sábado, 1 de agosto de 2015

A Demolição da Ponte Pênsil de Capinzal e Ouro... não acredito nisso!

          A Ponte Pênsil Padre Mathias Michelizza, que liga os municípios de Capinzal e Ouro, e  cuja história já publiquei, e reeditei no sábado, neste blog, foi idealizada em 1932 e inaugurada em 1934. Passou por quedas e avarias em razão de enchentes, mas encontra-se ali, com seus 81 anos de bons serviços prestados às duas cidades.

         Mas há algo que me intriga: vi uma enquete num portal de notícias de Capinzal em que se pergunta se ela deveria ser demolida para dar lugar a uma que comportasse a passagem de carros. E, pasmem, 67% dos internautas responderam serem favoráveis à demolição. Assustei-me! Senão, vejamos:

          Nossa ponte pênsil, durante muitos anos, deu-nos o orgulho de estufarmos o peito e dizermos que era a quarta ponte do mundo no gênero. Considero-a patrimônio material e imaterial das duas cidades, que já foram uma só, e onde eu nasci e nasceram meus filhos.  E isso independentemente de haver ou não Lei específica de tombamento ou algo que o valha. Entendo que a preservação de nossa história deve acontecer porque somos pessoas que queremos valorizar o que nossos pais construíram e que nos proporcionam lembranças. Nem preciso repetir que "povo sem história é... " ou que "povo sem memória é..." (Fique à vontade para completar, leitor, leitora.

          Claro que uma enquete é apenas uma enquete, não tem valor jurídico, mas reflete o pensamento das pessoas. E isso nos faz concluir que nossa cultura anda paupérrima!!! Ora, a ponte foi construída e reconstruída, (as duas primeiras vezes...), com muito dinheiro da comunidade: cerca de 55% do investimento financeiro e ainda a prestação de serviços pelos moradores dos então distritos de Capinzal Ouro. O Governo do Estado, participou com menos de metade do investimento.

          A maioria das pessoas que ajudou, com dinheiro ou dias de serviço, já faleceu. Os filhos do Sr. Ivo Luiz Bazzo, ex-Prefeito de Ouro, têm ainda a plaqueta se "sócio" da ponte. E muitas outras famílias ainda as têm guardadas. Mas, quer com dinheiro, quer com serviços prestados, podemos elaborar uma extensa lista de colaboradores da época, das famílias: Bazzo, Baretta, Germani, Maestri, Lanccini, Toaldo, Bonissoni, Cadore, Dambrós, Rech, Mantovani, Nepomuceno, Colombo, Volpato, Carleto, Carletti, Almeida, Baratieri, Barison, Rech, Richetti, Thomazoni, Penso, Suzin, Cruz, Caldart, Viecelli, Masson, Lucietti, Ribeiro, Tessaro, Miqueloto, Bonadiman, Zortéa, Brancher, Zuanazzi, Zóccoli, Spadini, Surdi, Vidi, Branbilla, Olivo, Santos, Machado, Sufredini, Parisotto, Scopel, Dalla Páscoa, Segalin, Casagrande, Dalssasso, D ´Agnoluzzo, Sartori, Ferro, Zaleski, Rossetti, Bertaiolli, Golin, Hachmann, Favorito, Savi, Viccari, Meyer, Maliska, Andrioni, Gasparetto, Boff, Durigon, Correia, Souza, Macarini, Casara, Frigo, Masiero, Viganó, Bonamigo,  Zanini, Richetti, Silva, Ferreira, Siviero, Campioni, etc, etc, que, além de ajudarem na obra, também ajudaram a construir o Hospital Nossa Senhora das Dores, a Igreja Matriz.

          É claro que a comunidade não vai deixar que isso aconteça!

          Até mesmo porque está projetada uma ponte, com 232 metros comprimentos, com projeto executivo já aprovado, para retirar o trânsito pesado da ponte Irineu Bornhausen, que atravessará o Rio do Peixe ali na Capela do Caravággio, até a Linha Galdina, com subida de uma rodovia (contorno viário), até as proximidades da BRF/Unoesc, em Capinzal. Quem participou das audiências públicas que realizamos, em 2012, no Centro de Eventos de Nossa Senhora do Caravággio, conhece o projeto.

         Ainda, se com isso não for resolvido o problema, há o espaço junto à garagem da Prefeitura de Ouro e a Área de lazer Dr. Arnaldo Favorito, que antes de termos a ponte,  era o porto da balsa com  que o Sr. Afonsinho da Silva realizava as travessias de pessoas, animais, carroças e veículos. Não se precisaria demolir nada para se ter uma nova obra.

         O Governador Raimundo Colombo, sobrevoando as duas cidades de helicóptero, recentemente, confidenciou a uma assessor que tem grande preocupação com a ponte Irineu Bornhausen, pois é a única na cidade e, no caso de alguma interdição ou incidente, teríamos o caos. O Orçamento de Santa Catarina tem rubrica aberta de 4 milhões de reais para a ponte e o contorno viário. Vai mais de 30 milhões para a execução da obra, mas, estando no orçamento e no PPA, como está, é possível a execução iniciando ainda em 2015.

       Entendo que a comunidade empresarial e política, mais a sociedade organizada, precisam agir firmemente com o objetivo de mostrar ao Governo a necessidade de execução da obra na maior brevidade possível. Mobilizem-se!

Euclides Riquetti
01-08-2015
         

Obra-prima

 
Pensei em produzir uma obra-prima
Algo que marcasse, que ficasse eternizada.
Quem sabe um poema com boa rima
Quem sabe uma foto envernizada.

Pensei em produzir uma obra-prima
Algo que ninguém houvesse ainda feito.
Podia ser uma escultura pequenina
Podia ser um monumento perfeito.

Pensei em buscar  uma obra-prima
Algo raro, quem sabe inimaginável.
Podia ser uma  composição divina
Uma ópera de lírica admirável.

Pensei, repensei, tentei, retentei...
Busquei tirar algo de minha inspiração
Fui longe, longe, mas sabes quem eu encontrei?
Foste tu, bem escondida...no fundo de meu coração!

Euclides Riquetti

Ponte Pênsil - Capinzal e Ouro - uma jóia rara! Falando em demolir?


Vejam o que escrevi, há dois anos, sobre a nossa ponte. E analisem bem a importância histórica desse patrimônio material e imaterial . Minha opinião sobre a sua demolição, colocarei em novo texto, mas adianto que considero isso um ATENTADO À  HISTÓRIA DAS DUAS CIDADES.

