sábado, 5 de maio de 2012

Dia Muito Feliz

         O dia 05 de maio nos traz as melhores lembranças. Foi em 1979, num sábado, como hoje, que, às 3,00 e 3,05 horas, respectivamente, nasceram nossas filhas gêmeas, Michele e Caroline.

          Na sexta-feira à noite, depois de dar aulas na Escola Básica Major Cipriano Rodrigues Almeida, no então Distrito de Duas Pontes, Campos Novos, hoje Zortea, uma notícia: estava para nascer nosso filho, meu e da Mirian. Naquele tempo só uma minoria tinha  acesso aos exames de ultrassom, não se sabendo, assim, se seria menino ou menina que viria. Foi uma confusão: pegamos o Fusca, descemos para o Hospital Nossa Senhora das Dores, onde chegamos quase à meia-noite para a internação. O Dr. Acióli Viecelli, que realizou o pré-natal, dizia que o parto seria no dia do aniversário dele, e que ele estaria viajando, e isso se confirmou.

          As mãos habilidosas do então jovem médico, Dr. Tatin, cuidaram de fazer com que o bebê  nascesse saudável e que nada acontecesse com a mãe. O pai, nervoso, (Eu),  sapateava de um lugar para outro, no corredor. A enfermeira vem e pergunta: "Onde está a faixinha, que não tem nenhuma na sacola?". Bah, começou a agradável confusãozinha: pegamos uma emprestada da mulher de um amigo, o Bérgamo. Logo depois, voltou e avisou: "É uma menina!" Fiquei contentíssimo. Minha mãe já estava por lá e vibramos muito. Daí a pouco, volta a enfermeira: "Precisamos de mais uma faixinha, pois tem mais um bebê!" E veio outro bebê. E foi assim, pegamos uma segunda faixinha,  com a mulher do Bérgamo. Era uma segunda menina.

          Mais tarde, nasceram, no mesmo hospital, a Gisele Bérgamo, a quem já ficamos devendo obrigação antes mesmo de ter  nascido, e a Sionara Formentão.

          Ao amanhecer, fui para as Casas Pernambucanas comprar faixinhas, fraldas de algodão, cueiros, toucas, babeiros, etc., pois eram duas lindas meninas, com 2,9 kg cada uma. E o Marcos Ceigol, que me vendeu as roupinhas, e seus colegas de trabalho, inclusive o Vilmar, meu querido irmão, vibraram muito, lá nasd Pernambucanas, em Capinzal.

          E, depois, começou a tarefa de definir os nomes:  A Mirian tinha sugerido Michele. O tio Vilmar dizia que tinha que ser Caroline, por causa da Princesa de Mônaco, que era bonita. Mas,  como vieram duas, tudo foi muito fácil: a primeira a nascer foi a Michele e a senda, Caroline.

          Hoje, numa tarde e noite especial, estamos comemorando, aqui em Joaçaba, em nossa casa, juntamente com a Fabrício e a Luana. o Daniel, marido da Michele, o Buja, da Caroline, e a adorável Júlia, filha destes e nossa netinha. (Vai ter churrasco no porão!!!).

Longa vida às duas e a todos nós!!!

Euclides Riquetti
05-05-2012

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Obra-prima

Pensei em produzir uma obra-prima
Algo que marcasse, que ficasse eternizada.
Quem sabe uma poesia com boa rima
Quem sabe uma foto envernizada.

Pensei em produzir uma obra-prima
Algo que ninguém houvesse ainda feito.
Podia ser uma escultura pequenina
Podia ser um monumento perfeito.

Pensei em buscar  uma obra-prima
Algo raro, quem sabe inimaginável.
Podia ser uma  composição divina
Uma ópera de lírica admirável.

Pensei, repensei, tentei, retentei...
Busquei tirar algo de minha inspiração
Fui longe, longe, mas sabes quem eu encontrei?
Foste tu, bem escondida...no fundo de meu coração!

Euclides Riquetti
03-04-2012



quarta-feira, 2 de maio de 2012

Final de Noite

Final de noite, prenúncio de um belo dia
O silêncio toma conta de meu parco universo
Procuro entender as palavras do antigo verso
Procuro afastar de mim a tediosa  letargia.

Final de noite, a espera de uma nova manhã
Quando estrelas cintilam  nos espaços do infinito
Brandos  passos  trilham  um caminho  restrito
E minha alma se ancora  na esperança vã.

Final de noite, de apenas mais uma noite que veio
Quando escritos antigos, perdidos,  recomponho e releio
Poemas com versos diversos,  livres e brancos.

