra todo o canto jogado
Neste mundo mui medonho
Um cão que foi  rejeitado!

Sinto-me assim de repente
No dia em que chove demasiado
Eu deveria  estar contente
Mas estou dilacerado
Se for picado por serpente
Vou  morrer envenenado!

Fiz esta canção campeira
Na verdade um desagravo
Pra dizer pra companheira
Que mesmo estando chateado
Viverei uma vida faceira!

Euclides Riquetti

Apenas uma chance...




Apenas mais uma chance

É do que eu preciso
Apenas um breve lance
Pra rever seu sorriso...

Uma chance de ouro
Uma chance, simplesmente
De reencontrar um  tesouro
Que se ocultou de repente...

Apenas uma vez, só uma
Quem sabe um pedido de perdão.
Será que não terei nenhuma
De ouvir a sua canção?

Uma chance para nós
Um chance que nos devemos
Para não ficarmos sós
Uma chance que merecemos...

Apenas isso...
Bem assim!

Euclides Riquettti

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Não há estradas sem pedras

 




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Não há estradas que não tenham pedras
Poucas das roseiras não têm espinhos
Mesmo se o céu não mostrar as estrelas
Ainda assim haverá um bom caminho.

Não há mares sem águas revoltosas
Nem calmaria durante as tempestades
Atitudes precipitadas são desastrosas
E não haverá amor sem cumplicidade.

Para os conflitos haverá sempre saídas
Para as dificuldades haverá  solução
A regra é  andar de cabeça erguida
E manter a mente centrada na razão.

Equilíbrio, postura e perseverança
Asas para que voe toda a imaginação
Acreditar no amanhã e ter esperança
E colher os resultados que lhe virão!

Euclides Riquetti

A melodia que vem de ti

 





Escuto a música que vem de ti, guria
Vem com o vento e entra pela janela
A canção que cantas com maestria
E me embala na viagem mais singela.

Escuto a música que vem com o vento
Que açoita as pedras, afaga as florinhas
Vem pelo ar, esse magnífico elemento
Vem a acariciar as lembranças minhas.

Sobrepõe-se aos campos mais floridos
E ao rio azul da água mais transparente
Aos pinheiros verticalmente crescidos.

Música romântica, canção sentimental
Mexe com meu coração e minha mente
Redime-me dos pecados mais mortais...

Euclides Riquetti

Um sorriso em seu rosto...


 





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Não vejo um sorriso em seu rosto
O que será que aconteceu?
Será que é tristeza ou desgosto
E seu sorriso, então, desapareceu?

Não vejo mais a alegria costumeira
Nem ouço as palavras animadas
Você, que era sempre tão faceira
Não solta mais suas gargalhadas...

Cuide de ter, de novo, seu sorriso
Aquele olhar tão contagiante
O seu sorrir, que era tão divino
Precisa voltar bonito e  triunfante...

Cuide de ser feliz, felizmente
Cuide de animar-se, animadamente
Cuide de se amar, amadamente
E a cuidarei, carinhosamente!

Euclides Riquetti

Um dia você chorou...

 


 




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Um dia você chorou, vibrou, vibrou, chorou
Seus belos olhos encheram-se de gotinhas de cristal
Você que calou, sofreu, sofreu, calou
Seu grito de alegria fez explodir, afinal.

Você esteve lá, elegante, glamourosa
De seu rosto moreno brotou um sorriso sensual
De seus lábios saíram as palavras mais carinhosas
Você vibrou com a conquista colossal!

Na madrugada silenciosa me veio seu doce sorriso
As palavras mágicas se embalaram no meu ser
E seu rosto comovido, bonito,  me encantou...

Então, meu coração bateu mais forte, mais preciso
E, no papel, pus este soneto pra dizer:
Você é o algo belo com que Deus nos presenteou!

Euclides Riquetti

Que eu gosto de você




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Deixe-me ser
Seu perfume floral e amadeirado
Ou a chuva que cai em gotas orvalhadas
O ser desejável que quer ser desejado
O sonho das vitórias conquistadas
Deixe-me ser!

Deixe que eu seja
A canção que você canta e que me encanta
O sorriso na manhã prazenteira
A folha da árvore que balança...
A personagem autêntica e verdadeira!

Dei-me ser
O desejo que leva ao perder-se
O sentimento do fazer e do envolver-se
A canção nova e a canção velha que diz
Que é preciso viver para ser feliz...

Deixe que eu seja:
Que eu seja eu mesmo, como você é você
Que eu seja o amor que vive e que faz viver
Que eu seja o eu
Que eu seja seu
E que eu possa dizer
Que gosto de você!

