sábado, 12 de janeiro de 2019

Obra-prima




Pensei em produzir uma obra-prima
Algo que marcasse, que ficasse eternizada.
Quem sabe um poema com boa rima
Quem sabe uma foto envernizada.

Pensei em produzir uma obra-prima
Algo que ninguém houvesse ainda feito.
Podia ser uma escultura pequenina
Podia ser um monumento perfeito.

Pensei em buscar  uma obra-prima
Algo raro, quem sabe inimaginável.
Podia ser uma  composição divina
Uma ópera de lírica admirável.

Pensei, repensei, tentei, retentei...
Busquei tirar algo de minha inspiração
Fui longe, longe, mas sabes quem eu encontrei?
Foste tu, bem escondida...no fundo de meu coração!

Euclides Riquetti

Pés descalços


Pés descalços
Acariciam as calçadas
Abandonadas.
Corações em percalços
Com batidas descompassadas
Retumbam em almas maltratadas
Rejeitadas, mutiladas.

Pés nus buscam caminhos de luz
E pisam na relva umedecida
Adormecida
Sustentando o corpo que seduz.

O corpo que atrai
E que distrai
Furta meus pensamentos pecaminosos
Libidinosos...
E me mergulha nas águas
Me afoga nas mágoas.

Algo me atira às incertezas do momento
Que vaga lento, lento
Como a nau que vai
E se perde no infinito
Bonito...
Bonito, mas cheio de ruelas obtusas
Confusas
Como eu!

Euclides Riquetti

O crédito moral das pessoas de idade

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          É bem perceptível que pessoas jovens não deem muito crédito aos velhos. Velhos, sim, pessoas que viveram por muito tempo, acumularam experiências e,  com elas,  mais conhecimentos. O capital intelectual das pessoas é intransferível. A perda de gente que deixou marcas importantes no meio social onde atuou é sempre muito sentida. Não apenas os seus entes queridos, os mais próximos, lamentam e sofrem com as perdas definitivas. A sociedade sente muito quando isso acontece.

          Exemplos claros disso nos surgem quando se perde um ídolo. Foi assim quando perdemos o Ayrton Senna, naquele fatídico Primeiro de Maio, há 20 anos. Mesmo nas pequenas cidades, o desaparecimento de pessoas bem conhecidas e que têm uma boa folha de contribuições para com sua comunidade sempre é muito sentida. Nos últimos dias, um fato relevante foi amplamente noticiado e chamou a atenção dos brasileiros e até nos meios internacionais: Edson Arantes do Nascimento,  Pelé, o Rei do Futebol, foi internado numa UTI em razão de uma infecção. A situação agravou-se e o seu trabalho renal foi prejudicado, ficando em risco de morte.

          Felizmente, acabou melhorando e já foi liberado para continuar o seu tratamento em casa. Mas ficamos muito apreensivos com a possibilidade de perdermos nosso Rei.  Eu, particularmente, por ter convivido com ele um dia de minha vida, em 1989, quando de sua visita à então Perdigão Agroindustrial, em Capinzal, e pude constatar pessoalmente o quanto ele é educado e gentil para com as pessoas, mesmo as mais humildes, torci muito pela sua recuperação.

          Dia desses, num consultório médico em Concórdia, observava pessoas de idade avançada que buscavam avaliação cardiológica. Algumas vinham acompanhadas de filhos, de cônjuge, outras vinham sozinhas. Fiquei imaginando quantas pessoas assim existem por aí e precisam, elas mesmas, resolver seus problemas. Ainda bem que no consultório o tratamento dado a elas é de primeira qualidade, com as atendentes dando-lhes a devida e merecida atenção. Mas sabemos que não é em todos os lugares que elas são tratadas com respeito. Nós mesmos ajudamos uma senhora idosa  a tomar o elevador quando de sua chegada e na sua saída. Estava sozinha.... Lembrei-me de que sábado, em Alfredo Wagner, numa lanchonete à beira da BR 282, uma senhora que estava no carro da Saúde de um município, que voltava da Capital após tratamento, ao tentar pagar o cafezinho que havia tomado, recebeu a gentil informação da funcionária de que o café era cortesia. Uma pequena cortesia, acompanhada de um sorriso, tudo muito reconfortador.  São pequenos gestos, pequenas atitudes, que nos fazem acreditar que o mundo ainda vai ser melhor, mais humano.

          Pessoas muito simples, humildes, precisam ter o apoio de seus familiares, amigos e de quem de dever. Estes, os funcionários que trabalham no serviço público: saúde, serviço social, organismos de arrecadação tributária, principalmente. Também no transporte coletivo, quando estão lá na pracinha tomando um sol ou conversando com os amigos, quando precisam atravessar a rua. Quando precisam acessar a prédios através do elevador, passar suas compras nos caixas do supermercado e outras situações semelhantes, que você, leitor, conhece muito bem.

          Aprendi com meus pais e avôs que devemos respeitar os mais velhos. Há pessoas que defendem bem os animais ( e isso também é necessário, pois todo o

Ser que sente dor, seja  física ou emocional, precisa ser bem cuidado e bem tratado), e se esquecem do Ser Humano. É da constituição Brasileira que os pais ajudem os filhos na infância e estes os pais na velhice. Mas, sobretudo, devemos tratar a todos muito bem, dando-lhes proteção e carinho, independente da obrigação legal ou  não.

Euclides Riquetti

13-12-2014

Versos brancos e rosas vermelhas





Sorriem os cravos e as rosas vermelhas
Como se a primavera tivesse chegado
No primeiro dia de agosto,  ensolarado
Dia de sol, amor explodindo em centelhas.

