sábado, 9 de julho de 2022

A música das flores

 

                                                                 Créditos: Nísia Digital

A música das flores

Me convida pra dançar

A valsa das cores

E há perfume no ar...


A tarde da harmonia

Me convida a sonhar

E a sensorial sintonia

Contagia o bailar...


Os cantos angelicais

Invadem o meu ser

E os sensos naturais

Me motivam a viver...


Então eu te convido

Estou te chamando

Vem dançar comigo

Estou aqui esperando!


Euclides Riquetti

09-07-2022











Homenageando Alcedir Michelotto, o Kiko da Saúde - que deixa saudades...

 



       Nosso sábado amanheceu triste. Os passarinhos estavam emudecidos, as flores estavam tímidas, o sol acabrunhado e tímido. Recebemos a notícias da perda, ontem, do amigo Alcedir Michelotto, o Kiko, motorista do Serviço Municipal de Saúde do município de Ouro, SC. Trabalhei com ele por mais de duas décadas, viajamos muito em companhia, criamos uma verdadeira e sincera amizade entre nós. Mesmo depois que saí do Ouro, encontrei-me muitas vezes com ele. Tanto aqui em Joaçaba como lá no Ouro.

       Recentemente, encontrei-o nas imediações da garagem municipal, em Ouro, e ele disse-me que estava aposentado, mas que não se sentia muito bem. Há pouco mais de três anos, teve problemas muito sérios e sofreu intervenções que pudessem livrá-lo de algumas comorbidades. Com a saúde um tanto debilitada, estava muito triste, pois teve que afastar-de do trabalho.   Kiko deixa a esposa, Giovana,  e duas filhas, Carolina e Camila. Foi sepultado no cemitério do Distrito de Barra do Leão, município de Campos Novos, localidade onde nasceu e ainda moram seus parentes.

       O Kiko era muito querido pelos moradores do Bairro  onde morava, Nossa Senhora dos Navegantes, e também pelos seus colegas de trabalho e toda a comunidade ourense. Sua atuação na Saúde, o respeito e a dedicação aos pacientes que transportava, o bom trato e entendimento com os colegas de trabalho,  possibilitaram que formasse uma legião de amigos. Era, por conseguinte, respeitado e admirado por todos. 

      Nas vezes em que viajei com ele para Florianópolis, sempre revelou-me grande preocupação com a esposa e as filhas. Temia que, se algo acontecesse com elas, acabassem de alguma forma desamparadas. Tinha uma família organizada e com uma boa estabilidade, mas havia o termor de que viessem a ficar desprotegidas se algo acontecesse com ele. As mesmas preocupações, ele dividia com seus colegas de trabalho. 

       O Kiko foi um cidadão exemplar, um servidor público responsável e dedicado, um esposo e pai que merece o reconhecimento dos familiares. A dor é infinita, o sentimento de perda relevante, a conformação se distancia. As orações serão muitas, as saudades restarão marcantes e doloridas. A família perdeu um ente querido e nós perdemos um grande amigo. Amizade verdadeira, sentimento de perda, vazio no coração. 

       Giovana, Carolina, Camila, e demais familiares, tenham a certeza de que Deus o recebeu com seus braços estendidos e uma legião de anjos o saudou, efusivamente, com os mais belos hinos celestiais. 

       Descanse na Paz de Deus, querido amigo Kiko!


Euclides Riquetti e Família

09-07-2022


A paixão que entorpece

 



A paixão que entorpece
É aquela que inebria
O amor que incandesce
É aquele que delicia...

A volúpia que atiça
É aquela que entusiasma
Mas como areia movediça
Engole o que não se acalma...

O sangue que corre quente
É aquele que enrubesce o rosto
A saudade do amor ausente
Faz padecer a alma e o corpo...

A vida mundana
É aquela que embriaga
A atitude profana
Nos expõe e nos deprava...

O pecado cometido
É o que nos faz pedir perdão
O beijo proibido
Vale mais que um  milhão.

O teu olhar fatal
É aquele que me atrai
Tua beleza descomunal
É o que em ti mais me atrai...

O canto que enternece
É aquele que gosto de ouvir
A harmonia de cada prece
Me faz te querer, te sentir.

A distância abissal
É aquela que nos traz mais saudade
Nos mostra o sentimento real
Nos aproxima da realidade!

E minha realidade´
Posso dizer, nada me afeta
A não ser uma grande verdade:
Tenho alma de poeta!

Euclides Riquetti

O amor que flutua no ar...

 







O amor que flutua no ar
Vem embalar
Meus pensamentos e meus sonhos.

O amor que me acalma
Acalenta minha alma
Bane meus defeitos medonhos.

O amor vem cantado nas canções
Colado em sentimentos e emoções
Escrito nos versos das manhãs.

Mas, se não o alimentamos, vai embora!
Vai acampar em almas que não choram
E não se apega nas promessas vãs.

O amor é assim:
É um sentimento sem fim
Que procura um galho firme para pousar...

Ao contrário,
Vai navegar em outro mar!

Euclides Riquetti

O Reencontro de Jair Rodrigues com Simonal e Elis Regina - coisas lá do céu! - relembrando...


