sexta-feira, 30 de novembro de 2012
O mundo vai acabar dia 21??!!
A indagação soa cômica mas, assim como existem, especialmente aqui no Vale do Rio do Peixe, pessoas que ainda compram bilhetes premiados de loteria, não é difícil de se imaginar quantos andam preocupados com o fim do mundo, que vai acontecer no próximo dia 21. Na semana passada, uma coitadinha de um velhinha viu seu mundo quase acabar ao dar mais de vinte mil por um bilhetre premiado. Virou notícia, os internautas comentaram barbaridades sobre a ganância das pessoas. Ficou lograda e mal falada, a agora pobre velhinha.
Para o Joelmir Betting, jornalista renomado e muito bem versado em Economia, o mundo acabou anteontem. Virou cinzas. E, para quantos outros ainda vai acabar nas três semanas que nos restam...
Quando saí para o trabalho, bem de madrugadinha, fui observando a paisagem, as pedras e as árvores que margeiam as rodovias, as fábricas, as casas, e imaginando como tudo isso vai ficar depois do fatídico dia 21 do novo mês, tão temido, capaz de tirar o sono de tantos e de tantas, (ou de tontos e de tontas), quando o mundo vai acabar. Transitei na frente de dois motéis e aventei com a possibilidade de que muitos estejam aproveitando para gastar seu dinheirinho ganho com tanto suor por ali mesmo, suando o suor do prazer, bem melhor do que o outro, o do trabalho...
Muitos amigos estão discutindo, exaustivamente, a questão der o mundo acabar. O Ademir Belotto escreveu no jornal A Semana que até cancelou ou adiou suas férias, marcadas para o dia 20, embora entenda que isso não vai acontecer. Claro que ele está apenas zoando.
Lembrei-me de que quando eu tinha uns oito ou nove anos, estavam construindo a casa do Valdemar Baréa, dentista, em Capinzal, e fomos, com meu primo Dinho Casara e o Chiquinho Biavatti, espiar os buracos abertos para os pilares, que já continham água. E já corria a conversa de que o mundo iria acabar por aqueles dias. Iria vir uma escuridão de sete dias e sete noites. Eu não entendia porque haveria escuridão de noite se a noite já era bem escura, mas fiquei com muito medo. Não queria ficar sem meu pai, minha mãe, meus irmãos... Meus amigos gastaram seus dinheirinhos, notas de um e dois cruzeiros, comprando pés-de-moleque, picolés, caquis, e indo ao Cine Glória. Não valia a pena correr o risco de não gastar e perder tudo se o mundo acabasse nos dias seguintes. As notícias no rádio eram assustadoras. Por via das dúvidas, deixei uns três cruzeiros para a eventualidade de continuar existindo, o que acabou se concretizando. Quem gastou, ficou liso, leso e louco, com o dizíamos na época.
De minha parte, proponho levar minha vida normalmente nas próximas três semanas. Até já programei uma belíssima viagem para o início do ano, vou conhecer novos lugares, aqui pertinho, na América do Sul mesmo, vou deleitar-me em mordomias, afinal, trabalhei tantos anos e mereço uma compensação, um presente que vou dar a mim mesmo. Vou amaciar meus tênis correndo todos os dias, nadar, assistir a bons filmes românticos e comédias, tomar muito sorvete, comer chocolate Diamante Negro, igualzinho daquele que havia no Bar Avenida, em Ouro, na minha infância, mas que eu não podia comprar porque o dinheiro era curto. Vou comer, também, chocolate branco, crocante, bombons artesanais iguaizinhos daqueles de Treze Tílias e de Gramado. E tomar uns vinhos de altitude, Cabernet Sauvignon ou Sauvignon Blanc, a mãe das uvas do mundo. Pode também ser Chardonay, mas as safras têm que ser 2000, 2002, 2004 e 2005, preferencialmente nessa ordem, pois foram as melhores da década passada. Quero ir de novo para Curitiba, nem que seja para comer aqueles salgadinhos ali daquelas ruas que cruzam a Rua das Flores, que os chineses fazem, apenas isso. Ah, não posso esquecer-me de algo muito importante: vou internetar muito, muito!
Mas há algumas coisas que me fazem matutar, diante da possibilidade de algo estrondoso (poder ser um grande estrondo) vir a acontecer. E, se tudo se confirmar, o Palmeiras não vai precisar disputar a série B. E todos aqueles prefeitos e vereadores que se elegeram, vão passar em branco, sem posse, mesmo tendo conquistado, legitimamente, seu cargo. E o Obama, vai continuar Presidente?
E você, está fazendo o quê? Como vai encarar isso? Já se programou? Tem também um Plano B para o caso de que o mundo não acabe?
Se acabar, vai ter algumas vantagens: Não vai precisar renovar o seguro do carro, pagar IPVA, licenciamento, Plano de Saúde.
Quando o mundo acaba, o seguro paga os prêmios a quem, se todos vão morrer? Será que os donos das seguradoas têm seguro para si, sua casa, seus carros e seus aviões? Sim, porque, teoricamente, dono de seguradora pode ter um avião, diferente de nós, simples mortais, que no máximo andamos neles, muitas vezes à custa de 10 vezes no cartão...
E todos aqueles carros que foram comprados com a redução do IPI, vão ficar esmagados, ou vão virar pó? As moças que se casaram agora vão ser devolvidas ao vento sem terem conhecido os dois lados do casamento? As promoções nas lojas, que valem até dia 31 de dezembro, como ficam depois do dia 21? E as sogras, vai acontecer o que com elas?
O négócio, mesmo, é esperar para ver o que acontece. Vou fazer como quando era criança: Não vou sair por aí gastanho todos os meus trocos. Vai que o mundo não acabe?
Euclides Riquetti
30-11-2012
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
A Identidade Visual de Nossas Cidades
Você poderia me dizer que elemento identifica a cidade em que nasceu ou onde mora? Há, por acaso, uma fotografia que, quando alguém vê, permite identificar sua cidade? Difícil, né? Penso que isso ocorre porque não há a devida preocupação com esse item importante para a sua divulgação. Além disso, mais do que ter significação para os seus cidadãos, deve tê-la para potenciais visitantes, que ajudam a mover a economia local. Investem-se recursos na propaganda do nome da cidade, sem muitos resultados, quando a identidade visual pode proporcionar uma divulgação com pouco custo. Publicitários e designers criam marcas, logos, para a identidade visual das cidades, como fazem para caracterizar certos eventos. Mas estas, dificilmente emplacam.
Mas somos unânimes em identificar algumas cidades ou países do mundo que têm algo bem característico, e que isso está aliado ao seu aspecto histórico ou mesmo por qualquer outra convenção. São muitos os exemplos:
O Coliseu (Colosseo), identifica facilmente, Roma., na Itália. O Templo de Atenas, a Capial da Grécia. A Ponte Hercílio Luz, Florianópolis. A torre Eiffel, Paris. Um cidadão de bigode, com um chapéu de confeiteiro ou cozinheiro na cabeça, Portugal. Uma ponte com o Empire States ao fundo, e a Estátua da Liberdade, Nova York. Buenos Aires tem a sua Casa Rosada, de cuja sacada Evita Perón falava aos descamisados. Amsterdam, ou a Holanda, tem os Moinhos de Vento e as Tulipas Vermelhas. Veneza, as pontes arcadas sobre as águas, e as gôndolas. Londres, a torre da ponte o fog, as edificações sobre o Thames. O Kremlin, a Rússia.
O Pão-de-Açúcar, o Maracanã, o Cristo, identificam nosso Rio de Janeiro. As carataras com um mirante, Foz do Iguaçu. Brasília, tem o conjunto da Esplanada dos Ministérios, o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto, todos ali, bem projetados e articulados pelo nosso centenário Oscar Niemeyer. São João del Rei, suas Igrejas. Salvador, o seu Pelourinho. Treze Tílias, nossa vizinha, tem todas aquelas casas tirolesas. Blumenau, as construções em enxaimel, próximas do Rio Itajaí-açu. Joinville, a Rua do Príncipe, com suas imponentes e históricas palmeiras. Ponta Grossa, com os arenitos de Vila Velha. Manaus tem o seu Teatro Nacional, majestoso, imponente. União da Vitória, a ponte com arcos, construída em 1944. Irani, tem seu monumento ao Contestado.
Não estou falando de identificações através somente de algumas edificações, como o caso de São Paulo, com sua Catedral da Sé. É mais fácil identificar São Paulo ou Rio de Janeiro? Caxias do Sul, tem um monumento ao Colono/Imigrante, mas são poucos que sabem dele. Porto Alegre tem o Parque Farroupilha, a Usina do Gasômetro, mas é difícil que alguém, no mundo, a identifique por estes bens. Curitiba, algo que me marca é a Ópera de Arame, mas, segundo uma amiga, é o Jardim Botânico, embora tenha seu zoológico, o Teatro Guaíra, e diversas edificações históricas, como a da Universidade Federal, no Centro.
Capinzal tem a Igreja Matriz e, junto com Ouro, a Ponte Pênsil. Joaçaba, a catedral Santa Terezinha e o monumento a Frei Bruno. E nossas outras cidades têm o que para chamar nossa atenção?
Agora, pense e me diga, leitor (a), que outra cidade, quando você vê uma imagem dela na TV ou uma foto na revista ou jornal, já fica sabendo qual é?
Ter algo que se apresenta como a característica visual de uma cidade, algo que realmente a identifique, que não seja uma produção de mídia, ajuda muito na sua divulgação. E para atrair turistas e, com isso, movimento na economia.
Euclides Riquetti
28-11-2012
Mas somos unânimes em identificar algumas cidades ou países do mundo que têm algo bem característico, e que isso está aliado ao seu aspecto histórico ou mesmo por qualquer outra convenção. São muitos os exemplos:
O Coliseu (Colosseo), identifica facilmente, Roma., na Itália. O Templo de Atenas, a Capial da Grécia. A Ponte Hercílio Luz, Florianópolis. A torre Eiffel, Paris. Um cidadão de bigode, com um chapéu de confeiteiro ou cozinheiro na cabeça, Portugal. Uma ponte com o Empire States ao fundo, e a Estátua da Liberdade, Nova York. Buenos Aires tem a sua Casa Rosada, de cuja sacada Evita Perón falava aos descamisados. Amsterdam, ou a Holanda, tem os Moinhos de Vento e as Tulipas Vermelhas. Veneza, as pontes arcadas sobre as águas, e as gôndolas. Londres, a torre da ponte o fog, as edificações sobre o Thames. O Kremlin, a Rússia.
O Pão-de-Açúcar, o Maracanã, o Cristo, identificam nosso Rio de Janeiro. As carataras com um mirante, Foz do Iguaçu. Brasília, tem o conjunto da Esplanada dos Ministérios, o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto, todos ali, bem projetados e articulados pelo nosso centenário Oscar Niemeyer. São João del Rei, suas Igrejas. Salvador, o seu Pelourinho. Treze Tílias, nossa vizinha, tem todas aquelas casas tirolesas. Blumenau, as construções em enxaimel, próximas do Rio Itajaí-açu. Joinville, a Rua do Príncipe, com suas imponentes e históricas palmeiras. Ponta Grossa, com os arenitos de Vila Velha. Manaus tem o seu Teatro Nacional, majestoso, imponente. União da Vitória, a ponte com arcos, construída em 1944. Irani, tem seu monumento ao Contestado.
