terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Eu caroneiro: saudosas lembraças e gratidão!

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          Na sexta-feira, na metade da manhã, voltava de minha caminhada quando, no Trevo da BR 282, aqui em Joaçaba, conhecido como o Trevo da Reunidas, observei que uma bela garota, vestida discretamente de branco, seguraça uma plaqueta de cartolina com esta mensagem: "Estudante - Chapecó". Mais do que o sentimento de curiosidade, veio ao meu coração o sentimento da preocupação, do cuidado. A gente sabe dos perigos do mundo...

          Aproximei-me, cumprimentei-a, perguntei se era acadêmica da UNOESC, o que cursava. "Medicina!", respondeu-me. E disse-me que as pessoas que passam não param.  Mencionei-lhe de minha preocupação: Há dois lados a serem considerados, o primeiro é o de que ela está ali, exposta aos lobos. O segundo, é a de que as pessoas que transitam com os veículos também têm desconfiança em pegar caroneiros ao lado das rodovias. Ela concordou comigo.

          Recomendei que saíde do local em que se encontrava, fiz-lhe ver que os veículos que vinham em velocidade não iriam possibilitar que os condutores lessem a mensagem. Indiquei-lhe um lugar para poicionar-se que fosse visto pelos que vinham do centro de Joaçaba, por duias razões: Tinham que parar para esperar pelo momento de entrarem na BR e seriam pessoas que, algumas delas, poderiam ir para Chapecó ou para o Oeste Catarinense. E, ainda, quando os carros parassem, ela poderia avaliar o tipo de pessoa que era. Ela assim o fez. Espero qu tenha dado certo para ela, conseguido sua carona e ido rever seus familiares com segurança.

          Mas isso tudo me remeteu ao passado, a 1972, quando estudava em União da Vitória. Uma vez, num feriado de sábado, vim de lá até Joaçaba para visitar meus familiares no Ouro. Se viesse de trem, faria uma viagem de 13 horas. Gastaria o sábado para vir e o domingo para voltar. Apenas ficaria uma horas com meus queridos pais e irmãos e depois voltaria. Vindo de ônibus, via Palmas, sairia de lá às 6,30 e estaria em Joaçaba às 13 horas. Fiz isso. E, chegando na antiga Rodoviária, fui a pé até as proximidades do Hospital São Miguel.

          Naquele tempo, não havia horários de ônibus no sábado, eram poucos os carros e a estrada era de chão, não tinha asfalto. raramente alguém ia a Capinzal ou Piratuba num sábado. Mas minha saudade era muita, meu pensamento era forte, precisava conseguir. Em menos de meia hora, parou um carro, um Corcel, com um casal bastente jovem, elegantes, óculos escuros. Conheci o cara. Vibrei. Pedi carona, eles gentilmente me deram a carona. Eu já o conhecia, ele vendia livros no Baixo Vale do Rio do Peixe. Eu era frentista e abasteci o carro dele muitas vezes, nos postos Dambrós e depois no Ipiranga.

          Aquel bela e encantadora jovem, alguns anos depois, acabou minha colega de magistério. Professora na área de Letras em Joaçaba. Ele continuou como representante comercial, vendendo material didático-pedagógico para escolas e prefeituras. Hoje, encontro-o em Joaçaba, tenho muito carinho por eles, que me ajudaram a ficar pelo menos cinco horas a mais com meu familiares, num tempo em que não tínhamos carro nem telefone, e que a vida era muito dura. Eu trabalhava no Mallon, em União da Vitória e tinha aulas na FAFI aos sábados à terde. Não tinha como comprar um carro e nem como faltar vo serviço, pois o dinheiro era "contadinho". Pagava a "República Esquadrão da Vida", ali na Rua Professora Amazília, ao lado do Banco do Brasil. E meu pai me mandava dinheiro para pagar a mensalidade da faculkdade e o Inglês do Yázigy.

          Minha filha, Michele, fez o que essa menina faz hoje. E eu me preocupava, achava que era doidice dela. Mas sei que imperava seu espírito de independência e de aventura. Quem sabe essa estudante de Medicina tenha que cuidar direitinho do seu dinheiro, pois estuda numa faculdade que não é pública. Imaginei o esforço da família para que ela possa estudar...E me emocionei.

          Quantas vezes vi soldados do Batalhão de Porto União esperando caronas nas BRs. Quantas vezes dei carona a estudantes dos Colégios agrícolas de Água Doce  e de Concórdia, aqui no Trevo do Chocodinho, até Ouro e Capinzal. Faço isso com alegria, reporto-me ao tempo, tenho saudades, amo isso! E me comovo só de lembrar...

          Você deve estar curioso para saber qual o casal de Joaçaba que me deu carona. Pois hoje sei que eles têm uma filha médica, o pai, orgulhosamente, me falou dela. Ele costuma passar por algumas lojas da cidade, especialmente na Bortoluzzi, e deixar-lhes espigas de minho verde. Meu filho trabalhou por quatro anos lá e ganhou milho verde também. Com o tempo, descobriu que eu era amigo do cidadão Zeno.

         Rendo, com muito carinho, esta homenagem ao ZENO  Gauze e à  professora  Ione, sua esposa, hoje meus grandes amigos!. Que tenham muitos e muitos belos anos de vida! Que a generosidade de vocês se espalhe pelos corações de todas as pessoas. Grande abraço. Jamais esquecerei de vocês!

16-03-2014

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