quarta-feira, 12 de agosto de 2026
terça-feira, 11 de agosto de 2026
O homem que matutava e os ombros da Letícia Sabatella
Matutava o Apolinário. Não que matutar fosse sua predileção. matutava por matutar. E, enquanto matutava, contava. Não era o "contar causo", era o contar de fazer contas, contas "de mais" como a professora ensinou muito bem na primeira série. Na segunda, já as contas eram bem maiores, com mais algarismos. Algarismos são aqueles pequenos desenhos que hoje chamam de dígitos. E, matuta vai, matuta vem, e nada de respostas para suas indagações. Pensava na novela do horário das sete, "Sangue Bom". E constatava em sua matutice que pouco havia de bom no sangue daquela tropinha chamada elenco. Não nas pessoas deles, mas de suas personagens. Ah, que vontade de dar uma surra na Damáris. Podia ser na Gládis, aquela desavergonhada da irmã dela que está tentando o Lucindo...Não! Esses três fazem a parte boa, a engraçada da novela. Não merecem nehum castigo. Seria um sortilégio fazer isso, Santo Deus!
Estava o Apolinário a matutar. Não havia outra coisa a fazer enquanto caminhava. As moçoilas e os rapazotes passavam, iam pra frente, pra trás. Certamente que não matutavam, não precisavam disso, nem tinham tempo para isso, tinham que falar ao telefone celular: " E aí, mano?! Vamos fazê umas quebrada na náite?! O Apôli não entendeu nada. Nem queria entender aquela falação sem graça. As "mâna", então, grudadas no seu Infinity-pré, também de nhém nhem: "Oooooiiiii, lindaaaaa! Como cê tá massa! - e o Apolinário, definitivamemente, nem queria ficar perto de gente assim. Continuava a pensar na novela: Quanta gente aquela Maiara/Amora, Amora/Maiara enganou antes de descobrirem todas as sacanagens que aprontou na novela! Pior que ela, só a mãe dela, a Bárbara Hellen. Elas são duas tranqueiras, bem que se merecem. Bonitinhas, mas ordinárias, como diria o Nélson Rodrigues... Mas tem o Bento que é gente boa. Tem sangue bom!
Tendo matutato já um tantão, o Apolinário pensou em virar o pensamento para outro lado. Uma psicóloga, uma vez, dissera para sua namorada que, quando ela tivesse um pensamento runho, era pra tentar pensar num pensamento bom, algo que deleitasse, que desse prazer. Então, ele começou a pensar nas personagens boas da novela e fixou-se na Verônica. A verônica, pra quem não sabe, é a mesma Palmira Valente que deixa seus afazeres de publicitária para exercitar seu hobby, cantar no Cantaí. E como ela canta! Com certeza seu vídeo vai bombar na internet. Mas a parte melhor, mesmo, a que mais toca o coração desapegado do amigo fica por conta dos ombros da Letícia Sabatella. Ah, que ombros! Você já reparou? Não? Então veja a novela e depois você vai ver se o Apolinário não tem razão. É um navio de areia para o seu caminhãozinho. Ah, se é! Como são belos os ombros da Letícia Sabatella.
Euclides Riquetti
20-10-2013
O dia em que eu conheci Pelé (Em Capinzal) -
Foi em 1989. Eu era prefeito da cidade de Ouro - ao lado de Capinzal, aqui no Baixo Vale do Rio do Peixe, em Santa Catarina. Fui convidado pelo Sr. Altair Zanchet, Diretor da então Perdigão Agroindustrial, hoje BRF, de Capinzal, para recepcionar Edson Arantes do Nascimento, Pelé, Rei do Futebol, 49 anos, que visitava a planta daquela empresa na cidade onde nasci. Ele se fazia acompanhar de Davi Cardoso, consagrado ator do cinema brasileiro, (galã da novela A Moreninha). Estavam vindo do Pantanal Matogrossense, onde filmavam uma película sobre a Caça aos Jacarés, Pelé e Cardoso eram policiais federais, no filme. Combatiam os caçadores já na época.
