sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Dia da Gratidão

          Hoje, Dia de Reis, Dia da Gratidão. Simto-me como um Rei. Tenho saúde, minha  família tem saúde. Quero ser grato ao Deus Rei, Nosso Senhor, Dono do Universo, Timoneiro de nossos destinos.

          A algumas pessoas devo muita gratidão: Ao meu pai e minha mãe, que me geraram. E me protegeram. Meu pai esforçou-se para dar-nos a melhor educação. Minha mãe lavou roupa para fora para que não nos faltassem as coisas. E, nós, filhos, cada um escolheu o destino que julgou ideal e conveniente. Ao padrinho João Frank e à madrinha Raquel, que cuidaram de mim até os oito anos, quando fui para a escola e voltei a morar com os pais. Ao Nono Vitório e à Nona Severina, que além de tudo eram amigos. Ao Tio Vitório, a quem quero muito bem.
          Meu irmão Ironi, pagava-me as roupas quando fui para a Faculdade, em União da Vitória, em 1972. O Hiroito (Tio Piro) dava-me seus rapatos novos e ficava com os meus velhos. A Iradi, o Vilmar e o Edimar davam-me forças. cada um da maneira que podia, torcendo por mim. E me apoiaram sempre..

          No tempo de Faculdade, a colega Maria de Fátima Caus Morgan me dava apoio moral, e até o seu noivo e marido, o Paulo Sérgio. Não esqueço deles. O Leoclides Fraron levou-me morar na República "Esquadrão da Vida". Lá, meus colegas de República me deram muita força.

          Os professores Nelson Sicuro, Geraldo Feltrin, Franciso Boni, Fahena Porto Horbatiuk, Abílio Heiss, a Abigail, a Rosa da Maia, O Filipak, o Nivaldo, Padre Leo e Leopoldo  e os outros,  também me  dearm força. O Sidnei, que vinha à Faculade com os sapatos esbranquiçados de cal, o Mineo Yokomizo, que me  deu um sapato nº 39 e eu calçava 42; o Osvaldo e os outros repeblicanos;  o Silvestre Schepanski, o Altamiro, o Vilsom, o Mauro, e o Solon Carlos Dondeo, o patrão  Jorge Mallon, que me deram força lá na Mercedes-Benz, em União da Vitória. O Roque Manfredini, conterrâneo que me dava moral e que era o goleiro titular no Iguaçu, que enfrentava as feras do Coritiba e do Atlético, e que nos orgulhava muito. Todos foram grandes amigos e incentivadores.

          Depois, a Mirian, sempre presente, cuidando de nossos filhos,  a mãe dela, que me dava um prato de sopa quando eu não tinha dinheiro para comprar,  Dona Ana; os seus irmãos, os cunhados, todos. O Tio Celso que bancava a tropa e a  Tia Sirlei, conselheira de todos;  o Tio Jorge, que se preocupa com todos e a Tia Rosane;  o Milo, que apoia o Kiko (que era uma velinha bem comportada), a Tia Bea, que faz macarronada, o Tio Cláudio, que cuida bem da Mirtes, que pinta quadros bonitos, o Tio Sírio, que foi morar no céu, ...

          Depois, no Zortéa, a Dona Vitória e o Compadre Aníbal,  a Marlene de Lima, a Alias e o Ticão, a Dona Holga e o Sadi Breancher, a Oliva Andrade, a Alda e o Messias, a Isolda, a Teresinha Andrade, o Isaías Bonatto, o Alcides Mantovani, a mãe dele, o Célio Tavares e a esposa, o Olivo Susin e a Rose, o Xexéu, o Preto e o Baixo, o Lourenço Brancher, o Seu Guilherme, e quantos outros. E aos colegas do Sílvio Santos.

