sábado, 4 de junho de 2022

Eterno romântico

 


 



Eu até faria um poema acéfalo

Desarrumado, feio e esquálido
Infinitamente torto e indiscreto
Um poema desbotado e pálido...

Talvez um  poema heterorrítmico
Escrito com carvão preto, vegetal
Pra afrontar um outro isorrítmico
Árcade, brega, insosso sem igual. 

Eu faria algo bobo e detestável
Sem efeito, sem nenhum sentido
Poema inútil não recomendável
Falando sobre um amor bandido.

Mas isso está fora de cogitação:
Serei um eterno poeta dos sonetos
Cantarei o amor, o afeto e a paixão
Ser eterno romântico eu prometo!

(Apenas isso...
Bem assim!)

Euclides Riquetti

Te quero

 


 





Te quero e não tenho nenhuma dúvida disso
Deixei-te isso bem claro, já faz muito tempo
És dona de meu corpo e do meu pensamento
Sou um poeta, apenas, sempre a teu serviço!

Te quero muito e nada há que possa me mudar
Digo-te agora, já te disse antes e ainda direi
Em ti me inspiro, em ti sempre me inspirarei
És um bom motivo por quem viver e sonhar!

Te quero e creio que também tanto me queres
E isso é tão verdadeiro como existe a terra
Te espero e acredito que também me esperas...

Te quero e conto que me digas se tu me quiseres
Isso é o que há de melhor da condição humana
Te esperamos eu, a noite e minha alma profana.

Euclides Riquetti

Eu queria te ver em meio a santas ...

 


 

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Eu queria te ver em meio a santas tantas
Eu queria te compor um tenro canto
Queria te ver em meio às tantas santas
Queria escrever-te este antecanto.

Eu pensei imaginar um poemeto
Eu pensei fazer do dia a poesia
Pensei em versos de soneto
Pensei saudade e  nostalgia.

Eu fiz poemas sem amarras
Eu fiz poemas livremente
Fiz-te   poemas com palavras claras...

Eu fiz de ti a musa encantadora
Eu fiz pra ti o canto, sutilmente
Fiz-te o soneto  na manhã inspiradora.


Euclides Riquetti

Quando o silêncio da madrugada nos acorda

 


 




Quando o silêncio da madrugada nos acorda
E nos mergulha numa insólita inquietude
Ficamos como a taça de vinho que transborda
Tristeza na alma, coração em plena solitude.

Quando o silêncio da madrugada nos invade
E nos incita ao desejo do abraço amoroso
Há uma força que me induz e me persuade
A buscar seu  beijo doce, quente e prazeroso.

Quando chega a manhã clara de céu límpido
E se tem a certeza de que o sol vai brilhar
Uma sensação de alegria me invade o íntimo.

Então, veremos que tudo na vida vale a pena
Enquanto  se tiver algo bom por que se lutar
Enquanto vier inspiração para meus poemas.

Euclides Riquetti

Sinta-se bem perto de mim

 



Sinta-se bem perto de mim
Pois quero sentir que você sorri
Sinta-se como se estivesse aqui
Sinta-se bem perto de mim...

Faça de conta que o céu anil
É apenas um caminho plano
É um lençol macio e  sutil
Que se estende por onde andamos...

Sinta o  pulsar de meu coração
Que eu quero sentir o seu
E me embalar na terna ilusão
Levar-lhe o carinho meu...

Imagine que eu seja o vento
Que alisa seu rosto macio
E,  nem que seja por um momento
Com seu perfume eu me delicio...

Sinta meu corpo colar-se em você
Pele com pele, peito com peito
E nunca me pergunte nunca o porquê
Pois eu quero você assim, desse jeito!

Euclides Riquetti

No embalo dos sonhos

 



No embalo dos sonhos
Eu fui te encontrar
Na noite de outono
Teus lábios buscar
E encontrei teu sorriso
Ali perto do mar...

No encontro contigo
No meu terno sonhar
Quis ser teu amigo
De mãos dadas andar
Mas te dei meu abrigo
O meu peito pra amar...

