segunda-feira, 4 de setembro de 2017

O mais importante legado dos 100 anos de Joaçaba



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       Acompanhei, aos meus 14 anos, pelas emissoras de rádio e jornais, os festejos do Cinquentenário de Joaçaba, em 1967. À época, vir a esta cidade, por estradas de terra, era muito difícil; a ligação entre Capinzal-Ouro, onde vivi minha infância e adolescência, e Joaçaba pior ainda. Mas tínhamos a possibilidade de virmos de trem, que de 1910 até meados da década de 1970 era nosso melhor meio de locomoção.
       Na década de 1970, Joaçaba passou a contar com a BR 282, que cortava o município de Leste a Oeste; e a SC 303, de Norte a Sul, ambas asfaltadas, verdadeiras obras de arte que serpenteavam nos campos e vales. O trem, que por quase oito décadas conduziu nosso transporte e nossa História, acabou desativado, restam-nos os trilhos de ferro e os dormentes de madeira que ainda resistem no tempo, no outro lado do Rio do Peixe, no Herval.
       Daquelas festividades, restam-me a lembrança dos shows com cantores renomados da música popular brasileira, as exposições e feiras, os acontecimentos políticos. Tudo forma, em minha cabeça, um legado de História, com o tempero das saudades...
       Agora, uma programação modesta em termos de investimentos financeiros, shows com uma dupla de expressão nacional, Marcos e Belutti;  e uma gaúcha, Osvaldir e Carlos Magrão. Melhor que tivemos expressiva participação de artistas locais, que devem ser valorizados. Mas que devem lutar, grandemente, para que tenham seu próprio espaço, e isso depende mais deles mesmos do que do Poder Público. A construção do sucesso se origina no talento, no esforço, e no desejo de vencer!
       A maior expectativa, certamente, vinha com o desejo de sabermos o que a família Bilibio nos reservava: a abertura de um envelope, a cápsula do tempo, que seu patriarca  nos deixou há 50 anos. Fiquei honrado em poder estar presente no Teadtro Alfredo Sigwalt quando da abertura e tomar conhecimento do que continha: flâmulas alusivas ao cinquentenário e documentos históricos, a partir de registros e de um jornal. Tudo de um valor muito significativo para quem gosta de viver a História e de sentir as emoções sob o prisma poético.
       Mas, o que vai ficar de concreto de tudo isso? De que nós e nossos descendentes iremos lembrar no futuro? O que guardaremos de bem palpável? E a resposta eu tenho pronta: O álbum do Centenário do Município de Joaçaba, organizado por Rogério Augusto Bilibio, Antônio Diomário de Queiros, Antônio Catlos Pereira, o Bolinha, Jucelino Ferraz e Cleacir Lirio Ferraz. Uma obra magnífica, que foi idealizada por sonhadores engajados e apoiada pela Unoesc. Estou deliciando-me com a leitura do livro do cinquentenário, como tem sido chamado. A história de Limeira, Cruzeiro, Joaçaba, precisa ser lida e relida muitas vezes para sem bem entendida. O livro é um primor e nos possibilita compreender todas as fases históricas,  o contexto geográfico e a dimensão cartográfica de um território expressivamente dinâmico. E a nova cápsula do tempo, um caixa de madeira,  que a família Bilibio vai abrir daqui a 50 anos!
       E, reconheçamos que a liderança, a dedicação e o entusiasmo do Bolinha Pereira na coordenação das festividades foram primorosos. Parabéns, amigo, Joaçaba lhe deve muito respeito!

Euclides Riquetti – Escritor – Membro da ALB/SC



Diamante Negro

Diamante brilhante sobre fundo preto Fotos De Bancos De Imagens



Diamante Negro
Um olhar acanhado, uma sutil timidez
A discrição, a virtuosa e doce sensatez
Uma lembrança, um sorriso,  um segredo!

Diamante que se enobrece com o passar dos anos
O mais singelo, magistralmente  lapidado
Soprepôs-se a tudo pelo tempo já passado
E ainda  resplandece e povoa meus sonhos profanos!

Diamante que exala elegância, charme, sensualidade
Mas que esconde, em si, mistérios indecifráveis
Sentimentos ocultos e infindáveis
Que esbalda a fragrância, o perfume, a veleidade...

Diamante de beleza singular
Diamante negro como a noite mais morena
Divindade cândida, dócil, serena
Preciosidade rara e sem par!

