domingo, 21 de junho de 2026

Quero ser o poema perfumado

 



Quero ser o poema perfumado que você devora
A rima preferida que me abandonou
O soneto alexandrino que se foi embora
A alça da blusinha que a gente rasgou...

Quero ser o poema inspirado que você deseja
Ou a canção romântica que você cantava
Que escrevo e apago antes que você o veja
Ou as toalhas enroladas que você guardava...

Quero ser o sonho doce  que nós dividimos
A ousadia vivida, o perigo iminente
Não quero acreditar que nós  desistimos
Que lutamos muito, mas não o suficiente.

Quero ser o futuro que sorri muito contente
Que ri do passado sem lógica ou explicação
Quero ser o reencontro que volta neste presente
Que me embala no sonho das notas de sua canção.

Euclides Riquetti

Navegar em outro mar

 



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O amor flutua no ar
E vem embalar
Meus pensamentos e meus sonhos.

O amor me acalma
Acalenta minha alma
Bane meus defeitos medonhos.

O amor vem cantado nas canções
Colado em sentimentos e emoções
Escrito nos versos das manhãs.

Mas, se não o alimentamos, vai embora!
Vai acampar em  almas que não choram
E não se apega nas  promessas vãs.

O amor é assim:
É um sentimento sem fim
Que procura um galho firme para pousar.
Ao contrário,
Vai navegar em outro mar!

Euclides Riquetti

Um porto seguro

 


 





Um porto seguro


Busque encontrar um porto seguro
E navegar nos mares da tranquilidade
Evite as turbulências do céu escuro
Busque a calmaria nos dias de tempestade.

Busque viver com pessoas otimistas
Com gente que a respeita e lhe quer amar
Mais vale ter poucos amigos leais e realistas
Do que ter muitos em quem não  confiar.

Busque tornar seus dias alegres e prazenteiros
Ter alguém simples, mas com que possa contar
Para compartilhar seus medos, para  juntos sonhar.

Busque os encantos mais puros e verdadeiros
A sinceridade nos gestos, o sorriso mais largado
Busque apenas ser feliz e me ter ao seu lado...

Euclides Riquetti

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sábado, 20 de junho de 2026

Homenagem ao Negão Esganzela, o Moço da Gaita!

 




          O Negão dedilhava o teclado de sua gaita com elegância e  maestria. Tirava dela, desde moço, qualquer tipo de moda da tradição gaúcha: música nativista, xote, vanerão, valsa, chamamé, qualquer coisa
que lhe pedissem. Gostava de trajar calça social, preferencialmente cinza ou azul,  e camisa com colarinho, normalmente  branca ou de uma cor muito clara. Dobrava os punhos da camisa de manga longa para melhor movimentar os braços nas alças de sua gaita. Sabia as notas das músicas "de cor e salteado".
Colocava seu coração corinthiano a mover suas mãos e a incitar seu cérebro, tirando os mais belos acordes. Era convidado a participar de festas sociais e animar eventos de escolas.


          Competimos em trincheiras opostas na campanha política de 1988, quando ele se elegeu vereador. Naquele dia 16 de novembro de 1988, ao final do dia, encontrei-o ali na Rua XV, em Capinzal, defronte ao "Edifício Sanalma" Ainda pela manhã havíamos recebido o resultado das urnas. Eu tivera êxito em minha postulação e ele também. Veio correndo e me abraçou: "Ganhamos, Riquetti! Vou apoiar você!" - eu jamais iria esperar isso de um adversário, mas aconteceu. E demos início a uma amizade que foi-se consolidando aos poucos e durou por 25 anos. Viramos, adiante, colegas de trabalho, até aliados na política. 

