sábado, 2 de abril de 2022

Deixe-me embalar seus sonhos

 

Deixe-me embalar seus sonhos e seu sono
Como se eu fosse uma canção de ninar
Da planta alvissareira quero ser o pomo
Que adoça seus lábios com o meu beijar...

Deixe-me cativar seu sorriso brilhante
Que tanto me seduz  e me faz contente
Maroto, ousado, muito lindo e cativante
Que adorna seu rosto de adolescente...

Deixe-me compor-lhe apenas um soneto
Simples como as canções que você canta
E no seu ninho ser ao menos um graveto...

E, depois, colha de mim o que lhe agrade
Pegue pra você o que mais lhe encanta
Me pegue, me tenha, me queira, me abrace!

Euclides Riquetti

Sou água, sou mar, sou fonte

 



Sou água, sou mar, sou fonte

Sou como o céu  azul do horizonte...

Sou a energia que brota 

Sou o plano voo da alva gaivota

Sou o raio de sol que te bronzeia!


Sou planta verde, sou terra madura

Sou os olhos que te olham com ternura

Sou a frase curta, o verso longo

Atrás de meus versos eu me escondo

Sou alma negra que tua branca tenteia!


Sou o teu terno mas ousado afeto

O homem muito discreto

Mas que tem na mente a ousadia

E cujo rosto o sorriso irradia

E busca o ensolarado sorriso teu

Descrito em estrofes de poema meu:

Sou a semente que tu semeias!


Euclides (Celito) Riquetti

02-04-2022






Os ventos que vêm do mar

 

 

Os ventos que vêm do mar
Me trazem  os murmúrios da antiga canção
Me lembram o amor e a louca paixão
Os ventos que vêm do mar.

Os ventos que vêm do mar
Despertam sentimentos adormecidos
Instintos que  jazem  escondidos
E que voltam a se  animar.

Os ventos que sopram pro mar
Levam de volta os meus lamentos
Que se vão a velejar.

Os ventos que sopram pro mar
Levam as tristezas e os meus sofrimentos
Para me deixarem em paz.

Euclides Riquetti

Um menestrel a cantar o amor

 


Um menestrel a cantar o amor


Situo-me numa profunda dimensão poética

Poeta liberal, não sigo nenhuma vã filosofia

Não me iludo com breves nuances de euforia

Nem me adapto a nenhuma profusão dialética.


Sou como a matiz consistente do jacarandá

O olor concentrado da essência do carvalho

Pelos ares eu voo e os meus versos espalho

E inspiro o doce perfume do fruto do araçá.


Talvez seja como o surdo sonoro do tambor

A nostálgica melodia romântica do violino

Um menestrel sem rumo a te cantar o amor.


Mas, firmemente, tenho claros os propósitos

De em teu coração ser permanente inquilino

Para teus tímpanos, ser um acorde melódico!


Euclides (Celito) Riquetti

02-04-2022




As espumas brancas das águas do mar

 

 


Praia de Canasvieiras - na Ilha da Magia - Florianópolis - SC -com vista

da pequena Ilha do Francês, onde habitam as sereias. 


As espumas brancas das águas do mar

Trazem, levam e lavam as areias

E, na pequena ilha, se escondem sereias

Que minha imaginação vêm povoar. 


As espumas brancas açoitam meus pés

Que se banham nas ondas agitadas

E as belas senhoras ali jazem, deitadas

Enquanto se balançam, ao longe, as galés.


E minha mente navega pelo universo

Vai encontrar-te onde quer que estejas

Enquanto te escrevo poemas dispersos.


Ela busca teu sorriso leve e sereno

E te oferece algo que tanto desejas

Um corpo que atrai qual doce veneno.


Euclides Riquetti

Não me importa qual o perfume das flores

 


 


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Não me importa qual o perfume das flores
Todas elas me atraem  e me seduzem
Não importa quais sejam as suas cores
Mas sim os encantos que produzem...

