sábado, 23 de março de 2013

Primeiros Dias de Outono

O outono nos trouxe suas primeiras manhãs
Acanhadas, tímidas, ventosas
Levemente chuvosas
Mas também manhãs.

E nos trouxe as tardes amenas
As nuvens claras e cautelosas
Quietinhas , dengosas...
Apenas nuvens, nuvens apenas...

O outono nos traz lembranças
Das pessoinhas  agasalhadas
Luvas nas mãos, jaquetinhas bordadas:
Adoráveis e belas crianças.

O outono nos leva ao passado
Aos momentos mais sentidos
Aos abraços mais comovidos
Recebidos e dados: lembrados!

Ah, outono, quantas e quantas saudades...

Euclides Riquetti

quinta-feira, 21 de março de 2013

O Tempo Passa...

O tempo passa...
E isso é uma verdade incontestável.
A vida se vai
E deixa sinais inapagáveis!

O tempo passa, calado
Então é preciso agir
Porque há um mundo a ser ousado
Uma realidade a se construir.

O tempo passa
Vai-se como um sopro de vento
Vai-se,  imperceptível e lento
Mas ele passa...

E, mesmo calmo e silencioso
Vai, despertando saudades nas pessoas
Despertando boas lembranças dos momentos
Nutrindo vaidades ou sentimentos
Enquanto passa!

O tempo passa
E isso é, mesmo, a maior verdade
E,  nos rostos,  ele vai deixando
Suas marcas indeléveis.
Por onde  passa...

Euclides Riquetti
21-03-2013

quarta-feira, 20 de março de 2013

Emendando Latas

          Certamente que você, sessentão (ona), já inserido na sociedade consumista,  não olha com bons olhos toda aquele montoeira de lixo que sai de sua casa, diariamente, para que o caminhão a leve para o lixão, o aterro, ou a usina. E você passa a verificar, (e analisar)  quanta coisa boa está indo para o lixo.

          Já fomos da geração dos hippies, da  coca-cola, do chicletes, do x-burger... Mas já fomos da geração das latinhas emendadas, lembra?  Aquela em que, nas casas, todos zelozamente faziam furinhos nos cantos extremos da lata de azeite, retangular, com um preguinhos, para não estragar o vasilhame e aproveitá-lo para alguma coisa? Ah, duvido que não!

        Meu lado "antigamente" levou-me, hoje, para os tempos do óleo "Primor" e do "Sol Levante", produzidos com o legítimo caroço de algodão, embalado em latas, que "quem podia", comprava para compor os temperos das saladas. Sim, só para isso,  porque, para cozer, somente usavam  banha. Até lembrei-me que, em 84, no dia 7 de setembro, encontrei o Saul Parisotto, ali na XV, em Capinzal e eu estava de muletas, perna direita com gesso. E ele: "E aí, Riquetti, o que aconteceu?" - Expliquei-lhe que quebrara a perna, dois rachos no perônio, um na tíbia, ali no Arabutã, jogando futebol na friíssima  manhã de 22 de julho, o dia mais gelado de 1984. E, ele, prontamente: "Sempre digo que os ossos das pessoas estão ficando fracos. É o óleo de soja! Quando cozinhavam com banha isso quase que não acontecia! De repente que ele tenha razão.


          A partir da década de 1970, com a introdução das plantações de soja nos estados do Sul, o óleo comestível passou a  ocupar o lugar que antes era da banha, mas não é essa a questão que quero abordar...

          Bem, no meu antigamente, década de 1960, havia pelo menos três funilarias no antigo Rio Capinzal: a do Santo Segalin (com o filho Nilton), na Felip Schmidt, próxima ao Clube Floresta; a do Valdomiro Morosini, na Rua Narciso Barison, em que trabalhavam com ele o Paulino Teixeira e seus filhos, inclusive o que virou "Sargento Teixeira", e o Nelson Morosini. E, na Rua Dona Linda Santos, um pouco depois, a do Carlos Segalin, que também estabeleceu-se por conta própria. Todos originários da do Santo.