Ele se fazia acompanhar de um dos filhos do saudoso Saul Brandalise, acho que o Saulzinho, proprietários da Perdigão. Conhecê-lo, foi uma alegria. O pessoal foi tietar o Pelé, e vi que não perceberam que o ator Davi Cardoso era o seu colega. Ambos foram muito receptivos, a simplicidade estava expressa em seus movimentos, expressões e atitudes.
No início, abordei o Davi Cardosso, falei que, na juventude, eu vira o filme Férias no Sul, em que ele andava de lambreta com a namorada, a bela atriz e Miss Brasil Vera Fischer. Que as filmagens foram em Blumenau e Gramado, cenários com muitas flores, em especial hortênsias. Falou-me que perdera as eleições a prefeito no Mato Grosso do Sul, e que se admirava de eu, tão jovem (35 anos) tivesse sido eleito em Ouro. Contou-me algumas passagens da vida dele, de seu irmão também ator global Mário Cardoso, e dos negócios que tocava com seus familiares, em negócios imobiliários, e outros assuntos.
Fizemos uma passagem por toda a fábrica e o Pelé esbanjava simpatia. Quando passamos pela oficina de manutenção, ele mesmo reuniu todos os mecânicos para uma foto. Pediu para um dos rapazes que estava agachado para que ficasse de pé, pois ali, naquela posição, era o lugar dele mesmo, o lugar da camisa dez. Depois, ao passarmos por uma sessão de cortes de frangos, havia uma jovem que recebia caixas com coxas de vários pesos. Ela, com a mão direita, pegava uma a uma e colocava na balança eletrônica. Vi o peso e as classificava, com diferenças de cinco gramas, atirando-as na caixa correspondente ao seu peso. O Pelé ficou encantado com a habilidade da garota. Foi lá, tirou uma foto com ela (Fotógrafo era o Jaime Baratto e o cinegrafista Arderbal Gaspar Meyer, o Barzinho). Elogiou-a muito e disse que gostaria de que ela jogasse futebol com ele, que ela tinha as mesmas habilidades. O Rei era humilde, bem humorado, carismático e afável para com todas as pessoas.
Por que o Pelé veio para nossa cidade? A resposta me veio numa oportunidade em que fomos para Videira, junto à Sede da Perdigão, com o Nadilce Dambrós, o Valêncio José de Souza e o Frei Nélvio Davi Colle. Na ocasião, fomos solicitar ao Sr. Saul Brandalise, presidente do Grupo Perdigão, apoio para a restauração da matriz São Paulo Apóstolo, de Capinzal. Fomos contemplados com grandes benefícios. Pessoalmente, falei diversos assuntos com Brandalise, que era tio de meu compadre Aníbal Bess Formighieri, marido da Vitória (Brancher), que era sobrinho do empresário. Ele me falou, entre outras coisas, que Pelé só concordava gravar comerciais e produtos se ele mesmo comprovasse a sua qualidade e se conhecesse os métodos de produção, considerando os aspectos ambientais e de não utilização de mão de obra que não fosse perfeitamente legal e com métodos dignos.
Sobre o Pelé, que todos chamavam de Edson na ocasião, quero registrar que virei grande fã dele. E nunca imaginei que o garoto de quem ouvi falar pela primeira vez na Copa de 1958, e eu tinha 5 anos, uma dia se tornaria meu ídolo, e eu pudesse conhecê-lo e passar um dia com ele. Registrando que, na oportunidade, além do staff da Perdigão e o seu, estávamos lá eu, Prefeito Municipal de Ouro, SC, Irineu José Maestri, Prefeito de Capinzal, Celso Farina, ex-prefeito de Capinzal, Altair Zancher, Diretor local da Perdigão, Frei Nélvio Davi Colle, da Paróquia de São Paulo Apóstolo, Ademir Pedro Belotto, locutor da Rádio Capinzal, Jaime Baratto, fotógrafo (Stúdio Foto Real), Ronaldo de Oliveira, fiscal e veterinário da Inspeção Federal. Havia uma senhora, a mãe do Serginho, que fez café e o Pelé elogiou o café dela.