          Depois, em Ouro, o Sr. Ivo Luiz Bazzo, que me encaminhou para a política, todos os seus familiares, pelo bom exemplo que sempre foram e o incentivo que nos deram. E aos 57% dos eleitores ourenses que me elegeram Prefeito em 1988 em Ouro. Aos meus colaboradores da época, o Caio, a Celita, O Ade, o Neri e o Amantino, o Válter, bem como os outros.

          Ao Clarimundo Bazzi e à Eloídes, ao Tio Arlindo e à Tia Elza, que me deram emprego em minha aadolescência.

          Ao Shirlon Pizzamiglio, que escolho para que represente TODOS os outros meus amigos. Ao Severino Dambrós para que represente TODOS os que jogavam conosco no time de  Veteranos do Arabutã.

          À Dona Ezide Miqueloto e à Zanete e o Neri, na casa de quem deixávamos as crianças quando íamos trabalhar.

          Seria infindável minha lista de pessoas a quem devo gratidão.

          Aos meus filhos Michele, Caroline e Fabrício, à neta Júlia, aos genros Daniel e Buja, à nora Luana. Aos meus novos vizinhos, que nos acolheram.

          A todos, minha GRATIDÃO ETERNA.

Euclides Riquetti
06-01-2012 - Dia da Gratidão

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Quinta Crônica do Antigamente

          Sou razoalvelmente antigo, já disse isso. E minha tenra antiguidade me permite lembrar de coisas boas e,  outras,  nem tanto.

          Na noite em que a Vera Fischer concorreu ao Miss Universo, fomos eu e o amigo Vilmar Adami até a casa do Benjamim Dorini. O "Andaime" tinha um gravador de rolo e jaqueta xadrez, igualzinha à  que o "Tio Buja" estava usando quando se jogou da ponte. O Vilmar tentou evitar, mas não pode. Ele estava desiludido com a namorada e sumiu nas águas... (no outro dia o Chascove o resgatou com um gancho daqueles de tirar balde caído em poço).  Eu era muito amigo do Tio Buja, que era pedreiro. Até fui servente dele. Mas, como dizia, vimos "La Fischer" pela TV, lá no Dorini. Estava divina, mas perdeu. Teve muitas vitórias e muitas perdas na vida conturbada.

          Também está meio conturbada a da Marjorie Estiano, a Manu de "A Vida da Gente", que agora vai dar um tempo com o Rodrigo e ficará um ano em Floripa. Numa dessas a gente transforma ficção  em "real" e tropeça nela na Praça da Figueira, em Florianópolis. (Nas novelas das 9 dizem Florianópolis, na Malhação dizem "Floripa"). E é comum ficção e realidade si confundirem e me confundirem. Provavelmente, você também.

          Sou do tempo em que as pessoas eram mais simples. Não havia internet. Nem TV. Nem Chevette e Brasília ainda havia. Só tinha jeep, rural, pickup e fusquinha importado da Alemanhã, com o vidro traseiro bem pequeno, um oval. Mas digo que as pessoas eram simples e havia poucos doutores, só alguns  doutores da Medicina,  das Leis,  e um Engenheiro, o Flávio Zortea. Ainda hoje chamam farmacêuticos, dentistas, agronomos e veterinários de "doutor", embora a maioria deles nem mestrado tenha. Doutorado, nem pensar!...

          Lembro com simplicidade de algumas pessoas ilibadas, respeitadas, que tocavam seus comércios em Ouro e Capinzal, (não eram doutores) e tinham um costume comum: guardar o lápis atrás da orelha. E o usavam para anotar na caderneta o fiado que vendiam. Naquele tempo valia muito a palavra. Hoje há quem negue sua própria assinatura. (Nem mais usam bigode para não ter que desonrá-lo, sistematicamente). E, nas folhas dobradas de papel de embrulho, que havia sobre os balcões para empacotar as compras, faziam as "contas", habilmente, sem calculadora. Muitos nem faziam contas, calculavam tudo "de cabeça". Alías, cabeça, naquele tempo, servia para mais coisas que não fossem apenas usar chapéu ou boina.