          Todos eles eram mestres em emendar latinhas. As pessoas guardavam as latas de óleo  vazias, levavam para eles, e eles faziam-lhes utensílios. Aparavam as bordas de cima, rebitavam e estanhavam-lhes os cabos, e tínhamos belos canecos, para usar na tirada do leite, para beber água na fonte, ou para apanhar a água que fervia na panelona de alumínio, a qual  descansava na chapa do fogão a lenha e jogar sobre a louça na pia. Ah, quantos canecos "Primor e Sol Levante".

          Mas outras coisas bem mais valiosas também eram feitas com as chapas das latas abertas e justapostas: chuveiros de campana, banheirinhas para bebês, bacias para amassar o pão, e  formas para assar pães, redondas, retangulares, onduladas.  E, com isso, além de se ter economia, não se produzia o incontável lixo que hoje se produz.

          Lembro bem  do preciso trabalho desses artesãos. Soldavam,  utilizando estanho, a ponta do soldador envolvida em brasas para ficar superaquecida, o fole acionado com as mãos ou os pés para soprar o oxigênio e manter os carvões bem acesos. E o capricho, o carinho empregado em cada peça produzida, como se fora para si próprio!

          Hoje tudo é prático. Os produtos vêm com as mais criativas e bem desenhadas embalagens e, ao fim do dia, temos todo aquele lixo para jogar fora. Olhamos para tudo aquilo: garrafas, copos, pacotes, pratos, bandejas, cordões, fitas, tudo coisa muito bonita, usados somente uma vez, e indo para o lixo... Quanto desperdício! E pensar que, antigamente, vivíamos sem tudo isso. Mas também sem ficar, a toda a hora, escutando notícias de que lá, em algum lugar, choveu muito e a água levou todas as garrafas pet e pacotes de plástico para as valetas, trancou as bocas dos bueiros e deu aquela inundação...

Euclides Riquetti
22-03-2013

Pa(i)trocinadores

         Nesta segunda,  visitei o estabelecimento de um amigo, aqui  em Joaçaba. Conheço-o há mais de duas décadas. É uma pessoa que escreveu sua biografia calcada no trabalho. Não precisa ser promovido, pois está "no mercado" há muitos anos, construiu seu patrimônio cultural e intelectual sem precisar de padrinhos. Comentamos vários assuntos, de política, de gestão pública, meio ambiente e até um pouco sobre futebol. Gosto muito de conversar com gente madura, que já percorreu todas as espécies de caminhos. 

          Ambos somos pessoas de opinião firme, não precisamos "bailar" de acordo com as convenções ou os interesses. Enfim, não precisamos "dançar conforme a música".  Podemos pautar nossa conduta sobre as verdades que defendemos, não precisamos de que todos gostem de nós. Algumas  vezes, pelas posições que defendemos ou tomamos, levamos ferro. Mas não nascemos para sermos simplesmente tapetes. E nem precisamos que nos coloquem tapetes para pisarmos.

          Uma das histórias que o cidadão me contou calou em mim. Dizia ele que uma senhora, sua conhecida,  projetou e idealizou o caminho que uma filha devesse trilhar, desde pequena. Sonhou e proporcionou a ela, junto com o marido, o melhor em termos de educação. Bons educandários e todos os materiais e acessórios que lhe permitissem angariar uma base sólida de estudos, com o fito de, ao tornar-se adulta, ter uma ocupação digna e rendosa, possivelmente constituir sua própria família, palmilhar seu próprio caminho. 

          Sabemos que muitos pais movem montanhas para verem seus filhos felizes e realizados. Bancam-lhes  as melhores escolas, os cursinhos, as melhores acomodações e as melhores faculdades. Não bastasse isso, colocam em suas mãos um carro aos dezoito anos, cartão de crédito, etcetera e tal. Outros, apenas lhes dão a educação familiar e os colocam para estudar em escolas públicas  (até mesmo porque não possuem dinheiro suficiente para dar-lhe boa vida). E eles que se virem. E, muitos desses, conquistam excelentes posições no meio em que vivem. Vão buscar, além da Faculdade, as especializações, os mestrados, doutorados e mesmo o pós-doc. Vários filhos de amigos meus e até ex-alunos foram para o exterior, com suas próprias pernas. E cabeças...