Final de noite, de renovadas e animadoras esperanças
De canções que se ouvem e que embalam saudosas lembranças
De melodias que atiçam meus pensamentos francos.


Euclides Riquetti
03-05-2012


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Coração desnudo

Coração desnudo
Fragilizado
Coração mudo
Desacalentado.

Coração desnudo
Desprotegido
Coração escondido
No abismo escuro.

Desnudo  a  flutuar
Desnudo no abandono
Sem um porto para ancorar
Sem rumo e  sem dono.

Coração a navegar
Sem destinatário
Sem um corpo para ocupar
Desconsolado e solitário.

Coração em stand by
Relembra o  que já senti
Vai e vem, vem e vai
Apenas esperando por ti
Por ti
Por ti!
(E tu nãos vens...)


Euclides Riquetti
30-04-2012

sábado, 28 de abril de 2012

Manhã de saudosas lembranças...

Chuvosa manhã de sábado do mês de abril
Os pássaros se acocoram sob as últimas folhas
Espesso nevoeiro oculta o céu cor  anil:
A sábia natureza determina todas as escolhas.

Tu escolheste  ficar absorta em tua casa
E eu escolhi por-me na inóspita rua
As araras escolheram encolher as suas formosas asas
A planta desfolhou-se e escolheu  apenas tornar-se  nua.

O pastor escolheu abrigar as frágeis ovelhas
A mãe escolheu cuidar do ninar de seu filho
A água escolheu deslizar nas telhas vermelhas
E o sol escolheu disfarçar o poder de seu brilho.

O gramado escolheu adormecer e esperar por setembro
O vidro embaçou-se e escolheu tornar-se boreal
E cada coração pulsou por um novo momento
E molhou-me a chuva  ocasional da manhã outonal.

Foi apenas mais uma manhã, como outras manhãs tantas
A manhã de um outono chuvoso como outros outonos tantos
Mas meu coração navegou em saudosas lembranças
Saudosas lembranças, saudosas lembranças
De ti, de ti!!!

Euclides Riquetti
28-04-2012

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Pés descalços

Pés descalços
Acariciam as calçadas
Abandonadas.
Corações em percalços
Com batidas descompassadas
Retumbam em almas maltratadas
Rejeitadas, mutiladas.


Pés nus buscam caminhos de luz
E pisam na relva umedecida
Adormecida
Sustentando o corpo que seduz.

O corpo que atrai
E que distrai
Furta meus pensamentos pecaminosos
Libidinosos...
E me mergulha nas águas
Me afoga nas mágoas.

Algo me atira às incertezas do momento
Que vaga lento, lento
Como a nau que vai
E se perde no infinito
Bonito...
Bonito, mas cheio de ruelas obtusas
Confusas
Como eu!

Euclides Riquetti
26-04-2012

domingo, 22 de abril de 2012

É Outono!

As folhas envelhecidas, enfenecidas
Vão-se desprendendo dos galhos cinzentos:
Esperam as singelas lufadas dos ventos
Nas tardes de abril, nas noites enegrecidas.

(Foi-se o verão
Foram-se as areias
Foi-se o mar)

As flores se escondem, timidamente...
O sol reserva seu charme para as primaveras e verões
Enquanto os corpos,  cobertos,  abrigam almas,  intimamente
Namorados e amantes pausam paixões, contêm as emoções.
E há um leve sentimento de abandono:
É Outono!

É o Outono das noites frescas que se prolongam
É o Outono  das tardes amenas que se encurtam
É o Outono da inspiração que não vem:
É o Outono das palavras que se buscam e não se as têm.

Então, restam apenas lembranças.

A inspiração do poeta, do Eu, foi embora!
Plumou no ar
Planou no mar...

Restam as lembranças, sim!
Agradáveis lembranças de teus lábios!
E a inspiração volta, agora...

Euclides Riquetti
22-04-2012

sábado, 21 de abril de 2012

Décima Sexta Crônica do Antigamente

         Lembrar de coisas de antigamente me anima e revigora. Sempre que faço uma pausa para meditar ou reingressar no passado, lembro de fatos de que participei diretamente, ou de outros que alguém me contou. O primo Rozimbo me contava fatos interessantes sobre a vida do Guerino,  meu querido pai.   Eles foram mais que tio e sobrinho, foram verdadeirtos amigos. Já escrevi algo sobre meu pai ter vivido a juventude dele em São Paulo, no São Camilo, um seminário de padres italianos, todos palmeirenses.