Ponte Pênsil Padre Mathias Michelizza

          Os Distritos de Ouro e Rio Capinzal, na terceira década do Século XX, pertenciam ao Município de Campos Novos, de vasto território envolvendo o Planalto Catarinense e o Vale do Rio do Peixe.

           Um fator de dificultava a vida da população dos mesmos, principalmente dos moradores da margem direita do Rio do Peixe, era a falta de conexão entre os dois povoados, uma vez que apenas o serviço de balsa e botes era disponível para o transporte de pessoas e produtos de um para o outro. No lado Rio Capinzal,  havia a Estrada de Ferro, inaugurada em 20 de outubro de 1910,  ainda diversas indústrias, hospital,  um comércio bem organizado e até hotéis. No lado de  Ouro, o comércio era bem ativo e a produção agrícola muito forte, até por causa da vocação de seus colonizadores, descendentes de italianos originários da Serra Gaúcha.

          Em 1932, estando em bom estágio de desenvolvimento, precisavam construir uma ligação fixa entre os dois povoados. Então as comunidades, lideradas pelo Sr. José Zortéa, uma pessoa de alto espírito empreendedor, com grande agilidade e muio criativo, fez projetar uma ponte de madeira, sustentada por cabos de aço assentados em pilastras também de madeira. Coube aos Srs. Otávio Ferro e Aníbal Ferro formarem a equipe de trabalho e executarem a obra, pois tinham grandes conhecimentos em crpintaria e marcenaria.

          Para financiar a obra obtiveram, através do Município, uma pequena ajuda do Governo do Estado, mas o custos maiores foram bancados pelos moradores dos dois Distritos. Depois de quase dois anos desde a concepção do projeto, a ponte ficou pronta e teve sua inauguração em 1934, numa concorrida solenidade, quando o Padre Mathias Michelizza, um dos grandes incentivadores da obra, atravessou-a a cavalo. Na parte localizada em Rio Capinzal, havia sobre ela uma Casa de Pedágio, onde os usuários pagavam para passar de um lado a outro. À época,  era considerada a terceira ponte do gênero no mundo.

         Porém, por ocasião da grande enchente de 21 de junho de 1939, ela veio a ruir pela força das águas do Rio do Peixe, que atingiram, inclusive, a Rua da Praia, hoje Rua Governador Jorge Lacerda, e a Felip Schmidt. O local onde se situa a Praça Pio XII foi totalmente inundado. Fora uma enchente sem prcedentes. Também houve alagamento na área central da Rio Capinzal.

          Mas nossa comunidade, muito unida e determinada, contratou um responsável técnico, o Engenheiro Austríaco Máximo Azinel, que também teve o apoio do prático,  também austríaco,  Antônio Holzmann, e conseguiram reconstruí-la, agora com pilastras de concreto e com um vão central de 84,50 metros e ainda a parte de extensão imóvel. Hoje, na totalidade, atinge 142 metros. A segunda ponte exigiu um investimento de Cr$ 200.000,00 (Duzentos mil cruzeiros), e houve a participação do estado com Cr$ 90.000,00. Os Cr$ 110.000,00 faltantes e ainda muitos serviços, foram bancados pelos moradores dos Distritos de Capinzal e Ouro. Foi inaugurada em 1945. Os nossos benfeitores guardam, até hoje, plaquetas metálicas em que consta serem "sócios" do emprendimento.

          Cabe mencionar que tinha uma largula de 3,5 metros, o que possibilitava a passagem de carroças com tração animal e de pequenos caminhões, os quais transportavam artigos de consumo de Capinzal para o Ouro,  e suínos deste para serem abatidos no Frigorífico Ouro, mas que era localizado em RioCapinzal, ali próximo da Estrada de Ferro.

         Alguns anos depois da inauguração da Ponte Irineu Bornhausen, a chamada "Ponte Nova",  inaugurada em 06 de janeiro de 1955, a pista da Ponte Pênsil foi estreitada, ficando na largura atual, apenas permitindo-se a passagem de pedestres.

          Na enchente de 07 de julho de 1983, ela foi parcialmente destruída, sendo reconstruída pela ação dos Prefeitos de Capinzal, Celso Farina, e de Ouro, Domingos Antônio Boff. Entretanto, na segunda metade do ano de 1984, pouco tempo após a sua reconstrução, um violento vendaval seguido de ciclone atingiu a área central de Ouro, levando parte da cobertura de alumínio do Ginásio Municipal de Esportes André Colombo e derrubando a ponte.

         Foi uma cena horrível: A cidade escureceu na meia tarde, virou tudo noite, vieram fortíssimas rajadas de vento, o ar frio misturava-se ao quente, formava redemoinhos, as pessoas se agarravam aos postes e mesmo aos pneus dos carros estacionados na rua Felip Schmidt para não serem levadas pela sua força. E, num dado momento, os cabos laterais de segurança foram rompidos, a plataforma de madeira foi lançada ao ar sentido Sul/Norte, até a altura do topo das colunas altas que sustentavam os cabos de aço.

          Com o represamento do vento, foi tanta a força exercida, que as pilastras de concreto quebraram-se ao meio, na altura da plataforma, caindo tudo dentro do Rio do Peixe. Custou-me acreditar que isso tivesse acontecido. Presenciei a cena da janela da sala do Pré-escolar da Escola Prefeito Sílvio Santos, para onde corri quando percebi que vinha a escuridão. Preocupei-me porque esta era uma casinha de madeira, ao lado do prédio principal da Escola.  Com calma incentivei as crianças da Professora Neusa Bonamigo a "brincarem de se esconder" debaixo de suas mesinhas. Formulei uma brincadeira de nos escondermos, pois tive medo de que a edificação também desabasse sobre eles. A professora logo entendeu o que eu estava fazendo e o porquê. . Eu apontava o dedo para a janela sugerindo que fosse olhar sem as crianças notarem aquele cenário desolador. Fazia sinais e ela não imaginava a cena de horror que se passava lá fora. Eu não queria que as crianças se assustassem, mas entendeu que algo se passava e alojou os pequenos sob suas mesinhas.  Evitamos  que as crianças percebessem o que se passava. . Felizmente, nada de mal  lhes aconteceu.

          Alguns minutos  depois, a ocorrência de chuva. Um aluno nosso e o filho de uma professora, nossa colega, estavam sobre a ponte, mas conseguiram escapar de cair no rio ou serem atingidos pelos materiais da ponte. Caíram fora das águas. Tudo terminou bem. Mas as águas subiram e levaram todas as madeiras embora, de novo...

