Quem não conhece os problemas que a jogadora de voleibol de nossa seleção brasileira Natália enfrentou a partir de junho de 2011, não tem condições de dimensionar a importância que teve para ela a participação nas Olimpíadas de Londres, onde ajudou o vôlei brasileiro a conquistar seu segundo ouro olímpico, e no Torneio da Superliga Brasileira. Há poucos minutos, ela acaba de se sagrar Campeã da Superliga da presente temporada, após uma vitória de seu atual clube, o Rio de Janeiro, sobre a equipe do Osasco, por 3 sets a 2. Foram 8 vitórias e apenas uma derrota. Torci muito pelo Rio, não pelo clube em si, mas por ela.
Natália nasceu em Ponta Grossa-PR, no dia 04 de abril de 1989, está com 23 anos. Veio morar em Joaçaba, terra natal de sua mãe, Lucimar Zílio, com 15 dias de vida. É filha do ex-jogador de futebol Luiz Carlos Pereira. Gostava de jogar futebol, como o pai. Mas foi na AJOV, Associação Joaçabense de Voleibol, dos 10 aos 16 anos, que começou a se definir como jogadora de vôlei. Já aos 16 anos teve sua primeira convocação para a nossa seleção principal. Foi jogar em Osasco. É detentora de muitos títulos, desde as categorias de juvenil.
Não tenho dúvida de que a força que o jornalista Maceió, do Jornal A Notícia, de Joinville, deu para a Natália desde adolescente, e o interesse de sua mãe e de professores de Educação Física aqui de Joaçaba, que lhe deram apoio e treinamento, foi fundamental para a sua ascenção. Lembro que, quando ela tinha 12 anos, o Maceió já pa falava dela em seus escritos no jornal. Dizia que ela seria a sucessora da Ana Moser, lembro bem. Comentei sobre isso com ele, há seis meses, quando o encontrei no Centro de Eventos de Joinville.
É muito importante essa recuperação Natália, que por causa de um tumor na canela sofreu duas cirurgias em 2011, e quase ficou fora das Olimpíadas de Londres no ano passado. Só foi convocada porque voltou a treinar um mês antes da competição e o técnico Zé Roberto tem muita confiança no seu potencial. E os dois têm um diálogo franco, sincero e aberto.
Aliás, força, potência e técnica são os três melhors atributos da nossa atleta enquanto jogadora. Mas tem inúmeras outras virtudes como pessoa que valoriza sua família, a cidade onde viveu seus primeiros 16 anos, seus amigos, e as pessoas que estiveram em seu caminho aqui em Joaçaba. Sempre procura ressaltar, em suas entrevistas, o nome de sua cidade.
Ter superado todos os problemas clínicos já foi uma vitória. Agora, com a regularidade com que vem atuando na Superliga, vemos que ela é uma atleta e uma pessoa vencedora.
Com sua pouca idade, e pela determinação com que treina e se aplica nos jogos, temos certeza de que ela ainda nos trará muitas alegrias.
Parabéns, Natália, grande atleta brasileira.
Euclides Riquetti
12-01-2013
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
O Sucesso ou o fracasso? - Tente de novo!
O que é o sucesso para você? Que tipo de pessoa você considera "bem sucedida"? Há alguma fórmula para o sucesso? Quem faz sucesso, afinal?
Durante toda a minha vida procurei observar as pessoas e ver como elas conduziam as suas. Meus amigos, já mencionei, ganhavam brinquedos bem melhores do que os meus. Em se tratando de revólveres, ganhavam aqueles com cilindro de rolinhos de espoletas. Eu, no máximo, daqueles que era preciso colocar uma espoleta de cada vez. O que quer dizer que, nas brincadeiras de cowboy, eu era sempre vencido e meus colegas vencedores, porque as arminhas deles eram mais automáticas, tinham melhor resolutividade, davam mais tiros, matavam mais gente nas brincadeiras.
Em contrapartida, os que não ganhavam essas engenhocas que a indústria já oferecia na época, tinham que inventar seus próprios brinquedos. Os mais favorecidos, ganhavam brinquedos da Estrela e da Troll. Os pais compravam na Livraria Central, do Alfredo Casagrande. E até biciletas Monark que compravam na Eletron Lar, do Válter Correa da Silva, na XV de Novembro, em Capinzal. Nós, os proletários, fazíamos nossos carrinhos de madeira e, com sorte, conseguíamos dar-lhes rodinhas de rolimãs, que encontrávamos nas lixeiras das oficinas mecânicas dos Dambrós ou dos Baretta. Fazíamos bolas de meias com que jogávamos na "serragem" da Pinheiro Machado. Outros, ganhavam as bolas "de capão". Os outros faziam muito sucesso e nós éramos os expectadores externos do êxito deles.
Na compreensão que tínhamos para a época, aquelas famílias que tinham casas de alvenaria, que dizíamos ser de material, eram melhores do que as nossas e, se tivessem carro no porão, então, eram de "super-sucesso", muito ricas.
Meu pai me dizia que, se ele vendesse a terra lá da Linha Bonita, ele poderia, também, comprar um jipe, novo, como os outros faziam. E que dava para fazer uma "frente de material" para nossa casa e ficaríamos iguais aos outros. Dizia que era mais barato pagar um táxi do que ter um carro. E que, antes de comprar um carro, a gente tinha que fazer um curso de mecânico, porque, naquele tempo, as horas dos mecânicos já custavam bem mais do que as que eram pagas para os professores. E ele era professor.
Fui fazer minha vida e ia tentando compreender o modo que as pessoas usavam para fazer seu sucesso. Eu achava que o caminho mais curto, para os pobres, era estudar. O estudo nos iguala, o conhecimento nos faz superar barreiras com facilidade.
Outra constatação que tive tão logo consegui frequentar umas praias: lá naquele espaço bem democrático não eram os ricos e ricas que se destacavam. Nem os probres e os remediados. Aqueles que tinham atributos físicos se sobressaiam, principalmente as mulheres. E, já naquela época, barrigudos faziam pouco sucesso. Lá na Igreja, quem mais se sobressaíam, eram aqueles que cantavam melhor os cantos sacros ou faziam melhor as leituras. No futebol, os meninos mais habilidosos, independente do ton de sua pele ou do dinheiro do pai.
Cresci em meio a todo um mundão de diferenças, num tempo em que as diferenças eram muito ressaltadas. Alías, veja os lugares onde construíam as Apaes: sempre em lugares isolados. Dava a impressão que aquelas crianças precisavam ficar "escondidas". Criança de Apae jamais faria sucesso. Hoje, graças a Deus, pessoas com limitações fazem sucesso. Tenho dois exemplos: a Marielda Morés, filha do Aquiles, lá do Pinheiro Alto, é exímia bailarina. Fez sucesso num Festival. Foi, com seus colegas, destaque na abertura da Noite Italiana de Capinzal. Ela é minha amiga há mais de 20 anos. É uma amiga de sucesso.
No dia 1º de janeiro, a Aline Santos Rocha, que é minha amiga de facebook, bem como seu treinador/namorado Fernando Orso, ganhou a Medalha de Ouro na categoria Cadeirante Feminina na Corrida de São Silvestre, em São Paulo. Ela é um exemplo de sucesso pela sua determinação e persistência. Superou as limitações de suas pernas desenvolvendo e aproveitando o potencial de seus braços e mãos. Ela, como a Marielda, são pessoas, de sucesso. Como são pessoas de sucesso todos os amigos de ambas, que lutam para superar suas limitações. Estarem lá treinando, ou ensaiando, é indício de sucesso!
Lembro-me do sucesso editorial do livro "O Sucesso Não Ocorre Por Acaso", do médico neuroliguista Lair Ribeiro, em 1992. Vendeu caminhões de livros mundo afora. E ganhou milhões dando palestras e cursos para pessoas que querem fazer sucesso. Vou falar dele em outra ocasião.
Sir Winston Churchil, o Poderoso Oficial Militar e Político Inglês, detentor de um Premio Nobel de Literatura, duas vezes Primeiro-Ministro do Rino Unido e considerado o "maior britânico de todos os tempos", disse: "Success is the ability to go from one failure to another with no loss of enthusiasm", que pode ser vertida como "O sucesso é ir de um fracasso a outro sem perder o entusiasmo".´Tem uma grande gama de verdade o que ele diz, mesmo que muitos não concordem com isso. As pessoas que perseguem o sucesso nos negócios podem fracassar uma, duas, nove vezes. Mas, se na décima tiverem sido bem sucedidos, já valeu a pena.
Tentar outra vez, outras vezes, pode não ser a fórmula, mas é uma atitude que pode levar você ao sucesso. Um dos muitos alunos meus, o Gilian, um dia, me disse: "Meus colegas querem ser Veterinários, Agrônomos, Engenheiros, Advogados. Eu vou estudar Administração. Vou ter minhas empresas e vou contratá-los para que trabalhem para mim". É um menino determinado, que sabe o que quer. Vamos dar-lhe o necessário e devido tempo. Depois poderemos saber quantas tentativas e quanto tempo levou para ter seu sucesso. Conheço centenas de pessoas que tiveram a coragem e a determinação de mudar. A maioria, pelo seu perfil empreendedor, empreendedores de sucesso.
Então, se em algum momento de sua vida você tentou fazer algo e não conseguiu, ainda há tempo. Recomece. Tente outra vez. Mesmo que a vida dê errado algumas vezes, ela pode chegar ao certo sem que percebamos isso. Quando vemos, atingimos coisas que não eram nossos objetivos mas que nos compensam ou até superam as nossas expectativas. O que não se pode fazer é desistir. Desistir, não tentar de novo, pode abortar sua possibilidde de sucesso. Tente de novo!
Euclides Riquetti
10-01-2013
Durante toda a minha vida procurei observar as pessoas e ver como elas conduziam as suas. Meus amigos, já mencionei, ganhavam brinquedos bem melhores do que os meus. Em se tratando de revólveres, ganhavam aqueles com cilindro de rolinhos de espoletas. Eu, no máximo, daqueles que era preciso colocar uma espoleta de cada vez. O que quer dizer que, nas brincadeiras de cowboy, eu era sempre vencido e meus colegas vencedores, porque as arminhas deles eram mais automáticas, tinham melhor resolutividade, davam mais tiros, matavam mais gente nas brincadeiras.
Em contrapartida, os que não ganhavam essas engenhocas que a indústria já oferecia na época, tinham que inventar seus próprios brinquedos. Os mais favorecidos, ganhavam brinquedos da Estrela e da Troll. Os pais compravam na Livraria Central, do Alfredo Casagrande. E até biciletas Monark que compravam na Eletron Lar, do Válter Correa da Silva, na XV de Novembro, em Capinzal. Nós, os proletários, fazíamos nossos carrinhos de madeira e, com sorte, conseguíamos dar-lhes rodinhas de rolimãs, que encontrávamos nas lixeiras das oficinas mecânicas dos Dambrós ou dos Baretta. Fazíamos bolas de meias com que jogávamos na "serragem" da Pinheiro Machado. Outros, ganhavam as bolas "de capão". Os outros faziam muito sucesso e nós éramos os expectadores externos do êxito deles.
Na compreensão que tínhamos para a época, aquelas famílias que tinham casas de alvenaria, que dizíamos ser de material, eram melhores do que as nossas e, se tivessem carro no porão, então, eram de "super-sucesso", muito ricas.
Meu pai me dizia que, se ele vendesse a terra lá da Linha Bonita, ele poderia, também, comprar um jipe, novo, como os outros faziam. E que dava para fazer uma "frente de material" para nossa casa e ficaríamos iguais aos outros. Dizia que era mais barato pagar um táxi do que ter um carro. E que, antes de comprar um carro, a gente tinha que fazer um curso de mecânico, porque, naquele tempo, as horas dos mecânicos já custavam bem mais do que as que eram pagas para os professores. E ele era professor.
Fui fazer minha vida e ia tentando compreender o modo que as pessoas usavam para fazer seu sucesso. Eu achava que o caminho mais curto, para os pobres, era estudar. O estudo nos iguala, o conhecimento nos faz superar barreiras com facilidade.