Não estou falando de identificações através somente de algumas edificações, como o caso de São Paulo, com sua Catedral da Sé. É mais fácil identificar São Paulo ou Rio de Janeiro? Caxias do Sul, tem um monumento ao Colono/Imigrante, mas são poucos que sabem dele. Porto Alegre tem o Parque Farroupilha, a Usina do Gasômetro, mas é difícil que alguém, no mundo, a identifique por estes bens. Curitiba, algo que me marca é a Ópera de Arame, mas, segundo uma amiga, é o Jardim Botânico, embora tenha seu zoológico, o Teatro Guaíra, e diversas edificações históricas, como a da Universidade Federal, no Centro.
Capinzal tem a Igreja Matriz e, junto com Ouro, a Ponte Pênsil. Joaçaba, a catedral Santa Terezinha e o monumento a Frei Bruno. E nossas outras cidades têm o que para chamar nossa atenção?
Agora, pense e me diga, leitor (a), que outra cidade, quando você vê uma imagem dela na TV ou uma foto na revista ou jornal, já fica sabendo qual é?
Ter algo que se apresenta como a característica visual de uma cidade, algo que realmente a identifique, que não seja uma produção de mídia, ajuda muito na sua divulgação. E para atrair turistas e, com isso, movimento na economia.
Euclides Riquetti
28-11-2012
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Morando em República - Um bom modo de viver
Morar em repúblicas de estudantes, principalmente quando se tem regras de convívio bem definidas e, sobretudo, quando as pessoas se entendem, é muito auspicioso. Posso falar disso de cadeira, pois morei numa dessas em plena juventude, em União da Vitória.
Cheguei ali no final de fevereiro de 1972 e, após ficar três dias num hotelzinho, busquei uma pensão de custos compatíveis com minhas possibilidades. Encontrei a "Pensão Nova", ao lado da Prefeitura de Porto União, que de nova só tinha o nome. A primeira providência foi comprar um daqueles espelhos de moldura de madeira cor laranja, tão tradicionais, mais para ver minha cara de tristeza do que para corte de barba. Hoje, ainda fazem daqueles espelhos, iguaizinhos, só que com "soada" de plástico em vez de madeira.
Os primeiros dias naquela cidade foram deprimentes. Ainda bem que as aulas começaram de imediato. Ia para a Fafi, ali na Praça Coronel Amazonas e, ao passar na frente de dois sobrados idênticos, visualizava uma placa" "República Embaixada do Sossego". No térreo, depois, implantaram a lanchonete X Burguer. Imaginava que seria um sonho poder morar numa república, ter colegas e fazer amigos para conversar, trocar conhecimentos, viver alegremente. Lembrei-me de que em Capinzal havia uma, a dos funcionários do Banco do Brasil, e nela moravam, dentre eles, dois colegas e um professor meu: Valdir Marchi, Itamar Peter e Wolfgang Behling, o Professor Wolf. Este, era muito compenetrado em nos ensinar Matemática, sendo que ás vezes, distraído, colocava o giz entre os lábios e o cigarro punha entre os dedos, para escrever no quadro-negro.
Meu sonho de morar em República tornou-se realizado graças ao Cabo Leoclides Frarom, meu amigo capinzalense que estava servindo no 5º BE. Eu andava na calçada, defronte à Casa do Bronze, na Rua Matos Costa, quando passou uma viatura do Éxercito e escutei aquela voz conhecida que gritou: "Rua Professora Amazília, 408 - no Paraná" Passe lá amanhã! . Fui!!!
Veio o convite: "Quer morar conosco?" - Convite feito, convite aceito! Fui morar na "República Esquadrão da Vida", colegas muito leais e divertidos. Uma vez mandaram cartão de Natal com a mensagem: "Nós, da República Esquadrão da Vida, neste Natal e Ano Novo, estaremos alertas e vigilantes" Era a senha para sua proteção e o cumprimento natalino.
Já nos primeiros meses mudamos para o nº 322, da mesma rua. Morar quase 4 anos com a turma foi muito bacana! Quanto aprendi, quanto socializei-me! Primeiro, fui corrigindo minhas pronúncias erradas das palavras. Depois, alguns hábitos. Minha parte Jeca foi ficando de lado...
Fiz lá amigos que jamais esquecerei, pois muito me ajudaram: O Cabo Dionízio Ganzala, que me deu suas chuteiras de presente e um livro de Inglês Básico. O Osvaldo Bet, que tinha já na época poucos cabelos, era faixa laranja no judô, e lá adiante conquistou a preta. O Cabo Backes, que era nativo do Lajeado Mariano, que num final de domingo, após um jogo do Iguaçu, matou a galinha que a Dona Lídia criava numa gaiolinha e cozinhou sem retirar todas as penas, mas que matou nossa fome. O Evaldo Braun, que estava se despedindo, indo embora para São Paulo.
Havia o Aderbal Tortatto, da Barra do Leão, que trabalhava no Banco do Brasil, a quem chamávamos de "Pala Dura, o Impecável", porque se arrumava muito bem para ir encontrar-se com a fotografa de "A Fotocráfica", com quem se casou. O Tortatto, quando foi Cabo do Exército, atuava com jóquéi no final de semana para melhorar a renda... O Odacir Giaretta, marceneiro, palmeirense e coxa fanático, que tinha um sonho: Ser contador. Virou contador e foi montar escritório próximo ao estádio do Coxa, em Curitiba. E vieram o João Luiz Agostini (Milbe), que depois trouxe o Carlinhos, seu irmão. E o Eduardo, irmão do Osvaldo, que chamávamos de Betinho. O Mineo Yokomizo, o Japa, que me deu um sapato 39 (o meu era 42, mas usei mesmo assim...), trabalhava no Banco do Brasil, era meu colega de turma.O Francisco Samonek, que o Japa chamava de "Sabonete", ex-seminarista, do BB, agora lidera ações sociais na Amazônia. O Ludus, Luoivino Pilattri, de Tangará, era eventual e tocava violão.
Mais adiante os cabos Godoy (de Caçador, Odacir Contini (de Concórdia) e Maciel, também de Concórdia, com quem eu praticava meu Inglês. E o Cabo Figueira, que nos dias de temperatura abaixo de zero tomava banho frio, às 5 da manhã, para ter disposição durante o dia. E o Frei Guilherme Koch, parente do tenista Thomas Koch, parceir de Edson Mandarino. O Frei era Diretor do Colégio São José. Viera aprender como era a vida real. O "Boles", cujo nome era Boleslau, que tinha um táxi, viera de Cruz Machado. O Celso Lazarini, o "Breca" de Lacerdópolis, que fora goleiro do Igauçu. O Celestino Dalfovo, o Funilha, que não gostava de enxugar os pés, era da região dos arrozeiros de Rio do Sul.
E o Frarom era nosso "Administrador", controlava as despesas da Mercearia, o ordenado da cozinheira, o aluguel. O convite dele foi muito bom, muou minha vida.
Lá, no Esquadrão da Vida, tínhamos uma geladeira que não funcionava. Tomávamos café preto da garrafa térmica, amanhecido, e comíamos pães franceses com margarina (cada um comprava a sua). Todos os dias tínhamos feijão, arroz e um ovo, mas seguidamente tínhamos bifes (um para cada um). De vez em quando saía uma limonada. Ganhávamos gelo para colocar no Q Suco e no Q Refresco, da mãe do Neomar Roman (primo do Odacir Giaretta), que hoje é médico. Assistíamos às corridas do Emeron Fittipaldi na F1 pela janela. A mesma Senhora deixava a janela da sala dela aberta para vermos TV. Nos revezávamos em nossa janela para ver os "lances" da corrida. Ah, e no domingo, além de frango, tínhamos maionese... Que delícia, que mordomia! Como valorizávamos o pouco de que dispúnhamos!
Foram esses, sim, os melhores anos de minha juventude. Ter morado com esses e mais alguns, foi uma grande realização pessoal. Vivi, aprendi, vivi. Um bom modo de viver. E há, ainda, muito para contar, oportunamente.
Euclides Riquetti
27-11-2012
Cheguei ali no final de fevereiro de 1972 e, após ficar três dias num hotelzinho, busquei uma pensão de custos compatíveis com minhas possibilidades. Encontrei a "Pensão Nova", ao lado da Prefeitura de Porto União, que de nova só tinha o nome. A primeira providência foi comprar um daqueles espelhos de moldura de madeira cor laranja, tão tradicionais, mais para ver minha cara de tristeza do que para corte de barba. Hoje, ainda fazem daqueles espelhos, iguaizinhos, só que com "soada" de plástico em vez de madeira.
Os primeiros dias naquela cidade foram deprimentes. Ainda bem que as aulas começaram de imediato. Ia para a Fafi, ali na Praça Coronel Amazonas e, ao passar na frente de dois sobrados idênticos, visualizava uma placa" "República Embaixada do Sossego". No térreo, depois, implantaram a lanchonete X Burguer. Imaginava que seria um sonho poder morar numa república, ter colegas e fazer amigos para conversar, trocar conhecimentos, viver alegremente. Lembrei-me de que em Capinzal havia uma, a dos funcionários do Banco do Brasil, e nela moravam, dentre eles, dois colegas e um professor meu: Valdir Marchi, Itamar Peter e Wolfgang Behling, o Professor Wolf. Este, era muito compenetrado em nos ensinar Matemática, sendo que ás vezes, distraído, colocava o giz entre os lábios e o cigarro punha entre os dedos, para escrever no quadro-negro.
Meu sonho de morar em República tornou-se realizado graças ao Cabo Leoclides Frarom, meu amigo capinzalense que estava servindo no 5º BE. Eu andava na calçada, defronte à Casa do Bronze, na Rua Matos Costa, quando passou uma viatura do Éxercito e escutei aquela voz conhecida que gritou: "Rua Professora Amazília, 408 - no Paraná" Passe lá amanhã! . Fui!!!
Veio o convite: "Quer morar conosco?" - Convite feito, convite aceito! Fui morar na "República Esquadrão da Vida", colegas muito leais e divertidos. Uma vez mandaram cartão de Natal com a mensagem: "Nós, da República Esquadrão da Vida, neste Natal e Ano Novo, estaremos alertas e vigilantes" Era a senha para sua proteção e o cumprimento natalino.
Já nos primeiros meses mudamos para o nº 322, da mesma rua. Morar quase 4 anos com a turma foi muito bacana! Quanto aprendi, quanto socializei-me! Primeiro, fui corrigindo minhas pronúncias erradas das palavras. Depois, alguns hábitos. Minha parte Jeca foi ficando de lado...
Fiz lá amigos que jamais esquecerei, pois muito me ajudaram: O Cabo Dionízio Ganzala, que me deu suas chuteiras de presente e um livro de Inglês Básico. O Osvaldo Bet, que tinha já na época poucos cabelos, era faixa laranja no judô, e lá adiante conquistou a preta. O Cabo Backes, que era nativo do Lajeado Mariano, que num final de domingo, após um jogo do Iguaçu, matou a galinha que a Dona Lídia criava numa gaiolinha e cozinhou sem retirar todas as penas, mas que matou nossa fome. O Evaldo Braun, que estava se despedindo, indo embora para São Paulo.
Havia o Aderbal Tortatto, da Barra do Leão, que trabalhava no Banco do Brasil, a quem chamávamos de "Pala Dura, o Impecável", porque se arrumava muito bem para ir encontrar-se com a fotografa de "A Fotocráfica", com quem se casou. O Tortatto, quando foi Cabo do Exército, atuava com jóquéi no final de semana para melhorar a renda... O Odacir Giaretta, marceneiro, palmeirense e coxa fanático, que tinha um sonho: Ser contador. Virou contador e foi montar escritório próximo ao estádio do Coxa, em Curitiba. E vieram o João Luiz Agostini (Milbe), que depois trouxe o Carlinhos, seu irmão. E o Eduardo, irmão do Osvaldo, que chamávamos de Betinho. O Mineo Yokomizo, o Japa, que me deu um sapato 39 (o meu era 42, mas usei mesmo assim...), trabalhava no Banco do Brasil, era meu colega de turma.O Francisco Samonek, que o Japa chamava de "Sabonete", ex-seminarista, do BB, agora lidera ações sociais na Amazônia. O Ludus, Luoivino Pilattri, de Tangará, era eventual e tocava violão.