          No ano seguinte, 1985, foi reconstruída, com o aproveitamento das bases dos pilares e a fixação dos pórticos de sustentação dos cabos de aço sobre essas. Fizeram furações verticais nas pilatras restantes e conseguiram "chumbar" as colunas sobre elas. Tudo ficou bem novamente. Houve substituição do madeiramento por duas vezes, desde então, em 1991 e em 2005, , ficando no mesmo padrão, com o objetivo de preservar seu modelo arquitetônico, uma verdadeira obra de arte. Está ali, impondo sua simplicidade historica, majestosamente, sobre o nosso Rio do Peixe!


Euclides Riquetti
24-05-2013

Beijo com sabor de canela

Dê-me um beijo com sabor de canela
Um beijo bem gostoso, bem adocicado
Quero sentir as sensações que revela
Um beijo ardente, um beijo demorado.

Dê-me um abraço carinhoso, apertado
Abraço delicioso, quente e  sensual
Deixe-me sentir o seu corpo perfumado
Abraço terno, que me levanta o astral.

Dê-me a alegria de senti-la e assim
Sentir a alegria de quem dá e recebe
Sentir você bem juntinho de mim.

Beijos, abraços, o que mais querer
Se são os prazeres que você me concede?
Beijos e abraços, que me fazem viver!

Euclides Riquetti
01-08-2015

Uma semana de muitos reencontros (com conterrâneos)

          Uma das coisas de que eu muito gosto é reencontrar velhos amigos. E, nesta semana, em pelo menos 4 vezes, tive a alegria de rever pessoas que estiveram presentes em minha vida. Na terça-feira, num mercado em Herval ´Oeste, encontrei um casal que fazia compras. Cumprimentei-os e perguntei ao cidadão se ele era de Herval, se conheceu alguns amigos que fui mencionando. Perguntei se conhecera o Dircinho, aquele meu amigo que fora jogador de futebol profissional no Água Verde (Curitiba), Rio Branco (Paranaguá) Iguaçu (União da Vitória) e JEC (Joaçaba),  e virou maquinista de trem. Conhecera-o, mas não sabia do paradeiro dele. Pedro Álvares de Brito e a esposa Rose.

          Perguntei se conhecia o "Preta", um amigo de meu tempo de adolescência, que era de Capinzal, que jogou no nosso Palmeirinhas (da Rua da Cadeia...). Para minha surpresa, a esposa dele falou-me: Sou irmã do Preta! Foi pura alegria para mim. Disse-me que o Preta e o Reni, (Reinaldo e Reni Padilha),  seus irmãos, moram aqui em Joaçaba, até me indicou o local. Perguntei sobre o Romeu, irmão deles, que foi um dos melhores laterais esquerdos que vi jogar,  que veio do Vasco, de Capinzal, jogou no antigo Comercial, aqui de Joaçaba, disse-me que já é falecido. Consegui o telefone do Preta. Vou, uma hora dessas, fazer uma surpresa para ele.

          Na quarta, em outro mercado, agora em Joaçaba, encontrei meu ex-aluno e colega,  professor Darci Coelli, que foi meu aluno no Sílvio Santos, no Ouro. Estava com a esposa, a advogada Marcela, uma portenha de Buenos Aires, estudiosa de línguas, muito culta e amável. Foi uma verdadeira alegria vê-los e relembrar dos tempos em que o Darci era o aluno mais forte da sala, muito humilde, mas que recebia o apoio dos colegas e dos professores. É um vencedor! Agora foi embora do Brasil, mas estava por aqui, pois tem familiares residindo em Capinzal.

         Na quinta, pela manhã, ao voltar da costumeira caminhada, ouvi uma voz: "Ô, Riquetti!" Era o  Diomar, centroavante que jogou no Arabutã nos tempos que o campeão mundial de futebol, o Lico (Antônio Nunes), era nosso treinador. Lembramos de uma partida em que fomos jogar em Concórdia, com os másters daquela cidade e aplicamos 7 a 3. O Lico jogou apenas um tempo porque o joelho, aquele mesmo que o tirou do Flamengo aos 31 anos,  e o fez parar precocemente com o futebol, estava doendo. Lembrei das jogadas que o Lico nos orientava, que era para tomar a bola dos outros e passar para o Chimia (Valdir Thomé), que, canhoto, fazia bons lançamentos para o Diomar, que se posicionava no ataque entre o central e o lateral direito e, na indecisão deles, a bola ficava com nosso atacante, que fazia gol ou passava para o atacante da direita, que também fazia. Também estava lá o Alaor, filho  do Caetano Morais, e o gerente da Log Master, outro conterrâneo, e uma garota.  Lembrei com o Alaor dos tempos em que eu fugia da aula no Juçá Barbosa Callado, a Dona Holga Brancher era diretora, para jogar bolão às escondidas, porque eu era menor. Uma vez pulei a janela e esqueci o guarda-chuva na sala, tive que voltar, quietinho, para a sala d aula...Que vergonha!

          Já na sexta-feira, cedo, acabei encontrando dois homens trabalhando na construção do Posto do Batatinha, onde era a Lanchonete Trevo, perto do Hotel Joaçaba. Conversa vai, conversa vem, descobri que um era irmão da comadre Jurema, mãe do Ezequiel, meu afilhado, e da Clementina, mãe da Jocasta, lá do Alvorada, no Ouro. E o outro, Joel, sobrinho deles. Perguntei ao "tio" o seu nome e ele falou: "Deolice!" Sorri e falei: "Tenho certeza de que esse lhe foi dado por causa do Deolice Zênere, Prefeito de Capinzal na década de 1960". E não deu outra, foi isso mesmo! É irmão do Vilson, amigo do Chimbé, a quem já me referi em outra oportunidade aqui no blog, quando escrevi "Bahia, meu Deus do céu!"

        Quatro situações, o reencontro com  pessoas simples, que e viram na vida e que, felizmente, estão aqui firmes  e saudáveis. Um prazer enorme tê-los visto e batido um bom e saudoso papo com eles. Saúde e longa vida a todos vocês, amigos que guardo no coração!

Euclides Riquetti
01-07-2015

sexta-feira, 31 de julho de 2015

A noite é tua!

A noite é dos homens e dos meninos
É daqueles que sofrem acordados
De todos os corações maltratados
A noite é o palco dos desatinos...

A noite é o estágio  mais límpido
O melhor  cenário para a encenação
Dos dramas, dos romances, da ilusão
Da revelação dos segredos mais íntimos.

A noite é das mulheres e das meninas
Que viajam no universo do infinito
A esbaldar suas vontades femininas.

A noite é de todos os viventes
De rosto feio ou de rosto bonito
A noite é palco para todas as gentes!

É bem assim: é tua!

Euclides Riquetti
31-07-2015



Décima Crônica do Antigamente ... (reprise)

 Reprisando: mais uma de minhas crônicas da série "do antigamente"...
 