          Posso lembrar do Jacob Maestri, do "Silvério" Baretta, cujo nome era Severino; do Carleto Póggere, do Arlindo Baretta, do Benjamim Miqueloto, do Vitorino Lucietti, do Anildo Mázera; do Alcides, do Leôncio e do Dorotheu Zuanazzi; do Marcos Penso, do Adelino Casara, do Pedro Surdi, do Valdomiro Morosini, do Atílio Barison, do Antônio Biarzi, do Ivo  Brol, do José Formentão, do David Seben, do Agenor Dalla Costa, do Vitório Baretta, do Oziris, do Orvalino e do Osvaldino  D ´Agostini; do Crivelatti, do Augusto Hoch, do Eugênio Tessaro, do Clemente Moresco, do Antoninho Sartori, do Selvino Viganó, do Older Póggere e, se pensar um pouco mais, de muitos e muitos outros, que foram comerciantes, comerciários e açougueiros e que não tinham calculadora, nem balanças automáticas, nem produtos previamente embalados, mas que, nem por isso, deixaram de atender com muita precisão nos cálculos e bom atendimento, seus clientes.

          Ah, mas têm uns "poréns" que preciso relatar: Não faz muito, vi uma distinta e jovem senhora gabar-se de que "só conseguia somar o valor do serviço  da pintura do cabelo e das unhas de mãos e pés, utilizando calculadora. (Se eu dissesse que seu cabelo não era castanho, você iria me tachar de preconceituoso, né?)...

          Outra vez, vi, (de novo,  com esses olhos que a terra há de comer), uma senhora distinta, com tatuagens delicadamente expostas nos ombros, à mesa de um restaurante, perguntar para a filha, que estava numa mesa próxima, almoçando com amigas: "Filha, carne tem carboidratos, não é?" E ela:  "Não, mãe, carne e ovos têm proteína, carboidrato tem no macarrão!)

          E, contam-me, e recuso-me a acreditar, que outra senhora, de mesma faixa etária que as outras duas, que se acha bem "instruída", pegou o mapa-múndi de pernas para o ar e estava a pedir ajuda às colegas para localizar o Brasil...

        É, sou antigo, mas preciso viver muito para contar tudo o que já vi neste mundo de Deus! Ah, antes que eu me esqueça: o gravador de rolo era para as serenatas.

Euclides Riquetti
03-01-2012

       

domingo, 1 de janeiro de 2012

Meu primeiro poema

Meu primeiro poema
Tinha que ser surpreendente
Tinha que contagiar num repente
Tinha que ter alma de gente
Meu primeiro poema.

Meu primeiro poema
Tinha que ter versos singelos
Como os lírios amarelos
Como os belos castelos
Meu primeiro poema.

Meu primeiro poema
Tinha que começar às onze horas
Para continuar até agora
Antes de nos irmos embora
Meu primeiro poema.

Seria um poema divino
Da alma branca lavada
Da noite abençoada
E da nova manhã esperada (da madrugada)
Ah, sim, seria um poema divino!

(Seria um poema perfeito
Sem nehum defeito)

Mas, como sou imperfeito
Como minhas métricas e rimas
Só consegui escrever
As palavras acima...

Para ti!

01-01-2012

sábado, 31 de dezembro de 2011

O Futebol

O futebol é a grande paixão do brasileiro.

A paixão que move os corações
É a mesma que move os pés
Que faz com que as pessoas, de todas as idades
Busquem, com determinação
A conquista da vitória!

No verde gramado dançam
Harmonicamente
Os corpos dos atletas.

Nas arquibancadas desenham-se
As mais espetaculares coreografias
E o grito de gol,  incontido
Sai das gargantas dos aficcionados
Pelo esporte bretão
Que encanta e envolve as multidões.

Este, está presente em todos os lugares, a toda a hora
Em todos os pensamentos!

É um Brasil de chuteiras
Para um povo
Onde todos somos técnicos em futebol!