Foi mais forte o amor
Foi bem mais que a amizade
E acabei por propor
Nossa felicidade
Quero um mundo de cor
Um amor de verdade...

No embalo dos sonhos
Nós nos encontramos
E felizes,  risonhos
Nos amamos, beijamos
E agora eu só quero
Dizer que te amo!

Euclides Riquetti

O vento moreno de outono...

 




Venta o vento moreno de outono
Venta e venta...
Cai a pálida folha, vencida no tempo
E venta o vento.

Brilha o brilho do sol brilhante
É maio, maio de mês
É a noiva que noiva, que sonha
Sonha com a noite da primeira vez...

Cintila a estrela prateada
Na madrugada
E sibila o vento na gélida  noite
Embala a noite, adentro avançada...

Escreve o poeta o poema, e a noite
É a moça, a musa
E os versos, dispersos, não rimam: fascinam
E a noite provoca, encanta, abusa!

E viva você, tema do canto
Viva, viva!
Como o barco que vai, flutuando, leve
Na noite breve
Festiva!

Euclides Riquetti

Sábado de sol e de cor

 



  


Sábado de sol e de cor
Dia de alegria desmedida
De andar livre na vida
Nada de trizteza, nem dor.

Sábado com muita euforia
Dia das doces sensações
De dar asas às emoções
Nada de melancolia.

Sábado dos corpos sarados
Dos corações atirando setas
Dos corações sendo flechados.

Dia de comemoração
Nas almas de todos os poetas
Que escrevem com amor e paixão!

Euclides Riquetti

Eu te espero pro café da manhã...

 



Eu te espero pro café da manhã
Eu e as uvas e minhas maçãs
Quero ouvir de baladas a tangos
Quero tortas, biscoitos, morangos.

Eu te espero porque eu preciso
Reencontrar o teu doce sorriso
Quero sentir teu perfume frutado
Quero morder o teu lábio rosado.

Eu te espero porque sinto saudades
Eu te quero com virtudes e defeitos
Quero viver nosso amor de verdade
Quero olhar pros teus olhos perfeitos.

Eu te espero pro café da manhã
Eu, meus versos e meus poemas
Vem meu sol, vem meu talismã
Vem tornar minhas horas amenas!

Euclides Riquetti

Andar sobre as nuvens, sonhar

 


 



Andar sobre as nuvens, sonhar
Na flutuação divinamente algodoada
Na tarde azul e ensolarada
Deixar-se levar, viver,  embalar
Na tarde de outono encantada...

Andar sobre as nuvens alentadoras
Na imensidão do céu de azul pincelado
Na estação das folhas, no dia acanhado
Deixar-se afagar pelas vistas sedutoras
Na espera  da hora de um encontro almejado...

Andar sem corpo,sem peso,  sem volume
Apenas alma, olhos, coração
Apenas alma, olhos, paixão
Seguindo os rastros de teu perfume
Tentando me reencontrar da perdição...

Sim, apenas andar sobre as nuvens!

Euclides Riquetti

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Quando me deste o céu

 



Quando me deste o céu, eu te dei o mar
Quando me  deste o sol, eu te dei meu sorriso
Quando me deste as estrelas, eu te dei o luar
E descobri que tu és tudo de que eu tanto preciso.

Quando me propuseste sonhos, eu te permiti sonhar
Quando me disseste adeus, eu permiti o teu retorno
Quando me ofereceste carícias, te permiti me amar
E vi que tu és mais do que um simples adorno...

Quando a chuva molha as gramíneas e as plantas
Quando a chuva molha as pétalas das roseiras
Quando a chuva molha o corpo com que me encantas

Eu me entrego em divagações ternas e saudosas
Eu me inspiro em suas risadas doces e faceiras
Eu me perco em suas curvas belas e formosas.

Euclides Riquetti

Busque, constantemente, a felicidade

 


 






Busque, constantemente, a sua felicidade
Busque encontrá-la perto ou na imensidão
Procure, na harmonia e na tranquilidade
Dar respostas ao que pede o seu coração.

Busque, firmemente, a sua felicidade
Busque alento para sua alma e seu ser
Procure nas pessoas a alegria e a bondade
Para reconquistar seu direito de reviver.