          Mas, voltando lá atrás, disse-me o amigo que a tal senhora andava muito contrariada porque organizou uma bela festa de casamento para sua filha e, no dia, a noiva não aceitou tirar fotos junto às mesas dos convidados, nem mesmo foto com uma das avós. Disse que isso era coisa fora de moda, "cafona", que não tiraria, que a festa era dela e pronto.

          Esse filme já vi antes. Vi em película e em digital. Os pais programando a vida de seus filhos e, com muito orgulho, desejando mostrá-los para seus amigos no dia da formatura ou do casamento. E os filhos dizendo que a formatura é deles, o casamento é deles, tudo é deles e que tem que ser do jeito deles. Para mim, usando um chavão bastante surrado já, digo: "Nem tudo a Pedro e nem tudo a Paulo".

         Isso,  hoje,  acontece com muitas famílias. Há um hiato considerável entre a maneira de pensar dos pais e a dos filhos. O diálogo, antecipado, ainda é a melhor saída. Buscar uma solução convergente se faz necessário. Mas os filhos também precisam esforçar-se para entender a posição dos pais. Até mesmo porque, sem o dinheiro deles,  não haveria festa alguma. O fator pa(i)trocínio precisa ser considerado. Fortemente!


Euclides Riquetti
20-03-2013


       

         

terça-feira, 19 de março de 2013

Poder Sonhar

A liberdade é como o vento:
Sopra, ora para esta, ora para outra direção...
Liberdade é o fogo que queima a lenha, vira brasa e aquece a água e as almas.
É como o pássaro que voa no ar
A água que corre pelo vale
O canto da gaivota que plana, sem cansar
Sobre o mar.

Liberdade é um dia de sol:
É quando as nuvens  se escondem atrás do azul infinito
Ou a noite matizada por estrelas.
E, quando perco o rumo de meus olhos para vê-las
Se perdem na imensidão.

Liberdade é como o grito da vitória
O Soco no ar
O abraço comovido.
É o olhar sobre o vasto campo florido
Colorido!

Liberdade é poder não ter que  levantar-se cedo
É poder deslizar os pés descalços
No verde gramado
É poder sentar no banco da praça e dizer: Este lugar é meu, aqui é o meu lugar!

Liberdade é andar com a pessoa que se ama
Sem ter hora pra chegar
Em nenhum lugar.
E apenas poder...
Continuar a sonhar!

Euclides Riquetti
19-03-2013









segunda-feira, 18 de março de 2013

A Conferência das Cidades.

         Os noticiários e sites das cidades do Vale do Rio do Peixe passam a anunciar uma nova Conferência Regional das Cidades. Cada cidade fará sua reunião preparatória e Joaçaba realizará a conferência maior. A população é convidada a participar,  mas só quem tem representatividade poderá votar e ser votado para atuar como delegado à Conferência Estadual.

        Na conferência anterior, cada cidade realizou a sua preparatória e depois aconteceu a Regional, no Auditório Jurídico da Unoesc. Foi uma lástima, uma vergonha. Saí de lá chateado porque as propostas votadas e encaminhadas foram pequenas afrontas à inteligência. Coisa tipo que o Governo Federal deveria dar mais dinheiro aos Municípios para eles contratassem empresas para  a feitura de projetos, alteração dos percentuais de FPM (Fundo de Participação dos Municípios) de modo que os municípios possam ter mais dinheiro e executar seus projetos. E muitas coisinhas típicas do varejo, nada para o atacado.