Empunhamos nossas bandeiras
E levamos as cores de nossos times pelas ruas
Pelas fachadas dos prédios
Pelas janelas de nossos carros.

E, neste contexto, desenha-se o cenário do sonho
Da busca da glória
Do vencer
Da superação!...

Euclides Riquetti
(A pedido da Michele, em 02-07-2003)

Se eu soubesse pintar...

Se eu soubesse pintar
Começaria pelo teu rosto contente
Pincelaria teu corpo envolvente
Poria vermelho nas unhas de  teus pés...

Se eu pudesse pintar
Pintar-te-ia com roupas pretas
Que te tornam bonita, atraente
Que te deixam morena fascinante...

Se eu soubesse pintar
Pintar-te-ia como és:
Com toda a tua exuberância
Com tua beleza e elegância.

Se eu pudesse pintar
Pintaria teu rosto com tinta clara
Cor da primavera que chegara
E o próprio verão cobrir-te-ia com verniz...

Mas,  todo o teu corpo
Idealizado, desejado
Eu jamais conseguiria concretizar!
Não eu, nem outro:
Ninguém conceberia o ideal de tua perfeição...

Mas teu beijo
Sensual, gostoso, (ardoroso?)
Eu levaria!
Tuas palavras
Doces, amáveis, (adoráveis?)
Eu também as levaria!

E teus olhos fugidios teriam que fitar os meus e dizer:
"Eu te amo!"

Euclides Riquetti
02-07-97

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Mãos

Mãos que tiram a roupa
Mãos que afagam o peito
São mãos que estendem a colcha
São mãos que preparam o leito.

Mãos que alisam o rosto
Mãos que abanam pra mim
São mãos que eu beijo com gosto
São mãos que arrumam o jardim.

Mãos que se estendem de pronto
Mãos que seguram a flor
São mãos que preparam o encontro
São mãos que se prendem no amor.

Mãos que seguram as mãos
Mãos que recebem presentes
São mãos que ajudam irmãos
São mãos que se movem contentes.

Mãos elegantes e ágeis
Mãos atraentes e belas
São mãos que parecem tão frágeis
São mãos tão macias e singelas.

Me ligo nas mãos carinhosas
Me ligo nas mãos da senhora
Que cuidam dos cravos e rosas
Que cuidam do filho que chora.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Versos perdidos

Perdi meus versos ao longo da estrada
Ficaram reversos em meio ao nada
Perdi meus versos na madrugada
Deletei-os, incertos: memória vaga!

Versos românticos, livres, ameaçados
Flechados por uma  sanha enraivecida
Restou-me um poema mutilado
Numa página pelo tempo envelhecida.

Reencontro meus versos em meio às águas
(Nelas me liberto de doridas  mágoas)
Ficaram no azul dos ladrilhos das piscinas...

Reencontro todos os versos perdidos
Os de aqui, os de ali, os lá escondidos
Impregnados nas tranças das morenas meninas.


Euclides Riquetti
Composto em Barra do Leão
28-12-2011

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Barra do Leão - a reversão possível

          Tirei um dia para revisitar a Barra do Leão, rever os amigos Sérgio e Fernando Coronetti, suas esposas Rose e Adriana, e as crianças deles, no Thermas Leonense. Que ótimo dia passamos!

          A quarta-feira amanheceu nublada, mas logo veio o sol animador. E, nossa intenção de ter um dia diferente foi-se materializando. Em Lacerdópolis, tomamos o rumo da "Barra" via Barra Fria, percorrendo uma estradinha bucólica que serpenteia o Vale, lado-a-lado com o  Rio do Peixe. Estrada bem conservada, uma paisagem exuberante.

          Ficamos muito surpresos com os novos rumos da Barra do Leão e a agilidade com que os Coronetti foram melhorando o seu empreendimento, o Balneário Thermas Leonense, e promovendo, com  isso, a redenção econômica e social daquele distrito.

