quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Enquanto eu chorava...


 



Quando a chuva parou de cair no telhado
E já era bem de tardinha
Restava o ar fresco e o chão molhado
A calçada lisa,  e a graminha
Suspendia as pétalas que caíram com o vento...

E elas se misturavam com as folhas já castanhas
E se confundiam com meus sentimentos
E com meus pensamentos
Nas horas tristes e estranhas...

E uma melancólica melodia vinha
De algum lugar
Para pousar
Em meus ouvidos e na pele minha!


E eu divagava...
Andava, em trenós ou andores
Eu, meus anseios e minhas dores
Eu, meus devaneios e meus desamores
A escrever-lhe meus versos
E a espalhá-los no universo
Enquanto eu chorava
Quando a chuva parou de cair!

Euclides Riquetti

A canção da tarde

 


 



Quando a canção da tarde de sol  chegou até mim
Trazendo-me  os acordes das ondas espumantes
E o verde  das águas turbulentas  fundiu-se no anil
Divaguei em sonhos de amor, em desejos extasiantes
Que saíram para se perder  sobre o mar sem fim.

Quando as crianças sorriram seus sorrisos florais
E, sentadas na areia, construíram seus castelos
Com suas mãos delicadas e movimentos magistrais
Me contagiando com seus olhinhos ternos e singelos
Eu vi você presente em seus rostos angelicais.

Quando o balanço das  marés replainou as areias
Também apagou os versos que nelas eu houvera escrito
E meu poema foi espalhar estrofes para as belas sereias
Que se refugiam nas águas do largo  oceano infinito
Que na noite se ilumina com a luz das tímidas candeias.

Euclides Riquetti

Pra Dama do Mar!

 





Ao som das estrelas

Apenas sonhar

Se é impossível vê-las

Apenas imaginar

Mas bom seria tê-la

Minha Dama do Mar!


De Alpha e de Centauro

Do Cruzeiro do Sul

Da noite ou dia claro

Céu cinzento ou azul

Em meu imaginário

O seu corpo grácil e nu...


Dama do Mar revolto

Eu só quero te acudir

Beijar o seu pescoço

Sentir o seu doce sorrir

Dar a você o meu corpo

E o seu possuir!


Filinto

11-12-2024



terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Versos ao vento...

 


 



Versos jogados ao vento
Desprotegidos e desconexos
Versos jogados ao tempo
Que flutuam dispersos...

Versos sem rimas e sem consequências
Palavras escritas sem consentimento
Jogadas ao vento...
Estrofes escritas sem alma, sem nenhum sentimento:
Apenas palavras e versos solteiros
Sem um poema hospedeiro
Sem endereço certo
De um poema perdido nos caminhos do universo...

Versos procurando sentido e razão de ser
Versos procurando quem os queira ler
Mas tu não os vês
E ninguém  os lê.

Versos órfãos de autores e de leitores
Que, no anonimato
Escrevi e te mandei
Que se desintegraram dos meus sonetos
E de meus poemetos
Mas que teimam em te  procurar
Nos caminhos do vento!

Euclides Riquetti

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Roubaram-me os versos

 

 



Roubaram-me os versos
Roubaram-me os versos e minha alegria
Na noite docemente enluarada
Roubaram-me as estrofes, o poema inteiro
Em que eu falava,  com nostalgia
De minha doce amada...

Roubaram-me os versos das redondilhas
Também os de meus alexandrinos
Do último ao primeiro
E minhas declamações ficaram maltrapilhas
Empobrecidos meus instintos libertinos...

Roubaram-me a expressão de meu lirismo
Tiraram-me a tela, a tinta e o pincel
Jogaram os meus clássicos num abismo.

Só não conseguiram me tirar o pensamento
Que mesmo sem caneta e sem papel
Permite-me expressar meus sentimentos.

