sábado, 15 de agosto de 2015

Histórias de Dona Djélci e do Seu Bépi

          O Bébi tinha uma fábrica de vassouras de palha ali na Rua da Cadeia. Magro, grisalho, usava chapéu de palha de trigo para não pegar sol. Era nascido como Victório José Thomazoni, mas, como todo o José, era Bépi!  Dona Djélci, que as vizinhas chamavam de "Djéma" (Gema),  chegara ao mundo como Gelsemina Biondaro, mas as vizinhas só a conheciam cmo Djélci , que era più fàcile da dire! Era uma senhora cordata, mas firme em sua opinião. Reservada, não era de ficar mostrando os dentes à toa. Nós a respeitávamos. Era mãe de dois amigos, Mário e Arlindo. Também da Nina, uma moça prendada.  Com eles, jogávamos bola e brincávamos "de Índio". Os meninos utilizavam as hastes das vassouras para fazer flechas. Na ponta, colocavam ponteiras feitas habilmente com panos para não ferir os "soldados" nas brincadeiras. Um terreno da família De Paoli, onde havia uma pilha grande de tijolos,  era utilizado para a "guerra". Com os tijolos, construímos um forte. Agitávamos o "pedaço". Todos queriam ser índios, porque estes matavam os soldados, aprendêramos assim no Farroupilha e no Glória, nossos cinemas.  Ao lado do forte, um espaço de terra bem socada que comportava uma trave. Jogávamos "campeonatos" de futebol.  Muito divertimento!

          De dia, muita brincadeira para saciar nossa energia e vontade de brincar, principalmente na Primavera e no Verão quando demorava um pouco mais para anoitecer. E, em algumas noites, nos reuníamos em nossa "Sede". A Sede nós fizemos num grande mutirão juvenil. Era uma saleta ao lado da seção de fabricação das vassouras da família Thomazoni, no porão do Bépi. Nós mesmos fizemos a escavação da terra para instalar a sala, feita com madeiras que sobraram da construção da casa. Devia ter uns 12 metros quadrados e tinha uma lâmpada ao centro. Ao redor, bancos feitos com tábuas de madeira de pinheiro "de terceira". Era nosso santuário. Ali, nos reuníamos para combinar nossas promoções e programar os jogos da S.E. Palmeiras, nosso Palmeirinhas da Rua da Cadeia.

          Vez por outra, Dona Djélci e Seu Bépi vinham ver nossas reuniões. E, de futebol, para causos, tudo era muito rápido. Os "velhos" sabiam de muitas histórias. Falavam das assombrações, do Sanguanel e das panelas de dinheiro. Nós, ouvíamos assustados; "Lá nas bandas da Entrada do Campo tinha um fazendeiro muito rico. Ele escondia o seu dinheiro em vasilhas de ferro,  de alumínio ou mesmo de barro e as enterrava. Morreu sem contar aos familiares onde havia escondido seus tesouros. Uma panela bem grande, cheia de moedas de ouro, jamais fora localizada...," dizia o vassoureiro. A esposa, muito séria, concordava com ele e emendava:

          "Muitas pessoas já foram para aqueles lados para procurar a "panela de dinheiro". Vão de noite, que é para que ninguém os veja. Mas, para proteger a panela, o espírito do fazendeiro está sempre rondando por lá. E fica escondido atrás de uma taipa ou de um umbuzeiro. Quando percebe que há gente tentando cavar buracos com uma picareta e pá, pula sobre eles. O espírito é todo vestido de branco. É uma alma penada que não quer que mexam no seu dinheiro. E, quem é assustado pela alma do fazendeiro, se não for rezar três Aves-marias, um Glória e um Padre-nosso, na primeira igreja ou gruta que tenha uma imagem de Nossa Senhora, morre na certa!"

          E nós, adolescentes entre 12 e 17 anos, ficávamos muito assustados, aquilo era de arrepiar.  Dona Djélci era uma mulher muito séria, devota de Nossa Senhora, fazia parte do Apostolado da Oração e não mentiria, nunca! Só poderia ser verdade, aquilo. Terminava uma história e vinha outra. Falavam do Sanguanel, que era um diabinho preto com roupas vermelhas e que vinha buscar as crianças que não rezavam e nem obedeciam.... Tinha também a Mula-sem-cabeça, que aparecia nas curvas das estradas... Meus Deus, quanto medo!!!

