quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Nuven cinzenta

 


 

 



Não quero ser uma nuvem cinzenta
A confundir teu pensamento
Quero apenas diluir-me no firmamento
Vagar na atmosfera turbulenta.

Não quero ser apenas um relâmpago
A rabiscar a infinita escuridão
Apenas ser a relva a cobrir  o chão
Aparando a chuva que vem em cântaros.

E, mesmo no pisoteio dos passantes
Restar amassada para ressurgir
E, feita uma fênix emergir
Liberta do peso dos pisantes.

E, sorvendo a energia do sol que haverá de vir
Dizer-te: Vem e pisa em meu coração
Só não mates minha grande paixão
O grande amor que guardo dentro em mim...

Por ti, pra ti, para ti!

Euclides Riquetti

Corres contra o tempo

 

 



Corres contra o tempo, invariavelmente

Sobes montanhas e desces por abismos

As marcas do tempo te açoitam fortemente

Não há mais tempo para novos heroísmos.


Não haverá de desabar esta tua fortaleza 

Nem ruirão os castelos que construímos...

Se ainda conservas teus traços de realeza 

Os singelos hinos hão de ressoar contigo.


Poetas notívagos, por onde andais agora

Por quais galáxias navegais no firmamento

Por quais caminhos vos afastais embora?


Ah, musas que me inspiram, como poderei

Retribuir o que fazeis ao meu pensamento

Ao bem me feito que me torna um Rei?


Euclides Riquetti

Montes ondulados

 


 

Montes ondulados


Montes cingem a vasta imensidão

Indo em direção àquele verde mar 

Rompendo as barreiras da solidão

Inimagináveis são os rostos a sonhar:

Amada minha de todos os dias e horas

Mais do a rosa que rubra  aflora...


Com as lembranças de um passado 

Ando a poetar-te os meus versos

Rendo-me ao teu corpo moldado

Mais do que me entrego ao universo...

Irradias o teu sorriso leve de luz

Guirlanda a enfeitar sonhos dourados

Noites de frescor que nos seduz

Até que os anjos de olhos matizados

Nutram tua alma com seus bálsamos.


Pois que venham dias claros ou incertos 

Pra me trazerem o afago de tuas mãos

Pra que eu te sinta sempre aqui por perto

Alma com alma, coração com coração

Sou teu amor e te quero tanto, tanto

Juro-te o amor pra teu encanto. 


Euclides Riquetti

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Na agenda fugaz do tempo...

 

 




                    
                                                                                       Foto: A. Canela Castela

Na agenda fugaz do tempo...



Caminhos por nós percorridos não mais se repetem
Quando nós não quisermos que eles se repitam
Perdem-se na poeira e na agenda fugaz do tempo:
Amizades voltam como vem e como vai o vento.
Fascinam-nos os corações agitados que palpitam
Doem os corpos cansados quando doem as almas
Catalisam-se as dores agudas nas noites calmas
Plena harmonia vem nos sonhos que se refletem.

Pagam-se os pecados quando não forem perdoados
Sorriem os rostos das antes moças, agora senhoras.
Toadas antigas invadem as casas pelas janelas
Paz contagiante vem das flores suaves e singelas
Fazem-nos lembrar dos belos dias, das boas horas.
Sei de teu amor, de teus abraços, tudo foi desejo
Provas de amor que me oferecem teu gostoso beijo
Materializam-se em versos com cuidado forjados.
Primores que escrevo, bela, apenas para te encantar
Cantados pra ti na solidão da praça, ou na beira do mar.

Doces lembranças me fazem sentir doces saudades
Prazerosamente, elas me reanimam e me deleitam.
Talvez que nossos caminhos possam ainda se cruzar
Vales e montanhas que os raios de sol os enfeitam.
Mais do que tudo, na vida, triunfam as verdades
Suaves notas das canções que te chegam  pelo ar:
Mares, oceanos e imensidões suscitam emoções
Alimentam-nos para a vida, nos reacendem paixões.

Euclides Riquetti

www.blogdoriquetti.blogspot.com 

É tudo como se o tempo voltasse

 

 






É tudo como se o tempo voltasse...