Sorriem as dálias e as sempre-vivas
Sorriem também os lírios acanhados
Saúdam você , que busca em sua vida
Ver os seus sonhos todos realizados.

Sorri você o seu sorriso qual criança
O gentil sorriso do rosto e da voz que fala
Que você guarda desde a sua infância.

E eu escrevo versos nas pétalas macias
E tomo o vinho que me inspira e embala
Com as palavras que me contagiam.

Euclides Riquetti

Viver e ser feliz!


Medos
Segredos
Anseios
Devaneios!

Dizer
Ver
Crer
Viver!

Dizer segredos
Ver devaneios
Crer nos anseios
Viver  sem os medos.

Viver aqui
Viver ali
Viver em ti
Viver por ti.

Viver, viver, viver
Viver e acreditar
E poder dizer, dizer:
Perto de ti ... ficar, ficar!
Ficar, bem perto de ti, sem medo!
E ser feliz!

Euclides Riquetti 

Por que sinto saudades?



Sinto saudades porque minha vida teve bons momentos
Sinto saudades porque eu a sinto, simplesmente
Porque tenho um passado
Porque tenho um presente.

Sinto saudades porque sou um ser humano
E, por isso mesmo, tenho sentimentos
Sinto saudades porque,  na longa caminhada
Para chegar a este instante e a este lugar
Tive muita estrada a percorrer, muitos lugares por quais  tive que passar.

Sinto saudades porque já sonhei demais
E porque, sonhando, realizei aquilo que almejei, que desejei
Porque, lutando, tudo o que eu queria  eu conquistei
E, se houvesse sido frustrado, isso não me motivaria a sentir saudades.

Sinto saudades porque pessoas bonitas passaram em minha vida
Algumas se foram e me deixaram marcas e registros
E cada uma delas me deixou algo que me faz delas lembrar.

Sinto saudades porque tive uma infância bem vivida
Alegre, difícil, mas divertida!

Sinto saudades porque  a distância existe
Uma distância abismal ou temporal, mas existe
E, se houver distância sem haver saudades
É porque faltou-nos algo na composição de nosso ser.

Sinto saudades porque eu a sinto, simplesmente...
Sinto saudades
Muitas saudades... de você!

Euclides Riquetti

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Meus sonhos são teus e os teus são meus...



Meus sonhos são teus e os teus são meus
Descobri isso agora, não faz muito tempo
Teus sonhos são meus e os meus são teus
Não deixe que sejam levados pelo vento.

Quando meus sonhos aos teus se misturam
E, juntos, caminham na mesma estrada
Perceba que eles se fortalecem e maturam
Na busca da paz e da felicidade desejada.

Nossos sonhos se somam e se completam
São uma combinação harmônica e perfeita
Entre eles se degustam e se  locupletam.

Sonhar com você, simplesmente adoro
É o momento em que minha alma é refeita
Quando também me refaço e me enamoro!

Euclides Riquetti

Revisitando o Deus Negro

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          Não sei o porquê de hoje ter-me voltado à década de 1970, uma das mais produtivas de minha vida. Mas algo me impeliu a retornar a ela e, por conseguinte, relembrar de como era a vida dos jovens. Eu queria estudar, fazer uma carreira, construir uma vida digna, ter confortos que não tive antes, "ser alguém". E então  lembrei-me de pessoas que me apoiaram, me ajudaram... e também dos que me jogavam na vala da "ninguenzada".

           Quanta coisa contabilizei naquela década: Fiz 18 anos, terminei o curso de Técnico em Contabilidade, passei no vestibular, mudei de cidade, de estado, de trabalho, badalei muito, namorei,  terminei meu curso de Letras/Inglês, casei-me, tirei carteira de motorista, comprei meu primeiro carro, fiz concurso para professor, fiz minha casa, tive duas filhas, gêmeas. Ah, e escrevi algumas poesias que acabei jogando no lixo. Como gostaria de reavê-las! Apenas duas salvei, porque foram publicadas num livro, em União da Vitória e me restaram "Tu" e "Uma Oração para Você", esta muito significativa, que compus no verdor de meus 20 anos...

          Naquela década,  usávamos cabelos compridos, calças boca-de-sino e mais adiante pantalonas, camisa xadrez ou com estampas florais,  meias vermelhas, perfume Lancaster ou Pretty Peach. E, quem conseguia obter,  calça Lee ou Levi´s importada, indigo-blue. Era bacana ter jaquetas Lee ou então verde-oliva, a cor do Exército Brasileiro. Comprávamos distintivos "US Army" ou "Marinner", que aplicávamos nos ombros das jaquetas,  e isso era marca de prestígio perante a galera. Alguns conseguiam umas camisetas de malha de algodão que tinham a inscrição: "University of Californy" ou "Columbus University". Isso significava sucesso garantido.

          E as mulheres? Bem, a maioria delas também usava roupas assim, unissex. E a minissaia dos anos 1960 e as saint tropez  acabaram  substiuídas  por shorts curtos, aquelas meias "cabaret" e botas de cano médio ou longo. E, a partir de 72,  aquela onda de, no inverno, usar blusa de tricô e meia da mesma lã e das mesmas cores.

          Nos cinemas Guiliano Gemma fazia o Ringo derreter os corações das mulheres e as múscas italianas e  francesas que vinham nos compactos simples ou duplos e nos long-pays imperavam nas rádios.  A onda "inglês" veio meio junto, com  "The Beatles" em seu rock.