Outra constatação que tive tão logo consegui frequentar umas praias: lá naquele espaço bem democrático não eram os ricos e ricas que se destacavam. Nem os probres e os remediados. Aqueles que tinham atributos físicos se sobressaiam, principalmente as mulheres. E, já naquela época, barrigudos faziam pouco sucesso. Lá na Igreja, quem mais se sobressaíam, eram aqueles que cantavam melhor os cantos sacros ou faziam melhor as leituras. No futebol, os meninos mais habilidosos, independente do ton de sua pele ou do dinheiro do pai.
Cresci em meio a todo um mundão de diferenças, num tempo em que as diferenças eram muito ressaltadas. Alías, veja os lugares onde construíam as Apaes: sempre em lugares isolados. Dava a impressão que aquelas crianças precisavam ficar "escondidas". Criança de Apae jamais faria sucesso. Hoje, graças a Deus, pessoas com limitações fazem sucesso. Tenho dois exemplos: a Marielda Morés, filha do Aquiles, lá do Pinheiro Alto, é exímia bailarina. Fez sucesso num Festival. Foi, com seus colegas, destaque na abertura da Noite Italiana de Capinzal. Ela é minha amiga há mais de 20 anos. É uma amiga de sucesso.
No dia 1º de janeiro, a Aline Santos Rocha, que é minha amiga de facebook, bem como seu treinador/namorado Fernando Orso, ganhou a Medalha de Ouro na categoria Cadeirante Feminina na Corrida de São Silvestre, em São Paulo. Ela é um exemplo de sucesso pela sua determinação e persistência. Superou as limitações de suas pernas desenvolvendo e aproveitando o potencial de seus braços e mãos. Ela, como a Marielda, são pessoas, de sucesso. Como são pessoas de sucesso todos os amigos de ambas, que lutam para superar suas limitações. Estarem lá treinando, ou ensaiando, é indício de sucesso!
Lembro-me do sucesso editorial do livro "O Sucesso Não Ocorre Por Acaso", do médico neuroliguista Lair Ribeiro, em 1992. Vendeu caminhões de livros mundo afora. E ganhou milhões dando palestras e cursos para pessoas que querem fazer sucesso. Vou falar dele em outra ocasião.
Sir Winston Churchil, o Poderoso Oficial Militar e Político Inglês, detentor de um Premio Nobel de Literatura, duas vezes Primeiro-Ministro do Rino Unido e considerado o "maior britânico de todos os tempos", disse: "Success is the ability to go from one failure to another with no loss of enthusiasm", que pode ser vertida como "O sucesso é ir de um fracasso a outro sem perder o entusiasmo".´Tem uma grande gama de verdade o que ele diz, mesmo que muitos não concordem com isso. As pessoas que perseguem o sucesso nos negócios podem fracassar uma, duas, nove vezes. Mas, se na décima tiverem sido bem sucedidos, já valeu a pena.
Tentar outra vez, outras vezes, pode não ser a fórmula, mas é uma atitude que pode levar você ao sucesso. Um dos muitos alunos meus, o Gilian, um dia, me disse: "Meus colegas querem ser Veterinários, Agrônomos, Engenheiros, Advogados. Eu vou estudar Administração. Vou ter minhas empresas e vou contratá-los para que trabalhem para mim". É um menino determinado, que sabe o que quer. Vamos dar-lhe o necessário e devido tempo. Depois poderemos saber quantas tentativas e quanto tempo levou para ter seu sucesso. Conheço centenas de pessoas que tiveram a coragem e a determinação de mudar. A maioria, pelo seu perfil empreendedor, empreendedores de sucesso.
Então, se em algum momento de sua vida você tentou fazer algo e não conseguiu, ainda há tempo. Recomece. Tente outra vez. Mesmo que a vida dê errado algumas vezes, ela pode chegar ao certo sem que percebamos isso. Quando vemos, atingimos coisas que não eram nossos objetivos mas que nos compensam ou até superam as nossas expectativas. O que não se pode fazer é desistir. Desistir, não tentar de novo, pode abortar sua possibilidde de sucesso. Tente de novo!
Euclides Riquetti
10-01-2013
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Por que as mulheres vivem mais tempo do que os homens?
Você já foi a um desses encontros da Terceira Idade que acontecem em todas as cidades? Viu o quanto eles se divertem? Dançam, cantam, comem, bebem e, sobretudo, riem! E isso os torna mais felizes, lhes dá longevidade. Mas, percebeu que mais de 70% dos integrantes são mulheres? Onde estão os homens? Ficaram em casa? Não, não ficaram, não estão mais em casa...
Há exatas duas décadas o país começou a destinar dinheiro para o lazer social das pessoas que já deram sua contribuição para a família e a sociedade, trabalhando arduamente desde sua infância, principalmente na lavoura, portanto mais do que as pessoas das gerações atuais. E não dispunham das ferramentas e utnsílios com que se conta hoje, o trabalho era quase que totalmente braçal. As pessoas executaram serviços pesados, indistintamente, se homem ou mulher.
Também, deve-se registrar que recorrentemente se considerava que a mulher que ficava em casa durante o dia "não trabalhava". Ledo engano, já disse alguém, algum dia! A mulher que ficava em casa cuidava de sua numerosa prole, preparava-lhes comida, cuidava da casa, lavava, passava e costurava as roupas. E a mulher agricultora também fazia isso e ainda ordenhava as vacas, buscava pasto para elas, fazia o queijo, colhia os ovos, e ajudava na roça. Pouco lazer lhe restava. Nos finais de semana punha ordem naquilo que deixara de fazer durante a semana. Até hoje a maioria delas, as urbanas principalmente, fazem nos sábados e domingos aquilo que não conseguem executar na semana, por trabalharem fora.
O homem, por sua vez, após o seu trabalho, à noite, exausto, jogava-se numa cadeira de balanço ou sofá, ligava o rádio e esperava pelo jantar. Após a ceia, enquanto sua esposa dava destino à louça suja, cuidava dos pequenos e os punha dormir, o homem retomava o descanso. E, ainda, depois de tudo isso, ela tinha que cumprir com seus "deveres de mulher"...
Dia desses, encontrei um velho amigo e comentei que iria escrever sobre a questão de os homens viverem menos anos que as mulheres. Era de manhãzinha. Ele riu e mostrou-me uma latinha de ceveja geladinha sobre sua mesa. E disse: Começa por aí!...
As mulheres, é sabido, são muito mais disciplinadas do que nós, homens. Vão com frequência ao médico, realizam exames, ingerem bem menor quantidade de álcool, fumam menos. Enfrentam as adversidades com mais tranquilidade, mais calma, abatem-se menos que nós. Levam um monte de vantagem em termos de fatores que as favorecem a viver mais. O homem é mais estressado, reacionário, enquanto que a mulher, que age muito ouvindo seu coração, tem respostas mais imediatas para resolver seus conflitos pessoais.
Então, se você acompanhar as estatísticas nos noticiários, verá quanto mais os homens são envolvidos em confusões por terem bebido ou consumido substâncias que alteram seu comportamento, em acidentes com veículos. E terá muitos outros argumentos além dos meus para ajudar a responder à indagação inicial.
Euclides Riquetti
08-01-2013
Há exatas duas décadas o país começou a destinar dinheiro para o lazer social das pessoas que já deram sua contribuição para a família e a sociedade, trabalhando arduamente desde sua infância, principalmente na lavoura, portanto mais do que as pessoas das gerações atuais. E não dispunham das ferramentas e utnsílios com que se conta hoje, o trabalho era quase que totalmente braçal. As pessoas executaram serviços pesados, indistintamente, se homem ou mulher.
Também, deve-se registrar que recorrentemente se considerava que a mulher que ficava em casa durante o dia "não trabalhava". Ledo engano, já disse alguém, algum dia! A mulher que ficava em casa cuidava de sua numerosa prole, preparava-lhes comida, cuidava da casa, lavava, passava e costurava as roupas. E a mulher agricultora também fazia isso e ainda ordenhava as vacas, buscava pasto para elas, fazia o queijo, colhia os ovos, e ajudava na roça. Pouco lazer lhe restava. Nos finais de semana punha ordem naquilo que deixara de fazer durante a semana. Até hoje a maioria delas, as urbanas principalmente, fazem nos sábados e domingos aquilo que não conseguem executar na semana, por trabalharem fora.
O homem, por sua vez, após o seu trabalho, à noite, exausto, jogava-se numa cadeira de balanço ou sofá, ligava o rádio e esperava pelo jantar. Após a ceia, enquanto sua esposa dava destino à louça suja, cuidava dos pequenos e os punha dormir, o homem retomava o descanso. E, ainda, depois de tudo isso, ela tinha que cumprir com seus "deveres de mulher"...
Dia desses, encontrei um velho amigo e comentei que iria escrever sobre a questão de os homens viverem menos anos que as mulheres. Era de manhãzinha. Ele riu e mostrou-me uma latinha de ceveja geladinha sobre sua mesa. E disse: Começa por aí!...
As mulheres, é sabido, são muito mais disciplinadas do que nós, homens. Vão com frequência ao médico, realizam exames, ingerem bem menor quantidade de álcool, fumam menos. Enfrentam as adversidades com mais tranquilidade, mais calma, abatem-se menos que nós. Levam um monte de vantagem em termos de fatores que as favorecem a viver mais. O homem é mais estressado, reacionário, enquanto que a mulher, que age muito ouvindo seu coração, tem respostas mais imediatas para resolver seus conflitos pessoais.
Então, se você acompanhar as estatísticas nos noticiários, verá quanto mais os homens são envolvidos em confusões por terem bebido ou consumido substâncias que alteram seu comportamento, em acidentes com veículos. E terá muitos outros argumentos além dos meus para ajudar a responder à indagação inicial.
Euclides Riquetti
08-01-2013
domingo, 6 de janeiro de 2013
De pinheiros, trigos, laranjeiras e laranjais
Ouro do sol e dos trigais/ Ouro dos nossos laranjais - são os dois primeiros versos do Hino ao Ouro, composto e musicado pela Dona Vanda Faggion Bazzo e o Egídio Balduíno Bazzo, o Titi. Referem-se à abundância do trigo plantado, anualmente, naquele lugar do Baixo Vale do Rio do Peixe. E dos laranjais existentes nas propriedades rurais e quintais das casas da cidade. Os descendentes de italianos vindos da Serra Gaúcha, nas três primeiras décadas do século passado, trouxeram com eles as sementes de trigo e as mudas de laranjas e outros cítricos.
Com relação ao trigo, todas as 1.200 famílias ainda o cultivavam até a década de 1970. Depois, a atividade foi sendo substituída, por diversos motivos: As sementes não eram mais tão resistentes e férteis, o trigo importado da Argentina e da Rússia era muito barato, o trigo importado pelos moinhos era subsidiado pelo Governo Brasileiro para que o pão fosse barato, a mão-de-obra familiar já não era tão abundante, e as pequenas áreas, principalmente em Ouro e Lacerdópolis, não comportavam economicamente a atividade. Já as laranjeiras, que foram plantadas pelos colonizadores, estavam envelhecendo e as árvores precisavam ser substituídas.
Em 1989 intituímos dois programas oficiais em Ouro. O Ouro dos Trigais e o Ouro dos Laranjais. Dávamos um saco de sementes de trigo para cada um adquirido pelo agricultor. Na época ainda tínhamos 918 famílias trabalhando na agricultura e 680 voltaram a plantar o cereal nobre. Já havia melhores sementes e tínhamos parceria com uma empresa local que as produzia. Mas essa onda não durou muito nos anos adiante. Acho que as condições topográficas não estimulavam o produtor.
Com relação aos cítricos, passamos a adquirir mudas em Esteves Júnior, município de Piratuba, e em Laurentino, próximo a Rio do Sul. O caminhão da Prefeitura fazia a busca, a Epagri e a Secretaria Municipal de Agricultura compravam e organizavam a distribuição, e para cada 10 mudas adquiridas o produtor levava mais três de bonificação. Conseguimos obter as das bonificações porque realizamos uma grande quantidade de compras. Não tivemos custos para o Município. Depois organizamos o Programa Ouro dos Ervais em que, da mesma forma, o agricultor ganhava três mudas de erva-mate para cada dez que comprasse e plantasse. Com isso, hoje, a maioria das proprieades estão repletas de laranjas de diversas variedades, principalmente a Valência, além de Morgotas e Poncans.