          Numa dessas ocasiões,  fui para casa muito asssustado. Já ia com medo do escuro. Nos postes, uma iluminação muito acanhada.  Demorei para pegar no sono. Fiquei imaginando como seria o Sanguanel, a dita Mula-sem-cabeça, a alma do fazendeiro e outras coisas mais. Será que a alma vinha coberta com um lençõl branco ou com uma túnica preta?  Até vinha sonhando com essas criaturas do Demônio. Imagine agora, então, depois de ouvir tudo aquilo!  E, quando foi lá pela madrugada, um galo que estava dormindo debaixo do assoalho da nossa casa de madeira, assanhou-se para puxar os primeiros cantares do dia, o despertador natural das famílias que nem tinham relógio em casa. Ao bater as suas asas, fez um barulhão que me acordou. Fiquei apavorado, gritei, acordei meus pais e irmãos. Achei que o Diabo estava ali a  querer me ferrar..

          Serenados meus ânimos, disseram-me que era apenas o galo velho,  tentei dormir até a hora de levantar-me, mas que nada! Rezei muito, até me arrependi de meus pecados, fiz um "ato de contrição", prometi ser bonzinho com minha mãe, ajudar a recolher lenha sempre que ela pedisse, e  tirar água do poço com a manivela e deixar os dois baldes bem cheios antes da noite para poder lavar a louça e para o café da manhã. Mas não teve jeito, o dia veio sem que eu pegasse no sono.

          Ah, fui muito medroso, sim, na minha adolescência. E não era para menos. Cada vez que quisessem nos amedrontar, nos contavam casos assim. E, os Thomazoni, não faziam isso por mal. Era costume as pessoas irem passando as histórias para a frente. E, como não existia TV e poucas famílias tinham rádio, uma das nossas diversões, à noite, era escutar as histórias horripilantes que os mais velhos nos contavam... Hoje, os adolescentess adoram filmes de terror, de histórias macabras. Mas eu prefiro ver comédias. E escutar bons casos que as pessoas me contam na rua, diariamente. Todos têm uma história interessante.

Euclides Riquetti

Soneto da Madrugada

Soneto da Madrugada
No inerte vaso, amarelos cravos em macetos
Cujo perfume em nenhum lugar do mundo há
Meus versos se emparelham  em dóceis sonetos
Nos lanços de palavras que se embalam no ar.

Na madrugada, vagam pensamentos desconexos
A mente voa, vai campear em algum lugar
Buscar espelhos planos, côncavos, convexos
Em mil faces, mil sorrisos se espelhar.

E eu me ambalo nesses sonhos encantados
E neles abraço o teu corpo desejado
Enquanto beijo os teus lábios delicados.

E nas manhãs de sol, vento ou calmaria
Em todos os momentos, noite tarde,  ou mesmo dia
Espero-te: vem juntar-te aos meus pecados.


Euclides Riquetti
25-09-2004

O som que vem do tempo

 
Escute, com seu coração, o som do tempo
Uma melodia agradável, afável, infinita
Uma música leve, divina, bonita
Escute, com seu coração, em cada momento
O som que vem... do tempo!

Escute e perceba a carga de sentimentos
A sensibilidade que aguça e que envolve
Até as lembranças que a vida não nos devolve
E que nos trouxeram dilemas e tormentos
No som que vem do tempo...

Não se importe  se ele não se move célere como o raio
Não se aflija  se ele não corresponde aos seus anseios
Não se intimide se ele a olha de frente ou de soslaio
Se ele vem beijar os seus lábios ou afagar seus seios
Mas escute o som... que vem do tempo!

O som do tempo, sim!
Aquele que vem para acalmar seu coração
Abrandar sua alma cheia de paixão
O som do tempo. Apenas ele, sim!

Euclides Riquetti

Parque e Jardim Ouro em versos


 

Ao Norte da cidade de Ouro
A Família de Werner da Silva
Fundou um bairro muito nobre
Que recebeu muitas famílias
Nosso Parque e Jardim Ouro
Um lugar que muito brilha!

