quarta-feira, 5 de junho de 2019

Lição de Amor - o filme

Replay: 

Michela Quattrochioche


         
           Quando, em 03 de dezembro,  Michela Quattrochioche completar duas dúzias  de anos, poderá comemorar com muita alegria seu sucesso profissional. Nascida em Roma, ela participou de pelo menos cinco filmes de excelente qualidade e já encantou milhões de espectadores do mundo todo, que a viram na telona ou na telinha. Tem,  também , dois videoclips para a televisão em ser currículo.

         Em 1988, quando nasceu, Raoul Bova já ensaiava seus primeiros passos para a carreira arística, que começou a consolidar-se em 1992 e hoje, aos 42 nos,  contabiliza 46 hits no Cinema e 5 na Televisão. Quattrochioche e Bova têm em comum serem nascidos em Roma, e ainda dois talentosos atores do cinema internacional.

          Para seres românticos e sensíveis, nada melhor que um filme bem "romance" para alegrar a tarde de sábado. Vasculhando com o controle remoto meus canais assinados de TV, mais precisamente no "Telecine Touch", encontrei o filme que  parecia a meu melhor gosto, e fui buscar o ânimo e a inspiração que me faltavam para falar de coisas de que eu muito gosto.  Deparei-me com "Lição de Amor", (2008), cujo título original, em italiano, é "Schusa ma ti chiamo amore", ou numa tradução simples, "Desculpa-me, mas te chamo de amor", onde Michela interpreta Nikki, uma estudante do Ensino Médio, prestes a completar 18 anos, e Raoul, Alessando Belli (ou Alex), publicitário Diretor de Criação em uma Agência do ramo. A belíssima Michela Quattrochioche nos remete à beleza idealizada, um misto de Sophia  Loren e Cláudia Cardinalle. Atuação exuberante, beleza singular.

          O Diretor Frederico  Moccia realmente caprichou na produção, com magnífica interpretação dos protagonistas e do elenco, belíssimas locações e trilha sonora. Faz com que o espectador se embrenhe no clima romântico do filme, d trama simples, até previsível, mas de excelência para que gosta desse gênero.

        Em Lição de Amor, o publicitário bem sucedido atropela a estudante que conduz uma motoneta Vespa. Alex, 20 anos mais velho que Nikki,  vem de um noivado desfeito, envolve-se com a garota e, daí para a frente..., não lhe vou tirar o prazer de ver e sentir tudo no filme, você mesmo.

         Dois anos depois do primeiro  "Scusa...", a dose se repete com "Scusa ma ti voglio sposare", ou "Desculpa, quero casar contigo", com os mesmos atores.

Este, ainda não vi, mas o outro, recomendo veementemente para quem gosta de amor, romance, lirismo.

Assistir e curtir um "dolce fare niente"!

Euclides Riquetti
03-11-2012

Encare a madrugada




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Encare a madrugada
Como se fosse qualquer hora do dia
Uma parte abençoada
Que deve ser vivida com alegria.

Use esse tempo abençoado
Para colocar seus pensamentos em ordem
Para pensar sobre eventos do passado
Sobre aquilo que você pode e o que não pode.

A madrugada pode ser uma hora especial
Não importa se fria ou de calor
Importa que o momento matinal
Preceda o do dia com muito amor.

O tempo livre da madrugada silenciosa
É para refletir sobre as coisas já acontecidas
Pra depois, na manhã bem prazerosa
Podermos  celebrar nossas vidas.

Então, como nas histórias já contadas
Nas narrativas que você tanto já leu
E das canções que foram já cantadas
Tire exemplos em tudo o que já lhe aconteceu.

E, se entre erros e acertos houver saldo positivo
Comemore tudo muito intensamente
Pois no mundo há o ativo e o passivo
Na contabilidade de nossa pobre... ou rica mente.

Euclides Riquetti

terça-feira, 4 de junho de 2019

É preciso cuidar das flores




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É preciso cuidar bem das flores
Tratá-las bem, com muito jeitinho
Aliviar suas angústias e suas dores
Fertilizá-las com amor e carinho.

Cuidar de plantas muito me diverte
Eu faço isso com todo o prazer
Não quero só ser um poeta inerte
Cuido de flores e de muito escrever.

Flores precisam de todo o cuidado
Assim como as almas e os corações
Flores precisam de carinho dobrado.

Flores de todos os perfumes e olores
Flores que me despertam emoções
Flores bonitas de todas as cores.