Busque, com toda a força de sua mente
Busque nas cidades, vilarejos ou no mar
Vá buscar respostas ao que você sente.

E, quando encontrar o que você procura
Comemore a alegria por de novo sonhar
Dissipadas que foram suas nuvens escuras!

Euclides Riquetti

Havia um sol...

 




 
Havia um sol a aquecer a tua  aura serena
Um sol que migrou e foi brilhar lá bem longe
Pra encantar uma tímida e frágil falena
Que além do meu vale verde se esconde.

Havia um brilho lunar a pratear teus encantos
Um luar que amenizou a aflição de tua alma
Pra acalmar os teus ais, teus choros e prantos
E fazer-te mais doce, mais terna e  mais calma.

Havia um pedido de perdão e um desculpar-se
Pois um de nós dois, certamente que errou
Um pergunta sem resposta, apenas um calar-se.

Um calar-se que faz sofrer, que nos fere e pune
Mas que não apaga um sentimento que ficou
Pois o tempo que apaga é o mesmo que une....

Euclides Riquetti

Quando o sol redesenhou o céu

 


 





Quando o sol redesenhou o céu ao fim daquele dia
E matizou em cores quentes o horizonte ondulado
Revivi emoções ternas que há muito eu não sentia
Parecia que eu contemplava um santuário sagrado.

Veja quão bela é a nossa natureza santa e colossal
Os quadros que ela pinta através das mãos divinas
Quando  a harmonia se dispõe,  levemente natural
Quando as perdizes se acocoram pelas campinas...

Descubra meus versos por entre todo esse cenário
Retire de cada um deles a mensagem que quiser
Guarde para você os meus poemas num sacrário.

E, depois de saborear todo o meu carinho  sincero
Venha até mim para me dizer que você me quer
Traga-me todo o seu ser, seu amor puro eu espero!

Euclides Riquetti

Sim, meu sol voltou, agorinha!

 







Sim, meu sol voltou, agorinha

E deixou minha tarde iluminada

Até secou os molhados da estrada

Da estrada minha...


Eu esperei, ansiosamente 

Que ele voltasse com seu brilho dourado

Mas ele veio meio acanhado

Caprichosamente!


O sol que repoe as energias

É o mesmo que anima os seres deprimidos

Que faz despertar os desejos reprimidos

E nos traz, num átimo,a alegria!


Mas veio e desafiou-me

Até animou minhas plantas...


Euclides Riquetti

03-06-2022







Pensei em produzir uma obra-prima


 



Pensei em produzir uma obra-prima
Algo que marcasse, que ficasse eternizada.
Quem sabe um poema com boa rima
Quem sabe uma foto envernizada.

Pensei em produzir uma obra-prima
Algo que ninguém houvesse ainda feito.
Podia ser uma escultura pequenina
Podia ser um monumento perfeito.

Pensei em buscar  uma obra-prima
Algo raro, quem sabe inimaginável.
Podia ser uma  composição divina
Uma ópera de lírica admirável.

Pensei, repensei, tentei, retentei...
Busquei tirar algo de minha inspiração
Fui longe, longe, mas sabes quem eu encontrei?
Foste tu, bem escondida...no fundo de meu coração!

Euclides Riquetti

Quero meu sol de volta!

 


 



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Quero meu sol de volta
Aquele mesmo que me foi roubado
Que venha trazido com escolta
Sob este céu cinzento, nublado
Quero meu sol de volta!

Quero que ele venha, mesmo que atrasado
Para me dar energia, alegrar meu sábado
Meu sol cor de sol, cor da vida...

Quero que volte, depressinha
Para animar a tarde minha
Pois... a tarde convida!

Quero meu sol de volta
Para me ajudar a compor com poesia
Sem dor, sem nenhuma revolta
Uma canção de nostalgia
Então, me dê agora, me dê meu sol de volta!

Quero que ele venha dourado
Meu sol do presente, meu sol do passado
Um sol divinamente...acalentador!

Quero um sol causticante
Deliciosamente gostoso e fascinante:
Estimulante, lindo, encantador!