Sua história é de gente honrada
Honrada e batalhadora
De gente de bem é a morada
Gente honesta e trabalhadora
Uma terra abençoada
Progressista e promissora!

Quantos ali já cresceram
E viram nascer as construções
Das pessoas que ali viveram
Temos muitas recordações
Saudades dos que já morreram
A quem devoto orações!

Frarom, Peroza e Thomé
Grulke, Martins, Bonamigo
Rodrigues, Bernardi e Bonato
Proner e  muitos amigos
Savaris, Lima e Mattos
Moradores muito antigos.

Precisamos também falar
Dos Zóccoli e Vilarino Dutra
E ainda nos  lembrar
Dos Duarte, Faccin e Oliveira
Dos Esganzela e dos Dacás 
Nesta terra hospitaleira.

Vieram depois os Córdova
Os Meneghini e os Deitos
Os Pereira e Schlindenwein
Os Chiocca e os Freitas
Mantovani e Franceschi
Os Andrioni  e os Vieira.

E  também dos Spadini
Com sua seriedade e respeito
Dos  Rosa,  Forlim e  Brandini
Dos Camargo e dos Fonseca
Beviláqua, Coeli e Tidre
Vian, Schwantes e dos Baretta.

Tieppo, Minks, Crippa e Gálio
Zambon, Wulf, Frá  e Franquini
Anjos,  Córdova e Bazzo
Biarzi, Recalcatti e Colpani,
Rático, Storti, Toigo e Santos
Miqueloto, Silveira e Souza.

Minha homenagem aos Garcia
Aos Bassotto e aos Teixeira
Aos Forlin e Morosini
Aos César e aos Possamai
Coronetti e Filipini
Bortolli e a todos os demais.

Os Casara e os Bressan
Pastore, Correa e Chiamolera
Parisotto, Casagrande e  Boz
Basei, Susin e os Durigon
Professora Ione  Dambrós
E ainda Adiles Masson!

Procurei aqui saudar
Os mais antigos moradores
Os pioneiros que lutaram
E ainda os fundadores
Os primeiros que chegaram
Os verdadeiros desbravadores.

Hoje podemos nos orgulhar
Desse povo tão educado
A quem eu quero homenagear 
Com esses versos rimados
Continuem a nos honrar
E sejam por Deus abençoados!

Euclides Riquetti

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Anjo de luz

Um raio de luz riscou o céu na noite estrelada
Deixou ali um rastro, uma silhueta longilínea
Como que de seu corpo, a imagem desenhada
De algo muito  real, uma verdadeira insígnia.

Era uma luz poética, uma propulsão de versos
Que os poetas escrevem e distribuem nos céus
Era um corpo esbelto, com atributos diversos
Que porei em tela branca, da alvura dos véus.

Era um anjo de luz, um ser com alma e dores
Com braços, pernas, cabeça, olhos, coração
Era um anjo de luz divina, de múltiplas cores.

Era um risco no céu, vagando no meu espaço
Aquele que reservei para descrever toda a paixão
Inspiração para meu verso, o risco de um  traço!

Euclides Riquetti
14-08-2015




O retardo da maturidade


          Ter vivido mais anos do que a maioria dos demais viventes, permite-nos ter uma visão maior e mais lúcida de algumas coisas. A mais longa obervação de fatos e comportamentos foi-nos dando base para compreender melhor as situações do dia-a-dia. Vemos muitas coisas acontecendo, considero que o coração do jovem está melhor, que tem mais facilidades do que tinhamos em nossa época "teen".

          Embora o coração das pessoas, ao meu ver, esteja melhor, menos rancorizado, o nível de tolerância delas chega ao limite com mais frequência. Dizia-me uma pessoa que muito prezo, madura, lúcida, que as pessoas da pré meia-idade ( esta é uma faixa que criei para designar os que estão entre os 30 e 45 anos), estão-se portando como se estivessem na adolescência. E os adolescentes como se fossem crianças. E, também, muito madurão querendo dar uma de "bem jovem". Acho que na história do mundo isso já aconteceu, mesmo nas gerações próximas de nós, as que conhecemos, mas que nós ainda não tínhamos compreensão e discernimento para ver e sentir isso.