          Mas a grande onda da década veio por conta de uma ofensiva da Igreja Católica no sentido de mobilizar as novas lideranças jovens e reanimar as já maduras para suas lides religiosas.  Começaram com o cursíhos, obra iniciada na Espanha bem antes do que no Brasil.  Nunca participei de um, mas muitos amigos meus fizeram parte de ações cursilhistas. Jovens que optaram por deixar o seminário passaram a atuar como professores ou engajando-se nas atividades da Igreja. Inteligentes e com boa formação,  eram bons exemplos a serem seguidos.

         Foi nessa época que o corumbaense que foi para São Paulo aos 16 anos, Neimar de Barros, deixou o trabalho de junto à TV do Sílvio Santos, onde dirigiu os programas "Cidade Contra Cidade" e "Boa Noite Cinderela" e converteu-se de ateu para Católico Apostólico Romano. Tornou-se escritor poeta e pensador,  e passou a ter forte liderança dento da Igraja Católica. Visitou mais de 4.000 comunidades religiosas e vendeu mais de 4 milhões de exemplares de seus mais de 10 livros que escreveu nas línguas portuguesa e espanhola.

          Em 77, quando eu me iniciava efetivamente no Magistério Catarinense, na Comunidade de Duas Pontes, hoje município de Zortéa, em Santa Catarina, a moda  era ler "Deus Negro", de Neimar de Barros. Logo depois surgiram outros livros dele e o que mais chamava  atenção era "O Diabo é Cor-de-rosa". Todos liam, recomendavam, iam passando adiante a idologia, o pensamento do convertido autor. E, em seu rastro,  também vinha o Artur Miranda, que conheci lá na Casa Paroquial de Capinzal.
          Em 1986 Barros concedeu uma entrevista à Revista Veja que fez grandes estrondos nos meios religiosos brasileiros. Declarou que estava infiltrado na Igreja a serviço da maçonaria ( o que nunca foi comprovado, acho que foi invencionismo dele), que estava descobrindo os podres da mesma e disposto a revelá-los para o mundo. E declinou diversas "vergonhas" que estariam acontecendo nos meios eclesiásticos. A repercussão foi das piores.

         Eu tinha lido justamente os dois livros que mencionei, entrei na onda da época, era imaturo, não tinha propriedade sobre minha opinião ainda. Fiquei muito revoltado com ele e mesmo os comentários que li sobre ele, oriundos de seus admiradores internautas, não me fizeram mudar em relação ao péssimo conceito que formei a seu respeito. Acho que ele foi ou oportunista, ganhando muito dinheiro e se promovendo em cima da de nossa Fé, ou  um baita enganado,  que usou de meios pouco legítimos para atingir  seus nebulosos objetivos.

          Acho que de bom alguma coisa restou nessa história:  muitos jovens, na época, foram surgindo como lideranças nas cidades, alguns que se conheceram nesses encontros até constituíram família, tornaram-se importantes gestores públicos e privados, emprendedores, educadores. Enfim, essa geração teenager que tornou-se adulta  naquela década, deixou filhos com elevado nível de formação pessoal e intelectual que estão espalhados pelo Brasil e pelo mundo,  fazendo sua parte no contexto de nossa história.

          No ano passado, dia 06 de maio, bastante debilitado em função do Alzaimer de que estava acometido, Neimar de Barros veio a falecer. Sua morte passou em branco. Não pela doença, mas por ter sido rejeitado pelos eus fãs em razão da falta de coerência entre o que pregou e o que deixou de concreto como exemplo. Caiu no ostracismo e os brasileiros o esqueceram. Só lembram de seu nome os pré-idosos que viveram em seu tempo. Os outros, só conhecem o Neymar que joga no Santos, baita craque de bola!

Euclides Riquetti
27-02-2013
         

Ao meu pai




Dias sem pássaros, noites sem estrelas
Dias de densas nuvens, o vento a volvê-las
Noites tão escuras, luar contido, ausente
Fazem dos meus sonhos futuro sem presente...

Dias de chuva forte, sem sol, sem luz no céu
Dias sem esperança, cinzento mausoléu
De alguém que foi distante, buscando seu destino
Tombando para sempre, subindo ao céu divino.

Conforto-me em saber que fez o bem na terra
Que pela sua bondade fará novos amigos
No céu que é manto azul, é flor da primavera
Verá,  mais uma vez, seus entes tão queridos.

E entre dias sem lindas noites, noites sem dias lindos
Eu fico recordando, pensando nos já findos
Em que você se foi, naquele longo inverno
Buscando nova vida, buscando o Pai Eterno!

Euclides Riquetti
Composto em julho de 1993.

Busque a paz






Evite magoar as pessoas amigas
As de hoje, as de ontem, as antigas.

Busque a paz, onde quer que esteja
Procure  paz, quando quer que seja!

Seja cordial com quem lhe quer bem
Seja gentil e terá gentilezas também.

Busque a paz, onde quer que esteja
Procure  paz, quando quer que seja!

Acalme seu coração conflitado
E reencontre o seu mundo sonhado.

Busque a paz, onde quer que esteja
Procure  paz, quando quer que seja!

Não vale a pena radicalizar
A vida premia quem sabe sonhar.

Busque a paz, onde quer que esteja
Procure  paz, quando quer que seja!

Euclides Riquetti

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

A fuga da alma




A fuga da alma não tem estradas
Não tem espaço onde se esconder
Não há como deixar de se viver
Aquilo que já se sentiu na caminhada...

Se se foge do corpo, não se foge dela
Se se foge do pensamento que persegue
Não se foge da lua nem mesmo da estrela
Não há força que nos carregue...


A fuga da alma não tem estradas
Não tem espaço onde se esconder
Não há como deixar de se viver
Aquilo que já se sentiu na caminhada...

Se se busca um porto e não se encontra
É porque não temos o rumo certo
O mundo novo que nos amedronta
É o mesmo que nos inspira a novo verso...