Diamante negro, mais do que um corpo bem esculpido
Mulher amada, musa, anjo deslumbrante
Mulher desejada, tal qual raro diamante
Mulher do sorriso de luz, do olhar eternecido!

Mulher diamante
Amada
Distante
Segredo
Que me traz medo!
Tão rara quanto...
Diamante Negro!

Euclides Riquetti

domingo, 3 de setembro de 2017

Parque e Jardim Ouro em versos

           No Bairro Parque e Jardim Ouro -  Ouro - SC - residem muitos amigos meus:centenas de ex-alunos meus, professores que foram meus colegas, atletas que jogaram futebol comigo no "Estádio da Baixada Rubra", do glorioso Arabutã - FC, colegas de trabalho na Prefeitura e colaboradores. Também eleitores que me ajudaram a eleger-me prefeito daquela cidade em 1988, em minha juventude, ou cidadãos e cidadãs com quem compartilhei amizade sincera. Há alguns tempos, já, compus este poema homenageando-os e hoje estou reedidanto-o:

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Sêniors do Arabutã FC - Estádio da Baixada Rubra - Ouro - SC

Em pé: Valdomiro Corrêa, Zucco, Altair Secchi, Ademir Rech

Euclides Riquetti (eu mesmo...), Vicente e Mazzo. Agachados:

Mingo Barbina, Valêncio, Braguinha, Nora e Scarton.


Ao Norte da cidade de Ouro
A Família de Werner da Silva
Fundou um bairro muito nobre
Que recebeu muitas famílias
Nosso Parque e Jardim Ouro
Um lugar que muito brilha!

Sua história é de gente honrada
Honrada e batalhadora
De gente de bem é a morada
Gente honesta e trabalhadora
Uma terra abençoada
Progressista e promissora!

Quantos ali já cresceram
E viram nascer as construções
Das pessoas que ali viveram
Temos muitas recordações
Saudades dos que já morreram
A quem devoto orações!

Frarom, Peroza e Thomé
Grulke, Martins, Bonamigo
Rodrigues, Bernardi e Bonato
Proner e  muitos amigos
Savaris, Lima e Mattos
Moradores muito antigos.

Precisamos também falar
Dos Zóccoli e Vilarino Dutra
E ainda nos  lembrar
Dos Duarte, Faccin e Oliveira
Dos Esganzela e dos Dacás 
Nesta terra hospitaleira.

Vieram depois os Córdova
Os Meneghini e os Deitos
Os Pereira e Schlindenwein
Os Chiocca e os Freitas
Mantovani e Franceschi
Os Andrioni  e os Vieira.

E  também dos Spadini
Com sua seriedade e respeito
Dos  Rosa,  Forlim e  Brandini
Dos Camargo e dos Fonseca
Beviláqua, Coeli e Tidre
Vian, Schwantes e dos Baretta.

Tieppo, Minks, Crippa e Gálio
Zambon, Wulf, Frá  e Franquini
Anjos,  Córdova e Bazzo
Biarzi, Recalcatti e Colpani,
Rático, Storti, Toigo e Santos
Miqueloto, Silveira e Souza.

Minha homenagem aos Garcia
Aos Bassotto e aos Teixeira
Aos Forlin e Morosini
Aos César e aos Possamai
Coronetti e Filipini
Bortolli e a todos os demais.

Os Casara e os Bressan
Pastore, Correa e Chiamolera
Parisotto, Casagrande e  Boz
Basei, Susin e os Durigon
Professora Ione  Dambrós
E ainda Adiles Masson!

Procurei aqui saudar
Os mais antigos moradores
Os pioneiros que lutaram
E ainda os fundadores
Os primeiros que chegaram
Os verdadeiros desbravadores.

Hoje podemos nos orgulhar
Desse povo tão educado
A quem eu quero homenagear 
Com esses versos rimados
Continuem a nos honrar
E sejam por Deus abençoados!

Euclides Riquetti

De negro e de prata


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Anda, a dama de negro, pelo salão de festas
Com seus cabelos ondulados e esvoaçantes
O seu olhar provocador, os passos elegantes
Não, eu nunca tivera antes visão como esta!

Desfila, vai vestida em longo negro e prata
Sapatos pretos e prateados, salto muito alto
Harmonia, leveza, sem nenhum sobressalto
Apenas sua presença que tanto me marca...

Caminha largando os sorrisos de simpatia
Com charme, beleza, tudo muito contagiante
Cenário que eu jamais houvera visto  antes...

Sua presença é exuberante, é a doce magia
Que atrai minha atenção com seus encantos
Atraem meu coração seus atributos tantos!