Mais adiante os cabos Godoy (de Caçador, Odacir Contini (de Concórdia) e Maciel, também de Concórdia, com quem eu praticava meu Inglês. E o Cabo Figueira, que nos dias de temperatura abaixo de zero tomava banho frio, às 5 da manhã, para ter disposição durante o dia. E o Frei Guilherme Koch, parente do tenista Thomas Koch, parceir de Edson Mandarino. O Frei era Diretor do Colégio São José. Viera aprender como era a vida real. O "Boles", cujo nome era Boleslau, que tinha um táxi, viera de Cruz Machado. O Celso Lazarini, o "Breca" de Lacerdópolis, que fora goleiro do Igauçu. O Celestino Dalfovo, o Funilha, que não gostava de enxugar os pés, era da região dos arrozeiros de Rio do Sul.
E o Frarom era nosso "Administrador", controlava as despesas da Mercearia, o ordenado da cozinheira, o aluguel. O convite dele foi muito bom, muou minha vida.
Lá, no Esquadrão da Vida, tínhamos uma geladeira que não funcionava. Tomávamos café preto da garrafa térmica, amanhecido, e comíamos pães franceses com margarina (cada um comprava a sua). Todos os dias tínhamos feijão, arroz e um ovo, mas seguidamente tínhamos bifes (um para cada um). De vez em quando saía uma limonada. Ganhávamos gelo para colocar no Q Suco e no Q Refresco, da mãe do Neomar Roman (primo do Odacir Giaretta), que hoje é médico. Assistíamos às corridas do Emeron Fittipaldi na F1 pela janela. A mesma Senhora deixava a janela da sala dela aberta para vermos TV. Nos revezávamos em nossa janela para ver os "lances" da corrida. Ah, e no domingo, além de frango, tínhamos maionese... Que delícia, que mordomia! Como valorizávamos o pouco de que dispúnhamos!
Foram esses, sim, os melhores anos de minha juventude. Ter morado com esses e mais alguns, foi uma grande realização pessoal. Vivi, aprendi, vivi. Um bom modo de viver. E há, ainda, muito para contar, oportunamente.
Euclides Riquetti
27-11-2012
domingo, 25 de novembro de 2012
Dirce Adriane Scarton - a amiga que já deixa saudades.
A jovem mãe e professora Dirce Adriane Scarton vai, sim, deixar-nos muitas saudades. É mais uma vítima de nosso trânsito nas estradas. Como muitos outros amigos que já perdemos, a Adri, como os familiares e pessoas mais chegadas a chamavam, também virou uma estrelinha e foi misturar-se às outras milhões, bilhões que marcam nosso universo, e decoram, com seu brilho tenro, suave, nossa paisagem celestial nas nossas noites. A Adri tornou-se uma estrelinha prateada, com sua luz discreta, como era de seu jeito. E buscou seu lugar com elegência, charme, meiguice, que é o que dela mais nos marcou... Tinha uma gama de qualidades virtuosas que é difícil enumerar. Foi juntar-se ao pai, Hermes, e à mãe, Dona Dometila. Desta, herdou todas as virtudes, muitas, incontáveis.
Ontem, por volta das 22 horas, ligou-me meu filho Fabrício para dar-me uma notícia que seria a última que eu poderia esperar: Sua professora, Dirce Scarton, de quem ele muito gostava, tinha perdido a vida em acidente de carro. Não queria acreditar que isso aconteceu. Ficamos chocados também nós, aqui de casa. Todos tínhamos muito apreço e admiração por ela. Foi minha aluna no Mater Dolorum, em Capinzal, professora de nossos três filhos, na CNEC, nossa colega como professora de Matemática e Física, na Sílvio Santos, em Ouro. Nossa mente volta ao tempo, quando era aluninha no Mater, muito estudiosa, disciplinada, meiga, bonita, com seu cabelo castanho cacheado, comprido. Mais adiante, sai de cena e volta já jovem, frequentando a piscina do Clube da Colina, na dela. Era a época em que eu levada nossas crianças para nadar. Ela era uma garota que aparentava certa timidez, mas sempre simpática e atenciosa.
E, poucos anos depois, vira professora dessas mesmas crianças, vira nossa colega, divide conosco as mesmas angústias, quer que seus alunos aprendam, calculem, raciocinem. E, com sua habitual maneira delicada, doce, habilmente os conduz para o raciocínio e a aprendizagem.
Além da profisional competente, a colega engajada, foi defensora de nossos ideais, solidária nas reivindicações de nossa classe, a dos professores, muitas vezes tão maltratados que fomos.
A tragédia nos tira uma grande amiga, que deixa seu companheiro, seu filho, suas irmãs e irmãos, seus sobrinhos. Temos elevado apreço por todos os seus familiares, que honram a descendência do Hermes e da Dometila.
Adri, não vou vê-la. Recuso-me, terminantemente, a mudar a imagem singela que tenho de você. Junte-se a tantos amigos em comum que tivemos aqui na terra. Diga a todos eles que, mesmo que não tenham vivido longos anos, valeu a pena viver. Diga-lhes que nós temos muitas saudades, que o mundo é bom, mas que nem tudo anda como nosso desejo, e que as vidas ceifadas não são motivo para que os esqueçamos. Um grande abraço, amiga! Que Deus lhe dê as devidas compensações . Seus entes queridos e nós, seus amigos, temos muito orgulho de você!
Euclides Riquetti
25-11-2012
Ontem, por volta das 22 horas, ligou-me meu filho Fabrício para dar-me uma notícia que seria a última que eu poderia esperar: Sua professora, Dirce Scarton, de quem ele muito gostava, tinha perdido a vida em acidente de carro. Não queria acreditar que isso aconteceu. Ficamos chocados também nós, aqui de casa. Todos tínhamos muito apreço e admiração por ela. Foi minha aluna no Mater Dolorum, em Capinzal, professora de nossos três filhos, na CNEC, nossa colega como professora de Matemática e Física, na Sílvio Santos, em Ouro. Nossa mente volta ao tempo, quando era aluninha no Mater, muito estudiosa, disciplinada, meiga, bonita, com seu cabelo castanho cacheado, comprido. Mais adiante, sai de cena e volta já jovem, frequentando a piscina do Clube da Colina, na dela. Era a época em que eu levada nossas crianças para nadar. Ela era uma garota que aparentava certa timidez, mas sempre simpática e atenciosa.
E, poucos anos depois, vira professora dessas mesmas crianças, vira nossa colega, divide conosco as mesmas angústias, quer que seus alunos aprendam, calculem, raciocinem. E, com sua habitual maneira delicada, doce, habilmente os conduz para o raciocínio e a aprendizagem.
Além da profisional competente, a colega engajada, foi defensora de nossos ideais, solidária nas reivindicações de nossa classe, a dos professores, muitas vezes tão maltratados que fomos.
A tragédia nos tira uma grande amiga, que deixa seu companheiro, seu filho, suas irmãs e irmãos, seus sobrinhos. Temos elevado apreço por todos os seus familiares, que honram a descendência do Hermes e da Dometila.
Adri, não vou vê-la. Recuso-me, terminantemente, a mudar a imagem singela que tenho de você. Junte-se a tantos amigos em comum que tivemos aqui na terra. Diga a todos eles que, mesmo que não tenham vivido longos anos, valeu a pena viver. Diga-lhes que nós temos muitas saudades, que o mundo é bom, mas que nem tudo anda como nosso desejo, e que as vidas ceifadas não são motivo para que os esqueçamos. Um grande abraço, amiga! Que Deus lhe dê as devidas compensações . Seus entes queridos e nós, seus amigos, temos muito orgulho de você!
Euclides Riquetti
25-11-2012
Reencontros em União da Vitória
O imprevisto, justamente por ser uma fato ou uma situação de que não sabemos que vai acontecer, muda nossos rumos e planos muito rapidamente. Por isso mesmo, dizem, e eu digo também, precisamos deixar em nossa pauta diária um vazio, quem sabe de uns de 20%, ou seja, temos um planejamento do que vamos fazer, mas durante a atividade profissional ou mesmo nas ações pessoais do dia-a-dia, novos acontecimentos podem ditar o ritmo ou a condução de nossos afazeres. Mas há aqueles que nos fazem mudar 100%.
Há menos de um mês, num domigno, acabado o almoço, recebemos um comunicado de que um tio, João Anzolin, falecera em Erechim, e o sepultamente ocorreia três horas depois. Saímos em 15 minutos e pudemos dar nosso abraço de solidariedade a seus familiares, nossos parentes, a maioria dos quais nem conhecíamos. Nesta sexta-feira, final de tarde, minha irmã Iradi, que mora em União da Vitória, ligava-me de Curitiba para dizer que estava lá, com sua sogra, Dona Honorina Ghidini, 90, que falecera em razão de problemas cardíacos. Saímos eu e meu irmão, Hiroito (Tio Piro), ontem, bem cedinho, e fomos para cidades gêmeas do Iguaçu, onde nos juntamos aos seus familiares para as últimas homenagens àquela Senhora. Ela foi a fundadora, com seus filhos, há quase 40 anos, da Lanchonete X-Burguer, hoje restaurante, pioneira no X-Salada naquela cidade.
Quando situações assim acontecem, acabamos por reencontrar muitos conhecidos, pessoas que não vemos há muitos anos, às vezes décadas, mas que fizeram parte de nossa história. E, ontem, não foi diferante. Depois do cumprimento aos familiares, a percepção de que todos estavam bastante tranquilos, pela consciência do dever filial cumprido, por terem cuidado bem da mãe e avó, por terem compartilhado sua vida estreitamente com ela. Isso é muito bom. Não remorsos, não há arrependimentos. A lógica é essa, os filhos cuidarem e, um dia, que nunca se quer que chegue, enterrarem os pais. Quando essa situação se inverte, revestida de tragédias, nada há que possa consolar os que ficam. Por isso mesmo, sempre que somos convidados a uma festa reunindo amigos, fazemos todo o possível para participar, para comemorar a alegria do reencontro, em momentos de muita felicidade.
No caso de ontem, especificamente, reencontrei lá o Rubão, que me contou que o amigo Piu-piu, Milton José Branco, colega de faculdade, está por lá, aposentado, casado, fazendo parte da Igreja dos Mórmons, ali da Rua Paraná, em frente da qual passei muitas vezes quando morava ali perto, entre 1972 e 1976. Reencontrei o Carlinhos Agostini, bitorunense, agora empresário, irmão do João Luiz "Milbe", com quem partilhamos nossa juventude no tempo de nossa "República Esquadrão da Vida", ali da Rua Professora Amazília, no início da década de 1970. Conversamos muito, contou-me de fatos ocorridos, que entristeceram muito o Milbe e sua família, que foi a perda de um filho, jovem médico. Falamos de nossos filhos, de sua coragem "reforçada" pelos pais, que têm mais oportunidades do que no nosso tempo. É muito gratificante reencontrar pessoas como o Carlinhos...
Ao meio-dia, reencontrei o Seu Moacir, 74, dono da San Diego Auto Peças, cabelinho e bigode branco. Conheci-o há exatos 40 anos. Não mudou nada, está elegante como sempre, saudável, atencioso. Não me reconheceu, pois não nos víamos há 35. Estive na loja dele, conversamos, lembramos de muitos negócios que fizemos quando eu trabalhava na Mallon.