          Enaltecer a humildade dele, a habilidade que tinha na conversa com as pessoas, seu alto nível de educação, não faz jus às suas inefáveis qualidades. Mas dizer que ele foi uma grande, sincero e verdadeiro amigo, isso sim é ser justo e honesto com sua memória. Estivemos juntos em bons e em maus momentos. Confiava-me muitos de seus segredos, tinha absoluta confiança em mim e eu tinha nele. Há pouco mais de um anos, fiz um poema para ele, imprimi e fui levar a sua  casa.  Colou na parede, queria mostrar para os amigos que o visitassem que eu era verdadeiramente amigo dele. E, se o compus, é porque ele era merecedor. Queria que ele soubesse, em vida, o quanto eu o prezava.

          Consegui conversar com ele pelo menos em três das seis vezes que o visitei aqui no Hospital Santa Terezinha, em Joaçaba. Estava muito debilitado, mas muito lúcido. Lembramos de alguns bons momentos de nosso convívio e ele me agradeceu pelo poema. A gente sentia que sua vida estava chegando ao fim, mas só falávamos com otimismo, ensejando a sua recuperação. Há uma semana, disse-lhe que iria viajar e que quando voltasse o visitaria já em sua casa, recuperado...  E, na noite de ontem, ainda ausente da cidade, recebi a informação de que ele havia partido...

          Vereador do primeiro dia de  1989 ao primeiro de 1997, em duas Legislaturas,  portou-se sempre com retidão, não usou do cargo para favorecer-se. Prestou concurso para o cargo de Vigia Noturno em 1989 e tirou primeiro lugar, efetivando-se no Município de Ouro. Adiante, ocupou funções de Diretor de Obras e Urbanismo. Há oito anos foi acometido de doença e "veio levando a vida". Eu sempre mencionava para meus familiares que o Negão deveria ter um coração muito forte, resistente, na proporção de sua bondade. E, tenho certeza, foi isso que permitiu que tivesse uma sobrevida de pelo menos uns três anos.

         O Olindo Esganzela deixa a Rosa, o Eduardo, o Ewerton, a Vitória, a Lilian e a Iliane.Voltou, neste sábado de sol, a morar no Engenho Novo, ao  lugar onde nasceu. Estava com 55 anos. Seu corpo agora ali repousa, inerte. Mas sua alma foi animar, com seu talento, uma legião de anjos e arcanjos. Num cortejo celestial, foi tocando sua acordeona em meio ao coro de anjos, numa celebração da nova vida. Ao Negão Esganzela, pela sua bondade e pela sua fraterna e simpática maneira de ser, nosso desejo de que esteja bem no Paraíso!

Euclides Riquetti e Família
07-11-2013

Eleição e futebol - a alegria dos brasileiros!

       

 

                                            

                                           Vozinha, goleiro da seleção de Cabo Verde


       A eleição de Fujimori no Peru – A candidata de direita nas eleições para Presidente da República, no Peru, Keiko Fujimori está eleita para o cargo, certamente. Faltam computar-se ainda atas de votações no exTerior, onde ela detém uma considerável maioria dos votos. O resultado segue uma tendência em toda a América, onde os eleitores estão cansados de viverem sob regimes socialistas ou pseudo-socialistas. Aqui no Brasil, temos muita água para rolar por debaixo da ponte.

       E a Copa? Enquanto isso, na Copa do  Mundo de Futebol, quem se destaca é o goleiro Vovozinha, cujo nome é Josimar, antigo lateral de nossa seleção. Joga pela Ilha do Cabo Verde, um país cuja população é menor do que a da cidade de Florianópolis. Mas que cavou um zero a zero contra a poderosa Espanha.

       Os acordos entre Estados Unidos e Irã para o fim da sua guerra – Nos últimos dias de outono no hemisfério sul estão sendo ultimados os detalhes para o acordo entre Estados Unidos e Irã comprometem-se a liberar os estreito de Ormuz para a passagem de toda a sorte de navios e parar com seu programa nuclear. Não se sabe direito ai da qual será a contrapartida norte-americana. Como consequência, o preço do barril de petróleo brent caiu a US 83.20 no início da semana. Já na quarta iniciou o dia com US 78.00. (Que bom para todos!)

