quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

De Nossa Senhora dos Navegantes, Padroeira de Ouro SC

 


 


 





Anualmente, em 02 de fevereiro, após procissão
pelo Rio do Peixe, os fiéis veneram Nossa Se-
nhora dos navegantes, na Praça Pio XII, em
Ouro - SC




          Em 02 de fevereiro várias cidades do Brasil e de Portugal comemoram o Dia de Nossa Senhora dos Navegantes. Isso  acontece em Pelotas, Porto Alegre  e Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina, destaque para Navegantes e Itajaí,  e para algumas praias. Em Salvador, na Bahia, é venerada como Yemanjá, a Rainha do Mar. No bairro do Rio Vermelho, 350 embarcações estarão participando de uma procissão e milhares de oferendas sendo jogadas ao mar. Se foram devolvidas, é porque não foram aceitas. Se o mar as levar, Yemanjá as aceitou.

          No Rio de Janeiro há grande reverência à Rainha do Mar em toda a orla marítima. Estas são as referências mais badaladas anualmente. Contudo, outras cidades pequenas, de menos visibilidade, também veneram a  Santa que está no coração de tantos e tantos. Para os católicos, Nossa Senhora dos Navegantes. Para os umbandistas, Yemanjá.

          Acompanho Nossa Senhora dos Navegantes desde minha infância. Em janeiro de cada ano, meu pai começava a preparar seu bote para ajudar na procissão que costumava acontecer no Rio do Peixe. Ele e os amigos gostavam de trazer a imagem vinda desde proximidades da Ilha, na antiga SIAP, pelas águas do Rio, até o valo que abastecia de água a usina hidrelétrica da família Zoréa, ali abaixo da barragem de pedras. E isso se repete até hoje. É uma magnífica procissão fluvial, ao anoitecer. Um belo show pirotécnico a recebe quando chega, em sua comitiva, próximo à ponte, onde é retirada das águas no portinho da família Costa, seguindo pelas ruas  Giavarino Andrioni,  Guerino Riquetti e Felip Schmidt, até a Praça Pio XII, onde acontece a Santa Missa. Lembro que o Sr. Olivo Zanini era um dos que sempre estavam ali esperando para ajudar a levar o seu andor.

          Padroeira do Município de Ouro, é venerada pela população, que, no dia que lhe é consagrado, feriado, costuma aglomerar-se por sobre a Ponte Nova, na ligação com Capinzal, para presenciar a chegada da imagem que foi esculpida em cedro na década de 1980, pelo escultor Paulo Voss, que residia no Bairro que leva o nome da Santa. Nos dias anteriores, celebra-se um tríduo nos bairros da cidade, em preparação para o dia culminante.

          Diz-nos a História local que o balseiro Afonsinho da Silva, logo após a Guerra do Contestado, construiu um pequeno capitel à margem direita  do Rio do Peixe, colocando uma imagem para sua proteção, próximo ao passo. Contudo, na enchente de 1939 as águas levaram a imagem mas, tendo implorado pela sua ajuda,  foi atendido, salvando-se num momento muito adverso, quando achava que isso já era impossível. Então, adquiriu outra, em Caxias do Sul, que acabou na primeira capela construída, aos fundos da atual Prefeitura e, depois, na esquina da Rua Formosa com a Pinheiro Machado. Atualmente, a imagem esculpida é exposta num belo capitel, na Praça Pio XII.

          Há pelo menos três  fatos que me marcaram a presença da Santa em minha vida: A primeira vez, na metade da década de 1980, eu estava em casa ouvindo no rádio as preocupações  em relação à estiagem que vinha ocorrendo e pensando em Nossa Senhora dos Navegantes. Lembrei que o amigo Reinaldo Durigon, que aniversaria no dia 02 de fevereiro, e era muito devoto dela. De repente, escuto um bater de palmas, é o Durigon vindo a minha casa, coisa que nunca havia acontecido antes. Adivinhei o que seria: veio propor-me realizarmos uma procissão, mexer com a imagem da Santa que, dizem, ajuda a movimentar as águas. Organizamos uma procissão levando a imagem desde a matriz, em Capinzal, até o Seminário, em Ouro, e logo depois choveu.

          Na segunda vez, a estiagem assolando nossas plantações, todo mundo desesperado e pedindo uma procissão para que chovesse. Aguentamos mais uma semana, até o dia 02, quando montamos um palco para celebração em cima de um caminhão do Ivo Maestri, na ponta do canteiro central, próximo do comércio de sua família. Bem na hora do Evangelho veio uma chuva tão intensa que todos foram abrigar-se embaixo das marquises das lojas. A Eliza Scarton trouxe uns guarda-chuvas  para o Frei David continuar a celebração. Restaram somente o Padre e algumas abnegadas senhoras para ajudar. Poucos restaram para receber a comunhão e para os ritos finais...