Por alguns dias, Pelé vai ocupar as principais mídias de comunicação do Brasil e do Mundo. Para a História, haverá a eternização como o Rei do Futebol. Para meu coração vascaíno, a honra de ele ter atuado pelo Gigante da Colina. Para todos nós, a certeza de que o Pelé, na pessoa do Edson, ficará em nossa memória como um ser humano magnífico.
Euclides Riquetti
Eu... e meu ócio!
Procuro um sócio
Meu ócio...
Pode ser um sócio preguiça
Sem ideal, sem cobiça...
Um sócio sem dinheiro
Mas que seja bom companheiro.
Que goste de prosa
Que traga conversa prazerosa
Pra jogar fora
Pra terminar não ter hora...
Quero um amigo bom de papo
E que, por acaso
Seja contador de casos...
Mas, se falar demais, boto-lhe esparadrapo!
Que traga uma erva
Da conserva
Para sorver um mate...
E que, destarte
Entro com a cuia e a chaleira
A bomba reluzente
E a água quente
Para na tarde fagueira
Tenho quase que por certo
Escrever um verso!
Mas se o sócio for uma sócia
Melhor ainda!
Sempre é bem vinda!
Foi domingo, depois Natal
Mais domingo
Ano novo
E, bem ou mal,
Domingo de novo!
Ócio, delicioso ócio
Nada de fazer negócio
Nada de concreto
Nem de abstrato
Nada de assinar contrato.
Apenas escolher um tema
E compor um poema!
Euclides Riquetti
Rosas vermelhas de fim de inverno
Rebrotam as roseiras após sua dormência
Irrompem seus botões avermelhados
Perfumam meu jardim com suas essências
Encantam os olhares dos namorados.
Em poucos dias, restarão ali as rosas
Por alguns meses ansiosamente esperadas
Realezas cultivadas pelas mãos dadivosas
Pelos sais da terra escura energizadas.
Dias de sol, céu azul, com nuvens claras
Tempos de esperança, alegria, fascinação
E os poemas que tu lês, declamas, narras.
Brilho nos olhos admirados dos passantes
Fértil é o solo, verde a folha, afável o coração
Estão voltando as rosas tão belas como antes!
Euclides Riquetti
Guerino (Richetti) Riquetti - meu pai - Aniversário hoje, com saudosas lembranças!
Meu pai nasceu em 07 de agosto de 1921. Faleceu em 18 de junho de 1977, poucos dias antes de completar 56 anos. Se estivesse vivo, estaria completando 100 anos neste sábado, 07 de agosto de 2021.
Meu pai me foi um grande exemplo de homem, de ser humano, de pai. A mim e aos meus irmãos. Meu irmão mais velho, Ironi, tinha 30 anos quando o perdemos. Ficamos em seis, eu com 24, a Iradi com 23, o Hiroito com 21, o Vilmar com 15 e o Edimar com 11. Minha mãe, Dorvalina Adélia, estava com 54. A perda foi muito sentida por todos nós. Ele tinha muitos amigos, fora professor e Diretor de Escola.
Era um sábado quando ele partiu. No domingo, aconteceu a celebração de Corpo Presente. Chovia muito e isso fez com que a Missa de Despedida fosse celebrada no pátio do Posto Esso, da Família Dambrós, ali na frente da casa de nossa família. Muita gente presente, muitos amigos vindo para se despedir. Tudo está bem claro em minha mente, como se fosse hoje. Lembro-me do Ernâni Simon Bonissoni, do primo Sérgio Riquetti, do Amadeo Boz, do Adelir Baretta e da Elba Andrioni e outros ajudando a organizar a celebração.
Lembro, com carinho, dos seus ensinamentos e de suas preocupações. Estava preocupado em concluir o acabamento de nosso sobrado, ali Felip Schmidt. Sofremos muito com a perda dele. Lembro-me do Altevir Zampieri, com seu fuscão branco, eu e ele levando-o, com minha mãe, para o Hospital Nossa Senhopra das Dores, onde veio a faleceu. O Dr. Acióli Viecelli, naquela manhã, esteve lá no Hospital e nos disse que nada mais havia a ser feito. Permitiu que o deixássemos fumar, que seria uma das últimas vontades dele.