 




          O Jair Rodrigues também foi pro céu. Não é lá o lugar de destino de quem vai embora depois de ter feito o bem e de ter alegrado tanta gente? Chegou com o violão embaixo do braço, de terno escuro, camisa branca, gravata escura, distribuindo sorrisos. Saiu de Cotia no meio da manhã, foi levando seu sorriso jovial e alegre, uma sacolada de alegria. Nem deu tempo pra se despedir dos amigos. Difícil imaginar que alguém pudesse ir embora assim, de repente, sem se despedir de ninguém...  Foi recebido pelo Wilson Simonal. Nas décadas de 1960 e 1970 fizeram muito sucesso cá na terra. O Simona com seu Patropi. O Sr. Rodrigues chegou com seu sorriso largo, com sua voz rouca e bem característica, e foi disparando: "Prepare o seu coração... pras coisas que eu vou contar... eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão... e posso não lhe agradar!!!
         
          O coração do Simonal quase que parou de novo. Era muita emoção. O Simoninha chorou muito a partida do Jajá, deu pra ver no Jornal Nacional. O Velho Simona veio, rápido, ao encontro do amigão e foi um abraço que teve hora para começar e não para terminar, fervoroso! Depois Simonal ensaiou uns passinhos e lascou: "Moro... num patropi...!" E os dois começaram a dançar, pareciam duas crianças. Foi emocionante o reencontro. Relembraram de muitas passagens de sua vida, dos festivais, do Geraldo Vandré, do Chico Buarque, do Ronie Von, do Roberto Leal,  de muitos outros.

          "Jajá, vem mais aqui que quero te apresentar a um amigo. Este, conheci quando aqui cheguei, já estava morando na Estância de São Pedro..." E chamou um rapaz bem apessoado, o Tchule. Era assim que era conhecido o José dos Anjos, que foi baterista dos "Fraudsom", lá em Capinzal. O Tchule também foi habilidoso jogador de bola, esteve no Arabutã e no Vasco, lá na sua terra natal. Também foi zagueiro no Grêmio Lírio, no Zortéa!

          O Tchule se achegou, tinha  um papel branco da cor de seus dentes na mão morena, uma caneta Bic, sorriu muito e pediu um autógrafo. E o Jajá: "Vem cá, Negão!, vamos ser grandes parceiros aqui! Nem se preocupe, teremos muito tempo para autógrafos. E mais, vou te dar um bolachão, um dos primeiros LPs meus.  E os dois abraçaram-se, afetuosamente, fã e ídolo, agora companheiros na mais nova jornada, a da Vida Eterna.

             Jair Rodrigues começou a fazer sucesso em 1964, e foi  o primeiro cantor brasileiro a superar a venda de 1.000.000 de discos. Ganhou  muitos prêmios. A vida toda com a agenda cheia, e ainda a atenção necessárias aos filhos Jairzinho e Luciana, também cantores. Ele e a esposa Claudine Mello sempre fizeram o melhor pelos filhos.

            Simona e Tchule ajudaram levando a sacola e o violão, foram para o Departamento dos Sambistas, que se situa ao lado direito da estrada dos músicos, após o Departamento de MPB. Deste,  vinha uma melodia suave e uma voz cheia de ternura, bem familiar, bem  conhecida... Abriu-se  uma cortina de uma porta,  branca, cujos marcos eram adornados com véus dourados. Olhou,  discretamente,  e ouviu: "Os sonhos mais lindos, sonhei...!"  Nem parecia acreditar, era ela que estava lá, que veio com seu cabelo curto, jeito moleque, sorrisão, braços abertos, pronta para saudar o antigo companheiro de atuação na TV Record: Elis Regina!

          É impossível descrever os minutos que se seguiram. Apenas se ouvia um coro de aplausos que saíam das mãos enternecidas de milhares de anjos vestidos de branco, que aplaudiam o grande reencontro: Jair e Elis, agora, vão alegrar o céu.

Euclides Riquetti
08-04-2014

Tu tens a mim e eu tenho a ti!

 


 




Entrego-te meu corpo e minha alma
Sem ressalvas
Para que os uses
E abuses.
Reservo-me a parte negra,  e dou-te a alva...

E te ofereço  meus beijos
Que se perdem com os teus
Que satisfazem teus desejos
E os desejos meus
Os que se avivam agora e os que hão de vir:
Tu tens a mim e eu tenho a ti!

Entrego-te,  de olhos fechados
Meu coração flechado
Despido
Livre, ou
Atingido
Pelo cupido!

Entrego-me o que tenho de mais sagrado:
A parte de min´alma sem pecado
E fico com o lado carvão.
(O lado escuridão)!

Entrego-te o melhor de mim:
Entrego-te meus versos, minhas estrofes e meus sonetos
Os limitados e os perfeitos
Os livres e os alexandrinos
Que só têm um destino:
Dizer que tu podes ter a mim
E que eu posso ter a ti!