Euclides Riquetti

Pecado é não querer amar,,,





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Pecado é não querer amar alguém
É vestir-se de conceitos e preconceitos
É não querer amar de nenhum jeito
É não querer entregar o coração pra ninguém.

Pecado é não  mais querer  sonhar
É dizer que perdeu sem ter perdido
É não perceber se venceu ou foi  vencido
É não mais querer ter o direito de me  amar.

Pecado é frear a beleza de sua  vida
É anular-se diante de todos os desafios
É vegetar enquanto o mundo anda e gira

Pecado é  olhar ao lado e não me encontrar
É não ver como correm as águas em nossos rios
É fingir não me querer, não me sentir, não desejar...

Euclides Riquetti

segunda-feira, 3 de junho de 2019

No prateado do luar...




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Anônimo andante da noite confusa
Dos pensamentos embaralhados
Noite dos sonhos desacalentados
Das mentes mutiladas e obtusas.

Caminhante triste das ruas escuras
Das vielas lúgubres e acinzentadas
Das praças desertas, desarrumadas
Das almas pecaminosas e impuras.

Contador das estrelas acanhadas
Observador dos astros semoventes
Perde-se, com instintos indecentes
Nas mais ignotas das estradas.

Vai, em busca de cândidos alentos
De conforto para sua alma inquieta
Propagando seus escritos de poeta
No prateado do luar, no firmamento.

Euclides Riquetti

Como um leão fainto


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Muitas vezes eu me sinto
Tal qual pássaro sem voar
Ou como um leão faminto
Sedento por se alimentar.
Talvez como o cachorrinho
Que não recebeu teu afago
Ou como o medroso gatinho
Que espera pelo teu agrado.


Outras como o beija-flor
Que plana sobre o pomar
Que vai buscar em cada flor
O néctar pra se saciar.
Quero ser a águia poderosa
Que voa para te raptar
Com as garras portentosas
Que te leva pra te devorar.
Ou, simplesmente o ursinho
Que seguras para o ninar
Para te dar meu carinho
Que é meu jeito de te amar.
Te amar, adorar, te querer
Como um animal carente
Te desejar, beijar e te ter
Assim: perdidamente!
Euclides Riquett

domingo, 2 de junho de 2019

Doces lábios de morango





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Beijo seus lábios doces de morango
De divina pele avermelhada
O delicioso aroma vai-me contagiando
Com o gosto de sua  essência adocicada.

Sorver seus lábios e sentir  seus olhos distanciados
Perdidos na planície que se estende  ao longe
Sentir seu coração aberto aos meus afagos
Tentando me levar pra não sei onde.

Ah, doces lábios de morango que me seduzem
Ah, corpo grácil que me aquece nesta tarde fria
Ah, mãos suaves que nas noites me conduzem

Morangos que bailam na música da grande orquestra
Que devolvem a minh' alma a nostalgia
Que fazem minha vida ser u'a grande festa!

Euclides Riquetti

É noite...




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É noite...
Noite de inquietude
De  escuridão, sem cor
Da perdição e de amor
Cor de negritude.
É noite dos corpos deitados
Nus, quentes, colados!

É noite dos amantes
Das vontades insaciáveis
Noite dos poetas e pensadores
Das almas vulneráveis.

É noite dos corações errantes
Que se despem sem pudores 
Que expõem suas fragilidades
E que buscam a felicidade
Ardentemente...
Incessantemente!

É a noite dos pecados
Que sucede as tardes e precede as  manhãs
Das negras almas vãs
Dos beijos trocados
Do corpo desejado
Noite, apenas mais uma noite
Em que eu me perco infinitamente
Ardorosamente
Em você!

Euclides Riquetti

sábado, 1 de junho de 2019

No dourado da tarde...



Na última noite de lua cheia de novembro
Ela veio correndo
E tomou o lugar do sol.
Trazia estampado o seu sorriso
Aquele de que eu tanto preciso.
E era muito bonito
Do tamanho do infinito
Tão largo como o do girassol.

Na noite da lua plena
Minha alma me ordena
A escrever-lhe algo encantador:
Pode ser um verso, simplesmente
Mas tem que ser bem caliente...
Ou um poema inteiro
Bem real e verdadeiro
Com centenas de  palavras de amor.

E, nas outras noites,  quando andar pelas ruas
Verá que em todas as luas
Há beleza e charme.
Sim, porque elas nos trazem belas lembranças
De seu sorriso maroto, ou de criança
Dos sorrisos e de canções cantadas
Das amenidades e das gargalhadas
Na manhã azul, ou no dourado da tarde.