          Lá em Trombudo Central, , num evento de uma missão Turística do nosso NITUR, ao pronunciar-me diante de dezenas de convidados e autoridades, fiz mençâo ao dinamismo do Sérgio Coronetti e sua coragem em implantar um equipamento turístico de alto gabarito, numa comunidade que se encontrava desacreditada. O que eu disse lá, posso repetir aqui: "O Coronetti merece, de parte do Município de Campos Novos, uma estátua em praça pública, pelo que tem feito por aquele município e pela Barra do Leão".

          O Leonense está muito bonito. Piscinas com alternativas de profundidade, possibilitando lazer para todas as idades,  tobogãs aquáticos, comida boa e barata (tem até o Palhinha ajudando no churrasco), atendimento de primeira linha, organização, simplicidade, higiene e limpeza, uma paisagem verdejante e fantástica. E o colorido rubroazul das edificações contrasta espetacularmente com o fundo verde das árvores que enfeitam o lugar e o azul das piscinas.

         Quem diria que uma comunidade que estava extinguindo-se ressurgiu como a "Fênix Renascida" e hoje é motivo de orgulho para quem mora lá e para todos os que lá têm raízes. Hoje, os egressos da Barra, que são muitos e triunfam em todas as regiões do Brasil, voltam  para matar as saudades e reverenciar o Thermas Leonense. E, os lotes que há setre anos valiam R$ 2.000,00, agora valem até R$ 100.000,00.

          A comunidade toda deve apoiar o empreendimento dos Coronetti, que preservam a casa paterna e deram um grande impulso para o lugar. Agora, durante o inverno de 2012, o asfaltamento da ligação com Capinzal. E, no próximo verão, mais e mais turistas visitando-os. Parabéns e obrigado pela recepção, Família Coronetti.

Euclides Riquetti
28-12-2011

         

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Quarta Crônica do antigamente

         Minha antiguidade é relativamente antiga. Já escrevi, em outras oportunidades, sobre ser antigo. Sou muito, muito, mas nem tanto. Sou do tempo em que os adolescentes levantavam muito cedo, no domingo, para ir à Missa das Seis, na Matriz. Primeiro o "compromisso", depois a bola. Então, a maioria dos amigos (eu ia com o irmão Ironi), levantava às 5,30, quanto tocava o sino, para ir à Igreja, "confessar", escutar bem o sermão do Frei Gilberto "Fujão", do Frei Lourenço "Brabo", do Frei Tito "Bondoso"  e, depois, comungar. E, comungando, não poderia fazer pecado no domingo, nem na segunda, nem na terça...

          Então,  o negócio era não pensar marotezas, nem dar caneladas nos outros nas peladinhas do campínho, porque tudo isso era pecado, muito pecado. E havia dos pecados veniais, que eram os mais simples, mais fáceis de se obter o perdão por se tê-los cometido, que poderiam ser extinguidos se estivéssemos arrependidos, mesmo sem contá-los ao padre, bastando para isso declinar um simples "ato de contrição". Tinha o grande e o pequeno, que era mais fácil de decorar. Se o pecadinho era um "nadica di nada", podia ser o pequeno. Coisa  assim como dar uma olhadinha numa menina, coisinhas simples. Mas, se fosse uma coisa como "pegar" uma pera do quintal do vizinho, mesmo que ela estivesse caído com o vento, isso era roubo, um roubo leve, sim, mas isso era sério, poderia se acostumar e, mais tarde, tornar-se um contumaz ladrão. Então, por enquanto, precisava ser  um "ato de contrição grande", que tinha no livrinho de catequese. Era como uma medida liminar judicial, permitia que você comungasse mesmo assim, mas, adiante, quando tivesse oportunidade de confessar ao padre, mostrando aparente arrependimento, após esse julgamento, estaria   perdoado,  e a alma, que enegrecera, voltava à brancura. Ficava branca como camisa lavada com "Rinso".