         Há aquele chavão muito batido e repetido:"Recordar é viver". Recordar, para mim, não é viveé reviver. E, quando recordo, revivo momentos de minha vida. Meu subconsciente esforça-se por deletar os ruins, dando  "stop-and-go" e chegando  a momentos que me trazem a sublime felicidade. Ah, mas não é tão mecânico, tão fácil assim...

          E, quem é antigo, como eu, tem muito mais a re-cordar, a re-viver. Bem hoje que o Vando, o colecionador de calcinhas e corações foi pro "outro andar", pegou o elevador pro céu. É, quem dilacerou tantos corações, fez afagos generosos a tantas almas, embalou tantos sonhos, encarnou tantas vezes o cupido, deixou-nos. Moça...

          Que bom quando podemos dizer algo de bom sobre alguém que muito nos deu "de bom". O Vando foi a alegria de muitos  jovens, como foi o Paulo Sérgio, de "Última Canção", o Evaldo Braga, de "Sorria", o Carlos Imperial com "A Praça", e tantos, tantos outros, que nos encantaram no som do três-em-um ou no toca-fitas do Fusca, do Chevette, ou da Brasília. Deus o receba romanticamente em sua Eterna Glória...

          E, lembrando-me dos antigos tempos românticos, lembro das noites dançantes do Primeiro de Maio, da Cabana, do Ateneu e do Floresta, na OUROCAP, e do "25", em Porto União da Vitória. E havia o romantismo singelo, puro, das pesoas que viviam os sonhos mais simples, como jogar ou ver voleibol no Floresta, no campinho do Botafoguinho, ali na XV, ou do Expresso, lá pras bandas do Santa Terezinha, estes em Capinzal, ou jogar futsal na quadra do Padre Anchieta. Bons aqueles tempos que minha mente atiçam, minha alma provocam. Bons, porque tínhamos uma poderosa juventude, uma força descomunal em cada um de nós, uma vida preciosa em cada ser e, em nossa imaturidade, não sabíamos quanto isso nos era importante...

          É, naqueles tempos não tínhamos a novela das seis,  a "Vida da Gente", a Marjorie Estiano,  mas tínhamos os filmes do Cine Farroupilha, do Cine Glória, onde íamos ver a Gina Lolobrígida, a Catherine Deneuve, a Brigitte Bardott, a Claúdia Cardinalle, a Marylin Monroe. E elas iam ver o Giuliano Gemma, o Dean Martin, o Marlon Brando, o Elvis Presley, o Kirk Douglas... E ouvir trilhas sonoras de Romeo anda Juliet e Love Story! Agora, amigo, amiga, tu podes curtir um Michel Telló, um MC-não-sei-o-quê, um funk arretado, ver um filme de mutações, ou qualquer outra banalidade que queira.

          Ter sido antigo me permite falar de pessoas assim. Até da Demi Moore, ex Senhora Bruce Willis, a belíssima de "Proposal", que está internada para desintoxicar-se de álcool e outras drogas, como já esteve a mais antiga do que eu, vera Fisher.

          Deus dá beleza e talento para muitas pessoas. Algumas desperdiçam isso, perdem a noção de quanto a vida é imortante, esquecem-se de re-cordar, de re-viver! E, eu, cá, desperdiçando minhas habilidades em escrever sobre o Telló.

Euclides Riquetti
09-02-2012 

Como se fosse um verão

Como se fosse um verão
Quero segurar tua mão
Numa praia deserta..

Não sei porque razão
Ao escrever  esta canção
Meu coração aperta...

Como se fosse tempo de sol
No quente, sem cachecol
Andando na beira do mar...

Vai  pelo tempo a lembrança
Talvez querendo ser criança
E nas areias brancas brincar...

Olhar teus  olhos que brilham
Beijar com gosto de baunilha
Abraçar teu corpo formoso

Dizer-te palavras escolhidas
Dizer-te versos com rimas
Querer-te de novo e de novo...

E, como se fosse um verão
Deitar no quente do chão
E rezar pra agradecer

E, em cada nova estação
Compor uma nova canção
Reviver, cantar, reviver...

Reviver, por você!

Euclides Riquetti
31-07-2015






Lá fora...

  
Vai lá pra fora
Olha as estrelas
É possível vê-las
Bem agora.!

Olha pro céu infinito
Negritude prateada
Noite abençoada
Firmamento bendito.

Pensa comigo:
A noite é dos sonhadores
Dos  sentimentos avassaladores
E eu me perco contigo.

As estrelas, o céu, os sonhos
Os teus olhos risonhos
Os teus pensamentos (medonhos?)
Me tornam menino, menino!

E alguém imprime um destino:

Quem?

Euclides Riquetti

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Água poluída para provas nas Olimpíadas do Rio

         No dia 02 de outubro deste ano serão completados 7 anos desde que, em Copenhague, na Dinamarca, o Brasil foi  escolhido como País-Sede para a realização dos Jogos Olímpicos de 2016, contemplando a cidade do Rio de Janeiro como palco do maior evento poliesportivo do mundo. Algumas tarefas, o tal do "dever de casa", não mereceu a devida atenção. Parece-nos que, como já é de nossa cultura, apenas há a preocupação com as obras que causem impacto visual, não com a qualidade estrutural. Na questão ambiental e  sanitária, um comportamento ridículo. Já gastaram R$ 10 bilhões para despoluir a Baía de Guanabara e dizem que precisam de mais R$ 20 bilhões.

         Os Jogos Olímpicos foram iniciados em Atenas, na Grécia, 2.500 anos antes de Cristo, embora alguns historiadores atribuam a datas mais recentes. Em 393 depois de Cristo foram suspensos,  e retomados em 1896,  com o início da realização das Olimpíadas da Era Moderna, também em Atenas. EM 1900, em Paris.  As Olimpíadas irão ter sua edição no Brasil no início do segundo semestre de 2016, daqui a um ano, portanto. No entanto, os principais noticiosos brasileiros desta quinta-feira, 30, nos dão conta de que a baía de Guanabara, e a Lagoa Rodrigo de Freitas, dois dos três locais onde serão realizadas as provas náuticas com equipamentos, estão  horrivelmente poluídas. E, de 10 emissores de esgotos existentes na Baía de Guanabara,  , apenas um foi adequado de forma a não mais poluir as águas. 

        Agora, velejadores estrangeiros que estão chegando para treinarem estão se queixando da péssima qualidade da água ali. Um competidor estrangeiro reclamava de que havia muitos animais mortos e  até móveis boiando na água, que se encontra excessivamente escura, denotando haver poluição no local, sem condições de balneabilidade e prática de esportes.