          Numa oportunidade mais recente,  estava participando da Festa de São Paulo Apóstolo, na área de Lazer, em Capinzal, quando o Sr. Pingo, o Pingo das Cocadas, veio falar comigo, queria autorização para vender seus doces na semana seguinte, dia da Procissão, na Praça Pio XII. Estava a explicar-lhe que a responsabilidade do evento, naquele ano, era da Capela do Bairro Navegantes, liderados pelo Rovílio Primieri. Dizia-lhe que era para falar com ele, que eu concordava, e tentava mostrar-lhe onde se situava a casa do mesmo, apontando com o dedo, para que o Pingo o procurasse lá. Nesse instante, uma mão tocou meu ombro: era o Rovílio. Queria saber porque estávamos olhando para seu bairro! E já se entenderam ali mesmo. Coincidência, ou presença de Nossa Senhora?

          Essas são apenas as minhas histórias, mas há as de outros. A grande verdade é que as pessoas acreditam, firmemente, que Nossa Senhora dos Navegantes tem poder e domínio sobre as águas dos mares e dos rios. Tem poder de regular as chuvas. E ajuda as pessoas a se defenderam das incertezas dos mares da vida. Como Yemanjá ou como Nossa Senhora dos Navegantes, o fato é que ela tem um elevado número de adeptos no país, principalmente nas cidades litorâneas. Então, todos os anos, no Dia da Padroeira, as pessoas   se reúnem para render-lhes graças. E, se for em tempo de estiagem, para pedir por chuva...

Euclides Riquetti
Prefeito em Ouro - SC - de 1989 a 1992.
       

Dorme, dorme, menina!

 



Dorme, dorme, menina
Vive o sonho ali perto do mar
Pede a Deus a Sua bênção Divina
Pra que vele teu dormir e sonhar.

Dorme sonhando com anjos
Mas reserva um espaço pra mim
Escutando o coro de arcanjos
Secundados por harpas e clarins.

Enquanto eu rezo por ti, leio salmos
E orações que eu mesmo compus
Pra teus ânimos ficarem bem calmos
Também peço ao Menino Jesus.

Sempre eu torço para teu sucesso
Pra que consigas tudo na vida
Por isso mesmo é que eu sempre peço
Por tua saúde, e energia desmedida!

Então dorme, dorme, menina
Dorme o sonho e me deixa sonhar
É o poeta que tanto te estima
E que só quer te ver ali perto do mar!

Euclides Riquetti

Amor e versos, a única certeza...


 



Cada vez que escuto a  canção do  vento
Entendo porque as pessoas são diferentes
Indago-me se estou certo ou estou  errado
Livre é o meu, também é o seu pensamento
E não sei se estão certas todas as outras gentes.

Prefiro acreditar  que o destino foi traçado
Em linhas planas,  mas na terra arredondada
Riscado sem se saber por qual estrada
Ou por qual raio de sol se deve andar
Na busca por um porto sem se ter um mar.

Talvez seja maior o meu, o seu querer
Imagino quão difícil lhe deve ser.

Inspira-me a compor meus versos e canções
Nas noites estreladas e nas madrugadas
Sempre a imaginar dois belos corações
Presentes um no outro, as mãos dadas
Instantes de avivar nossas paixões...

Radiantes, alegres, sorrisos eternos
Almas cruzadas, vozes cativantes
Dias de turbulência, outros doces, ternos
Onde quer que esteja, sonhos consoantes
Rumos incertos, com pouca clareza
Amor  e versos, nossa a única certeza!

Euclides Riquetti

Dircinho - AA Iguaçu - o campeão de futebol que virou maquinista de trem!


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Dircinho, o ponteiro direito, agachado, com sua mão direita segurando a bola.
O Lourival, terceiro na fileira em pé, era aluno da Fafi e era conhecido como
"O Moço de Rio Azul"

Foto do Jair da Silva, o Kiko, ex-atleta da AA Iguaçu, que foi meu aluno de
Língua Portuguesa, no Científico do Colégio Cid Gonzaga, em 1976.


          Em 1975 terminei meu curso de Letras/Inglês na FAFI, em União da Vitória. No meu último ano de faculdade, também último de solteiro, morei na Rua Prudente de Morais, em Porto União (lado de Santa Catarina), próximo do Museu Municipal, mas no outro lado da rua, num casarão de alvenaria, antigo, agora já demolido. Acho que o número era "331".