          Alguns fatos que presenciei neste mês,  e que não vou ser deselegante ao ponto de reportar aqui,  me mostram o quanto o grau de intolerância se faz presente. E os pais estão com dificuldades para lidar com a situação, não porque lhes falte vontade, mas porque se sentem impotentes. Filhos contrariados chegam a atitudes extremas. Se os pais abrem guarda, dão liberdade demais, perdem os filhos por causa das "tentações" a que estão expostos. Se exercem a autoridade necessária, os filhos acham que eles não querem o seu bem, que não lhes dão liberdade, isso e aquilo, têm reações radicais imediatas,  vão por caminhos de volta difícil.

          É inegável que o diálogo, o amor, a tolerância, ajudam a reduzir as "possibilidades de risco", quase as eliminam. Mas não é uma regra absoluta.

          Além disso, a informação (a que todos temos direito, para por luz na nossa ignorância), induz à tomada das  atitudes extremas a que me referi, ou seja, os exemplos disponíveis a todo o momento  fazem a cabeça das pessoas e coisas inaceitáveis passam a ser consideradas normais, parte do jogo.

          Sei que não fui claro o bastante para chegar ao que pretendo, e nem posso sê-lo, mas deixo muitas possibilidades para que você, leitor(a),  possa compreender-me.

          Vivemos mais anos, aprendemos mais coisas, passamos por maior número de situações, favoráveis ou adversas. Mas, que a maturidade está-se retardando, está, para a maioria das pessoas.


Euclides Riquetti
29-12-2012 

Noites românticas de agosto

 

Agradáveis noites de agosto
Escondem corpos alados
Que abrigam corações almados
Amados,  no mês de agosto...

Agradáveis noites estreladas
Dos amantes e dos apaixonados
Dos namorados e namoradas
Dos sonhos acalentados.

Agradáveis noites das nuvens que flutuam
De Alpha e de Centauro, e do Cruzeiro do Sul
Do sol escondido que prateia a lua
Da negritude que sombreia  o universo azul.

Agradáveis noites dos sonhos relembrados
Dos nossos, (dos meus, dos teus...)
De nossos sonhos e pecados
Dos sonhos das Julietas e Romeus...

Euclides Riquetti

Saudosa lembrança de uma cidade bucólica e outras reflexões

 
          Houve um tempo em que apenas algumas ruas de Capinzal ( e seu Distrito, Ouro), dispunham de pavimentação com paralelepípedos. Na margem esquerda do Rio do Peixe, havia calçamento, com paralelepípedos,  em parte da Rua XV de Novembro e parte da Carmelo Zóccoli. Em Ouro, o calçamento vinha de onde é hoje a Prefeitura até defronte o Seminário Nossa Senhora dos Navegantes, mais precisamente até a casa do Amélio Dalsasso, onde hoje mora o Sr. Jardino Viel. Era uma casa de madeira, cor alaranjada, madeira beneficiada, telhas francesas no teto. Aliás, a maioria dessas telhas vinham da Cerâmica Santa Cruz, de Canoinhas, famosas pela excelente qualidade,  mas havia algumas fabricadas em Alto Alegre, Capinzal, porém não chegavam a atingir a qualidade das de Canoinhas. As nossas eram utilizadas para cobrir paióis e chiqueiros, sucedendo as tabuinhas de madeira falquejadas, que os italianos chamavam de "scandoles", utilizadas largamente para cobrir casas e outras benfeitorias desde 1902, pelos "brasileiros", e a partir de 1910 pelos "italianos", até a década de 1950.

          Muito interessante é que na XV, na quadra que vai do Bradesco e prédio do Mência, até o prédio do Saul Parizotto e o da família Henrique, havia argolas de aço fixadas ao chão, nos meio-fios, dobráveis ao chão para que não  tropeçássemos nelas, onde se podiam amarrar os animais de montaria, ou mesmo os bois que arrastavam as carroças, ou os animais de puxavam as charretes. Para que não fugissem, enquanto seus donos faziam negócios, entregando mercadorias no comércio, bebidas, ou vendendo pão.

