quinta-feira, 5 de abril de 2012

Apenas poetano

Espartano?
Parnasiano?
Ah, não me ufano!
Sou apenas poeta
Não, não sou profeta!
Sou apenas uma voz discreta
Sou apenas um poetano!

Jogo com as palavras
As frases, as rimas
Elas são minhas armas
Inseparáveis amigas.
Com as doces,  ou amargas
Componho as cantigas.

Sou um cantador de versos encantados:
Cantados, declamados
Versos românticos, poetados
Poetizados!
Quase sempre,  sempre rimados
Centelhas em  vocábulos, em cadeia combinados.

Versos poetados por um simples poetano:
Um simples amante das palavras, dos versos e das rimas!

Euclides Riquetti
05-04-2012

Poetano na CANTARTE

          Na terça-feira, 03/04/2012, realizamos, em Ouro, a 5ª CANTARTE - Noite do Canto, Arte e Poesia. Na verdade foi a 4ª edição, mas, por um atrapalho meu, publicamos como 5ª, mas o que nos importa mesmo é que esta aconteceu, e foi  por nós idealizada no primeiro ano da Administração Neri Miqueloto, da qual faço parte. Aliás, o evento foi possível pelo apoio que o Prefeito nos deu, pelo Rogério Baretta e a Márcia Campiomi, da Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo, que nos deram a estruturação. E pelo emprenho de nossa Presidente da APECOZ - Associação dos Poetas e  Escritores de Capinzal, Ouro e Zortea, a escritora ourense (e catarinense, por enquanto...), Maria Helena Bazzo, que liderou a organização, buscou patrocínios, e ainda atuou, com competência, na apresentação dos declamadores e dos músicos. Obrigado também à Rose Vilarino e sua colega, que atuaram na base de apoio. Já na chegada ao Clube Floresta, a surpresa pela belíssima decoração, assinada pela Hellen Crippa, de nossa cidade. Tudo bem articulado, harmônico, bonito, combinando com arte. (No hall de chegada, quadros de pinturas em óleo e mandalas, produzidos por artistas locais).

          A CANTARTE é o evento sucessor de diversos outros dos quais participamos ou ajudamos a acontecer nos últimos 20 anos em Ouro e Capinzal. Começamos com os Recitais de Poesias, em que alunos e alguns professores declamavam poesias, lá no auditório do Mater Dolorum. Lembro que algumas pessoas que hoje atuam no Jornalismo, e que foram nossos alunos no Sílvio  Santos e Belisário Pena foram instados a fazer a locução dos primeiros eventos, como o Eder Luiz, que hoje é detentor do site mais acessado do Vale do Rio do Peixe, o  "ederluiz.com", no qual costumo comentar notícias semanalmente, e o Marlo Matiello, do "vejaovale.com.br" e da Rádio Capinzal.

          Temos muitas boas lembranças daqueles recitais, onde os alunos declamavam, na maioria, poemas de sua própria autoria. Tenho uma lembrança triste, também, uma vez que, em 1998, poucos meses após declamar poesias de sua autoria, o André Franquini, meu aluno do Ensino Médio no Sílvio Santos, perdeu a vida num acidente, na Rodovia SC 303. Na noite anterior, fizera-me perguntas interessantes, na aula de Língua Portuguesa, justamente a última  que eu havia ministrado. E, no outro dia, ao voltar de Joaçaba, deparei-me com uma multidão aglomerada na estrada, no PJO, e soube da tragédia que levou-nos o talentoso André Luiz Franquini...

          Mais adiante, a Alzira  Pimenta passou a organizar os eventos "Ziza.1", "Ziza.2", e assim por diante.Quando ela foi embora, não podíamos deixar que o projeto morresse, e criamos, em 2009, a CANTARTE, que a cada ano se fortalece e ganha em qualidade, não  repetindo formatos. Neste ano, com a entrada da escritora Maria Helena Bazzo, melhoramos ainda mais, que, alías, teve uma de suas obras sendo encenada pelo Daniel,Thiago e Lainir, dirigidos pelo também competente e talentoso Luiz Alcides Dambrós, o Timus, com muita graça, talento, singeleza...

          Os presentes foram contemplados pela audição de declamações de poemas pelos próprios autores, com a participação de Evanir Riffel (Capinzal-Piratuba), Ramiro Vieira Neto (Ipira), Denize Ceccatto Bee (Pinheiro Preto), Jaime Telles (Joaçaba), Jorge Augusto da Silva (Ouro - gaúcho recém chegado), e este que vos escreve, Euclides Riquetti.

