terça-feira, 26 de novembro de 2013

Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher

          No domingo, pela manhã, fomos  ao Hospital Santa Terezinha, aqui em Joaçaba, na tentativa de rever um amigo que está muito doente, mas o horário era impróprio para visitas. Ali no setor de espera, uma senhora chegava para ver o marido, em fase terminal. Ia lá fazer seu papel de cristã,  apoiar o homem que a maltratara muito durante sua vida. Veio de outra cidade para ficar com ele, cuidar dele, ajudá-lo em, quiçá, seus últimos dias  de vida.

          Sessenta e um anos, cabelos brancos, belos olhos azuis e, no rosto, as marcas, não do tempo, mas do sofrimento. Relatava que apanhou muito dele, que ele saía de casa, ia atrás de outras mulheres mais novas, que fez e desfez. E, agora, estava ela lá a cuidar do pai de seus filhos, do avô de seus netos. E dizia: "Perdoar, a gente perdoa, mas não equece! Ele me fez sofrer muita dor e muita humilhação. Agora, as vadias com que ele andava, não aparecem para ajudar!"

         E eu me lembrei de que uma vez, há mais de vinte anos, veio uma jovem senhora bater à minha janela, com hematomas no rosto, chorando muito, e que queria que eu lhe conseguisse uma casa para morar. Eu tinha o Poder na mão, tinha uma casa de que um  mutuário abrira mão, iria mudar de cidade, e passamos a casa para ela, mora nela até hoje. Pois ela enviuvou não faz muitos anos, separou-se lá atrás mas, quando ele foi acometido de grave doença, recolheu-o sob seu teto e cuidou dele. E me dizia:  "Ele me bateu, me fez sofrer, mas é pai de meus filhos, avô de meus netos, tenho pena dele, vou cuidar dele." E o fez até seus últimos momentos de vida...

          Perdoar ou não perdoar?

          Ao meu ver, isso fica à  conta dos sentimentos, dos ressentimentos e da raiva que cada mulher sente em relação a quem a expôs, agrediu e fez sofrer.  A Lei Maria da Penha está aí, desde 2006, à disposição das que forem agredidas. A luta da biofarmacêutica que nasceu no Ceará, em 1945, e que desde 1983 vive numa cadeira de rodas e que sofreu duas tentativas de assassinato pelo próprio marido, não pode ficar em segundo plano. E não pode ser apenas "mais uma lei" brasileira. Precisa ser respeitada.

          Nesta data, além de comemorarmos do Dia de Santa Catarina de Alexandria, a Padroeira dos Catarinenses, também comemoramos o "Dia Internacional do Combate à Violência Contra a Mulher". E verificamos que Santa Catarina ocupa o 25º lugar dentre os 27 estados brasileiros no quesito. Isso significa que não estamos num nível que possa nos orgulhar, pois o ideal é que não houvesse registros de violência contra a mulher. Mas estamos entre os que mais as respeitam. Somos um Estado em que a Padroeira é uma mulher, uma mártir. Que nossa Santa Catarina de Alexandria proteja todas  as mulheres!

Euclides Riquetti
25 de novembro de 2013
"Dia Internacional do Combate
à Violência Contra a Mulher"

Um comentário:

  1. Caro amigo Riquetti. Sou amigo pessoal de Cleusa Slaviero. Através de seu post cheguei ao seu blog e li esta mensagem, que tomei a liberdade de compartilhar no meu perfil do facebook: Evoti Leal. Abraço.

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