Há meia quadra dali, a empresa "Quero Mais", da colega Alda Roseli Meyer, que chegamamos de Rose. Cheguei lá, encontrei o Miro, que também não me reconheceu. Ele também mudou, está grisalho, mas guarda todos os traços da juventude, quando ele vinha buscar a namorada no portão de entrada de nossa FAFI. Mencionei sobre ele, Amir Jacob, que chamamos de Miro. Lembramos do Munir Cador, de quem fui segundo Vice-presidente, no Diretório Acadêmico Alvir Riesemberg, com muitas saudades. Então chega a Rose, com sua caminhonetinha branca, elegante, não me reconhece. Mas, daí há pouco, já estávamos reapresentados, alegremente, como nos tempos de juventude. Mostrou-me as fotos dos filhos, todos bonitos, bem encaminhados. Lembramos de nossos colegas, da Sheila Arnt, casada com o Dr. Leo Gonçalves, que mora em Treze Tílias. Do Floriano Guérios, que está no Positivo há mais de 30, da Fátima Caus Morgan, minha comadre, e de outros mais. Foi muito bem ter encontrado o casal Miro e Rose, que casou no dia 6 de dezembro de 1975, exatamente um sábado antes do que eu. Lembramos que no dia 13, também casaram o amigo capinzalense Roque Manfredini, saudoso, com a Regina Menezes.
Á meia-tarde, nos despedimos de dona Honorina, deixada com o marido e o filho Sérgio, no jazigo da família. Visitamos o de Romeu da Silva, o Português, nosso paizão lá na Mercedes, que era vendedor muito competente de caminhões. E também o da família do Dr. Barbozinha, que está lá, com sua esposa e três filhos, todos bonitos nas fotos, e que perderam a vida naquela tragédia de 20 de junho de 1982...
Então, leitor (a), veja como os imprevistos podem mudar a pauta de qualquer um, de redefinir nossas ações, rumos, nossas condutas, até nossos comportamentos.
Tio João e Dona Honorina estão lá no céu. Curtam, ali, as merecidas recompensas. E nós continuamos a registrar nossas ações e impressões aqui na Terra. Abraços!
Euclides Riquetti
25/11/2012.
Há menos de um mês, num domigno, acabado o almoço, recebemos um comunicado de que um tio, João Anzolin, falecera em Erechim, e o sepultamente ocorreia três horas depois. Saímos em 15 minutos e pudemos dar nosso abraço de solidariedade a seus familiares, nossos parentes, a maioria dos quais nem conhecíamos. Nesta sexta-feira, final de tarde, minha irmã Iradi, que mora em União da Vitória, ligava-me de Curitiba para dizer que estava lá, com sua sogra, Dona Honorina Ghidini, 90, que falecera em razão de problemas cardíacos. Saímos eu e meu irmão, Hiroito (Tio Piro), ontem, bem cedinho, e fomos para cidades gêmeas do Iguaçu, onde nos juntamos aos seus familiares para as últimas homenagens àquela Senhora. Ela foi a fundadora, com seus filhos, há quase 40 anos, da Lanchonete X-Burguer, hoje restaurante, pioneira no X-Salada naquela cidade.
Quando situações assim acontecem, acabamos por reencontrar muitos conhecidos, pessoas que não vemos há muitos anos, às vezes décadas, mas que fizeram parte de nossa história. E, ontem, não foi diferante. Depois do cumprimento aos familiares, a percepção de que todos estavam bastante tranquilos, pela consciência do dever filial cumprido, por terem cuidado bem da mãe e avó, por terem compartilhado sua vida estreitamente com ela. Isso é muito bom. Não remorsos, não há arrependimentos. A lógica é essa, os filhos cuidarem e, um dia, que nunca se quer que chegue, enterrarem os pais. Quando essa situação se inverte, revestida de tragédias, nada há que possa consolar os que ficam. Por isso mesmo, sempre que somos convidados a uma festa reunindo amigos, fazemos todo o possível para participar, para comemorar a alegria do reencontro, em momentos de muita felicidade.
No caso de ontem, especificamente, reencontrei lá o Rubão, que me contou que o amigo Piu-piu, Milton José Branco, colega de faculdade, está por lá, aposentado, casado, fazendo parte da Igreja dos Mórmons, ali da Rua Paraná, em frente da qual passei muitas vezes quando morava ali perto, entre 1972 e 1976. Reencontrei o Carlinhos Agostini, bitorunense, agora empresário, irmão do João Luiz "Milbe", com quem partilhamos nossa juventude no tempo de nossa "República Esquadrão da Vida", ali da Rua Professora Amazília, no início da década de 1970. Conversamos muito, contou-me de fatos ocorridos, que entristeceram muito o Milbe e sua família, que foi a perda de um filho, jovem médico. Falamos de nossos filhos, de sua coragem "reforçada" pelos pais, que têm mais oportunidades do que no nosso tempo. É muito gratificante reencontrar pessoas como o Carlinhos...
Ao meio-dia, reencontrei o Seu Moacir, 74, dono da San Diego Auto Peças, cabelinho e bigode branco. Conheci-o há exatos 40 anos. Não mudou nada, está elegante como sempre, saudável, atencioso. Não me reconheceu, pois não nos víamos há 35. Estive na loja dele, conversamos, lembramos de muitos negócios que fizemos quando eu trabalhava na Mallon.
Há meia quadra dali, a empresa "Quero Mais", da colega Alda Roseli Meyer, que chegamamos de Rose. Cheguei lá, encontrei o Miro, que também não me reconheceu. Ele também mudou, está grisalho, mas guarda todos os traços da juventude, quando ele vinha buscar a namorada no portão de entrada de nossa FAFI. Mencionei sobre ele, Amir Jacob, que chamamos de Miro. Lembramos do Munir Cador, de quem fui segundo Vice-presidente, no Diretório Acadêmico Alvir Riesemberg, com muitas saudades. Então chega a Rose, com sua caminhonetinha branca, elegante, não me reconhece. Mas, daí há pouco, já estávamos reapresentados, alegremente, como nos tempos de juventude. Mostrou-me as fotos dos filhos, todos bonitos, bem encaminhados. Lembramos de nossos colegas, da Sheila Arnt, casada com o Dr. Leo Gonçalves, que mora em Treze Tílias. Do Floriano Guérios, que está no Positivo há mais de 30, da Fátima Caus Morgan, minha comadre, e de outros mais. Foi muito bem ter encontrado o casal Miro e Rose, que casou no dia 6 de dezembro de 1975, exatamente um sábado antes do que eu. Lembramos que no dia 13, também casaram o amigo capinzalense Roque Manfredini, saudoso, com a Regina Menezes.
Á meia-tarde, nos despedimos de dona Honorina, deixada com o marido e o filho Sérgio, no jazigo da família. Visitamos o de Romeu da Silva, o Português, nosso paizão lá na Mercedes, que era vendedor muito competente de caminhões. E também o da família do Dr. Barbozinha, que está lá, com sua esposa e três filhos, todos bonitos nas fotos, e que perderam a vida naquela tragédia de 20 de junho de 1982...
Então, leitor (a), veja como os imprevistos podem mudar a pauta de qualquer um, de redefinir nossas ações, rumos, nossas condutas, até nossos comportamentos.
Tio João e Dona Honorina estão lá no céu. Curtam, ali, as merecidas recompensas. E nós continuamos a registrar nossas ações e impressões aqui na Terra. Abraços!
Euclides Riquetti
25/11/2012.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Parabéns, Aline!
Aline Rocha é para-atleta joaçabense. Cadeirante, a jovem Aline, treinada pelo namorado e professor Fernando, conquistou duas medalhas de Ouro nos Jogos Abertos do Interior de São Paulo, na quarta-feira, 21, competindo pela cidade de São Caetano, nas provas de 100 e 400 metros. E já vem colecionando medalhas em competições há muito tempo. Ela ficou paraplégica ainda na adolescência, em razão de um acidente.
Hoje, 23, começa sua participação nos Parajasc, em Brusque, SC. E, no início de dezembro, estará na Terceira Etapa Nacional do Circuito Loterias Caixa em Fortaleza. Seu sonho é representar os Brasil nas Paraolimpíadas de 2016, aqui no Brasil. Treinou com muito afinco e determinação nas últimas semanas para conseguir seu intento. E brilhou!
Conheço a Aline há dois anos. Ela treina, com sua cadeira/bicicleta, na pista do Clube Comercial, aqui em Joaçaba. Cobra muito de si e de seu paciente treinador. Formam um belo casal, educados e atenciosos. Vários são os portadores de necessidades especiais que são treinados pelo Fernando. São muito alegres, treinam, riem, contam piadas, zoam uns dos outros. Vivem mais intensamente e alegremente do que muitas pessoas que têm tudo e não sabem valorizar o que têm.
A Aline é patrocinada pelo Laboratório Pasteur, de Joaçaba, que tem como slogan: "Tecnologia Sustentável. Socialmente Responsável". Lembro que esse Laboratório estendeu suas mãos à Aline quando ela não obtinha apoios na cidade. E a determinada atleta, com sua dedicação, simpatia e encanto, vai obtendo suas conquistas.
Parabéns, Aline e Fernando, pelas suas conquistas. Temos muito orgulho de vocês.
Euclides Riquetti
23-11-2012
Hoje, 23, começa sua participação nos Parajasc, em Brusque, SC. E, no início de dezembro, estará na Terceira Etapa Nacional do Circuito Loterias Caixa em Fortaleza. Seu sonho é representar os Brasil nas Paraolimpíadas de 2016, aqui no Brasil. Treinou com muito afinco e determinação nas últimas semanas para conseguir seu intento. E brilhou!
Conheço a Aline há dois anos. Ela treina, com sua cadeira/bicicleta, na pista do Clube Comercial, aqui em Joaçaba. Cobra muito de si e de seu paciente treinador. Formam um belo casal, educados e atenciosos. Vários são os portadores de necessidades especiais que são treinados pelo Fernando. São muito alegres, treinam, riem, contam piadas, zoam uns dos outros. Vivem mais intensamente e alegremente do que muitas pessoas que têm tudo e não sabem valorizar o que têm.
A Aline é patrocinada pelo Laboratório Pasteur, de Joaçaba, que tem como slogan: "Tecnologia Sustentável. Socialmente Responsável". Lembro que esse Laboratório estendeu suas mãos à Aline quando ela não obtinha apoios na cidade. E a determinada atleta, com sua dedicação, simpatia e encanto, vai obtendo suas conquistas.
Parabéns, Aline e Fernando, pelas suas conquistas. Temos muito orgulho de vocês.
Euclides Riquetti
23-11-2012
A Falta da Cultura de Participação em Joaçaba
Joaçaba é uma bela cidade, localizada no Meio-oeste Catarinense, separada de Herval D ´Oeste pelo sinuoso Rio do Peixe. Tão sinuoso quanto o são as curvas que ispiraram o Arquiteto Oscar Niemeyer a projetar edificações com sua Arquitetura Moderna, no Brasil, a partir de 1939 e até recentemente, antes de adoecer.
Mas nossa cidade, conurbada com aquela e ainda com Luzerna, tem seu maior problema na falta de mobilidade, pois, ao longo de sua história, essa preocupação não colocou o tema na pauta das discussões públicas, do planejamento de seu crescimento. Temos um Plano Diretor bem detalhado, elaborado de julho d 2005 a novembro de 2006, e que agora está em vias de sofrer algumas alterações no que diz respeito ao zoneamento, aos recuos das edificações e algo, tímido, com relação às áreas verdes dos desmembramentos.
