sábado, 11 de setembro de 2021

Abra sua alma encantadora





Abra sua alma encantadora
E deixe-me chegar...
Brilhe em sua aura sedutora
E deixe-me entrar...
Espalhe seu largo sorriso
Por todo o caminho...
Deixe que eu lhe proporcione
Todo o meu carinho!

Abra seu sempre afável coração
E deixe o amor chegar...
Abra para a forte paixão
E deixe-a  entrar...
Estenda-me sua mão delicada
Para que eu a pegue...
Quero ternamente segurá-la
Apalpá-la de leve...

Deixe-me fazer isso!
Apenas quero fazer isso...
Bem assim!

Euclides Riquetti

Quero te dar este poema

 


 

Resultado de imagem para imagem homem remando barco

Eu quero te dar este poema
Que, mesmo com rimas pobres
Enseja sentimentos nobres
Por isso te faço  este poema...

No mar, o barqueiro rema
(Ou será o canoeiro?)
E eu articulo palavras e versos
Procuro ordenar pensamentos incertos
Enquanto o barqueiro rema...
(Ou será o canoeiro?...)

Fiz para ti um desenho na areia
De sóis, de estrelas, de musas
Foram apenas imagens confusas
Mas fiz para ti um desenho na areia...

E, no a(noite)cer, apenas o murmúrio do mar
Harmoniado no embalo da triste canção
Escura é  a paisagem na imensidão
Mas agora, no a(noite)cer, apenas o murmúrio do mar...

E lá, mais lá, como cá, sopra o vento...
Move as folhas verde-escuro tingidas de noite
A maré lança às pedras  o seu doce açoite...
E lá, como cá, sopra o vento!

E eu penso em ti...

Praia de Canasvieiras, Fpolis, em 11-11-11

O doce aroma que perfuma

 


 




Traz-me o vento que balança a cortina
O doce aroma do fruto goiaba
Que vem perpassando o vão da janela
E me lembra de sua cor linda,  amarela
Cobrindo a polpa vermelho-rosada
Ah, doce aroma que perfuma...e que me anima!

Traz-me de volta seus olhos fugidios
E leva meus lamentos pelas águas do rio.
Traz-me o vento lembranças gostosas
Lembranças que me fazem bem e me afagam
Lembranças verdes e maduras
Que dividíamos com ternura
(E que de min´alma meus pecados apagam...)
Das frutas tenras, macias e saborosas.

Traz-me de volta seus  olhos fugidios
E leva meus lamentos pelas águas dos rio.

Do rio que sai de mim
E que busca você.
Apenas dele...

Euclides Rquetti

Um sábado belíssimo: fique bem...

 




Resultado de imagem para imagem sol em Joaçaba

Tenha um sábado belíssimo
Um dia levemente ensolarado
Um céu azul com matizado
De nuvens brancas, lindíssimo!

Tenha um sábado de alegria
Muita jovialidade e animação
Muita paz no seu coração
E o prazer de viver este dia!

Tenha um sábado diferente
Com suas coisas dando certo
E meu espírito estará perto
Cuidando de você, certamente!

Tenha um sábado gracioso
Muita motivação para a vida
Reencontros sem despedidas
Um dia simplesmente gostoso!

Pois vou fazer-lhe uma oração
Pedir pra todos muita saúde
Equilíbrio com amplitude
Muito carinho no coração.

Fique bem, fique muito bem!

Euclides Riquetti

Entregue-me seus sonhos, seus segredos...


 

Resultado de imagem para fotos mulher baby doll


Entregue-me seus sonhos
Seus desejos
Seus medos
Entregue-me seu olhar
Seus cabelos
Seus seios
Seu corpo de modelo...

Entregue-me tudo sem pedir nada em troca
Faça-me perguntas sem esperar respostas
Faça-me carinhos e diga-me coisas que nos importam
E eu  darei amor, abrigo, agasalho, e tudo de que gosta.

Entregue-me seus sonhos juvenis
Ternos
Eternos
Sutis...
Mas entregue-os.

Entregue-me tudo sem nenhum temor
Como se me estivesse dando apenas uma flor
Entregue-me seus lábios de cor delícia e de sabor cereja
Entregue-me sua alma que me acalenta e deseja.

Coloque suas mãos entre minhas mãos
E entre meus dedos seus delicados dedos
Entregue-me com  paixão  seus grandes segredos!
Apenas seus segredos...
Para que eu possa
Compreendê-los!...

Euclides Riquetti

Você abusou, crônica



      
          Os anos 60 e 70 foram pródigos em nos oferecer festivais da canção. Muitos cantores surgiram para o estrelato oriundos  dos festivais. De vez em quando me vejo cantando uma  daquelas músicas, como "Caminhando contra o vento...sem lenço e sem documento...