         Um fato que sempre me ficou na memória foi o do contato que meu pai e seus colegas seminaristas tinham com a família do Comendador Francesco Matarazzo, o maior empreendedor da História do Brasil. O Comendador era um homem muito religioso, também. Empresário visionário e determinado, em tudo via oportunidade de ganhar dinheiro. Ganhava tanto que, após o término da Primeira Guerra Mundial mandou dinheiro para o Governo da Itália salvar o país onde nascera. As Indústrias Reunidas Matarazzo eram compostas por 365 empresas no Brasil. Francesco Matarazzo tinha uma fortuna avaliada, hoje, em 20 bilhões de dólares. Trabalhador nato e filho de pai culto, veio jovem para o Brasil e aqui fez sua fortuna. Era  bom em cálculos matemáticos.

          De 1936 a 1937, quando morreu, ele esteve praticamente paralítico, pois sofria de um reumatismo crônico. Sua mansão ficava e poucos minutos do Seminário São Camilo e, nessa época, todas as manhãs, antes do clarar do dia, dois seminaristas eram escalados para ir à casa dele e trazê-lo à Capelinha para assistir à Santa Missa. Meu pai foi, com um colega, por diversas  vezes buscá-lo.  Nos primeiros tempos da enfermidade conseguia mover-se com auxílio de bengala e, nos últimos meses, só com cadeira de rodas. Era um homem simplório, íntegro e bem intencionado, bondoso. Perdeu um filho na Europa, em desastre de automóvel. Fora para lá ainda criança, estava sendo preparado para ser seu sucessor.  Seus negógios passaram às mãos de um filho, Francisco,  e de uma filha, a Maria Pia. Os descendentes não conseguiram entender-se e o patrimônio deixado não se manteve. A propriedade da família ocupava uma área muito grande no centro de São Paulo. Perderam quase tudo.

          Meu pai viveu pelo menos dois anos por lá, após a saída do seminário. Mais adiante, conheceu um mascate português, que disse conhecer o Vale do Rio do Peixe, o Município de Cruzeiro, que depois tornou-se Joaçaba, e do qual o Distrito de Ouro fazia parte. Prometeu trazê-lo de volta para sua família e assim o fez.

          A volta de filhos para casa nem sempre é possível. Quantos saem para estudar ou trabalhar,  acabam tomando outro rumo na vida, mantendo-se distantes do seu lugar de origem, de seus familiares. Eu, felizmente, saí após os 18 anos e voltei para perto deles 6 anos depois. Há uma pessoa querida que sempre me diz: Os filhos foram feitos para o mundo. Ela tem razão!

Euclides Riquetti
22-04-2012

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Muita alegria, Júlia

Com muito contentamento,  estamos comemorando, hoje, o aniversário  da Júlia Riquetti Mattos da Silva, filha do Elisandro Rafael (Buja) e da Caroline Riquetti.

A fofinha chegou faz dois anos e  trouxe muita alegria para todos nós. Morena, cabelos e olhos negros, espertinha, já fala centenas de palavras e rabisca desenhos no papel. Há um ano vira as páginas dos livrinhos de histórias infantis, identifica os bichinos que vê. Com ajuda, canta algumas musiquinhas que os familiares e o pessoal da Escolinha Girassol, aqui de Joaçaba, lhe ensinam. A Julinha gosta muito do Vovô Careca. E do Vovô Adão, também.

Hoje vai ter churrasco na laje do porão.

Euclides Riquetti
19-04-2012

domingo, 15 de abril de 2012

Voltar pra casa

          Voltar pra casa é sempre muito bom. Foi assim no mês de fevereiro quando passamos uns dias fora, conhecendo Maceió, Salvador, Ilha Bela e Santos. Em março passamos um final de semana conhecendo Vila Velha e Castrolanda, nas imediações de Ponta Grossa. E, em abril,  saímos a trabalho na Capital e emendamos  dois dias de lazer, em Canasvieiras. Passamos a Sexta-feira Santa e a Páscoa por lá. Sair de casa é sempre muito bom. Conhecem-se pessoas, lugares, coisas. E também alguns costumes. Agora, vou comentar algo muito salutar, que já presenciei por dois anos em Canasvieiras: "A Semana do Uruguai".