Na noite de ontem, participamos de uma Audiência Pública, numa sala de eventos da ACIOC, quando tomamos conhecimento e votamos seis propostas de alteração do Plano Diretor, propostas através do COMDEMA, sempre com o intuito de melhorar nossa cidade. Acho que as sugestões, se chegaram em nível de propostas, é porque foram bem analisadas, pensadas, refletidas, e seus impactos estudados. Participei, efetivamente, de algumas discussões, não acaloradas, e manifestei minha preocupação com o futuro da cidade, das gerações que nos sucederem, e a razão principal disso é que, na ocasião, tínhamos menos do que 25 votantes no plenário que, para um universo de 25.000 habitantes, aproximadamente, representa 0,1%, o que considero muito pouco, se verificarmos que nossas aprovações podem mexer, direta ou indiretamente, com a vida de toda uma população. Ressaltei e reiterei que, em Joaçaba, não existe a cultura da participação, e que suas Audiências Públicas são muito tímidas, a população não participa, as entidades representativas não se fazem presentes.
Além da Equipe Técnica, composta pelos Engenheiros Cássio e Ricardo, que bem se posicionaram e procuraram, da maneira mais didática possível, explicitar as mudanças propostas, havia a Advogada Giovana, que conduziu a AP, e mais um time de apoio e um Secretário representando o Executivo. O Conselho se fez representar pelo Engenheiro Gilson (Vasconcelos).
As mudanças propostas para o PD, acredito, deverão contemplar mais do que isso, pois não vejo uma definição ou posição das autoridades com relação a atitudes CORAJOSAS `que precisarão ser tomadas quanto à mobilidade, assunto que abordarei em outro comentário, especificamente, e que não são apenas problema de Joaçaba, mas de todas as cidades.
Outra questão que motivou manifestar-me, publicamente, na AP, foi a questão do percentual de permeabilidade nos terrenos que receberão edificações no centro, onde se verifica que residências unifamiliares nos bairros precisam preservar 30% do terreno, e na área central, dos grandes edifícios, apenas 6%.
Diante disso, remeto-me à reflexão, e convido você, leitor, a também refletir sobre isso, mesmo que não venha a resultar em nada. Mas, no futuro, não precisemos nos condernar a nós mesmos por temos sido omissos, pelo menos em nosso pensamento, mesmo que não maniefestemos nossas preocupações e adotemos posições.
Euclides Riquetti
22-11-2012
Mas nossa cidade, conurbada com aquela e ainda com Luzerna, tem seu maior problema na falta de mobilidade, pois, ao longo de sua história, essa preocupação não colocou o tema na pauta das discussões públicas, do planejamento de seu crescimento. Temos um Plano Diretor bem detalhado, elaborado de julho d 2005 a novembro de 2006, e que agora está em vias de sofrer algumas alterações no que diz respeito ao zoneamento, aos recuos das edificações e algo, tímido, com relação às áreas verdes dos desmembramentos.
Na noite de ontem, participamos de uma Audiência Pública, numa sala de eventos da ACIOC, quando tomamos conhecimento e votamos seis propostas de alteração do Plano Diretor, propostas através do COMDEMA, sempre com o intuito de melhorar nossa cidade. Acho que as sugestões, se chegaram em nível de propostas, é porque foram bem analisadas, pensadas, refletidas, e seus impactos estudados. Participei, efetivamente, de algumas discussões, não acaloradas, e manifestei minha preocupação com o futuro da cidade, das gerações que nos sucederem, e a razão principal disso é que, na ocasião, tínhamos menos do que 25 votantes no plenário que, para um universo de 25.000 habitantes, aproximadamente, representa 0,1%, o que considero muito pouco, se verificarmos que nossas aprovações podem mexer, direta ou indiretamente, com a vida de toda uma população. Ressaltei e reiterei que, em Joaçaba, não existe a cultura da participação, e que suas Audiências Públicas são muito tímidas, a população não participa, as entidades representativas não se fazem presentes.
Além da Equipe Técnica, composta pelos Engenheiros Cássio e Ricardo, que bem se posicionaram e procuraram, da maneira mais didática possível, explicitar as mudanças propostas, havia a Advogada Giovana, que conduziu a AP, e mais um time de apoio e um Secretário representando o Executivo. O Conselho se fez representar pelo Engenheiro Gilson (Vasconcelos).
As mudanças propostas para o PD, acredito, deverão contemplar mais do que isso, pois não vejo uma definição ou posição das autoridades com relação a atitudes CORAJOSAS `que precisarão ser tomadas quanto à mobilidade, assunto que abordarei em outro comentário, especificamente, e que não são apenas problema de Joaçaba, mas de todas as cidades.
Outra questão que motivou manifestar-me, publicamente, na AP, foi a questão do percentual de permeabilidade nos terrenos que receberão edificações no centro, onde se verifica que residências unifamiliares nos bairros precisam preservar 30% do terreno, e na área central, dos grandes edifícios, apenas 6%.
Diante disso, remeto-me à reflexão, e convido você, leitor, a também refletir sobre isso, mesmo que não venha a resultar em nada. Mas, no futuro, não precisemos nos condernar a nós mesmos por temos sido omissos, pelo menos em nosso pensamento, mesmo que não maniefestemos nossas preocupações e adotemos posições.
Euclides Riquetti
22-11-2012
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Transcendendo
Transcendo
Saio do conforto daqui
Liberto-me de meu céu imaginário
Navego no mundo, solitário
E vou pra perto de ti., de ti, de ti...
Transcendo
Busco as respostas que ainda não tenho
Volto no tenro passado
Projeto-me o futuro desejado
Viajo, vou e venho...
Transcendo
Porque acomodar-me é covardia
Porque omitir-me é vergonhoso
Não combina com meu ser impetuoso
Há a desafiar-me, sempre, a ousadia.
Transcendo
É a maneira que tenho para estar contigo
De tocar tuas mãos e beijar teus lábios
De dizer-te os versos mais raros
De chorar em teu ombro amigo.
Transcendo
Para exercitar minha rebeldia
Para dizer-te de meu encantamento
Para, com todo o arrebatamento
Abrir-te minha alma, guria...
Transcendo...
Euclides Riquetti
21-11-2012
Saio do conforto daqui
Liberto-me de meu céu imaginário
Navego no mundo, solitário
E vou pra perto de ti., de ti, de ti...
Transcendo
Busco as respostas que ainda não tenho
Volto no tenro passado
Projeto-me o futuro desejado
Viajo, vou e venho...
Transcendo
Porque acomodar-me é covardia
Porque omitir-me é vergonhoso
Não combina com meu ser impetuoso
Há a desafiar-me, sempre, a ousadia.
Transcendo
É a maneira que tenho para estar contigo
De tocar tuas mãos e beijar teus lábios
De dizer-te os versos mais raros
De chorar em teu ombro amigo.
Transcendo
Para exercitar minha rebeldia
Para dizer-te de meu encantamento
Para, com todo o arrebatamento
Abrir-te minha alma, guria...
Transcendo...
Euclides Riquetti
21-11-2012
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Zortéa - Tempos que não voltam mais
Uma parte de minha vida, do início de 1977 ao final 1979, morei no Distrito de Zortéa, que pertencia ao município de Capos Novos. Lá eu convivia com três segmentos sociais distintos: Havia os professores e alunos da Escola Básica Major Cipriano Rodrigues Almeida; meus colegas de escritório da Zortéa Brancher S/A - Compensados e esquadrias; e a turma do futebol, que atuava numa quadra de esportes com piso de cimento e no campo gramado do Grêmio Esportivo Lírio.
Na condição de professor, eu atuava pela manhã e noite e, à tarde, no Departamento Financeiro da empresa, na função de controlar os débitos para com fornecedores e redigir correspondências. Traduzia as que chegavam do exterior e vertia para o Inglês as que eram enviadas para o Reino Unido, Argentina, Haiti, Iraque, Arábia Saudita, dentre outros. E ainda emitia faturas pro-forma para a venda de compensados nas exportações. Foi uma época em que muito aprendi e muito me diverti. As pessoas, lá, eram muito felizes.
Em 1978 a comunidade católica recebeu os Padres Missionários, com quem fizemos muita amizade. Havia o Padre Mantovani, que chamávamos de Gringo, era natural de Lacerdópolis, muito carismático, conseguiu envolver, com seus colegas, a comunidade local para a religião, para a busca do bem. E o envolvimento vinha com a escola, a família, a comunidade, e até a empresa, que realizava turnos de trabalho diferenciados de forma que os empregados pudessem participar das Missões.
Bem, acabei envolvido de tal maneira que me tornei celebrante de cultos religiosos. Fiz isso durante dois anos. Mas, paralelamente, jogava minha bolinha, treinando nos finais de tarde e jogando aos sábados e domingos, preferencialmente futebol de campo. E, aí, me vem uma história que me faz rir:
Marcamos um jogo dos professores e maridos das professoras contra os alunos, para um domingo de manhã, às 10 horas. E, naquele domingo, era minha vez de celebrar o culto. Cheguei cedo à Capela, deixei meu fusca branco, novinho, estacionado "em ponto de bala" na estradinha ao lado dela, com meu kichutte na bolsa. Tão logo terminasse o culto, eu iria para o campo jogar.
Fiz minha parte na celebração e quando eram nove e quarenta anunciei o canto final. E, enquanto cantavam, saí, liguei o fusca e desci para o campo. Jogamos alegremente, numa boa.
Na segunda-feira, bem cedo, o amigo Darci Zílio, que era Ministro da Ecaristia, procurou-me: " O que aconteceu que você não deu a bênção final e saiu de fuque, sem terminar o culto?" Argumentei que eu acabara o culto, anunciara o canto e saíra para o jogo.
O Darci me cai na gargalhada: "Seu maluco, você esqueceu de dar a bênção final!" Todos ficaram um bom tempo esperando. Achavam que você tinha se sentido mal e saído às pressas. Como você não voltou, eu mesmo dei a bênção!" Que vergonha!...
Bem, há poucos instantes eu soube, pelo seu filho, Vanderley, via facebook, que o Darci já morreu há 8 anos...
É, fiquei devendo uma pro amigo Zílio, que me ajudou naquela. Agora, é rezar um pouco pra que ele tenha a recompensa, lá em cima, por tudo o que sempre fez pelos amigos e comunidade de Zortéa.
Euclide Riquetti
20-11-2012
Na condição de professor, eu atuava pela manhã e noite e, à tarde, no Departamento Financeiro da empresa, na função de controlar os débitos para com fornecedores e redigir correspondências. Traduzia as que chegavam do exterior e vertia para o Inglês as que eram enviadas para o Reino Unido, Argentina, Haiti, Iraque, Arábia Saudita, dentre outros. E ainda emitia faturas pro-forma para a venda de compensados nas exportações. Foi uma época em que muito aprendi e muito me diverti. As pessoas, lá, eram muito felizes.
Em 1978 a comunidade católica recebeu os Padres Missionários, com quem fizemos muita amizade. Havia o Padre Mantovani, que chamávamos de Gringo, era natural de Lacerdópolis, muito carismático, conseguiu envolver, com seus colegas, a comunidade local para a religião, para a busca do bem. E o envolvimento vinha com a escola, a família, a comunidade, e até a empresa, que realizava turnos de trabalho diferenciados de forma que os empregados pudessem participar das Missões.