       Quero lembrar a todos que a América compreende a parte Norte, a Central e a do Sul. Errado é considerar-se os Estados Unidos como se fossem a “América”. Sim, o Brasil é nosso e a América é de todos os que habitam o continente americano.

       Assassinando o vernáculo – A Ciência Linguística permite muitas licenças na linguagem falada ou escrita. A sincrônica estuda a língua em determinado espaço de tempo. A diacrônica em sua evolução através dos tempos. Isso tudo num conceito bem simplista. Nosso analfabetismo com relação à nossa língua oficial, a portuguesa, vai muito além das estercagens na internet. Já vi aquele super togado do STF derrapando em seus escritos. Mas, nos comentários em relação ao desempenho, pífio, do escrete nacional na Copa ddo Mundo de Futebol, ouvi um jornalista falando em “Não apresentou-se bem!”. Peraí, cara: Diga o simples e adequado: “Não se apresentou bem!”. Termos negativos como “não, nunca e jamais”, exigem que o pronome átono seja colocado em posição antes do verbo e não depois. Ocorre, assim, uma próclise.

       Aliás, nos últimos 40 anos, no Brasil, passou-se a defender que não se ensine gramática aos alunos e sim que aprendam através do uso diário da língua. Se até quem deveria ser exemplo não se prepara adequadamente para o seu trabalho, é difícil esperar que nós, súditos, façamos o melhor. O pior é ver que educadores escrevem mal nas redes sociais, deixando de usar letra inicial maiúscula em nomes próprios e início de sentenças.  Então, tá!

       O desamparo do Poder Público às pessoas com limitações físicas e  cognitivas,  e por avanço etário, é uma realidade. A pergunta é atual, pertinente, e estou cobrando das autoridades: Quem vai cuidar da legião de pessoas que estão envelhecendo e nem sempre têm descendentes? E quantos chegarão à velhice em condições de sustentar-se com a miséria que será sua aposentadoria (para quem trabalha e contribui), ou por aqueles abonos irrisórios que sucederão as “bolsas” sociais?

       A morte de Noeli Wentz – A dinâmica e engajada Noeli trabalhou em Ouro, Capinzal, Joaçaba, Chapecó, Florianópolis e São José, na região metropolitana de Florianópolis. Aposentada, foi acometida de Covid e  ficou com fortes sequelas. Escolheu vir a viver em Erval Velho, onde tinha um irmão. Trouxe para junto dela sua irmã-gêmea, Marli,  e ali tem um irmão já idoso. O outro irmão, Amantino Garcia dos Anjos é meu amigão e mora em Palhoça. Teve complicações em sua saúde e está praticamente sem mobilidade, embora lúcido. Também é idoso. O filho de Noeli, André, 32 anos,  vinha frequentando a APAE de Joaçaba. A mãe me dizia que a maior alegria do filho André era vir de van até a APAE e ter verdadeiras amizades. No terreninho de sua casa, ele e a mãe cultivavam flores e legumes. Viviam felizes! E, no futuro, quem vai cuidar do André?

       Jogadores e artistas que não pagam pensão alimentícia – Temos visto, lido e ouvido, constantemente, sobre pessoas que vão para a cadeia por falta de cumprimento de seus compromissos de pagamento de pensão alimentícia a es-exposas e a filhos. O caso mais recente é o do jogador Jô, que atuou em vários grandes clubes brasileiros, tornando-se ídolo do Clube Atlético Mineiro. Foi preso pela terceira vez! Uma amiga comum, de meus tempos de União da Vitória, me disse que ele é “gente boa”, mas sua vida pessoal é bagunçada.

       Opinar,  às vezes,  não ofende! -  A ocupação de espaços nos meios de comunicação em razão da Copa do Mundo de Futebol poupa-nos de aguentar aquelas notícias e comentários enfadonhos sobe a política e a bagunça das eleições deste ano. O ativismo do judiciário, de muitos jornalistas (ou pseudo), e as narrativas dos políticos só servem para encher o saco.

