quarta-feira, 18 de março de 2026

Linha Vitória – crônica de uma história que merece ser registrada e contada




       No antigo Distrito de Abelardo Luz, que pertenceu ao municipio de  Cruzeiro, hoje Joaçaba, ainda antes da construção da Estrada de Ferrro São Paulo-Rio Grande, depois Rede Viação Paraná-Santa Catarina e, adiante, Rede Ferroviária Federal S.A., esta inaugurada em 1910, já havia alguns moradores, caboclos, que se tem notícia de sua existência, porém poucos registros oficiais sobre eles. Mas, com a inaguração da Estrada-de-Ferro, começaram a aparecerl ali levas de descendentes de imigrantes italianos, vindos de diversas cidades da Serra Gaúcha. A comunidade de Linha Vitória, uma das mais prósperas no início de nossa colonização, não fugiu à regra. 

       Uma comunidade das mais antigas, Linha Vitória, teve suas primeiras casas construídas por volta de 1914 e 1915, quando também construíram a primeira Igreja ali. Primeiro mais abaixo, e, depois, onde se encontra a atual capela. 

       Pessooalmente, conheci a comunidade quando eu deveria ter uns 4 ou 5 anos. Lembro bem que, morando com meus padrinhos João Franck e Rachele Vitorazzi Franck, fui com a filha deles, Catarina, comprar alguns objetos pessoais para ela, que era noiva de Dionízio Pilatti, com quem se casou e teve filhos e netos ainda em vida. Lembro que ela comprou um espelho, pentes, flores artesanais brancas para compor sua vestimenta do casório. Fomos atendidos por familiares de Antônio Biarzi, então com uma bela casa comercial no centro da comunidade. De outra feita, fui com filhos de meu padrinho até a casa da família Savaris (pai do Waldemiro), onde amigos fizeram um mutirão para colher o trigo de sua plantação, uma vez que ele não tinha a capacidade motora de movimentação, uma severa limitação física. 

       Nas eleições de 1988, para o cargo de Prefeito Municipal em Ouro, obtive uma vantagem de 64 sufrágios na urna daquela comunidade. Ajudamos a comunidade a construir seu Ginásio de Esportes, e inauguramos um telefone para ser usado pelos moradores. Até hoje frequento Linha Vitória, onde tenho um pequeno sítio. 

       Ainda no milênio anterior, quando eu era Secretário da Administração e Planejamento do Governo Sérgio Durigon e José Camilo Pastore, agendei reunião para buscar informações que me permitissem obter a história de cada participaram da mesma, dentre outros, os irrmãos Espedito e Antoninho Cervelin, Adolfo e Afonso Faccin, Waldomiro Savaris, Dionízio (Capelão) e Dionísio Roque Pilatti, Antônio Pilatti e Dalposso. 

        Tenho de certo que as primeiras famílias vieram de Casca e São João de Montenegro, no Rio Grande do Sul. Vieram com cargueiros de cavalos e burros, outras já com o trem de ferro até Rio Capinzal, passando o Rio do Peixe e, indo por picadas abertas a facão e foices, até o local onde se situa Linha Vitória.

        Dentre os pioneiros, destacamos; Thomaz Pilatti, casado com Albina Lúcia Pituco, originário de São João de Montenegro; Vitório Cervelin, casado com  Idalina Rossato; Antônio Gubbert, casado com Oliva ; José Brustolin; José  Vacari; José Fachin; Pedro Faccioni; João Vargas; João Helt; Hermínio Maestri, que foi o primeiro professor na comunidade; Luiz Fabri;João Fachin Sobrinho; Fernando Berna, casado com Margarida Bernardt; Natal Formentão, casado com Catarina; João Pilatti, casado com Serafina Bearzi; Aldino e Vitório  Mariani; Marcelino Casagrande; Germino Biarzi; Atílio Felipe; Avelino Savaris; João Penso; Izaías Formentão, casado com Adelina Fachin; Maximiliano Biarzi, casado com Maria Prandini.

       Depois vieram as famílias Trentin, Máscchio, Zambon, Savaris, Perin, Bonamigo, Rech, Dalposso, Zanol e FaCcin, além de outras.

        Em Linha Vitória, havia inicialmente uma casa comercial de Thomaz Pilatti, que foi sendo sucedido por Hermínio Maestri. Jacob Maestri, Vitório Tonini,  Valídio Berna, Antônio Bearzi e Ivo Broll, a qual comercializava armarinhos, ferramentas e utensílios de cozinha, comprando produtos coloniais para serem repassados a exportadores da sede do Distrito de Ouro.

        A comunidade possuía um pequeno núcleo central onde, além da Igreja, da casa de comércio e da escola, havia também uma ferraria, uma serraria e um moinho colonial, para moagem de milho e descascamento de arroz, bem como uma cantina produtora de vinho e vinagre de uva, das antigas Indústrias Reunidas Ouro S/A.

        Pela ordem, foram proprietários de ferrarias ali; Luiz Fabri, João Penso, Dário Nora, João Tonini, Marcelo Fachin , Antônio Dambrós e Ângelo Pecinatto.

       As serrarias passaram pelas mãos de João Penso, Família Poyer, João Rech e depois Otto Pilatti, enquanto que foram moinheiros Luiz Biarzi, Antônio Biarzi e Ivo Broll.

        Também havia um campo de futebol em propriedade de Ermindo Zanol, depois de Itacir Rech, Adolfo Faccin  e, atualmente, há um bem localizado, no núcleo central.

          Alterações significativas ocorreram nos costumes e na economia. Algumas atividades foram sendo suprimidas e hoje a produção agropecuária ainda é muito forte, 

           Linha Vitória realiza, neste domingo, uma festa comemorativa que vem criandograndes expectativas pela capacidade de oraganização e entusism de seu povo. 

Euclides Riquetti – Escritor – www.blogdoriquetti.blogspot.com 

18-03-2026

Texto sujeito a atualizações em qualquer momento. 


Um comentário:

  1. Muito linda a história só você esqueceu de situar do meu pai que foi professor a 30 anos e também fez parte da história!

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