Mas o que me leva a voltar ao tempo são duas simples histórias que presenciei ali:
Contou-me o Moisés teixeira Andrade, morador da Linha Bonita, que em 1902, quando seus avôs chegaram ali plantaram duas laranjeiras que resistiram por 100 anos. E uma delas está lá, ainda hoje, com 110 anos, produzindo laranjas. Eu mesmo a vi carregada de belas laranjas comuns, recentemente. É motivo de muito orgulho para a família Teixeira Andrade, que chegou ali ainda antes dos italianos.
Outra quem me contou foi o Américo Faé, morador da Linha Carmelinda. Em sua propriedade, eles têm ainda muitos pinheiros, grande parte com de 50 anos de idade. É que, quando eram criança, ele e seus dois irmãos costumavam "fazer artes", como ele mesmo diz. E, quando o pai descobria, dava a cada um um vasilhame com um quilo de pinhão e mandava que fossem plantar em suas terras. Era o seu castigo. Foi o castigo mais ecológico de que tenho notícia.
Plantar árvores, ter filhos e escrever um livro, como citou o Ademir Belotto no lançamento de um livro da Dona Olga Maria Siviero Brancher, lá no Centro Educaional Celso Farina, em Capinzal, há alguns anos, são três realizações que todas as pessoas deveriam ter feito em sua vida. Não lembro quem é o autor da frase e nem se ela tem o texto dessa forma, mas é uma verdade incontestável. Se, pelo menos, todos puderem desenvolver duas dessas, terão feito sua parte e ajudado a construir, positivamente, a história da Humanidade. De minha parte, cumpri duas integralmente e uma delas parcialmente.
Euclides Riquetti
6-01-2013.
Com relação ao trigo, todas as 1.200 famílias ainda o cultivavam até a década de 1970. Depois, a atividade foi sendo substituída, por diversos motivos: As sementes não eram mais tão resistentes e férteis, o trigo importado da Argentina e da Rússia era muito barato, o trigo importado pelos moinhos era subsidiado pelo Governo Brasileiro para que o pão fosse barato, a mão-de-obra familiar já não era tão abundante, e as pequenas áreas, principalmente em Ouro e Lacerdópolis, não comportavam economicamente a atividade. Já as laranjeiras, que foram plantadas pelos colonizadores, estavam envelhecendo e as árvores precisavam ser substituídas.
Em 1989 intituímos dois programas oficiais em Ouro. O Ouro dos Trigais e o Ouro dos Laranjais. Dávamos um saco de sementes de trigo para cada um adquirido pelo agricultor. Na época ainda tínhamos 918 famílias trabalhando na agricultura e 680 voltaram a plantar o cereal nobre. Já havia melhores sementes e tínhamos parceria com uma empresa local que as produzia. Mas essa onda não durou muito nos anos adiante. Acho que as condições topográficas não estimulavam o produtor.
Com relação aos cítricos, passamos a adquirir mudas em Esteves Júnior, município de Piratuba, e em Laurentino, próximo a Rio do Sul. O caminhão da Prefeitura fazia a busca, a Epagri e a Secretaria Municipal de Agricultura compravam e organizavam a distribuição, e para cada 10 mudas adquiridas o produtor levava mais três de bonificação. Conseguimos obter as das bonificações porque realizamos uma grande quantidade de compras. Não tivemos custos para o Município. Depois organizamos o Programa Ouro dos Ervais em que, da mesma forma, o agricultor ganhava três mudas de erva-mate para cada dez que comprasse e plantasse. Com isso, hoje, a maioria das proprieades estão repletas de laranjas de diversas variedades, principalmente a Valência, além de Morgotas e Poncans.
Mas o que me leva a voltar ao tempo são duas simples histórias que presenciei ali:
Contou-me o Moisés teixeira Andrade, morador da Linha Bonita, que em 1902, quando seus avôs chegaram ali plantaram duas laranjeiras que resistiram por 100 anos. E uma delas está lá, ainda hoje, com 110 anos, produzindo laranjas. Eu mesmo a vi carregada de belas laranjas comuns, recentemente. É motivo de muito orgulho para a família Teixeira Andrade, que chegou ali ainda antes dos italianos.
Outra quem me contou foi o Américo Faé, morador da Linha Carmelinda. Em sua propriedade, eles têm ainda muitos pinheiros, grande parte com de 50 anos de idade. É que, quando eram criança, ele e seus dois irmãos costumavam "fazer artes", como ele mesmo diz. E, quando o pai descobria, dava a cada um um vasilhame com um quilo de pinhão e mandava que fossem plantar em suas terras. Era o seu castigo. Foi o castigo mais ecológico de que tenho notícia.
Plantar árvores, ter filhos e escrever um livro, como citou o Ademir Belotto no lançamento de um livro da Dona Olga Maria Siviero Brancher, lá no Centro Educaional Celso Farina, em Capinzal, há alguns anos, são três realizações que todas as pessoas deveriam ter feito em sua vida. Não lembro quem é o autor da frase e nem se ela tem o texto dessa forma, mas é uma verdade incontestável. Se, pelo menos, todos puderem desenvolver duas dessas, terão feito sua parte e ajudado a construir, positivamente, a história da Humanidade. De minha parte, cumpri duas integralmente e uma delas parcialmente.
Euclides Riquetti
6-01-2013.
sábado, 5 de janeiro de 2013
Rui Maliska - mais uma perda lamentável...
Às vezes a gente fica sem jeito para dizer o que se quer. Ou se vê na situação de que se deveria calar. Mas, dividir com os outros o que se sente também é uma necessidade premente no ser humano. E, neste momento, acabei de receber a notícia de que o Rui Maliska deixou nossa vida terrena. Fomos vizinhos na infância, lá no Ouro, quando ele morou no casarão construído pela família Penso, na Rua Pinheiro Machado. É aquele casarão amarelo com janelas azuis, imponente, onde moram hoje a Helena Antunes de Souza e sua mãe. Olhando de Capinzal para o Ouro é o casarão que mais nos chama a atenção. Depois, eles foram morar numa casa ao lado, que seu pai construiu. Ele não tinha mais a mãe.
Lembro-me de quando a mãe dele faleceu. Ele era bem menino. Ficou arrasado. A Gráfica imprimiu convites para que as pessoas pudessem participar da celebração religiosa de sua despedida. Fomos com alguns colegas de casa em casa entregá-los. A cidade ficou de extremo luto porque ela era ainda jovem. A família do seu José Masliska Sobrinho tinha ótimo conceito perante a comunidade. Muitas pessoas foram despedir-se dela, pois era muito querida por todos.
Quando nos tornamos vizinhos, ele deveria ter uns 8 anos. Brincávamos numa serragem de madeira que havia sido depositada na rua, perto da casa em que ele viera morar. Jogávamos bola com um bola de plástico junto com outros meninos. Também desenhávamos no chão, fazíamos algumas coisas que uma cidade devesse ter. E ele falou que iria fazer um estádio. Eu não sabia o que era um estádio e ele me disse que era um campo de futebol com arquibancadas. Lá em Capinzal havia um campo de futebol. Disse que não era mais estádio porque tinham desmanchado a arquibancada. Mas ele disse que construiria um estádio, então. Ele sabia que existia o Maracanã, seu pai lhe falara.
Nossas brincadeiras eram respeitosas, ele era muito bem educado. Ia para o Colégio com calça cáqui e camisa azul turquesa. Era um menino aplicado, estudioso, simples. Lembro quando ele e o Aliomar vinham abastecer seu carro no Posto Esso. Cabelo comprido e calça boca-de-sino. Costumavam ir para Piratuba, que era o principal destino dos jovens nos sábados à noite.
Depois tomamos rumos diferentes, cada um buscando uma cidade para estudar. Adiante, já atuando em nossas profissões, ele dentista e eu professor, nos reencontramos. Ele costumava, nos últimos anos, ir a pé para o trabalho. Também fazia camninhadas na área de Lazer, em Capinzal. Na última vez que nos encontramos, lá, disse-me que havia lido uns poemas meus que foram publicados em jornal e que ele tinha o desejo de escrever um livro. Tinha sua opinião sobre as coisas, bastante sensibilidade. Era avesso às badalações. Incentivei-o a que escrevesse seu livro.
No segundo semestre do ano que findou começaram os rumores de que o estado de saúde dele era muito grave, fora tratar-se em Florianópolis. Os irmãos o estavam monitorando. Falei com um deles aqui em Joaçaba, ele disse que estavam bastante otimistas com as possibilidades de ele se recuperar. Neste início de ano amigos me disseram que a situação estava crítica. Agora, a notícia de sua partida...
A partida de pessoas como ele, prematuramente para os tempos atuais, é sempre muito sentida. Mas, para os que ficam, ele deixa lembranças muito singelas. Foi correto em seu trabalho, para com as amizades, para com sua cidade. Era muito querido pelos seus familiares e pelas pessoas de suas relações. Capinzal e Ouro estão de luto. É mais um amigo que se vai...
Euclides Riquetti
05-01-2013
Lembro-me de quando a mãe dele faleceu. Ele era bem menino. Ficou arrasado. A Gráfica imprimiu convites para que as pessoas pudessem participar da celebração religiosa de sua despedida. Fomos com alguns colegas de casa em casa entregá-los. A cidade ficou de extremo luto porque ela era ainda jovem. A família do seu José Masliska Sobrinho tinha ótimo conceito perante a comunidade. Muitas pessoas foram despedir-se dela, pois era muito querida por todos.
Quando nos tornamos vizinhos, ele deveria ter uns 8 anos. Brincávamos numa serragem de madeira que havia sido depositada na rua, perto da casa em que ele viera morar. Jogávamos bola com um bola de plástico junto com outros meninos. Também desenhávamos no chão, fazíamos algumas coisas que uma cidade devesse ter. E ele falou que iria fazer um estádio. Eu não sabia o que era um estádio e ele me disse que era um campo de futebol com arquibancadas. Lá em Capinzal havia um campo de futebol. Disse que não era mais estádio porque tinham desmanchado a arquibancada. Mas ele disse que construiria um estádio, então. Ele sabia que existia o Maracanã, seu pai lhe falara.
Nossas brincadeiras eram respeitosas, ele era muito bem educado. Ia para o Colégio com calça cáqui e camisa azul turquesa. Era um menino aplicado, estudioso, simples. Lembro quando ele e o Aliomar vinham abastecer seu carro no Posto Esso. Cabelo comprido e calça boca-de-sino. Costumavam ir para Piratuba, que era o principal destino dos jovens nos sábados à noite.
Depois tomamos rumos diferentes, cada um buscando uma cidade para estudar. Adiante, já atuando em nossas profissões, ele dentista e eu professor, nos reencontramos. Ele costumava, nos últimos anos, ir a pé para o trabalho. Também fazia camninhadas na área de Lazer, em Capinzal. Na última vez que nos encontramos, lá, disse-me que havia lido uns poemas meus que foram publicados em jornal e que ele tinha o desejo de escrever um livro. Tinha sua opinião sobre as coisas, bastante sensibilidade. Era avesso às badalações. Incentivei-o a que escrevesse seu livro.
No segundo semestre do ano que findou começaram os rumores de que o estado de saúde dele era muito grave, fora tratar-se em Florianópolis. Os irmãos o estavam monitorando. Falei com um deles aqui em Joaçaba, ele disse que estavam bastante otimistas com as possibilidades de ele se recuperar. Neste início de ano amigos me disseram que a situação estava crítica. Agora, a notícia de sua partida...
A partida de pessoas como ele, prematuramente para os tempos atuais, é sempre muito sentida. Mas, para os que ficam, ele deixa lembranças muito singelas. Foi correto em seu trabalho, para com as amizades, para com sua cidade. Era muito querido pelos seus familiares e pelas pessoas de suas relações. Capinzal e Ouro estão de luto. É mais um amigo que se vai...
Euclides Riquetti
05-01-2013
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Açúcar mascavo - uma história de paixão...