Como se virássemos as folhas dos calendários

Como se os anos nunca  tivessem passado

Como se o nosso tempo tivesse parado

E não se contassem os aniversários!


É como se as ruas já não fossem as mesmas

Como se o asfalto não tivesse as pedras cobrido

Como se os nossos rostos não envelhecessem 

Como se antigas flores ainda florescessem 

E o papel de meus poemas não ficasse amarelecido...


É como se os adultos tivessem ficado jovens

E os ventos nunca tivessem açoitado os rostos

Como se ninguém tivesse tido desgostos

Se o mundo tivesse sido "love- desire- love"

E as fisionomias não se alterassem!


É como se o tempo voltasse...

E as horas não passassem

É  como se as ruas ainda não fossem regulares

Como se ainda trabalhássemos nos mesmos lugares

E você me visse passar...

E eu me lembrasse de você!


Euclides Riquetti

Nas ondas do sonho

 


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(Tainá Hinckel, na Guarda do Embaú, onde mora,
litoral de Santa Catarina)

Nas ondas do sonho


Nas ondas do sonho
Ganhei  teu abraço
Um beijo gostoso
Um olhar carinhoso
Depois do cansaço...

Nas ondas do sonho
Enrolaste-me em laço
Entreguei-me de todo
A teu corpo cheiroso
Perdi-me em seus braços!

Mulher carinhosa
Na tarde de verão
Na tarde gostosa
Me atacas fogosa
Roubas meu coração.

E nas ondas do sonho
Me levas embora
Com teus beijos de fogo
De amor e de gozo
Me levas, senhora
Me levas embora.

E eu
Por minha própria vontade
Me deixo levar!

Leva-me
Para algum lugar
Onde possas me amar
E me fazer sonhar.
Leva-me
E não me deixes voltar!

Euclides  Riquetti

Meias brancas, de algodão

 

Imagem relacionada



Você, com meias brancas de algodão
Meias de cano curto, com elastano
Delicadeza nos pés que tocam o chão
Que atiçam meu imaginário profano!

Você, com seus pés bem protegidos
Pisando na calçada fresca e limpa
Tênis brancos para os pés esculpidos
Ressaltando a pele de bronze retinta!

Você, com seu ar jovial, provocante
Desfila na passarela dos meus sonhos
Me encanta com seu jeito elegante
Anima-me nos dias mais enfadonhos!

Você, com suas meias acolchoadas
Com os pés devidamente acomodados
Com sua beleza de mulher idealizada
Que atrai meu pensamento provocado.

Você, apenas você e mais ninguém
Inspiração de meus versos e escritos
Ser singular a quem quero tanto bem
Corpo perfeito, olhar doce e bonito!

Euclides Riquetti

Quando se douram os trigais

 



 

 
 

 
Quando se douram os novos  trigais
Fica primavera na minha alma
Quando se esverdeiam os laranjais
Deles brotam as  flores mais  alvas.

Quando se azulam as águas cristais
E correm em direção aos  oceanos
Penso em dias que não voltam mais
Que se somaram em meses e anos.

Quando o caminho fica  extenso
E o porvir fica bem  menor
Olho pro meu passado e penso
Se o que me aguarda será melhor.

Não posso deixar tristes as manhãs
Nem as tardes perderem o sentido
Minhas noites jamais serão vãs
Jamais  serei um poeta exaurido.

Quando se douram os novos trigais
É meu recomeço, minha nova energia
É a força que volta cada vez mais
E me dá ânimo, luz e alegria.
E eu aqui,  pensando em você...

Apenas em você...
E em nada mais!
 
Euclides Riquetti

Porque o mundo gira...

 


 





Porque o  mundo gira, as coisas se transformam

Nascem crianças, pessoas partem, vão embora

Velhos geram o novo, é assim que se comportam

Os elementos naturais, e a natureza se revigora.


Vão-se os seres, mas ficam todas as suas histórias 

Vêm os outros, outros ainda, e há quem os suceda

Cada um deixa um legado, exemplos e memórias

Em nosso mundo abençoado, viva a nossa natureza.


Nasce a estrela na noite, de dia há o sol que doura

O verde colore florestas, os anjos cantam risonhos

O trigo vem no inverno, faz verdejante a lavoura.  