Euclides Riquetti
03-09-2017






sábado, 2 de setembro de 2017

Fera desprotegida



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Vejo
Desejo
Não o horizonte azul
Nem a neve no sul
Apenas vejo ... e desejo!

Espero
Quero
O melhor momento
Do mundano pensamento
Calmamente,  eu espero... porque quero!

Tu sorris
Tu, ali
Indefesa e desprotegida
Fera desassistida
Em meio a meus pensamentos banais... e vis!

Entendo
Compreendo
Há uma lógica destoante
Em teu rosto fascinante
Belo, formoso, estupendo!

E eu me declaro
Na negra noite, ou no dia claro:
Sou teu fã incondicional!
Não, o mundo não é banal:
Tu és bonita, e resistes
Porque tu és real, e existes!

Euclides Riquetti

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Re-mar


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Eu quero te dar este poema
Que, mesmo com rimas pobres
Enseja sentimentos nobres
Por isso te faço  este poema...

No mar, o barqueiro rema
(Ou será o canoeiro?)
E eu articulo palavras e versos
Procuro ordenar pensamentos incertos
Enquanto o barqueiro rema...
(Ou será o canoeiro?...)

Fiz para ti um desenho na areia
De sóis, de estrelas, de musas
Foram apenas imagens confusas
Mas fiz para ti um desenho na areia...

E, no a(noite)cer, apenas o murmúrio do mar
Harmoniado no embalo da triste canção
Escura é  a paisagem na imensidão
Mas agora, no a(noite)cer, apenas o murmúrio do mar...

E lá, mais lá, como cá, sopra o vento...
Move as folhas verde-escuro tingidas de noite
A maré lança às pedras  o seu doce açoite...
E lá, como cá, sopra o vento!

E eu penso em ti...

Euclides Riquetti

Cheiro de amor, cheiro de paixão



Contato com a natureza melhora qualidade de vida


Cheiro de amor, cheiro de paixão
Teu corpo tem...
Cheiro de desejo, cheiro de sedução
Tem também...
Tem cheiro de mulher nova
Adorável
Carinhosa...

Tem cheiro de fruta fresca
Maçã vermelha, maçã rosada
Uva madura, avermelhada
Que igual nunca antes senti!

Tem perfume de flores frescas
Infinitamente atraentes
Como teu rosto contente
Que me sorri!

Amor e paixão que se confundem
Duas almas  que se completam
Corpos e almas que se locupletam
Almas e corpos que se querem e se fundem
Num só!

Cheiro de desejo, cheiro de sedução
Cheiro de amor e paixão
Teu corpo tem.

Será que o meu tem também?

Euclides Riquetti

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Gestão da Harmonia

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          A natureza é uma perfeita e belíssima orquestra,  onde um infinito número de integrantes agem, harmonicamente, dispondo, convenientemente, seus elementos, proporcionando-nos um sentido lógico, como que embalado em musicalidade.
          Assim também precisa ser a gestão natural de cada empreendimento, onde os elementos se recriam, se coadunam, se integram, interagem, se realizam e produzem riquezas materiais, intelectuais, culturais, filosóficas e mesmo virtuais, gerando a satisfação dos entes envolvidos, proporcionando renda e possibilitando ocupação e exercício profissional. "O novo é algo que vem de duas coisas velhas" - (Ivan Ramos - 1969)
          Pessoas, para serem marca na História, não podem apenas situar-se como uma folha de papel em branco: precisam ler, ler, rabiscar, rabiscar, escrever, escrever, desenhar, desenhar, contar, ousar, calcular. Então propor, apagar, recompor e, por fim, reescrever. Reescrever inovando,  surpreendendo, regozijado e deleitado. Dar, na configuração do que escreve, as denotações e conotações que o interlocutor precisa assimilar, digerir e  compreender. Empreender. Empreender gerando ganhos culturais e intelectuais,  universais. Empreender para realizar o que o dinheiro não consegue.
          E a reescrita, a recriação, precisa, sempre, ultrapassar o nível da manifestação original, pois as horas, os dias, os meses e os anos, permitem que aquilo que fazemos hoje, possa sempre, ser refeito melhor no amanhã. É o novo, a partir do já existente.
          Esse é meu conceito pessoal de empreender, sem, necessariamente, preocupar-me com quem vai ou não me entender. E, se o não prevalecer, se eu não me fizer compreender em meu contexto, é preciso que eu e você reavaliemos nossos métodos, redefinamos nossas posições, reflitamos firmemente, concluamos assertivamente, e detectemos como está a situação de nosso autoempreendimento. Eu, querendo dizer, e você, tentando me entender.
Euclides Riquetti - 29/09/2011