          N semana que antecede à  Páscoa, os Uruguaios têm um costume muito bom. Fazem um feriadão de uma semana. Chamam a isso de "Semana do Turismo". No Brasil chamam de "Semana dos Uruguaios". Saem das cidades uruguaias em carros, ônibus, aviões ou navios, e deslocam-se para outros  países. Grande parte deles vem para o Brasil e o litoral catarinense, em especial Florianópolis ( e mais ainda Canasvieiras), é um dos destinos mais procurados. Embora o câmbio não lhes favoreça muito, ainda assim lhes vale a pena vir ao Brasil, porque é país próximo e, sendo a Semana da Páscoa,  considerada Baixa Temporada para o Turismo de Praias no Brasil, os preços tornam-se convidativos: A maioria dos hotéis trabalha com uma tabela cerca de 50% menor do que na alta temporada. Pacotes envolvendo grupos de pessoas, então, obtêm melhores preços ainda. E os restaurantes também estão operando com valores entre 20 e 30 % abaixo do que nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Como dizem os ilhéus: a vinda dos Uruguaios é a "raspa do tacho", ou seja, a última oportunidade que os comerciantes e prestadores de serviço têm para ganhar um dinheirinho.

          Até a vendedora de chapéus disse-me que a temporada foi excelente, que nunca vendeu tanto, e que a vinda dos uruguaios ajudou muito.

          Bacana essa modalidade de feriadão no Uruguai. As pessoas, que muito trabalharam, por um ano inteiro, saem para descansar durante uma semana. E fazem muitas festas culturais por lá. Acho que outros países deveriam imitar isso: haver uma época em que todos fechassem as portas de suas lojas, as escolas, os bancos, e funcionassem apenas os serviços de segurança e saúde. E nãao no verão, mas no outono.  A economia e as pessoas iriam ganhar muito com isso. Claro que nosso comodismo vai nos levar a dizer que isso é impraticável no Brasil, que já temos muitos feriados, etc. Mas, você já viu quantas pessoas  "nunca tiram férias" ou não viajam porque os feriados em meio à semana não permitem isso?  Apenas os funcionários públicos têm privilégios nos chamados feriadões. Mas, quem trabalha no sábado, nunca tem chances de poder sair.

          Mas, o que me encanta, nos uruguaios, são pequenas e simples coisas: estão lá as famílias com seus filhos, são educados, não têm prepotência, não são afeitos à arrogância, gastam com muito critério o seu dinheirinho e demonstram serem honestos. Bem diferente do que alguns outros "hermanos". Parabéns a eles por serem assim. Respeito-os muito!

          Euclides Riquetti
          15-04-2012

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Apenas poetano

Espartano?
Parnasiano?
Ah, não me ufano!
Sou apenas poeta
Não, não sou profeta!
Sou apenas uma voz discreta
Sou apenas um poetano!

Jogo com as palavras
As frases, as rimas
Elas são minhas armas
Inseparáveis amigas.
Com as doces,  ou amargas
Componho as cantigas.

Sou um cantador de versos encantados:
Cantados, declamados
Versos românticos, poetados
Poetizados!
Quase sempre,  sempre rimados
Centelhas em  vocábulos, em cadeia combinados.

Versos poetados por um simples poetano:
Um simples amante das palavras, dos versos e das rimas!

Euclides Riquetti
05-04-2012

Poetano na CANTARTE

          Na terça-feira, 03/04/2012, realizamos, em Ouro, a 5ª CANTARTE - Noite do Canto, Arte e Poesia. Na verdade foi a 4ª edição, mas, por um atrapalho meu, publicamos como 5ª, mas o que nos importa mesmo é que esta aconteceu, e foi  por nós idealizada no primeiro ano da Administração Neri Miqueloto, da qual faço parte. Aliás, o evento foi possível pelo apoio que o Prefeito nos deu, pelo Rogério Baretta e a Márcia Campiomi, da Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo, que nos deram a estruturação. E pelo emprenho de nossa Presidente da APECOZ - Associação dos Poetas e  Escritores de Capinzal, Ouro e Zortea, a escritora ourense (e catarinense, por enquanto...), Maria Helena Bazzo, que liderou a organização, buscou patrocínios, e ainda atuou, com competência, na apresentação dos declamadores e dos músicos. Obrigado também à Rose Vilarino e sua colega, que atuaram na base de apoio. Já na chegada ao Clube Floresta, a surpresa pela belíssima decoração, assinada pela Hellen Crippa, de nossa cidade. Tudo bem articulado, harmônico, bonito, combinando com arte. (No hall de chegada, quadros de pinturas em óleo e mandalas, produzidos por artistas locais).