Apenas isso..
Bem assim!

Euclides Riquetti

Daiane Guedes - uma guarda bem princesa prende assaltante






Guarda municipal Daiane Guedes, de 36 anos, deu voz de prisão quando estava fantasiada de princesa. — Foto: Guarda Municipal/São José-SC









Daiane, uma princesa imobilizando um assaltante em São José, na Grande Florianópolis.


       Daiane Guedes é uma catarinense, de 36 anos, que trabalha como Guarda Municipal em São José, na Grande Florianópolis. Nossa capital é conhecida como a Ilha da Magia e ali toda a sorte de coisas acontecem.

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                                                              Daiane Guedes, também é atriz.

       Uma ilha com mais de 50 praias exuberantes, sem arrecifes ou tubarões, merece ser visitada por turistas de todo o mundo. De vez em quando acontecem, na região metropolitana, fatos muito curiosos ou interessantes. Florianópolis é assim!

       Um desses aconteceu ontem, sexta-feira, dia 31 de maio de 2019, quando a Guarda Municipal  Daiane saiu de uma apresentação teatral para um grupo de idosos, em que fora apresentar-se para enfatizar o tema "Educação para o Trânsito". Fantasiada de Princesa, saiu do local onde estava para ir buscar seu uniforme na sua corporação, quando percebeu que um assalto estava ocorrendo ali. Um colega de Daiane Guedes  estava sendo assaltado. Aproximou-se, apavorou o assaltante, deixou-o confuso e atrapalhado, chamou ajuda pelo rádio, deu voz de prisão, e rendeu o assaltante.

       A Polícia Catarinense, a "Gloriosa Polícia de Santa Catarina", como diz meu amigo ex-Governador e atual Senador Esperidião Amin, também tem em seus quadros profissionais muitas mulheres de excelência. Aliás, na região de Joaçaba e Capinzal e Ouro, trabalham dezenas de jovens policiais que foram meus alunos na Escola Sílvio Santos, em Ouro, ou no CNEC e Mater Dolorum, em Capinzal. Todos com formação em curso superior, a maioria formados em Direito, Educação Física, Ciências Biológicas, Gestão Ambiental, Administração e outros cursos.

       A atuação da Daiane Guedes, Guarda Municipal em São José, é como a de outras belas e competentes policiais que atuam em nossas cidades, que estão bem preparadas e muito honram sua classe. Em vez de ficarem expondo coisas ridículas, como acontece com muitas outras mulheres que não se preservam (embora o direito de todas seja o de se manifestarem como querem, isso seria  seu direito Constitucional...).

       Parabéns às policiais e aos policiais de nossa Gloriosa Polícia de Santa Catarina!


Euclides Riquetti
01-06-2019





Morre Pedro Zanol, ex-Vereador em Ouro




Morre o ex-vereador Pedro Zanol




       Faleceu, no Hospital Nossa Senhora das Dores, em Capinzal na noite desta sexta-feira, 31-05-2019, o amigo Pedro Zanol, que deixa esposa e um casal de filhos. Zanol foi vereador em Ouro, SC, no período de 2005 a 2008. Não concorreu à reeleição, voltou a dedicar-se à agricultura, e a uma cooperativa de produtores de leite, a COPEROURO, da qual foi presidente.

       Deixa a esposa Diclei (Prando), a filha Daniela, casada com Juliano Masson e Gian, filho. Tinha uma neta, filha da Daniela e do Juliano.

      Pedro Zanol passou seus últimos anos em casa, totalmente em coma, sob os cuidados da esposa e dos filhos. Completou, há poucos dias, 54 anos de idade. Elegeu-se vereador aos 39 anos. Foi forte e exemplar líder de sua comunidade, a Linha Vitória, onde fez ótimo trabalho em favor do lugar.  Dinâmico, era atuante e querido por todos. Educadíssimo, um verdadeiro cavalheiro.

       Como vereador, defendeu suas convicções e representou muito bem seus eleitores. Não entrava em polêmicas. Era respeitado por seus adversários porque também sabia respeitar a todos. A Família Zanol é muito benquista em toda a região, por se tratarem de pessoas honradas e trabalhadoras. Simpaticíssimo, era admirado por todos. Amigão meu, deixo aqui minhas mais sentidas condolências.

Abraço fraterno em todos!