Euclides Riquetti

No porto do sol

 


 




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No porto do sol, pisando nas areias brancas
Olhando para o mar das ondas espumantes
Imaginando os prazeres mais eletrizantes
Componho poemas para as almas santas.

No porto dos desejos, dos sonhos projetados
Vejo,  nas sombras, a sua silhueta desenhada
Enquanto, nas estrelas,  na noite enluarada
Navega, pelo infinito, a paixão exacerbada.

Despem-se os pensamentos que se embalam
Na manhã azul, da inspiração derradeira
Em que as palavras brotam e se propagam.

E que,  em cada porto, em cada ancoradouro
Eu lá possa encontrar minha  musa verdadeira
Com seu sorriso bonito, divino, e duradouro.

Euclides Riquetti

Voltou o meu sol

 


 



Voltou o meu sol

No fim da tarde de sábado

E se tornou dourado...

Voltou-me o sol que eu tanto queria

Para nosso agrado!


E, então, tingiu-se de beleza o infinito

A beleza que nos é costumeira

O céu bonito!


Voltando o sol

Voltou o entusiasmo, a alegria

Para melhorar o dia

Tornar-se um dia encantado!


Agora virá a noite, quem sabe estrelada

Para ficar comigo, como namorada!


E que amanhã seja mais um dia abençoado

Um domingo de sol, claramente claro

Iluminado!


Ah, andem lentos os ponteiros das horas

Pois que fiquem longas para que as possa viver

Para que se aproveitem os minutos agora

E do cálice de ouro se possa beber!


Euclides Riquetti

Há algo especial em você...

 



Há algo muito especial em você
Não sei se é o brilho no seu olhar
Ou o seu modo de sorrir e de falar
E isso é bem difícil de descrever
Mas há algo muito especial em você.

Inexplicável, indizível, diferente
Impossível de não ser percebido
Talvez um segredo bem escondido
Que a torna assim tão atraente
Encantadora, sedutora, envolvente.

Mas, o que pode a alma esconder
Num corpo que busca afagos, busca abrigo
Que espera meu abraço ensandecido
Meus beijos, meu desejo, meu querer
E ser o algo especial que há em você?

Euclides Riquetti

A celebração do amor e da vida

 



Celebro o amor porque celebro a vida
Celebro a vida porque celebro o amor
Celebro ambos com alegria desmedida
Abstratos ou concretos, a vida sem dor!

Celebro cada um dos momentos felizes
Nos anos, nos meses, nas semanas e dias
Pois não sabemos do amanhã, bem o dizes
Se virão tristezas ou se virão alegrias.

Importam as alegrias  mais que as primeiras
Pois que elas nos animam e nos confortam
Importam as sensações mais verdadeiras.

Importa a mim e a ti a felicidade presente
Os teus abraços e beijos também importam
Importa-nos sermos felizes hoje e sempre!

Euclides Riquetti

Pés descalços

 


 



Pés descalços
Acariciam as calçadas
Abandonadas.
Corações em percalços
Com batidas descompassadas
Retumbam em almas maltratadas
Rejeitadas, mutiladas.


Pés nus buscam caminhos de luz
E pisam na relva umedecida
Adormecida
Sustentando o corpo que seduz.

O corpo que atrai
E que distrai
Furta meus pensamentos pecaminosos
Libidinosos...
E me mergulha nas águas
Me afoga nas mágoas.

Algo me atira às incertezas do momento
Que vaga lento, lento
Como a nau que vai
E se perde no infinito
Bonito...
Bonito, mas cheio de ruelas obtusas
Confusas
Como eu!

Euclides Riquetti

quinta-feira, 2 de junho de 2022

Uma lágrima de cristal

 



Uma lágrima de cristal
Rolou em teu rosto
Belo
Perfeito
Natural...

Não era uma lágrima de desgosto
Nem de desconforto
Era apenas uma lágrima casual
Como tantas outras que caem
Em momento especiais.

Uma lágrima límpida
Transparente
Insípida
Intransigente
Que apenas queria cair
Rolar
Sumir
No mar!

Uma lágrima de cristal
Como uma joia preciosa
Esplendorosa
Excepcional
De  beleza colossal
Num semblante divinal.