          A CANTARTE é o evento sucessor de diversos outros dos quais participamos ou ajudamos a acontecer nos últimos 20 anos em Ouro e Capinzal. Começamos com os Recitais de Poesias, em que alunos e alguns professores declamavam poesias, lá no auditório do Mater Dolorum. Lembro que algumas pessoas que hoje atuam no Jornalismo, e que foram nossos alunos no Sílvio  Santos e Belisário Pena foram instados a fazer a locução dos primeiros eventos, como o Eder Luiz, que hoje é detentor do site mais acessado do Vale do Rio do Peixe, o  "ederluiz.com", no qual costumo comentar notícias semanalmente, e o Marlo Matiello, do "vejaovale.com.br" e da Rádio Capinzal.

          Temos muitas boas lembranças daqueles recitais, onde os alunos declamavam, na maioria, poemas de sua própria autoria. Tenho uma lembrança triste, também, uma vez que, em 1998, poucos meses após declamar poesias de sua autoria, o André Franquini, meu aluno do Ensino Médio no Sílvio Santos, perdeu a vida num acidente, na Rodovia SC 303. Na noite anterior, fizera-me perguntas interessantes, na aula de Língua Portuguesa, justamente a última  que eu havia ministrado. E, no outro dia, ao voltar de Joaçaba, deparei-me com uma multidão aglomerada na estrada, no PJO, e soube da tragédia que levou-nos o talentoso André Luiz Franquini...

          Mais adiante, a Alzira  Pimenta passou a organizar os eventos "Ziza.1", "Ziza.2", e assim por diante.Quando ela foi embora, não podíamos deixar que o projeto morresse, e criamos, em 2009, a CANTARTE, que a cada ano se fortalece e ganha em qualidade, não  repetindo formatos. Neste ano, com a entrada da escritora Maria Helena Bazzo, melhoramos ainda mais, que, alías, teve uma de suas obras sendo encenada pelo Daniel,Thiago e Lainir, dirigidos pelo também competente e talentoso Luiz Alcides Dambrós, o Timus, com muita graça, talento, singeleza...

          Os presentes foram contemplados pela audição de declamações de poemas pelos próprios autores, com a participação de Evanir Riffel (Capinzal-Piratuba), Ramiro Vieira Neto (Ipira), Denize Ceccatto Bee (Pinheiro Preto), Jaime Telles (Joaçaba), Jorge Augusto da Silva (Ouro - gaúcho recém chegado), e este que vos escreve, Euclides Riquetti.

          Além de toda a arte poética expressa nos poemas e na encenação, fomos brindados pela presenta do uruguaio radicado em Concórdia, "Ramón Borges" e seu companheiro Leonel, que desfilaram um repertório musical de alto nível, encantando todos os presentes e sendo aplaudidos.

          Ao final, ao agradecer a presença deles, possibilitada pela escritora Maria Helena, falei: "Quem tem Ramón Borges e Leonel não precisa de Michel Teló!!!", e fui secundado por risos e aplausos,. mostrando que os quase 200 presentes ao evento conhecem muito bem a verdadeira arte de cantar.

          Aliás, êta público qualificado. Nem os pequeninos deixavam de apreciar tudo, aplaudir tudo. E isso é muito gratificante, anima o poeta, o escritor, o músico verdadeiro, aqueles que cultivam e preservam a arte.

          Obrigado a todos os que ajudam a preservar a  verdadeira arte, em espcial a poesia!


Euclides Riquetti
05-04-2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Décima Quinta Crônica do Antigamente (O Seminarista...)

          Bem, já te  falei, leitora, que meu pai, Guerino Richetti, depois Riquetti, foi seminarista no São Camilo, na Vila Pompeia, em São Paulo. E, que por dar a marretada no dedão do colega noviço Albino, precisou fugir, vivendo clandestinamente, durante dois anos, na Segunda Guerra Mundial, no centro da Capital Paulista.

          Se gostas de Literatura, deves conhecer a história melodramática, com um final inafortunado para os personagens, Eugênio e Margarida, escrita em 1872 pelo mineiro Bernardo Guimarães. Gostavam-se, mas foram separados, ele mandado para um Seminário. Formado padre, volta para sua cidade natal, esperando  rezar sua primeira missa,  e reencontra Margarida, sua inesquecível paixão. Entregam-se, apaixonadamente, numa noite de amor, embora ela esteja com a saúde debilitada. Ao ser convocado para a celebração de sua primeira missa, a encomendação de um corpo, que verifica ser de sua amada. Sai correndo, em direção à porta da igreja, enlouquecido, louco, louco...