          Além de toda a arte poética expressa nos poemas e na encenação, fomos brindados pela presenta do uruguaio radicado em Concórdia, "Ramón Borges" e seu companheiro Leonel, que desfilaram um repertório musical de alto nível, encantando todos os presentes e sendo aplaudidos.

          Ao final, ao agradecer a presença deles, possibilitada pela escritora Maria Helena, falei: "Quem tem Ramón Borges e Leonel não precisa de Michel Teló!!!", e fui secundado por risos e aplausos,. mostrando que os quase 200 presentes ao evento conhecem muito bem a verdadeira arte de cantar.

          Aliás, êta público qualificado. Nem os pequeninos deixavam de apreciar tudo, aplaudir tudo. E isso é muito gratificante, anima o poeta, o escritor, o músico verdadeiro, aqueles que cultivam e preservam a arte.

          Obrigado a todos os que ajudam a preservar a  verdadeira arte, em espcial a poesia!


Euclides Riquetti
05-04-2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Décima Quinta Crônica do Antigamente (O Seminarista...)

          Bem, já te  falei, leitora, que meu pai, Guerino Richetti, depois Riquetti, foi seminarista no São Camilo, na Vila Pompeia, em São Paulo. E, que por dar a marretada no dedão do colega noviço Albino, precisou fugir, vivendo clandestinamente, durante dois anos, na Segunda Guerra Mundial, no centro da Capital Paulista.

          Se gostas de Literatura, deves conhecer a história melodramática, com um final inafortunado para os personagens, Eugênio e Margarida, escrita em 1872 pelo mineiro Bernardo Guimarães. Gostavam-se, mas foram separados, ele mandado para um Seminário. Formado padre, volta para sua cidade natal, esperando  rezar sua primeira missa,  e reencontra Margarida, sua inesquecível paixão. Entregam-se, apaixonadamente, numa noite de amor, embora ela esteja com a saúde debilitada. Ao ser convocado para a celebração de sua primeira missa, a encomendação de um corpo, que verifica ser de sua amada. Sai correndo, em direção à porta da igreja, enlouquecido, louco, louco...

          Voltando à história de meu pai, ao fugir do noviciado, foi procurar sua madrinha. Todo o seminarista, em qualquer cidade, tem sua madrinha, que lhe lava as roupas, manda-lhe um bolo no aniversário, e que até o leva para almoçar em sua casa alguma vez por ano. Ela o recebeu, ouviu sua história e, com cumplicidade, acolheu-o e protegeu-o. Arrumou-lhe empregos, um de padeiro, entregador de pães, com cesta e bicicleta, e outro de ajudante de açougueiro, entregador de carnes com uma charrete. Não sei qual foi o primeiro, pois o perdi em 1977, quando ele tinha 55 anos e eu nem completara meus 25 ainda. Era a hora em que eu estava começando a aproximar-me mais dele, pois voltara da Faculdade, formado, com família, morando perto, em Duas Pontes, hoje município de Zortéa. Voltei em fevereiro, ele se foi em 18 de junho, nos vimos algumas vezes, ele muito debilidtado e passando a maior parte do tempo em Florianópolis, internado no Hospital de Caridade. Num momento favorável de minha vida ele nos deixou...

           Contara-me, em minha infância, algumas histórias fascinantes sobre o avô dele, Pachoal Richetti, que foi criado no orfanato de Veneza, onde foi parar aos dois anos de idade, em meados do Século XIX, após ter sua família dizimada em uma guerra. Contara-me sobre as malandragens no seminário, onde tinha que esconder alguma moeda que tivesse ganho, pois os padres não queriam que tivesse dinheiro. Uma vez jogara uma pela janela, no gramado, para que não lha tirassem, e nunca mais achou...Contara-me sobre a vez que, com sua bicicleta, atingiu uma senhora em meio às pernas, rasgando-lhe a saia, e teve que abandonar a bicicleta do patrão, para não ser preso, pois não se alistara para a Guerra, sendo os seminaristas e padres dispensados do serviço militar, mas que ele fora denunciado pelos padres, em razão da fuga. Não sendo mais seminarista, deveria alistar-se, e ele nem documentos tinha. Assim, viveu e trabalhou, clandestinamente, em São Paulo, por dois anos, após 9 de seminário.

          O seminário era localizado distante uma seis quadras do Palestra Itália, hoje Palmeiras, que era o time para o qual os padres italianos torciam. E os seminsristas assistiam jogos gratuitamente, pois até a dentista do seminário (mulher, naquele tempo, já era dentista, vejam...) e ela tinha dois irmãos, de sobrenome Mazzilli, que jogavam no Palestra. meu pai viu construírem o Palestra Itália, um jardim suspenso (pesquisem sobre isso), e o Estádio do Pacaembu, que, segundo ele, se situou sobre o rio Pacaembu, sei lá se canalizado ou aterrado.