Por ter nascido e morado na colônia tive estreita ligação com a roça desde meus tenros anos. Dos meus 4 aos 8, já ajudava a cuidar dos animais na propriedade de meu padrinho, João Frank , no Leãozinho. Bem cedinho, 5 horas, já estávamos de pé, nas frias madrugadas de julho. Café com leite e pão com mel era comida de crianças. Os adultos tomavam café preto com grappa (graspa, como dizem aqui), para esquentar. Antes de o dia clarear, estávamos com os bois atrelados à canga e andando em círculo ao redor do "torcho", o Engenho com três cilindros e engrenagens de madeira, para moer a cana. E, minha função, era a de puxar os bois. Ia à frente deles, com uma corda, a ligeira, madrinhando-os. Depois que eles se adaptavam à rotina, a corda era jogada para trás e era só ficar segurando-a que eles iam à frente, fazendo seu trabalho. Quando clareava, a cana já se transformara em caldo, a guarapa.
Uma parte da guarapa ia para o tacho retangular, colocado sobre umas pedras, para se fazer o açúcar amarelo. Só na idade adulta vim a saber que o tal de açúcar mascavo era o açúcar amarelo. Eu imaginava que o mascavo, pelo nome, devia ser fabricado somente em Portugal. Era assim meu desconhecimento e minha ingenuidade... Sob o tacho, fogo lento, brando, e as moças mais jovens, Catarina e Delcia, cada uma com uma pá de madeira, tipo espátula, para vir mexendo o líquido, evitando que a fervura o fizesse transbordar. Era uma tarefa que levava umas duas horas. Ao final, se o açúcar saía "quase branco", era a glória. Porém, se a cana tivesse tomado muita geada, sairia mais escuro.
O padrinho orientando tudo, dando as ordens. E levando guarapa para o alambique para fazer cachaça. O Estefano, que já buscara os bois, ia colocando a cana para moer. O Aristides ajudava. A madrinha Raquel e a filha mais velha, Alaídes, tiravam o leite das vacas e punham coalhar para fazer o queijo que iriam vender na cidade, para o comércio do Adelino Casara, do Alcides Zuanazzi, do Jacob Maestri ou do Severino Baretta. O Estefnito cuidava de apetrechar os bois e eu, faceiro, ia tocando-os. Todos trabalhávamos. Eram assim as famílias de origem italiana. Trabalhavam, rezavam antes das refeições. Na quaresma havia terço todas as noites, as famílias iam em rodízio, de casa em casa. Depois, um mate doce e pipocas "melecadas". Melecadas eram aquelas que até hoje fazem aqui em casa, e que a turma adora, com o "açúcar amarelo" quente, deretido, dando-lhes inigualável sabor.
Depois de tudo encaminhado, o Estefenito pegava a carroça e me punha em cima. Os bois iam sob o seu comando de voz e da corda. Subíamos o morro para buscar o milho, em final de colheita, onde ainda havia umas cargas já quebradas e cobertas com uma lona velha. Ele ia cantando: "O Sílvio Biarzi tem três filhas pra casar/Uma delas é a Irlandina/Aquela mesma eu vou buscar"!. E eu ia cantando junto. Ele era apaixonado pela moça que morava em Linha Vitória, do outro lado do morro das terras deles...
Hoje, 55 anos depois, está lá ele, casado com a sua musa inspiradora, a Irlandina, e com os filhos e netos, morando na Linha Sete, grisalho e participando de todas as festas e bailes da Terceira Idade do Baixo Vale do Rio do Peixe. Brinco muito sobre isso com eles quando os encontro! E, encontrá-los, me remete à infância, a muitas e agradáveis lembranças. E, como diz o amigo Adelto Miquelotto, Agrônomo da Cidasc: "Como o amor é lindo"!!!
Euclides Riquetti
03-01-2013
Uma parte da guarapa ia para o tacho retangular, colocado sobre umas pedras, para se fazer o açúcar amarelo. Só na idade adulta vim a saber que o tal de açúcar mascavo era o açúcar amarelo. Eu imaginava que o mascavo, pelo nome, devia ser fabricado somente em Portugal. Era assim meu desconhecimento e minha ingenuidade... Sob o tacho, fogo lento, brando, e as moças mais jovens, Catarina e Delcia, cada uma com uma pá de madeira, tipo espátula, para vir mexendo o líquido, evitando que a fervura o fizesse transbordar. Era uma tarefa que levava umas duas horas. Ao final, se o açúcar saía "quase branco", era a glória. Porém, se a cana tivesse tomado muita geada, sairia mais escuro.
O padrinho orientando tudo, dando as ordens. E levando guarapa para o alambique para fazer cachaça. O Estefano, que já buscara os bois, ia colocando a cana para moer. O Aristides ajudava. A madrinha Raquel e a filha mais velha, Alaídes, tiravam o leite das vacas e punham coalhar para fazer o queijo que iriam vender na cidade, para o comércio do Adelino Casara, do Alcides Zuanazzi, do Jacob Maestri ou do Severino Baretta. O Estefnito cuidava de apetrechar os bois e eu, faceiro, ia tocando-os. Todos trabalhávamos. Eram assim as famílias de origem italiana. Trabalhavam, rezavam antes das refeições. Na quaresma havia terço todas as noites, as famílias iam em rodízio, de casa em casa. Depois, um mate doce e pipocas "melecadas". Melecadas eram aquelas que até hoje fazem aqui em casa, e que a turma adora, com o "açúcar amarelo" quente, deretido, dando-lhes inigualável sabor.
Depois de tudo encaminhado, o Estefenito pegava a carroça e me punha em cima. Os bois iam sob o seu comando de voz e da corda. Subíamos o morro para buscar o milho, em final de colheita, onde ainda havia umas cargas já quebradas e cobertas com uma lona velha. Ele ia cantando: "O Sílvio Biarzi tem três filhas pra casar/Uma delas é a Irlandina/Aquela mesma eu vou buscar"!. E eu ia cantando junto. Ele era apaixonado pela moça que morava em Linha Vitória, do outro lado do morro das terras deles...
Hoje, 55 anos depois, está lá ele, casado com a sua musa inspiradora, a Irlandina, e com os filhos e netos, morando na Linha Sete, grisalho e participando de todas as festas e bailes da Terceira Idade do Baixo Vale do Rio do Peixe. Brinco muito sobre isso com eles quando os encontro! E, encontrá-los, me remete à infância, a muitas e agradáveis lembranças. E, como diz o amigo Adelto Miquelotto, Agrônomo da Cidasc: "Como o amor é lindo"!!!
Euclides Riquetti
03-01-2013
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Meu lado light e meu lado robô
Penso que as pessoas, a maioria delas, têm comportamentos distintos em si mesmas. Sermos diferentes dos outros já é da conta, mas sermos diferentes em nós mesmos é algo para uma autoanálise. De repente que as pessoas não param para ver como é isso, mas neste início de ano percebo que desenvolvi alguns costumes habituais que se tornaram de meu efetivo comportamento. Tenho um lado "A" e um lado "B". E isso me assusta, pois, para minha paz, eu deveria ter somente o primeiro, o que me soa como algo tenro, suave. Porém uma parte de mim está robotizada e eu preciso superar isso. Por mim mesmo, sem ajuda profissional.
Segundo meus próprios entendimentos, advindos dos conceitos e opiniões da galera do ramo, para a cura dos males, o primeiro passo é reconhecer que se tem um mal. E o meu, pela minha avaliação, é esse algo que me impele a fazer alguma coisa, em todos os momentos.Não consigo ficar parado. Agora, por exemplo, enquanto escrevo ouço o noticiário no rádio e oriento minha netinha a colocar seus livrinhos numa caixinha.
Há algumas coisas que faço enquanto durmo: roncar, revirar-me e, sobretudo, sonhar, e esta é um grande ganho de tempo, pois quando se sonha dormindo podemos ter satisfações que a vida diária não nos oferece. Por exemplo, quando tinha uns 17 anos e lavava carros no Posto Dambrós, em Ouro, sonhei que meu pai tinha comprado o Aero Willys do Oscar Goulart, genro do amigo dele, o Luiz Gonzaga Bonissoni. Fiquei muito feliz, vivi meus quinze minutos de felicidade.
Quando acordei, fiquei decepcionado, ( a realidade é mais dura e só seis anos depois a família comprou seu primeiro carro), mas compensei isso colocando carros na rampa para lavar. Colocava a Kombi do Chascove, a Veraneio do Dr. Vicente e a do Apolônio Spadini, os fuscas do Breno Toaldo, da Celita Colombo, do Aílton Viel e do Meneghotto. (Acho que lembro bem destes porque eram os que me davam gorjetas). Tinha a F-100 do Doin, mas tinha também o Galaxie do Dr. Celso, o DKW do Olávio Dambrós, o caminhão do José Andrade, a pick up do Antônio Biarzi, a do Silvestre Godoy, e o caminhão do Zitro Brum, também alguns jipes, muitos jipes.
O mais enjoado era o Laurindo Biarzi, com seu jipe "54". Mas era a forma que eu tinha de materializar meus sonhos. Trabalhosa, é claro, que me resultou uma pneumonia, um ano depois, curada pelo mesmo Dr. Vicente da Veraneio, lá no Hospital Nossa Senhora das Dores, quando já havia passado no vestibular. Fiquei uma semana internado...sonhando!
E tem o "sonhar acordado", que também pratico muito. Quando meus filhos eram pequenos e percebiam que eu estava sonhando acordado, pediam-me algo e eu respondia "sim". Depois, vendo o que faziam, eu reclamava e eles diziam que eu tinha autorizado fazer aquilo. Eu não lembrava, mas certamente havia permitido. Fiz isso enquanto sonhava acordado.
Também tenho minha conduta romântica, as minhas inspirações, meu afeto, minha grande capacidade de sentir, amar, querer, querer proteger. Tudo no lado "light", o A.
Mas, o que me intriga, é esse meu lado "B". Acordo pensando no que vou fazer. Sinto culpa se não tiver algo de concreto para produzir. Quando em feriados, tenho que fazer algum reparo na casa (nova), cortar grama, ajeitar a rua, lavar um carro, lavar calçadas, a louça... Parece-me, sempre, que tenho que fazer algo material, braçal.
E, hoje, depois de 48 anos "batendo ponto" em alguma empresa, escola ou repartição, é o primeiro dia em que estou livre de vínculos profissionais. Sou apenas um professor aposentado. E isso me intriga. Vou ver quanto tempo levarei para migrar minha cabeça para uma nova situação. De repente que me livro desse lado "B". Escrever crônicas e poemas está no meu "A". Posso começar lavando um carro, organizando um monte de papéis, fazendo caminhadas, correndo... E ajeitar as malas para uma bela viagem. E avolumar muito o lado "A" para que ele ocupe todo o espaço que eu usava para praticar o meu lado robotizado. É, acho que é por aí: começar um novo ano com uma nova postura, um novo e mais agradável modo de viver. Não à autorrobotização!!!
E continuar escrevendo para que você leia!
Euclides Riquetti
02-01-2013
Segundo meus próprios entendimentos, advindos dos conceitos e opiniões da galera do ramo, para a cura dos males, o primeiro passo é reconhecer que se tem um mal. E o meu, pela minha avaliação, é esse algo que me impele a fazer alguma coisa, em todos os momentos.Não consigo ficar parado. Agora, por exemplo, enquanto escrevo ouço o noticiário no rádio e oriento minha netinha a colocar seus livrinhos numa caixinha.
Há algumas coisas que faço enquanto durmo: roncar, revirar-me e, sobretudo, sonhar, e esta é um grande ganho de tempo, pois quando se sonha dormindo podemos ter satisfações que a vida diária não nos oferece. Por exemplo, quando tinha uns 17 anos e lavava carros no Posto Dambrós, em Ouro, sonhei que meu pai tinha comprado o Aero Willys do Oscar Goulart, genro do amigo dele, o Luiz Gonzaga Bonissoni. Fiquei muito feliz, vivi meus quinze minutos de felicidade.
Quando acordei, fiquei decepcionado, ( a realidade é mais dura e só seis anos depois a família comprou seu primeiro carro), mas compensei isso colocando carros na rampa para lavar. Colocava a Kombi do Chascove, a Veraneio do Dr. Vicente e a do Apolônio Spadini, os fuscas do Breno Toaldo, da Celita Colombo, do Aílton Viel e do Meneghotto. (Acho que lembro bem destes porque eram os que me davam gorjetas). Tinha a F-100 do Doin, mas tinha também o Galaxie do Dr. Celso, o DKW do Olávio Dambrós, o caminhão do José Andrade, a pick up do Antônio Biarzi, a do Silvestre Godoy, e o caminhão do Zitro Brum, também alguns jipes, muitos jipes.