Apenas uma lágrima tímida
Fugidia
Que chegou para me dar bom dia
E foi-se embora
Venturosa.

Euclides Riquetti

Se imortais são as almas...

 



Se imortais são as almas, por que não os corpos?

Em que dimensão do cosmos a luz será alcançada?

Quais nossas perspectivas viáveis de longevidade?

Muitas são as perguntas, vagas são as respostas...



Se navegares  na turbulência, chegarás a portos

Ou naufragarás no caminho, com nau fragilizada?

Valer-te-á tua ética, teu comportamento, a lealdade

Ou quem te deveria guiar te oferecerá as costas?


Assim como me indagas, me desvio de ti, absorto

Busco fazer minha parte, é muito longa a jornada

Equilibro minha tristeza, me propondo à felicidade

Confio em tuas palavras, isso me anima e conforta!


Euclides Riquetti

02-06-2022




E, se não houver mais um amanhã?





E, se não houver mais nenhum amanhã, como será?
Se o tudo for virando o nada, a inanição, o deserto?
Se a vida for destruída, ceifada, ou levada, o que restará?
Ainda teremos a luz-guia ou apenas caminhos incertos?

Até quando teremos nosso amanhã claro e seguro?
Sorveremos a água potável, límpida, calma e transparente?
Ou apenas contemplaremos dias sem sol, cinzas e escuros
Enquanto nosso tempo passa sutil e lentamente? 

Para onde iremos, o que vamos encontrar, o que veremos?
Quais os obstáculos que se porão em nosso percurso?
Teremos algum tomoneiro ou, à deriva, nos perderemos?
Por que mares, por quais estradas, rotas, por qual curso?

Espero, sempre, que haja respostas para mim e para ti
Anseio por todos nós e temo por toda a humanidade
Então, procurar viver a vida, seja num lá, seja no aqui
Em cada hora, em cada dia, em cada tempo a felicidade!

Euclides Riquetti
02-06-2022





A fuga da alma

 


 


 




A fuga da alma não tem estradas
Não tem espaço onde se esconder
Não há como deixar de se viver
Aquilo que já se sentiu na caminhada...

Se se foge do corpo, não se foge dela
Se se foge do pensamento que persegue
Não se foge da lua nem mesmo da estrela
Não há força que nos carregue...


A fuga da alma não tem estradas
Não tem espaço onde se esconder
Não há como deixar de se viver
Aquilo que já se sentiu na caminhada...

Se se busca um porto e não se encontra
É porque não temos o rumo certo
O mundo novo que nos amedronta
É o mesmo que nos inspira a novo verso...


A fuga da alma não tem estradas
Não tem espaço onde se esconder
Não há como deixar de se viver
Aquilo que já se sentiu na caminhada...

Euclides Riquetti

Você me seduz...



 

Você me seduz
Com o seu jeito imponente e importante  de ser
Você me reduz
A um ninguém maltratado, largado outra vez.

Você é assim
A mais bela mulher que eu já vi  por aí
Você é pra mim
A mais formidável senhora que já conheci.

Procuro compor
Um poema com lindas palavras e rimas para lhe agradar
E sinto uma dor
Quando percebo que busco e não tenho o que encontrar.

Procuro pensar
Que você já sentiu quanto amo seus olhos castanhos
E me conformar
Pois não há como ser de você, que me vê como estranho.

Você  me seduz
E maltrata o meu coração perdido e incontido em desejo
Você me reduz
A um frangalho, um  rejeito sem coragem de olhar-se no espelho.

Você é assim
Eu não sei se é maldade, se é medo, ou pura vaidade
Você é pra mim
A deusa distante que finge e me esnoba assim sem piedade.

Procuro compor
As canções mais sensíveis com com letra romântica e melhor  melodia
E sinto uma dor
Que faz com que eu sofra por não receber nem um simples "bom dia"!

Um bom dia
Um aceno
Um olhar...

Apenas um olhar
Disfarçado que seja.
Como a noite sem luz
Você me seduz!


Euclides Riquetti


Zina e Breca - Cachucha e Cride - uma história real em Porto União - 49 anos!