A fuga da alma não tem estradas
Não tem espaço onde se esconder
Não há como deixar de se viver
Aquilo que já se sentiu na caminhada...

Euclides Riquetti

Liberte sua alma






Liberte sua alma das incertezas
Das mazelas que afligem seu ser
Não deixe que suas dores se somatizem
Dê-lhe a paz necessária e a leveza
Para que suas angústias se cicatrizem.

Liberte-a daquilo que lhe fez mal
Recupere o que a posa tornar feliz
Não vire as costas para o viver!

Liberte sua alma das impurezas
Das cinzas  que possam atingir seu ser
Permita que nossos sonhos se realizem
Que possam navegar nos mares das singelezas
Veja o que meus versos cantam e predizem.


Liberte-a daquilo que lhe fez mal
Recupere o que a posa tornar feliz
Não vire as costas para o viver!

Euclides Riquetti

O "Zico Show"


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          Nos primeiros anos da década de 1980, apareceu lá em Ouro um jovem muito dinâmico oriundo da cidade de Tubarão-SC. O Prefeito da época, Ivo Luiz Bazzo e eu, seu Secretário, o recebemos em seu Gabinete. Moço simpático, aquele rapaz de tez morena, cabelos escuros e olhos um tanto claros mostrava bons modos ao falar e na postura das mãos. Viera à cidade para exercer a função de Exator da Fazenda Pública Estadual, concursado que fora. Seu nome: Selézio Guido Lopes.

          Pois que o Selézio enturmou-se nas cidades gêmeas em pouco tempo. Além de sua comptência profissional, tinha algumas  habilidades que o destacavam: Tocava muito bem o seu violão, cantava e jogava futebol, de campo e de salão. Praticava tênis. Nós o convidamos para jogar em inaugurações de quadras de futsal e campos de futebol e ele ia, entusiasmado. Depois, passou a disputar os campeonatos no Ginásio Municial de Esportes e a atuar no Penharol Esporte Clube, um time amador local,  mas que costumava ir às finais do estadual. E, a outra paixão, o violão e a voz, o tornavam conhecido em toda a região. Construiu sua casa ali na Rua Senador Pinheiro Machado. Branca, com janelas de madeira,  venezianas de arco, estilo colonial, pintadas de verde. As portas,  idem. Casou-se com uma bela jovem de Tangará, mas diferentes estilos de vida não combinaram e veio o divórcio.

          Já na chegada,  fez grande amizade com os Riquetti da Alfaiataria e da Churrascaria, o Sérgio, o Ovídio e o Hélcio, conhecido como o "Fantasma". Meu primo Sérgio, costumava chamar todos os rapazes de "Zico". Era o vocativo que empregava para chamar qualquer pessoa de que não conhecesse o nome. Com o tempo generalizou e passou a usar esse nome como se quisesse significar: "Cara!, Moço!, Amigo! e equivalências. E o Selezio era o cara certo pra ser mais um "Zico", até porque isso poderia representar uma corruptela de seu nome. E o Selézio virou nosso "Zico".

          E o Zico animou-se com sua popularidade como bom cnator e aprendeu a cantar em italiano. Cantava todas, os boleros românticos, as marchas, as valsas,  e até os vanerões em dialeto vêneto.  E começou a fazer pequenos shows pelo Vale do rio do Peixe. Mandou até imprimir cartazes em "off set", coloridos, a melhor tecnologia da indústria gráfica na época.

         Frequentemente, no início dos anos de 1990, o cantor Valdir Anzolin, de Veranópolis - RS, que tinha um vozeirão e gravava LPs em italiano, autor e intérprte de "Filton", era contratado para realizar bailes por aqui. Animou pelo menos duas Noites Italianas no Centro Educacional Celso Farina, em Capinzal. Com exceção de Capinzal, ele trazia uma equipe que preparava os jantares italianos nos bailes. Vinha com uma carreta enorme e um ônibus trazendo a banda e os cozinheiros. Fui a bailes em que ele tocou em Treze Tílias, Tangará e Campos Novos. Em Tangará, quando lá fomos, tivemos uma bela surpresa: O Show de Abertura de seu baile era protagonizado pelo amigo Selésio, nosso Zico. E o locutor, animadamente, anunciava: "E agooooora, Senhoras e Senhoooreeesss: Zico Show".  E ele fazia um show muito bonito, cantando as músicas em italiano.

          Nessa época, nosso Zico pediu transferência e veio morar em Herval D´oeste. Comprou um  terreno, fez nova casa e aquilo que mais gostava e queria ter: uma quadra de futsal, com iluminação. Angariou uma nova legião de amigos e ainda convidava os da nossa cidade para lá jogar.

          Fatalmente, após um desses jogos, ao desligar a chave da iluminação da quadra, eletrocutou-se e morreu...E seu corpo foi levado para sua cidade natal, Tubarão.

          A lembrança desse rapaz,  que se tornou nosso amigo e companheiro em muitas de nossas jornadas esportivas e políticas, nunca mais me saiu da cabeça. E, há dez anos, uma vez em que eu passava por Tubarão, conversei com um senhor que me perguntou de onde e eu era e,  ao saber, falou-me que tinha perdido um amigo aqui na região, o Selésio. Era vizinho deles, amigo dele e de sua famíla. Levou-me para conhecê-los: estavam lá sua mãe, uma irmã e um sobrinho.