         Uma universidade gaúcha examinou as águas dos locais das provas e a constatação foi a de que as pessoas que tiverem contato com as mesmas correm sérios riscos de ficarem doentes, uma vez que há muitos vírus na composição.

          No Brasil, e lamento ter que dizer isso, o planejamento de ações públicas, normalmente, é feito por incompetentes e as ações acontecem na base da improvisação. É uma vergonha para nós, que em todos os momentos estamos nos noticiários por causa de nossos malfeitos. E, ainda esperamos que nossos atletas estejam sendo bem preparados, pois, como anfitriões, temos a obrigação de não fazer feio. fazer bonito, dadas as circunstâncias, é algo muito difícil.

Euclides Riquetti
30-07-2015

A lua azul...

Noite de poemas  e de lua cheia
Um belo luar de cor azul
Que como uma luz de candeia
Brilhará para a América do Sul.

As almas dos poetas flutuarão
Surfando nos ares enluarados
O coração exalando uma paixão
No luar dos sonhos enamorados.

Uma lua azul, um forte brilhar
Que adorna a terra e o firmamento
Uma lua azul a nos encantar...

Na noite de lua azul, de lua plena
O poeta eterniza o doce momento
Na noite clara, prateada e  serena.

Euclides Riquetti
30-07-2015








Quando os ventos sopram do sul

Quando os ventos do sul me trazem seu perfume
Vêm de leve para fazer carícias em meu rosto
E, prestes a chegarem as noites no mês de agosto
As estrelas me protegem com seu cândido lume .

Quando os ventos do sul me trazem ares celestiais
E as gotículas de aljôfar refrescam minha mente
Dorme o meu coração,  e vibra minha alma quente 
E os anjos se harmonizam na sinfonia de seus corais.

Cantam os anjos as ternas canções que você canta
Que me transportam para um indescritível paraíso
Para um castelo distante,  que a vista não alcança.

São as canções que os ventos do sul me trazem
Perfumadas com os acordes de que tanto preciso
Nos embalos harmônicos que feliz  me fazem.

Euclides Riquetti
30-07-2015








Rodovia em estado de "calamidade pública" em Piratuba. Até quando, Sr. Governador?

         Sabe, leitor, leitora, quando você, em algum lugar que julga muito desenvolvido, em que a qualidade de vida da população é assunto recorrente no discurso dos políticos, dá de cara com um problemão, e que este já esta se arrastando por muito tempo?

        Pois vamos à realidade! É moda no Brasil mudarem-se nomes de programas de Governo, de Órgãos de Governo, etc, etc. Pois, em Santa Cataarina, a parir de 2011, resolveram mudar a nomenclatura das rodovias e a SC 303, que liga Porto  União a Piratuba, construída e asfaltada no início da década de 1970,  a partir de decreto governamental, passou a denominar-se SC 135. E, não está claro para a população alguma coisa nessa identificação, ainda. Pois alguns sites da região publicam notícias dando como SC 150 o trecho entre Joaçaba e Capinzal. De Ibicaré para o Norte, tem outra identificação.

        Sempre tive que a rodovia que  se desprende da SC 135 e que nos leva (será que leva mesmo??), até a barragem da UHE de Machadinho, no Rio Uruguai, na divida de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul, tivesse outra identificação: SC 150...

         Bem, deixando à parte essa confusão, os fatos nos mostram uma dura realidade com relação ao pequeno trecho (uns 15 Km, no máximo...). Está com os buracos disputando o direito de permanecerem na pista de rolamento, atrapalhando a vida das pessoas e ocasionando acidente. O último aconteceu ontem, com uma caminhonete de Joaçaba.

         Ora, a "estradinha" foi construída na segunda metade da década passada, quando estavam construindo a barragem, para que o acesso ficasse facilitado, podendo passarem ali os caminhões e carretas com materiais e equipamentos. Porém, a pista está se deteriorando, está horrível e perigosa. Os órgãos do Governo do estado de Santa Catarina, em especial o DEINFRA, sabem muito bem que aquilo ali é um "estado de calamidade pública", acima de uma situação de emergência. E ninguém tem-se responsabilizado pela sua recuperação. Isso me faz lembrar do trecho entre o Engenho Novo e o Barro Preto, em Capinzal, que foi asfaltado há duas décadas e meia e, com o tempo, dada a deterioração, o leito da estrada foi "patrolado e britado", pois, assim, oferece mais conforto e segurança para quem o utilizado  do que se tivesse permanecido "asfaltado".

         Mais do que se dizer se o trecho é denominado SC 150 ou SC 135, é  preciso que se diga que os usuários da citada Rodovia, que tem muita importância para a região por facilitar e encurtar a distância na ida (ao) e na vinda (do) Rio Grande do Sul. E que está abandonado faz tempo, que se anunciam medidas paliativas para resolver a situação, e que mesmo assim não acontecem. Enquanto isso, mesmo com os protestos dos moradores locais (que são muitíssimo pacíficos, não sei até quando...), estão se ferrando.

Lamentável, Sr. Governador! Lamentável, autoridades que o representam na região! Vergonha para nossa Santa Catarina!

Euclides Riquetti
30-07-2015

Epopeia Poli (ti ) fágica (Vote Neu)

 

31 de agosto de 2011: reprise - Vale para os tempos atuais...

Modernos vendilhões, detonadores do erário
Arrumam-se à custa dos incautos e honestos
Locupletam-se, nutrem-se, verdadeiros mercenários
Cordeiros disfarçados, lobos infestos.

Lacaios, ladrões, são cada dia mais fortes
Decidem para si, sempre em causa própria
Mundanos de alma, manipuladores da sorte
Do Lúcifer tentador, são idêntica cópia...

Larápios, escusos, de anjos disfarçados
Sorrisos, acenos, tapinhas nas costas
Nos bares, nas esquinas, nos morros dobrados
Caminhões de votos é o que mais lhes importa.

Têm projetos fantásticos, de alcance social
Para os pobres as bolsas, para os outros a ilusão
Tudo visando à promoção pessoal
Mas para as coisas sérias não têm solução.

Por isso proponho, meu leal eleitor:
Vote em mim, seu incansável defensor!
Casa para todos, saúde, estradas, educação:
Tecle meu número (7) e confirme: Sou a solução!
Vote neu! Vote neu! Vote neu...
 
Euclides Riquetti

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Apenas uma palavra de amor

Quero que digas apenas uma palavra:
Um palavra de amor
Que venha de tua lavra
De teus poemas,  a fina flor...