         Pois, na manhã de hoje, povoava minha cabeça aquela canção do Antônio Carlos e do Jocáfi, dupla de participantes do Festival Internacional da canção. Começaram em 1969 e fizeram muito sucesso a partir de 1970. Cantei: "Você abusou... tirou partido de mim, abusou..." E fui buscar a letra completa, que aqui estou colocando: os mais antigos a conhecem, conhecem a melodia. Os mais jovens poderão ver a melodia pesquisando. Letra simples, mas que com excelente embalo melódico, caiu bem no gosto popular:

"Você abusou
Tirou partido de mim
Abusou
Tirou partido de mim
Abusou
Tirou partido de mim
Abusou
Mas não faz mal
É tão normal ter desamor
É tão cafona sofrer dor
Que já não sei se é meninice ou cafonice
O meu amor
Se o quadradismo dos meus versos
Vai de encontro aos intelectos
Que não usam o coração
Como expressão

Você abusou ....

Que me perdoe
Se eu insisto nesse tema
Mas não sei fazer poema ou canção
Que fale de outra coisa
Que não seja o amor
Se o quadradismo dos meus versos..."

          Até destaquei, aqui, esta parte tão significativa da letra, pois, em tempos de relações tão conturbadas entre as pessoas, parece atualíssima. Isso não quer dizer que assim deva ser, mas é, de fato, algo muito significativo e que nos remete a reflexões:

É tão normal ter desamor
É tão cafona sofrer dor
Que já não sei se é meninice ou cafonice
O meu amor
Se o quadradismo dos meus versos
Vai de encontro aos intelectos
Que não usam o coração
Como expressão

           Ora, pessoalmente, como poeta romântico, ainda considero que o sentimento deve prevalecer sobre os instintos, que o filosófico deve prevalecer sobre o material, que o amor deve sobrepor-se à razão. Mas isso é coisa de poeta...Nem todos pensam assim.

Euclides Riquetti
14-01-2015

Na lentidão dos sonhos

 


 

Resultado de imagem para fotos casal dormindo



Na lentidão de meus sonhos, na noite desvalida
Os anjos tocam seus clarinetes, harmoniosamente
Querem acordar-me,  suavemente
Querem apenas  dar-me de presente
Uma  noite já protegida.

Meu sonhos se portam bravamente!
Não é uma bravura com espadas
Nem com revólveres e coronhadas.
Não é um agredir minha agressora
Nem um reagir diante de uma mulher... sedutora!
É apenas um deixar-me levar por ela... mansamente!

Enquanto os cavalos da noite trotam seus galopes
Flechas encupidadas singram os ares embebidas
Para estraçalhar corações de mulheres ofendidas!
Ah, como sofrem aquelas que amam
E não são correspondidas!

E enquanto os sonhos vagam entre medos e coragens
Vão-se fortalecendo as almas que pedem passagem
Que querem se encontrar.
Para  singelos e delicados afagos
Trocarem beijos delicados
E apenas ... querer, desejar.... amar!!
Apenas isso...

Euclides Riquetti

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Movem-se as estrelas

 


 

Resultado de imagem para fotos mulher olhando estrelas

Movem-se as estrelas no céu
Durante a noite
Movem-se no firmamento escuro
Durante a noite!

Movem-se as estrelas para abrir caminhos
Para teus passos
Movem-se as estrelas devagarinho
Bailando no espaço...

Movem-se as almas pecadoras
Nas noites e dias
Nos corpos das mulheres sedutoras
Noites e dias!

Movem-se as almas acanhadas
Buscando seus corpos
Movem-se nas ruas e calçadas
Nas praças e nos portos!

Movem-se as estrelas e as almas pecadoras
Movem-se pelo mundo
Movem-se nas manhãs encantadoras
E em noites de sonho profundo!

Também move-se a alma
Move-se a estrela
Que há em você!

Euclides Riquetti

Poetas precisam de paixão

 



Poetas precisam de paixão
Precisam de inspiração...
Precisam tanto do ar
Quanto precisam do mar...

Navegam entre a calmaria
E a turbulência...
Rezam a Ave Maria
Com eloquência...

Poetas endoidecem
E até padecem...
Padecem por falta de amor
E do perfume de uma flor...

Imergem nas incertezas
Dos mares bravios...
São capazes de proezas
Que nunca antes se viu...

Poetas anciãos ou meninos
Todos buscam um destino:
Declarar o amor e a paixão
A quem querem de coração...

E eu, que sou poeta louco
Mas não sou herói nem bandido
Dou-te meus poemas todos
Dou-te meu cuore ferido!

Euclides Riquetti

Divinamente... divina!

 





Divinamente...divina!
Encantadora, formidável, clara...
Persona incontestável, adorável, rara
Olhos cor de turmalina...

Divinamente...divina!
Povoa os sonhos do poeta acanhado
Tímido poeta do olhar encabulado
Dama poderosa... corpo de menina!

Divinamente...divina!
Coração a transbordar amor aos seus
Alma a amainar os conflitos meus
Musa inspiradora que encanta e fascina!

Divinamente...divina!
De lembranças que se eternizaram
Dos tempos bons que restaram
De poemas em papel dourado, querida!

Euclides Riquetti

O Santo sim; o nome, não!

 



Resultado de imagem para fotos homem pulando cerca


          Na Capinzal e Ouro,  na década de 1960 morava um cidadão que tinha muitas atividades. Era polivalente e "se virava" de muitos modos. Não deixava faltar nada para a a família.
Em tempos em que nós nem sabíamos direito "de que lado se situava o mar", ele já conseguia levar sua "tropinha"  para as praias no verão. E o cara também gostava de fazer piadas, de zoar com vida dos outros. Era só alegria!