          Eram vizinhos de um cidadão muito ilustre, o maior empreendedor brasileiro de todos os tempos, o Conde Francesco Matarazzo, dono de um império industrial fabuloso, que até mandara dólares americanos para que a Itália se sustentasse durante a Primeira Guerra Mundial. E que faleceu em 1937, quando meu pai tinha 14 anos. Mas a história do meu pai e seus amigos com o Comendador Matarazzo eu contarei numa crônica próxima, pois agora, neste momento, não posso, não conseguiria, porque estou com vontade de chorar...

Euclides Riquetti
02-04-2012

         

sábado, 31 de março de 2012

Saudosa lembrança de uma cidade bucólica e outras reflexões

          Houve um tempo em que apenas algumas ruas de Capinzal ( e seu Distrito, Ouro), dispunham de pavimentação com paralelepípedos. Na margem esquerda do Rio do Peixe, havia calçamento, com paralelepípedos,  em parte da Rua XV de Novembro e parte da Carmelo Zóccoli. Em Ouro, o calçamento vinha de onde é hoje a Prefeitura até defronte o Seminário Nossa Senhora dos Navegantes, mais precisamente até a casa do Amélio Dalsasso, onde hoje mora o Sr. Jardino Viel. Era uma casa de madeira, cor alaranjada, madeira beneficiada, telhas francesas no teto. Aliás, a maioria dessas telhas vinham da Cerâmica Santa Cruz, de Canoinhas, famosas pela excelente qualidade,  mas havia algumas fabricadas em Alto Alegre, Capinzal, porém não chegavam a atingir a qualidade das de Canoinhas. As nossas eram utilizadas para cobrir paióis e chiqueiros, sucedendo as tabuinhas de madeira falquejadas, que os italianos chamavam de "scandoles", utilizadas largamente para cobrir casas e outras benfeitorias desde 1902, pelos "brasileiros", e a partir de 1910 pelos "italianos", até a década de 1950.

          Muito interessante é que na XV, na quadra que vai do Bradesco e prédio do Mência, até o prédio do Saul Parizotto e o da família Henrique, havia argolas de aço fixadas ao chão, nos meio-fios, dobráveis ao chão para que não  tropeçássemos nelas, onde se podiam amarrar os animais de montaria, ou mesmo os bois que arrastavam as carroças, ou os animais de puxavam as charretes. Para que não fugissem, enquanto seus donos faziam negócios, entregando mercadorias no comércio, bebidas, ou vendendo pão.

          Restam, em minha memória,  a charrete do Santo Boff, que levava  bebidas aos bares; a carroça da Comercial Baretta, conduzida pelo Juca Rupp, que entregava ranchos e buscava mercadorias na estação ferroviária;  a charrete da Padaria Cadorin, tendo o Artêmio Tonial e depois o Alcebides Soccol como pilotos; o Ari Wilbert, me parece, também utilizou uma em alguns anos; a carroça freteira do Eurides Venâncio, puxada por duas mulas, que trouxe parte da mudança da Prefeitura de Capinzal para  o Distrito de Ouro, no tempo do Prefeito Horácio Heitor Breda, na década de 1950, e que foi a que mais tempo permaneceu em serviço;  e a gaiotinha do Tio Vitório Richetti, que fazia entrega de bebidas, puxada por uma mula, e que ele a utilizava também para nos levar em pescarias, subindo a serrinha dos Masson, Miqueloto e Campioni,  e estacionando-a onde hoje é o Bairro Alvorada, em Ouro, para que descêssemos a pé pelos "peraus"até o Rio do Peixe, ali acima de onde hoje é o Tio Patinhas Lanches, para encher as sacolas de lambaris, jundiás e cascudos.