          Restam, em minha memória,  a charrete do Santo Boff, que levava  bebidas aos bares; a carroça da Comercial Baretta, conduzida pelo Juca Rupp, que entregava ranchos e buscava mercadorias na estação ferroviária;  a charrete da Padaria Cadorin, tendo o Artêmio Tonial e depois o Alcebides Soccol como pilotos; o Ari Wilbert, me parece, também utilizou uma em alguns anos; a carroça freteira do Eurides Venâncio, puxada por duas mulas, que trouxe parte da mudança da Prefeitura de Capinzal para  o Distrito de Ouro, no tempo do Prefeito Horácio Heitor Breda, na década de 1950, e que foi a que mais tempo permaneceu em serviço;  e a gaiotinha do Tio Vitório Richetti, que fazia entrega de bebidas, puxada por uma mula, e que ele a utilizava também para nos levar em pescarias, subindo a serrinha dos Masson, Miqueloto e Campioni,  e estacionando-a onde hoje é o Bairro Alvorada, em Ouro, para que descêssemos a pé pelos "peraus"até o Rio do Peixe, ali acima de onde hoje é o Tio Patinhas Lanches, para encher as sacolas de lambaris, jundiás e cascudos.

         Ah, como era bom viver nas gêmeas bucólicas cortadas pelo serpenteio do Rio do Peixe, e que até 1963 eram uma cidade só!!! E, aos 16 anos, tomar um ônibus (a gasolina) para ir cobrar uma conta em  Joaçaba, a "Capital do Oeste Catarinense"... e não receber nada...  Vejam bem, 16 anos e conhecer a primeira cidade além de Capinzal. E, aos 17,  conhecer Piratuba, aos 18 Concórdia e voltar mais uma vez a  Joaçaba, para tomar um ônibus e ir a União da Vitória increver-se no vestibular ao curso de Letras. Campos Novos, fui conhecer aos 23 anos, já formado na Faculdade. E sem TV em casa! Que Universo Limitado, fechado. Em compensação, viajei pelo mundo todo, n' O Correio do Povo, Revistas Manchete, Cruzeiro e Seleções do Reader´s Digest, escritores  Machado de Assis, Jorge Amado, José de Alencar, Camilo Castelo Branco, Dalton Trevisan, Alceu eAmoroso Lima (o Tristão de Athaíde), Nelson Sicuro, Francisco Boni, Francisco Filipak, Abílio Heiss, Ivonish Furlani, (meu Patrono) Júlio Verne, William Shakespeare, Edgar Allan Poe, Jonathan Swift, Oscar Wilde, Lewis Carrol, Charles Dickens, e muitos, muitos outros incontáveis amigos de minha juventude, que entravam em minha casa a todo o dia, a toda a  hora, e não precisavem me pedir licença! E que Deus os tem em seu Reino. Obrigado, amigos, que me permitiram viajar pelo mundo.

Euclides Riquetti
31-03-2012     

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Pele com cheiro de avelã

Paira algo  muito doce e  gostoso  no ar
É algo tão terno, difícil de se descrever
Talvez um verso novo para me encantar
Talvez uma estrofe que você possa ler.

Um poema de luz no céu é derramado
Com que eu  a proclamo e abençoo
No vasto universo de estrelas decorado
O céu abre lugar para seu cândido voo.

Venha, espalhe  pelos ares seu perfume
Traga-me suas palavras e sua candura
Seja no dia meu norte, na noite meu lume.

Traga seus lábios com gosto de hortelã
E a sua voz com aromas e com doçura
Quero beijar sua pele com cheiro de avelã.

Euclides Riquetti
13-08-2015

Os atrapalhos do Amilcar e da Nena

          Já fazia um tempão que eu não tinha notícias do Amílcar. Liguei para ele, pois deveremos passar por General Carneiro, onde mora a filha dele e da Nena, na semana que vem. Nosso papo inicial é o mesmo de sempre: Falo de minha  neta e ele da dele. Queria que fôssemos a Palmas para ficar uns dias por lá, mas tenho que visitar os filhos em Ponta Grossa e Maringá, possivelmente dando uma passadinha, na volta, por União da Vitória para rever minha irmã Iradi, seus familiares e sua neta, que ainda não conheço, Maria Luíza.

          Combinei com ele para que me espere ali naquele comércio que tem um cavalo na frente, ao lado da BR, em General.  Ele diz que, se eu reparar bem, pode ser que seja uma égua, não um macho. Nunca fui conferir, pode ser que ele tenha razão. Perguntei se anda fazendo alguma maluquice, o que é normal na vida dele. O Amílcar, desde os nossos tempos de juventude, é muito divertido. A gente "se entende por música".