Fatalidade: Morre, aos 26 anos, a lutadora de boxe Angélique Duchemin




Angélique Duchemin: morte repentina (Foto: Reprodução)



       Angélique Duchemin, de 26 anos, bonita, voluntariosa e bem sucedida lutadora de boxe, Campeã Mundial na categoria peso-plum da Federação Mundical de Boxe, a WBF, morreu na terça-feira, 29 de agosto, em Perpinhã, na França. Com 14 vitórias, sendo 3 delas por nocaute, e nenhuma derrota em sua carreira. Teve um infarto durante seus treinos, emThur, seguido de um embolia pulmonar. Em drezembro do no passado sagrou-se campeã europeia e há três meses campeã mundial.

Euclides Riquetti
30-08-2017

Abrace toda a chuva que cai





Abrace toda chuva que cai
E beije cada gotinha dela
Apenas é água que se vai
Mas que leva algo com ela.

De mim leva lembranças
Leva também emoções
Mas me traz as esperanças
De reviver boas paixões.

A mim me traz saudades
Saudades do que passou
Do que me deu felicidade
Também do que  magoou.

Abrace a chuva deliciosa
Que alisa seus cabelos
Que deixa a pele gostosa
Em seu corpo de modelo.

Que lave sua pele branca
Olhos que eu desejo vê-los
Que lave sua alma santa
Lábios que quero mordê-los.

Deixe que ela faça sua parte
Que cumpra com seu dever
Vivo minha vida com arte
Mas água eu preciso beber!

Euclides Riquetti
31-08-2017








quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Setembro chegando ...



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Setembro chegando mais uma vez
Trazendo no ar o cheiro das flores
Com seus aromas, perfumes e cores
A primavera em seu primeiro mês.

Corpos sedentos buscam dourar-se
Alimentar os desejos e as vontades
A ousadia na nudez manifestar-se
As mentes embebidas em vaidades.

Tempo dos sonhos e dos pecados
Das almas vagando  nos campos
Do sacrilégio ainda não perdoado.

Mas é hora de aspirar as essências
Dos momentos profanos e santos
De alimentar crenças e carências.

Euclides Riquetti
30-08-2017









terça-feira, 29 de agosto de 2017

Anjo de luz


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Um raio de luz riscou o céu na noite estrelada
Deixou ali um rastro, uma silhueta longilínea
Como que de seu corpo, a imagem desenhada
De algo muito  real, uma verdadeira insígnia.

Era uma luz poética, uma propulsão de versos
Que os poetas escrevem e distribuem nos céus
Era um corpo esbelto, com atributos diversos
Que porei em tela branca, da alvura dos véus.

Era um anjo de luz, um ser com alma e dores
Com braços, pernas, cabeça, olhos, coração
Era um anjo de luz divina, de múltiplas cores.

Era um risco no céu, vagando no meu espaço
Aquele que reservei para descrever toda a paixão
Inspiração para meu verso, o risco de um  traço!

Euclides Riquetti

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Jeito de pecado


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Foi de madrugada
Que pensei em você:
Senti algo no peito
Foi assim, do meu jeito
De gostar, de beijar, de querer.

Desejei o seu corpo
Elegante, maroto.
Beijei os seus lábios quentes
Acariciei seu cabelo envolvente
Amei você, perdidamente!

Fui atrevido, incontido bastante
Encantei-me com seu jeito elegante
E, entre pensamentos profanos
Meu coração cigano
Ficou transportado
Para o mundo desejado!

Desejei, ousei...
Pequei. Quis.
Quis ser feliz!...
E foi muito, muito bom!
Bom, mas com jeito de pecado!...

Euclides Riquetti

domingo, 27 de agosto de 2017

Michela Buselato - o adeus! (Psicóloga)

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Reeditando minha hmenagem à ex-aluna, depois 

amiga e colega de trabalho, no Dia do Psicólogo

          A comunidade capinzalense e ourense perdeu, pouco antes do meio-dia deste domingo, a jovem Michela Buselato, 34 anos, mãe da Pietra. Filha do Naudi e da Edite (Bearzi) Buselato, quando criança tinha um cabelão cacheado, castanho-escuro, quase negro, volumoso. Tinha um sorriso que parecia triste, um olhar reservado. Um sorriso tipo "Mona Lisa", discreto, indescritível. Uma alma singela, uma pessoa reservada, autêntica...