Euclides Riquetti

Ivoney Bazzo - a amizade que se construiu sólida - reeditando!

 


 



       Na minha infância e na adolesccência, ali no distrido de Ouro, que fora a antiga Abelardo Luz, pertencendo a Palmas, Paraná, vivíamos uma vida cheia de sonhos. Cada jovem tinha seu modo de viver, seus sonhos a serem realizados, muita energia para brincar, correr, jogar bola. Havia campinhos de futebol. Um campinho constrruímos na beira do Rio do Peixe, ali logo acima da barragem dos Zortéa, no leito abandonado de uma rua, a Felip Schmidt. Os Zortéa tinham uma pequena usina hidrelétrica,  que gerava uma quantia ínfima de energia, que alimentava uns bicos de luzes nas casas da antiga Rio Capinzal, e mesmo para a precária iluminação pública. Geladeira,  raras famílias tinham. Rádios, algumas. Televisores, só nas fotos das revistas O Cruzeiro e Manchete. Já tiveramos um campinho no terreno de Augusto Masson, onde hoje se localiza a cadeia pública, vizinhando com a propriedade de Aníbal e Ângela Dambrós. Abaixo da Felip Schmidt também tivemos um campinho, ali onde hoje se situam os prédios de Nézio Zanol, Fernando Rossa e Tornefel. 

       Na antiga Rua do Comércio, que mudou o nome para Presidente Kennedy, uma família de descendentes de italianos, filhos de Lúcia Ferrari Bazzo, liderada por Ivo Luiz Bazzo, casado com Iracema Maestri, ocupava um casarão de madeira, que depois foi substituído por um de alvenaria, que ali se encontra até hoje, e foi palco das mais francas e intensas articulações políticas da história da cidade, desde fins da década de 1940, até o início da segunda década do presente milênio. Vitório Bazzo fora embora para a Bahia, Dona Lúcia criou os filhos ali. Vítor foi expedicionário na Itália, voltou, casou-se com a professora Vanda Faggion. Ivo casou-se com Iracema Maestri e teve os filhos Ione, Ivoney, Ivonete e Ionice. Estes três,  já falecidos. Ainda havia o Plínio, o Hugo, o Dário, o Nelson o Egídio Balduíno (Titi), a Vidi. E a Diva fora para Campos Novos. Esta eu não conheci.

       No campinho, jogavam futebol nos fins das tardes. Os moleques jogavam em qualquer hora que fosse. O lugar era cercado com uma alta cerca de madeiras. Abaixo, um pomar com laranjeiras, jabuticabeiras, bergamoteiras, caquizeiros. Foi ali que, num fatídico dia, depois de terem jogado bola, Egídio Balduíno (Titi) e Severino Dambrós permaneceram após as brincadeiras para comer caquis. Já satisfeitos, viram que um caqui maduro restava lá, no alto. Titi subiu para apanhá-lo, o galho do caquizeiro tem pouca resistência, quebrou-se, e isso o deixou em cadeiras de rodas por toda a sua vida. 

       Joguei apenas uma vez naquele campinho. Dos mais velhos que ali se reuniam, lembro do Hugo e do Plínio, pois este amarrava as quatro pontas de um lenço e protegia sua calvície e camiseta regata branca.  Muitas pessoas de Capinzal costumavam jogar bola com eles, dentre os quais o saudoso Dr. Vilson Bordin. Dentre os moleques, Ivoney, que tinha porte avantajado e portentoso chute com a perna esquerda. Rubens, e Edson (o Garrincha), que eram filhos do Plínio. Vilmar Matté, Mário Morosini, o Pina, Edovilho Andreis, o Pinóquio, Rogério Caldart, Adalir Borsatti, o Pecos, Nilton Segalin, Bruno e Mário Fávero (estes jogava bem voley), Vilmar (o Teco) e Vilson Ronsani, Anito Baretta, (filho do comerciante Severino, que chamavam de Silvério), Egomar, Homero e Rômulo Sartori, Adauto Colombo, Ivan e Ilton Maestri (este muito craque de bola), Clóvis Maliska, o Castanha, Ivan Casagrande, o Bianco, Juventino Vergani, o Bichacreta (meu vizinho aqui em Joaçanba), Vilson Bazzo, Ademar Miqueloto Motorzinho), Hélio Novello, Elói Dambrós, que casou-se com Ione e chegou só mais adiante, pais do vascaíno fábio e do flamenguista Daniel), Dirceu Cadore (o Cadorna), Elói Correa , Vilson e Alcedir Dambrós (o Sebinho) e Nélito Colombo. . De alguns degraus abaixo, o Clóvis Dambrós, que era irmão da Maria Helena e a qual casou-se com Ivoney, tendo os filhos Fernada e André Luiz Bazzo, Serginho Correa, o Mídio,  o César Dambrós (Mandi, irmão de Clóvis e da Maria Helena),  Hélio José Bazo, bem mais jovem e filho do Plínio, Ainda  Huguinho e Milton, filhos do Hugo, Robson e Rogério, filhos do Aquilino Baretta. Havia uma criançada lá, meninos e meninas, que eu nem sabia  quem eram, e que passaram a ser meus amigos depois que voltei para aquela cidade, em 1980.