          Gostava de falar palavras novas que aprendia. Guardava as mais difíceis e, quando surgia a oportunidade, usava nas suas falas. Fez o "ginásio" já bem madurão. Precisava estudar e trabalhar muito porque tinha que garantir o jabá da prole. Queria acompanhar a evolução dos tempos. Em seu estabelecimento, sempre tinha uma grande cuia para o chimarrão.  Sabia como agradar seus fregueses. Era chimarrão e conversa, muita conversa. (Naquele tempo, cliente era só medico e dentista que tinham, os demais eram todos "fregueses"...). E me dizia: "Olhe, Cride, o negócio é usar a Psicologia Aplicada ao Trabalho!"

          Ah, sim! O amigo, a quem chamarei de Zé da Kombi, foi meu colega de aula no Juçá Barbosa Callado. Era bastante aplicado, até. Não faltava às aulas. E lotava a furgona de gente na saída da aula, que ia despejando pela cidade, principalmente em dias de chuva. Nossos professores de Psicologia foram o Dioni Maestri e o Paulo Bragatto Filho. E gostávamos de Psicologia. Tínhamos isso no ginásio na época. Um privilégio!

          Nosso "gente boa", alíás muito boa por sinal, tinha umas "manias". Tantas que sua "vècchia" lhe deu as malas quando achou que o que ele fazia estava demais. E gostava de contar-nos as histórias de suas aventuras. Quando queria dar um "chego" na gandaia, saía de casa para jogar baralho. Ia a pé, deixava a Kombi na garagem. Mas tomava outro rumo.

        Uma das que bem me lembro era de suas escapadelas para os bailecos nas periferias da cidade. Contava-nos e dava risada. Ia para o salão do  "Sete Facadas", era muito amigo dele e bom freguês. Não deixava pendura, embora até crédito fácil tivesse se fosse preciso. Dançava umas "marcas", tomava umas cervejas, investia num abraços (hoje chamam isso de amassos),  e mais nada. E cuidava bem para que a camisa branca, de colarinho, não ficasse com marcas de rouge ou battom. O cheiro de cigarro dizia que era por causa dos palheiros que os companheiros tragueavam no jogo das cartas.

          Naquele tempo, nas redondezas do lugar, do outro lado do rio, havia outros salões: "O Bota Preta", o Sovaco da Cobra" e o "Alegria do Touro". Na entrada deles, sobre a porta, um aviso: "Tire o chapéu e entregue sua arma para o proprietário". Por uma questão de respeito...  Eram os clubes "alternativos" da época. Concorriam, com muitas dificuldades, com o Ateneu Clube, o Floresta e o Primeiro de Maio.

          Tinha um problema, principalmente nos dias de chuva. Não era por causa do guarda-chuva com as hastes de madeira e o cabo de chifre. Era o barro na rua. A rua que levava até o salão do Sr. Fontoura não tinha calçamento e precisava  ter cuidado para não sentar-se ao chão. Não havia tampouco lâmpadas nos postes. E não podia levar lanterna junto porque senão a patroa desconfiava. Mas o problema maior era com os sapatos. Não podia sair  de casa com galochas para ir jogar baralho ali pertinho, ela não iria compreender isso, pensaria que ele estaria aprontando...

          Então, quando ele voltava, mais de meia-noite, lavava os sapatos no riacho Coxilha Seca, ali em frente à Marcenaria São José. Em casa, deixava-os lá fora. No outro dia estavam secos e limpos, não davam  pista pra desconfiança.

          Como na época que não havia televisão nas casas,  as pessoas tinham muito tempo para pensar e bolar sacanagens. Uns amigos dele, uma noite, foram lá e passaram barro nos seus sapatos. E, de manhã, a "Dona Braba" viu aquilo e ficou furiosa. E o acordou dando-lhe chineladas. Ele, sem entender nada, começou a se confundir, pensando que esquecera de lavar os sapatos. Parecia que os tinha lavado. Será que bebera demais e não lembrava direito?! E isso lhe custou uma semana dormindo no sofá da sala...

          Tenho saudade dos causos que o amigo me contava e que nem posso escrever aqui, mas rio sozinho quando lembro deles. Levou azar alguns anos adiante, quando veio a TV. A patroa foi vendo muitas novelas, muitos filmes, por muito tempo,  e começou a ficar esperta na questão. Então a  história não teve um final feliz. Duas malas cheias de roupas e sapatos. E morar na Kombi... Deu-se mal nosso santo. Falo do santo, mas não digo o nome. Nem o apelido!


Euclides Riquetti
16-05-2013

Ande, sutilmente, pelos caminhos do sol

 


 


Resultado de imagem para fotos mulher caminhando em direção ao sol


          Ande,  sutilmente pelos caminhos do sol,  e vá encontrar o que você procura. Estenda, gentilmente,  suas mãos a quem você ama e entregue-lhe, incondicionalmente, o seu coração, com sua alma desprovida  de incertezas,  e seus olhos de inefável beleza. Vai, siga em frente, sem preocupar-se com pedras que possam estar em seu caminho, com plantas que em vez de flores lhe oferecem somente os espinhos.
 