Bem, acabei envolvido de tal maneira que me tornei celebrante de cultos religiosos. Fiz isso durante dois anos. Mas, paralelamente, jogava minha bolinha, treinando nos finais de tarde e jogando aos sábados e domingos, preferencialmente futebol de campo. E, aí, me vem uma história que me faz rir:
Marcamos um jogo dos professores e maridos das professoras contra os alunos, para um domingo de manhã, às 10 horas. E, naquele domingo, era minha vez de celebrar o culto. Cheguei cedo à Capela, deixei meu fusca branco, novinho, estacionado "em ponto de bala" na estradinha ao lado dela, com meu kichutte na bolsa. Tão logo terminasse o culto, eu iria para o campo jogar.
Fiz minha parte na celebração e quando eram nove e quarenta anunciei o canto final. E, enquanto cantavam, saí, liguei o fusca e desci para o campo. Jogamos alegremente, numa boa.
Na segunda-feira, bem cedo, o amigo Darci Zílio, que era Ministro da Ecaristia, procurou-me: " O que aconteceu que você não deu a bênção final e saiu de fuque, sem terminar o culto?" Argumentei que eu acabara o culto, anunciara o canto e saíra para o jogo.
O Darci me cai na gargalhada: "Seu maluco, você esqueceu de dar a bênção final!" Todos ficaram um bom tempo esperando. Achavam que você tinha se sentido mal e saído às pressas. Como você não voltou, eu mesmo dei a bênção!" Que vergonha!...
Bem, há poucos instantes eu soube, pelo seu filho, Vanderley, via facebook, que o Darci já morreu há 8 anos...
É, fiquei devendo uma pro amigo Zílio, que me ajudou naquela. Agora, é rezar um pouco pra que ele tenha a recompensa, lá em cima, por tudo o que sempre fez pelos amigos e comunidade de Zortéa.
Euclide Riquetti
20-11-2012
sábado, 17 de novembro de 2012
Evita Perón - A História de um Mito (primeira parte)
Quatro décadas após sua morte, Maria Eva Duarte de Perón, a Evita (07-05-1919 - 26-07-1952), ainda fascina poetas, escritores e diretores do cinema mundial. O fato de ela ter morrido de câncer, aos 33 anos, quando era a Primeira Dama da Argentina e estava no auge de sua popularidade, muito contribuiu para a propagação de seu nome. Evita foi tema recorrente nos noticiários radiofônicos e televisivos do mundo pelo menos por duas décadas após a sua morte. E, até hoje, seus fãs, como eu, lembram dela com emoção.
Em minha infância e juventude, muito ouvia falar de "Evita", a "Santa Evita", protetora dos descamisados e das mulheres da Argentina. Evita, que fora esposa do Presidente Juan Domingo Perón, tornou-se um mito, mais pelo seu carisma e talento político do que por seus dotes artísticos. Mas, até hoje, o povo argentino chora sua morte... Meu primeiro contato efetivo com sua história ocorreu em 1979, quando recebi a incumbência de um amigo e patrão, Lourenço Brancher, de traduzir a ópera-rock que foi produzida em sua homenagem. Era um álbum com disco de vinil e a letra impressa de "Evita". Encantei-me com sua história, comecei a pesquisar sobre sua vida e fui lendo tudo o que pude encontrar sobre ela. Mais adiante, com o sucesso de uma música em sua homenagem, passei a emocionar-me em todos os momentos que a ouvi. Evita era bonita, mas muito mais bonita era sua história...
Eva Duarte era filha de Juana Ibarguren, a bela amante de um fazendeiro do povoado de Los Toldos, localizado ao sul de Junin, Província de Buenos Aires. Juana fora adquirida pelo estancieiro, a troco de uma carroça e um jumento...Ela e mais quatro irmãos, um menino e três meninas, foram criados na fazenda, ao mesmo tempo que seu pai, Juan Duarte, vivia com sua família e seus outros seis filhos legítimos, em Junin. O pai dava assistência aos filhos que teve com Juana, até que ele morreu. E os filhos de Juana eram constantemente humilhados por serem bastardos. Depois, a família, desprotegida, quando Eva tinha 11 anos, foi morar em Junin.
Evita era obstinada em tornar-se atriz famosa e, aos 15, com seu irmão Juancito, a sonhadora foi trabalhar em Buenos Aires, levada pelo cantor de tangos Agustín Magaldi, onde pretendia fazer carreira como atriz de teatro e cinema.
Desde criança, Eva sonhava em ser atriz, inspirando-se em Norma Shearer, americana. Queria ser igual a ela, ter as mesmas coisas belas que ela tinha, morar em casas como ela morava. Evita era uma sonhadora, tando que, ainda menina, dizia: "Só me casarei com um príncipe ou um presidente!"
Conseguiu um papel no filme "Segundos Afuera", em 1937, e passou a integrar elencos de radionovelas, fazendo com que, aos poucos, fosse tornando-se conhecida em Buenos Aires.
Seu conto de fadas, no entanto, começou a ganhar corpo em 1944, quando o então Coronel Juan Domingo Perón, Vice-presidente da República da Argentina, e Ministro do Trabalho e da Guerra, promoveu um evento artístico no Ginásio Luna Park, em, Buenos Aires, para angariar fundos para as vítimas de um terremoto. Eva aproveitou-se da situação em que uma atriz que acompanhava o Coronel levantou-se e sentou-se em seu lugar, ao seu lado. Encantada que era com seu ídolo, disse-lhe, francamente, e do fundo de seu coração: "Coronel, obrigada por existir!"
Dali para seu casamento com ele, no ano seguinte, foi apenas uma questão de tempo. Apaixonaram-se e, aos 25 anos, tornara-se esposa do político de grande influência em seu país, por defender as classes operárias. Ela, igualmente, defendia os pobres e as mulheres. Sofrera humilhações na infância e não queria o mesmo para seus compatriotas. Perón, em razão de suas posições fortes em favor dos operários, foi preso pelos militares conservadores. No entanto, a luz de Evita começa a brilhar mais fortemente, liderando comícios e manifestações em favor do amado, e ele é libertado. E, em 1946, é eleito Presidente da Argentina, com o incondicional apoio de sua Evita.
Evita consegue o direito de voto às mulheres e luta pelos seus "descamisados". Torna-se um mito. É idoltrada e venerada pelos argentinos, e suas aparições na sacada da Casa Rosada atraem uma grande massa de seguidores. O sonho de mocinha que queria ser atriz é substituído pelo carisma e habilidade política. Suas palavras alentam e dão esperança de dias melhores para todos os que a admiram e ouvem. E, em apenas sete anos, a menina de Los Toldos transforma-se numa poderosa líder, a Líder Espiritual dos Argentinos, tornando-se parte integrante de sua vida e de sua história...
Euclides Riquetti
17-11-2012
Em minha infância e juventude, muito ouvia falar de "Evita", a "Santa Evita", protetora dos descamisados e das mulheres da Argentina. Evita, que fora esposa do Presidente Juan Domingo Perón, tornou-se um mito, mais pelo seu carisma e talento político do que por seus dotes artísticos. Mas, até hoje, o povo argentino chora sua morte... Meu primeiro contato efetivo com sua história ocorreu em 1979, quando recebi a incumbência de um amigo e patrão, Lourenço Brancher, de traduzir a ópera-rock que foi produzida em sua homenagem. Era um álbum com disco de vinil e a letra impressa de "Evita". Encantei-me com sua história, comecei a pesquisar sobre sua vida e fui lendo tudo o que pude encontrar sobre ela. Mais adiante, com o sucesso de uma música em sua homenagem, passei a emocionar-me em todos os momentos que a ouvi. Evita era bonita, mas muito mais bonita era sua história...
Eva Duarte era filha de Juana Ibarguren, a bela amante de um fazendeiro do povoado de Los Toldos, localizado ao sul de Junin, Província de Buenos Aires. Juana fora adquirida pelo estancieiro, a troco de uma carroça e um jumento...Ela e mais quatro irmãos, um menino e três meninas, foram criados na fazenda, ao mesmo tempo que seu pai, Juan Duarte, vivia com sua família e seus outros seis filhos legítimos, em Junin. O pai dava assistência aos filhos que teve com Juana, até que ele morreu. E os filhos de Juana eram constantemente humilhados por serem bastardos. Depois, a família, desprotegida, quando Eva tinha 11 anos, foi morar em Junin.
Evita era obstinada em tornar-se atriz famosa e, aos 15, com seu irmão Juancito, a sonhadora foi trabalhar em Buenos Aires, levada pelo cantor de tangos Agustín Magaldi, onde pretendia fazer carreira como atriz de teatro e cinema.
Desde criança, Eva sonhava em ser atriz, inspirando-se em Norma Shearer, americana. Queria ser igual a ela, ter as mesmas coisas belas que ela tinha, morar em casas como ela morava. Evita era uma sonhadora, tando que, ainda menina, dizia: "Só me casarei com um príncipe ou um presidente!"
Conseguiu um papel no filme "Segundos Afuera", em 1937, e passou a integrar elencos de radionovelas, fazendo com que, aos poucos, fosse tornando-se conhecida em Buenos Aires.
Seu conto de fadas, no entanto, começou a ganhar corpo em 1944, quando o então Coronel Juan Domingo Perón, Vice-presidente da República da Argentina, e Ministro do Trabalho e da Guerra, promoveu um evento artístico no Ginásio Luna Park, em, Buenos Aires, para angariar fundos para as vítimas de um terremoto. Eva aproveitou-se da situação em que uma atriz que acompanhava o Coronel levantou-se e sentou-se em seu lugar, ao seu lado. Encantada que era com seu ídolo, disse-lhe, francamente, e do fundo de seu coração: "Coronel, obrigada por existir!"
Dali para seu casamento com ele, no ano seguinte, foi apenas uma questão de tempo. Apaixonaram-se e, aos 25 anos, tornara-se esposa do político de grande influência em seu país, por defender as classes operárias. Ela, igualmente, defendia os pobres e as mulheres. Sofrera humilhações na infância e não queria o mesmo para seus compatriotas. Perón, em razão de suas posições fortes em favor dos operários, foi preso pelos militares conservadores. No entanto, a luz de Evita começa a brilhar mais fortemente, liderando comícios e manifestações em favor do amado, e ele é libertado. E, em 1946, é eleito Presidente da Argentina, com o incondicional apoio de sua Evita.
Evita consegue o direito de voto às mulheres e luta pelos seus "descamisados". Torna-se um mito. É idoltrada e venerada pelos argentinos, e suas aparições na sacada da Casa Rosada atraem uma grande massa de seguidores. O sonho de mocinha que queria ser atriz é substituído pelo carisma e habilidade política. Suas palavras alentam e dão esperança de dias melhores para todos os que a admiram e ouvem. E, em apenas sete anos, a menina de Los Toldos transforma-se numa poderosa líder, a Líder Espiritual dos Argentinos, tornando-se parte integrante de sua vida e de sua história...
Euclides Riquetti
17-11-2012
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Poe(a)mei Perfeito
Poe(a)mei um dia
Poe(a)maste também
Poe(a)mou a menina que lia
Poe(a)mamos como ninguém.
Poe(a)mastes, gurias
Poe(a)maram aqui, e além...
Um simplesTempo Perfeito
Um Indicativo de Modo refeito
Algo frágil, despretensioso
Mas um gesto carinhoso...
Com acanhado jeito
Vou ordenando palavras
Pretas, cinzas, alvas
Com ou sem (d)efeito.
É assim meu modo de compor
De meus versos dispor
De passar meu recado.
De expressar meu amor
De esconder minha dor
De amar... e ser amado!
Euclides Riquetti
16-11-2012
Poe(a)maste também
Poe(a)mou a menina que lia
Poe(a)mamos como ninguém.
Poe(a)mastes, gurias
Poe(a)maram aqui, e além...