O mais enjoado era o Laurindo Biarzi, com seu jipe "54". Mas era a forma que eu tinha de materializar meus sonhos. Trabalhosa, é claro, que me resultou uma pneumonia, um ano depois, curada pelo mesmo Dr. Vicente da Veraneio, lá no Hospital Nossa Senhora das Dores, quando já havia passado no vestibular. Fiquei uma semana internado...sonhando!
E tem o "sonhar acordado", que também pratico muito. Quando meus filhos eram pequenos e percebiam que eu estava sonhando acordado, pediam-me algo e eu respondia "sim". Depois, vendo o que faziam, eu reclamava e eles diziam que eu tinha autorizado fazer aquilo. Eu não lembrava, mas certamente havia permitido. Fiz isso enquanto sonhava acordado.
Também tenho minha conduta romântica, as minhas inspirações, meu afeto, minha grande capacidade de sentir, amar, querer, querer proteger. Tudo no lado "light", o A.
Mas, o que me intriga, é esse meu lado "B". Acordo pensando no que vou fazer. Sinto culpa se não tiver algo de concreto para produzir. Quando em feriados, tenho que fazer algum reparo na casa (nova), cortar grama, ajeitar a rua, lavar um carro, lavar calçadas, a louça... Parece-me, sempre, que tenho que fazer algo material, braçal.
E, hoje, depois de 48 anos "batendo ponto" em alguma empresa, escola ou repartição, é o primeiro dia em que estou livre de vínculos profissionais. Sou apenas um professor aposentado. E isso me intriga. Vou ver quanto tempo levarei para migrar minha cabeça para uma nova situação. De repente que me livro desse lado "B". Escrever crônicas e poemas está no meu "A". Posso começar lavando um carro, organizando um monte de papéis, fazendo caminhadas, correndo... E ajeitar as malas para uma bela viagem. E avolumar muito o lado "A" para que ele ocupe todo o espaço que eu usava para praticar o meu lado robotizado. É, acho que é por aí: começar um novo ano com uma nova postura, um novo e mais agradável modo de viver. Não à autorrobotização!!!
E continuar escrevendo para que você leia!
Euclides Riquetti
02-01-2013
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
Eu e meus pecados - o último poema
Aqui estou, meu Senhor
Eu e meus pecados
Não queremos muito, não
Apenas sermos perdoados.
Eu, por havê-los cometido
Por ter perdido, às vezes, a razão
Por não ter escutado meu coração.
Eles, por me terem seduzido.
Somos, ambos, duas almas descuidadas
Merecemos, assim, o incondicional o perdão
Não somos da história o vilão
Queremos nossas culpas deletadas!
Preciso em minh' alma toda a alvura
Inicar 2013 novinho em folha
Então, peço perdão, não tenho escolha
Perdoa-me, Bom Senhor lá das Alturas!
Falo por mim e por meus pecados
E por isso mesmo já vou escrevendo
Não podemos terminar dezembro
Sem que sejamos perdoados
Eu... e meus pecados...
Perdão, Senhor, perdão!!!
Euclides Riquetti
31-12/2012
Eu e meus pecados
Não queremos muito, não
Apenas sermos perdoados.
Eu, por havê-los cometido
Por ter perdido, às vezes, a razão
Por não ter escutado meu coração.
Eles, por me terem seduzido.
Somos, ambos, duas almas descuidadas
Merecemos, assim, o incondicional o perdão
Não somos da história o vilão
Queremos nossas culpas deletadas!
Preciso em minh' alma toda a alvura
Inicar 2013 novinho em folha
Então, peço perdão, não tenho escolha
Perdoa-me, Bom Senhor lá das Alturas!
Falo por mim e por meus pecados
E por isso mesmo já vou escrevendo
Não podemos terminar dezembro
Sem que sejamos perdoados
Eu... e meus pecados...
Perdão, Senhor, perdão!!!
Euclides Riquetti
31-12/2012
Parabéns, Aline! Paraatleta Medalha de Ouro na São Silvestre
Uma das melhores notícias que eu poderia ter neste final de ano é, sem dúvida nenhuma, a da vitória de Aline dos Santos Rocha na prova para cadeirantes na Corrida de São Silvestre, neste 31 de dezembro de 2012, em São Paulo.
Há dois anos vejo a Aline treinando na pista do Clube Comercial, aqui em Joaçaba, junto com os seus colegas paraatletas. Seu treinador/namorado, Professor Fernando Orso, muito dedicado, cobra dela rendimento e ela busca, incansavelmente, a sua superação. A bela Aline, 21 anos, sofreu um acidente e tornou-se cadeirante aos 15 anos.Há dois, começou a treinar, incentivada pelo namorado. Disse-me, dia desses, que seu sonho é participar, em condições de competir por medalhas, nas Paraolimpíadas de 2016. Humildade, dedicação, determinação e simpatia são características sempre presentes em nossa atleta. Seu empenho nos treinos a a leva ao sucesso. Seu companheirismo, estimulando ao Daluan e aos outros atletas, mostra que é uma grande pessoa.
Em 22 de novembro postei no meu blog: "Parabéns, Aline!. Foi quando ela ganhou duas medalhas de ouro pela cidade de São Caetano-SP. Depois ela foi para os Parajasc, em Brusque, e repetiu o feito. Agora, nos enche de orgulho e emoção, conquistando sua medalha de ouro na São Silvestre.
Tenho certeza de que os fogos saudando a chegada do Ano Novo aqui em Joaçaba estarão misturando-se ao dos amigos que comemorarão o grande feito da Aline.
Parabéns ao casal de namorados, Aline e Fernando, certamente os que mais têm a comemorar. E, muitas outras vitórias estão por vir!
Há dois anos vejo a Aline treinando na pista do Clube Comercial, aqui em Joaçaba, junto com os seus colegas paraatletas. Seu treinador/namorado, Professor Fernando Orso, muito dedicado, cobra dela rendimento e ela busca, incansavelmente, a sua superação. A bela Aline, 21 anos, sofreu um acidente e tornou-se cadeirante aos 15 anos.Há dois, começou a treinar, incentivada pelo namorado. Disse-me, dia desses, que seu sonho é participar, em condições de competir por medalhas, nas Paraolimpíadas de 2016. Humildade, dedicação, determinação e simpatia são características sempre presentes em nossa atleta. Seu empenho nos treinos a a leva ao sucesso. Seu companheirismo, estimulando ao Daluan e aos outros atletas, mostra que é uma grande pessoa.
Em 22 de novembro postei no meu blog: "Parabéns, Aline!. Foi quando ela ganhou duas medalhas de ouro pela cidade de São Caetano-SP. Depois ela foi para os Parajasc, em Brusque, e repetiu o feito. Agora, nos enche de orgulho e emoção, conquistando sua medalha de ouro na São Silvestre.
Tenho certeza de que os fogos saudando a chegada do Ano Novo aqui em Joaçaba estarão misturando-se ao dos amigos que comemorarão o grande feito da Aline.
Parabéns ao casal de namorados, Aline e Fernando, certamente os que mais têm a comemorar. E, muitas outras vitórias estão por vir!
domingo, 30 de dezembro de 2012
Objetos em desuso - reflexão para final de ano
Quando criança ainda, numa de minhas férias escolares, fui passar um mês com meus avôs em Linha Bonita. Os Baretta eram comerciantes, tinham um casarão que mais atrás servira também de pousada. E, naqueles idos de 1961, eu era bastante observador, cuidava dos movimentos das pessoas e daquilo que faziam. Lembro que, nos domingos à tardinha, após os jogos de futebol, vinham os jovens de toda a redondeza para jogar baralho. E tomar umas "birotas". Naquele tempo não tinham geladeira, pois não tinham energia elétrica suficiente, embora a maioria das casas tivessem um rodão d´água, que acionava um dínamo, que permitia clarear os ambientes apenas para umas duas, no máximo três lâmpadas. Então, a cerveja era resfriada num tanque de alvenaria, construído sob o assoalho de madeira, com água do poço, retirada com baldes de madeira também. E pediam para minha nona, Severina, cozinhar ovos na água, em dúzias, para matarem a fome no final de tarde.
Lembro que um dos jovens senhores que vinham até lá era o Vitalino Bazzo, com chapéu de feltro cinza, terno da mesma cor, de um xadrez discreto. (Foi na década de 1970 que os paletós "xadrezão" entraram na moda. Combinavam com aquelas calças boca-de-sino e os cabelos longos das pessoas). baldes do poço. E havia o Américo Módena, o Fernande Maziero, o Dirceu Viganó, o Nézio e o Vilson Rech, o Alcides Antonietto, o Nelson Falk, o Itacir Dambrós, o Valdir Baretta, que se misturavam com outros mais jovens e com meus tios. Tinham chapéu de feltro, que eram os chiques. Alguns, de palha. Comprei um aos 9 anos, quando já estava moranda na cidade e trabalhava. Lavava louça e lustrava a casa para uma prima. Com meu primeiro salário, comprei um belo chapéu.... Ah, e trabalhar não tirou nenhum pedaço de mim, não me queixo disso, mas me orgulho, pois aprendi a valorizar todas as minhas coisas.
Na época, havia um cidadão que vinha da Estação Avaí, que ficava do outro lado do Rio do Peixe, e ia ver a namorada, filha de um dos muitos Barettas que ali moravam, do Serafim. E tinha algo que dava inveja a todos os outros: um par de galochas de borracha, pretas. Era um material bem elástico e flexível, um "sapato maior que envolvia um sapato menor", que não deixava que o de couro embarrasse, nem que nele entrasse umidade. E ainda tinha um guarda-chuva com as varetas de madeira, bem grande. Vinha a pé, passava pela balsa ou bote, vinha de uma distância de dois quilômetros e meio para ver a namorada. Quando passava defronte à bodega, todos o invejavam. Naquele tempo não conhecíamos ainda as capas chuva, de nylon, que apareceram por lá apenas uns cinco anos depois. Imagine o sucesso dele se tivesse também uma capa de chuva. Ter uma, foi um de meus sonhos de adolescência, que não pude realizar, pois só "quem podia" conseguia ter uma. (Só consegui comprar um chapéu...)
Era o tempo em que não havia tratores para trabalhar. Colhíamos trigo com foicinhas, usávamos as enxadas para carpir, as máquinas pica-paus para plantar milho. E trilhadeira alugada para colher o trigo. Havia máquinas acionadas a mão para debulhar ou moer milho. Depois vieram equipamentos a gasolina e os elétricos. Foi uma "reevolução na roça".
E, relembrando dessas coisas, das galhochas que caíram em desuso, lembrei-me do cinzeiro que meu pai ganhou de uma aluna, lá do Belisário Pena, do 4º ano, a Cássia. Isqueiro era um presente bonito para um aniversário, dias dos pais, formaturas. (Agora, eu não daria cinzeiros ou isqueiros para ninguém). E davam também abotoaduras, algumas combinadas com um filete metálico que prendia a gravata, tudo ornando e combinando. E, antes ainda, as mulheres usavam luvas e chapéus, que as tornavam mais elegantes. Bonitas não, pois bonitas elas já eram, apenas que os ornamentos as deixavam mais atraentes, chamativas, engraçadas.
Hoje os sonhos de consumo são outros, criaram outrs necessidades para nós, encontraram outras formas de nos atrair, contagiar. As máquinas de escrever foram substituídas por computadores com impressoras. Muitos deixaram de fumar e dar um isqueiro ou um cinzeiro de presente é coisa muito brega e deselegante. Luvas, agora, para o trabalho, para pilotar motos, ou proteger contra o frio. As máquinas fotográficas convencionais foram substituídas por digitais. Os filmes de pelícola 35 mm estão dando lugar a sistemas digitalizados. As vitrolas , os gravadores de rolo ou fita, os toca-discos, deram lugar a mídias moderníssimas, chegando-se aos bluerays.