Não importam quais as mãos que as plantaram
Todas o fizeram com amor e com carinho
Não importa com quais  águas as regaram
Ou se tenham ramos ternos  ou de espinhos...

Importa-me, sim, que sejam flores, apenas isso
Que possam deleitar-nos com sua doce singeleza
E que possam sorrir  com todo o garbo e todo o viço...

Flores de todas as cores, matizes e perfumes
Flores que inspiram os poetas por sua beleza...
Flores que te entrego porque tu  me seduzes...

Euclides Riquetti

As naus da solidão...

 


 


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Navegam, vagarosamente, nos mares de minha mente
As naus da solidão...
Vão de porto em  porto, vão de mar em mar
Procurando meu corpo para ancorar
Dando as costas à imensidão.
Navegam nas profundezas dos tempos, suavemente...

Navegam, através dos ventos e das as correntezas
Para  buscarem a doce calmaria
Que só eu lhe posso oferecer
Que só eu posso lhe conceder.
Navegam as naus da nostalgia
Pelos mares ignotos das  incertezas...

Navegam, lentamente, plenas de almas solitárias
As naus da solidão...
Vão, nas tardes, na noites, nas manhãs
Em suas andanças libidinosas  e vãs
Buscando a ilusão.
Navegam, sutilmente, as  naus solitárias!

Euclides Riquetti

Na ilha dos morangos, na ilha da magia

 


 



Fui nadar na ilha dos morangos

Nossa charmosa ilha da magia

Ali, onde dançam valsas e tangos

E o sol vem a pino ao meio-dia.


Nas areias pisam as estrangeiras 

Que tecem as mais finas tranças 

E tornam as mulheres faceiras

Enquanto vivo as lembranças...


Na ilha da magia têm amoras

Além de vermelhas framboesas

E rubras cerejas tão deliciosas

Como lábios doces de princesas.


Na ilha da magia os anjos moram

Vestidos de cetins cor de neve

Então meus olhos por ti choram

Esperando rever-te bem em breve!


Euclides Riquetti

Em busca do nada...

 


 



O sol causticante e o céu anil azulam o mar

Na manhã quente do início de dezembro

Enquanto fico aqui, absorto, a relembrar 

E, quanto mais eu penso, mais eu relembro.


O verão está prestes a anunciar sua chegada

Virá trazendo os carroceis de Papai Noel

E a paisagem, certamente, vai ser mudada

Pelo verniz das tintas postas pelos pincéis. 


Andam muitas pessoas por todos os lados

Como que fossem procurar  o tempo perdido

Devem haver remédios a serem buscados.


E eu, que também ando em busca do nada

Para reencontrar os melhores tempos vividos

Aqueles que restaram ao longo da estrada!


Euclides Riquetti

Futebol no céu

 


Arquibancada e cabines de transmissão de nosso estádio da Baixada Rubra - do Arabutã FC - localizado em Ouro - SC - palco de grandes espetáculos, agora sentimos o vazio dos que se foram...