Euclides Riquetti

Porque ainda há o amanhã

 


                                           ( Foto deste momento, aqui em casa, Joaçaba - SC)


Porque ainda há o amanhã

E depois do Inverno vem a Primavera

Sentir o cheiro da cidreira, o da romã

O lembrar da vida como ela era...


Há o amanhã depois do hoje

E, depois,ainda um outro novo dia

Como se sabe, e como sempre se soube

Dias de fúria e outros de calmaria.


Voltará o normal no novo amanhã

E as pessoas rirão ao se encontrarem

Como faziam antes da era vilã

Já é hora de os bons ventos soprarem! 


Euclides Riquetti

09-07-2022



















Para as mulheres, carinhosamente!

 


Para as mulheres, carinhosamente:


             "A mulher foi concebida naturalmente tão perfeita, que se fosse uma árvore e perdesse as flores ainda continuaria charmosa; se perdesse as folhas,  tornar-se-ia  um corpo sublime; se perdesse os galhos, permanceria sendo mulher; se lhe tomassem as raízes, restaria como um anjo, divina,  flutuante, elegante, frágil mas  forte,  exalando  amor e esperando respostas. Almas não se destroem: recompõem imagens, corpos, seres. Mulheres serão sempre perfeitas. Mulheres serão sempre mulheres, acima de tudo. E de todos!"

Minha homenagem a você, mulher!

Euclides Riquetti

A maciez de tuas mãos

 



Quando toco a maciez de tuas mãos
E enlaço teus dedos longos e finos
Respiro fundo, são momentos divinos
Em que minha alma chega ao teu coração.

Quando  as sinto me fazendo carícias
Me mantendo vivo, firme e atento
Me deliciando em cada movimento
Me perco em devaneios e delícias.

Se  me tocas com tua leveza e magia
Ou se me acenas de longe a me sorrir
Teu gesto me anima e me contagia
Me entusiasma pelo novo que há de vir.

É bem assim: mãos de real divindade
Realeza que me encanta e motiva
Energia forte e altamente positiva
Minha luz e norte, minha felicidade.

Euclides Riquetti

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Mais do que ser poema

 




Mais do que ser poema

Mais do que ser canção

Ser a melodia suprema

Que te causa a emoção!


Forte como o carvalho

Elegante como pinheiro

Delicado como orvalho

Abençoado o ano inteiro.


Livre como a gaivota

Ligeiro como uma ema

Mas o que me importa

É viver sem problemas.


Amar por amar, amar-te

Em ti me perder perdido

Poetar, poetar, poetar-te

Nem que seja proibido!


Euclides Riquetti

08-07-2022









Nasci para ser poema, ser canção







Nasci para ser poema, ser canção
Vivi para ser poesia
Para te levar alegria
Afagar teu coração...

E, nascendo poema, cresci em versos
Nascendo poema, versos espalhei
E, pelas estradas onde andei
Deixei-te poemas dispersos...

Nasci para ser livre, voar
Com as asas de minha imaginação
E, em algum momento a emoção
Me fez por tua causa chorar...

Nasci poema, poema morrerei
Nasci poema, poemas escrevi
E neles, disse tudo o que eu senti
E, para ti, todos eles dediquei!

Euclides Riquetti

Aquele céu de final de tarde

 



Aquele céu de final de tarde é encantador
Tão belo como nosso amanhecer colorido
Parece um Deus  no firmamento esculpido
Ou desenhado com pinceladas de amor...

O céu de final de tarde do sábado de inverno
Até parecia ser de o de uma plena  primavera
Parece até aquele poema que eu lhe dissera
Parece  ser a descrição do pensamento eterno...

O céu,  que foi colorido pela mão Divina
Me transporta pela vastidão universal
Até sua alma que me encanta e que me anima.

É o nosso céu, céu de nosso mais belo sonho
Algo que nos aproxima, algo sem igual
É a descrição do amor em seu rosto risonho....

Euclides Riquetti

No dia em que você partiu

 




No dia em que você partiu, o sol se escondeu
Foi dourar outras paisagens distantes
Bronzear outras peles como já o fizera antes
Alegrar outros olhos azuis, verdes, castanhos...

O sino, que deveria anunciar alegria, entristeceu
E a tarde se fez tímida e triste e de pranto
Quando os anjos sobrevoaram Lírios do Campo
E lhe deram flores de tons vermelhos, de todo o tamanhos.

O passaredo sentiu a sua falta neste sábado de inverno!
Emudeceram-se,  repentinamente e encolheram suas asas
E lembraram-se de seu semblante triste e de sua alma branca
E da bondade que era exalada de seu coração.

E, ao chegar a noite, também chegou a chuva leve e franca
Para me lembrar  que você trilhou o caminho eterno
Onde todos têm belos jardins em suas casas
No longo caminho da imensidão...

Boa viagem!
Fique na paz de Deus também
Fique bem!

Euclides Riquetti

Ame... perca-se...

 


 

 


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Ame!
Perca-se, perdidamente
Entregue-se totalmente...

Derrube normas, regras e conceitos
Mostre suas virtudes e defeitos
Suas inquietudes, suas atitudes
E ame!

Dispa-se vivamente
Desnude-se completamente
Esqueça os que se importam com seus jeitos
E aplauda quem rejeita preconceitos:
Ame!