Logo ao anoitecer, chegou minha irmã Iradi, que já estava morando em União da Vitória. Ela chegou, pegou na mãe dele, compartilharam afeto e carinho, e ele partiu...
Agora, apenas lembrar, emocionar-se, rezar por ele, pela nossa mãe e pelo mano Ironi. Que eles se reúnam e comemorem Dia dos Pais e o aniversário dele, LÁ NO CÉU!
Com muitas saudades e todo o meu e o nosso carinho!
Euclides Riquetti e Família
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
De sol, de Canasvieiras, de areia...
De sol, de Canasvieiras, das águas do mar
De cangas nas areias, de cor e de bronzear
De tranças, de morenice, de céu todo azul
De sabores, de brejice, dos ventos do Sul.
De ritmos, de danças, perfumes e de cantos
De istmos, de balanços, flores e de encantos
De toalhas brancas e de sandálias rasteiras
De maiôs vermelhos e de saias de rendeiras.
E assim se define a tarde quente e ensolarada
Assim se embeleza a vasta praia emoldurada
Redesenhada em todos os sorrisos e na beleza
Colorida por mulheres sensuais e incertezas!
Euclides Riquetti
Poema na madrugada fria
Poema na madrugada fria
Inspiração que chega de mansinho
Um coração cheio de carinho
Flor tímida, mate, poesia...
Você cuida do mar a calmaria
E eu me inspiro nas ondas dobradas
Nas vibrações de ti emanadas
Ao iniciar meu novo dia...
Os seus olhos, sua boca, seus cabelos
A maturidade de seu coração
A leveza celestial da imensidão
Os seus lábios que eu desejo tê-los...
Seu corpo abrigado num santo sacrário
A vida que segue mesmo se em águas turvas
As estradas a nos desafiarem com suas curvas
E eu a idealizá-la em magnífico cenário"
Euclides Riquetti
A chuva sedutora que me faz sonhar
Nesta cálida manhã de um pós-verão
Devolve-me a serenidade redentora
A calma que requer o meu coração!
Uma chuva de alento e promissora
Que reverdeja as folhas e os gramados
Das melancolias a tenaz reparadora
Instigadora dos encontros esperados.
Chuva que amaina almas turbulentas
Vem para refrescá-las e trazer alentos
Vem pra saciar nossas almas sedentas
Vem pra afagar os nossos sentimentos.
Vem, chuva suave que me faz lembrar
Da mulher amada que me faz sonhar!
Euclides Riquetti
domingo, 9 de agosto de 2026
Minha querida mãe! (Dorvalina Adélia Baretta (Richetti) Riquetti
Mãe:
Não escreverei uma bela mensagem de amor, nem direi que a minha foi a melhor mãe do mundo. Apenas direi que a perdi há 26 anos, tão logo entramos no novo milênio. E que ela me deu boa educação e ajudou-me nos momentos mais difíceis. Vibrou quando nasceram minhas filhas e meu filho. Chorou quando perdemos meu pai e meu irmão. Comemorou comigo as minhas vitórias e chorou comigo os meus reveses. Foi minha mãe, foi o que um filho pode esperar dela. E sei que sempre morei em seu coração!
Seguidamente, fico a lembrar daquelas mães que perderam seus filhos, contrariando a lógica de que são os filhos que devem enterrar os pais. Rezo por elas porque sei o quanto sofreram com as perdas que não podem ser compensadas por serem definitivas. Rezo por elas e sempre que posso lhes manifesto meu afeto, carinho e meu sentimento humano. Mas sei que, apesar de tudo, elas não esquecem jamais dos filhos que geraram, amaram e perderam.
Rezo para aquelas que foram mãe e pai, pois perderam o companheiro e tiveram que dar conta de prover seus filhos de educação, instrução e sustento. E por aquelas cujos filhos foram para longe dizendo que voltariam e que se esqueceram de voltar...