Muitos acessórios clássicos, tão presentes nas novelas e filmes de época e revistas podem voltar à nossa mente nesses dias em que paramos para refletir a chegada de mais um final de ano. Pensar nos chapéus de feltro, nas abotoaduras, nas luvas das senhoras, nos isqueiros, nos cinzeiros, nas galochas, nas agulhas dos toca-discos e nos discos de vinil. Quanta coisa mudou e quanto ainda tudo vai mudar. Até as bodegas das colônias dapareceram, junto com a energia da juventude de muitos amigos que se foram ou que estão aí, resistindo ao tempo. Olhamos para trás e vemos um filme que nos traz simples, mas saudosas lembranças. E nos resta pedir saúde a Deus, e que nossas ideias não caiam de uso, não se tornem obsoletas também!
Euclides Riquetti
Lembro que um dos jovens senhores que vinham até lá era o Vitalino Bazzo, com chapéu de feltro cinza, terno da mesma cor, de um xadrez discreto. (Foi na década de 1970 que os paletós "xadrezão" entraram na moda. Combinavam com aquelas calças boca-de-sino e os cabelos longos das pessoas). baldes do poço. E havia o Américo Módena, o Fernande Maziero, o Dirceu Viganó, o Nézio e o Vilson Rech, o Alcides Antonietto, o Nelson Falk, o Itacir Dambrós, o Valdir Baretta, que se misturavam com outros mais jovens e com meus tios. Tinham chapéu de feltro, que eram os chiques. Alguns, de palha. Comprei um aos 9 anos, quando já estava moranda na cidade e trabalhava. Lavava louça e lustrava a casa para uma prima. Com meu primeiro salário, comprei um belo chapéu.... Ah, e trabalhar não tirou nenhum pedaço de mim, não me queixo disso, mas me orgulho, pois aprendi a valorizar todas as minhas coisas.
Na época, havia um cidadão que vinha da Estação Avaí, que ficava do outro lado do Rio do Peixe, e ia ver a namorada, filha de um dos muitos Barettas que ali moravam, do Serafim. E tinha algo que dava inveja a todos os outros: um par de galochas de borracha, pretas. Era um material bem elástico e flexível, um "sapato maior que envolvia um sapato menor", que não deixava que o de couro embarrasse, nem que nele entrasse umidade. E ainda tinha um guarda-chuva com as varetas de madeira, bem grande. Vinha a pé, passava pela balsa ou bote, vinha de uma distância de dois quilômetros e meio para ver a namorada. Quando passava defronte à bodega, todos o invejavam. Naquele tempo não conhecíamos ainda as capas chuva, de nylon, que apareceram por lá apenas uns cinco anos depois. Imagine o sucesso dele se tivesse também uma capa de chuva. Ter uma, foi um de meus sonhos de adolescência, que não pude realizar, pois só "quem podia" conseguia ter uma. (Só consegui comprar um chapéu...)
Era o tempo em que não havia tratores para trabalhar. Colhíamos trigo com foicinhas, usávamos as enxadas para carpir, as máquinas pica-paus para plantar milho. E trilhadeira alugada para colher o trigo. Havia máquinas acionadas a mão para debulhar ou moer milho. Depois vieram equipamentos a gasolina e os elétricos. Foi uma "reevolução na roça".
E, relembrando dessas coisas, das galhochas que caíram em desuso, lembrei-me do cinzeiro que meu pai ganhou de uma aluna, lá do Belisário Pena, do 4º ano, a Cássia. Isqueiro era um presente bonito para um aniversário, dias dos pais, formaturas. (Agora, eu não daria cinzeiros ou isqueiros para ninguém). E davam também abotoaduras, algumas combinadas com um filete metálico que prendia a gravata, tudo ornando e combinando. E, antes ainda, as mulheres usavam luvas e chapéus, que as tornavam mais elegantes. Bonitas não, pois bonitas elas já eram, apenas que os ornamentos as deixavam mais atraentes, chamativas, engraçadas.
Hoje os sonhos de consumo são outros, criaram outrs necessidades para nós, encontraram outras formas de nos atrair, contagiar. As máquinas de escrever foram substituídas por computadores com impressoras. Muitos deixaram de fumar e dar um isqueiro ou um cinzeiro de presente é coisa muito brega e deselegante. Luvas, agora, para o trabalho, para pilotar motos, ou proteger contra o frio. As máquinas fotográficas convencionais foram substituídas por digitais. Os filmes de pelícola 35 mm estão dando lugar a sistemas digitalizados. As vitrolas , os gravadores de rolo ou fita, os toca-discos, deram lugar a mídias moderníssimas, chegando-se aos bluerays.
Muitos acessórios clássicos, tão presentes nas novelas e filmes de época e revistas podem voltar à nossa mente nesses dias em que paramos para refletir a chegada de mais um final de ano. Pensar nos chapéus de feltro, nas abotoaduras, nas luvas das senhoras, nos isqueiros, nos cinzeiros, nas galochas, nas agulhas dos toca-discos e nos discos de vinil. Quanta coisa mudou e quanto ainda tudo vai mudar. Até as bodegas das colônias dapareceram, junto com a energia da juventude de muitos amigos que se foram ou que estão aí, resistindo ao tempo. Olhamos para trás e vemos um filme que nos traz simples, mas saudosas lembranças. E nos resta pedir saúde a Deus, e que nossas ideias não caiam de uso, não se tornem obsoletas também!
Euclides Riquetti
sábado, 29 de dezembro de 2012
O retardo da maturidade
Ter vivido mais anos do que a maioria dos demais viventes, permite-nos ter uma visão maior e mais lúcida de algumas coisas. A mais longa obervação de fatos e comportamentos foi-nos dando base para compreender melhor as situações do dia-a-dia. Vemos muitas coisas acontecendo, considero que o coração do jovem está melhor, que tem mais facilidades do que tinhamos em nossa época "teen".
Embora o coração das pessoas, ao meu ver, esteja melhor, menos rancorizado, o nível de tolerância delas chega ao limite com mais frequência. Dizia-me uma pessoa que muito prezo, madura, lúcida, que as pessoas da pré meia-idade ( esta é uma faixa que criei para designar os que estão entre os 30 e 45 anos), estão-se portando como se estivessem na adolescência. E os adolescentes como se fossem crianças. E, também, muito madurão querendo dar uma de "bem jovem". Acho que na história do mundo isso já aconteceu, mesmo nas gerações próximas de nós, as que conhecemos, mas que nós ainda não tínhamos compreensão e discernimento para ver e sentir isso.
Alguns fatos que presenciei neste mês, e que não vou ser deselegante ao ponto de reportar aqui, me mostram o quanto o grau de intolerância se faz presente. E os pais estão com dificuldades para lidar com a situação, não porque lhes falte vontade, mas porque se sentem impotentes. Filhos contrariados chegam a atitudes extremas. Se os pais abrem guarda, dão liberdade demais, perdem os filhos por causa das "tentações" a que estão expostos. Se exercem a autoridade necessária, os filhos acham que eles não querem o seu bem, que não lhes dão liberdade, isso e aquilo, têm reações radicais imediatas, vão por caminhos de volta difícil.
É inegável que o diálogo, o amor, a tolerância, ajudam a reduzir as "possibilidades de risco", quase as eliminam. Mas não é uma regra absoluta.
Além disso, a informação (a que todos temos direito, para por luz na nossa ignorância), induz à tomada das atitudes extremas a que me referi, ou seja, os exemplos disponíveis a todo o momento fazem a cabeça das pessoas e coisas inaceitáveis passam a ser consideradas normais, parte do jogo.
Sei que não fui claro o bastante para chegar ao que pretendo, e nem posso sê-lo, mas deixo muitas possibilidades para que você, leitor(a), possa compreender-me.
Vivemos mais anos, aprendemos mais coisas, passamos por maior número de situações, favoráveis ou adversas. Mas, que a maturidade está-se retardando, está, para a maioria das pessoas.
Euclides Riquetti
29-12-2012
Embora o coração das pessoas, ao meu ver, esteja melhor, menos rancorizado, o nível de tolerância delas chega ao limite com mais frequência. Dizia-me uma pessoa que muito prezo, madura, lúcida, que as pessoas da pré meia-idade ( esta é uma faixa que criei para designar os que estão entre os 30 e 45 anos), estão-se portando como se estivessem na adolescência. E os adolescentes como se fossem crianças. E, também, muito madurão querendo dar uma de "bem jovem". Acho que na história do mundo isso já aconteceu, mesmo nas gerações próximas de nós, as que conhecemos, mas que nós ainda não tínhamos compreensão e discernimento para ver e sentir isso.
Alguns fatos que presenciei neste mês, e que não vou ser deselegante ao ponto de reportar aqui, me mostram o quanto o grau de intolerância se faz presente. E os pais estão com dificuldades para lidar com a situação, não porque lhes falte vontade, mas porque se sentem impotentes. Filhos contrariados chegam a atitudes extremas. Se os pais abrem guarda, dão liberdade demais, perdem os filhos por causa das "tentações" a que estão expostos. Se exercem a autoridade necessária, os filhos acham que eles não querem o seu bem, que não lhes dão liberdade, isso e aquilo, têm reações radicais imediatas, vão por caminhos de volta difícil.
É inegável que o diálogo, o amor, a tolerância, ajudam a reduzir as "possibilidades de risco", quase as eliminam. Mas não é uma regra absoluta.
Além disso, a informação (a que todos temos direito, para por luz na nossa ignorância), induz à tomada das atitudes extremas a que me referi, ou seja, os exemplos disponíveis a todo o momento fazem a cabeça das pessoas e coisas inaceitáveis passam a ser consideradas normais, parte do jogo.
Sei que não fui claro o bastante para chegar ao que pretendo, e nem posso sê-lo, mas deixo muitas possibilidades para que você, leitor(a), possa compreender-me.
Vivemos mais anos, aprendemos mais coisas, passamos por maior número de situações, favoráveis ou adversas. Mas, que a maturidade está-se retardando, está, para a maioria das pessoas.
Euclides Riquetti
29-12-2012
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Novelas de Época - Estúpido Cupido
Acompanho novelas desde o final do ano de 1975. Foi quando terminei a Faculdade e casei-me. Antes, morei na República Esuadrão da Vida, em União da Vitória, onde não tínhamos TV. Só víamos, pela janela, a TV da casa vizinha, nas manhãs de domingo, quando o Fittilpi pilotava sua Lótus "John Player Special", preta, bonita como o luxuoso helicóptero de meu vizinho rico, nos circuitos de ´Fórmula 1. Nos outros dias era estudar e trabalhar, apenas.
Na época, a novela das seis da Rede Globo era "O Feijão e o Sonho", baseada no romance de Orígenes Lessa, de 1938, ano que amibientava a novela. Lembro que o Cláudio Cavalcanti representava um escritor sonhador, marido de uma dona de casa vivida pela Nívea Maria. Eram um casal de meia idade para aquele tempo, jovem para os dias de hoje. Tinham duas filhas, uma interpretada pela Lídia Brondi e a outra por Myriam Rios, hoje Deputada no Rio de Janeiro. A Myriam foi convidada pelo Ator/Diretor Herval Rossano. Ela participava de uma seleção num programa de domingo na Globo. Ele viu de casa, telefonou para contratá-la na mesma hora, independente dos testes. Foi seu primeiro trabalho na tela. Mergulhei naquela novela das 18 horas, ficava com muita pena da personagem da Nívea Maria, porque o marido vivia só o sonho e não trazia o feijão para casa... Aliás, há muitos poetas e romancistas que se esqueceram de levar comida para casa. Apenas levaram seus escritos para embalar os sonhos dos leitores. Ajudaram o mundo das pessoas a ser melhor! Conheço muitas pessoas assim.
Depois, outra novela que muito me marcou, foi a "Estúpido Cupido", que passou em 1976 e 1977 e era ambientada na fictícia cidade de Albuquerque. Era muito divertida. A música de abertura era "Estúpido Cúpido", a versão nacional de "Stup Cupid", interpretada pela bela Celly Campello. E entre os atores Mauro Mendonça e Maria Della Costa, um timaço de jovens que fizeram muito sucesso nos anos seguintes: Françoise Forton, Rocardo Blat, Ney Latorraca, Luiz Armando Queiroz, (que interpretava um adoidado mas inteligente Belchior), Nuno Leal Maia (o Acioli), Tião Ávila, (o simpático Carneirinho) e Djane Machado, (a Glorinha). Mas, quem dava banhos de beleza e interpretação era a freirinha Irmã Angélica, papel da divina Elizabeth Savalla, que partia o coração dos rapazes, arrancava suspiros dos telespectadores. Bem que podiam reprisar essa novela, nem que fosse na TV a cabo.