Euclides Riquetti

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Desenhei teu coração na areia

 



 

Sobre um Pioneiro do Oeste Catarinense - crônica histórica

 



 

 Antiga Rio Capinzal - foto de arquivos pessoais do Dr. Vítor Almeida

          Já me referi ao cidadão José Waldomiro Silva, que nasceu no interior de Campos Novos, em 21 de junho de 1902, na fazenda do avô paterno, Jordão Francisco da Silva. Silva é um exemplo de pessoa simples, que deu a volta por cima, que podemos considerar um vencedor, com méritos. Um menino de fibra, que tornou-se um homem de fibra, um líder incontestável. Exerceu, em sua vida,  mais de uma dezena de ocupações. O menino que, aos 12 anos,  ajudava a defender o povoado de Rio Capinzal empunhando uma Winchester 44, mesmo pobre, conseguiu, pela sua maneira simples a carismática de ser, eleger-se duas vezes prefeito de Joaçaba e duas vezes Deputado Estadual. Mas sua biografia vale mais pela maneira como conduziu sua vida simples mas de sucesso do que pela carreira política.

          Aos sete anos mudou-se para as proximidades do Rio Pelotas, poróximo da hoje Zortea e em 1910 a família foi para Rio Uruguai, ali próximo de Marcelino Ramos. Acompanhou a chegada da linha férrea, sendo que seu pai vendia carne para os trabalhadores da mesma. Ficaram pobres depois que revolucionários que vinham do Rio Grande do Sul passaram pela propriedade da família e saquearam seus bens.  Viu a construção da ponte sobre o Rio Uruguai, ligando Santa catarina ao Rio Grande, em Marcelino Ramos.

          Em seu livro, "O Oeste Catyarinense - Memórias de um Pioneiro", ele conta toda a história de sua vida, com riqueza de detalhes sobre a construção da estrada-de-ferro, a enchente de 1911, o assalto ao trem pagador pelo grupo liderado por Zeca Vacariano e Manoel Francisco Vieira. Em 1912 foi  morar em São João do Triunfo (Paraná), voltando, em 1914, aos 12 anos, para Rio Capinzal.

          Sobre essa época,  faz uma minunciosa descrição do centro de Capinzal e dos acontecimentos de então,  sobre os conflitos entre os revoltosos do Contestado e os homens da madeireira Lumber. Conta sobre o acampamento de 500 soldados de uma Força Federal que ficaram acampados nas proximidades da estação Férrea de Rio Capinzal, para guarnecê-la,  na época. Interessante é saber que, naquele tempo,  a área situada à  margem esquerda do Rio do Peixe, chamada Rio Capinzal era ligada por uma balsa de Afonsinho da Silva à do lado direito, o então Distrito de Abelardo Luz, onde havia somente a rua central povoada, e hoje se localiza a cidade de Ouro, que pertencia ao Paraná, enquanto que a outra, Rio Capinzal,  pertencia a Santa Catarina.

           Vale muito a pena conhecer as descrições e narrações de José Waldomiro Silva, pois foi uma testemunha presencial dos conflitos em nossa região contestada.

          Das descrições em seu livro, citarei uma que julgo importante para todo o capinzalense conhecer, às páginas 21 e 22:   "O nome de Rio Capinzal se originou do seguinte fato: Segundo voz corrente na época, o fazendeiro-proprietário das terras de Capinzalo, de nome Antônio Lopes, cuja fazenda de campos e matos fazia fundos com o Rio do peixe na barra do rio que levou o nome de Capinzal. Para fazer pastagens e invernar suas criações, fez grande desmatação à  margem do Rio do peixe, da barra do lajeado ali existente, acima e, depois da queima, semeou capim melado ou capim gordura, cuja semente trouxe de São Paulo, para onde viajava seguidamente com tropas de muares que vendia em Itapetininga, tendo assim formado uma grande pastagem (capinzal)"

          Em 1917, quando da criação e instalação de Cruzeiro, no povoado de Limeira (hoje Joaçaba), eles foram morar ali, onde exerceu diversos ofícios, inclusive o de balseiro. Em 1921, morou em Rio do Peixe (Piratuba), depois em Irani, e voltando para Limeira 9Joaçaba), ao final de 1924 para exercer a função de Escrivão de Paz. No ano seguinte, foi para Itá como cartorário, voltando a Limeira em 1927.