          Contou-me, desta vez, que anda muito esquecido, talvez distraído. Ou, ainda, um pouco descuidado. Perguntei por que e ele me falou que, outro dia, ontem mesmo, pôs a cafeteira italiana para fazer café. Deixou a água no nível certo, pôs no fogo a gás. Foi lá fora dar uma olhadinha nos passarinhos e demorou-se por lá. Quando se deu conta, imaginou que o café já tivesse fervido, ido por cima e sujado o fogão. ia ser aquela pegação no pé por parte da Nena. Correu lá, desligou o botão do fogão e estava tudo certo. Abriu a tampa da cafeteira e estava tudo normal. Olhou bem não havia cheirinho de café fresco, embora o bulezinho estivesse cheio. Ih, esquecera de por o pó de café, a água havia evaporado e subido, estava ali, mas não era café. Ri muito da doideira dele.

          Mas contou-me, também, que a Nena está sem moral para pegar no pé, pois, outro dia, pôs uma panelada de mandioca para cozinhar, foi lavar a calçada e, quando voltou, imaginou que a mandioca estivesse mole, e não estava. Ela esquecera de ligar o fogo... E que hoje, de manhãzinha, pôs uma chaleira de água ara esquentar para que ele lavasse a louça, mas esqueceu de ligar o fogão, de novo... Pura distração!! desmanchei-me em risadas de novo. Consolei-o: por aqui também a gente esquece de algumas coisas. Tem gente, por exemplo, que esquece de pagar suas contas...

          O papo estendeu-se. Relembramos de algumas de nossas passagens dos tempos de juventude, de nosso reencontro, muitos anos depois, da promessa que fizemos de nos vermos pelo menos uma vez ao ano. Quem sabe, uma hora dessana semana que vem, ou mesmo, no final de setembro, na praia de Canasvieiras... lá, chutando a água com os pés!

Euclides Riquetti

Apenas mais uma manhã

Uma manhã banal
Como outras manhãs banais
Pode ser uma manhã casual
Como outras tais e tais.

Uma manhã  tentadora
O meu corpo a te querer
A lembrança encantadora
O que mais pretender?

A manhã  inspiradora
Os pensamentos saudosos
Tua pele macia, sedutora
Os momentos só nossos...

O que mais querer?


Querer uma manhã de querer
Apenas mais uma manhã
E, numa manhã, podes crer
Poder crer no amanhã.

A tarde de um amanhã
De um ontem, de um hoje, de um sempre
Pode ser, de repente
Apenas uma tarde vilã...

Mas sempre haverá um mais e um mais
Um bom motivo pra viver
E então, as manhãs banais
Serão manhãs colossais
Serão aquelas manhãs,  tais e tais
Que tanto quero reviver!!!

Pois, queiramos ou não, o tempo passa...

(E nós vamos envelhecendo...)

Décima Segunda Crônica do Antigamente

De minha série de reprises:

        Dia desses, um dia como outro qualquer, daqueles em que nada de novo acontece (e eu adoro rotina), eu observava uns meninos conversando. Eram três. Deveriam ter, no máximo, uns nove anos de idade:
          - "As coisas não são mais como no nosso tempo de criança. Veja, nem conseguem mais brincar. Antigamente, a gente pegava uma bola velha e arrumava um campinho, nem que fosse na frente da casa da gente, na rua, e se divertia. Brincava de se esconder, de por apelidos uns nos outros, de soltar pipa! Agora, tem gente que nunca viu uma pipa, nem sabe o que é um carrinho de rolimã!"

          Meu Santo e Venturoso Deus! Minha Santa, Imaculada e Sempre Virgem Maria! Se esses, em tenra idade, já falam assim, como se o outro dia fosse um "antigamente", imagine, leitora, nós, do quinto e do sexto andar?

          Que bom que eles já conseguem perceber que a vida anda depressa, que o tempo passa célere, que as manhãs de hoje não voltam mais, que um momento que se deixa de viver agora pode não mais acontecer? E, lamentar essas coisas, faz com que eles se sintam vivos, sejam e estejam presentes, percebam a dinâmica do mundo...Ah, que bom se nossa antiguidade, a minha, a sua, fosse tão recente como a deles?!!