Jamais esconda seu olhar apaixonado
Não disfarce os seus  sentimentos
Em nenhuns  momentos
Apenas cuide daquele amor
Que a procura esperançado...

Quebre comportamentos
Rompa o silêncio
Mergulhe nos prazeres que lhe fazem bem
Ame, com suas forças, limites ou cansaços
Com seus lábios, com sua alma e seus abraços
Mas ame!

Ame nos dias de sol e nas noites estreladas
Naquelas que exaltei em prosa e verso
Nos dias de chuva e nas tardes acaloradas
Ame tudo o que existe no Universo:

Ame!

Euclides Riquetti

ANJO DE LUZ

 



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Um raio de luz riscou o céu na noite estrelada
Deixou ali um rastro, uma silhueta longilínea
Como que de seu corpo, a imagem desenhada
De algo muito  real, uma verdadeira insígnia.

Era uma luz poética, uma propulsão de versos
Que os poetas escrevem e distribuem nos céus
Era um corpo esbelto, com atributos diversos
Que porei em tela branca, da alvura dos véus.

Era um anjo de luz, um ser com alma e dores
Com braços, pernas, cabeça, olhos, coração
Era um anjo de luz divina, de múltiplas cores.

Era um risco no céu, vagando no meu espaço
Aquele que reservei para descrever toda a paixão
Inspiração para meu verso, o risco de um  traço!

Euclides Riquetti

Estou com vontade de dizer "te amo!"

 



Estou com vontade de dizer "te amo!"

Uma monossílaba e outra dissílaba 

Duas palavras com as quais conclamo:

Vem pra melhorar minha vida!


Euclides Riquetti

08-07-2022




Não quero ser uma nuvem cinzenta

 



Não quero ser uma nuvem cinzenta
A confundir teu pensamento
Quero apenas diluir-me no firmamento
Vagar na atmosfera turbulenta.

Não quero ser apenas um relâmpago
A rabiscar a infinita escuridão
Apenas ser a relva a cobrir  o chão
Aparando a chuva que vem em cântaros.

E, mesmo no pisoteio dos passantes
Restar amassada para ressurgir
E, feita uma fênix emergir
Liberta do peso dos pisantes.

E, sorvendo a energia do sol que haverá de vir
Dizer-te: Vem e pisa em meu coração
Só não mates minha grande paixão
O grande amor que guardo dentro em mim...

Por ti, pra ti, para ti!

Euclides Riquetti

Guarde todos os meus poemas

 


 


 


Guarde todos os meus poemas

Os poemas que você guardou, guarde-os bem...

Aqueles bilhetinhos escritos em papel branco

Ou em papel fino, já amarelado

Onde meus versos são mais sinceros e francos

Guarde-os todos, simplesmente!


Os poemas que você leu ou ouviu-me recitar

Os em que falo de flores, de musas e de mar

Os de alegria desmedida, de entusiasmo, de euforia

Até os em que me entrego à saudade e nostalgia

Pegue-os todos pra você,  guria!


Segure e guarde bem meus poemas criados

Pois têm um recado simples, mas importante

O futuro vem sempre depois do antes

Então, os meus versos brancos ou os rimados

Quero que deixe protegidos no coração guardados!


Sim, meus poemas são meu grande capital

Eles e as pessoas a quem eu mais amo

Tudo o resto terá apenas  o seu valor material

Passarão os dias, os meses, serão fugidios os anos

A vida é só um andar por um caminho natural. 


Então, guarde todos os meus poemas!

Euclides Riquetti

Zortéa - Tempos que não voltam mais

 




Vale a pena rever...

          Uma parte de minha vida, do início de 1977 ao final 1979, morei no Distrito de Zortéa, que pertencia ao município de Capos Novos. Lá eu convivia com três segmentos sociais distintos: Havia os professores e alunos da Escola Básica Major Cipriano Rodrigues Almeida; meus colegas de escritório da Zortéa Brancher S/A - Compensados e esquadrias;  e a turma do futebol, que atuava numa quadra de esportes com piso de cimento e no campo gramado do Grêmio Esportivo Lírio.

          Na condição de professor, eu atuava pela manhã e noite e, à tarde, no Departamento Financeiro da empresa, na função de controlar os débitos para com fornecedores e redigir correspondências. Traduzia as que chegavam do exterior e vertia para o Inglês  as que eram enviadas para o Reino Unido, Argentina, Haiti, Iraque, Arábia Saudita, dentre outros. E ainda emitia faturas pro-forma para a venda de compensados nas exportações. Foi uma época em que muito aprendi e muito me diverti. As pessoas, lá, eram muito felizes.

          Em 1978 a comunidade católica recebeu os Padres Missionários, com quem fizemos muita amizade. Havia o Padre Mantovani, que chamávamos de Gringo, era natural de Lacerdópolis, muito carismático, conseguiu envolver, com seus colegas, a comunidade local para a religião, para a busca do bem. E o envolvimento vinha com a escola, a família, a comunidade, e até a empresa, que realizava turnos de trabalho diferenciados de forma que os empregados pudessem participar das Missões.