          A Michela era uma criança que tinha a idade das nossas  filhas. Começamos a conviver com a sua família em 1989, quando o pai dela, o Náudi, era vereador. Construímos, numa parceria entre o Poder Público e a comunidade de Novo Porto Alegre, o Pavilhão Comunitário. Estreitamos laços com a família Buselato. Adiante, foi minha aluna na Escola Sílvio Santos, no Ouro.  Muito estudiosa, cursou Psicologia. Tornou-se nossa colega de trabalho, sempre mantendo uma ótima postura ética e profissional. Muito calma, sabia ouvir as pessoas, estava em franca espansão de suas habilidades pessoais.

          Num evento,  há cerca de dois anos,  encontrei-a na Praça Pio XII.  Eu fora com minha neta, a Júlia, e ela estava lá com sua Pietra. Conversamos, rimos, falamos de crianças e da alegria de tê-las com a gente. Estava muito feliz e realizando-se como mãe. Depois disso, sempre que eu a encontrava com a filhinha, eu a elogiava. A menina era graciosa e bonita.

          Tendo-me desligado da cidade, tive contato com ela apenas no facebook. No entando, ao final de novembro, numa visita que fiz a um amigo, no Hospital Santa Terezinha, aqui em Joaçaba,  encontrei o Maico e a Edite, irmão e mãe da Michela, perguntei-lhes o que estavam fazendo por lá. A Edite veio, desesperada, chorando, e me disse que a filha estava internada, que o caso não era bom, tinha CA no útero. Ficamos chocados, pois ela era jovem ainda e tinha sua filhinha de 3 anos.

          Disse-lhes palavras confortadoras  à Edite e ao Maico. Falei que a medicina está bastante avançada, que ela certamente teria a cura. Soube, depois, que ela descobriu estar com a doença há pouco tempo, no exame preventivo.  Agora, apenas cinco meses depois de ter descoberto isso,  ela foi  buscar seu lugar no céu...

          Quando, na meia tarde deste domingo, uma amiga me escreveu perguntando se eu soubera do ocorrido, fiquei chocado e fui fazendo perguntas. Entrei no facebook dela, onde tem na página a foto de sua filha, e passei a perceber que já havia muitas mensagens das amigas para ela. Emocionei-me. Lembrei-me de que,  há oito dias, passei  na frente da casa deles, no Novo Porto Alegre, e estava toda fechada. Gostaria de ter notícias da Michela, uma vez que sabia que estava em tratamento, que vinha lutando bravamente contra a doença que a tomara.

          E neste belo domingo de verão, a velinha que foi, por muitos anos, a alegria do  casal Náudi e Edite, e do mano Maicon, da cunhada e dos sobrinhos,  apagou-se, num Hospital de Chapecó. Desolação entre seus amigos.

          Copiei do facebook dela a mensagem de minha prima Regina Jung, que a conhecia muito bem e era sua amiga, que sintetiza tudo o que a Michela representava:
           "Michela, mãe exemplar, profissional dedicada, uma filha amada,  preocupada com sua família ...quantas palavras de incentivo dedicou às pessoas que lhe procuravam em seu consultório, pelas ruas...
Mas Deus a chamou e mesmo sendo difícil aceitar...  ELE sabe o que faz e não tem engano, nem erros...
Que DEUS conforte a família, principalmente a Pietra, uma menina amada, alegre, inteligente que seguirá sua caminhada terrestre sem a mamãe Michela,  que tanto a amava!!!!
Descanse em paz Michela Buselato!!!! - (Regina Jung)."


          Aos familiares e a todos os amigos da Michela, as mais sentidas condolências, pois a luz que aqui se apagou, certamente se acendeu no Plano de Deus!

Euclides Riquetti
16-02-2014

O Santo sim; o nome, não!


"Dia do Psicólogo" - vamos nos divertir um pouco?


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          Na Capinzal e Ouro,  na década de 1960 morava um cidadão que tinha muitas atividades. Era polivalente e "se virava" de muitos modos. Não deixava faltar nada para a a família.
Em tempos em que nós nem sabíamos direito "de que lado se situava o mar", ele já conseguia levar sua "tropinha"  para as praias no verão. E o cara também gostava de fazer piadas, de zoar com vida dos outros. Era só alegria!