No verão a uva madura e depois um vinho gostoso

A tintura que embriaga, que alimenta meus sonhos

A paz a nos fortalecer, a tornar o mundo venturoso.


Euclides Riquetti

Se eu digo "te quiero"...

 


 








Se eu digo "te quiero"
É porque, realmente, te quero
E porque te espero
Pra te dar meu carinho
Pra me colocar no teu caminho
Porque, simplesmente, TE QUERO!

Te "quiero mucho"
Sim, muito te quero
Nos dezembros e janeiros te espero
Eu e meu inefável carinho
Imaginando você no meu caminho
Porque, realmente, TE QUERO!

But, if I´ll  say:

I want you
I wait for you
Because I like you
And I hope (that)
You´ll like me too.

Truly, I love you too!

Euclides Riquetti

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Na manhã de amanhã

 


 

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Na manhã de amanhã
Vou abrir a janela do meu quarto
Vou abrir as portas de meu coração
E, sem nenhum lapso
Vou lembrar de o quanto foi bom
Ter conhecido você
E poder me lembrar de você
Na manhã de amanhã...

Na manhã de amanhã
O sol vai brilhar o brilho discreto
E eu vou compor um poema modesto   (pra você...)
Na manhã de amanhã!

Na manhã de amanhã
Depois que as horas da noite tiverem passado
Vou pretender que o novo dia chegado
Me traga os odores das flores silvestres
Que crescem em meio aos ciprestes
Que eu mesmo plantei
E que cresceram e me dão sombra
Nas tardes quentes
E também na manhã de amanhã...

Na manhã de amanhã
As estrelas já estarão escondidas
E muitas almas já estarão arrependidas   (por você...)
Na manhã de amanhã!

E, então, na manhã de amanhã
Todas as almas serão perdoadas
E todas as esperanças estarão renovadas
Porque vem um dia e virão outros ainda
E nós precisamos viver a vida
Porque o tempo passa enquanto dormimos
Enquanto sonhamos e ouvimos
Canções de anjos vestidos de branco
Canções de ninar e acalanto
Que nos animam para uma nova amanhã!

Sim, na manhã de amanhã
Vamos celebrar, com toda a alegria
A chegada de um novo dia    (com você...)
Na manhã de amanhã!

Euclides Riquetti

Pendure atrás do fogão - crônica de memórias


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          O fogão a lenha ainda é um equipamento de cozinha indispensável nas casas das pessoas que hoje estão na condição de semi-idosas ou já inclusas. Principalmente nas de quem não reside em apartamentos.

          Os fogões, aqueles esmaltados brancos com estampas de flores bem coloridas, bem tradicionais, das margas Geral, Marumby, Wallig ou Venax,   estiveram presentes na história de nossas famílias. Deles, tenho belas lembranças, principalmente da casa de minha madrinha Raquel, no Leãozinho, ou da Nona Baretta, na Linha Bonita, em minha casa e nas das tias, no antigo Rio Capinzal. As panelas grandes, de alumínio, fervendo o leite, ou no preparo do arroz quebradinho ou da macarronada. As de ferro,  para o cozimento do feijão e  as carnes. A polenteira, pesada, presente também. Algumas famílias tinham uma composição tão numerosa que precisavam de duas dessas polentas no almoço para saciar a fome após a lida da manhã. Os queijos, os salames, as copas, as bacias de saladas, principalmente os radicci.

          Um grande caixão para a lenha, com tampa, situado atrás do fogão, onde as crianças gostavam de ficar para menterem-se aquecidas nas frientas manhã de nossos invernos. Era disputado, mas os pais o reservavam sempre para os mais pequenos. E, de vez em quando, um susto, quando o vapor da água elevava a tampa da panela e, em gotas caía sobre a chapa muitas vezes avermelhadas pelo calor...

          Minha mãe conservou um até o final de sua vida. Nós, aqui em casa, também tivemos o nosso, mas já abolido desde que as crianças cresceram.  Porém, o que me faz retornar a ele não é a sua utilidade como o principal componente da cozinha, em tempos que as pessoas não tinham geladeiras e nem fogões a gás.