          Bem, acabei envolvido de tal maneira que me tornei celebrante de cultos religiosos. Fiz isso durante dois anos. Mas, paralelamente, jogava minha bolinha, treinando nos finais de tarde e jogando aos sábados e domingos, preferencialmente futebol de campo. E, aí, me vem uma  história que me faz  rir:

         Marcamos um jogo  dos professores e maridos das professoras contra os alunos, para um domingo de manhã, às 10 horas. E, naquele domingo, era minha vez de celebrar o culto. Cheguei cedo à Capela, deixei meu fusca branco,  novinho,  estacionado "em ponto de bala" na estradinha ao lado dela, com meu kichutte na bolsa. Tão logo terminasse o culto, eu iria para o campo jogar.

          Fiz minha parte na celebração e quando eram nove e quarenta anunciei o canto final. E, enquanto cantavam, saí, liguei o fusca e desci para o campo. Jogamos alegremente, numa boa.

          Na segunda-feira, bem cedo, o amigo Darci Zílio, que era Ministro da Ecaristia, procurou-me: " O que aconteceu que você não deu a bênção final e saiu de  fuque,  sem terminar o culto?" Argumentei que eu acabara o culto, anunciara o canto e saíra para o jogo.

          O Darci me cai na gargalhada: "Seu maluco, você esqueceu de dar a bênção final!"  Todos ficaram um bom tempo esperando. Achavam que você tinha se sentido mal e saído às pressas. Como você não voltou,  eu mesmo dei a bênção!" Que vergonha!...

          Bem, há poucos instantes eu soube, pelo seu filho, Vanderley, via facebook, que o Darci já morreu há 8 anos...

          É, fiquei devendo uma pro amigo Zílio, que me ajudou naquela. Agora, é rezar um pouco pra que ele tenha a recompensa, lá em cima, por tudo o que sempre fez pelos amigos e comunidade de Zortéa.

Euclide Riquetti
20-11-2012

Sentimentos ocultos

 



 
Sentimentos ocultos, protegidos
Sutilmente velados e escondidos
Na manhã cinzenta
Sonolenta...

Imagens que se perdem na sintonia
Na sincronia do Universo
Sem um trilho aparente, sem um rumo certo.

A vida é mais que um sistema, um dilema
Um conflito abstrato
E uma bela mulher num retrato.

A vida é o encontro
Que repele o que está pronto
E que, ousadamente, corajosamente
Busca encontrar a felicidade autêntica
Na parceria idêntica
Com o sorriso de luz
Que a melodia da orquestra conduz.

É a água bebida
A energia absorvida
E a flor da rosa, do gerânio e do cravo
Lindo, másculo, que eu trago
Na lapela de meu casaco.

A vida condiciona os sentimentos
Coleciona os momentos
E adiciona elementos.

Sentimentos que você teima em esconder
E que não quer deixar que transpareçam.

Porque num outro ser
Há um delicioso querer
Há um desejar
Há um sempre buscar
Um desejo ardente... de buscar você!

Euclides Riquetti

quinta-feira, 7 de julho de 2022

Na noite dos enamorados...

 



Quando a super lua o céu prateou
Na noite dos enamorados
Quando o seu coração chorou
Por causa dos sonhos frustrados
O condor voou...

Quando você foi à janela espiar
Para ver o colorido do entardecer
E uma paisagem de beleza singular
Prenunciava o enluarado anoitecer
Eu fui sonhar...

Quando a super lua monopolizou
A atenção de toda a gente
Das pessoas a quem encantou
Com seu brilho fulgurante
Uma andorinha voou...

Voou pra levar um recado:
Foi pra dizer que em algum lugar
Vive um poeta inspirado
Que escreve poemas "de amar"
Pra você!

Euclides Riquetti

Num poema, no brilho do luar

 



   
Olhe para o universo vasto e estrelado
Contemple a beleza deste nosso céu
Olhe para o teto imenso e enluarado
Que se veste  com este santo véu.

Olhe para a beleza do medalhão prateado
Que compõe o cenário que nos cobre
Olhe todo este mundo santo e encantado
Que nos presenteia com seu retrato nobre.

Olhe, intensamente, para nunca mais esquecer
E marque cada canto de nosso belo espaço
Guarde, carinhosamente, enquanto você viver.

Abra sua janela, busque-me em algum lugar
Receba, com toda a paixão,  meu carinhoso abraço
Que lhe mando num poema, no brilho do luar.

Euclides Riquetti

Morando em República - Um bom modo de viver (Minhas histórias dos tempos de Porto União da Vitória)

 



Reprisei, porque me deu saudades...
          Morar em repúblicas de estudantes, principalmente quando se tem regras de convívio bem definidas e, sobretudo, quando as pessoas se entendem, é muito auspicioso. Posso falar disso de cadeira, pois morei numa dessas em plena juventude, em União da Vitória.