          Voltando à história de meu pai, ao fugir do noviciado, foi procurar sua madrinha. Todo o seminarista, em qualquer cidade, tem sua madrinha, que lhe lava as roupas, manda-lhe um bolo no aniversário, e que até o leva para almoçar em sua casa alguma vez por ano. Ela o recebeu, ouviu sua história e, com cumplicidade, acolheu-o e protegeu-o. Arrumou-lhe empregos, um de padeiro, entregador de pães, com cesta e bicicleta, e outro de ajudante de açougueiro, entregador de carnes com uma charrete. Não sei qual foi o primeiro, pois o perdi em 1977, quando ele tinha 55 anos e eu nem completara meus 25 ainda. Era a hora em que eu estava começando a aproximar-me mais dele, pois voltara da Faculdade, formado, com família, morando perto, em Duas Pontes, hoje município de Zortéa. Voltei em fevereiro, ele se foi em 18 de junho, nos vimos algumas vezes, ele muito debilidtado e passando a maior parte do tempo em Florianópolis, internado no Hospital de Caridade. Num momento favorável de minha vida ele nos deixou...

           Contara-me, em minha infância, algumas histórias fascinantes sobre o avô dele, Pachoal Richetti, que foi criado no orfanato de Veneza, onde foi parar aos dois anos de idade, em meados do Século XIX, após ter sua família dizimada em uma guerra. Contara-me sobre as malandragens no seminário, onde tinha que esconder alguma moeda que tivesse ganho, pois os padres não queriam que tivesse dinheiro. Uma vez jogara uma pela janela, no gramado, para que não lha tirassem, e nunca mais achou...Contara-me sobre a vez que, com sua bicicleta, atingiu uma senhora em meio às pernas, rasgando-lhe a saia, e teve que abandonar a bicicleta do patrão, para não ser preso, pois não se alistara para a Guerra, sendo os seminaristas e padres dispensados do serviço militar, mas que ele fora denunciado pelos padres, em razão da fuga. Não sendo mais seminarista, deveria alistar-se, e ele nem documentos tinha. Assim, viveu e trabalhou, clandestinamente, em São Paulo, por dois anos, após 9 de seminário.

          O seminário era localizado distante uma seis quadras do Palestra Itália, hoje Palmeiras, que era o time para o qual os padres italianos torciam. E os seminsristas assistiam jogos gratuitamente, pois até a dentista do seminário (mulher, naquele tempo, já era dentista, vejam...) e ela tinha dois irmãos, de sobrenome Mazzilli, que jogavam no Palestra. meu pai viu construírem o Palestra Itália, um jardim suspenso (pesquisem sobre isso), e o Estádio do Pacaembu, que, segundo ele, se situou sobre o rio Pacaembu, sei lá se canalizado ou aterrado.

          Eram vizinhos de um cidadão muito ilustre, o maior empreendedor brasileiro de todos os tempos, o Conde Francesco Matarazzo, dono de um império industrial fabuloso, que até mandara dólares americanos para que a Itália se sustentasse durante a Primeira Guerra Mundial. E que faleceu em 1937, quando meu pai tinha 14 anos. Mas a história do meu pai e seus amigos com o Comendador Matarazzo eu contarei numa crônica próxima, pois agora, neste momento, não posso, não conseguiria, porque estou com vontade de chorar...

Euclides Riquetti
02-04-2012

         

sábado, 31 de março de 2012

Saudosa lembrança de uma cidade bucólica e outras reflexões

          Houve um tempo em que apenas algumas ruas de Capinzal ( e seu Distrito, Ouro), dispunham de pavimentação com paralelepípedos. Na margem esquerda do Rio do Peixe, havia calçamento, com paralelepípedos,  em parte da Rua XV de Novembro e parte da Carmelo Zóccoli. Em Ouro, o calçamento vinha de onde é hoje a Prefeitura até defronte o Seminário Nossa Senhora dos Navegantes, mais precisamente até a casa do Amélio Dalsasso, onde hoje mora o Sr. Jardino Viel. Era uma casa de madeira, cor alaranjada, madeira beneficiada, telhas francesas no teto. Aliás, a maioria dessas telhas vinham da Cerâmica Santa Cruz, de Canoinhas, famosas pela excelente qualidade,  mas havia algumas fabricadas em Alto Alegre, Capinzal, porém não chegavam a atingir a qualidade das de Canoinhas. As nossas eram utilizadas para cobrir paióis e chiqueiros, sucedendo as tabuinhas de madeira falquejadas, que os italianos chamavam de "scandoles", utilizadas largamente para cobrir casas e outras benfeitorias desde 1902, pelos "brasileiros", e a partir de 1910 pelos "italianos", até a década de 1950.