Crônica em homenagem a amigos que se foram)  - reprisando

     O Táti, zagueirão do Arabutã, morreu e foi pro céu. Lá,  tinha uma organização de talentos, que eram alojados por setores. Eram pessoas que um dia brilharam aqui na terra e que o destino as levou para morar  lá em cima. Tinha o setor dos atletas famosos: Denner, Adilson, Dirceu e Everaldo, que morreram em acidente de carro; Garrincha, que bebeu além da conta; Serginho e Wagner Bacharel, que morreram em campo; e muitos outros, fora os europeus. Todos estes ouviam, atentamente, os conselhos do Mestre Telê Santana. Tinha o setor dos artistas: Cazuza, que teve aids; o Dollabella, que bebeu todas; o Chacrinha, que animava a Terezinha; o Bossunda, cujo o humor era maior que a bunda; Paulo Autran, esbanjando simpatia; o Paulo Gracindo, nosso Zeca Diabo;  Nair Bello, Mussun e Zacarias, que nos fizeram rir muitos dias ( e muitas noites de nossos invernos e verões). João Paulo agora forma dupla com Leandro, e até que combina:" Leandro e João Paulo"! Tinha também O dos talentos políticos: Rui Barbosa, que defendia a honra: Tancredo Neves, a democracia; Toninho Malvadeza, a Bahia; Brisola, que ia contra "os interésses" da burguesia; e Jânio Quadros, que tropeçava nos cadarços de seus sapatos tortos. O Airton Senna driblava as curvas do Reino de São Pedro, o Dílson Funaro dava cruzados nos brasileiros, enquanto os Mamonas Assassinas encantavam, com suas irreverências, os milhares de jovens que morreram, infelizmente, após as baladas de sábado à noite, em acidentes com carros e motos.
     O Táti olhou tudo, curiosamente, e procurava por algo. Caminhou por entre as árvores e em meio a muitas roseiras e cravos, lavou a cabeçona numa fonte de água, passou a mão nos olhos e, ao abri-los, deparou com um monte de conhecidos: Lá estava o Bailarino, com algumas sacolas, cheias de camisas, calções e meias: Havia as azuis  e brancas, da São José; as pretas e amarelas, do Penharol; as verdes e amarelas, do Grêmio Lírio; as brancas e pretasd, do Vasco da Gama; e,  finalmente, as brancas e vermelhas, do Arabutã. Sentiu-se em casa. Finalmente encontrara sua tribo: O Bailarino, poeta, sábio, filosofava e escalava o time: O Orlando vai ser o Goleiro, mas não pode cair do cavalo, pois o Roque Manfredini, que  ficou sepultado lá em Porto União, vai ficar na reserva, porque este jogo não é pra profissional. Na lateral direita, o Darci Moretto, pois o irmão dele, o Valcir Moretto, vamos aproveitar na ponta direita, que ele gostava de jogar também lá. na zaga, vamos deixar a posição vaga, pois logo,  logo vamos receber um zagueirão que está chegando, e vai ser a principal contratação da temporada. Na zaga, o Tchule, que além de bom de bola, gosta de tocar bateria e batucar um samba. Na esquerda, o Urco, que poderá ser o juiz; daí fica o Jonei Cassiano de sobreaviso, para aquele lado, pois ele sabe defender e apoiar muito bem. Cabeça de área, um problema que é fácil de resolver: deixamos o Olivo Susin mais plantado e o Alberi, que é acostumado a arrumar bombas injetoras, com liberdade pra sair jogando e injetar a bola no ataque. O Jundiá, que é liso e tá meio pesadinho, fica com a oito, armando pro Moretto na linha de fundo, pro Camomila, nas esquerda; e, no ataque, o Alcir Masson, nosso matador, bem na frente, chutando forte e reclamando com o juiz. Bem, eu, o Baixinho, escalo o time e entro lá pelo segundo tempo. O Rogério Toaldo, vai ficar de curinga, e me ajudar a cobrar a mensalidade.

     Aí chegou o Juca Santos, Glorioso Presidente, e perguntou: "e o Zagueiro, o Capitão, que você não escalou ainda?"

     Bailarino apontou para o lado e gritou: "Chega, Táti, que a número três tá guardada pra você! E daqui a pouco vai chegar um convidado especial: O Guaraná! vamos ter que arrumar uma brechina também pra ele".

Euclides C. Riquetti - Ouro - SC - escrita em 23-01-2008 e plublicada no Jornal  ""A Semana" - Capinzal-SC


Nosso gramado - muita qualidade e muitos espetáculos. 

Se dói tua alma...

 


 







Se dói a tua alma de dor enferma
Doem meus braços que te seguram
Sofrimento e dor na vida efêmera
Doem meus olhos que te procuram.

Se tua alma enferma dói de paixão
Se dói de dor teu coração abalado
Se tua vida é um cantar sem emoção
Viajo pelo céu para estar a teu lado.