          Nós podemos medir nossa idade, nossa trajetória, pelas coisas que fizemos. Ou pelas que deixamos de fazer... pelos livros que lemos, pelas novelas que já acompanhamos,  pelos filmes a que assistimos e que de quando em vez voltam à cena em nossa mente, pelas fotografias que olhamos no álbum, principalmente por aquelas em que estamos junto com alguém querido, dançando, ou numa viagem maravilhosa. E vale também medir pela quantidade de vezes que marchamos num Sete de Setembro, pelos aplausos com que a Dona Maria Fávero, entusiasmada, nos animava em nossas marchas, quando descíamos, devidamente paramentados, garbosamente enfileirados  a Rua Ernesto Hachmann, em Capinzal, tocando bumbo, tarol ou caixa, secundados pelas cornetas que seguiam o Oneide e o Severino Andrioni. Ah, que bons tempos! Que "antigamente" maravihoso... E as marialuizas, denizes, sônias, neuzas, marildas,  marias, teresinhas e terezinhas, anamarias, naires, angelinas, elziras, alziras...

          Ah, a vida da gente é sempre muito maravilhosa, dependendo de como a encaramos, como a sentimos, como a percebemos. E é bom percebê-la já, não esperar que seja tarde.

          Minha musa, Marjorie Estiano, a Manu, despediu-se ontem de "Vida da Gente". De mãos dadas com o Rodrigo e a Julinha. Ela possibilitou que a adorável Júlia recebesse um tiquinho de seu fígado, em transplante,  e isso salvou a menina e o fim da novela. Aliás, a novela foi legal porque o casamento ocorreu já no início, e casamentos de início de filme, novelas e livros, quando acontecem no início, dão só  problemas e mais problemas. E não teve no final. Nem reconciliação teve. Agora a Marjorie está desempregada. Vamos ver qual vai ser seu primeiro emprego. Será na Globo ou no cinema?

          Sabe, o Francisco Cuoco, na novela, estava idosão, pilantrão, bem diferente daquele que fazia pares românticos com a Regina Duarte, a "Namoradinha do Brasil", há quatro décadas. É, ser antigo me permite ver o de "dantes" e o de agora. E deixar escrito, aqui, meus pensamentos, minhas saudades e minhas emoções.

Euclides Riquetti
03-03-2012

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Jeito de pecado


Foi de madrugada
Que pensei em você:
Senti algo no peito
Foi assim, do meu jeito
De gostar, de beijar, de querer.

Desejei o seu corpo
Elegante, maroto.
Beijei os seus lábios quentes
Acariciei seu cabelo envolvente
Amei você, perdidamente!

Fui atrevido, incontido bastante
Encantei-me com seu jeito elegante
E, entre pensamentos profanos
Meu coração cigano
Ficou transportado
Para o mundo desejado!

Desejei, ousei...
Pequei. Quis.
Quis ser feliz!...
E foi muito, muito bom!
Bom, mas com jeito de pecado!...