         O almoço, fazia na Pensão da Dona Berta, num sobrado da Rua Sete de Setembro, ao pouco abaixo da Mercearia Glória. Anos depois, minha ex-aluna Dirlene Bonato (Hachmann), de Capinzal-Ouro, foi morar justamente na casa da Dona Berta para estudar. Ali eu formei um novo grupo de amigos: Mário, que era torneiro mecânico e trabalhava comigo no Mallon (Mercedes-Benz); e ainda Maciel, que viera de Wenceslau Brás, e Dircinho, cujo nome era Adilson. Maciel e Dircinho participaram de um concurso e eram "maquinistas de trem". Auxiliares ainda, mas com o tempo iriam virar maquinistas.  Haviam sido aprovados em concurso da Rede ferroviária e estavam recebendo treinamento na Vila Oficinas.

         Desenvolvi uma forte amizade com ambos. Eram educadíssimos. Pois um dia o Dircinho chegou para o almoço muito feliz: fora convidado para jogar pela Associação Atlética Iguaçu, time que foi fundado em 15 de agosto de 1971 pelo Coronel Ricardo Gianórdoli, comandante do 5BE. Era atacante.  Então contou-me sua história: jogara pelo Água Verde, fora campeão Paranaense de Futebol profissional em 1967. Eu lembro bem do time que foi campeão naquele ano, no Paraná, e que por fusão com outros se transformou no Pinheiros, até chegar ao Paraná Clube.

          Dircinho, que também atuou pelo Rio Branco, de Paranaguá, foi titular de imediato no Iguaçu. No primeiro jogo que o vi jogar, fez o gol do 1 a 0 contra o Maringá, no estádio do Ferroviário, em União da Vitória.  Fez vários gols pelo clube que jogava com uniformes nas cores azul, amarelo e branco. Mas foi colocado a trabalhar de maquinista nos trens que faziam o trecho entre União da Vitória e Marcelino Ramos. Transferiu-se para Herval D ´Oeste, aqui do outro lado do Rio do Peixe, cidade geminada com Joaçaba. Na época,  eu morava em Zortéa e vim visitá-lo. Foi uma alegria para mim revê-lo!

          Mas, com a desativação das linhas de trem, com a concessão da ferrovia para a América Latina Logística, ele sumiu daqui. Imagino que tenha sido transferido para outro local, como fizeram com muitos dos funcionários da Rede.

          A história do Dircinho sempre me encantou porque me pareceu muito interessante: um jogador de futebol profissional, que realiza um sonho bem diferente: ser maquinista de trem. E conseguiu!

          Ainda o encontrarei, espero, algum dia. Quem sabe que alguém que o tenha conhecido, ao ler meu texto, possa me ajudar!

Grande abraço, amigos Maciel e  Dircinho, onde quer que estejam!

Euclides Riquetti
12-07-2015

Há algo que brilha em ti

 






Há algo que brilha dentro de ti
E que vem até mim:
Inexplicável
Bonito
Adorável!

Há um transbordar de sorrisos
Um exalar de alegria
Sonhos antigos
Que nos dão nostalgia.

Uma saudade agradável
Numa manhã chuvosa
Um sentimento afável
Uma pele cheirosa
Num corpo saudável
Uma alma deliciosa...

Que vêm de ti
E que chegam a mim.
E que me contagiam suavemente
Envolvem minha alma
Meu corpo
Minha mente!

Euclides Riquetti

Nas quentes noites do verão

 



Nas quentes noites do verão

Bate a insônia e voltam as lembranças

Um saudosismo dos tempos de criança

Ou do amor vivido em tempos de paixão

Nas quentes noites de verão!


Nas manhãs ensolaradas do verão

Os dias parecem muito promissores

Florescem as rosas de todas as cores

E me trazem tanta recordação

As manhãs ensolaradas do verão!


O entardecer dos dias quentes de verão

Quando muitos se refrescam nas águas do mar

Outros têm apenas a opção de trabalhar

Para ter almoço, janta,  café e pão

E assim vão indo as tardes quentes de verão!


Euclides Riquetti

01-02-2024




Se não fosse o porém...

 


 

Se não fosse o porém...


Se não fosse o porém

Haveria, certamente, um mas

E, se não houvesse o além

Não haveria nada!


Todavia, poderia haver um entretanto

Ou, quem sabe, um contudo

E, se houvesse prantos

No entanto

Haveria um olhar alegre e agudo!


Então, assim, sem muitas responsabilidades

Vou bagunçando versos 

Sem muito nexo.