          Cheguei ali no final de fevereiro de 1972 e, após ficar três dias num hotelzinho, busquei uma pensão de custos compatíveis com minhas possibilidades. Encontrei a "Pensão Nova", ao lado da Prefeitura de Porto União, que de nova só tinha o nome. A primeira providência foi comprar um daqueles espelhos de moldura de madeira cor laranja, tão tradicionais, mais para ver minha cara de tristeza do que para corte de barba. Hoje, ainda fazem daqueles espelhos, iguaizinhos, só que com "soada" de plástico em vez de madeira.

          Os primeiros dias naquela cidade foram deprimentes. Ainda bem que as aulas começaram de imediato. Ia para a Fafi, ali na Praça Coronel Amazonas e, ao passar na frente de dois sobrados idênticos, visualizava uma placa" "República Embaixada do Sossego".  No térreo, depois, implantaram a lanchonete X Burguer. Imaginava que seria um sonho poder morar numa república, ter colegas e fazer amigos para conversar, trocar conhecimentos, viver alegremente. Lembrei-me de que em Capinzal havia uma, a dos funcionários do Banco do Brasil, e nela moravam, dentre eles, dois colegas e um professor meu: Valdir Marchi, Itamar Peter e Wolfgang Behling, o Professor Wolf. Este, era muito compenetrado em nos ensinar Matemática, sendo que ás vezes, distraído, colocava o giz entre os lábios e o cigarro punha entre os dedos, para escrever no quadro-negro.

          Meu sonho de morar em República tornou-se realizado graças ao Cabo Leoclides Frarom, meu amigo capinzalense que estava servindo no 5º BE.  Eu andava na calçada, defronte à Casa do Bronze, na Rua Matos Costa, quando passou uma viatura do Éxercito e escutei aquela voz conhecida que gritou: "Rua Professora Amazília, 408 - no Paraná" Passe lá amanhã! .  Fui!!!

          Veio o convite: "Quer morar conosco?" - Convite feito, convite aceito! Fui morar na "República Esquadrão da Vida", colegas muito leais e divertidos. Uma vez mandaram cartão de Natal com a mensagem:  "Nós, da República Esquadrão da Vida, neste Natal e Ano Novo, estaremos alertas e vigilantes" Era a senha  para sua proteção e o cumprimento natalino. 

          Já nos primeiros meses mudamos para o nº 322, da mesma rua. Morar quase 4 anos com a turma foi muito bacana! Quanto aprendi, quanto socializei-me! Primeiro, fui corrigindo minhas pronúncias erradas das palavras. Depois,  alguns hábitos. Minha parte Jeca foi ficando de lado...

          Fiz lá amigos que jamais esquecerei, pois muito me ajudaram: O Cabo  Dionízio Ganzala, que me deu suas chuteiras de presente e um livro de Inglês Básico. O Osvaldo Bet, que tinha já na época poucos cabelos, era faixa laranja no judô, e lá adiante conquistou a preta. O Cabo Backes, que era nativo do Lajeado Mariano, que num final de domingo, após um jogo do Iguaçu,  matou a galinha que a Dona Lídia criava numa gaiolinha e cozinhou sem retirar todas as penas, mas que matou nossa fome. O Evaldo Braun, que estava se despedindo, indo embora para São Paulo.

          Havia o  Aderbal Tortatto, da Barra do Leão, que trabalhava no Banco do Brasil, a quem chamávamos de "Pala Dura, o Impecável", porque se arrumava muito bem para ir encontrar-se com a fotografa de "A Fotocráfica", com quem se casou. O Tortatto, quando foi Cabo do Exército, atuava com jóquéi no final de semana para melhorar a renda... O Odacir Giaretta, marceneiro, palmeirense e coxa  fanático,  que tinha um sonho: Ser contador. Virou contador e foi montar escritório próximo ao estádio do Coxa, em Curitiba. E vieram o João Luiz Agostini (Milbe), que depois trouxe o Carlinhos, seu irmão. E o Eduardo, irmão do Osvaldo, que chamávamos de Betinho. O Mineo Yokomizo, o Japa, que me deu um sapato 39 (o meu era 42, mas usei mesmo assim...), trabalhava no Banco do Brasil, era meu colega de turma.O Francisco Samonek, que o Japa chamava de "Sabonete", ex-seminarista, do BB, agora lidera ações sociais na Amazônia. O Ludus, Luoivino Pilattri, de Tangará, era eventual e tocava violão.

         Mais adiante os cabos Godoy (de Caçador, Odacir Contini (de Concórdia)  e Maciel, também de Concórdia, com quem eu praticava meu Inglês. E o Cabo Figueira, que nos dias de temperatura abaixo de zero tomava banho frio, às 5 da manhã, para ter disposição durante o dia. E o Frei Guilherme Koch, parente do tenista Thomas Koch, parceir de Edson Mandarino. O Frei era Diretor do Colégio São José. Viera aprender como  era a vida real. O "Boles", cujo nome era Boleslau, que tinha um táxi, viera de Cruz Machado.  O Celso Lazarini, o "Breca" de Lacerdópolis, que fora  goleiro do Igauçu. O Celestino Dalfovo, o Funilha, que não gostava de enxugar os pés, era da região dos arrozeiros de Rio do Sul.