Uma palavra que não esteja no dicionário
Talvez um pequeno sussurro
Que não esteja no glossário
Que não tenha sentido obscuro...

Preciso ouvir uma palavra carinhosa
Muito mais que um não ou um talvez
Que venha de tua voz melodiosa...

Quem sabe uma palavrinha inventada
Com a lógica da alma e da sensatez
Pelos teus lábios pronunciada!

Euclides Riquetti
29-07-2015





Na cadência das ondas do mar

Sonhei que flutuavas
Na cadência de um ninar
E enquanto repousavas
Num barco a derivar
Meu olhos te buscavam
Cansados de chorar.

Sonhei que, no  flutuar
Do teu belo rosto lívido
Naquele barco,  no mar
Onde o vento sopra rígido
Só me restaria  cultuar
Os teus jeitos  tímidos. 

Sonhei que me esperavas
Banhando-se com o luar
E que as estrelas que contavas
E que estavam a te cintilar
Eram palavras cantadas
Dos versos singelos de amar:

Versos meus que são teus
Que compus pra te louvar!

Euclides Riquetti
28-07-2015











Você é feia (reprise...)

terça-feira, 28 de julho de 2015

Como uma abelhinha

Como uma abelhinha, pousas de flor em flor
Buscas sugar o néctar doce e labial
E, sobrevoando este mundo de luz e cor
Ajudas - me  a pintar um quadro real.

Como uma andorinha, sobrevoas os confins
E vais  fazer  teu ninho sob meu  telhado
Com raminhos colhidos em todos os jardins
Singeleza a brotar num pequeno ser alado.

E, como uma princesa, uma  fada madrinha
Vais semeando estelas em todos os lugares
Com o acenar suave  de tua mágica varinha.

Vais, até que volte ao fim da tarde a brisa
Bailando nas nuvens brancas de meus ares.
Reanimando minha alma que de ti precisa.

Euclides Riquetti
28-07-2015


O Brasil em alto risco...

          A situação econômica do Brasil está calamitosa. A política,  também. O descrédito do atual Governo e todo o sistema em si, quando se verificam desentendimentos entre os Poderes Executivo e Legislativo, mais a constatação, pelos investidores, de que a corrupção anda à solta, põem em risco nossa economia, que vai de mal a pior. Os níveis de emprego caindo, os cidadãos retirando suas economias das cadernetas de poupança, os preços das mercadorias nos supermercados em elevação, e os que têm algum dinheiro guardado não querendo gastar porque temem que percam o seu emprego, infelizmente.

           Nesta terça,  A agência de classificação de risco Standard & Poor's colocou nosso País em perspectiva negativa a nota  brasileira, mas manteve o grau de investimento do país. Ficamos a "um fio da queda", um degrau fora da água, mas caminhando para a submersão.  Segundo a influente agência, a nota em moeda estrangeira de longo prazo foi mantida em nível "BBB-", (não, nada de Big Brother Brasil), ou seja, um degrau acima do nível especulativo, porém  a perspectiva passou de estável para negativa.

          O cenário é péssimo. A popularidade da Presidente reeleita está em baixa, com apenas 7,7 % de aprovação, de acordo com recente pesquisa do IBOPE. Ainda, a falta de diálogo e entendimento com o Congresso Nacional, em especial as desavenças com o Presidente da Câmara Federal, Deputado Eduardo Cunha, e a dificuldade de convencimento para que o ajuste fiscal proposto pelo Governo seja aprovado, mais a perspectiva de aprovação de projetos que aumentarão as despesas da União, causam turbulência no cenário econômico, com visível repercussão na credibilidade do Brasil, afastando os possíveis investidores estrangeiros. A Operação Lava jato, que investiga e revela a "bagunça e a corrupção" na gestão da Petrobrás, uma das maiores petroleiras do mundo, também é fator altamente influente. Em razão de tanta "notícia ruim", nosso Real está perdendo força. O dólar, hoje, está com a maior cotação dos últimos 12anos. Preocupante!

          A situação de Dilma Rousseff é bastante complicada. Nem seu Vice, Michel Temer, está conseguindo realizar a articulação política que ela esperava quando lhe conferiu a tarefa. E os riscos de impedimento existem embora haja controvérsias sobre a existência ou não de base legal para isso.

          Santa Catarina, nosso Estado, que sempre teve alto nível de empregos está com  a empregabilidade em risco também. O Turismo, que é a salvação de nossa lavoura no verão, está com péssimas perspectivas de sucesso. O setor tem apresentado um número de demissões assustador,  e a possibilidade de reação para este ano é muito ínfima.

          A incerteza é sempre algo que nos preocupa, em todos os campos da vida. Vamos torcer que as coisas se ajustem em médio prazo...

Euclides Riquetti
28-07-2015

        

Nona Crônica do Antigamente


De minha série de crônicas do antigamente, reprisando:

          Recordar e Pensar é preciso. Principalmente nós, que somos antigos, temos, sempre, muito que recordar. E recordar nos traz à  mente  situações que vivemos e das quais temos saudades. De algumas delas nos orgulhamos e queremos revivê-las. Nem que seja apenas no imaginário.  Outras, nosso subconsciente rejeita, ferrenhamente. Há uma pessoa que sempre me diz: "tem algumas coisas que minha mente quer apagar, nada há que me atraia a lembrar delas". E, mais:  "O que é ruim já deletei de minha cabeça. De pessoas desprezíveis quero distância. Se fui pobre, nem lembro".

           Concordo plenamente com ela, embora muitas vezes  isso nem seja possível. Mas vale desviar o pensamento das coisas que nos desagradam, canalizando-o para aquilo que nos deleita, que nutre nossa alma, que incita nosso ânimo, que nos dá mais prazer. Uma pessoa, uma vez, me disse que seu analista recomendou que trabalhasse o domínio de sua mente para não sofrer, procurando evitar lembrar de tudo o que fosse desagradável, dirigindo a mente para algo que lhe confortasse, que fosse auspicioso. Tem razão, ela.

          Mas, dentro de meus propósitos de ressaltar que sou antigo, muitas coisas me vêm à mente. Em 1988 estive candidato a um cargo político. Na época, em agosto, nasceu a Rumer Willis. Hoje ela tem 23 anos, é bonita, mora nos Estados Unidos. Meu filho, o Fabrício, tinha menos de um ano, e nós o levávamos para todos os lugares, principalmente às festas no interior do Ouro, onde se come churrasco de verdade nas festas das capelas. E a Michele sempre dava um jeito de, literalmente, cair na água de algum riacho, inverno ou verão. A Caroline vinha correndo chamar-nos. E, assim, lá pelas 14 horas, tínhamos que ir para casa...