          Abra seu sorriso franco que a torna feliz, retribua, com alegria, a cada manifestação carinhosa, e dispense a todos sua atitude generosa. Seja compreensiva com os que duvidam de você, mostre-lhes que você é sincera e verdadeira, porte-se com altivez e galhardia, mas não se esqueça de exercitar, em cada momento, a sua humildade. Você é mais você, em todas as circunstâncias.

          Permita, em cada dia, um renascer dentro de você, enseje expectativas em cada um que espera que lhe proporcione algo, esperanças que possam se renovar, possibilidades que se possam reabrir, caminhos que possam, novamente, ser percorridos. Situe-se ao lado do bem, não se importando se os outros pensam diferentemente de você. O que importa, sim, é a paz que restará em seu interior e que você fará resultar nos outros. 

          Dirija seu pensamento para o Altíssimo, faça-lhe orações despretensiosas, mas carregadas de boas intenções. Queira a felicidade para todos, independente de a terem ou não perdoado em seus pecados ou a aplaudido em suas vitórias, pois a vida nem sempre é dada a derrotas, e nem sempre a conquistar a glória.

          Ande, sutilmente, pelos caminhos do sol. E, depois que tiver feito tudo isso, sem que lhe fosse de obrigação ou compromisso, colha as flores que nasceram perto de você, nos caminhos que você trilhou, nos jardins onde as plantou. E verá, certamente, que tudo lhe valeu a pena!

Euclides Riquetti

Meu recado...

 


 

Resultado de imagem para imagens homem olhando pra lua



Recebi um recado
Do brilho prateado
Do luar:
Vem comigo
Vem meu amigo
Vamos passear!

Vamos andar pela via láctea
Conhecer a imensidão intacta
Do espaço sideral
Andar pelo  Universo
Em frente e verso
Pelo mundo colossal!

Recebi um recado alvissareiro:
Vou andar pelo universo inteiro
Com a sua companhia.
Vou com seus olhos claros
Pelos recantos mais raros
Vou com toda a alegria

Vou, sim. Vou com você, querida!

Euclides Riquetti

O Filho do Almiro e da Gessi - um reencontro emocionante! - revi

 



Resultado de imagem para imagens de um bebê



          Há coisas que acontecem na vida das pessoas que só podem ser sinais da presença de Deus. Coisas que não têm uma explicação lógica: acho que acontecem porque têm que acontecer.
         
          Pois,  no último sábado, 24, de manhãzinha,  esperamos a vinda de um técnico que viria para instalar um aparelho de ar-condicionado em nossa casa. Tudo preparado, antes das nove horas chegou uma caminhonete com dois rapazes. Cumprimentamo-nos. Um deles, o Rafael,  já havia vindo para realizar um trabalho semelhante. Minha esposa lhes ofereceu café, que foi aceito por ambos. Já haviam tomado água, Nós os tratamos como gente da família. E, nessas ocasiões, falantes que somos, (mais eu do que a esposa...), fomos trocando ideias.

            Detalhista, costumo pedir sobre  o trabalho, a família, se esudam, o que fazem, o que gostam de fazer. Incentivo para que todos estudem, leiam, escrevam, progridam. Gosto de falar sobre música, política, letras, futebol, enfim, de tudo um pouco...

            Mas o sábado se conduzia para tornar-se um dia muito especial. Perguntei ao mais velho dos dois se era natural daqui mesmo, disse que morava em Herval d ´Oeste, que era irmão do Jaime Ditzel,  que é conhecido como o "Jaime do Mercado". Falei-lhe que já tinha ouvido falar do Jaime, que sabia que ele tinha um automóvel "Tigra" vermelho, muito bonito, que já fora meu sonho de consumo. Imaginava, há uns dez anos, que compraríamos um para o filho quando terminasse a Faculdade. Em poucos minutos, parecíamos velhos amigos..
          Não sei  como, mas ele acabou me dizendo que era da região de Capinzal, que nascera por lá...

ABRINDO PARÊNTESIS:
          Bem, muitos fatos que marcaram minha vida estão bem claros em minha mente. Durante muitos anos me perguntei onde estaria o Jakson, um menino que nascera no verão de 1979, quando morávamos no Distito de Zortéa, então pertencente a Campos Novos. Uns três meses antes de minhas filhas, gêmeas Michele e Caroline nascerem. Algumas vezes que encontrei parentes dele perguntei onde estava o menino. Diziam-me que estaria em Joaçaba...
         
         Naquele janeiro eu estava organizando o almoxarifado da Zortea Brancher, aproveitando minhas férias escolares. Num  determinado dia, um alvoroço ali perto de onde eu estava e a notícia: a Gessi Hack, esposa do Almiro Meloto, havia morrido no parto, num hospital em Capinzal. A Gessi era irmã do Omar Hack, cunhada da Dona Fanny, tia do Adalberto, Aimar e da Ledi. Morara com eles e, nesse tempo, casou-se com o Almiro Meloto. Toda a comunidade ficou chocada. Ela tinha vinte e poucos anos, uma loira de olhos claros, muito bonita, cheia de saúde...