       Ficaram emocionados quando lhes falei que não poderia passar pela cidade e, sabendo que ali residiam os familiares de um amigo que se foi, deixar de visitá-los. Sua mãe abraçou-me carinhosamente, jamais esquecerei disso. Aquele senhora simpática, meiga e de olhar benevolente e marejados  mostrava-me,  nas paredes, orgulhosamente, fotos do filho, com as camisas dos times em que jogou, ali de Capinzal e Ouro, Penharol, Arabutã, CME. Lá estavam muitos rostos de amigos nossos que conosco jogaram uma bolinha. E, bem ao meio de uma parede da sala, um daquele cartazes em que aparecia  caracterizado para cantar em italiano e a sua marca grafada:  "Zico Show".

          Não sei por que hoje me veio à mente as lembranças do Selézio. Tive vontade de chorar. Não poderia deixar de homenageá-lo, amigo Zico.   Zico foi, realmente, muito show!

Euclides Riquetti
09-05-2013

Apenas uma palavra de amor

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Quero que digas apenas uma palavra:
Um palavra de amor
Que venha de tua lavra
De teus poemas,  a fina flor...

Uma palavra que não esteja no dicionário
Talvez um pequeno sussurro
Que não esteja no glossário
Que não tenha sentido obscuro...

Preciso ouvir uma palavra carinhosa
Muito mais que um não ou um talvez
Que venha de tua voz melodiosa...

Quem sabe uma palavrinha inventada
Com a lógica da alma e da sensatez
Pelos teus lábios pronunciada!

Euclides Riquetti

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Uma palavra carinhosa

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Preciso de uma palavra carinhosa
Bem simples
Mas de efeito.
Uma palavra substanciosa
Que não precisa ser elogiosa
Para meu coração imperfeito!

Pode ser uma palavrinha já dita
Bem antiga...
Ou uma palavra bonita
E já repetida.

Ou palavras curtinhas
Monossilábicas
Mas nunca trágicas...

Preciso de uma palavra que brote
De seu belo coração
Que esconde mil histórias
De vida e de muita emoção
Mas que seja uma palavra doce
Que me devolva o chão...

Apenas de uma palavrinha, verdade
Ou, quem sabe, a sua generosidade
Me dê uma frase inteira
Alvissareira
Que me conforte
Me anime
Fortaleça o meu coração!

Euclides Riquetti

Rabisca-se o céu



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Rabisca-se em penas brancas o céu
Na tarde de sábado pré-primaveril
Nos campos e nas cidades sou réu
Aqui do Sul do meu Brasil...

Como uma garça, tu  campeias nos ares
Vais buscar as respostas ao que não tem
Como eu já fui te buscar nos mares
Onde fui pra te procurar também...

O que será do amanhã que nos espera
O que será de nosso domingo insólito
Será o amanhã uma doce primavera
Ou apenas mais um dia melancólico?

Euclides Riquetti

De pinheiros, trigos, laranjeiras e laranjais - (Ouro - do sol e dos trigais...)

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          Ouro do sol e dos trigais/ Ouro dos  nossos laranjais  - são os dois primeiros versos do Hino ao Ouro, composto e musicado pela Dona Vanda Faggion Bazzo e o Egídio Balduíno Bazzo, o Titi. Referem-se à abundância do trigo plantado, anualmente,  naquele lugar do Baixo Vale do Rio do Peixe. E dos laranjais existentes nas propriedades rurais e quintais das casas da cidade. Os descendentes de italianos vindos da Serra Gaúcha, nas três primeiras décadas do século passado, trouxeram com eles as sementes de trigo e as mudas de laranjas e outros cítricos.

          Com relação ao trigo, todas as 1.200 famílias ainda o cultivavam até a década de 1970. Depois, a atividade foi sendo substituída, por diversos  motivos: As sementes não eram mais tão resistentes e férteis, o trigo importado da Argentina e da Rússia era muito barato, o trigo importado pelos moinhos era  subsidiado pelo Governo Brasileiro para que o pão fosse barato,  a mão-de-obra familiar já não era tão abundante, e as pequenas áreas, principalmente em Ouro e Lacerdópolis, não comportavam economicamente a atividade. Já as laranjeiras, que foram plantadas pelos colonizadores, estavam envelhecendo e as árvores precisavam ser substituídas.

          Em 1989 intituímos dois programas oficiais em Ouro. O Ouro dos Trigais e o Ouro dos Laranjais. Dávamos um saco de sementes de trigo para cada um adquirido pelo agricultor. Na época ainda tínhamos 918 famílias trabalhando na agricultura e 680 voltaram a plantar o cereal nobre. Já havia melhores sementes e tínhamos parceria com uma empresa local que as produzia. Mas essa onda não durou muito nos anos adiante. Acho que as condições topográficas não estimulavam o produtor.

          Com relação aos cítricos, passamos a adquirir mudas em Esteves Júnior, município de Piratuba, e em Laurentino, próximo a Rio do Sul. O caminhão da Prefeitura fazia a busca, a Epagri e a Secretaria Municipal de Agricultura compravam e organizavam a distribuição, e para cada 10 mudas adquiridas o produtor levava mais três de bonificação. Conseguimos obter as das bonificações porque realizamos uma grande quantidade de compras. Não tivemos custos para o Município. Depois organizamos o Programa Ouro dos Ervais em que, da mesma forma, o agricultor ganhava três mudas de erva-mate para cada dez que comprasse e plantasse. Com isso, hoje, a maioria das proprieades estão repletas de laranjas de diversas  variedades, principalmente a  Valência, além de Morgotas e Ponkans.

          Mas o que me leva a voltar ao tempo são duas simples histórias que presenciei ali:

          Contou-me o Moisés teixeira Andrade, morador da Linha Bonita, que em 1902,  quando seus avôs  chegaram ali plantaram duas laranjeiras que resistiram por 100 anos. E uma delas está lá, ainda hoje, com 110 anos, produzindo laranjas. Eu mesmo a vi carregada de belas laranjas comuns, recentemente. É motivo de muito orgulho para a família Teixeira Andrade, que chegou ali ainda antes dos italianos.