          Acho que a alma da Marjorie Estiano deve ter ficado um pouco cinzenta quando ela casou com o Rodrigo, que era a grande paixão de sua irmã, Ana, a bela tenista que se encontrava em coma, mãe da Júlia, em "A Vida da Gente". E deve ter rezado pelo menos uns três "atos de contrição", daqueles bem longos, quando a mana da Manu acordou, na novela. Seria um "pecado mortal"??

          Os pecados mortais rondavam as mentes perturbadas de minha geração temente a Deus. Hoje, as pessoas nem sabem mais que pecados mortais existem,  e agridem, roubam, matam...

          Quando o Pelé esteve em Capinzal, em 1989,  estivemos com ele lá na Perdigão. Estávamos eu, o Frei Davi, o Celso Farina, o Barzinho, o Irineu Maestri, o Ademir Belotto, o Jaime Baratto, o Ronaldo Cheiroso (que trabalhava lá),  convidados pelo Altrair Zanchet. Com o "Rei", viera o ator David Cardoso, o Rei da Pornochanchada, ator e diretor em quase 100 filmes nacionais, protagonista da novela "A Moreninha", sucesso da Globo, em que ele era o Leopoldo, e contracenava com a Lucélia Santos.

          Conversei muito com ele, ele havia sido candidato a Prefeito no Mato Grosso, não lembro se em Campo Grande ou Dourados, perdera, e queria saber como eu, com 35 anos, havia sido eleito Prefeito. Falei sobre meu engajamento em causas comunitárias, sociais e culturais, minha liderança junto a alguns segmentos sociais e profissionais, e que isso me dera base para a conquista. Ainda, abordei-o sobre o filme Férias no Sul, filmado em Blumenau e Gramado, em que ele contracenara com a Vera Fisher, a glamourosa atriz e ex-miss brasileira. Contou-me que teve um "flerte" com ela, que ela era "o máximo"... Ah, ele e o Pelé vieram  juntos porque estavam filmando no Pantanal, um filme de combate aos matadores de jacarés, em que o Pelé era o Policial e o David Cardoso era o mocinho. O ator tivera deliciosos pecados com ela, todos veniais, compreensíveis...

          Mas, como tenho afirmado, sou antigo, muito antigo. Sou do tempo do Sapeca e da Tia Bena, do João Maria Barriga-de-Bicho, da Nega Júlia, do Zeca Gomes, do Vinte-quatro... figuras folclóricas de Capinzal e Ouro que, certamente, sabiam muito bem a diferença entre "pecado venial e pecado mortal", mesmo que não tenham aprendido o "ato de contrição", porque eram almas ímpias e puras, negros de alma muito alva, da estirpe de nosso Cruz e Souza, sem pecados que lhe valessem qualquer condenação...

          Não sou tão antigo quanto o Simbolista, mas sou antigo, sim!

Euclides Riquetti
27-12-2010

Apenas mais uma manhã

Uma manhã banal
Como outras manhãs banais
Pode ser uma manhã casual
Como outras tais e tais.

Uma manhã  tentadora
O meu corpo a te querer
A lembrança encantadora
O que mais pretender?

A manhã  inspiradora
Os pensamentos saudosos
Tua pele macia, sedutora
Os momentos só nossos...

O que mais querer?


Querer uma manhã de querer
Apenas mais uma manhã
E, numa manhã, podes crer
Poder crer no amanhã.

A tarde de um amanhã
De um ontem, de um hoje, de um sempre
Pode ser, de repente
Apenas uma tarde vilã...

Mas sempre haverá um mais e um mais
Um bom motivo pra viver
E então, as manhãs banais
Serão manhãs colossais
Serão aquelas manhãs,  tais e tais
Que tanto quero reviver!!!

Pois, queiramos ou não, o tempo passa...

(E nós vamos envelhecendo...)