          O Almiro era meu amigo. Antes de ir estudar em União da Vitória, eu o conhecera. Viera do "Rio Grande", fora morar com o tio, Zulmiro Meloto, em Capinzal. Sua irmã, a jovem Irone, estudava no Mater Dolorum, era namorada do Jaime Baratto, o fotógrafo. Nos domingos, vinha com uma Kombi azul claro até o Ouro, onde tinha um amigo que morava de pensão na casa de minha tia, Maria Lucietti, esposa do tio Victório Richetti, o Elvides Roque Zulianello da Silva, gaiteiro, gaúcho de Vacaria. Éramos companheiros de bailes,  de festas  e de serestas. Cinco anos depois, ao voltar, depois de formado, fui morar em Zortea e reencntrei o Almiro: bigode e cabelão. Foi uma alegria reencontrá-lo!

           Dezenove de janeiro de 1979. Este é o dia do nascimento do menino Jakson. Não conheceu a mãe. No dia da fatalidade, o Almiro estava viajando com o caminhão do Omar pelo Rio Grande do Sul. O Hermes Susin, zorteense,  meu amigo que agora mora em Joaçaba, contou-me, domingo, que nesse dia escutara pela Rádio Gaúcha,  que apelavam a quem pudesse avisar o Almiro sobre o triste acontecimento. A Polícia Rodoviára estava tentando localizá-lo.

          No dia seguinte, à tarde, celebramos a Missa de Corpo presente da Gessi, na Capela de Santa Catarina, em Zortéa. Fizemos uma celebração à altura do merecimento daquela jovem mãe, cristã, que perdera a vida ao dar seu filho, tão esperado, tão desejado, à luz do sol.  Todos estavam inconformados e incrédulos com o que havia acontecido... O Almiro chegou a tempo de acompanhar a esposa até sua última morada...

RETORNANDO À REALIDADE PRESENTE:

          Tão logo me falou que era "daquelas bandas", perguntei de que família era. Disse-me o nome: Jakson Hack Gomes Meloto. Bastou isso. Olhei para ele e percebi logo: era a cara do Almiro, só podia ser o filho dele. Falei: "Sua mãe era muito bonita. Gostava de usar vestido azul, tinha olhos azuis. Fiz o comentário da missa no dia em que ela foi sepultada"! Emocionei-me e percebi que ele também ficara mexido. Falou que até ficara cuirioso em saber sobre a mãe dele, que não chegou a conhecer.

          Foi um dia muito marcante para mim e minha esposa. Grávidas à mesma época, Gessi morava, antes de casar-se, na casa da  Dona Fanny era costureira e sua  cunhada. Costumava passar seus dias ali enquanto o marido viajava pelas estradas.  Muitas vezes se encontraram na casa dela e nas missas e cultos. Falavam da gravidez e das expectativas. Não se utilizavam ultrassom nas pequenas cidades, ainda não havia. Imaginavam de seria memino ou menina. E, naquele dia, veio-nos a triste notícia. A Mirian, grávida de nossas filhas, foi retirada do velório, pois as colegas professoras e a comadre Vitória achavam que ela não deveria ficar lá, que seria um abalo muito grande. Mas participou da missa.

          O Almiro estava abaladíssimo e nos dias que se seguiram veio a decisão: o menino, que ainda estava no hospital, ficaria com os tios Darci e Ladi Ditzel. O Darci trabalhava conosco na Zortéa Brancher, era representante comercial. O Jaime, trabalhava conosco na Administração.

          Agora, 35 anos depois, o Jakson aparece na nossa casa. Quando aceitou o café, disse a minha esposa, Miriam, que já a conhecvia, que uma vez viera aqui fazer a entrega de um móvel que ela comprara. Eu olhava para aquele rapaz e um hiato de 35 anos nos dividiu. Eu sabia muito e também nada sabia sobre ele. Deus o mandou até nós. Senti a alegria dele em saber que a mãe dele era uma mulher bonita e que o esperava carinhosamente. Quanto ao Almiro, uns tempos depois, morreu vitimado por um acidente com seu caminhão. Rezo por ambos, Almiro e Gessi, ele meu amigo e ela amiga de minha esposa. Que Deus os tenha! E que possamos, muityas vezes, reencontrar o Jakson, moço dócil, educado. Herdou a maneira de ser dos pais...

Euclides Riquetti
29-05-2014

Jackson, personagem real da história, esteve em nossa casa há dois meses, instalando outro aparelho de ar-condicionado.
05-01-2019

Fique junto de mim...

 


Resultado de imagem para foto mulher cósmica



Você, inspiradora musa de meus versos e de minhas canções
Que diz ter andado no infinito azul e que quer voltar
Que trilhou o firmamento sobre as nuvens e os trovões
Viu as estrelas que eu conheci apenas no meu sonhar.

Você, que aceitou navegar na minha imaginação
Que embebeu-se de minhas palavras sutis e carinhosas
Que tentou buscar o amor muito além da escuridão
Tornou-se o antecanto das poesias mais ardorosas.