          Ontem, dia 2 de fevereiro, ao caminhar pela rua central do Ouro, lembrei de meu pai, de minha mãe, de meu irmão, de muitos amigos que já se foram. Pessoas de quem lembro com muito carinho. A procissão de Nossa Senhora dos Navegantes pelo Rio do Peixe remeteu-me à minha infância, quando meu pai e uns amigos, com seus botes, realizaram uma procissão com a imagem de nossa padroeira, vindo da "ilha" até o "açude" e depois trazendo a imagem até o Seminário. Recordei-me do Sr. Reinaldo Durigon, provavelmente o seu maior devoto, que faz aniversário neste dia. Também do Olivo Zanini, que todos os anos ajudava a carregar a imagem desde o Rio do Peixe até a rua. Do Rodrigo Parmalat, que ficava ao colo da mãe, enquanto a barca aportava em sua propriedade, e o João Antunes da Costa, seu pai, ajudava a organizar o local por onde  a Santa passaria. Lembrei-me de histórias ouvidas da Dona Noemia Sartori, do Érico Dambrós, do Sr. Ivo Luiz Bazzo, do Pedro Zaleski, do Rozimbo Baretta, do Ivo Maestri e de outros, todas interessantes. Também imaginei o Afonsinho da Silva e sua esposa, Eleonora, ele balseiro e padeiro, estabelecido ali onde hoje é a Unidade Sanitária. Lembrei-me da história de que trouxe a imagem da Santa de Caxias do Sul, fez um capitel para ela, levado pela enchente. Mas, a imagem, intacta, foi encontrada por ele quando a água baixou, ali na margem do Rio do Peixe.   Momentos assim nos trazem muitas saudades. São os momentos indeletáveis de nossa mente.

          É, ser antigo nos  dá privilégios, conhecem-se mais histórias. Ah, a Marjorie Estiano, a Manu, da Vida da Gente, está enveredando para os lados do Eriberto Leão, agora Gabriel, ele que foi o "devagar" Pedro, naquela novela filmada em Floripa. Com a concordância da Julinha...

          Antes que eu esqueça, a Rumer Willis é filha do Bruce Willis. E da Demi Moore. É por isso que ela passa frio, lá nos "States", onde é inverno. Aqui, nós, calor de 35 graus e muito calor humano, para compensar.
 
Euclides Riquetti
03-02-2015

Rezei por você...

 
Rezei por você, adorável mulher
Pedi a Deus que realize seus sonhos
Escrevi as orações em folhas de papel
Para ler e reler nos momentos tristonhos.

Rezei orações singelas e poéticas
Orações para Deus e Nossa Senhora
Pronunciei as palavras ternas e diletas
E que possam ajudá-la em todas as horas.

Rezei, pedindo pela sua felicidade
Pela sua saúde, pelo seu bem-estar
Rezei porque sempre eu sinto saudades
Você que já  mora  no meu pensar

Rezei, rezei  muito,  infinitamente
Já perdi a conta de tantas orações
Quero que viva feliz e contente
E que possamos viver belas emoções.

Euclides Riquetti

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Cantam as roseiras

Cantam as roseiras que estão à espera
Para os cravos, crisântemos e lírios
Da chegada gentil da  Primavera
Cantam para as flores de seu convívio...

Cantam as roseiras e cantam as rosas
Animadas pelo áureo coral do passaredo
Entoam as canções líricas e lamentosas
Que ressonam no verdejante arvoredo.

E, enquanto cantam e nos encantam
Sorriem como moçoilas de saia escura
De meias pretas em pele de alvura.

E, enquanto as borboletas se alevantam
Sorri também aquela  do sorriso de luz
Que com  mãos leves  me guia e conduz.

Euclides Riquetti
27-07-2015



Antes de as estrelas voltarem

Antes de as estrelas voltarem
Haverá uma manhã e uma bela tarde
Quem sabe um sol sem alarde
Ou um sol bronze, dourador
Que nos traz no inverno o calor
Antes de as estrelas voltarem!

Antes de as estrelas cintilarem
Haverá um pensamento com asas
Que sobrevoará os jardins e as casas
E materializará os nossos sonhos
E os imaginares mais medonhos
Antes de as estrelas cintilarem!

Antes de as estrelas irem embora
Haverá uma felicidade renovada
Quem sabe uma esperança idealizada
Tão fortes como é o azul do firmamento
A alegria como o principal elemento
Antes de as estrelas irem embora!

Euclides Riquetti
27-07-2015

domingo, 26 de julho de 2015

Buscar-te

 

Buscar viver
Perto de ti
Perto de um rio
Perto de um mar.

Buscar viver
Buscar sorrir
Tornar a ti
Tornar a amar.

Buscar-te incessantemente
Perdidamente
Desesperadamente
Esperançosamente.

Apenas buscar-te
Estar perto de ti.
Apenas abraçar-te
Ver-te sorrir.

Encontrar-te:
Suavemente
Carinhosamente
Amorosamente...

E beijar-te!

Parabéns, vovô! Parabéns, Vovó!



         Neste belíssimo domingo com a tarde muito ensolarada e o céu azul estamos comemorando o Dia dos Avós,  que pode ser também dos Avôs. A data foi institucionalizada ainda em 1879,  pelo papa Leão XIII, cujo nome era Gioacchino, mas que em Português significa Joaquim. Ele teve a intenção de homenagear  aos pais da Maria Santíssima, a mãe de Jesus, Joaquim e Ana. Eles viveram em Nazaré, estavam em idade avançada, mas desejavam muito ter um filho. Deus, depois de muitas orações, concedeu que Ana ficasse grávida e o casal teve uma menina, que batizaram com o nome de Maria.

          Ana tornou-se Santa Ana e o marido São Joaquim. Ana morreu quando Maria tinha apenas três anos. E, adiante, Maria casou-se com José e tiveram um filho, jesus Cristo. O casal foi escolhido como padroeiros dos avôs e avós. Brasil e Portugal são os países em que a data é comemorada com certa intensidade. São Joaquim e Santa Ana são os avôs de Jesus Cristo, daí a importância que lhes foi conferida.

          Hoje almoçamos com a filha Carol e a Júlia, nossa neta Jujubinha. E ela tinha uma convidada, a Maria Clara, coleguinha e amiguinha dela, filha do Sandro e da Rita, nossos vizinhos. A Dona Santa, vovó da Maria Clara, mora aqui pertinho também. É uma senhora muito simpática e religiosa. Costuma cantar nos cultos e missas aqui da capela Santa Luzia, aqui do Nossa Senhora de Lurdes. Foi uma alegria almoçar com a neta e a amiga, fazendo as vontades da Jujubinha. Ela é muito carinhosa e, logo cedo,  ganhei um abracinho de ambas.