E a trilha sonora, então, era de arrebentar: Celi Campello com "Estúpido Cupido" e "Banho de Lua" , Osmar Navarro com "Quem é?", Carlos Gonzaga com "Diana", Sérgio Murilo com "Broto legal", Demétrius com "Ritmo da Chuva", e Ronie Cord com "Biquini Amarelo". Até hoje essas músicas fazem sucessos nos bailes da região, quando, ali pelas 2 da mnhã, os conjuntos abrem espaço para nós dançarmos os ieieiês de nossa juventude. E ainda havia o "Al Di Lá", com o Emílio Pericoli e "América", com Trini Lopez, Elvis Presley com "Don´t be cruel", e Johnny Mathis, interprtetando "Misty", na trilha internacional.
Gosto muito das novelas de época,d as 18 horas, e das divertidas, das 19,30. Mas observo algumas incoerências da atualidade, pois usam expressões como por exemplo "não está mais aqui quem falou", que é recente e nunca vi na literatura. Difícil acreditar que na amientação de Lado a Lado, 1905, se utilizasse essa expressão. Também falam em "professora divorciada", para a personagem de minha musa de crônicas Marjorie Estiano. Sabe-se que o divórcio, no Brasil, só vigorou a partir de 1977, daí gerar uma incoerência. Aliás, noto que cuidam excelentemente do figurino, da linguagem corporal, mas não se preocupam com a linguagem falada. Deviam cuidar disso também, embora haja quem diga que a TV deve por a linguagem mais atual, para maior interação do público. Não concordo!
Euclides Riquetti
27-12-2012
Na época, a novela das seis da Rede Globo era "O Feijão e o Sonho", baseada no romance de Orígenes Lessa, de 1938, ano que amibientava a novela. Lembro que o Cláudio Cavalcanti representava um escritor sonhador, marido de uma dona de casa vivida pela Nívea Maria. Eram um casal de meia idade para aquele tempo, jovem para os dias de hoje. Tinham duas filhas, uma interpretada pela Lídia Brondi e a outra por Myriam Rios, hoje Deputada no Rio de Janeiro. A Myriam foi convidada pelo Ator/Diretor Herval Rossano. Ela participava de uma seleção num programa de domingo na Globo. Ele viu de casa, telefonou para contratá-la na mesma hora, independente dos testes. Foi seu primeiro trabalho na tela. Mergulhei naquela novela das 18 horas, ficava com muita pena da personagem da Nívea Maria, porque o marido vivia só o sonho e não trazia o feijão para casa... Aliás, há muitos poetas e romancistas que se esqueceram de levar comida para casa. Apenas levaram seus escritos para embalar os sonhos dos leitores. Ajudaram o mundo das pessoas a ser melhor! Conheço muitas pessoas assim.
Depois, outra novela que muito me marcou, foi a "Estúpido Cupido", que passou em 1976 e 1977 e era ambientada na fictícia cidade de Albuquerque. Era muito divertida. A música de abertura era "Estúpido Cúpido", a versão nacional de "Stup Cupid", interpretada pela bela Celly Campello. E entre os atores Mauro Mendonça e Maria Della Costa, um timaço de jovens que fizeram muito sucesso nos anos seguintes: Françoise Forton, Rocardo Blat, Ney Latorraca, Luiz Armando Queiroz, (que interpretava um adoidado mas inteligente Belchior), Nuno Leal Maia (o Acioli), Tião Ávila, (o simpático Carneirinho) e Djane Machado, (a Glorinha). Mas, quem dava banhos de beleza e interpretação era a freirinha Irmã Angélica, papel da divina Elizabeth Savalla, que partia o coração dos rapazes, arrancava suspiros dos telespectadores. Bem que podiam reprisar essa novela, nem que fosse na TV a cabo.
E a trilha sonora, então, era de arrebentar: Celi Campello com "Estúpido Cupido" e "Banho de Lua" , Osmar Navarro com "Quem é?", Carlos Gonzaga com "Diana", Sérgio Murilo com "Broto legal", Demétrius com "Ritmo da Chuva", e Ronie Cord com "Biquini Amarelo". Até hoje essas músicas fazem sucessos nos bailes da região, quando, ali pelas 2 da mnhã, os conjuntos abrem espaço para nós dançarmos os ieieiês de nossa juventude. E ainda havia o "Al Di Lá", com o Emílio Pericoli e "América", com Trini Lopez, Elvis Presley com "Don´t be cruel", e Johnny Mathis, interprtetando "Misty", na trilha internacional.
Gosto muito das novelas de época,d as 18 horas, e das divertidas, das 19,30. Mas observo algumas incoerências da atualidade, pois usam expressões como por exemplo "não está mais aqui quem falou", que é recente e nunca vi na literatura. Difícil acreditar que na amientação de Lado a Lado, 1905, se utilizasse essa expressão. Também falam em "professora divorciada", para a personagem de minha musa de crônicas Marjorie Estiano. Sabe-se que o divórcio, no Brasil, só vigorou a partir de 1977, daí gerar uma incoerência. Aliás, noto que cuidam excelentemente do figurino, da linguagem corporal, mas não se preocupam com a linguagem falada. Deviam cuidar disso também, embora haja quem diga que a TV deve por a linguagem mais atual, para maior interação do público. Não concordo!
Euclides Riquetti
27-12-2012
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Papai Noel esteve aqui!
É Natal outra vez
Veio e foi-se o Papai Noel
Sobrou presentes e papel
Tudo de bom ele fez.
Veio chegando em seu burrinho
Foi entrando pela janela
E da maneira mais singela
Deixou-nos os presentinhos.
Só ele entende de sonhos
Sabe o que queremos ganhar
Na hora de presentear
Conhece os bons e os medonhos.
No Dia do Menino Jesus
Por Deus e Maria abençoado
Nossos sonhos são realizados
Graças ao Menino de Luz.
Tenhamos muita sabedoria
Pra entender todo esse mundo
E que o amor mais profundo
Traga-nos paz e harmonia.
Vale pra mim e pra ti
Que acreditamos no Bom Velhinho
Foi agora, há um pouquinho:
Papai Noel esteve aqui!
Euclides Riquetti
25-12-2012
Veio e foi-se o Papai Noel
Sobrou presentes e papel
Tudo de bom ele fez.
Veio chegando em seu burrinho
Foi entrando pela janela
E da maneira mais singela
Deixou-nos os presentinhos.
Só ele entende de sonhos
Sabe o que queremos ganhar
Na hora de presentear
Conhece os bons e os medonhos.
No Dia do Menino Jesus
Por Deus e Maria abençoado
Nossos sonhos são realizados
Graças ao Menino de Luz.
Tenhamos muita sabedoria
Pra entender todo esse mundo
E que o amor mais profundo
Traga-nos paz e harmonia.
Vale pra mim e pra ti
Que acreditamos no Bom Velhinho
Foi agora, há um pouquinho:
Papai Noel esteve aqui!
Euclides Riquetti
25-12-2012
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Papai Noel Existe
Saí de casa com apenas 1 ano e 47 dias. Não fui doado, fui carinhosamente levado pela minha madrinha, Raquel Vitorazzi Frank, para morar com a família dela, em Leãozinho. Nascera minha irmã, Iradi, que teve por segundo nome Lourdes, pois morávamos a 100 metros de uma gruta dessa Santa, no Disrito de Ouro, então município de Capinzal. Naquele dia 09 de janeiro de 1954, meu destino começou a se moldar. E moldou-se da forma que uma criança não quer, porque embora muito amado na casa onde vivi minha infância, eu tinha muitas saudades de meus pais. E de meu irmão, Ironi, 5 anos mais velho que do que eu. Acho que é por isso que sempre quis ter meus filhos perto de mim. (Agora já mudei minha opinião sobre isso, acho que não importa onde eles estejam, mesmo longe, o importante é que estejam bem, tenham saúde, vivam bem). Senti muitíssimo quando eles foram tomando rumo próprio na vida. Agora estou feliz com isso, porque não foi uma ruptura, foi um ausentar-se "soft", eles sempre estão por perto...
Minha ligação era forte com a família, mesmo morando fora. E, agora, nesses dias em que a sensibilidade se aguça, lembramos... Quem de nós, leitor (a), não lembra dos natais da infância, das expectativas sobre os presentes, as comemorações em família, muita comida boa, comer chocolate sem culpa, vestir-se com roupa nova, dos tempos em que o Papai Noel existia?
Bem pequeno, me contavam aquelas histórias bonitas sobre o Bom Velhinho. E lá, na colônia, num método pedagocicamente involuntário, me educavam para acreditar, adaptavam a história aos seus costumes. O Bondoso não vinha em trenó com renas. Vinha montado a um burrinho, entrava pela janela à meia-noite, por isso tínhamos que ir dormir cedo e deixar as janelas abertas. Ele tinha um saco com presentes e deixava um para cada criança, tornava-mos muito felizes. E minha função, na véspera, era colher uns pastos e deixar num cochinho de madeira, um daqueles que eram usados para dar comida aos terneiros, para que o cansado burrinho, que viera do céu, pudesse reabastecer-se de energias e ir levar os presentes para as crianças da vizinhança.
Para mim, essa figura lendária, adorável, bondosa, povoou minha mente fantasiosa até o Natal em que eu já tinha três anos. Eu estava na expectativa de ir buscar o pasto, arrumar direitinho no cochinho, (e também uma tigela de madeira com água, não esquecer de deixar a janela aberta. Eu dormia no quarto de meus padrinhos, tinham uma "cuna" para mim, eu deitava e eles contavam-me histórias para que eu dormisse. E, naquela noite, 24 de dezembro de 1955, eu estava a fim de ver a chegada do velhinho, ver como ele era, como se vestia. Sabia que tinha barba branca, roupa vermelha, botas pretas. Mas não havia as imagens que hoje temos abundantemente nas mídias, nas vitrines das lojas, nos cartões, e até mesmo o Papai Noel que está na loja ou no shopping, pra que todo mundo veja.
Minha ansiedade era muita, meu padrinho percebeu isso, e lascou: "Papai Noel não existe, vou te mostrar"! E pegou um pacote de cima do guarda-roupa, que meus pais haviam mandado, em que estavam meus presentes: um papai noel de chocolate, um reloginho de chocolate, balas, e uma blusinha verde com listas horizontais brancas. Minha madrinha foi à loucura, brigou com ele, não deveria ter feito isso! Vieram a Alaídes, a Catarina e a Delcia e diziam-me que o Padrinho estava mentindo, que o Papai Noel havia mandado os presentes, que ele viria depois para me entregar... E foi muita confusão na minha cabeça. Na verdade, eu queria que Papai Noel existisse. Aquele velhinho, produto da tradição, tinha que ser real! Não poderiam todas as historinhas que ouvi sobre ele serem mentira...
Nos natais seguintes continuei a ganhar presentes. E continuei a deixar um prato sobre a mesa da sala, um papelzinho com o nome, para que os presentes fossem colocados dentro. Aos oito anos, quando fui morar com meus pais na cidade, e conhecer as figuras de Noel nas revistas, comecei a me perguntar e estabelecer algumas verdades sobre as coisas: "Por que ele usa aquelas roupas de frio se é sempre muito calor no Natal? Se ele vem pela chaminé da lareira, então vai só nas casas onde tem lareira. Não tem como ele descer pelo cano de zinco do fogão. Aquela barba é de verdade ou é barba de árvore? E aquele Papai Noel das Casas Pernambucanas, que o Donato Pacheco leva nas casas para entregar presentes, é de verdade? E por que muitos amigos ganham bicicletas, revólveres de espoletas com rolo, bolas, até chuteiras, e nós só ganhamos roupinhas"? Mesmo assim, fiquei esperando pelos presentes do Bom Velhinho até 11, 12 anos. E propagando a fantasia para meus irmãos pequenos.