         Em suas memórias, José Waldomiro Silva fala da Revolução de 1930, da Construção da Ponte Emílio Baungharten, entre Joaçaba e Herval, sobre a passagens dos comboios de trem, sobre a fundação do Clube 10 de maio, de Joaçaba, sobre a morte do pioneiro de Treze Tílias Andreas Thaler, sobre a fundação do Município de Concórdia, o Tiro de Guerra, a enchente de 1951, e outros fatos marcantes.

          Em 1947, já aposentado, foi morar em Ponta Grossa, mas foi convidado a voltar a Joaçaba para concorrer a Prefeito, tendo sido derrotado por oscar Rodrigues da Nova. Fez sua campanha montado em lombo de cavas emprestados pelos seus correligionários, visitando as fazendas de Herciliópolis e Irani.

            Novamente candidato, foi eleito Prefeito de Joaçaba, assumindo em 31 de janeiro de 1951, ficando até 1954, ano em que se elegeu Deputado estadual, sendo o mais votado do Estado, reelegendo-se em 1958. E, em 1960, elegeu-se novamente Prefeito de Joaçaba, vencendo ao jovem Paulo Stuart Wright por uma diferença de apenas 9 votos. Ao final da década de 1960 foi morar em Florianópolis e em 1987 lançou o seu livro de memórias.

           José Waldomiro Silva foi propriamente um cigano. Nas cidades onde morou frequentou escolas do antigo primário, mas sua evolução na escrita veio em razão de tê-la praticado muito na atividades cartoriais. Seu livro de memórias nos traz muitas informações valiosas, incluisive citando os nomes dos primeiros moradores dos povoados onde residiu. Vale a pena ler!

Euclides Riquetti
14-09-2013

Me dê um motivo...

 



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Me dê um motivo decente
Apenas um, qualquer que seja
Mas algo que me convença
Que não me quer, nem me deseja...

Me dê um motivo plausível
Uma prova incontestável
Para algo tão impossível
Que não seja refutável...

Me dê um motivo sério
Algo que possa ser aceito
Não quero nenhum mistério
Talvez seja meu defeito...

Então, apenas me dê um motivo
Um argumento bem forte
Talvez seja algo proibido
Ou apenas falta de sorte...

Apenas um..
Apenas isso...
Não é nada demais!

Euclides Riquetti

Te quero (E NÃO TENHO NENHUMA DÚVIDA DISSO!)

 





Te quero e não tenho nenhuma dúvida disso
Deixei-te isso bem claro, já faz muito tempo
És dona de meu corpo e do meu pensamento
Sou um poeta, apenas, sempre a teu serviço!

Te quero muito e nada há que possa me mudar
Digo-te agora, já te disse antes e ainda direi
Em ti me inspiro, em ti sempre me inspirarei
És um bom motivo por quem viver e sonhar!

Te quero e creio que também tanto me queres
E isso é tão verdadeiro como existe a terra
Te espero e acredito que também me esperas...

Te quero e conto que me digas se tu me quiseres
Isso é o que há de melhor da condição humana
Te esperamos eu, a noite e minha alma profana.

Euclides Riquetti

Feche os olhos

 


 

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Feche seus belos olhos e navegue
Viaje pelos mares da ilusão
Feche seus  olhos distantes  e imagine
Estar trilhando os caminhos da paixão.

Feche seus olhos e pense, pense
Busque voltar para seus tempos de criança
Traga  tudo  do passado até o presente
E veja se eu estou em suas lembranças.

Se você notou-me um dia,  estarei entre os demais
Resgatado de um passado bem  remoto
Então,  valeu-me esperar, eu e meus ais
Ou não me passei de um pobre  moço, assim  ignoto?

E agora, poeta e sempre sonhador
Resta-me eternizar você em meus  pobres  versos
Viver as ilusões, propagar cantos de amor
Espalhar os meus poemas pro universo.