Você, que na manhã chuvosa refugiou-se, perdidamente
Que migrou seu pensamento para andar no céu sem fim
Que desejou voltar, e quer isso firmemente, definitivamente
Voe, venha cair em meus braços, fique junto de mim.
Fique junto de mim...

Euclides Riquetti

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Houve um amor de verão

 




Houve um amor de verão
Que se estendeu pelo outono
Andou pelo inverno frio
Passou pela primavera...

Foi toque no coração
Da árvore os doces pomos
E no calor do estio
Carinhos e quimeras...

Houve uma paixão intensa
Gaivotas e garças voando
Poemas livres ou rimados
Versos de todas as cores...

Depois uma rebeldia imensa
O peito desnudo chorando
Pelos sonhos não realizados
O jardim sem folhas e flores...

Foram lágrimas e sorrisos
Em rosto estampado
Em dias nublados
Nos caminhos percorridos...

Apenas isso...
Bem assim!

Euclides Riquetti

O tempo passa como volta a chuva

 




Resultado de imagem para imagens relógio sob a chuva

Sim, o tempo passa como volta a chuva
Que também passa, vai-se embora
O tempo passa porque nós também passamos
Como passam todos os animais...
Passa o tempo porque os ponteiros dos relógios não param
Porque os raios de sol vêm e também se vão!

Sim, o tempo passa como a mão passa pela luva
O tempo passa em dias, passa em horas
Enquanto nós divagamos e pensamos
Como passam os seres colossais...
Passa o tempo porque os relâmpagos se disparam
Porque eu quero que você volte a me dar atenção!

Sim, o tempo passa como o suco  que vem da uva
E em vinho seco se transforma
Como a energia que vem da força da água que bebemos
Como a sede que vai embora e não volta mais...
Passa o tempo porque essa é sua função, simplesmente
Porque precisamos do hoje como é,  e do amanhã diferente!

Euclides Riquetti

Mistérios da alma

 



Mistérios da alma rondam um corpo esbelto
Escura dos pecados já há muito cometidos
Bronzeado de sol, visto por olhos espertos
Desejado por seres puros e corações bandidos.

Mistérios da manhã clara e da noite de luar
Nas areias pisadas ou naqueles Prados Sulinos
As ondas banhando seus pés nas águas do mar
Olhos fugidios atrás dos óculos escondidos ...

Mistérios, vis mistérios, misteriosa é a vida
Sacrilégios, a atração carnal é atração fatal
Fugaz compreensão da chance já perdida...

Mistérios, apenas isso é a realidade sentida
É o ser que voa sobre a imensidão universal
É o tempo passado, é a trajetória já vivida!

É bem assim...

Devolvam-me a beleza da areia

 




Devolvam-me a beleza da areia
Da praia de  Canasvieiras...
A singeleza do amanhecer dourado
As lembranças do céu azulado
Do mar de Canasvieiras!

O sol quente no verão
Que queima a pele e o coração...
O nublado das manhãs outonais
As estrelas das noites sensuais
Ah, há saudades daquele chão!

As gaivotas que voam naquele lugar
Que desfilam sobre o mar
E as garças do voo singelo
No entardecer de ouro amarelo
Levam meus sonhos pelo ar!

Quem sabe o tempo m´a devolva
E, então, que tudo se resolva
E possamos nos deleitar
Ali, bem na beira do nosso mar
Na praia de minha escolha!

Euclides Riquetti

Objetos em desuso - Lembranças de nossa infância - Cenários: Minha antiga Capinzal e Ouro

 


Resultado de imagem para imagens galochas de borracha antigas

          Quando criança ainda, numa de minhas férias escolares, fui passar um mês com meus avôs em Linha Bonita. Os Baretta  eram comerciantes, tinham um casarão que mais atrás servira também de pousada. E, naqueles idos de 1961, eu era bastante observador, cuidava dos movimentos das pessoas e daquilo que faziam. Lembro que,  nos domingos à tardinha, após os jogos de futebol, vinham os jovens de toda a redondeza para jogar baralho. E tomar umas "birotas". Naquele tempo não tinham geladeira, pois não tinham energia elétrica suficiente, embora a maioria das casas tivessem  um rodão d´água, que acionava um dínamo, que permitia clarear os ambientes apenas para umas duas, no máximo três lâmpadas. Então, a cerveja era resfriada num tanque de alvenaria, construído sob o assoalho de madeira, com água do poço, retirada com baldes de madeira também. E pediam para minha nona, Severina, cozinhar ovos na água, em dúzias, para matarem a fome no final de tarde.

          Lembro que um dos jovens senhores que vinham até lá era o Vitalino Bazzo, com chapéu de feltro cinza, terno da mesma cor, de um xadrez discreto. (Foi na década de 1970 que os paletós "xadrezão" entraram na moda. Combinavam com aquelas calças boca-de-sino e os cabelos longos das pessoas).  baldes do poço. E havia o Américo Módena, o Fernande Maziero, o Dirceu Viganó, o Nézio e o Vilson Rech, o Alcides Antonietto, o Nelson Falk, o Itacir Dambrós, o Valdir Baretta, que se misturavam com outros mais jovens e com meus tios. Tinham chapéu de feltro, que eram os chiques. Alguns, de palha. Comprei um aos 9 anos, quando já estava moranda na cidade e trabalhava. Lavava louça e lustrava a casa para uma prima. Com meu primeiro salário, comprei um belo chapéu.... Ah, e trabalhar não tirou nenhum pedaço de mim, não me queixo disso, mas me orgulho, pois aprendi a valorizar todas as minhas coisas.