         Ah, como era bom viver nas gêmeas bucólicas cortadas pelo serpenteio do Rio do Peixe, e que até 1963 eram uma cidade só!!! E, aos 16 anos, tomar um ônibus (a gasolina) para ir cobrar uma conta em  Joaçaba, a "Capital do Oeste Catarinense"... e não receber nada...  Vejam bem, 16 anos e conhecer a primeira cidade além de Capinzal. E, aos 17,  conhecer Piratuba, aos 18 Concórdia e voltar mais uma vez a  Joaçaba, para tomar um ônibus e ir a União da Vitória increver-se no vestibular ao curso de Letras. Campos Novos, fui conhecer aos 23 anos, já formado na Faculdade. E sem TV em casa! Que Universo Limitado, fechado. Em compensação, viajei pelo mundo todo, n' O Correio do Povo, Revistas Manchete, Cruzeiro e Seleções do Reader´s Digest, escritores  Machado de Assis, Jorge Amado, José de Alencar, Camilo Castelo Branco, Dalton Trevisan, Alceu eAmoroso Lima (o Tristão de Athaíde), Nelson Sicuro, Francisco Boni, Francisco Filipak, Abílio Heiss, Ivonish Furlani, (meu Patrono) Júlio Verne, William Shakespeare, Edgar Allan Poe, Jonathan Swift, Oscar Wilde, Lewis Carrol, Charles Dickens, e muitos, muitos outros incontáveis amigos de minha juventude, que entravam em minha casa a todo o dia, a toda a  hora, e não precisavem me pedir licença! E que Deus os tem em seu Reino. Obrigado, amigos, que me permitiram viajar pelo mundo.

Euclides Riquetti
31-03-2012     

domingo, 25 de março de 2012

Décima Quarta Crônica do Antigamente

          Na década de 1950, as cidades de Santa Catarina eram muito pacatas. As do Oeste e Meio-Oeste Catarinense eram pequenas. Seus moradores vieram entre 30 e 50 anos antes, a maioria originários da Serra Gaúcha, onde se situam Caxias do Sul, Farroupilha, Bento Gonçalves e outras cidades, cujos distritos originaram muitas outras. Eram filhos e netos de imigrantes italianos, que ali chegaram a partir da década de 1970. Meu familiares, de parte de minha mãe, os Baretta, chegaram em 1876. Os Richetti vieram de datas próximas às deles. Para Santa Catarina, para o antigo Distrito de Abelardo Luz, o primeiro nome da vila onde hoje se situa o Município de Ouro, vieram em meados da  década de 1920. Meu pai, Guerino,  nasceu em 1921,  e minha mãe, Dorvalina Adélia,  em 1923. Viraram moradores da Linha Bonita, embora meu pai tenha morado em outras paragens do nosso antigo Município de Cruzeiro, hoje Joaçaba.

          Ouvir as histórias que eles e os tios me contavam sempre me foi muito interessante. Ser antigo me permitiu ter vivido quando ainda nem se sabia que TV existia. E,  rádio, só alguns tinham. Dizem que na época da Segunda Guerra Mundial, quando as pessoas iam para a cidade (1939 a 1945), passavam na casa do André e da Dona Elza Colombo para saber notícias da Guerra, pois havia expedicionários nossos combatendo na Europa, mais precisamente na Itália.

          Foi justamente durante essa Grande Guerra que meu pai fugiu do Seminário,  do Instituto São Camilo, de São Paulo. Com nove anos (1932),  ingressou no Seminário de Iomerê, ele e outros vizinhos, um Boaretto, tio do Leonir, Prefeito de Capinzal, o Albino  Baretta, Padre que faleceu há poucos anos,  e não me recordo bem qual o outro.

          Em 1994 realizamos, na Linha Bonita, o Primeiro Encontro da Família Baretta, idealizado pelo amigo Albino Baretta, não o Padre, mas o filho do Pierim. O Catequista, Ministro da Eucaristia, que cuidou do irmão dele, paraplégico, o Neto, por cerca de 30 anos e que mora em Capinzal. Foi uma festa e tanto. Vieram familiares de diversos estados brasileiros. E também veio, de São Paulo, o outro Albino, o Padre, que já estava velhinho, com mobilidade limitada. Perguntei-lhe se fora amigo de meu pai, em São Paulo. Ele nada respondeu. Mais adiante o primo Rozimbo me contou o porquê de o Albino não gostar de meu pai e eu o compreendi. Fiquei muito contente por ele não gostar de meu pai. A Festa da Família Baretta foi algo bonito. Repetiu-se uma vez, mas depois não mais aconteceu.

          Devo minha vida justamente ao Padre Albino Baretta. Albino significa "alvo", "branco", bem claro. Mas foi justamente porque ele era inquieto, e aquele que viria a ser meu pai também, que eu existo. Senão vejamos:

          Os seminaristas do São Camilo, de Iomerê,  foram todos para São Paulo, na Vila Pompéia, onde meu pai ficou de 1932 a 1942, tendo, então, 19 anos. Fez ali o Colegial, equivalente ao hoje Ensino Médio, que já foi Segundo Grau. Estudava Filosofia que, pela regra, são dois anos de Filosofia e três de Teologia para que o Noviço se torne Padre. Meu pai usava batina escura, era alto e magrão, tinha óculos clássicos. Aprendera Canto Orfeônico, Francês, Italiano, até tocava piano e órgão. Gostava muito de História e Geografia, tinha sempre excelentes notas. Mas também gostava de trabalhar, costume ou hábito de todos os descendentes de italianos. Sabia lidar com o serrote, o martelo, a marreta, o nível, o metro, a colher de pedreiro, o esquadro. Os mais limitados iam de enxada, foice, picareta... Ele, bom de cálculo (ensinou-me a calcular medições de terras e volumes quando eu estava no segundo ano primário), era pedreiro. E, no Seminário, sempre havia o que fazer. Herdara do Nono Frederico as habilidades.