          Outra quem  me contou foi o Américo Faé, morador da Linha Carmelinda. Em sua propriedade, eles têm ainda muitos pinheiros, grande parte  com de 50 anos de idade. É que, quando eram criança, ele e seus dois irmãos costumavam "fazer artes", como ele mesmo diz. E, quando o pai descobria, dava a cada um um vasilhame com um quilo de pinhão e mandava que fossem plantar em suas terras. Era o seu castigo. Foi o castigo mais ecológico de que tenho notícia.

          Plantar árvores, ter filhos e escrever um livro, como citou o Ademir Belotto no lançamento de um livro da Dona Olga Maria Siviero Brancher, lá no Centro Educaional Celso Farina, em Capinzal, há alguns anos, são três realizações que todas as pessoas deveriam ter feito em sua vida. Não lembro  quem é o autor da frase e nem se ela tem o texto dessa forma, mas é uma verdade incontestável. Se, pelo menos, todos puderem desenvolver duas dessas, terão feito sua parte e ajudado a construir, positivamente, a história da Humanidade. De minha parte, cumpri duas integralmente e uma delas parcialmente.

Euclides Riquetti
06-01-2013.

Enquanto os ventos soprarem

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Enquanto os ventos soprarem em sua direção
Trazendo-lhe aromas e perfumes dispersos
Enquanto você ouvir os acordes de uma canção
E não entender as mensagens nos meus versos..

Enquanto você não procurar olhar as estrelas
Para sentir toda a beleza de seu brilho prateado
Enquanto você não se esforçar para percebê-las
Penduradas no céu da noite pelos astros decorado...

Você não vai perceber como é bela a sua vida
Que, mesmo com todos os percalços rotineiros
Precisa ser comemorada, precisa  ser bem vivida!

Porque os obstáculos certamente serão superados
E lhe voltarão os dias mais alegres e prazenteiros
Com quem muito a ama e vai ficar ao seu lado!

Euclides Riquetti
09-01-2018

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Quando os ventos sopram do sul







Quando os ventos do sul me trazem seu perfume
Vêm de leve para fazer carícias em meu rosto
E, prestes a chegarem as noites no mês de agosto
As estrelas me protegem com seu cândido lume .

Quando os ventos do sul me trazem ares celestiais
E as gotículas de aljôfar refrescam minha mente
Dorme o meu coração,  e vibra minha alma quente 
E os anjos se harmonizam na sinfonia de seus corais.

Cantam os anjos as ternas canções que você canta
Que me transportam para um indescritível paraíso
Para um castelo distante,  que a vista não alcança.

São as canções que os ventos do sul me trazem
Perfumadas com os acordes de que tanto preciso
Nos embalos harmônicos que feliz  me fazem.

Euclides Riquetti

A lua azul




Noite de poemas  e de lua cheia
Um belo luar de cor azul
Que como uma luz de candeia
Brilhará para a América do Sul.

As almas dos poetas flutuarão
Surfando nos ares enluarados
O coração exalando uma paixão
No luar dos sonhos enamorados.

Uma lua azul, um forte brilhar
Que adorna a terra e o firmamento
Uma lua azul a nos encantar...

Na noite de lua azul, de lua plena
O poeta eterniza o doce momento
Na noite clara, prateada e  serena.

Euclides Riquetti

Você é feia



O Ximbé e o Virso - Bahia, Meu Deus do Céu!

Replay:


Herval d´Oeste - SC...foto antiga...


          Na quinta-feira, fui dar uma banda no centro de Joaçaba. É andar por lá e encontrar amigos de longa data, principalmente quando se anda pela Rua XV. Toda a cidade que se preza tem uma Rua XV. E, em meu estado, também uma Rua Felip Schmidt. Por serem sempre as primeiras ruas a receberem nomes quando das fundações das cidades, estão localizadas sempre na sua área central.

          Pois que ao entrar numa loja para reclamar do defeito de um poduto ( a gente compra de marcas famosas, em lojas igualmente famosas, mas são importados da China também...), deparo com um cidadão moreno, cabelo agrisalhando-se, jeito humilde e simpático, inicio conversa: "Bom dia, senhor. Carteira do Internacional e jaqueta do Vasco?"

          "Sim, respondeu-me. Sou vascarino"!  Na minha cidade de origem, Capinzal/Ouro, quando era criança tinha muios amigos que usavam o termo vascarino em vez de vascaíno. Lembro que o Valério e o João Luiz Beviláqua dizem isso também. São vascaínos!  Trajava uma bela de uma jaqueta preta, da Kappa, com um discreto distintivo do meu time,  Vasco da Gama , aquele senhor. Disse-lhe que também era vascaíno. Cruz de malta na testa. Tenho uniforme, até!


          Perguntei-lhe se era de Herval d'Oeste, confirmou-me que era. (algo me fazia supor que era de lá) Perguntei-lhe se ele conhecia o Vilson da Rosa, o "Virso", e ele começou a rir e imitá-lo, falando igualzinho a ele, com aquela fonética peculiar dele. Conhecia o Virso, sim, até trabalhou com ele há uns quarenta anos atrás, lá em Capinzal, na Pedeira que ficava pra cima dos Caetano, perto de Frestão, um prostíbulo que ali havia no início da década de 1970.  E começamos a conversar como se nos conhecíamos de há muito.

