terça-feira, 28 de julho de 2015

Nona Crônica do Antigamente


De minha série de crônicas do antigamente, reprisando:

          Recordar e Pensar é preciso. Principalmente nós, que somos antigos, temos, sempre, muito que recordar. E recordar nos traz à  mente  situações que vivemos e das quais temos saudades. De algumas delas nos orgulhamos e queremos revivê-las. Nem que seja apenas no imaginário.  Outras, nosso subconsciente rejeita, ferrenhamente. Há uma pessoa que sempre me diz: "tem algumas coisas que minha mente quer apagar, nada há que me atraia a lembrar delas". E, mais:  "O que é ruim já deletei de minha cabeça. De pessoas desprezíveis quero distância. Se fui pobre, nem lembro".

           Concordo plenamente com ela, embora muitas vezes  isso nem seja possível. Mas vale desviar o pensamento das coisas que nos desagradam, canalizando-o para aquilo que nos deleita, que nutre nossa alma, que incita nosso ânimo, que nos dá mais prazer. Uma pessoa, uma vez, me disse que seu analista recomendou que trabalhasse o domínio de sua mente para não sofrer, procurando evitar lembrar de tudo o que fosse desagradável, dirigindo a mente para algo que lhe confortasse, que fosse auspicioso. Tem razão, ela.

          Mas, dentro de meus propósitos de ressaltar que sou antigo, muitas coisas me vêm à mente. Em 1988 estive candidato a um cargo político. Na época, em agosto, nasceu a Rumer Willis. Hoje ela tem 23 anos, é bonita, mora nos Estados Unidos. Meu filho, o Fabrício, tinha menos de um ano, e nós o levávamos para todos os lugares, principalmente às festas no interior do Ouro, onde se come churrasco de verdade nas festas das capelas. E a Michele sempre dava um jeito de, literalmente, cair na água de algum riacho, inverno ou verão. A Caroline vinha correndo chamar-nos. E, assim, lá pelas 14 horas, tínhamos que ir para casa...

          Ontem, dia 2 de fevereiro, ao caminhar pela rua central do Ouro, lembrei de meu pai, de minha mãe, de meu irmão, de muitos amigos que já se foram. Pessoas de quem lembro com muito carinho. A procissão de Nossa Senhora dos Navegantes pelo Rio do Peixe remeteu-me à minha infância, quando meu pai e uns amigos, com seus botes, realizaram uma procissão com a imagem de nossa padroeira, vindo da "ilha" até o "açude" e depois trazendo a imagem até o Seminário. Recordei-me do Sr. Reinaldo Durigon, provavelmente o seu maior devoto, que faz aniversário neste dia. Também do Olivo Zanini, que todos os anos ajudava a carregar a imagem desde o Rio do Peixe até a rua. Do Rodrigo Parmalat, que ficava ao colo da mãe, enquanto a barca aportava em sua propriedade, e o João Antunes da Costa, seu pai, ajudava a organizar o local por onde  a Santa passaria. Lembrei-me de histórias ouvidas da Dona Noemia Sartori, do Érico Dambrós, do Sr. Ivo Luiz Bazzo, do Pedro Zaleski, do Rozimbo Baretta, do Ivo Maestri e de outros, todas interessantes. Também imaginei o Afonsinho da Silva e sua esposa, Eleonora, ele balseiro e padeiro, estabelecido ali onde hoje é a Unidade Sanitária. Lembrei-me da história de que trouxe a imagem da Santa de Caxias do Sul, fez um capitel para ela, levado pela enchente. Mas, a imagem, intacta, foi encontrada por ele quando a água baixou, ali na margem do Rio do Peixe.   Momentos assim nos trazem muitas saudades. São os momentos indeletáveis de nossa mente.

          É, ser antigo nos  dá privilégios, conhecem-se mais histórias. Ah, a Marjorie Estiano, a Manu, da Vida da Gente, está enveredando para os lados do Eriberto Leão, agora Gabriel, ele que foi o "devagar" Pedro, naquela novela filmada em Floripa. Com a concordância da Julinha...

          Antes que eu esqueça, a Rumer Willis é filha do Bruce Willis. E da Demi Moore. É por isso que ela passa frio, lá nos "States", onde é inverno. Aqui, nós, calor de 35 graus e muito calor humano, para compensar.
 
Euclides Riquetti
03-02-2015

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Amigos, peço-lhes a gentileza de assinar os comentários que fazem. Isso me permite saber a quem dirigir as respostas, ok? Obrigado!