A dor d´alma é pior que a dos braços
Porque esta te maltrata em dia frio
Pois aquela, pior que meus cansaços
Mata com sua dor meu orgulho e brio.

Anda, então, busca o novo, o vivo
Rende-te aos novos e ousados desafios
Vem encontrar-me em meu atual abrigo
Busca novos ares mesmo que bravios.

Euclides Riquetti

sexta-feira, 1 de abril de 2022

É noite

 



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É noite, dos pensamentos sem dono
É noite de novo...
É noite das estrelas prateadas
Das almas condenadas (perdoadas??).
Mas é noite!

É a noite dos namorados
É a noite dos sonhos encantados...
É a noite das orações
Das dores nos corações...
É, sim, é a noite!

A noite é  dos amantes
Dos beijos provocantes
A noite é dos aflitos
Dos versos escritos e ditos
A noite é apenas a noite...

E, atrás daquela  janela
Alguém se esconde.
Atrás da cortina singela
Uma voz responde:
Estou aqui...
Pensando em ti!
Somente em ti.
Em ti...
(Aqui...)

Dircinho - o campeão de futebol que virou maquinista de trem! -De meus tempos de Porto União da Vitória


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Dircinho, o ponteiro direito, agachado, com sua mão direita segurando a bola.
O Lourival, terceiro na fileira em pé, era aluno da Fafi e era conhecido como
"O Moço de Rio Azul"

Foto do Jair da Silva, o Kiko, ex-atleta da AA Iguaçu, que foi meu aluno de
Língua Portuguesa, no Científico do Colégio Cid Gonzaga, em 1976.


          Em 1975 terminei meu curso de Letras/Inglês na FAFI, em União da Vitória. No meu último ano de faculdade, também último de solteiro, morei na Rua Prudente de Morais, em Porto União (lado de Santa Catarina), próximo do Museu Municipal, mas no outro lado da rua, num casarão de alvenaria, antigo, agora já demolido. Acho que o número era "331".

         O almoço, fazia na Pensão da Dona Berta, num sobrado da Rua Sete de Setembro, ao pouco abaixo da Mercearia Glória. Anos depois, minha ex-aluna Dirlene Bonato (Hachmann), de Capinzal-Ouro, foi morar justamente na casa da Dona Berta para estudar. Ali eu formei um novo grupo de amigos: Mário, que era torneiro mecânico e trabalhava comigo no Mallon (Mercedes-Benz); e ainda Maciel, que viera de Wenceslau Brás, e Dircinho, cujo nome era Adilson. Maciel e Dircinho participaram de um concurso e eram "maquinistas de trem". Auxiliares ainda, mas com o tempo iriam virar maquinistas.  Haviam sido aprovados em concurso da Rede ferroviária e estavam recebendo treinamento na Vila Oficinas.

         Desenvolvi uma forte amizade com ambos. Eram educadíssimos. Pois um dia o Dircinho chegou para o almoço muito feliz: fora convidado para jogar pela Associação Atlética Iguaçu, time que foi fundado em 15 de agosto de 1971 pelo Coronel Ricardo Gianórdoli, comandante do 5BE. Era atacante.  Então contou-me sua história: jogara pelo Água Verde, fora campeão Paranaense de Futebol profissional em 1967. Eu lembro bem do time que foi campeão naquele ano, no Paraná, e que por fusão com outros se transformou no Pinheiros, até chegar ao Paraná Clube.

          Dircinho, que também atuou pelo Rio Branco, de Paranaguá, foi titular de imediato no Iguaçu. No primeiro jogo que o vi jogar, fez o gol do 1 a 0 contra o Maringá, no estádio do Ferroviário, em União da Vitória.  Fez vários gols pelo clube que jogava com uniformes nas cores azul, amarelo e branco. Mas foi colocado a trabalhar de maquinista nos trens que faziam o trecho entre União da Vitória e Marcelino Ramos. Transferiu-se para Herval D ´Oeste, aqui do outro lado do Rio do Peixe, cidade geminada com Joaçaba. Na época,  eu morava em Zortéa e vim visitá-lo. Foi uma alegria para mim revê-lo!