          "Sou o Ximbé, trabalhei com os Lautério, com o pai do Virso. Aprendi a cortá  pedra com eles, pedra de obras, de calçamento, de mão, de tudo o que é tipo", falou-me. Olhei para aquele rosto judiado pelo tempo, mas que irradiava uma indescritível simpatia. Os sulcos e as rugas na testa e no rosto muito visíveis, denotando sofrimento, luta pela sobrevivência, exposição aos danos do tempo, do sol, do frio, das chuvas e dos ventos que roçaram aquele pele envelhecida...

          Deixei-o bem à vontade, ele até sentou num banco ali na loja e continuamos nossa conversa. Eu tinha tempo, estava a esperar o retorno do gerente, para que me atendesse, Contou-me algumas das aventuras deles, rimos muito. Depois, sugeriu-me:"Quando encontrá  o Virso, grite pra ele: Bahia, meu Deus do Céu!. E depois você me conta quanta risada ele deu"!". Perguntei-lhe por que e ele foi dizendo:

         "Uma veiz, quando nóis tava acampado na Pedreira de Capinzal, fizemo uma chopana com madera roliça e cubrimo e fizemos as perede com mato. Tudo de mato. E num é que uma noite uma vela tacô fogo no barraco e queimô tudo? E o Virso, quando viu aquilo tudo, gritô assustado: Bahia, meu Deus do céu! E foi um Deus nos acuda. Mais conseguimo tirá as ropa e as panela antes do fogo tomá conta. E mudemo pruma caverna, um tipo de gruta que tinha no paredão de pedra, e nunca mais fizemo chopana. Tinha o Hélio, otro cortadô, que cada vez que via o Virso, gritava: Bahia, meu Deus do Céu!  E o Virso se matava de tanto dá risada. Dava de vê de longe os dentre branco dele"

          O entusiasmo do Ximbé me contagiou. Disse-me que o Virso é um vencedor na vida, que está muito bem. Fiquei contente. E prometi que ainda nos vamos reunir eu, ele e o Virso para  contar uns  causos. O Ximbé tem três anos mais do que eu e o Vilson. Algo me diz que eu o conhecia dos tempos da infância. O rosto me é familiar, mas o apelido, não.

         Ah, para ajudar você a entender e lembrar, a expressão "Bahia, meu Deus do Céu" vem de uma música do final da década de 1960, da dupla paranaense Jacó e Jacozinho.

          Agora é  esperar que o Virso comece a fazer o muro aqui no Bairro e marcar nosso encontro. Para rir muito, pois isso é impagável, nos faz bem, estimula nossas células boas!

Euclides Riquetti
14-07-2013

"Reencontro com o Virso"

Reencontrei, hoje, em Herval D´Oeste, o Milton, irmão do Vilson da Rosa. Um bom papo! A gente não se falava há quase três décadas. Dei meu cartão para a Valkíria, com meus endereços. Falamos de antigas histórias. E aqui vai uma delas:


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Balneário Thermas de Ouro - Muros de pedras que são uma
verdadeira  obra de arte - trabalho da família Da Rosa.



          Em minha caminhada matinal, após andar um bocado na Pista do Comercial, aqui em Joaçaba, tomei o rumo de uma rua paralela ä Rodovia  BR 282 para dar uma olhada na evolução da urbanização do entorno da Nova Rodoviária, aquela que está há seis anos em construção e dizem que vai ficar pronta em agosto. Mas também ia ser inaugurada em agosto de 2008 e não foi...
     
         Mas uma agradável surpresa me aconteceu quando estava em meio ao caminho: reencontrei um moço de estatura mediana, bem moreno, muito gente boa, daquelas pessoas que você pode contar com ela em todos os momentos da vida, o Vilson. Um moço sessentão. Acho que o sobrenome dele é da Rosa, meu coleguinha de infância e adolescência vivida nas barrancas do Rio do Peixe e nas ruas de Capinzal. Reconhecemo-nos à distância e foi uma alegria de minha parte reencontrá-lo. Senti o mesmo da parte dele. Gritou-me: "'Óia quem vejo aí, o Riquetão, o Pisca!..."     "Virso! Que bom te vê, amigão! Vamo jogá as ganha, Virso? Te impresto duas bulica!", respondi.

           Meu amigo Engenheiro Roberto de Carli, de longa data, ficou rindo de nosso encontro, da maneira como nos expressamos. Estavam ali para "ver um serviço", um muro de contenção para o Vilson empreitar.

          O Vilson faz parte de uma casta de artistas das pedras, da família "Dos Lautério", que moravam em Capinzal, ao lado da estradas de ferro, nas proximidades da Linha Residência na epoca de nossa infância. Há mais de três décadas vieram para Joaçaba e Herval d'Oeste, a família ficou grande e todos aprenderam o ofício de cortar as pedras "pela veia", no bater das marretas. São todos habilidosos e as melhores taipas e muros do Baixo Vale do Rio do Peixe foram confeccionados pelas mãos dos Lautério. Do ano de  89 a 92, nós os contratamos para cortar paralelepípedos  Arrendamos uma pedreira em Lacerdópolis e alojamos todos eles lá, num acampamento. Produziam muito, já que recebiam por pedra que cortassem. Serviço bm feito, sempre.

          Mas seus belos trabalhos estão espalhados em diversas cidades, e podemos citar todos os muros de contenção do Balneário Thermas de Ouro como exemplo para que se possa avaliar a capacidade de trabalho deles. Hoje  Vilson tem sua própria empresa prestadora de serviços, tem a vida bem organizada.

         Aproveitamos a demora do proprietário chegar para mostrar o serviço e fomos conversando:

          Dizia ele, com seu costumeiro nariz meio trancado: "Ma Riquettão, o que que anda fazendo? Só na boa? Se lembra de quando nóis jogava bulica lá no lado da bodega do Adelino Casara? Você queria me rapá nas ganha!..."