Colégio Cid Gonzaga - Porto União - foto da época


     

Zina e Breca - Cachucha e Cride - uma história real!


     Dois de junho de 1973 - sábado. Dia de Festa Junina em Porto União, no Colégio Cid Gonzaga. Toda a juventude das cidades gêmeas do Iguaçu estava ansiosa para que esse dia chegasse. É que acontecia uma festa muito badalada por lá. Além dos folguedos, dança na sala do auditório. Talvez que essa fosse a parte mais esperada da festa...


          O Professor Welcedino, um "serra-abaixo" catarinense gostava de ter tudo bem organizado. A festa era muito esperada. Quadrilhas de danças, quentão, pipoca, pinhão, doce de abóbora, amendoim, pé-de-moleque... Foguetes espocando no ar. As rádios Colmeia, Difusora e União com seus locutores falando do evento. Os jornais "O Comércio", "Caiçara" e "Traço de União" dando força. E nós, jovens, na expectativa.


          Mandei uma carta para minha irmã Iradi convidando-a. Veio com a prima Salete Baretta. Foram hospedar-se na casa da prima Gena Casara que estava estudando por lá. Chegaram na sexta à tarde. Tudo preparado para irmos à Festa no sábado. Imperdível.


          Mas um imprevisto quase que atrapalha nossos planos. Nosso colega da República Esquadrão da Vida, o Celso Lazarini, o Breca, nascido no hoje Lacerdópolis (quando ainda petencia a Capinzal) e que  morou na casa do Serafim Andrioni, no Ouro, e em 1968 trabalhava nas Casas Eduardo, em Capinzal, estava machucado.  Agora era o melhor goleiro de futsal em União da Vitória, fora profissional no futebol de campo. Pois na  sexta levou  um chute no nariz, na Quadra do Túlio de França.  O Dorinho  ia fazer o gol, o Breca foi brecar e o pé do artilheiro arrebentou o nariz de nosso colega. Emergência, cirurgia. Ficamos todos muito preocupados. Víamos o sofrimento do amigo e tínhamos nossa programação de lazer. Não queríamos perder a festa,  nem deixar o amigo sozinho em casa naquele sábado. Precisava de cuidados. Ele dizia que podíamos ir, que ele mesmo se cuidava. Gentil como sempre. É assim até hoje.


          Pertinho de casa havia um salão de estética, o "Silhueta". A Zina, a Célia comandavam. A Ivone, cunhada da irmã da Zina, estava sob seus cuidados. Eram minhas amigas. A Zina estava chorosa, de mal com a vida, deprimindo-se. Pedi-lhe um favor. Perguntei-lhe se poderia cuidar do Breca naquela noite para que pudesse participar da festa junina no Cid. Disse-lhe que ele estava machucado e precisava de cuidados. Pensei que um podia cuidar do outro. Aceitou que eu o deixasse em sua casa. Cuidaria dele. E assim o fez.


          Fomos com os colegas, o Osvaldo e os dois  Odacir, o Giaretta e o Contini, mais  minha irmã  e a prima para a festa. Eu de braços dados com minha irmã. O Boles não foi, tinha que ficar no ponto de táxi com seu Corcel 4 portas. Era um horário bom pra ganhar uma graninha.

Na chegada, percebi que havia uma bela garota com quem eu tinha dançado no "Clube 25"  duas semanas antes. Ela deve ter-se decepcionado comigo, pois eu estava de braços dados com uma de quase minha altura. Não sabia ela que era minha irmã que estava comigo.  Adiante, contou-me que pensou que era minha namorada...


         Na dança, muita animaçao na sala do auditório. Um colega meu era Cabo do Exército Brasileiro, do 5º BE, de Porto União, Odacir Contini. Educado, respeitava as regras dos militares. Quando íamos ao cinema, com os Cabos Frarom, Backes, Godói, Figueira ou Maciel, tínhamos que sentar atrás de qualquer oficial superior deles. Então, no Cine Ópera, entrávamos olhando para as cadeiras e precisávamos  ir ao fundo do cinema ver os filmes e respeitar essa regra hierárquica. Nenhum subalterno podia sentar à frente de um superior.  Pois bem, o Contini falou-me: "Vou tirar aquela morena que está com a Dora pra dançar. E, educadamente, deu a volta por detrás dos  presentes, pois havia um sargento no local.