          Mas, com a desativação das linhas de trem, com a concessão da ferrovia para a América Latina Logística, ele sumiu daqui. Imagino que tenha sido transferido para outro local, como fizeram com muitos dos funcionários da Rede.

          A história do Dircinho sempre me encantou porque me pareceu muito interessante: um jogador de futebol profissional, que realiza um sonho bem diferente: ser maquinista de trem. E conseguiu!

          Ainda o encontrarei, espero, algum dia. Quem sabe que alguém que o tenha conhecido, ao ler meu texto, possa me ajudar!

Grande abraço, amigos Maciel e  Dircinho, onde quer que estejam!

Euclides Riquetti
12-07-2015

O botão da rosa

 


 



O botão da rosa tremeu
Quando você passou
Acho que foi seu perfume
Que o contagiou
(E seu balançar o  emudeceu)...

O botão da rosa era vivo e galante
Portava-se como um príncipe virtuoso
Bonito, formoso!

O botão da rosa era predestinado
A tornar-se uma rosa encantada
Talvez branca
Talvez vermelha
Ou rosa matizada.

Mas quando você passou
Bonita e deslumbrada
Jogando sorrisos pra todo lado
Intimidou-se o rapagão
Que via-se ficar apenas botão.

Mas passou a tarde e a noite chegou
E caiu sereno na madrugada.

Então, na manhã azul chegou a fada
Com sua varinha abençoada
E o botão sentiu-se revigorado
E ficou todo prosa:
Um toque da varinha mágica
Era tudo de que precisava.

Então  virou uma bela de uma rosa
Explendorosa
Perfumada!
Que foi por você beijada
E levada...

O botão  virou uma moça
Bela, risonha, cobiçada
Muito amada
Como você...
Euclides Riquetti

Busque, constantemente, a felicidade

 






Busque, constantemente, a sua felicidade
Busque encontrá-la perto ou na imensidão
Procure, na harmonia e na tranquilidade
Dar respostas ao que pede o seu coração.

Busque, firmemente, a sua felicidade
Busque alento para sua alma e seu ser
Procure nas pessoas a alegria e a bondade
Para reconquistar seu direito de reviver.

Busque, com toda a força de sua mente
Busque nas cidades, vilarejos ou no mar
Vá buscar respostas ao que você sente.

E, quando encontrar o que você procura
Comemore a alegria por de novo sonhar
Dissipadas que foram suas nuvens escuras!

Euclides Riquetti

O espinho da roseira

 


 



O espinho da roseira feriu o dedo curioso

Da dama mulher deliciosamente delicada

E dele emergiu um elemento encarnado

Enquanto o céu se tingia de azul, dengoso

Na manhã morna, divinamente abençoada.


A dor do ferimento pareceu amenizada

Diante de um olhar protetor que vigiava

De um jovem moço gentil e reservado.

Então a bela moça de feição redesenhada

Era apenas um anjo que por ali passava.


Porém, vieram os brotos rubros vicejantes

Presente a compensar a dor do ferimento

E reina no céu o sol discreto, mas dourado. 

Nos quartos, deliram em uivos os amantes

Externam seus instintos e sentimentos!

Euclides Riquetti

Pés descalços

 





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Pés descalços
Acariciam as calçadas
Abandonadas.
Corações em percalços
Com batidas descompassadas
Retumbam em almas maltratadas
Rejeitadas, mutiladas.


Pés nus buscam caminhos de luz
E pisam na relva umedecida
Adormecida
Sustentando o corpo que seduz.

O corpo que atrai
E que distrai
Furta meus pensamentos pecaminosos
Libidinosos...
E me mergulha nas águas
Me afoga nas mágoas.