          Bem, num dia daqueles, estava meu pai a construir uma cancha de bochas, lá na Vila Pompéia, quando o colega Albino Baretta começou a dar palpites, em vez de ajudar. Meu pai deu-lhe uma marretada no dedão de um pé e foi sangue para tudo o que é lado.

          À noite, a Cúpula Diretiva do Seminário, embuída do maior senso de justiça, reuniu-se para decidir o futuro do rebelde Guerino. Era uma decisão difícil, que ficou adiada para a manhã seguinte. Precisavam analisar tudo, calmamente, mas, à espreita, o réu já percebia que seu destgino seria a rua, a expulsão, uma vergonha para a Família Italiana, em plena Segunda Guerra Mundial. Então, enquanto todos dormiam, jogou uma trouxa de roupas pela janela do quarto, saiu devagarinho e silenciosamente pelo corredor, sem ser percebido, e adeus seminário. É por isso que o Padre Albino é responsável por eu existir. E, terei imenso prazer erm lhe proporcionar, cara leitora, a continuidade dessa história, em próxima crônica. Enquando isso, a Marjorie Estiano e a Fernanda Montenegro ganham um descanso merecido.


Euclides Riquetti
25-03-2012

sexta-feira, 23 de março de 2012

Uma perda sentida

          No úlimo domingo, 18/03/2012, perdemos o querido Kiko. Morava em Pato Branco, PR, e trabalhava na Plásticos Pato Branco.

          O Kiko nasceu Anilton Carmignan, tinha 47 anos. Era gente muito boa, humilde, excelente pai e esposo, admirável amigo de todos. Deixou a esposa, Margrith, e os filhos Maurício e Frederico, de quem gostava muito, muito. Agora foi morar "lá no céu". E foi mesmo, pois era uma pessoa que só fez o bem, respeitou os outros, e conquistou, pelo  seu modo de ser,  uma legião de amigos.

          Seus muitos colegas de trabalho e familiares o acompanharam até sua última morada. Os colegas disseram-me que todos gostavam muito dele, e a presença de tantos me atestou isso. Lá, fiquei sabendo, pela sua patroa, Dona Vera, que nas reuniões na Empresa, ao final, sempre dizia: "É preciso que todos vistamos a camisa da empresa. E também a do Vasco da Gama".  Vascaíno como eu, como seu irmão Emílio, que o acompanhou mais de perto em toda a sua vida, o Kikão (que tinha tamanho de kikinho), teve problemas cardíacos e nos deixou aos 47 anos.

          Foi mais uma centelha que se desprendeu da terra, flutuou pelo espaço, perdeu-se na imensidão, e foi juntar-se ao Sírio, seu irmão que antecipou sua subida, ainda em 1994. Dona Ana, 82 anos, conseguiu manter-se firme, msmo tendo perdido seu neném.. A mana Sirlei, teve que ficar cuidando do Tio Celso, em Curitiba, hospitalizado. A Tia Bea, Tia Mirtes, Tio Jorge, a Mirian,  e o Tio Milo ficaram muito desolados. O Tio Kiko era um bibelozinho, um ursinho de estimação. Agora é uma daquelas estrelinhas que pode ser vista nas noites, no firmamento, em meio a tantas outras. É aquela estrelinha pequena, mas que tem um brilhozinho especial, que só pode ser identificado pelos que já aqui a conheciam.

          Que Deus, que o acolheu, abençõe todos os que ficaram!

Euclides Riquetti
23-03-2012

quinta-feira, 15 de março de 2012

Medos

Medos
Segredos
Anseios
Devaneios!

Dizer
Ver
Crer
Viver!

Dizer segredos
Ver devaneios
Crer nos anseios
Viver  sem os medos.

Viver aqui
Viver ali
Viver em ti
Viver por ti.