Rezo também para que meus filhos e os dos outros pais possam ter-nos por muito tempo. E nós também possamos tê-los da mesma forma. E me sinto como um menino frágil que sente as coisas com o coração, mas impossibilitado de evitar que a dor esteja presente no coração das mães.
Rezo pelas mães jovens para que, no mundo difícil, intolerante e constantemente mutável, possam ter energia para cuidarem dos filhos que geraram. Rezo pelas mães que são minhas amigas pessoais e virtuais que, no Dia das Mães, postam nas redes sociais as fotos de seus amados filhos sorridentes que as deixam felizes e orgulhosas. Rezo pelas mães já avós, pois são mães duplamente.
Rezo! Rezo porque acredito que um Ser Supremo pode ajudar a amenizar os sofrimentos, pode dar esperanças de que um dia todos se encontrarão novamente e para que haja a vida eterna, quando as mães e os filhos possam estar todos juntos, um dia, no céu!
Obrigado, mãe, obrigado a todas as mães!
Euclides Riquetti
Ao Meu Pai
Noviço - Guerino Riquetti - o quinto da segunda fila - em pé - o mais alto de todos - Seminário São Camilo - São Paulo - década de 1930
Dias de densas nuvens, o vento a volvê-las
Noites tão escuras, luar contido, ausente
Fazem dos meus sonhos futuro sem presente...
Dias de chuva forte, sem sol, sem luz no céu
Dias sem esperança, cinzento mausoléu
De alguém que foi distante, buscando seu destino
Tombando para sempre, subindo ao céu divino.
Conforto-me em saber que fez o bem na terra
Que pela sua bondade fará novos amigos
No céu que é manto azul, é flor da primavera
Verá, mais uma vez, seus entes tão queridos.
E entre dias sem lindas noites, noites sem dias lindos
Eu fico recordando, pensando nos já findos
Em que você se foi, naquele longo inverno
Buscando nova vida, buscando o Pai Eterno!
Euclides Riquetti
Composto em julho de 1993.
sábado, 8 de agosto de 2026
Aniversário de minha mãe - Dorvalina Adélia Baretta Riquetti
Homenageando, agora, minha querida e saudosa mãe Dorvalina Adélia Baretta Riquetti, nascida em 07 de agosto de 1923
Mãe - das caridosas bênçãos, mãe.
Mãe dos filhos gerados e amados
Mãe dos filhos cuidados e guiados.
Mãe - da vida dedicada, mãe
Mãe - da lida abnegada, mãe.
Mãe das manhãs azuis, esperançosas
Mãe das noites negras e chorosas.
Mãe - do filho perfeito e bem nascido
Mãe - do sagrado leito ali estendido.
Mãe do olhar bondoso mas austero
Mãe do falar que assusta mas sincero.
Mãe - do amor em plena difusão
Mãe - da flor, da alma e coração.
Mães são apenas mães:
Não dependem de elogios
Não dependem de flores
Não esperam por presentes.
Apenas rezam por seus filhos.
E eu rezo por elas.
Felicidades a todas as mães:
À minha, à tua, às mães das outras mães.
Euclides Riquetti
Meu pai, meu professor: Guerino (Richetti) Riquetti - uma história real!
Fui privilegiado, sim! Quando eu nasci, em 23 de novembro de 1952, em Linha Leãozinho, então município de Capinzal, (hoje Ouro - SC), meu pai, Guerino Riquetti, era professor numa escola de ensino primário. E estava lendo "Os Sertões", de Euclides da Cunha. Ele havia estudado até o primeiro ano de Filosofia, pouco antes da Segunda Guerra Mundial, no Seminário São Camilo, em São Paulo. Ali, hoje, funciona o hospital denominado Instituto São Camilo.
Meu pai era leitor contumaz. Aos 40 anos, já não lia clássicos da Literatura, mas o Pato Donald, o Mickey, o Tio Patinhas.... Vidrava-se nas criações de Walt Disney. E passou o costume para nós, os filhos. Somos leitores e até escrevemos....