Algo me atira às incertezas do momento
Que vaga lento, lento
Como a nau que vai
E se perde no infinito
Bonito...
Bonito, mas cheio de ruelas obtusas
Confusas
Como eu!

Euclides Riquetti

Viciei-me em você

 



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Viciei-me em você
Deliciosamente
Freneticamente
Viciadamente!

Viciei-me em você
Com toda a energia
Com a sua alegria
Com sua maestria!

Viciei-me em você
Não devia ser assim
Deveria gostar de mim
Gostar, amar,  enfim!

Viciei-me em você
Viciei-me errado
O vicio do pecado
Desalmado!

Deliciosamente
Freneticamente
Viciadamente!

Euclides Riquetti

Pedi pra garça

 


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Pedi pra garça levar meu recado
De menino travesso
De menino apaixonado
E entregar pra gaivota
Que bronzeia suas costas
Na beira do mar...

Pedi pra garça que lhe dissesse
Que em alguma cidade
Há alguém que não a esquece
Que a ama de coração
Que reza por ela com devoção
Em algum lugar...

E a garça cumpriu com a missão:
Levou o poema do poeta
Para alojar em seu coração!
E o recado mandado
Pelo romântico enamorado
Se espalhou pelo ar.

E todo mundo viu
Todo mundo percebeu
E todo mundo sentiu
Que um poeta louco
Quer pelo menos um pouco
Seus lábios beijar!

Euclides Riquetti

 

Apenas mais uma manhã...


 
 
 
 

 
 

Uma manhã banal
Como outras manhãs banais
Pode ser uma manhã casual
Como outras tais e tais.

Uma manhã  tentadora
O meu corpo a te querer
A lembrança encantadora
O que mais pretender?

A manhã  inspiradora
Os pensamentos saudosos
Tua pele macia, sedutora
Os momentos só nossos...

O que mais querer?


Querer uma manhã de querer
Apenas mais uma manhã
E, numa manhã, podes crer
Poder crer no amanhã.

A tarde de um amanhã
De um ontem, de um hoje, de um sempre
Pode ser, de repente
Apenas uma tarde vilã...

Mas sempre haverá um mais e um mais
Um bom motivo pra viver
E então, as manhãs banais
Serão manhãs colossais
Serão aquelas manhãs,  tais e tais
Que tanto quero reviver!!!

Pois, queiramos ou não, o tempo passa...

(E nós vamos envelhecendo...)
 
E eu, aqui, pensando em você!

 Euclides Riquetti 

As Pedras, a Pedra e as Pedras de Moinhos...

 



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          Pedras são teimosas por natureza. Quem já não deu uma topada numa delas?! Ah, coitado do dedão do pé! São tão teimosas,  que insistem em ficar no caminho das pessoas. Ou defronte ao seu olhar... Duvido que você, leitor, leitora, também não tenha uma história com pedras para lembrar.

          Pois eu lembro das pedras das taipas. No Leãozinho, onde nasci, e em Linha Bonita, onde morei um pouco de minha infância, lá na antiga Rio Capinzal, as taipas serpenteavam-se nos morros, feitas pelos descendentes de italianos que vieram da Serra Gaúcha. Também pelos "lageanos", que vinham da região dos Campos de Lages. O professor Cornélio Marcon refere-se, em seu livro, sobre as taipas da propriedade de sua família, ali entre o Novo Porto Alegre, o Leãozinho, São Pedro e Nossa Senhora das Graças, que são compreendidas nos territórios atuais de Ouro e Lacerdópolis.