Um simplesTempo Perfeito
Um Indicativo de Modo refeito
Algo frágil, despretensioso
Mas um gesto carinhoso...
Com acanhado jeito
Vou ordenando palavras
Pretas, cinzas, alvas
Com ou sem (d)efeito.
É assim meu modo de compor
De meus versos dispor
De passar meu recado.
De expressar meu amor
De esconder minha dor
De amar... e ser amado!
Euclides Riquetti
16-11-2012
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Raul Seixas - Amigo Pedro era de Joaçaba?
Raul Seixas, bahiano que virou uma referência do rock brasileiro no início da década de 1970, começou cantando em Salvador, Bahia, com grupos de cantores locais de pouquíssima expressão. Bem jovem, o filho de família de classe média que não gostava de estudar foi para o Rio de Janeiro, onde gravou seu primeiro disco, "Raulzito e Os Panteras". Seu maior sucesso como Raulzito foi com a música "Roda Gigante", que na minha adolescência eu ouvia tocar nas rádios Clube de Capinzal, onde o Joe Bertola, o Vilmar Matté, o Pimba, a Alda Meyer e o Válter Bazzo, meus contemporâneos, a colocavam para rodar, e nas rádios Catarinense, de Joaçaba; Rural, de Concórdia; e Fátima de Vacaria.
Embora o Raulzito não tenha emplacado como sucesso nacional, as pessoas de minha geração, em nossa região, cantavam muito e curtiam a "Roda Gigante". Mas, verdadeiramente, a música que mais "abalou as estruturas" em Ouro e Capinzal foi "Amigo Pedro", ao final da década de 1970. As pessoas gravavam-na em fitas cassette e repetiam-na nos toca-fitas dos carros. Lembro que meu irmãos, o Piro e o Ironi, muito a ouviam no somzinho do fusca OK 0445, azul, muito conhecido em nossa cidade na segunda metade daque década. E nos rádios dos pedreiros, carpinteiros, eletricistas e encanadores, nas casas em construção, quando alguém passava era difícil não ouvir essa música. Quando era tocada, aumentavam o volume do rádio...
Pouco antes, quando Raul Seixas esteve em Joaçaba, fez um memorável show e ficou uma semana por aqui. Há muitas histórias e muitas versões sobre a composição de "Amigo Pedro", que fora escrita em um guardanapo de papel. A que mais me convenceu foi a que me contou o amigo Ademir Pedro Belotto, nosso radialista e premiado comunicador: Após o show de Joaçaba, Raul Seixas foi para a fazenda em Água Doce, de um amigo que fez por aqui. Não vou dizer onde este trabalhava porque acabaria dando de bandeja a identidade do cara, mas se chamava Pedro e até trabalhou numa repartição pública da cidade. Pedro o levou para descansar e "viajar" por lá. O cantor ficou muito amigo do Pedro e, algum tempo depois de ter ido embora, comunicou-lhe que compusera "Amigo Pedro" em sua homenagem.
Independente de qual das muitas versões que existem sobre isso, tem-se como certo de que a inspiração para a música veio daqui, onde eu moro hoje. Nosso Maluco Beleza, que fez muito sucesso com Gita e outras canções, morreu aos 45 anos de idade, após 4 casamentos, muito álcool e outras substâncias ingeridas ou inaladas. E o grande contestador, uma das principais expressões do rock brasileiro de todos os tempos, que também foi chamado de "Pai do Rock", merece nossa reverência por nos ter deixado um considerável, belo e de altíssima qualidade musical. Seu acervo é muito valioso. Fui fã dele também.
Euclides Riquetti
15-11-2012
Embora o Raulzito não tenha emplacado como sucesso nacional, as pessoas de minha geração, em nossa região, cantavam muito e curtiam a "Roda Gigante". Mas, verdadeiramente, a música que mais "abalou as estruturas" em Ouro e Capinzal foi "Amigo Pedro", ao final da década de 1970. As pessoas gravavam-na em fitas cassette e repetiam-na nos toca-fitas dos carros. Lembro que meu irmãos, o Piro e o Ironi, muito a ouviam no somzinho do fusca OK 0445, azul, muito conhecido em nossa cidade na segunda metade daque década. E nos rádios dos pedreiros, carpinteiros, eletricistas e encanadores, nas casas em construção, quando alguém passava era difícil não ouvir essa música. Quando era tocada, aumentavam o volume do rádio...
Pouco antes, quando Raul Seixas esteve em Joaçaba, fez um memorável show e ficou uma semana por aqui. Há muitas histórias e muitas versões sobre a composição de "Amigo Pedro", que fora escrita em um guardanapo de papel. A que mais me convenceu foi a que me contou o amigo Ademir Pedro Belotto, nosso radialista e premiado comunicador: Após o show de Joaçaba, Raul Seixas foi para a fazenda em Água Doce, de um amigo que fez por aqui. Não vou dizer onde este trabalhava porque acabaria dando de bandeja a identidade do cara, mas se chamava Pedro e até trabalhou numa repartição pública da cidade. Pedro o levou para descansar e "viajar" por lá. O cantor ficou muito amigo do Pedro e, algum tempo depois de ter ido embora, comunicou-lhe que compusera "Amigo Pedro" em sua homenagem.
Independente de qual das muitas versões que existem sobre isso, tem-se como certo de que a inspiração para a música veio daqui, onde eu moro hoje. Nosso Maluco Beleza, que fez muito sucesso com Gita e outras canções, morreu aos 45 anos de idade, após 4 casamentos, muito álcool e outras substâncias ingeridas ou inaladas. E o grande contestador, uma das principais expressões do rock brasileiro de todos os tempos, que também foi chamado de "Pai do Rock", merece nossa reverência por nos ter deixado um considerável, belo e de altíssima qualidade musical. Seu acervo é muito valioso. Fui fã dele também.
Euclides Riquetti
15-11-2012
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Godofredo Thaler e seu Legado
Soubemos, agora há pouco, da perda de Godofredo Thaler, escultor de Treze Tílias, terra da escultura catarinense. Conheci o Godofredo quando estive na casa dele, em 1978, juntamente com o Anibal Formighieri, marido da Vitória Brancher, (meus compadres), para realizar a encomenda de uma escultura em cedro, de Jesus Cristo Crucificado. O Cristo destinava-se à Capela de Santa Catarina, do então Distrito de Zortéa, que mais tarde passou a ser Município. Estava em sua nova casa, localizada à entrada da cidade, lado esquerdo da Rodovia, construída nos padrões de arquitetura austríacos, características daquela cidade, cujos moradores, em sua maioria, são originários do Tirol.
Thaler nos recebeu com sua maneira simples, um verdadeiro gentleman, modos e personalidade moldados à arte. Conversamos muito antes de irmos ao assunto que nos levara até ele. Contou-nos que no início da década de 1970 fizera uma escultura do mesmo Cristo para a Capela Dom Bosco, do Congresso Nacional, em Brasília. Ganhara um bom dinheiro, suficiente para comprar um Chevrolet Opala, zero quilômetro, o sonho de consumo da época, carro de mais de 40 mil dólares. E ainda grana que lhe possibilitou ficar um ano na Europa, passeando, centrado no Tirol, mas com incursões para os países europeus. Também nos relatou que esculpira o Cristo da Catedral Santa Terezinha, de Joaçaba, igualmente majestoso. E muitos outros.
Falamos de orçamento e ele aceitou que lhe enviássemos um cedro de bom tamanho, para que fizesse nosso Cristo Esculpido, reduzindo o valor, cobrando apenas seu trabalho. O Cristo ficou maravilhosamente colocado atrás do altar da Capela de Zortéa. Numa época, pintaram a escultura, mas o vigário da Paróquia fez com que o lixassem e restabelecessem sua cor de madeira natural.
Lamentamos, profundamente, a partida de Godofredo Thaler, o principal representante da escultura catarinense. E, através do Andrezinho Thaler, nosso amigo, queremos expressar nossas sentidas condolências à família. Que Deus o receba em sua Glória Eterna e que ele possa continuar, lá, esculpindo anjos no céu.
Euclides Riquetti
14-11-2012
Thaler nos recebeu com sua maneira simples, um verdadeiro gentleman, modos e personalidade moldados à arte. Conversamos muito antes de irmos ao assunto que nos levara até ele. Contou-nos que no início da década de 1970 fizera uma escultura do mesmo Cristo para a Capela Dom Bosco, do Congresso Nacional, em Brasília. Ganhara um bom dinheiro, suficiente para comprar um Chevrolet Opala, zero quilômetro, o sonho de consumo da época, carro de mais de 40 mil dólares. E ainda grana que lhe possibilitou ficar um ano na Europa, passeando, centrado no Tirol, mas com incursões para os países europeus. Também nos relatou que esculpira o Cristo da Catedral Santa Terezinha, de Joaçaba, igualmente majestoso. E muitos outros.
Falamos de orçamento e ele aceitou que lhe enviássemos um cedro de bom tamanho, para que fizesse nosso Cristo Esculpido, reduzindo o valor, cobrando apenas seu trabalho. O Cristo ficou maravilhosamente colocado atrás do altar da Capela de Zortéa. Numa época, pintaram a escultura, mas o vigário da Paróquia fez com que o lixassem e restabelecessem sua cor de madeira natural.
Lamentamos, profundamente, a partida de Godofredo Thaler, o principal representante da escultura catarinense. E, através do Andrezinho Thaler, nosso amigo, queremos expressar nossas sentidas condolências à família. Que Deus o receba em sua Glória Eterna e que ele possa continuar, lá, esculpindo anjos no céu.
Euclides Riquetti
14-11-2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Genghis Khan Moscow - Quantas saudades!
A partir de 1979 os programas de auditório da Televisão Brasileira apresentavam um grupo dançante/musical chamado Genghis Khan. No ano seguinte, as rádios não paravam de tocar suas músicas, já estava no auge de sua carreira, sendo integrado por dois homens e duas mulheres: Jorge Danel (Thor) líder do grupo; Omar Leon (Genghis), vocalista; Heloísa Nascimento (Tuly): e Tânia Souza (Tânia). Tinham um visual bastante exótico e atraente, que ajudava muito a fazerem sucesso.
Na verdade, o conjunto brasileiro ( e pouca gente sabia na época), era um grupo "cover" do autêntico Dschinghis Khan, da Alemanha, que fazia sucesso com a música "Moskau", e cujas traduções de sua letra pouco têm a ver com a significação original: "Moscow, Queen of the Russian land/ Built like a rock to stand, proud and divine..." E os temas de todos os seus sucessos musicais revernciavam o Mongol Genhis Khan, que viveu entre 1162 1227, grande líder e guerreiro da época.
Mas, o conjunto habilmente treinado para coreografias, fazia dublagem das canções originais, principalmente de "Moscow" e "Genghis Khan". Mais adiante, gravaram com sua própria voz o grande sucesso infantil "Comer Comer", e outras canções em português, que os ajudaram a vender milhares de discos e à contratação para infindável número de shows. Tinham que viajar com aviões fretados, tantos eram os shows para os quais eram contratados. Faziam sucesso em todo o território nacional.
A segunda metade da década de 1970 comportou uma grande onda de hits disco-dance, com bandas como Boney M, que projetou-se mundialmente com "Brown girl in the ring" e "Rivers of Babylon" e a norteamericana Village People, com "Macho Man", "Y.M.C.A", "In the Navy" e "Go west", sendo também executadas em todas as pistas de danças e no rádio brasileiro. A Genghis Khan veio complementar a onda.