Viver, viver, viver
Viver e acreditar
E poder dizer, dizer:
Perto de ti ... ficar, ficar!

terça-feira, 13 de março de 2012

Décima Terceira Crônica do Antigamente

          Conheci o Jayme Monjardim quando eu tinha 37 anos. Por força de meu cargo público,  era instado, constantemente,  a participar de eventos que reuniam "gente fina". Alguns me consideravam "da fina" e me convidavam. Com isso,  conheci muita gente importante, até famosa. (Há pessoas importantes e isso não significa que sejam famosas, como você, leitora, por exemplo, que mora em meu coração). Num aniversário meu, havia, coincidentemente, um evento no Clube Floresta, em Ouro, e uma convidada muito especial: Márcia Kiatkoski, Miss Brasil. Era uma paranaense de Curitiba e ganhei dela um beijinho "de sobrinha", no rosto, e uma abraço pelo aniversário.

          De outra feita, estavam filmando a novela "História de Ana Raio e Zé Trovão", em Treze Tílias, e, na condição de Prefeito em Ouro, fui convidado pelo Rudi Holwailler, Prefeito de lá, para participar do Baile dos Artistas. Fomos com a Vera e o Caio Zortéa, nossos amigos "de verdade". Lá,  conhecemos o Monjardim, que era marido da bela Ingra Liberatto, a "Ana Raio", que fazia par com o Zé Trovão, o magnífico Almair Satter (Ando devagar porque já tive pressa...). Ai, que vontade de chorar!...

          São 22 anos que se passaram. Agora, depois de muitos trabalhos na TV e de dirigir "Olga", no cinema, o Jayme Monjardim volta à telona com uma adaptação de " O Tempo e o Vento". (Vai ser de chorar de emoção). O nome já diz tudo, e o saudosismo fica intenso nessas ocasiões, principalmente para nós que já subimos uns 60 degraus para chegar no "deck" da maturidade. E, sabem quem estará estrelando o filme: nada mais nem ninguém do que Fernanda Montenegro, Thiago Lacerda e, sabem quem? Marjorie Estiano!!!

          Na primeira vez que referi a ela, falei que ela tinha o talento da Fernanda Montenegro, que era poprroqueira, que virara atriz, que apenas o talento a deixava bonita. Agora, já estou convencido: Ela é bonitaça! E está mais madura, mais experiente.  Vai fazer muito sucesso. O Diretor do filme , o Jayme, é filho do André Matarazzo e da cantora Maysa. Aposte: a produção vai ser sucesso nacional e internacional.

          Quando assistíamos aos filmes no "Cine Glória" ou no "Cine Farroupilha", em Capinzal, e éramos "teens", não imaginávamos que um dia nos tornaríamos "razoavelmente antigos". E quem nos trazia as alegrias era o Armando  Viecelli, depois o colega Eraldo Markus, com  quem estudei minha "Contabilidade", na CNEC. Hoje, veio a TV, a redenet, os mais fornidos (não estou dizendo fornicados...), já têm ipad, iphone, etc. Mas, todas essas maravilhas nos permitem acesso rápidfo à informação. E, quando nos damos conta disso, percebemos o quanto já somos vividos, antigos! Mas podemos dizer que, em nossa cidade, tivemos muitos privilégios: uma juventude muito bacana, oportunidade de estudar, cinema, boates, amigos, amigas...

          É, acho que nossa geração  viveu a época melhor da História. Estivemos na linha divisória do convencional para o avançado. Apeveitamos os tempos bucólicos e estamos presenciando a era dos alcoólicos, em que se bebe cerveja como água. Ser antigo me permite analisar, friamente, todas as transformações que acontecem, cada vez em maior velocidade.

Euclides Riquetti - um seu criado
14-03-2012

         

domingo, 11 de março de 2012

Vá lá pra fora

Vá lá pra fora
Olhe as estrelas
É possível vê-las
Bem agora. ( São quase 23 horas...)

Olhe pro céu infinito
Negritude prateada
Noite abençoada
Firmamento bendito.

Pense comigo:
A noite é dos sonhadores
Dos  sentimentos avassaladores
E eu me perco contigo.

As estrelas, o céu, os sonhos
Os teus olhos risonhos
Os teus pensamentos (medonhos?)
Me tornam menino, menino!

E alguém imprime um destino:
Você!

Euclides  Riquetti
11-03-2012

sábado, 10 de março de 2012

Apenas me abrace

Apenas me abrace
E,  se quiser, me beije
Mas não me deixe
Me abrace, me abrace...

Apenas me abrace
E diga que me ama
Que seu coração... me chama
Me abrace, me abrace...

Apenas me queira
Me deseje, me beije
Me beije , me deseje
Me queira, me queira...

Apenas me diga
Me sinta, me minta
Me minta, me sinta
Mas me diga, diga:

Faça-me acreditar
(Faça-me pensar)
Que vale a pena sonhar
E amar... amar... amar!