          E o Frarom  era nosso "Administrador", controlava as despesas da Mercearia, o ordenado da cozinheira, o aluguel. O convite dele foi muito bom, muou minha vida.

         Lá,  no Esquadrão da Vida, tínhamos uma geladeira que não funcionava. Tomávamos café preto da garrafa térmica, amanhecido, e comíamos pães franceses com margarina (cada um comprava a sua). Todos os dias tínhamos feijão, arroz e um ovo, mas seguidamente tínhamos bifes (um para cada um). De vez em quando saía uma limonada. Ganhávamos gelo para colocar no Q Suco e no Q Refresco,  da mãe do Neomar Roman (primo do Odacir Giaretta), que hoje é médico. Assistíamos às corridas do Emeron Fittipaldi na F1 pela janela. A mesma Senhora deixava a janela da sala dela aberta para vermos TV. Nos revezávamos em nossa janela para ver os "lances" da corrida. Ah, e no domingo, além de frango, tínhamos maionese... Que delícia, que mordomia! Como valorizávamos o pouco de que dispúnhamos!

          Foram esses, sim, os melhores anos de minha juventude. Ter morado com esses e  mais alguns, foi uma grande realização pessoal. Vivi, aprendi, vivi. Um bom modo de viver.  E há, ainda, muito para contar, oportunamente.

Euclides Riquetti
27-11-2012

O tempo passa, sutilmente... passa!


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Passa o tempo, sutilmente  passa
Passa pra mim e  pra você  também
Infelizmente, nosso tempo passa

 (E você não vem e não me abraça)
Rápido, mas quieto, ele vai além...

Passa pra mim e pra você o tempo
Manhã vem, tarde vai, noite vem mais uma vez
Passa o dia de sol, passa o cinzento

 (E eu caminhando só, eu no  relento...)
Caminhando e pensando em você!

Passa o tempo como passa a vida!
Passa e nos deixa seus sinais
Há a hora da chegada, a hora da partida!

 (A hora esperada, e a que quero esquecida...)
 E há aquelas que eu quero mais e mais!

Euclides Riquetti

Seus olhos entristecidos

 


 


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Navegam seus olhos fundos,  entristecidos
Buscando no horizonte algumas respostas
Talvez buscando entender alguns desatinos
Escrevendo o poema certo nas linhas  tortas.

Navegam seus olhos bonitos nas incertezas
Buscando entender os difíceis mistérios da vida
No rio que leva distante,  em suas correntezas
Histórias de traumas, de lutas,  confrontos e brigas.

Navegam seus olhos com medo de ver as verdades
Estradas que levam no tempo, na busca da cura
E trazem consigo lembranças e muitas saudades
Dos tempos de amor, de ilusão e aventura.

Navegam seus olhos e,  ao longe, encontram os meus
Despertos na espera do encontro que tanto desejam
Que aguardam  respostas que venham de dentro dos seus
Respostam que acalmem meu ser e também me protejam.

Eu olho seus olhos, seguro suas mãos e você nem me vê
Em pensamentos, desejos, pecados, pecados, desejos
Só quero sentir o perfume sutil que vem de você
E, se possível, roubar de seus lábios apenas um beijo.

Um beijo do amor sentido e não correspondido
Um beijo para não mais ser esquecido!
Um beijo meu
Um beijo seu
Nada mais!

Euclides Riquetti

Quando o vento soprar de leve...




Quando o vento frio soprar de leve
Balançando as cortinas suavemente
E a doce melodia chegar de repente
Para acariciar-te num sopro breve...

Quando o vento da manhã chegar
E acariciar teu rosto com a doçura
Acalmando tua alma branca e pura
Vais, certamente de mim lembrar.

Quando ouvires o triste lamento
Que o vento carrega de mim pra ti
Talvez perceba um ressentimento
Que não há como eliminar de mim...

Então nosso tempo já terá ido embora
E saberemos o que a vida nos toma
Ela que nos dá a subtração e a soma
Ele que se vai e nos deixa por hora.

Bem assim...

Euclides Riquetti

Loba Mulher

 



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Loba mulher dos sonhos cor-de-rosa
Loba mulher dos pensamentos que anuem
Dos lábios que me retribuem
Dos pecados que os meus diluem.

Loba mulher dos cabelos molhados
Desalinhados
Perfumados...

Loba mulher de cabelos e olhos encastanhados
Delicados
Encantados...

Loba mulher
Dos sonhos e encantos
Que provocam meus prantos
(Prantos nada santos...)

Loba mulher fervilhosa
Deliciosa
Dos sonhos azuis, dos sonhos cor-de-rosa:
Loba mulher!


Euclides Riquetti

Tempo de amar (Te amo!)

 


 


 




Tempo de verão, tempo de amar
Tempo de sentir, tempo de paixão
Tempo de viver, tempo de sonhar
Tempo de sorrir, chorar de emoção!

Meu verão  dos sonhos e dos sabores
Dos rostos risonhos, olhos brilhantes
O verão do sol dourado e das flores
Das tardes encantadas e dos amantes!

Vida de alegria, da natureza cantante
Vida de harmonia e das belas cores
Vida muito feliz, crianças saltitantes
Vida para viver paixões e amores!