Ao voltar para a casa dos pais, depois de quase que uma década fora, casou-se e voltou a estudar. Como não tinha documentos, em razão de haver "desertado" do Seminário, teve que fazê-los de novo. Então, abandonou a grafia de "Ricchetti" e mudou a sobrenome para Riquetti, que adotamos até hoje, embora nosso original, de descendência italiana, seja diferente. E, para obter documentos de escolaridade, frequentou o ensino complementar e o antigo "Normal", que equivale ao Magistério, em nível de Ensino Médio, hoje.
Para quem já tinha estudado o início do curso superior, com formação em Latim e Francês, tocado piano e órgão ainda no Seminário, aulas de línguas e música eram diversão. E começou a lecionar em escolas "isoladas", como Leãozinho, Pinheiro Baixo, Linha Caçador, Barra do Pinheiro, Nossa Senhora da Saúde, Linha Savóia. Depois lecionou no Grupo Escolar Belisário Pena, em Capinzal e no Escolar Joaquim D´agostini, em Lacerdópolis, em 1964. Em 1960, quando lecionava na Savóia, levou-me junto com ele algumas vezes nesta e aprendi a escrever algumas letras e palavras. Em 1961, com 8 anos de idade, entrei para a escola, efetivamente, no Colégio Mater Dolorum, no primeiro ano.
Meu pai foi meu primeiro professor, informalmente. E, mesmo quando eu cursava o primário, no Mater, me dava lições d uso dos pronomes oblíquos e aritmética. Aprendi a fazer cálculos para trabalhadores da roça que vinham em nossa casa pedir ajuda a ele. Empreitadas de roçadas ou carpidas eram pagas por "quartas de terra", ou seja, 6.050 m2, um quarto de um alqueire, que tem 24.200 m2. Me ensinava que se multiplicava a base pela altura e se obtinha a área roçada ou carpida.
Para triângulos, fazíamos base vezes altura, divididos por 2. Toda essa prática me ajudou muito na vida. Até hoje gosto de fazer cálculos enquanto faço minhas caminhadas diárias. Ou crio poemas enquanto caminho. Coloco minha mente para funcionar....
Meu pai me ensinou muitas coisas. Como professor e como pai. Então hoje, lembrando dele, do Ebenezer Brasil, que lecionava em Linha Bonita, do Thomás (Thomasin) Pilatti, que lecionava em Leãozinho e Linha Bonita, rendo minha homenagem a todos os meus professores, vivos ou de saudosa memória. Grande abraço em todos, aos que foram uma oração sincera e sentida, e aos que restam uma saudação muito carinhosa.
Deus abençoe todos os professores!
Euclides Riquetti
15-10-2016
Nunca deixe um amor morrer... (um amor de verdade!)
Nem tire da flor a sua candura
Procure sempre compreender
Laços de carinho e de ternura.
Nunca mate uma esperança
Nem feche as portas já abertas
Nunca troque a boa lembrança
Por estradas rudes e incertas.
Não abandone jamais a razão
E nem renuncie à realidade
Os problemas do seu coração
Precisam de afeto de verdade.
Haverá sempre um horizonte
Um céu azul, um sol brilhante
Alguém que sempre lhe aponte
Um caminho nunca distante.
A vida não precisará seguir
Uma lógica certa e definitiva
Quererei de você sempre ouvir
Palavras de amor e de vida!
Euclides Riquetti
Nas brancas areias das dunas
Enquanto o vento atiça as brancas areias das dunas
Lá nas águas jazem as negras galés
Quando as vagas se requebram em alvas espumas.
Nas cinzentas manhãs do pré-verão
As verdades rebatem à minha porta
E uma dor leve açoita meu coração
Que já não tem certeza de que você se importa.
E em cada grãozinho de areia trazido
O despertar de um sentimento já adormecido
Reanimado pelas águas que balançam.
E em cada corpo que baila, bronzeado
Está você em seu presente e seu passado
Enquanto os anos avançam...
Euclides Riquetti