Euclides Riquetti e Família

02-06-2019

Apenas uma contrapatida (perder-me totalmente em você)

 




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Quero me perder totalmente em você
E que seja uma perdição bem perdida
Quero ainda me reencontrar em você
Caminharmos naquela estrada florida.

Quero me jogar cego em seus braços
Morder  seus lábios ardentes, fogosos
Poder apertá-la com meu forte abraço
Eu, você e meu sonhos pecaminosos.

Quero sim, me perder, tanto assim
Navegarmos  na doce magia do vento
Quero ter você , ter somente pra mim
Satisfazer o nosso desejo sedento.

Quero você, quero amar, quero ter
Quero ter todo o carinho possível
Quero você, dia e noite,  querer
Para vivermos o amor mais incrível.

Então, apenas me cante uma canção
Não importa qual delas, não importa
Quero romance, fogo, desejo, paixão
Aquela chama que anima e conforta.

E eu quero apenas uma contrapartida:
Pegue meus versos, e nossas poesias
Pegue-os e guarde em toda a sua vida
Para lembrar de mim em todos o dias.

Mas nada valerá se você não os quiser
Pouco me adiantará se você não os ler
Quero você como minha musa mulher
Pra me fazer sonhar, ser feliz e viver.

Euclides Riquetti

Os Mistérios do Hotel Paraná (Em União da Vitória)


Reedição:

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A área onde se localizava o Hotel Paraná, na Praça Coronel Amazonas, dá lugar a edificações de grande porte.


          As amizades que a gente faz têm um incomensurável valor. Às vezes fomos próximos de pessoas que nunca nos notaram e nem nós as notamos, não por orgulho, mas por que, ironicamente, podemos ter trilhado o caminho paralelo, mas não o mesmo. Podemos ter vivido no mesmo bairro, na mesma cidade, mas interesses distintos nos conduziram por distintos caminhos. Hoje, com a disponibilização das redes sociais, consegue-se  fazer novas amizades e redescobrir algumas que se guardaram, adormecidas, por longos anos.  Tenho buscado percorrer os caminhos por onde andei na minha juventude e, felizmente, tenho reencontrado muitas pessoas que também andaram por eles.  E, no mesmo trajeto, acabei formando outros novos amigos. A amizade é algo sensacional. Quando madura, bem construída, torna-se sólida e nos traz muita satisfação e alegria.

          Numa dessas incursões pelo facebook, conheci uma pessoa que me me suscitou ternas lembranças, devo ter passado milhares de vezes pelos caminhos em que ela passou. Agora, quatro décadas depois, descubro respostas para perguntas que nunca obtive.

          Já mencionei, nas crônicas anteriores, meu modo de vida de meus tempos de faculdade, quando eu morei em Porto União da Vitória. São duas cidades, separadas parte pelos trilhos da estrada de ferro, parte pelo Rio Iguaçu. Duas cidades e dois estados: Porto União, em Santa Catarina, a cidade onde se situava o 5º Batalhão de Engenharia de Combate. União da Vitória, no Paraná, onde se situava o Estádio Enéas Muniz de Queiroz, onde vibrei em muitas tardes de domingo, quando ia lá torcer pela A.A. Iguaçu, e na qual jogava meu conterrâneo e amigo Roque Manfredini, um dos melhores goleiros que Capinzal já produziu.

          Morei  quatro de meus cinco anos ali,  bem no centro de União da Vitória, na Rua Professora Amazília e, por último, na Avenida Manoel Ribas. Andava muito, a pé, na cidade plana, vivi ali o melhores anos de minha juventude.

          Dentre as lembranças que atraem meu pensamento, está o trajeto que fazia do "Esquadrão da Vida", a nossa república de estudantes, até a FAFI, onde eu estudava. Apenas quatro minutos a pé. Uma dobra de esquina, duas ruas,  e a Praça Coronel Amazonas, onde três prédios nos chamavam a atenção: a Catedral, a Fafi e o Hotel Paraná. A Catedral, uma edificação que dispensa comentários, uma obra de suntuosa arquitetura. A Fafi, uma edificação funcional e sem atrativos arquitetônicos. Mas tinha seu valor pela sua história e pelo nível de formação de seus acadêmicos. Na não menos histórica Praça Coronel Amazonas, a qual eu atravessava para chegar à aula. Ali, um lugar muito seguro à época, era o lugar em que as mães levavam as crianças para brincar num parquinho. Árvores centenárias marcavam aquela paisagem, eram o seu maior atrativo. E, dirigindo meu olhar de lá para a direita, o casarão do misterioso Hotel Paraná. Dezenas, quiçá centenas de  histórias rondavam aquele sobradão imponente, belo, aristocrático, mas ao mesmo tempo assustador...