Euclides Riquetti
30/11/2006

Futebol no céu


Futebol no Céu (crônica em homenagem a amigos que se foram)  - reprisando

     O Táti, zagueirão do Arabutã, morreu e foi pro céu. Lá,  tinha uma organização de talentos, que eram alojados por setores. Eram pessoas que um dia brilharam aqui na terra e que o destino as levou para morar  lá em cima. Tinha o setor dos atletas famosos: Denner, Adilson, Dirceu e Everaldo, que morreram em acidente de carro; Garrincha, que bebeu além da conta; Serginho e Wagner Bacharel, que morreram em campo; e muitos outros, fora os europeus. Todos estes ouviam, atentamente, os conselhos do Mestre Telê Santana. Tinha o setor dos artistas: Cazuza, que teve aids; o Dollabella, que bebeu todas; o Chacrinha, que animava a Terezinha; o Bossunda, cujo o humor era maior que a bunda; Paulo Autran, esbanjando simpatia; o Paulo Gracindo, nosso Zeca Diabo;  Nair Bello, Mussun e Zacarias, que nos fizeram rir muitos dias ( e muitas noites de nossos invernos e verões). João Paulo agora forma dupla com Leandro, e até que combina:" Leandro e João Paulo"! Tinha também O dos talentos políticos: Rui Barbosa, que defendia a honra: Tancredo Neves, a democracia; Toninho Malvadeza, a Bahia; Brisola, que ia contra "os interésses" da burguesia; e Jânio Quadros, que tropeçava nos cadarços de seus sapatos tortos. O Airton Senna driblava as curvas do Reino de São Pedro, o Dílson Funaro dava cruzados nos brasileiros, enquanto os Mamonas Assassinas encantavam, com suas irreverências, os milhares de jovens que morreram, infelizmente, após as baladas de sábado à noite, em acidentes com carros e motos.
     O Táti olhou tudo, curiosamente, e procurava por algo. Caminhou por entre as árvores e em meio a muitas roseiras e cravos, lavou a cabeçona numa fonte de água, passou a mão nos olhos e, ao abri-los, deparou com um monte de conhecidos: Lá estava o Bailarino, com algumas sacolas, cheias de camisas, calções e meias: Havia as azuis  e brancas, da São José; as pretas e amarelas, do Penharol; as verdes e amarelas, do Grêmio Lírio; as brancas e pretasd, do Vasco da Gama; e,  finalmente, as brancas e vermelhas, do Arabutã. Sentiu-se em casa. Finalmente encontrara sua tribo: O Bailarino, poeta, sábio, filosofava e escalava o time: O Orlando vai ser o Goleiro, mas não pode cair do cavalo, pois o Roque Manfredini, que  ficou sepultado lá em Porto União, vai ficar na reserva, porque este jogo não é pra profissional. Na lateral direita, o Darci Moretto, pois o irmão dele, o Valcir Moretto, vamos aproveitar na ponta direita, que ele gostava de jogar também lá. na zaga, vamos deixar a posição vaga, pois logo,  logo vamos receber um zagueirão que está chegando, e vai ser a principal contratação da temporada. Na zaga, o Tchule, que além de bom de bola, gosta de tocar bateria e batucar um samba. Na esquerda, o Urco, que poderá ser o juiz; daí fica o Jonei Cassiano de sobreaviso, para aquele lado, pois ele sabe defender e apoiar muito bem. Cabeça de área, um problema que é fácil de resolver: deixamos o Olivo Susin mais plantado e o Alberi, que é acostumado a arrumar bombas injetoras, com liberdade pra sair jogando e injetar a bola no ataque. O Jundiá, que é liso e tá meio pesadinho, fica com a oito, armando pro Moretto na linha de fundo, pro Camomila, nas esquerda; e, no ataque, o Alcir Masson, nosso matador, bem na frente, chutando forte e reclamando com o juiz. Bem, eu, o Baixinho, escalo o time e entro lá pelo segundo tempo. O Rogério Toaldo, vai ficar de curinga, e me ajudar a cobrar a mensalidade.

     Aí chegou o Juca Santos, Glorioso Presidente, e perguntou: "e o Zagueiro, o Capitão, que você não escalou ainda?"

     Bailarino apontou para o lado e gritou: "Chega, Táti, que a número três tá guardada pra você! E daqui a pouco vai chegar um convidado especial: O Guaraná! vamos ter que arrumar uma brechina também pra ele".

Euclides C. Riquetti - Ouro - SC - escrita em 23-01-2008 e plublicada no Jornal  ""A Semana" - Capinzal-SC

Cheiro de amor, cheiro de paixão

Cheiro de amor, cheiro de paixão
Teu corpo tem...
Cheiro de desejo, cheiro de sedução
Tem também...
Tem cheiro de mulher nova
Adorável
Carinhosa...

Tem cheiro de fruta fresca
Maçã vermelha, maçã rosada
Uva madura, avermelhada
Que igual nunca antes senti!

Tem perfume de flores frescas
Infinitamente atraentes
Como teu rosto contente
Que me sorri!

Amor e paixão que se confundem
Duas almas  que se completam
Corpos e almas que se locupletam
Almas e corpos que se querem e se fundem
Num só!

Cheiro de desejo, cheiro de sedução
Cheiro de amor e paixão
Teu copo tem.

Será que o meu tem também?

Euclides Riquetti
12-08-2015