          Mas têm as rodas dos moinhos nas minhas lembranças: Da Família Moresco, em Novo Porto Alegre;  do Viganó, em Linha São Paulo; Do Antônio Biarzi e depois do Ivo Broll, em Linha Vitória, dos Lago, em Santa Lúcia; do Clementino Toscan, que pertenceu aos Penso, em Nossa Senhora da Saúde; dos Rempel, no Pinheiro Baixo; do Zitro Brum, na Linha Carmelinda; do Clemente Vidi (que incendiou quando eu era criança)  e depois do Tonial, em Linha Bonita; dos Casagrande e depois do Fiorindo Bernardi, dos Costenaro, do Valdir Bonato e, por último, do Moresco e do João Luiz Beviláqua, no Parque e Jardim Ouro. Na Linha Dambrós o mais antigo, fora construído por eles junto a um núcleo de empreendimentos que comportava fábrica de cadeiras, açúcar mascavo, melado, cachaça e outros produtos de primeira necessidade para as três  primeiras décadas da colonização de nosso antigo "Distrito de Abelardo Luz". E outros mais, todos com muita importância para os antigos colonizadores.

          Depois as pedras da Barragem no Rio do Peixe, que até hoje estão ali, entre as cidades de Ouro e Capinzal, bem como das obras de artes correntes da Estrada de Ferro.

         Pois tenho uma história que aconteceu comigo na minha campanha a Prefeito, em 1988: Fui pedir votos no Bairro Nossa Senhora dos Navegantes e lá havia um casal de amigos com quem em me dava muito bem. Eu chamava o cara de "Kiko", porque ele era muito parecido com meu cunhado Anilton Carmignan, de saudosa memória. A filha deles, uma bel menina, era minha aluna. Ele me mostrou uma pedra enorme que estava depositada no meio do leito da rua. Coisa de mais de 30 toneladas. (Pedras pesam, sabe??!!). Disse-me que aquela pedra estava ali há tempos e que não conseguiam retirá-la, pois era muito pesada e não havia máquina com potência suficiente para fazerem isso. E que só votaria em quem tivesse uma ideia convincente  de como faria para remover ela dali. Detonar, impossível, pois detonariam também as casas com a explosão!

          Olhei para ele, abri um sorriso e pensei: "Levo os votos!"  E me lembrei de uma história que o taxista Santo Sartor me contou: "Lá em Capinzal, no Bairro São Luiz, uma pessoa tinha terra de uma escavação para ser levada embora, mas não podia pagar frete. Alguém lhe disse: "Faça um buraco e enterre a terra"! O homem ficou pensativo e julgou que podia fazer isso. Mas depois lembrou-se "O que fazer com a terra produzida para fazer o buraco?"

         Pois eu apresentei a solução na hora: "É só fazer um buraco grande no meio da rua, enterrar a pedra e levar a terra embora com a caçamba"! O cidadão me deu parabéns pela ideia criativa e me garantiu os votos.

         Depois de ganhar a eleição e tomar posse como Prefeito, chamei o Secretário Ademar Zóccoli e o Diretor de Obras, Amantino Garcia dos Anjos,  e pedi que fizessem o serviço lá. O Ade tinha muita experiência nessas coisas, foi lá e, com alguns furos e um pouco de pólvora, sem usar bananas de dinamite, partiu-a em diversos pedações de tamanho suficiente para serem carregados na pá carregadeira e transportados pela caçamba. Nem foi preciso fazer o buraco e enterrá-la...

          Sem muita força, nem muito esforço, é possível resolver muitas coisas, não acham?!

Euclides Riquetti

Beije-me, no silêncio, na noite...

 


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Beije-me, em silêncio, na noite...
Beije-me,  em silêncio, na noite,  me beije
Ou então minta e diga-me que não me quer
Permita-me entender o seu jeito de mulher
Mas, por favor, jamais me deixe...

Beije-me, em silêncio, na manhã de luz
Ou então finja dizendo que não sou nada
Com beijo de musa, mulher ou namorada
Com aquele beijo delicioso que me seduz...

Beije-me, em silêncio, na tarde ensolarada
Ou então me cante uma daquelas canções
Aquela que violenta as minhas emoções
Mas que me atrai para a doce amada...

Beije-me, em silêncio, apenas faça assim
E lhe darei em troca todo o meu coração
Mas, se não me quiser, ainda peço perdão
Porque quero apenas que acredite em mim!

Euclides Riquetti