Ah, como é bom o mundo da fantasia!!! Como é bom esquecer tudo e viver apenas para o que nos deixa feliz, sonhar...
Aprendi a sonhar. E dividir meus sonhos com os outros. Amarrar um Papai Noel no telhadinho defronte à janela de meu quarto, outro na da sala, colocar luzes coloridas na varanda, na cerca, nas árvores. deixar-me levar pelos sonhos. O sonho é real, enseja possibilidades que a vida muitas vezes não oferece. Sonhar me deixa feliz. Sunhar e poder dizer pata todos os amigos: FELIZ NATAL!
Euclides Riquetti
24-12-2012
Minha ligação era forte com a família, mesmo morando fora. E, agora, nesses dias em que a sensibilidade se aguça, lembramos... Quem de nós, leitor (a), não lembra dos natais da infância, das expectativas sobre os presentes, as comemorações em família, muita comida boa, comer chocolate sem culpa, vestir-se com roupa nova, dos tempos em que o Papai Noel existia?
Bem pequeno, me contavam aquelas histórias bonitas sobre o Bom Velhinho. E lá, na colônia, num método pedagocicamente involuntário, me educavam para acreditar, adaptavam a história aos seus costumes. O Bondoso não vinha em trenó com renas. Vinha montado a um burrinho, entrava pela janela à meia-noite, por isso tínhamos que ir dormir cedo e deixar as janelas abertas. Ele tinha um saco com presentes e deixava um para cada criança, tornava-mos muito felizes. E minha função, na véspera, era colher uns pastos e deixar num cochinho de madeira, um daqueles que eram usados para dar comida aos terneiros, para que o cansado burrinho, que viera do céu, pudesse reabastecer-se de energias e ir levar os presentes para as crianças da vizinhança.
Para mim, essa figura lendária, adorável, bondosa, povoou minha mente fantasiosa até o Natal em que eu já tinha três anos. Eu estava na expectativa de ir buscar o pasto, arrumar direitinho no cochinho, (e também uma tigela de madeira com água, não esquecer de deixar a janela aberta. Eu dormia no quarto de meus padrinhos, tinham uma "cuna" para mim, eu deitava e eles contavam-me histórias para que eu dormisse. E, naquela noite, 24 de dezembro de 1955, eu estava a fim de ver a chegada do velhinho, ver como ele era, como se vestia. Sabia que tinha barba branca, roupa vermelha, botas pretas. Mas não havia as imagens que hoje temos abundantemente nas mídias, nas vitrines das lojas, nos cartões, e até mesmo o Papai Noel que está na loja ou no shopping, pra que todo mundo veja.
Minha ansiedade era muita, meu padrinho percebeu isso, e lascou: "Papai Noel não existe, vou te mostrar"! E pegou um pacote de cima do guarda-roupa, que meus pais haviam mandado, em que estavam meus presentes: um papai noel de chocolate, um reloginho de chocolate, balas, e uma blusinha verde com listas horizontais brancas. Minha madrinha foi à loucura, brigou com ele, não deveria ter feito isso! Vieram a Alaídes, a Catarina e a Delcia e diziam-me que o Padrinho estava mentindo, que o Papai Noel havia mandado os presentes, que ele viria depois para me entregar... E foi muita confusão na minha cabeça. Na verdade, eu queria que Papai Noel existisse. Aquele velhinho, produto da tradição, tinha que ser real! Não poderiam todas as historinhas que ouvi sobre ele serem mentira...
Nos natais seguintes continuei a ganhar presentes. E continuei a deixar um prato sobre a mesa da sala, um papelzinho com o nome, para que os presentes fossem colocados dentro. Aos oito anos, quando fui morar com meus pais na cidade, e conhecer as figuras de Noel nas revistas, comecei a me perguntar e estabelecer algumas verdades sobre as coisas: "Por que ele usa aquelas roupas de frio se é sempre muito calor no Natal? Se ele vem pela chaminé da lareira, então vai só nas casas onde tem lareira. Não tem como ele descer pelo cano de zinco do fogão. Aquela barba é de verdade ou é barba de árvore? E aquele Papai Noel das Casas Pernambucanas, que o Donato Pacheco leva nas casas para entregar presentes, é de verdade? E por que muitos amigos ganham bicicletas, revólveres de espoletas com rolo, bolas, até chuteiras, e nós só ganhamos roupinhas"? Mesmo assim, fiquei esperando pelos presentes do Bom Velhinho até 11, 12 anos. E propagando a fantasia para meus irmãos pequenos.
Ah, como é bom o mundo da fantasia!!! Como é bom esquecer tudo e viver apenas para o que nos deixa feliz, sonhar...
Aprendi a sonhar. E dividir meus sonhos com os outros. Amarrar um Papai Noel no telhadinho defronte à janela de meu quarto, outro na da sala, colocar luzes coloridas na varanda, na cerca, nas árvores. deixar-me levar pelos sonhos. O sonho é real, enseja possibilidades que a vida muitas vezes não oferece. Sonhar me deixa feliz. Sunhar e poder dizer pata todos os amigos: FELIZ NATAL!
Euclides Riquetti
24-12-2012
sábado, 22 de dezembro de 2012
O Dia Seguinte (ao do fim do mundo...)
Os japoneses, bem antes do que nós, comemoraram o triunfo da normalidade sobre a tragédia: Meio dia antes do que aqui, terminava o 21 e o mundo não tinha acabado. Soltaram alguns fogos até.
Escrevi no facebook para o Steferson Stares, e ele respopndeu, lá da Alemanha, que não havia acontecido nada, graças a Deus. A maioria de meus amigos virtuais estavam certíssimos de que o mundo não acabaria. Nenhum de meus amigos norteamericanos, até a madrugada, manifestou-se com a possibilidade de o mundo acabar lá, considerado o fuso horário. O Vladimir Putin, Presidente da Rússia, um dia antes, garantiu que o mundo só vai acabar daqui a 4,5 bilhões de anos. Em São Thomé das Letras, Minas Gerais, onde há um pico de 1.440 metros de altura, os terrenos entraram numa especulação imobiliária por conta do fim do mundo e foram valorizados em 50%. Dizem os corretores que é porque lá é um lugar ideal para buscar e renovar energias espirituais e então, já há alguns meses, as pessoas começaram a comprar propriedades. Antes eram vendidas a preço de banana e depois passaram a pagar preço de morango, ou de tomate, que pela instabilidade climática, nos últimos meses, tem ficado mais caro. Até o "de promoção" está com o preço inflacionado.
Quando fui dormir, ontem, o dia não tinha acabado ainda nos Estados Unidos, mas pelos acessos que meu blog teve de lá, hoje, tenho certeza de que não acabou. E, todos aqueles profetas do apocalipse e os pregadores do catastrofismo ficaram desacreditados. Até eu fiquei preocupado com minha imagem pública porque ontem falei para uns trabalhadores de que não adiantava ficarem se matando de trabalhar sob o sol quente se hoje, sábado, poderiam ficar sujeitos a não receber nada caso o mundo acabasse. Mas acho que eles fizeram uma reunião, deram umas risadinhas e não acreditaram em mim, porque continuaram a dobrar ferros, tirar terra da valeta e colocar pedras para fazer drenagem. Acho que pensavam que se houvesse um dilúvio eles teriam feito a parte deles e não seriam eles os culpados pela inundação do mundo.
De manhã saí cedo para fazer o cerimonial de assinatura da Ordem de Serviço para o asfaltamento da Rodovia Ouro/Jaborá, um sonho de 32 anos. A MonteAdriano, de Portugal, vai executar a obra de 33,6 Km. Uma época as empresas brasileiras iam fazer estradas na Europa, na Ásia e na África. Agora vêm daqueles lados para fazer estradas aqui. É o fim do mundo!!! (Mas é só uma expressão altamente exclamativa, não se assuste).
Na estrada havia apenas uma árvore caída, no acostamento. Deve ter sido um pequeno ventinho, insignificante, e ela deve ter caído de madura. Então, não houve qualquer grande evento adverso que me desse pelo menos un indício, um tiquinho sequer de pista, de que houvesse acontecido algo que ensejasse um fim de mundo.
Fiquei muito contente com tudo. Nada de mal aconteceu com ninguém. Apenas que alguns bebuns, por aí, bateram carros em postes e não quiseram fazer o teste de bafômetro. Isso acontece muito às sextas-firas. Mas já vi que Dina Dilma vai assinar a severidade da Lei Seca sem vetos. Estava no site da Globo, com destaque.
Agora, nuvens escuras estão enegrecendo o céu. Mas estou com coragem, sem nehum receio: Não será isso que vai fazer com que o mundo acabe. Agora, só daqui a 4,5 bilhões de anos. Acho que eu, você e o Putin não estaremos mais aqui para saber se ele está falando a verdade.
Euclides Riquetti
22-12-2012
Escrevi no facebook para o Steferson Stares, e ele respopndeu, lá da Alemanha, que não havia acontecido nada, graças a Deus. A maioria de meus amigos virtuais estavam certíssimos de que o mundo não acabaria. Nenhum de meus amigos norteamericanos, até a madrugada, manifestou-se com a possibilidade de o mundo acabar lá, considerado o fuso horário. O Vladimir Putin, Presidente da Rússia, um dia antes, garantiu que o mundo só vai acabar daqui a 4,5 bilhões de anos. Em São Thomé das Letras, Minas Gerais, onde há um pico de 1.440 metros de altura, os terrenos entraram numa especulação imobiliária por conta do fim do mundo e foram valorizados em 50%. Dizem os corretores que é porque lá é um lugar ideal para buscar e renovar energias espirituais e então, já há alguns meses, as pessoas começaram a comprar propriedades. Antes eram vendidas a preço de banana e depois passaram a pagar preço de morango, ou de tomate, que pela instabilidade climática, nos últimos meses, tem ficado mais caro. Até o "de promoção" está com o preço inflacionado.
Quando fui dormir, ontem, o dia não tinha acabado ainda nos Estados Unidos, mas pelos acessos que meu blog teve de lá, hoje, tenho certeza de que não acabou. E, todos aqueles profetas do apocalipse e os pregadores do catastrofismo ficaram desacreditados. Até eu fiquei preocupado com minha imagem pública porque ontem falei para uns trabalhadores de que não adiantava ficarem se matando de trabalhar sob o sol quente se hoje, sábado, poderiam ficar sujeitos a não receber nada caso o mundo acabasse. Mas acho que eles fizeram uma reunião, deram umas risadinhas e não acreditaram em mim, porque continuaram a dobrar ferros, tirar terra da valeta e colocar pedras para fazer drenagem. Acho que pensavam que se houvesse um dilúvio eles teriam feito a parte deles e não seriam eles os culpados pela inundação do mundo.
De manhã saí cedo para fazer o cerimonial de assinatura da Ordem de Serviço para o asfaltamento da Rodovia Ouro/Jaborá, um sonho de 32 anos. A MonteAdriano, de Portugal, vai executar a obra de 33,6 Km. Uma época as empresas brasileiras iam fazer estradas na Europa, na Ásia e na África. Agora vêm daqueles lados para fazer estradas aqui. É o fim do mundo!!! (Mas é só uma expressão altamente exclamativa, não se assuste).
Na estrada havia apenas uma árvore caída, no acostamento. Deve ter sido um pequeno ventinho, insignificante, e ela deve ter caído de madura. Então, não houve qualquer grande evento adverso que me desse pelo menos un indício, um tiquinho sequer de pista, de que houvesse acontecido algo que ensejasse um fim de mundo.
Fiquei muito contente com tudo. Nada de mal aconteceu com ninguém. Apenas que alguns bebuns, por aí, bateram carros em postes e não quiseram fazer o teste de bafômetro. Isso acontece muito às sextas-firas. Mas já vi que Dina Dilma vai assinar a severidade da Lei Seca sem vetos. Estava no site da Globo, com destaque.
Agora, nuvens escuras estão enegrecendo o céu. Mas estou com coragem, sem nehum receio: Não será isso que vai fazer com que o mundo acabe. Agora, só daqui a 4,5 bilhões de anos. Acho que eu, você e o Putin não estaremos mais aqui para saber se ele está falando a verdade.
Euclides Riquetti
22-12-2012
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