          "Claro que lembro! Você tinha um jeito esquisito de segurá as bulica, Virso. Nóis jogava no búlico e no triângulo. E nossa turma se espalhô..."

          "É memo! Se lembra do Nile? "Já morreu.  Lembra que depois ele dirigia o caminhão da Serramalte quando ficou grande? Ele já era meio grandinho desde piqueno... Morreu faiz tempo!"

          "É, mas morreu também o Pelé. E o Ferruge, o Castelinho... E o Nizinho, lembra? Tá vivo, mas foi pra cana há uns meses. Deu uma facada num amigo dele depois que bebeu..."

          "Mais o Táiro (Tyrone Viecelli), ainda tá por aí. Virô Dotô o bicho! Você não ia junto qua gente quando ele pegava o jipe do véio Armando escondido pra nós i buscá uma melancia lá pros lado do Moinho do Toscan?"

          "Não, minha turma maiava a pé, mesmo! Mas tem uns que foram trabalhar e estudar. Não sei o que é feito do Chiquinho Biavatti, mas o Dinho foi estudá em Ponta Grossa, virou advogado e granjeiro e não voltou mais"...

           E o Virso, de novo: ""É, os que foro istudá ficaro rico. Os que ficaro bebendo cachaça, tão tudo no cemitério!"

           Tomara que els se acertem com o preço do serviço e venha fazer o muro, que daí vou vê-lo muitas vezes. Já combinamos que quando chegar a primavera vamos com "as véia" comer uns peixes e umas polentinhas lá no Pesquepague do Aquilino Pilatti, em Lacerdópolis! Trato feito!

Euclides Riquetti
06-07-2013


Os anos passam...



                                                   Imagem de Roberto Colaço, o Caneta!

O mundo está muito virado
Desde que foi
Virtualizado.

Seres impacientes...
Uma hora dóceis
Outra inclementes!

O mundo ao avesso
A chuva subindo
Os pólos derretendo
Como corações ardendo!

Um mundo muito virado
Esfriando ou se aquecendo
Com seres infelizes
Com cicatrizes
Com corações mutilados!

E assim caminha a humanidade
Com alguns comemorando
Outros sofrendo!

Enquanto isso...
Os anos passam.

Bem assim!

Euclides Riquetti

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Lá fora...





Vai lá pra fora
Olha as estrelas
É possível vê-las
Bem agora.!

Olha pro céu infinito
Negritude prateada
Noite abençoada
Firmamento bendito.

Pensa comigo:
A noite é dos sonhadores
Dos  sentimentos avassaladores
E eu me perco contigo.

As estrelas, o céu, os sonhos
Os teus olhos risonhos
Os teus pensamentos (medonhos?)
Me tornam menino, menino!

E alguém imprime um destino:

Quem?

Euclides Riquetti

A noite é tua!



A noite é dos homens e dos meninos
É daqueles que sofrem acordados
De todos os corações maltratados
A noite é o palco dos desatinos...

A noite é o estágio  mais límpido
O melhor  cenário para a encenação
Dos dramas, dos romances, da ilusão
Da revelação dos segredos mais íntimos.

A noite é das mulheres e das meninas
Que viajam no universo do infinito
A esbaldar suas vontades femininas.

A noite é de todos os viventes
De rosto feio ou de rosto bonito
A noite é palco para todas as gentes!

É bem assim: é tua!

Euclides Riquetti

Numa praia deserta



Como se fosse um verão
Quero segurar tua mão
Numa praia deserta..

Não sei porque razão
Ao escrever  esta canção
Meu coração aperta...

Como se fosse tempo de sol
No quente, sem cachecol
Andando na beira do mar...

Vai  pelo tempo a lembrança
Talvez querendo ser criança
E nas areias brancas brincar...

Olhar teus  olhos que brilham
Beijar com gosto de baunilha
Abraçar teu corpo formoso

Dizer-te palavras escolhidas
Dizer-te versos com rimas
Querer-te de novo e de novo...

E, como se fosse um verão
Deitar no quente do chão
E rezar pra agradecer

E, em cada nova estação
Compor uma nova canção
Reviver, cantar, reviver...

Reviver, por você!

Euclides Riquetti

domingo, 6 de janeiro de 2019

Antes de as estrelas voltarem




Antes de as estrelas voltarem
Haverá uma manhã e uma bela tarde
Quem sabe um sol sem alarde
Ou um sol bronze, dourador
Que nos traz no inverno o calor
Antes de as estrelas voltarem!

Antes de as estrelas cintilarem
Haverá um pensamento com asas
Que sobrevoará os jardins e as casas
E materializará os nossos sonhos
E os imaginares mais medonhos
Antes de as estrelas cintilarem!

Antes de as estrelas irem embora
Haverá uma felicidade renovada
Quem sabe uma esperança idealizada
Tão fortes como é o azul do firmamento
A alegria como o principal elemento
Antes de as estrelas irem embora!

Euclides Riquetti

Blusinha preta


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Blusinha com renda preta nas costas
Claros ombros aparentes
Alcinhas petulantes
Movimentos provocantes
Perfumes sensuais presentes!

Óculos clássicos nos olhos castanhos
Rosto que quer sorrir
Mãos sensuais e habilidosas
Sensações novas e prazerosas
Bons momentos que hão de vir!

Pensamentos que viajam e flutuam
Imagens que povoam a mente
Alma que exulta e transpira
Clima de paixão que me inspira
Loucamente, exacerbadamente!

Blusinha de renda preta nas costas...

Bem assim!

Euclides Riquetti
06-01-2018