Tempo de amar o amor verdadeiro
Tempo de sonhar os sonhos da gente
Tempo de beijar teus lábios faceiros
Tempo de me perder perdidamente!

Euclides Riquetti

Geração Jovem Guarda

 




Boas lembranças...reprisando!

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  Roberto Carlos, Vanderléa, Erasmo Carlos

  No início da década  de  60, o então jovem município de Capinzal, no Baixo Vale do Rio do Peixe, era composto também pelos territórios de seus distritos de Ouro, Dois Irmãos e Barra Fria. Em 1963, no dia 23 de janeiro, Ouro emancipou-se de Capinzal, abrangendo em seu território os outros dois distritos.  No mesmo ano, no dia 11 de novembro, concedeu emancipação aos mesmos, que se tornaram, respectivamente, Dois Irmãos e Lacerdópolis, sendo que o primeiro, adiante, passou a chamar-se Presidente Castelo Branco.

          Naquela metade da década, logo após esses acontecimentos políticos, surgia no Brasil  a Jovem Guarda, começando a aparecer  no cenário musical Roberto Carlos (o "Brasamora"),  Erasmo Carlos ( o "Tremendão") , Vanderléa ( a "Ternurinha"), Vanderley Cardoso (o "Bom Rapaz"),  Jerry Adriani (o "Coração de Cristal"), e Martinha, como principais expressões. Havia o Agnaldo  Rayol (o "Rei da Voz"), o Agnaldo Timóteo, que fazia sucesso com "Meu Grito", o Caetano Veloso, que adiante saiu-se bem com "Alegria, Alegria",  o Chico Buarque, com "A Banda", e o Ronie Von (o "Pequeno Príncipe"), com "A Praça". O Sérgio Reis, também da mesma geração, projetava-se com "Coração de Papel". Depois, virou cantor sertanejo. Havia outros, os preferidos pelos adultos, que nós, teenagers, chamávamos de "Velha Guarda".


         A Juventude e os teens curtiam muito as feras daquela hora, deixávamos os cabelos bem compridos, usávamos calças "boca-de-sino", uma camisas xadrez, de gola bem alta. As mulheres usavam "bomlon", arrumavam os cabelos à La Doris Day, e a charmosa Leila Diniz saiu para a praia grávida usando biquini, uma afronta aos costumes da época. Ah, leitor (a), tu deves ter sabido de todos esses acontecimentos, ou tomastes conhecimento deles algum dia. Foi uma época marcante de minha vida e da maioria de meus amigos.

          Pois bem, naquela época, o Colégio Mater Dolorum apresentava o seu novo e imponente prédio. Nós estudávamos lá, a sua quadra de esportes era um terrão com pedras, onde se jogava caçador e vôlei. Lembro bem que o colega Milvo Ceigol, irmão do Neivo, perdeu parte de seus dedos numa serra elétrica, na Marcenaria de seu tio Orestes Albino Fávero e, com os dedos cheios de mercúrio, gaze e esparadrapo, teimava em ser escalado para jogar vôlei. Depois, havia uma mesa de pingue-pongue, onde estrelavam a Vênus Siviero, a Marlene de Lima, a Ana Shiley Bragatto (agora Fávero, que quando perdia uma jogada esboçaba um sorrisinho delicado e afastava-se suavemente da mesa). Havia uma interna, a Rita, que era muito bonita, e que o pai a visitava de vez em quando, com um jipão. Os alunos de primário usavam calça de cor cáqui e camisa azul, as meninas saia e blusa dessas cores.  As alunas do Normal usavam saias bordô e camisas marfim. No Padre Anchieta, estudavam somente rapazes, camisa branca e calça azul. E a onda, na época, erta ouvier "iê, iê, iê". No ginasial, os rapazes no Anchieta e da garotas no Mater. É, não podia misturar menino com menina. E, no primário, quando alguém fazia bagunça, a primeira pena era ser colocado a sentar-se ao lado de uma menina.(Que humilhação, que vergonha...). E, os casos mais graves, eram levados para terem seu nome registrado no "Livro Negro" (Que medo!...). E diziam que os mais "fortes e disciplinados", iriam assinar o "Livro de Ouro". Nunca vi nem um nem outro, mas acho que existiam, não sei se sob as chaves da Irmã Marinela, da Irmã Fermina, da Irmã Terezinha. Esta, diziam que iriam dirigir a caçamba Ford, amarela, comprada para o transporte do material da construção do novo prédio. Mas o motorista acabou sendo, mesmo, o Lóide Viecelli.



          Enfim, nós, que vivemos e nos encantamos com nossos ídolos da época, também fizemos parte da história de nossas escolas, de nossas cidades. E, agora, espalhados pelo Brasil, vemos a geração que nos sucedeu buscando espaços também em outros países. Cada um vai fazer sua história onde acha que deve fazer. O mundo mudou mais do que podíamos imaginar. Mas as tecnologias permitem que nos aproximemos.

          É impossível esquecer de uma época tão boa de minha vida. E, certamente, também tua, leitor (a)!

Euclides Riquetti
15-06-2012