      Um advogado amigo meu, o Carlos Brustolin, tinha algumas ideias muito parecidas com as minhas, que seriam próprias para cidades como as nossas do Baixo Vale do Rio do peixe, com menos de 30.000 habitantes. Uma delas  era a de que se viabilizasse implantação de vilas jurídicas fora dos concentrados urbanos, onde  deveriam funcionar todos os órgãos públicos, repartições e autarquias. Joaçaba, por exemplo, proporia Lei para que essa transição ocorresse em 10 anos. Uma área ampla  deveria ser designada, um  lugar de fácil acesso regional, até porque os órgão públicos que aqui se localizam, muitos deles, atendem interesses regionais.

           A área  escolhida teria seu Plano Diretor e os órgãos comprariam o necessário de espaço para as construções, acessos e estacionamentos. Isso desafogaria toda a ára central de um movimento de veículos inútil, que só traz problemas para a cidade, pois entende-se que os que acessam esses serviços pouco deixam no comércio local. A área antiga ficaria como  um centro de comércio,  ainda melhor do que já é. O Executivo deveria porpor leis e o Legislativo analisar e, sendo concensuais, aprová-las. Mas na conferência o público presente não tinha compreensão disso. Fora uns poucos engenheiros do CREA e AMMOC, as prefeituras encaminharam funcionários que exercem funções que nada tinham a ver com os temas dos 4 eixos propostos pelo Ministério das Cidades. E a sociedade estava ausente. As entidades que representativas estavam ausentes, não deram importância ao que estava acontecendo. Vão, ainda, se arrepender disso...

          Não acredito muito que o quadro possa mudar para a Conferência deste ano. Mas vou fazer a minha parte.
          Na forma como o desenvolvimento das cidades tem sido entendido, cada vez mais vê-se crescer o caos da mobilidade. Se tivermos ações planejadas poderemos evitar mais dores-de-cabeça do que já temos, evitando muitos outros  problemas muito maiores que ainda estão por vir. E virão, ninguém duvida disso, pois quem iria imaginar,há  20 anos, que as cidades um dia viessem a ficar abarrotadas de carros como hoje.   ´

          As pessoas estão preocupadas com vagas para estacionar. Ora, isso é fácil de resolver: A iniciativa privada pode ser estimuldada a construir edifícios de estacionamento, como já acontece nas cidades grandes. Essa verticalização resolve um problema, mas faz aumentar o tamanho do outro. Não é só lugar para guardar carros, é lugar para que eles andem, sem confusão.

          A Conferência das Cidades é o fórum para que as pessoas possam melhorar seu conhecimento e opinar sobre os problemas, sugerindo soluções. E as autoridades maiores devem dar o bom exemplo, participando de todas as reuniões. Até porque as idéias discutidas precisam ser bem assimiladas. Ao contrário, continuarão a empurrar os problemas com a barriga e, quanto mais o tempo passa, mais difícil fica resolver.  

          Tenho propostas claras, firmes e exequíveis sobre a mobilidade urbana, que estarei levando à Conferência. Principalmente sobre mobilidade urbana para nossas pequenas cidades.  Se a conferência acontecer quando eu estiver fora, vou protocolar propostas que refletem meu pensamento junto à Comissão Coordenadora. Não quero omitir-me. Estarei verificando o interesse pela participação no evento e as propostas apresentadas e aprovadas. Cobrarei posições dos que se omitirem, embora o propósito é de que as coisas efetivamente aconteçam e deem resultados positivos.

Euclides Riquetti
18-03-1013



domingo, 17 de março de 2013

Voa, pensamento

Sagaz inspiradora de palavras e  versos
Mergulha-se  em devaneios e ilusão
Escravos pensamentos estão despertos
Companheiros na  sua solidão.

Olhos castanhos/negros  que  censuram
As palavras nos seus lábios pronunciadas
As mãos graciosas outras mãos seguram
O sonho que rouba as  madrugadas.

Vaga pisoteando pedras entre a verde relva
Vaga sem cuidados, sem limites, sem reservas.
Entre sucessos, tropeços  e conquistas.

Voa o pensamento entre as nuvens alvas
Voa no firmamento sua dileta alma
Equanto a névoa lhe embaraça as vistas.

Euclides Riquetti
17-03-2013