Euclides Riquetti – Escritor – www.blogdoriquetti.blogspot.com

      

 

Amor do outono bravio

 



Amor do outono bravio


No outono bravio, sinfonizam-se os acordes do vento
Maestrados  pela orquestra sincrônica  do universo
Sinaliza-se a vinda de um inverno frio e perverso
Com nuvens cinzentas redesenhando o firmamento...

Pois que venham as gélidas noites e as manhãs geadas
Em que os corpos se refugiarão nos mantos ou vinhos
Em que outros se encostarão em seus pares quentinhos
Em que se perderão como se fossem almas alinhadas.

E, que depois da inconstância do inverno, a primavera
Nos traga a beleza natural das flores em cada florir
Nos traga os perfumes e aromas de seu afável sorrir
Enquanto planto meus  sonhos e alimento  quimeras.

Para que, quando, novamente, o alto do verão chegar
E o sol morenar  o seu corpo divinamente gracioso
Pudermos nos abraçar e trocarmos o beijo delicioso
Possamos, alegremente, nos amar, sonhar, viver, amar!

Euclides Riquetti

www.blogdoriquetti.blogspot.com

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É noite. dos pensamentos sem dono...

 


 


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É noite, dos pensamentos sem dono
É noite de novo...
É noite das estrelas prateadas
Das almas condenadas (perdoadas??).
Mas é noite!

É a noite dos namorados
É a noite dos sonhos encantados...
É a noite das orações
Das dores nos corações...
É, sim, é a noite!

A noite é  dos amantes
Dos beijos provocantes
A noite é dos aflitos
Dos versos escritos e ditos
A noite é apenas a noite...

E, atrás daquela  janela
Alguém se esconde.
Atrás da cortina singela
Uma voz responde:
Estou aqui...
Pensando em ti!
Somente em ti.
Em ti...
(Aqui...)

Euclides Riquetti

Apenas um raio de sol


Permita-me ser um raio de sol no seu caminho
Apenas um, mesmo que tímido e acanhado.
Um pequeno esplendor, bem pequenininho
Um raio luminoso em sua pele jogado.

Um raio de sol como outro raio qualquer
Singelo, dourado, simplesmente fenomenal
A brilhar sobre seu corpo perfeito de mulher
Algo terno, admirável, sublime e sensual.

E que seus olhos de esmeralda possam me encontrar
Em horizontes plácidos nas paisagens airosas
Enquanto beijo a brisa suave que vem do mar.

E, nesta primavera e verão sulinos
Que os ventos nos tragam os aromas das rosas
E as notas  emanadas das cordas de um violino.

Euclides Riquetti

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Apenas me abrace

 







 

  

 


Apenas me abrace

E,  se quiser, me beije

Mas não me deixe

Me abrace, me abrace...


Apenas me abrace

E diga que me ama

Que seu coração... me chama

Me abrace, me abrace...


Apenas me queira

Me deseje, me beije

Me beije , me deseje

Me queira, me queira...


Apenas me diga

Me sinta, me minta

Me minta, me sinta

Mas me diga, diga:


Faça-me acreditar

(Faça-me pensar)

Que vale a pena sonhar

E amar... amar... amar!


Euclides Riquetti

Perdi meus versos ao longo da estrada


 


 



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Perdi meus versos ao longo da estrada
Ficaram reversos em meio ao nada
Perdi meus versos na madrugada
Deletei-os, incertos: memória vaga!

Versos românticos, livres, ameaçados
Flechados por uma  sanha enraivecida
Restou-me um poema mutilado
Numa página pelo tempo envelhecida.

Reencontro meus versos em meio às águas
(Nelas me liberto de doridas  mágoas)
Ficaram no azul dos ladrilhos das piscinas...

Reencontro todos os versos perdidos
Os de aqui, os de ali, os lá escondidos
Impregnados nas tranças das morenas meninas.