          Lembro dos arames esticados atrás dos fogões, fixados com pregos na parede angular, de madeira. E ali penduravam os uniformes para que secassem e as crianças pudessem ir para a escola devidamente paramentadas. Outras vezes, punham dois peçados de lenha no forninho e sobre eles um par de calçados, para que secasse e no outro dia pudessem ser usados...

          E há até lembranças que me fazem rir: uma vez minha irmã Iradi, professora na escola em Linha Pocinhos, colocou uma gravura de uma cozinha no quadro-negro. Estava ensinando  os alunos a fazerem uma descrição. E, uma aluninha, hoje uma respeitável senhora, escreveu: "Atrás da bunda da moça tem o fogão". Nada mal se os malandros não tivessem apelidado de "fogão" o traseiro dos homens.

         Também  histórias muito tristes foram protagonizadas diante desse histórico equipamento, com pessoas levando queimaduras que as marcaramou que lhes tiraram a vida...

         O fogão a lenha é um objeto que está caindo em desuso, gradativamente. Mas há muita gente herdando o costume de tê-lo e vão continuar utilizando-o. Alguns já substituíram a lenha por um dispositivo a gás que aquece a chapa. Mas, aquele brilho saindo da porta do fogão, ou aquele cheirinho da cinza da gavetinha sob a grade da combustão das lenhas, nunca será esquecido.

         Não importava para as crianças se suas roupas ficassem impregnadas de odores de fumaça ou de frituras.  Quem ligava para isso? O importante era não passar frio e no outro dia ir para a escola de uniforme e com calçados secos. Além disso, no inverso, tomar mate doce e comer aquele pinhão delicioso cozido sobre a chapa aquecida. E, todos sabemos, a comida que a mamãe ou a nona fizeram nos fogão a lenha era muito mais gostosa, não era?

          E o seu, era de que marca? De que cor? Tinha flores estampadas? Como era o caixão da lenha? Qual a marca: Geral? Marumby? Wallig? Venax?

          Você pode ter esquecido da marca, mas não esqueceu, certamente, das roupas penduradas atrás dele...

Euclides Riquetti
30-03-2013

Feridas no coração

 



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Feridas no coração

Dores que não se acalmam
Vêm de feridas no coração
Que rapidamente se espalham
Causando angústia e aflição...

Dores vêm por algum motivo
E nos causam muita tristeza
Quando atacam um ser vivo
Trazem o sofrer e a incerteza.

Dores, é melhor nunca tê-las
São como pedras em desertos
Jamais serão luas ou estrelas
Nem me inspirarão os versos!

Dores, delas é difícil livrar-se
Pois dissabores elas nos dão.
Como de sofrimentos afastar-se
Se há dor em nosso coração?

Euclides Riquetti
27-12-2015

Pecado é não querer amar alguém


 






Pecado é não querer amar alguém
É vestir-se de conceitos e preconceitos
É não querer amar de nenhum jeito
É não querer entregar o coração pra ninguém.

Pecado é não  mais querer  sonhar
É dizer que perdeu sem ter perdido
É não perceber se venceu ou foi  vencido
É não mais querer ter o direito de me  amar.

Pecado é frear a beleza de sua  vida
É anular-se diante de todos os desafios
É vegetar enquanto o mundo anda e gira

Pecado é  olhar ao lado e não me encontrar
É não ver como correm as águas em nossos rios
É fingir não me querer, não me sentir, não desejar...

Euclides Riquetti

Ama, verdadeiramente, quem te ama!

 










Ama, verdadeiramente, quem te ama
Quem te ama, quem te respeita, quem te quer
Ama, verdadeiramente, quem te chama
Quem te chama e te valoriza como mulher.

Observa cada gesto, cada palavra que te chega
Não te iludas com promessas e  devaneios
A dor pode vir junto, sem que se perceba
Inserida nas falas  falsas  e nos vis galanteios.

Ama, verdadeiramente, o que julgares certo
Aquilo que é ditado pela tua intuição
Não procures longe o que pode estar bem perto.

Ama quem possa te trazer felicidade 
Aquele que pode ser filtrado  pela tua razão
Que te oferece amor, carinho, lealdade!

Euclides Riquetti