          O Hotel Paraná, já na década de 1940, abrigava a elite de viajores que passavam pelo Passo do Iguaçu. A cidade era ponto final de linhas de ônibus que vinham de Curitiba, Canoinhas, Mafra, Joaçaba, Palmas, Pato Branco, Concórdia, Chapecó. E dos trens que vinham de Curitiba/Ponta Grossa, São Francisco do Sul e Marcelino Ramos. Então, para seguir viagem no dia seguinte, pernoitavam em Porto União da Vitória. Cerca de uma dezena de hotéis na cidade, mas o mais categorizado, com o melhor serviço e as melhores acomodações, mais luxo em seu interior era, certamente, o Hotel Paraná.

          Depois de reinar absoluto por muitas décadas, com o falecimento do proprietário que sucedeu os fundadores,  o hotel foi arrendado, quando sucederam-se, em seu interior, fatos que marcaram muito a história da cidade,  e que ensejaram todas as especulações em torno do mesmo. Eu perguntava, em 1972, aos colegas,   por que um prédio tão bonito e bem arquitetado, numa paisagem urbana bastante singular, estava ali abandonado, fechado. E me diziam que era um lugar mal-assombrado, que ocorreram  dois assassinatos ali e que, depois disso, nunca mais fora o mesmo. E me explicavam as coisas que eu nunca entendi direito. Mas olhar para tudo aquilo, principalmente à saída da Faculdade, não me causava medo, mas sim admiração, sentimento de perda... Não entendia o porquê de o Poder Público, a Prefeitura, o Estado, não adquirirem aquele exuberante imóvel para ali instalar o Museu da Cidade, uma Casa da Cultura. E nunca obtive respostas.

          Nos cinco anos que  morei na cidade ele permaneceu ali, aumentando seu mistério e suas histórias. (O tempo faz com que se perca a verdade e os fatos se deturpem...) Mas, nos últimos dias, através de uma das herdeiras do imóvel, fiquei conhecendo um pouco da sua história. O avô desta o adquiriu  nos áureos tempos de União da Vitória, na época em que as serrarias eram abundantes e o beneficiamento das madeiras movimentava, fortemente, a economia da região. O Hotel Paraná era o principal destino de empresários e autoridades que chegavam à cidade. Fora construído, não se tem data precisa disso, possivelmente por autoridades de Governo, justamente para abrigar as muitas autoridades que se dirigiam para a região, a qual era integrante do território contestado. Quando o avô faleceu, a família alugou-o para terceiros, tendo acontecido o assassinato de suas pessoas em seu interior. Então, a  mãe da herdeira, com um filho e duas filhas, todos menores, tentou  levar o empreendimento adiante mas, com o falecimento muito prematuro desta, os filhos fecharam o estabelecimento e foram embora.  Havia o sonho de se transformar o prédio numa casa de cultura, mas isso não aconteceu. E, adiante, houve a um incêndio que comprometeu a estrutura de alvenaria, resultando na ocupação do terreno para construção de prédios de apartamentos.  Ao revisitar a cidade, deparei-me, posteriormente, com aqueles prédios que ali estão agora...

          Parte da história daquele sobradão que me encantou na juventude, pude ter resgatada pelas informações de uma amiga recente  que, na época, entre dezessete e dezoito anos,  tendo sido criada no interior daquele hotel, ali viveu os grandes momentos de sua infância e adolescência.   Aqueles tempos em que se faz a amizade na escola, na rua,  nas festinhas de aniversário. Fiquei imaginando como deve ter sido a vida daquele rapaz e de suas duas irmãs, todos menores, que pisaram, pouco antes de mim,  as mesmas calçadas que eu também pisei.  E que brincaram naquela praça, sentiram o frio nevoento do inverno e o sol causticante do verão. E que tinham seus sonhos, sua família, mas acabaram sós. E que foram construir seus sonhos em outra cidade, deixando ali todas as belas lembranças de sua infância... Mas a vida é assim mesmo. De repente, fatos que acontecem mudam tudo na vida das pessoas...

          Obrigado, Consuelo, por me ajudar a conhecer, um pouco, a história dos mistérios do formoso Hotel Paraná, uma imagem que tenho gravada em minha memória saudosista!

Euclides Riquetti
23-06-2013