          Muito interessante é que na XV, na quadra que vai do Bradesco e prédio do Mência, até o prédio do Saul Parizotto e o da família Henrique, havia argolas de aço fixadas ao chão, nos meio-fios, dobráveis ao chão para que não  tropeçássemos nelas, onde se podiam amarrar os animais de montaria, ou mesmo os bois que arrastavam as carroças, ou os animais de puxavam as charretes. Para que não fugissem, enquanto seus donos faziam negócios, entregando mercadorias no comércio, bebidas, ou vendendo pão.

          Restam, em minha memória,  a charrete do Santo Boff, que levava  bebidas aos bares; a carroça da Comercial Baretta, conduzida pelo Juca Rupp, que entregava ranchos e buscava mercadorias na estação ferroviária;  a charrete da Padaria Cadorin, tendo o Artêmio Tonial e depois o Alcebides Soccol como pilotos; o Ari Wilbert, me parece, também utilizou uma em alguns anos; a carroça freteira do Eurides Venâncio, puxada por duas mulas, que trouxe parte da mudança da Prefeitura de Capinzal para  o Distrito de Ouro, no tempo do Prefeito Horácio Heitor Breda, na década de 1950, e que foi a que mais tempo permaneceu em serviço;  e a gaiotinha do Tio Vitório Richetti, que fazia entrega de bebidas, puxada por uma mula, e que ele a utilizava também para nos levar em pescarias, subindo a serrinha dos Masson, Miqueloto e Campioni,  e estacionando-a onde hoje é o Bairro Alvorada, em Ouro, para que descêssemos a pé pelos "peraus"até o Rio do Peixe, ali acima de onde hoje é o Tio Patinhas Lanches, para encher as sacolas de lambaris, jundiás e cascudos.

         Ah, como era bom viver nas gêmeas bucólicas cortadas pelo serpenteio do Rio do Peixe, e que até 1963 eram uma cidade só!!! E, aos 16 anos, tomar um ônibus (a gasolina) para ir cobrar uma conta em  Joaçaba, a "Capital do Oeste Catarinense"... e não receber nada...  Vejam bem, 16 anos e conhecer a primeira cidade além de Capinzal. E, aos 17,  conhecer Piratuba, aos 18 Concórdia e voltar mais uma vez a  Joaçaba, para tomar um ônibus e ir a União da Vitória increver-se no vestibular ao curso de Letras. Campos Novos, fui conhecer aos 23 anos, já formado na Faculdade. E sem TV em casa! Que Universo Limitado, fechado. Em compensação, viajei pelo mundo todo, n' O Correio do Povo, Revistas Manchete, Cruzeiro e Seleções do Reader´s Digest, escritores  Machado de Assis, Jorge Amado, José de Alencar, Camilo Castelo Branco, Dalton Trevisan, Alceu eAmoroso Lima (o Tristão de Athaíde), Nelson Sicuro, Francisco Boni, Francisco Filipak, Abílio Heiss, Ivonish Furlani, (meu Patrono) Júlio Verne, William Shakespeare, Edgar Allan Poe, Jonathan Swift, Oscar Wilde, Lewis Carrol, Charles Dickens, e muitos, muitos outros incontáveis amigos de minha juventude, que entravam em minha casa a todo o dia, a toda a  hora, e não precisavem me pedir licença! E que Deus os tem em seu Reino. Obrigado, amigos, que me permitiram viajar pelo mundo.

Euclides Riquetti
31-03-2012     

domingo, 25 de março de 2012

Décima Quarta Crônica do Antigamente

          Na década de 1950, as cidades de Santa Catarina eram muito pacatas. As do Oeste e Meio-Oeste Catarinense eram pequenas. Seus moradores vieram entre 30 e 50 anos antes, a maioria originários da Serra Gaúcha, onde se situam Caxias do Sul, Farroupilha, Bento Gonçalves e outras cidades, cujos distritos originaram muitas outras. Eram filhos e netos de imigrantes italianos, que ali chegaram a partir da década de 1970. Meu familiares, de parte de minha mãe, os Baretta, chegaram em 1876. Os Richetti vieram de datas próximas às deles. Para Santa Catarina, para o antigo Distrito de Abelardo Luz, o primeiro nome da vila onde hoje se situa o Município de Ouro, vieram em meados da  década de 1920. Meu pai, Guerino,  nasceu em 1921,  e minha mãe, Dorvalina Adélia,  em 1923. Viraram moradores da Linha Bonita, embora meu pai tenha morado em outras paragens do nosso antigo Município de Cruzeiro, hoje Joaçaba.