Euclides Riquetti
10-03-2012

sexta-feira, 9 de março de 2012

Para as mulheres

             "A mulher foi concebida naturalmente tão perfeita, que se fosse um árvore e perdesse as flores ainda continuaria charmosa; se perdesse as folhas,  tornar-se-ia  um corpo sublime; se perdesse os galhos, permanceria sendo mulher; se lhe tomassem as raízes, restaria como um anjo, divina,  flutuante, elegante, frágil mas  forte,  exalando  amor e esperando respostas. Almas não se destroem: recompõem imagens, corpos, seres. Mulheres serão sempre perfeitas. Mulheres serão sempre mulheres, acima de tudo. E de todos!"

Minha homenagem a você, mulher!

Euclides Riquetti
08 de março de 2012

segunda-feira, 5 de março de 2012

Fria manhã

Fria manhã cinzenta de maio
Mês da mãe, da noiva, da mulher
Manhã que inspira o desejo da noie
Da cama, do lençol, de alguém que se quer...

Fria manhã dos pensamentos perdidos
Dos sentimentos sentidos
Do amor escondido
Do olhar proibido...

Fria manhã das almas confusas
Das palavras difusas
Das mensagens escusas
Das ninfas... e das musas.

Fria manhã do encontro casual
Do cumprimento informal
Do olhar fatal
Do tratamento legal...

Bom dia!
Com muita alegria!
Com muito carinho, amor, nostalgia...
Bom dia!

Euclides Riquetti
05-05-2006

sábado, 3 de março de 2012

Décima Segunda Crônica do Antigamente

        Dia desses, um dia como outro qualquer, daqueles em que nada de novo acontece (e eu adoro rotina), eu observava uns meninos conversando. Eram três. Deveriam ter, no máximo, uns nove anos de idade:
          - "As coisas não são mais como no nosso tempo de criança. Veja, nem conseguem mais brincar. Antigamente, a gente pegava uma bola velha e arrumava um campinho, nem que fosse na frente da casa da gente, na rua, e se divertia. Brincava de se esconder, de por apelidos uns nos outros, de soltar pipa! Agora, tem gente que nunca viu uma pipa, nem sabe o que é um carrinho de rolimã!"

          Meu Santo e Venturoso Deus! Minha Santa, Imaculada e Sempre Virgem Maria! Se esses, em tenra idade, já falam assim, como se o outro dia fosse um "antigamente", imagine, leitora, nós, do quinto e do sexto andar?

          Que bom que eles já conseguem perceber que a vida anda depressa, que o tempo passa célere, que as manhãs de hoje não voltam mais, que um momento que se deixa de viver agora pode não mais acontecer? E, lamentar essas coisas, faz com que eles se sintam vivos, sejam e estejam presentes, percebam a dinâmica do mundo...Ah, que bom se nossa antiguidade, a minha, a sua, fosse tão recente como a deles?!!

          Nós podemos medir nossa idade, nossa trajetória, pelas coisas que fizemos. Ou pelas que deixamos de fazer... pelos livros que lemos, pelas novelas que já acompanhamos,  pelos filmes a que assistimos e que de quando em vez voltam à cena em nossa mente, pelas fotografias que olhamos no álbum, principalmente por aquelas em que estamos junto com alguém querido, dançando, ou numa viagem maravilhosa. E vale também medir pela quantidade de vezes que marchamos num Sete de Setembro, pelos aplausos com que a Dona Maria Fávero, entusiasmada, nos animava em nossas marchas, quando descíamos, devidamente paramentados, garbosamente enfileirados  a Rua Ernesto Hachmann, em Capinzal, tocando bumbo, tarol ou caixa, secundados pelas cornetas que seguiam o Oneide e o Severino Andrioni. Ah, que bons tempos! Que "antigamente" maravihoso... E as marialuizas, denizes, sônias, neuzas, marildas,  marias, teresinhas e terezinhas, anamarias, naires, angelinas, elziras, alziras...

          Ah, a vida da gente é sempre muito maravilhosa, dependendo de como a encaramos, como a sentimos, como a percebemos. E é bom percebê-la já, não esperar que seja tarde.

          Minha musa, Marjorie Estiano, a Manu, despediu-se ontem de "Vida da Gente". De mãos dadas com o Rodrigo e a Julinha. Ela possibilitou que a adorável Júlia recebesse um tiquinho de seu fígado, em transplante,  e isso salvou a menina e o fim da novela. Aliás, a novela foi legal porque o casamento ocorreu já no início, e casamentos de início de filme, novelas e livros, quando acontecem no início, dão só  problemas e mais problemas. E não teve no final. Nem reconciliação teve. Agora a Marjorie está desempregada. Vamos ver qual vai ser seu primeiro emprego. Será na Globo ou no cinema?