          Dizem que as crianças gostam dos avôs porque eles fazem as vontades deles. Acho que é um pouco diferente. Concordo com o Tchê Mendes que diz que as crianças gostam da gente porque temos mais paciência em lidar com elas. é, o tempo nos torna um pouco mais pacientes, mais entendedores do comportamento das crianças. E, ainda, temos muito mais tempo para nos dedicarmos a dar atenção a elas.

          Através deste texto, quero homenagear e parabenizar a todas as leitoras e leitores que já são avós e avôs. E ainda referir-me aos meus pais, Guerino e Dorvalina, que são os avôs de nossos filhos. Ainda, aos meus avôs Frederico e Genoveva (Piccoli)  Richetti, e  Vítório e Severina (Coltro) Baretta.

          Um carinhoso abraço em todos!

Euclides Riquetti
26-07-2015

       



Oitava Crônica do Antigamente (reprise...)

Reprisando minha série de crônicas "do antigamente:
 
          Sobre ser antigo ainda há muito a dizer. E, se tu ainda não o és, ainda o serás. A Marjorie Estiano, daqui a 30 anos, será bem antiguinha. Eu e a Vera Fischer também, porém um pouco mais do que ela. Seremos antigones.

          O ator Jim Sturgees tem 30 anos, nasceu em Londres. Em meio ao "fog londrino". E, nem por isso virou "foggy". Foi aceito para alguns filmes nos Estados Unidos. A Evan Rochel Woods nasceu no Canadá, tem 24 anos, onde tem neve em todos os invernos. No Canadá. Aqui tem sol em todos os verões, em todos os meses do ano. A dupla estrelou o musical  "Across the Universe", em que se apaixonam. Interpretam canções dos Beatles, o garotos de Liverpool que nos encantaram, a nós, antigos, e ao mundo, no início dos anos 60. Foram condecorados pela Rainha Elisabeth, da Inglaterra.

          A Gabriela é muito educada. E bonita. Toca piano. E nos deliciamos com os acordes que ela tira dele. De graça para nós, seus vizinhos, que escutamos, (e nos deliciamos), sem sair de casa! E toca belas músicas clássicas. O Heitor toca violino. O Fernando Spessatto tira belas composições de seu teclado. Ele  e o Heitor, juntos, são imbatíveis. O Pablo Rossi está melhorando sua condição de pianista no exterior, é um catarinense que nos orgulha muito.

          Uma mulher que tem o nome Gilberta Tedeschi pouco nos  diz. Mas se, seu prenome for Carla, aí a coisa melhora. Se disser que tem Bruni no primeiro sobrenome, tu já começas a pensar coisas. E,  se descobrires que ela é filha de mãe e pai músicos, industriais, ricos, e que foi modelo de sucesso e cantora, tem o italiano como língua materna, fala e canta em inglês e francês, é atriz, tem 54 anos, estudou na França e na Suíça, cursou a Sorbone, tu já concluis que é ela mesma, a fera,  casada com o Presidente da França, o Sarcozi: Carla Bruni, que não chegou onde chegou apenas por ser bonita, mas por ter alguns talentos e por ter frequentado as melhores escolas do mundo, orgulha os italianos e é bem quista pelos franceses.

          O Negão toca gaita.O Valdir Bonato também.  O Loide Viecelli também ajudava a animar as quadrilhas do Mater Dolorum nos invernos de minha adolescência. O velho Todeschini tocava uma Todeschini, lá na "Siap", que convencionaram chamar de Parque, mas que a maioria chama de Siap. Tem uma Senhora, amiga, lá na Linha Sete, que convencionaram chamar de Santa Lúcia, que toca gaita.

          Ah, o Michel Teló também toca gaita. O Borghetti toca gaita-ponto. O Luan Santana nem precisa de gaita, só canta. Outros tocam por ele. Eu nem toco flauta, porque respeito os outros. Não toco flauta nem em flamenguista. Só quero que percam os jogos para o Vasco, mas não temos tido muito êxito contra eles.

          O Teló arrumou uns padrinhos: O Neymar, jogador bem marqueteado; o Cristiano Ronaldo, jogador português que atua  na Espanha, e está enfernizando os ouvidos deles, lá. Ainda bem que eles nem entendem bem aquelas letras chulas, bregas, que mais desdizem do que dizem. O Luan Santana tem uma rede de TV que é sua madrinha, faz sucesso. O Negão, Olindo Esganzerla, nosso, tocava de graça. O Bonato  ainda ganhou uns dinheirinhos que lhe possibilitaram montar sua vidraçaria. O Todeschini morreu pobre, mas feliz. O Loide também foi morar no andar de cima. Tem o Tio Valério, meu vizinho, que  dedilha o teclado com maestria, animou os bailinhos de antigamente no interior do Ouro e em Nova Petrópolis.

          Acho que os compositores, aqui, têm contra si o Sol que,  em vez de iluminá-los, cozinha-lhes os miolos, e dali saem muitas composições que não nos orgulham em nada. Lá com o "fog" ou a neve, os cérebros se ativam para coisas mais "bem elaboradas".

           Ouvir canções dos Beatles, principalmente tendo o privilágio de conhecer suas letras, onde há canções de protestos, clamor pela paz e a propagação do amor, mesmo num rock pesado (para a época, pois agora isso já é clássico), e comparar com as bobagens gravadas atualmente no Brasil dispensa comentários. "Dear Prudence, see the sunny sky", (Querida Prudence, veja o céu ensolarado) cantaram Lucy  e Jude (Evan e Jim), no "Across the Universe". E eu, antigo que sou, lembrei de "Lucy in the  sky with diamonds", "Hei Jude", "Imagine", "Help" (I need somebody=Eu preciso de alguém) . E até chorei...

Euclides Riquetti
22-01-2012        

Beijar teus olhos

   
Quero beijar teus olhos sedutores
Apalpar as maçãs de teu rosto, avermelhadas
Quero  fitar teus lábios tentadores...
Acariciar as tuas madeixas onduladas.


Quero que cada beijo seja como o da primeira vez
E mergulhar no teu corpo que me alenta 
Mordiscar o perfume de tua tez
E cheirar tua pele doce  que me tenta.

Quero, sobretudo, ver teu belo sorriso
E sentir que sou amado, sou correspondido
Porque és tudo o que há de bom e de que eu  preciso!

Quero te querer, te desejar,  te quero
Quero te flechar e ser o  teu cupido
Quero te entregar todo o amor sincero!

Euclides Riquetti