27-12-2011

domingo, 25 de dezembro de 2011

Terceira Crônica do Antigamente

          Já disse, sou antigo, muito antigo. Quando criança, matava a bola na canela, piscava, sujava as mãos de tinta na escola. Era o perfeito aluno-problema. Ainda bem que naquela época não tinham "Conselho de Classe" nas escolas. Eu ficava na mão de um ou outro professor, pelo menos isso me aconteceu na terceira do "Ginásio" e na primeira do "Comércio". Na terceira, a Dona Holga me deixou em segunda época em Português e Matemática, lá no Juçá Barbosa Calado, uma escola que havia em Capinzal. Era um Ginásio Normal, em que meu professor de Psicologia era o Dioni Maestri, a quem, até hoje, reservo muito carinho e devoto sincera amizade. Ele nos levou ao Cine Glória para assistir ao filme "Freud, muito além da alma", onde Freud hipnotizava as pessoas. Conseguiu ingressos "fiado e com desconto" junto ao Armando Viecelli, dono do cinema. Nem me lembro se depois pagamos ou ele mesmo pagou. Na primeira, foi o João Bronze, de saudosa memória, que me deixou em segunda época em Inglês: que coisa feia, o único aluno  da CNEC a fazer segunda época de Inglês, em 1970, ano de nossa gloriosa conquista do Tricampeonato Mundial de Futebol, no México.

          Mas, como já disse em outras oportunidades, sou mais antigo do que a Marjorie Estiano, a que era feinha, e agora nem tanto. A Fernanda Montenegro também nunca foi um exemplo de beleza, mas o talento a tornou bonita e eterna. A Tônia Carrero, privilegiada, é talentosa, bonita e eterna, mas anda escondida há muito tempo. Quando a Marjorie Estiano nasceu, em 1982, lá em Curitiba, minha filhas, Michele e Carol, tinham quase três anos. (Cá entre nós, são mais bonitas que a Marjorie Estiano). Depois de 11 trabalhos na TV Glogo, 5 peças no teatro e 2 filmes em 2011, ela vive a Manuela Fonseca, a Manu, na novela "A Vida da Gente". Casou com o Rodrigo,  pai da Júlia, filha da Ana, irmã dela. Agora o cara não sabe com qual das duas vai ficar. Mas se você for noveleiro, como eu já fui, vai saber isso tudo ao final da novela.

          Sou do tempo em que apenas parte da  Rua XV de Novembro, em Capinzal, e da Felip Schmidt, em Ouro, tinham, calçamento. O Fioravante e o Vicente Colombo, o Dário da Rosa, o Leonel Ferreira, o Miro, o Orsoletta,  o Acir Borges e mais tarde o Zezinho Gonçalino faziam calçamento com perfeição. E o Shirlon Pizzamiglio levava água com o garrafão (H20) e, com uma canequinha de alumínio, e os servia sob o calor de 36 graus.

          Sou do tempo em que aquele padre fugiu com a professora e levou o dinheiro da bolsa de estudos de meus colegas. E de quando o Edvino Dacás organizava, patrocinava  (e transmitia) jogos de futsal na quadra asperenta do Padre Anchieta, a mesma em que o Edovilho Andreis, o Vino, ralou o dedão do pé. A mesma onde muitos jovens casadoiros conheceram algumas jovens casadoiras e hoje são pais de médicos, advogados, engenheiros, professores...Ou, simplesmente, casais felizes e com filhos! A mesma onde o padre fujão estapeou um aluno alemãozinho (vou preservar o nome do colega), porque, num joguinho de cegotes, ajuntou  três lata do chão, com os olhos vendados, e era para ajuntar só uma.

          Bem, em minhas incursões memoriais lembro das memoráveis "soirées" do Clube Primeiro de Maio, que apelidavam de "Mangueirão" e da "Cabana", onde a juventude se encontrava, aos sábados, para badalar. Dos meus amigos Arnildo Ramos e Renô Caldart, com quem eu sempre tirava fotos, e eram alguns de meus leais companheiros.