       O Ivoney, com os primos, ia empurrando a cadeira de rodas do Titi até o Cine Glória, depois Odete. Na ponte, corriam com a cadeira, faziam micagens. O Armando Viecelli, proprietário, abria a primeira porta lateral, ao lado do estacionamento dos carros. Uma meia dúzia de carros Aero Wyllys, Sincas, DKWs, fusquinhas... De vez em quando um motociclo... Em dois, alçavam a cadeira sobre o degrauzinho. Algumas vezes dividiam o espaço entre os blocos de cadeiras com um Surdi, também cadeirante. Riam muito, gostavam muito de cinema. Mas os risos e sorrisos se se estampavam no rosto dos primos. O Sorrir do Ivoney era discreto. Sorria muito mais quando o Flamengo, seu time da família, ganhava seus jogos, do que ria nos filmes de comédia e nos bang-bangs.  

       Foi para Curitiba para fazer curso de preparação para o Vestibular, depois de ter concluído o Técnico em Contabilidade, na CNEC, em Capinzal.  Voltou, reencontrou uma sua vizinha, que morava bem ali em frente da casa dos Bazzo,  a Maria Helena Dambrós. Casaram-se e tiveram os filhos Fernanda, que é médica muito conceituada em todo o Baixo Vale do Rio do Peixe, e André Luiz, funcionário de carreira do Estado de Santa Catarina, que já ocupou cargos importantes na esfera de Governo Estadual.

       Na juventude, fez parte da equipe dos Snakes, time de futsal que disputava as competições locais. Camisas pretas e amarelas, muito bonitas, bons jogadores. O "Ney" era muito habilidoso e tinha um chute muito forte, portentoso. Quando um goleiro fizesse uma defesa e não tivesse usando luvas, elas lhe doíam muito. Mesmo se a bola atingisse os braços, era uma martírio. Adiante, no início da década de 1980, joguei de goleiro no futsal contra ele. Seu chute era uma bomba, nem dava tempo de levar as mãos para defender a bola. E, se defendesse, era dor na certa. 

       Jogou no Arabutã  Futebol Clube, era atacante, um nove específico. Num jogo  contra o Vasco, de Capinzal, no Estádio da Baixada Rubra, em Ouro, ele deu um chute de fora da área e a bola, batendo no travessão, voltou para o meio do campo. 

       No trabalho, fomos colegas nos anos de 1981 e 1982, quando seu pai, Ivo Luiz Bazzo, era prefeito em Ouro. Ele era tesoureiro da Prefeitura, havia o Nolberto Zulian como Contador, o Luciano Baretta e o Renato Caldart como escriturários e o Marco Antônio Baretta como oficce-boy. Eu era chamado de Secretário do Prefeito, mas minha nomeação era como Diretor da Divisão Administrativa, pois não havia nenhuma secretaria no quadro funcional. 

       O Ney fazia cálculos em calculadora da Olivetti, com bonina de papel, não havia computadores ainda. Emitia os boletos em máquina simplees e, adiante, em máquina de escrever  elétrica. Costumava organizar tudo, primeiro, em papeis de rascunhos. Escrevia e assentava os cálculos tudo a lápis, depois passava a caneta nos fichários e documentos. Meu primeiro contato com ele,[ foi ao final de 1979, quando eu morava ainda em Zortéa, e deu-se porque fui à Prefeitura para ver como se fazia para ter uma escavação para construir minha casa e quais documentos eu deveria ter. Orientou-me em como proceder e disse-me que o  Município ia receber um trator novo, de esteiras, um Fiat AD7B, e que fariam a escavação tão logo o trator chegasse. A colega Professora Elzira Carletto Federle me disse que eu deveria ir à Prefeitura pedir a escavação, que eles faziam, mas que em capinzal não faziam. 