Euclides Riquetti

Para te acariciar, ficar bem perto de ti.

 


 


Para te acariciar, ficar bem perto de ti...

Chuva cai e o vento sopra bem forte

Peço que me dês teu belo sorriso 

Plenos são teus sonhos quando dormes

Vejo neles o teu rosto róseo e lindo.

Antes da madrugada quero estar ali

Para te acariciar, ficar bem perto de ti.


Abrigas-me em teus firmes braços 

Cada vez me apertas e me beijas mais

Tudo é excitante em teu gostoso abraço

Trazendo-me o teu amor, desejo e paz. 


Nas estrelas desta noite assim enluarada

Amo imaginar-te colada em mim, perdida

Nas ruas que me levam até tua morada

Adoro ir imaginando-te nua, despida

Nas curvas de teu corpo ficarei perdido!


Euclides Riquetti

Beijo com sabor de uva rosada

 


 




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Beijo com sabor de uva tardia
Na tarde quente e ensolarada
Beijo de verdade, nada de utopia
Beijo com sabor de uva rosada.

Beijo com sabor de uva, beijado
Sabor sorvete gelatto napolitano
Beijo com o frescor, adocicado
Beijo de amor caliente e profano.

Beijo com abraço e carinho
Desde que com sabor de uva
Ou então com sabor de vinho
Mesmo que na noite de chuva.

Beijo com ardor e com abraço
De mergulho, gozo e perdição
Beijo pra aliviar meu cansaço
E volver meu poema em canção.

Mas sempre com sabor uva
Uva de mesa, rosada!

Euclides Riquetti

Num poema, no brilho do luar

 


 



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Olhe para o universo vasto e estrelado
Contemple a beleza deste nosso céu
Olhe para o teto imenso e enluarado
Que se veste  com este santo véu.

Olhe para a beleza do medalhão prateado
Que compõe o cenário que nos cobre
Olhe todo este mundo santo e encantado
Que nos presenteia com seu retrato nobre.

Olhe, intensamente, para nunca mais esquecer
E marque cada canto de nosso belo espaço
Guarde, carinhosamente, enquanto você viver.

Abra sua janela, busque-me em algum lugar
Receba, com toda a paixão,  meu carinhoso abraço
Que lhe mando num poema, no brilho do luar.

Euclides Riquetti

Muito mais que flores

 


 



Quero abraçar-te na manhã discreta
Beijar teus lábios, doce namorada
Poder dizer-te de forma direta
Que meu coração de escritor poeta
Pensou em ti durante a madrugada.

Quero escrever-te versos alinhados
Colocar romance nas palavras ditas
Poder dizer dos sonhos projetados
Que são aqueles por nós esperados
Pra nossas almas sempre tão aflitas.

Quero sentir-te em  noites prateadas
Pousar no telhado de nosso castelo
Voar com asas brancas emplumadas
Andar nas nuvens das manhãs douradas
Botar amor no teu amor singelo.

Quero sonhar os sonhos mais bonitos
Amor eterno, firme e  sem temores
Fazer poemas longos, belos e  infinitos
Viver o amor sem riscos ou conflitos
Dar-te carinho muito mais que  flores.

Euclides Riquetti

É na madrugada que me encantas

 



É na madrugada que tu me encantas

Que navego em teu perfume sedutor

E, quando, depois, tu te levantas

Escrevo-te este poema com amor.


É de madrugada que eu respiro

Os ares da mais intensa paixão

Em ti eu me deleito, eu me inspiro

Entrego-te minha alma e o coração.


É de madrugada que eu rezo por ti

E peço a Deus pela tua proteção

Eu te amei desde a hora em que eu te vi

E te trago em minha vida desde então.


Foi em todos os dias de minha vida 

Foi em todos os poemas que eu te fiz

Foi nas flores que cultivei e ainda

Cuido de preservá-las hoje e aqui!


Euclides Riquetti

10-12-2024