          Bem, você, leitor, pode ver que, realmente, sou muito antigo, por isso mesmo tenho muitas histórias pra contar. Sou do tempo em que as pessoas deixavam de fazer algumas coisas porque era  pecado. E havia mais amizades, mais divertimentos, mais respeito. E, como diz uma amiga: Todo mundo conhecia todo mundo! Agora...nem tanto!

sábado, 24 de dezembro de 2011

No gramado

No gramado de minha casa caem peras
São peras verdes, peras amarelas
Frutas pesadas, mas singelas
No meu gramado me caem lágrimas e estrelas.

No gramado de minha casa choram emoções
De ver a criança deslizando os pés delicados
E os beija-flores buscando o adocicado
(No meu gramado acalentamos corações).

A pitangueira, ali, atrai os passarinhos
Ela, com os  pequenos frutos alaranjados
Eu, aqui, com os meus zelos e cuidados
Jogando alpíste para os pequeninhos.

E as bergamoteiras acanhadas
Sombreiam as pequenas jaboticabeiras
Ameaçadas pela corpulenta ameixeira
Reverenciam as  laranjeiras carregadas.

E vêm canários, pardais ou tico-ticos
De todos os lados, até de azul  penugem
Nem se vê de onde, mas de repente surgem
Trazendo raminhos nos pontudos bicos.

É a natureza que sobrevive à fúria  humana
Antagonizando com os blocos de concreto
Contra o vidro, o cimento, o prumo certo
Majestosa força, soberana!

E os caquizeiros, respeitosos, aguardam o entardecer.
Buscam encontrar o aroma da romã
Que não vem, porque a mão humana, esta vilã
Não lhes sobrou lugar para crescer.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Poema em atos

Que bom te ver, te ouvir, te sentir
Que bom te querer, te querer, ter-se aqui!

Que bom ver o vento balançando as folhas
Que bom que a gente pode fazer escolhas!

Que bom escutar-te e poder responder-te
Que bom encontar-te e poder te abraçar
Que bom te dizer "te amo" e dest´arte
Sentir o teu sim estampado no olhar.

Que bom ver que o tempo é mais que  lembrança
Que bom relembrar de nossa primeira dança!

Que bom apenas poder te dizer
Que bom apenas ouvir a melodia
E poder te dizer que também neste dia
Eu estou em ti e tu estás no meu ser.

Que bom escrever românticos  poemas
Com palavras doces de que me lembro
Quando vagam no céu os trenós e as  renas
No calor das tardes e manhãs de dezembro.

E eu, aqui pensando em parnasianos!...

Euclides Riquetti
23-12-2011

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Jeito de pecado

Foi de madrugada
Que pensei em você:
Senti algo no peito
Foi assim, do meu jeito
De gostar, de beijar, de querer.

Desejei o seu corpo
Elegante, maroto.
Beijei os seus lábios quentes
Acariciei seu cabelo envolvente
Amei você, perdidamente!

Fui atrevido, incontido bastante
Encantei-me com seu jeito elegante
E, entre pensamentos profanos
Meu coração cigano
Ficou transportado
Para o mundo desejado!

Desejei, ousei...
Pequei. Quis.
Quis ser feliz!...
E foi muito, muito bom!
Bom, mas com jeito de pecado!...

Euclides Riquetti
30/11/2006

Vento moreno

Venta o vento moreno de outono
Venta e venta...
Cai a pálida folha, vencida no tempo
E venta o vento.

Brilha o brilho do sol brilhante
É maio, maio de mês
É a noiva que noiva, que sonha
Sonha com a noite da primeira vez...

Cintila a estrela prateada
Na madrugada
E sibila o vento na gélida  noite
Embala a noite, adentro avançada...

Escreve o poeta o poema, e a noite
É a moça, a musa
E os versos, dispersos, não rimam: fascinam
E a noite provoca, encanta, abusa!

E viva você, tema do canto
Viva, viva!
Como o barco que vai, flutuando, leve
Na noite breve
Festiva!

Euclides Riquetti
07-05-1997