          Na época, havia um cidadão que vinha da Estação Avaí, que ficava do outro lado do Rio do Peixe ,o Nelson Martins, e ia ver a namorada, filha de um dos muitos Barettas que ali moravam, do Serafim. E tinha algo que dava inveja a todos os outros: um par de galochas de borracha, pretas. Era um material bem elástico e flexível, um "sapato maior que envolvia um sapato menor", que não deixava que o de couro embarrasse, nem que nele entrasse umidade. E ainda tinha um guarda-chuva com as varetas de madeira, bem grande. Vinha a pé, passava pela balsa ou bote, vinha de uma distância de dois quilômetros e meio para ver a namorada. Quando passava defronte à bodega, todos o invejavam. Naquele tempo não conhecíamos ainda as capas  chuva, de nylon, que apareceram por lá apenas uns cinco anos depois. Imagine o sucesso dele se tivesse também uma capa de chuva. Ter uma, foi um de meus sonhos de adolescência, que não pude realizar, pois só "quem podia" conseguia ter uma. (Só consegui comprar um chapéu...)

          Era o tempo em que não havia tratores para trabalhar. Colhíamos trigo com foicinhas, usávamos as enxadas para carpir, as máquinas pica-paus para plantar milho. E trilhadeira alugada para colher o trigo. Havia máquinas acionadas a mão para debulhar ou moer milho. Depois vieram equipamentos a gasolina e os elétricos. Foi uma "revolução na roça".

          E, relembrando dessas coisas, das galochas que caíram em desuso, lembrei-me do cinzeiro que meu pai ganhou de uma aluna, lá do Belisário Pena, do 4º ano, a Cássia.  Isqueiro  era um presente bonito para um aniversário, dias dos pais, formaturas. (Agora, eu não daria cinzeiros ou isqueiros para ninguém).  E davam também abotoaduras, algumas combinadas com um filete metálico que prendia a gravata, tudo ornando e combinando. E, antes ainda, as mulheres usavam luvas e  chapéus, que as tornavam mais elegantes. Bonitas não, pois bonitas elas já eram, apenas que os ornamentos as deixavam mais atraentes, chamativas, engraçadas.

         Hoje os sonhos de consumo são outros, criaram outras necessidades para nós, encontraram outras formas de nos atrair, contagiar. As máquinas de escrever foram substituídas por computadores com impressoras. Muitos deixaram de fumar e dar um isqueiro ou um cinzeiro de presente é coisa muito brega e deselegante. Luvas, agora, para o trabalho,  para pilotar motos, ou proteger contra o frio. As máquinas fotográficas convencionais foram substituídas por digitais. Os filmes de película 35 mm estão dando lugar a sistemas digitalizados. As vitrolas , os gravadores de rolo ou fita, os toca-discos, deram lugar a mídias moderníssimas, chegando-se aos blue rays.

          Muitos  acessórios clássicos, tão presentes nas novelas e filmes de época e revistas  podem voltar à nossa mente nesses dias em que paramos para refletir a chegada de mais um final de ano. Pensar nos chapéus de feltro, nas abotoaduras, nas luvas das senhoras, nos isqueiros, nos cinzeiros, nas galochas, nas agulhas dos toca-discos e nos discos de vinil. Quanta coisa mudou e quanto ainda tudo vai mudar. Até as bodegas das colônias desapareceram, junto com a energia da juventude de muitos amigos que se foram ou que estão aí, resistindo ao tempo. Olhamos para trás e vemos um filme que nos traz simples, mas saudosas lembranças.  E nos resta pedir saúde a Deus, e que nossas ideias não caiam de uso, não se tornem obsoletas também!

Euclides Riquetti

O cheiro do vento


 

Resultado de imagem para fotos folhas balançando


O cheiro do vento

Feche os olhos e sinta
O cheiro do vento que barulha as folhas
E da água que se gaseifica em bolhas
Perceba que   a  natureza  se retinta.
Feche seus belos olhos... e sinta!

Feche os olhos e abra seu coração!
Fique segura,  dê-me  sua mão
Frágil, mas terna, elegante e  macia,
Que me passa uma deliciosa energia
A energia doce, que brota  do seu coração!

Feche os olhos e escute a orquestra
Que embala uma suave canção:
É a canção do vento, que traz a harmonia do universo
Que vem no momento mais sublime e certo
Vem trazer-me a paz da longa imensidão.
Vem...

Euclides Riquetti

Além de ti há o mar...

 


 



Resultado de imagem para fotos mar de ingleses



Além de ti há o mar
Uma imensidão azul que te desafia
Um sol que te agride com ousadia
E que tu não o podes enfrentar.