       Nos primeiros dias do ano de 1980, mandou-me um recado através do Luciano Baretta, meu primo: O trator novo chegou e o Olávio Dambrós, que é o Diretor de Obras, vai estrear a máquina fazendo sua escavação. O Operador do trator era o Eurides Dutra Ribeiro o Dedão, e meu irmão, Ironi, acompanharia o serviço, pois eu morava em Zortéa. Dias depois, fui lá no meu terreno, estava terraplanado, entre os Miqueloto e os Campioni,  e pude começar a marcar o quadro da casa, que foi construída pelo Senhor Moisés Ceigol. Em março,  entrei na nova morada, fui lecionar na Escola Sílvio Santos e, em dezembro, eu fui convidado e aceitei ser nomeado para "Secretário do Prefeito", indicado por Luiz Roberto Toaldo, que estava se desligando daquela Prefeitura. De 1989 a 1992, quando eu fui prefeito, o Ivoney foi meu colega como Resoureiro Municipal, desempenhando seu serviço com conhecimento, dedicação, disciplina e muita competência.Paralelamente, trabalhei como professor com a Ivonete, sua irmã, com a Maria Helena, sua esposa, hoje escritora, produtora de maravilhosos livros de Literatura Infantil.

       Os anos foram se passando, ele morava ao lado da casa do pai, fazia "churrasco de coxão mole" para a turma da família. Muitas vezes, cozinhavam uma dúzia de ovos na água para o Deputado Gilson dos Santos (o Gilson comia uns 6 e o Zeca, irmão dele, um pouco menos"), que sempre os visitava e é amigo dos que restaram ainda hoje. Os ovos eram fornecidos pelo Forlin, que trazia numa cesta junto com queijos). Numa saleta, Ivo nos recebia, a família sempre por perto, a Dona Iracema nos trazendo um delicioso cafezinho, cujo odor delicioso flutuava no ar e ir dispersar-se lá na rua. Ali nos reuníamos com pesas pesados da polpitica catarinense, como os ex-Governadores Esperidião Amin, Vilson Keilubing e Raimundo Colombo. 

       Os anos se passarm, perdemos a Ivonete, minha comadre, a Ionice, o seu Ivo e a Dona Iracema, e, há um ano, no dia 27 de fevereiro, o Ivoney. Eu estava em Florianópolis, ligaram-me noticiando-me da perda dele, primeiro o César Prando, depois meu irmão Hiroito. Eu estava num consultório odontológico.  Liguei para o Hélio Bazzo, fui ligando aos amigos, não tinha como voltar. A tristeza tomou conta de nós e dos que o conheciam, pois ele havia estado pouco tempo antes num supermercado fazendo compras, e quando ia almoçar, teve um mal súbito e faleceu. Posso asseverar aqui que a pessoa que mais o considerava e que muito sentiu a perda, tanto como seus filhos,  esposa e irmã, foi o primo dele, Rogério Baretta. Eram muito ligados, seempre o foram. 

       Agora, passado um ano, estamos vivendo problemas relacionados à pandemia do novo coronavírus, perdemos muitos amigos e nem sequer podemos abraçar seus entes queridos. Mas as boas lembranças do Ivoney, as conversas que tínhamos aqui em Joaçaba, ali perto do antigo BESC, quando ele trazia a filha Fernanda para trabahar em suas atividades médicas, estão presentem em mim.  Ele me falava da Losartana Potássica, de coisas que nós, madurões entendemos um pouco... Era amigão, assim nos tornamos, havia muita  amizade entre as famílias Riquetti e Baretta com as famílias Dambrós, Maestri e Bazzo. 

       A vida se nos apresenta assim: Vivemos nossa infância num grupo social, na adolescência alguns se mudam, na juventude nós acabamos nos mu

dando ou se mudam os amigos, na vida adulta vamos reencontrando alguns ou refazendo novos.  Pessoas entram em nossa vida pela porta da frente, nos conquistam, viramos amigos de verdade e, lamentavelmente, os perdemos... Ficam as boas lembranças, os sorrisos verdadeiros, a verdadeira amizade. Obrigado, Ivoney, por termos sido, mais que colegas de trabalho, verdadeiros amigos. Que tenha muita paz onde estiver. 


Euclides Riquetti

Plantarei flores por você

 

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Plantarei milhares de flores por você
Das mais lindas cores pra você gostar
Plantarei rosas brancas e mesmo  rosé
E outras champanhe para lhe encantar.

Plantarei dálias, beijos e margaridas
Gerânios bordô e cravos matizados 
Antúrios e gérberas em casas floridas
Flores nos jardins e terraços rosados.

E, se de alguma delas eu me esquecer
Por alguma razão, não por vontade
Replantá-las-ei com imedível prazer
Apenas para agradar  Sua Majestade!

Euclides Riquetti