          Sabe, o Francisco Cuoco, na novela, estava idosão, pilantrão, bem diferente daquele que fazia pares românticos com a Regina Duarte, a "Namoradinha do Brasil", há quatro décadas. É, ser antigo me permite ver o de "dantes" e o de agora. E deixar escrito, aqui, meus pensamentos, minhas saudades e minhas emoções.

Euclides Riquetti
03-03-2012


      

quinta-feira, 1 de março de 2012

Buscar-te (poema das 23 horas)

Buscar viver
Perto de ti
Perto de um rio
Perto de um mar.

Buscar viver
Buscar sorrir
Tornar a ti
Tornar a amar.

Buscar-te incessantemente
Perdidamente
Desesperadamente
Esperançosamente.

Apenas buscar-te
Estar perto de ti.
Apenas abraçar-te
Ver-te sorrir.

Encontrar-te:
Suavemente
Carinhosamente
Amorosamente...

E beijar-te!

Euclides Riquetti
02-03-2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Décima Primeira Crônica do Antigamente

          Ser antigo é uma arte. Digamos que seria a capacidade mais madura de entender o mundo ou, como dizia a professora-tia-pedagoga, "ler melhor o mundo".

         Na Educação tantas e tantas vezes encontramos modismos. Defendemos ideofilosofias, repetimos palavras que alguém  nos colocou na boca. Há as ondas, mas também há muito engajamento, muitas ideias novas, bandeiras novas, gente tornando-se cada vez mais competente ( e dominando competências), competindo, compelindo. Fiquei antigo na Educação, trabalhei mais de 30 anos em sala de aula, não parei nem quando exerci um mandato eletivo. E, nesses anos, muitas amizades, que nos deixam com muitas saudades...

          Mas o propósito de meus escritos me remete aos tempos de minha infância, lá do Mater Dolorum, do "Colégio Velho", de madeira, no alto do morro, em Capinzal. Depois veio o prédio suntuoso, em alvenaria. Por um capricho de um gestor político os prédios públicos da esfera estadual passaram a ser vermelhos e verdes, cores fortes, cuja tinta vai desbotar rapidamente, pois é isso que acontece com cores escuras expostas ao sol. A Educação deveria trabalhar com cores claras, que acalmam, que denotam suavidade, harmonia, entendimento, cumplicidade entre os entes. Acho as cores fortes agressivas, pois agridem os olhos do mais simples mortal, mas, sobretudo, agridem a alma deste humilde cronipoeta...

          E como são boas as lembranças de nosso "Colégio", da mesa de pingue-pongue, onde a Vênus Siviero fazia sucesso e até a Dona Shirley, educada e delicada, ia bem com a raquete, o Milvo jogava com os dedos serrados na circular do Fávero, e o Dilvo Tonini (que veio do Paraná), esbanjava charminho junto às garotas, e nós, outros, morríamos de inveja! Inticar com a Marlene Totti, brigar com os seminaristas, olhar a caçamba amarela das irmãs carregando terra,  comprar doces no botequinho, sujar os dedos de tinta com aquelas canetas porqueiras compradas na loja do Turco, ganhar bergamotas e, sobretudo, dar risadas. Sim, rir, muito, rir da vida, de nossos êxitos, de nossos infortúnios, mas rir sempre, naqueles tempos que nem se sabia que a tal depressão pudesse existir. Lembrar de meus bem verdes 8, 10, 12 anos,  me dá muita, muita saudade... Lembrar os jogos de "caçador" na quadra de terra, ou no subsolo do prédio novo, olhar os peixinhos na gruta, levar bilhetinhos para a família receber e devolver assinado quando fazíamos bagunça.

          Sim, família, naquele tempo, contava muito. As pessoas respeitavam, viviam de maneira simples, as famílias se visitavam, se ajudavam. Hoje, parece que isso está desaparecendo. E, enquanto isso, o tempo passa, como está passando o tempo da novela Vida da Gente, bem agora que a Marjorie Estiano foi escolhida, como Manu, tia da Julinha, para doar-lhe um pedaço de seu fígado, para salvá-la do risco de morte que se torna iminente, em razão de uma hepatíte aguda. É, se fosse naquele tempo, não haveria esperanças. E, ser antigo, nos possibilita ver o passado, e admirar quantas maravilhas a tecnologia pode nos oferecer. Perde-se de uma maneira, mas ganha-se de outra... Que bom!!!

Euclides Riquetti
28-02-2012