Além de ti há o mar
Majestoso, atrevido e valente
Misterioso, voraz e imponente
E  que tu não o podes dobrar.

Além de ti há o mar
Cujas águas voláteis te cortejam
Como meus olhos que te devoram e desejam
E que te quer para te embalar.

O mar, apenas o mar...
O mar de milhões de anos
Que lava teus medos e teus enganos
E que alimenta teu sonhar.

O mar, simplesmente um mar
A te fazer pensar
A sentir saudades
De eu querer te amar...

Apenas te amar!

Euclides Riquetti

"A virtude está no meio" - o Epitáfio

 





Resultado de imagem para imagens fafi uniuv

Uniuv - antiga Fafi, em União da Vitória - PR

          Quando, em minha juventude, entrei para o curso de Letras da Fafi, em União da Vitória, depois de ter vivido toda minha vida em Ouro e Capínzal (só fui conhecer Joaçaba aos 16 anos), fiquei deslumbrado por estar numa cidade maior que a minha, ter feito muitos novos amigos e colegas. Minha Lee,  meu  Samello e meus cabelos longos  me levavam para lugares que até então  eu não estava acostumado a frequentar. Era um mundo novo e poucas pessoas eu conhecia naquele lugar. Meus primeiros meses se resumiam a ir para a aula à noite, estudar um pouco durante o dia, assistir aos treinos do Iguaçu e, aos finais de semana, junto com o colega Samonek, irmos explorar alguns lugares e tirar umas fotografias, tipo ao lado de aviões  no Aeroporto José Cleto, no monte do Cristo, ou andar pelas redondezas do Iguaçu. Também algumas incursões em bailinhos nas cidades e comunidades dos arredores faziam parte de nossa agenda de final de semana. E, no domingo à tarde, dançar no "25".

          Como minha família não tinha telefone, minha comunicação com casa se dava por cartas, que eu escrevia semanalmente e obtinha resposta em no máximo 10 dias. Minha mãe aderira ao costume de escrever, tornou-se até hábito. Eu escrevia relatando minhas "façanhas", com o entusiasmo de quem via em tudo novidade. Meu pai ficou preocupado com o que eu escrevia e pensou que seu filho regrado poderia estar se enveredando por caminhos tortuosos e, na dúvida, escreveu-me uma cartinha, que carinhosamente veio no mesmo envelope que a de minha mãe. Poucas palavras, praticamente um bilhete, em que se sobressaía uma frase: "In medio virtus".

          Como vinha estudando Latim e até já havia comprado um dicionário, busquei entender aquilo. (Naquele tempo não existia google,  e  Barsa só algumas escolas tinham). Confesso que o Latim não era meu forte nem minha matéria preferida, apenas me esforçava para obter a média exata para ser aprovado sem Exame Final. E não entendi direito o que ele queria dizer, embora a tradução eu tivesse conseguido: "A virtude está no meio". Fiquei a matutar, matuto que eu era, com dificuldade para pronunciar os "erres" adequadamente e outras inconveniências fonéticas. Mas não cheguei ao objetivo do "meu velho".

          Com o tempo, numa de suas raras visitas, perguntei-lhe o que quisera dizer com aquilo e ele me respondeu: "Primeiro,  queria fazer você buscar respostas por si mesmo e, segundo, quis dizer-lhe que não é pra você ser muito "prafrentex", mas nem ficar atrás dos outros. Não queira ser um adiantado mas também não seja um atrasado, busque o meio termo".

          Somente os anos vieram a me elucidar bem isso que no princípio me pareceu uma muito enigmática afirmação do filósofo e pensador grego Sócrates, quatro séculos antes de Cristo. A virtude e a verdade  estão no equilíbrio, no meio termo, no desprezo do radicalismo. E entendi que muitos conflitos poderiam ter sido evitados entre os povos se isso tivesse sido levado em consideração. Realmente, nosso triunfo está em parar para ouvir e decidir com sabedoria, ter cuidado no que se diz e se faz, pois nossas verdades não são, necessariamente, as verdades dos outros. Poderia até metaforizar, dizendo que um time de futebol que só tem jogadores habilidosos, mas que pouco correm, não obtém  bons resultados. É preciso que haja nele também aqueles menos técnicos, mas que desenvolvem melhor sua condição física, que correm e se disciplinam taticamente, ajudando os outros, em equipe, a lograrem resultados favoráveis. Ah, também a mescla de jogadores mais experientes com outros mais jovens ajuda muito. E você obtém um futebol de bom padrão, com o time bem postado e organizado.

          Então, a afirmação socrateana é bem atual, revestida de muita  universalidade. E pode ser aplicada numa sala de aula, onde os indivíduos, professores e alunos, são diferentes, pensam diferente e, se bem articulados, podem obter sucesso na aprendizagem e na formação pessoal.

          Em 18 de junho de 1977 perdi meu pai. Tinha 55 anos. Era um professor bem informado, atualizado, inteligente. E, minha forma de eternizar minha homenagem a ele foi mandar produzir uma placa de bronze com sua foto em porcelana, assentada em granito, onde está gravado seu epitáfio: "In medio virtus".

Euclides Riquetti
12-12-2012