          Gostava de falar palavras novas que aprendia. Guardava as mais difíceis e, quando surgia a oportunidade, usava nas suas falas. Fez o "ginásio" já bem madurão. Precisava estudar e trabalhar muito porque tinha que garantir o jabá da prole. Queria acompanhar a evolução dos tempos. Em seu estabelecimento, sempre tinha uma grande cuia para o chimarrão.  Sabia como agradar seus fregueses. Era chimarrão e conversa, muita conversa. (Naquele tempo, cliente era só medico e dentista que tinham, os demais eram todos "fregueses"...). E me dizia: "Olhe, Cride, o negócio é usar a Psicologia Aplicada ao Trabalho!"

          Ah, sim! O amigo, a quem chamarei de Zé da Kombi, foi meu colega de aula no Juçá Barbosa Callado. Era bastante aplicado, até. Não faltava às aulas. E lotava a furgona de gente na saída da aula, que ia despejando pela cidade, principalmente em dias de chuva. Nossos professores de Psicologia foram o Dioni Maestri e o Paulo Bragatto Filho. E gostávamos de Psicologia. Tínhamos isso no ginásio na época. Um privilégio!

          Nosso "gente boa", alíás muito boa por sinal, tinha umas "manias". Tantas que sua "vècchia" lhe deu as malas quando achou que o que ele fazia estava demais. E gostava de contar-nos as histórias de suas aventuras. Quando queria dar um "chego" na gandaia, saía de casa para jogar baralho. Ia a pé, deixava a Kombi na garagem. Mas tomava outro rumo.

        Uma das que bem me lembro era de suas escapadelas para os bailecos nas periferias da cidade. Contava-nos e dava risada. Ia para o salão do  "Sete Facadas", era muito amigo dele e bom freguês. Não deixava pendura, embora até crédito fácil tivesse se fosse preciso. Dançava umas "marcas", tomava umas cervejas, investia num abraços (hoje chamam isso de amassos),  e mais nada. E cuidava bem para que a camisa branca, de colarinho, não ficasse com marcas de rouge ou battom. O cheiro de cigarro dizia que era por causa dos palheiros que os companheiros tragueavam no jogo das cartas.

          Naquele tempo, nas redondezas do lugar, do outro lado do rio, havia outros salões: "O Bota Preta", o Sovaco da Cobra" e o "Alegria do Touro". Na entrada deles, sobre a porta, um aviso: "Tire o chapéu e entregue sua arma para o proprietário". Por uma questão de respeito...  Eram os clubes "alternativos" da época. Concorriam, com muitas dificuldades, com o Ateneu Clube, o Floresta e o Primeiro de Maio.

          Tinha um problema, principalmente nos dias de chuva. Não era por causa do guarda-chuva com as hastes de madeira e o cabo de chifre. Era o barro na rua. A rua que levava até o salão do Sr. Fontoura não tinha calçamento e precisava  ter cuidado para não sentar-se ao chão. Não havia tampouco lâmpadas nos postes. E não podia levar lanterna junto porque senão a patroa desconfiava. Mas o problema maior era com os sapatos. Não podia sair  de casa com galochas para ir jogar baralho ali pertinho, ela não iria compreender isso, pensaria que ele estaria aprontando...

          Então, quando ele voltava, mais de meia-noite, lavava os sapatos no riacho Coxilha Seca, ali em frente à Marcenaria São José. Em casa, deixava-os lá fora. No outro dia estavam secos e limpos, não davam  pista pra desconfiança.

          Como na época que não havia televisão nas casas,  as pessoas tinham muito tempo para pensar e bolar sacanagens. Uns amigos dele, uma noite, foram lá e passaram barro nos seus sapatos. E, de manhã, a "Dona Braba" viu aquilo e ficou furiosa. E o acordou dando-lhe chineladas. Ele, sem entender nada, começou a se confundir, pensando que esquecera de lavar os sapatos. Parecia que os tinha lavado. Será que bebera demais e não lembrava direito?! E isso lhe custou uma semana dormindo no sofá da sala...

          Tenho saudade dos causos que o amigo me contava e que nem posso escrever aqui, mas rio sozinho quando lembro deles. Levou azar alguns anos adiante, quando veio a TV. A patroa foi vendo muitas novelas, muitos filmes, por muito tempo,  e começou a ficar esperta na questão. Então a  história não teve um final feliz. Duas malas cheias de roupas e sapatos. E morar na Kombi... Deu-se mal nosso santo. Falo do santo, mas não digo o nome. Nem o apelido!


Euclides Riquetti
16-05-2013