          Ouvir as histórias que eles e os tios me contavam sempre me foi muito interessante. Ser antigo me permitiu ter vivido quando ainda nem se sabia que TV existia. E,  rádio, só alguns tinham. Dizem que na época da Segunda Guerra Mundial, quando as pessoas iam para a cidade (1939 a 1945), passavam na casa do André e da Dona Elza Colombo para saber notícias da Guerra, pois havia expedicionários nossos combatendo na Europa, mais precisamente na Itália.

          Foi justamente durante essa Grande Guerra que meu pai fugiu do Seminário,  do Instituto São Camilo, de São Paulo. Com nove anos (1932),  ingressou no Seminário de Iomerê, ele e outros vizinhos, um Boaretto, tio do Leonir, Prefeito de Capinzal, o Albino  Baretta, Padre que faleceu há poucos anos,  e não me recordo bem qual o outro.

          Em 1994 realizamos, na Linha Bonita, o Primeiro Encontro da Família Baretta, idealizado pelo amigo Albino Baretta, não o Padre, mas o filho do Pierim. O Catequista, Ministro da Eucaristia, que cuidou do irmão dele, paraplégico, o Neto, por cerca de 30 anos e que mora em Capinzal. Foi uma festa e tanto. Vieram familiares de diversos estados brasileiros. E também veio, de São Paulo, o outro Albino, o Padre, que já estava velhinho, com mobilidade limitada. Perguntei-lhe se fora amigo de meu pai, em São Paulo. Ele nada respondeu. Mais adiante o primo Rozimbo me contou o porquê de o Albino não gostar de meu pai e eu o compreendi. Fiquei muito contente por ele não gostar de meu pai. A Festa da Família Baretta foi algo bonito. Repetiu-se uma vez, mas depois não mais aconteceu.

          Devo minha vida justamente ao Padre Albino Baretta. Albino significa "alvo", "branco", bem claro. Mas foi justamente porque ele era inquieto, e aquele que viria a ser meu pai também, que eu existo. Senão vejamos:

          Os seminaristas do São Camilo, de Iomerê,  foram todos para São Paulo, na Vila Pompéia, onde meu pai ficou de 1932 a 1942, tendo, então, 19 anos. Fez ali o Colegial, equivalente ao hoje Ensino Médio, que já foi Segundo Grau. Estudava Filosofia que, pela regra, são dois anos de Filosofia e três de Teologia para que o Noviço se torne Padre. Meu pai usava batina escura, era alto e magrão, tinha óculos clássicos. Aprendera Canto Orfeônico, Francês, Italiano, até tocava piano e órgão. Gostava muito de História e Geografia, tinha sempre excelentes notas. Mas também gostava de trabalhar, costume ou hábito de todos os descendentes de italianos. Sabia lidar com o serrote, o martelo, a marreta, o nível, o metro, a colher de pedreiro, o esquadro. Os mais limitados iam de enxada, foice, picareta... Ele, bom de cálculo (ensinou-me a calcular medições de terras e volumes quando eu estava no segundo ano primário), era pedreiro. E, no Seminário, sempre havia o que fazer. Herdara do Nono Frederico as habilidades.

          Bem, num dia daqueles, estava meu pai a construir uma cancha de bochas, lá na Vila Pompéia, quando o colega Albino Baretta começou a dar palpites, em vez de ajudar. Meu pai deu-lhe uma marretada no dedão de um pé e foi sangue para tudo o que é lado.

          À noite, a Cúpula Diretiva do Seminário, embuída do maior senso de justiça, reuniu-se para decidir o futuro do rebelde Guerino. Era uma decisão difícil, que ficou adiada para a manhã seguinte. Precisavam analisar tudo, calmamente, mas, à espreita, o réu já percebia que seu destgino seria a rua, a expulsão, uma vergonha para a Família Italiana, em plena Segunda Guerra Mundial. Então, enquanto todos dormiam, jogou uma trouxa de roupas pela janela do quarto, saiu devagarinho e silenciosamente pelo corredor, sem ser percebido, e adeus seminário. É por isso que o Padre Albino é responsável por eu existir. E, terei imenso prazer erm lhe proporcionar, cara leitora, a continuidade dessa história, em próxima crônica. Enquando isso, a Marjorie Estiano e a Fernanda Montenegro ganham um descanso merecido.


Euclides Riquetti
25-03-2012