Euclides Riquetti
www.blogdoriquetti.blogspot.com 

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Versos brancos e rosas vermelhas

 






Sorriem os cravos e as rosas vermelhas
Como se a primavera tivesse chegado
No primeiro dia de agosto,  ensolarado
Dia de sol, amor explodindo em centelhas.

Sorriem as dálias e as sempre-vivas
Sorriem também os lírios acanhados
Saúdam você , que busca em sua vida
Ver os seus sonhos todos realizados.

Sorri você o seu sorriso qual criança
O gentil sorriso do rosto e da voz que fala
Que você guarda desde a sua infância.

E eu escrevo versos nas pétalas macias
E tomo o vinho que me inspira e embala
Com as palavras que me contagiam.

Euclides Riquetti

Aquela estrela que cintila no céu

 


 



Aquela estrela que cintila no céu e me vê
Que me olha mansamente
Com seu olhar sensual
Com seu brilho atraente
Que me faz sentir-me contente
Feliz, disposto, jovial
É você! Só pode ser você...

Aquela estrela por quem me importo
Com a  qual me preocupo sempre e  sempre
E que diz importar-se comigo também
Que está sempre presente em minha mente
Para quem declamo meus repentes
Precisa ser minha e de mais ninguém
Pois nela me animo, revivo e conforto...

Aquela estrela que faz brotar a faísca da paixão
Aquela estrela deixa o perfume no ar
Aquela estrela que mexe com meu coração
Que vai e que volta mas vem me encontrar...

Aquela estrela vem no pensamento e não sai
Aquela estrela que chega até mim e não passa
Aquela estrela pendurada no céu que não cai
Que me olha, me beija, me encanta e me abraça...

Euclides Riquetti

Quarenta e nove anos sem meu pai (parece que foi ontem...)



 


 

                               Adolescente, o segundo da esquerda para a direita, em pé, de braços cruzados e olhando para a sua direita. Bem do jeito dele!

Guerino Riquetti/Richetti - meu pai!

 


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No terceiro plano, o segundo da direita para a esquerda, meu pai, então Guerino Richetti, ( o mais alto) depois tornando-se Riquetti, aos 16 anos de idade, em 1939, no Seminário São Camilo, na Vila Pompeia, em São Paulo. Encontrei isso hoje na web Emocionei-me... em outras palavras: primeiro muita alegria, depois lágrimas de saudades... de nosso querido pai! E, no mesmo terceiro plano, o segundo da esquerda para a direita, o noviço Albino Baretta (que tornou-se padre Albino), parente e colega de Guerino, ambos personagens de minha crônica.






Hoje é uma data em que fico com minha sensibilidade aguçada. Voltam-me as lembranças de um sábado, 18 de junho de 1977. Morávamos em Duas Pontes, hoje Zortea. Cedo, tomei o ônibus para Capinzal. Fui à casa de meus pais, no Ouro, para ver como estavam as condições da debilitada saúde de meu pai. Um abraço em minha mãe, a busca pelo meu querido pai no quarto deles. Lá, ele enrolado nas cobertas, em sua cama, magro. Tínhamos o mesmo tamanho, mesma altura, mesmo peso. Porém, naquele dia, ele tinha chegado ao fundo do poço. Estava magro, acabado, o olhar muito fundo, e profundo. Frágil. Somente conseguia ingerir líquidos. O CA de estômago, esôfago e duodeno tinha acabado com ele.