Mas, minhas adversativas

Minhas conjunções preferidas

Deixo-as aqui

Pra ti!


Porque meus poemas

Não precisam ser entendidos

Nem meus dilemas

Devem ser compreendidos.

Apenas me importa

Que você os leia!

E o que me conforta

É que na praia há areia...


E, que quando eu nela pisar

(E isso eu quero, sim)

Estarei bem mais perto de você

Bem assim!


Euclides Riquetti

Dublê em entrevista: Coisa de loucos! (Aconteceu em Capinzal)

 


 



          Quando voltei para passear um casa, num  feriado de 1972, fui à missa na Matriz de Capinzal, no domingo à noite. Depois, era ir ao Cine Glória, comprar um pacotinho de pipoca do carrinho do Gigi Gramázzio, e pegar um filme. Era o costumeiro programa de domingo. Formava-se uma extensa fila defronte ao cinema, todo mundo querendo comprar ingresso na mesma hora. Os mais espertos, já compravam o seu na sessão do sábado, para não se preocupar no domingo.

          Aquele domingo foi muito especial para mim, pois minha amiga Eloí Elisabete Santos, hoje Eloí Bocheco, escritora, colega na literatura, convidou-me para fazer uma das leituras da celebração. Deveria ler uma daquelas duas leituras que precedem o Evangelho, podia escolher a que quisesse. Tremi um pouco, mas procurei encorajar-me, pois sempre fora muito tímido. Teria de haver uma primeira vez. E eu não podia desapontar aquela bela e prendada colega, que cursava o Segundo Grau, recém inventado.

         Foi minha primeira leitura em público. Até uma freira veio conversar comigo, perguntou se eu sempre lia em missas, se eu queria fazer parte de um grupo litúrgico  formado por jovens. Agradeci, disse que não moarava mais na cidade. Eu era muito envergonhado, pois na escola sempre riam de mim quando eu lia. Mas aquela encarada ajudou-me a perder o medo, e já li milhares de vezes em público. Devo isso à Eloí, agora ela sabe!

         Tendo visto e ouvido minha leitura, após a missa,  vieram  o Márcio "Pimba" Rodrigues  e o Vilmar Nêne Matté e me fizeram uma proposta meio doida: O Arabutã tinha obtido uma bela vitória em Joaçaba, contra um time de lá, não lembro se o Comercial ou a ABCLESC e o Tio Pé, centroavante, tinha feito dois golaços. Queriam que eu desse uma entrevista dublando o Tio Pé para o programa de esportes  da Rádio Clube de Capinzal.

          Achei que isso era uma loucura, que as pessoas iriam ver que não era a voz dele e isso não ia dar certo. Argumentei também que eu não tinha visto o jogo, não sabia como foram os gols, etc. etc. Até me propus a dar uma orientação ao jogador, se eles me antecipassem as perguntas. Eu faria um treinamento com ele e era melhor uma entrevista fraca concedida pelo verdadeiro protagonista do que uma razoável respondida por um dublê. E os convenci a arrumarem outro dublê, mas ninguém aceitou esse desafio e acabaram eles mesmos, na segunda-feira, falando sobre a façanha do Tio Pé, filho do falecido Pé-de-angico.

          Pior que isso, somente aquela história que cotam sobre um jogador do Inter, o Claudiomiro, que costumava dar suas entrevistas recheadas de gafes. Uma vez, tendo jogado contra o Clube do Remo, no Pará, disse a um repórter que estava muito contente por ter jogado em Belém, a terra onde Jesus nasceu. Outra vez, escolhido melhor jogador em campo e tendo feito um gol, agradeceu à equipe esportiva de uma rádio de Porto Alegre por tê-lo escolhido como o melhor em campo, em especial por terem lhe dado uma "caixa de brahmas da Antáctica"...

Euclides Riquetti
22-02-2013

Minhas rosas já estão sofrendo

 


                                        O sol impiedoso queima as folhas, mas a rosa resiste!

Minhas rosas já estão sofrendo

Com a força do sol inclemente

Outras plantas estão fenecendo

Preciso cuidá-las simplesmente.


Planto rosas com todo o carinho

Com o mais natural fertilizante

Com suas pétalas e seus espinhos

Dou-lhes meu afago confortante.


Quando aparecem os seus botões

Que se abrem em coloridas rosas

Elas encantam todos os corações

São como as damas mais formosas. 


Quando os perfumes são exalados

Espalham-se por ruas e avenidas

E entre perplexos ou encantados

Animam todos a ir tocando a vida!