          Quando vi que era a garota que eu conhecera poucas  semanas antes, cortei caminho pelo meio do salão. Eu não era militar, não  tinha superior, podia ir por onde bem entendesse. E, quando ele lá chegou, eu já estava com ela. E dançamos. Dançamos, dançamos  muito, rimos, contei-lhe piadas.


           Hoje, mais de 49 anos depois, continuamos a dançar, juntos. Temos três  filhos, duas  neta, um neto.


           E o Breca e a Zina?    Bem, ela faleceu, não faz muito tempo, pouco antes da pandemia. Têm uma filha, a Marcela, que voltou  para Porto Uni'ao depois de estudar na Austrália. O Breca  vende carros em sua loja numa bela esquina da ida para o Estádio do Ferroviário. A Zina tem seu salão ali perto do Clube Concórdia. Continua igual há  40 anos. A mesma disposição, a mesma silhueta, a mesma amabilidade e a mesma simpatia. Visitei-os recentemente. Rimos muito, contei para duas amigas dela essa história. Disseram-me que eu deveria escrever sobre isso. Então aqui está.


           Duas histórias que começaram no mesmo dia. E, mesmo com as dificuldades do dia-a-dia, com todas as barras enfrentadas, formamos nossas duas famílias. A Zina e o Breca, a Cachucha e o Cride.



Euclides Riquetti

Atualizado em 02-06-2022

O anjo azul sobrevoou as flores

 



O anjo azul sobrevoou as flores na tarde cinzenta
Estendeu suas asas e planou divino sobre meu jardim
Abençoou primeiro as rosas champanhe e as magentas
Depois o cravo bordô, o lírio amarelo e o vaidoso jasmim.

O anjo azul entoou um cântico santamente sagrado
Secundado por clarinetes com seus acordes triunfantes
Alegrou-nos com seus versos docemente cadenciados
Encantou-nos com a harmonia das notas ressonantes.

O anjo azul azulou com sua túnica discreta a manhã nova
O anjo azul enfeitou com seus cabelos dourados a manhã ditosa
O anjo azul te protegeu com suas armas em todas as horas...

E eu esperei por ele enquanto olhava pela minha janela
E eu rezei por ele e pedi por ele na oração venturosa
Enquanto o dia passava e eu ficava a esperar por ela...

Euclides Riquetti

Cheiro de chuva e mato






Sinto, em você, o cheiro de chuva e mato
Os odores da paixão que se traduzem
Os sabores da ilusão que se misturam
Com meu cheiro, seu cheiro e o do mato!

Sinto, em você, o frescor da tarde chuvosa
A cor da flor, da semente que foi guardada
E que se tornou planta da mesma germinada
O odor da flor perfeita, do cravo,  da rosa! 

Sinto, em você, o cheiro doce da saudade
Das horas, dos dias e meses que passaram
Ainda  o cheiro das estrelas que apagaram
Que se reacenderam em sua real majestade!

Sinto, em você, o cheiro puro e indizível
E me delicio, em você, tão perdidamente
E me envolvo, com você, alegremente
No cheiro de chuva, de mato, indescritível!

Euclides Riquetti

Quando a chuva parou de cair

 



 



Quando a chuva parou de cair no telhado
E já era bem de tardinha
Restava o ar fresco e o chão molhado
A calçada lisa,  e a graminha
Suspendia as pétalas que caíram com o vento...

E elas se misturavam com as folhas já castanhas
E se confundiam com meus sentimentos
E com meus pensamentos
Nas horas tristes e estranhas...

E uma melancólica melodia vinha
De algum lugar
Para pousar
Em meus ouvidos e na pele minha!


E eu divagava...
Andava, em trenós ou andores
Eu, meus anseios e minhas dores
Eu, meus devaneios e meus desamores
A escrever-lhe meus versos
E a espalhá-los no universo
Enquanto eu chorava
Quando a chuva parou de cair!

Euclides Riquetti