          Fiquei lá umas duas horas, conversamos. Poucas vezes tínhamos parado para conversar em 5 anos. Eu saíra para estudar e nas vezes que nos vimos falávamos de meus estudos, ele me contava sobre seu tempo de Seminário no São Camilo, em São Paulo, onde chegou a cursar Filosofia. Era uma pessoa muito culta, lia muito. Descrevia-me lugares em que nunca tinha estado como se tivesse morado lá por muitos anos. Falava de Veneza, de Roma, do Rio de Janeiro. Conhecia cada detalhe das cidades, dos países. Falava dos rios, das areias das dunas. Nas viagens, trazia-nos areia branca dentro de garrafinhas de refrigerantes, e pedaços de minerais e pedras em vidros de conservas. Para nós e para seus alunos. Falava das guerras, das revoluções, de Napoleão Bonaparte, Marco Polo, de Sócrates, Platão e Aristóteles. De Churchill, de Benito Mussolini.  Mas, naquele sábado, apenas relatou-me sobre a situação de nosso sobrado, onde já morava, mas que faltava colocar concreto na laje da garagem, averbar a casa no INPS da época. Parece que estava a me passar recados e recomendações. Mesmo sabendo de sua condição difícil, ele fazia de conta que estava bem, poupava-nos de sofrer. E nós fazíamos o mesmo, para que ele não sofresse.

          Despedi-me dele, disse-lhe que voltaria no sábado seguinte. Eu ainda não tinha carro, dependia de ônibus. Um abraço em minha mãe e começamos a descer as escadas lá detrás de casa para ganhar a rua. Escutei gritos de desespero, minha mãe chamava-me para voltar. Corri, assustado, meu pai estava com uma forte hemorragia. Chamei o Altevir Zampieri, que era nosso inquilino e tinha um táxi, um fusca branco. Peguei meu pai no colo, carreguei-o, um homem de 80 quilos estava com 35. Estava acabado, indefeso, como se a dizer: "Salve-me!"

          Fomos ao Hospital Nossa Senhora das Dores, foi colocado num leito, não falou mais, apenas agonizou . O Dr. Acioli Viecelli, amigo da família, foi colega de colégio de meu irmão Ironi, autorizou a aplicação de soro e chamou-nos para o lado. Perguntei-lhe sobre as chances de meu velho e ele me disse: "Está difícil, ele não escapa". Perguntei-lhe se devia chamar minha irmã, Iradi,  de União da Vitória. Disse-me que sim. Fui ao Mercado Lorenzoni e o Sr. Nelson fez a ligação para um telefone de uma vizinha de minha irmã. Pedi-lhe que viesse e assim ela o fez. Veio de ônibus, o Hiroito foi  buscá-la em Joaçaba. Chegou aproximadamente às 21 horas. Quando ela pegou na mão dele, disse-lhe que tinha vindo vê-lo, ele apertou a dela e começou a partir... Pouco depois, nós o perdemos. Os irmãos Vilmar e Edimar não entendiam direito o que estava se passando. Minha mãe, desesperada. Tivemos que nos manter fortes para confortá-la.

          Por um instante, agora mesmo, senti-me como se fosse aquele sábado, mas é apenas terça-feira.  Revivi cada momento daquele dia.  Não há como eu não chorar...

Euclides Riquetti

O Trapiche (de Canasvieiras)

 




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Jazes ali, imóvel, descansadamente
Ligas as areias inertes ao oceano
Que movimenta suas águas, soberano
E balança as galés, delicadamente.

Conectas os que o transpõem ao mar
Às escuras embarcações que flutuam
Às negras naus que ali se perpetuam
Para levar os românticos a navegar.

E, com tua importância e imponência
Permaneces ali real, forte e majestoso
Exuberante em toda tua magnificência.

E eu contemplo toda a tua grandeza
No balanço indescritível e formoso
No mar que invades com tua realeza.

Euclides Riquetti

Blog do Riquetti
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Quando os espinhos machucam

 


 





Quando os espinhos machucam
Nos ferem de dor extremada
Deixam a alma dilacerada
Deixam o corpo cansado...

Quando os espinhos machucam
Deixam a gente frustrada
Nossa vida conturbada
Nosso ânimo muito abalado...

Sim, eles nos machucam severamente
Com seu poder avassalador
Eles nos fazem sentir ódio e dor
Porque nos tratam dolorosamente.


Mas haverá o tempo para reagir
A defesa contra o maltrato e o insano
A energia que nos faz ressurgir
Pois isso é próprio do ser humano!

Euclides Riquetti