Euclides Riquetti

01-02-2024







Sinto, em ti, o sabor da uva madura

 


 





Sinto, em ti, o sabor da uva madura
Há, em ti, a energia do sol dourado
A força que brota do vinho tinto
A destreza de um animal alado
Um anjo de docilidade e formosura.

Sinto, em ti, o calor das areias do deserto
A calmaria da nuvem embranquecida
O perfume do lençol bem limpo
O aroma da baunilha  amarelecida
E o frescor do intenso vento do inverno.

Vejo, em ti, a agilidade de uma andorinha
A singeleza e a esperteza de uma criança
A beleza e a realeza da princesinha.

Então...
Reúno todos os teus predicativos
Os teus sabores e a tua energia
As qualidades, todas em harmonia
Todos os melhores dos adjetivos
Para te dizer, com toda a alegria
Que me inspiras no meu dia a dia!

Euclides Riquetti

Quando me disseste adeus

 

 




Quando me disseste adeus, eu não acreditei
É tudo brincadeira...
Foi o que pensei
Mas com o passar do tempo
Bagunçou meu  pensamento:
Onde foi que eu errei?

Quando me disseste adeus, eu não pedi por quê
Estavas me deixando...
Não sabia que te perder
Iria me abalar tanto
Mas para meu espanto
Foi grande o meu sofrer!

Ora, porque somente agora
Descubro que és a musa
Dos versos das canções
De hoje e de outrora?

Ora, porque eu não percebi
Que eras minha luz
A minha inspiração
Que deixou-me e foi embora?

Então, depois que compreendi
O meu amor por ti
Só te peço que me dês o teu perdão
Eu  só peço que tu voltes
E que nunca mais me soltes
Que venhas me trazer teu coração!

Euclides Riquetti

O sol da noite escura

 


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O sol da noite brilhou de repente
Intensamente
Depois  foi embora
Suavemente
Com seus raios transparentes.

Ele veio apenas para clarear os espaços
Pavimentar a avenida do amor e da paixão...

Foi o amor-sol que brilhou
E que me aliciou
Dentro de seu coração
E que me guiou até  seus braços.

O sol da noite escura  se fez sol de prata
E, no encanto da serenata
Brilhou!
Brilhou na noite como brilha no dia
Por pura magia...

O sol da noite
Forte, magnânimo
Reenergizou o meu ânimo
E fez rebrotar em mim plantinhas que estavam amedrontadas.

Agora, pedir que nossas almas sejam reconfortadas
Iluminadas pelo sol da noite
E por Deus abençoadas!

 Euclides Riquetti

Será que os deuses estão loucos?

 


 







Espere um pouco
Observe o tempo
Ouça o lufar do vento
Será que os deuses estão loucos?

Pare e fique olhando
Olhe bem o sol dourado
O céu de anil azulado
Nuvens brancas flutuando.

Então, por que tanto venta?
Se já vem novembro
Foi-se o outubro nevoento
E o dia não esquenta?

O mundo está  solto
Jogado no espaço infinito
E meu coração em conflito
Acha que os deuses estão loucos!

Euclides Riquetti

Na madrugada silente

 


 




Na madrugada silente


Perco-me, em pensamentos, na madrugada silente

Nas profundezas insólitas da meditação

Os redemoinhos fazem girar minha mente

E mergulho nas indefinições de minha imaginação.


Atiçam-me os pensares de minhas lembranças

Voltam-me ao radar tantas coisas já vividas

Da maturidade, juventude, adolescência e infância

Uma ampla e confusa dimensão a ser compreendida.


Papel, lápis e caneta, ou o insensível computador

Instrumentos de meus registros poéticos constantes

Também são meios de cantar a vida, cantar o amor.


Corpos, almas, abraços, beijos ou ruas bucólicas

Jamais haverá um depois,  se não tiver havido o antes

Não haveria asfaltos sem antes obras melancólicas...


Euclides Riquetti

Feche bem seus olhos

 


 





Feche bem seus olhos
E escute a música do vento
Ouça a canção do firmamento
Com seus olhos bem fechados...

Fecha bem seus olhos
E veja que cenário bonito
Com anjos cavalgando no infinito
Com seus corcéis alados...

Veja quantas coisas interessantes
Você pode ver
Com seus olhos fechados
E seu sorriso acalentado.
Veja o sol e as paisagens verdejantes
Sim, você pode ver...

E perceba que, muitas vezes
Com seus olhos bem abertos
Brilhantes, castanhos  e despertos
Você não vê nada!

Porque a gente vê somente aquilo que quer
Aquilo que não depende de termos olhos ou não
Como sente sua divina alma de mulher
Como sente meu frágil coração!

Então, feche bem seus olhos!

Euclides Riquetti