Infelizmente, em 1990 a banda brasileira então chamada Brazilian Genghis Khan perdeu seu Genghis, Omar Leon, que morreu infartado dentro de um avião, e Tuly, vitimada por câncer, no ano seguinte. Foi uma grande perda para o grupo. O próprio grupo original, da Alemanha, perdeu dois de seus integrantes, um de aids e outro de câncer, mas conseguiram nova formação e conseguem atuar ainda, agora com o nome de "The Lagacy of Dschinghis Khan", mas sempre executando o sucesso "Moskau".
Danel, com o apoio de Tuly, tentou novas formações para a Banda, mas de real, mesmo, só nos restam as lembraças do som discotheque, que bombou e animou as noites nas casas de show e bailes da última geração jovem que precedeu o presente milênio.
Tenho, sempre, muitas saudades daquele tempo em que músicas bonitas embalavam nossos sonhos e ilusões, eram agradáveis de se ouvirem, bem melhor do que o muito lixo que hoje é produzido em termos de música.
Euclides Riquetti
13-11-2012
Na verdade, o conjunto brasileiro ( e pouca gente sabia na época), era um grupo "cover" do autêntico Dschinghis Khan, da Alemanha, que fazia sucesso com a música "Moskau", e cujas traduções de sua letra pouco têm a ver com a significação original: "Moscow, Queen of the Russian land/ Built like a rock to stand, proud and divine..." E os temas de todos os seus sucessos musicais revernciavam o Mongol Genhis Khan, que viveu entre 1162 1227, grande líder e guerreiro da época.
Mas, o conjunto habilmente treinado para coreografias, fazia dublagem das canções originais, principalmente de "Moscow" e "Genghis Khan". Mais adiante, gravaram com sua própria voz o grande sucesso infantil "Comer Comer", e outras canções em português, que os ajudaram a vender milhares de discos e à contratação para infindável número de shows. Tinham que viajar com aviões fretados, tantos eram os shows para os quais eram contratados. Faziam sucesso em todo o território nacional.
A segunda metade da década de 1970 comportou uma grande onda de hits disco-dance, com bandas como Boney M, que projetou-se mundialmente com "Brown girl in the ring" e "Rivers of Babylon" e a norteamericana Village People, com "Macho Man", "Y.M.C.A", "In the Navy" e "Go west", sendo também executadas em todas as pistas de danças e no rádio brasileiro. A Genghis Khan veio complementar a onda.
Infelizmente, em 1990 a banda brasileira então chamada Brazilian Genghis Khan perdeu seu Genghis, Omar Leon, que morreu infartado dentro de um avião, e Tuly, vitimada por câncer, no ano seguinte. Foi uma grande perda para o grupo. O próprio grupo original, da Alemanha, perdeu dois de seus integrantes, um de aids e outro de câncer, mas conseguiram nova formação e conseguem atuar ainda, agora com o nome de "The Lagacy of Dschinghis Khan", mas sempre executando o sucesso "Moskau".
Danel, com o apoio de Tuly, tentou novas formações para a Banda, mas de real, mesmo, só nos restam as lembraças do som discotheque, que bombou e animou as noites nas casas de show e bailes da última geração jovem que precedeu o presente milênio.
Tenho, sempre, muitas saudades daquele tempo em que músicas bonitas embalavam nossos sonhos e ilusões, eram agradáveis de se ouvirem, bem melhor do que o muito lixo que hoje é produzido em termos de música.
Euclides Riquetti
13-11-2012
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Saneamento Básico - O Filme??
A Serra Gaúcha é o ponto de origem da maioria dos descendentes de imigrantes italianos que vieram povoar o Oeste e Meio Oeste de Santa Catarina há um século. (Lá, chegaram no terceiro quarto do Século XIX). Daqui, as gerações seguintes seguiram para o Oeste e Norte do Paraná. E, mais adiante, os descendentes destas tomaram os rumos do Mato Grosso e Rondônia. A insatisfação do Ser Humano, que busca fazer triunfarem seus propósitos e ideais, leva-o a mudar de ares. A cada duas ou três gerações se verificam grandes mudanças no comportamento das pessoas e acontece a sua mobilização em busca de outras paragens, onde possam saciar sua ânsia por satisfazer seus projetos pessoais ou empreendimentos.
Nas vezes que estive visitando a região de Caxias do Sul, Nova Petrópolis, Gramado, Canela, Farroupilha, e Bento gonçalves, sempre fiquei muito atento às paisagens, aos costumes preservados, à história de cada lugar, pois de Farroupilha vieram meus pais para Linha Bonita, Ouro, pouco antes de 1930.
Dentre as visitas mais aprazíveis contabilizo as em que estive em Bento Gonçalves, visitando vinhedos e o Caminho das Pedras. Neste, em meados de dezembro de 2007, conheci o local onde foi ambientado "Saneamento Básico -O Filme", com participação dos talentosos Fernanda Torres, Wagner Moura, Lázaro Ramos, Camila Pitanga, Bruno Garcia, Paulo José e Tonico Pereira, dentre outros. Na oportunidade, uma guia nos mostrava onde se deram algumas locações. Lázaro Ramos, que havia interpretado o Foguinho, numa novela da Rede Globo, estava numa grande ascensão no meio artístico brasileiro.
Agora, tive a oportunidade de assistir ao filme pela TV, no silêncio da madrugada de hoje. A trama se desenvolve numa fictícia vila localizada na Linha Cristal, em Bento Gonçalves - RS, a qual tem o seu Rio Cristal transformado numa verdadeira cloaca malcheirosa, fedida mesmo. E um Conselho Comunitário, onde se sobressaem os líderes Marina (Fernanda Torres); Joaquim Figueiredo, marido de Marina (Wagner Moura); e Otaviano, pai de Marina (Paulo José), resolve que devem buscar, na sub-prefeitura local, apoio para resolução do problema do esgoto da vila, que polui o rio. E a obra está orçada em R$ 8.000,00. (Vejam bem, leitores, orçamento certinho para execução sem licitação... ) O empreiteiro é um italiano vivido por Tonico Pereira, que justifica que são precisos 15 sacos de cimento por metro cúbico de concreto, quando se tem em conta que são necessários apenas 7...
Na sub-prefeitura, Marina é informada de que não há previsão no Orçamento Municipal para a obra, mas de que dispõem de uma verba de R$ 10.000,00, concedida pelo Governo Federal, para a produção de um filme ou vídeo de ficção científica. E, se o dinheiro não for utilizado para um filme, volta para Brasília.
Marina e Joaquim resolvem que produzirão o vídeo e, com o dinheiro, farão a dita fossa que vai livrar o rio da poluição. Há uma sequência de fatos muito dinâmica, nada enfadonha. E conseguem ver o filme finalizado, tornando-se sucesso, melhorando a visitação turística à vila. E a fossa, será que sai???
A produção de Jorge Furtado tem um enredo muito bom, acima do padrão brasileiro. E um elenco de excelência, com assinatura e distribuição pela Globo Filmes, boa trilha sonora com base em cancioneiro italiano. O cenário é muito bonito e não é o componente principal da fita, onde a ação proposta na trama é que desponta.
A Serra Gaúcha já foi palco de pelo menos três filmes que muito me chamaram a atenção: Férias no Sul, com Davi Cardoso e Vera Fisher, na década de 1960; O Quatrilho, com Patrícia Pillar e Glória Pires, na década de 1990; e este, de 2007.
Sobre o primeiro, com locações em Blumenau e Gramado, já referi em outra oportunidade. O próprio Davi Cardoso me falou sobre ele, em 1989, quando esteve com o Pelé em Capinzal. Sobre "O Quatrilho", por sua história ter sido inspirada em acontecimentos que envolveram pessoas de famílias cujos descendentes moram em nossa região, ainda vou me mnifestar. E, quanto ao "Saneameto Básico - O Filme", acho que poderiam ter escolhido um título mais sugestivo. Fica a recomendação: quando tiver oportunidade, assista.
Euclides Riquetti
12-11-2012
Nas vezes que estive visitando a região de Caxias do Sul, Nova Petrópolis, Gramado, Canela, Farroupilha, e Bento gonçalves, sempre fiquei muito atento às paisagens, aos costumes preservados, à história de cada lugar, pois de Farroupilha vieram meus pais para Linha Bonita, Ouro, pouco antes de 1930.
Dentre as visitas mais aprazíveis contabilizo as em que estive em Bento Gonçalves, visitando vinhedos e o Caminho das Pedras. Neste, em meados de dezembro de 2007, conheci o local onde foi ambientado "Saneamento Básico -O Filme", com participação dos talentosos Fernanda Torres, Wagner Moura, Lázaro Ramos, Camila Pitanga, Bruno Garcia, Paulo José e Tonico Pereira, dentre outros. Na oportunidade, uma guia nos mostrava onde se deram algumas locações. Lázaro Ramos, que havia interpretado o Foguinho, numa novela da Rede Globo, estava numa grande ascensão no meio artístico brasileiro.
Agora, tive a oportunidade de assistir ao filme pela TV, no silêncio da madrugada de hoje. A trama se desenvolve numa fictícia vila localizada na Linha Cristal, em Bento Gonçalves - RS, a qual tem o seu Rio Cristal transformado numa verdadeira cloaca malcheirosa, fedida mesmo. E um Conselho Comunitário, onde se sobressaem os líderes Marina (Fernanda Torres); Joaquim Figueiredo, marido de Marina (Wagner Moura); e Otaviano, pai de Marina (Paulo José), resolve que devem buscar, na sub-prefeitura local, apoio para resolução do problema do esgoto da vila, que polui o rio. E a obra está orçada em R$ 8.000,00. (Vejam bem, leitores, orçamento certinho para execução sem licitação... ) O empreiteiro é um italiano vivido por Tonico Pereira, que justifica que são precisos 15 sacos de cimento por metro cúbico de concreto, quando se tem em conta que são necessários apenas 7...
Na sub-prefeitura, Marina é informada de que não há previsão no Orçamento Municipal para a obra, mas de que dispõem de uma verba de R$ 10.000,00, concedida pelo Governo Federal, para a produção de um filme ou vídeo de ficção científica. E, se o dinheiro não for utilizado para um filme, volta para Brasília.
Marina e Joaquim resolvem que produzirão o vídeo e, com o dinheiro, farão a dita fossa que vai livrar o rio da poluição. Há uma sequência de fatos muito dinâmica, nada enfadonha. E conseguem ver o filme finalizado, tornando-se sucesso, melhorando a visitação turística à vila. E a fossa, será que sai???
A produção de Jorge Furtado tem um enredo muito bom, acima do padrão brasileiro. E um elenco de excelência, com assinatura e distribuição pela Globo Filmes, boa trilha sonora com base em cancioneiro italiano. O cenário é muito bonito e não é o componente principal da fita, onde a ação proposta na trama é que desponta.
A Serra Gaúcha já foi palco de pelo menos três filmes que muito me chamaram a atenção: Férias no Sul, com Davi Cardoso e Vera Fisher, na década de 1960; O Quatrilho, com Patrícia Pillar e Glória Pires, na década de 1990; e este, de 2007.
Sobre o primeiro, com locações em Blumenau e Gramado, já referi em outra oportunidade. O próprio Davi Cardoso me falou sobre ele, em 1989, quando esteve com o Pelé em Capinzal. Sobre "O Quatrilho", por sua história ter sido inspirada em acontecimentos que envolveram pessoas de famílias cujos descendentes moram em nossa região, ainda vou me mnifestar. E, quanto ao "Saneameto Básico - O Filme", acho que poderiam ter escolhido um título mais sugestivo. Fica a recomendação: quando tiver oportunidade, assista.
Euclides Riquetti
12-11-2012
Assinar:
Postagens (Atom)