quinta-feira, 2 de julho de 2026

Quando a chuva molhou as roseiras

 


 






Quando a chuva molhou as tuas roseiras
E as gotículas pousaram sobre a tenra folha
Os  cravos bailaram, serenos, nas fileiras
Ali dispostos, solitários, sem ter quem os colha.

Jazem, felizes e exalam seu perfume masculino
A excitar o mais erótico pensamento
A mesclar-se em meio ao frescor matutino
Com seu doce aroma de encantamento.

Cravos e rosas, uma comunhão singular
Na manhã que chegou um tanto acabrunhada
Rosas e cravos, lembranças sutis a me atiçar.

Sonhos, lembranças, paixão e beleza
Na tarde que te deixa deslumbrada
Lembranças, sonhos, majestosa realeza.

Euclides Riquetti

Como uma manhã de inverno

 


 


Uma manhã de inverno muito fria, gelada

Um sol chegando pra dourar o dia
Uma manhã com branco de geada
Um coração tomado de muita alegria...

Uma canção tocando com belos acordes
Um sonho antigo sendo realizado
Uma canção que embala enquanto dormes
Um cenário antes nunca imaginado...

Um caminhar com vento frio no rosto
Um poemar com rimas cadenciadas
Uma vontade de te ver de novo
Uma saudade sempre, aqui na estrada...

Eu quero apenas te encontrar sorrindo
O teu sorriso lindo
Os olhos com teu brilho..

Eu quero apenas te abraçar agora
Vê se não demora
Preciso ir embora...

Euclides Riquetti

O Breda, o Buick e o Smith & Wesson - para homenagear Kurtz Brecht - o Fritz Chapeador

 


 


 





     Vi recentemente,  num site regional, que perdemos o amigão "Fritz Chapeador", morador em Ouro, SC, masque se aposentou trabalhando em Capinzal - em sua oficina próxima à área de lazer Doutor Arnaldo Favorito. Então, estou reeditando a crônica que escrevi em 22-04-2013 e que ele é uma dos personagens reais. Os filhos dele foram meus alunos de Inglês e Português, na Escola Sílvio Santos ou na CNEC. 

          O Horácio Heitor Breda era gaúcho de Flores da Cunha. Veio para Videira bem jovem  e, depois, foi convidado a trabalhar nas Indústrias Reunidas Ouro, na antiga Rio Capinzal. Era um excelente moço de escritório, entendia de tudo, um autêntico contabilista. Trabalhou uns anos por aqui e depois foi embora, lá para Maringá. Era bom administrador e empreendedor, foi trabalhar por conta em sociedade com um irmão.

          No início da década de 1950 o recém emancipado Município de Capinzal tinha uma forte divisão política. Na margem esquerda do Rio do Peixe, onde havia o principal núcleo populacional e a melhor infraestrutura, inclusive com dois hospitais, hotéis e a estação do trem, situava-se a sede municipal e havia a predominância política do partido PSD. O PTB também tinha sua força. Mas, à margem direita, o Distrito de Ouro, antigo Abelardo Luz, tinha a predominância política da UDN. E os udenistas pensaram numa estratégia para ganhar as eleições. Ivo Luiz Bazzo, jovem militante desta, foi de jipe, com um amigo, até Maringá e convidou o Breda para voltar à cidade e  concorrer a Prefeito do Município de Capinzal.

          Para a época, bastava que o candidato e estivesse residindo cidade há seis meses do dia da eleição. Então, trouxeram o Sr. Breda para residir na casa do Ivo Luiz Bazzo, ali na Rua do Comércio. Ficou ali morando, candidataram-no e  elegeram-no Prefeito de Capinzal. Em seu mandato foi inaugurada a Ponte Irineu Bornhausen, que ligou as duas margens do rio, e ainda adquiriu da família Sartori uma edificação de alvenaria, no Distrito de Ouro, onde instalou a Prefeitura. A sede municipal era na margem esquerda e a Prefeitura na margem direita do Rio do Peixe. Breda fez grandes realizações no município que governou de 1954 a 1959.

          Entrevistei o Breda, por telefone, há 5 anos, no estúdio da Rádio Capinzal, com o apoio do Ademir Pedro Belotto. Produzimos um vídeo em DVD com meu texto e a narração do Belotto. Colhi imagens em álbuns fotográficos e escutei do Ivo Luiz Bazzo, do Nélito Colombo  e do Pedro Zaleski mutas histórias sobre o Breda. Então, eu tive os argumentos para fazer-lhe as perguntas, a que ele habilmente respondeu.  Foi muito amável e mantenho o material comigo, vou preservar.

          Mas as boas partes da história não são as da política. Era conhecido como exímio atirador. Costumava passar (a pé) pela Ponte Pênsil Padre Mathias Michelizza e  observar as águas então límpidas do Rio do Peixe. E, lá de cima, via os peixes na água. Mirava seu reluzente revólver "38 Smith  & Wesson" e acertava o exemplar que escolhesse. Amigos iam retirar os peixes da água e dar-lhes o melhor destino, a grelha ou a frigideira.

          O Kurtz Brecht, também conhecido como Fritz, foi um dos melhores latoeiros/funileiros (chapeador) de automóveis da história da cidade. Agora aposentado, sempre que o encontro nosso "Chapeador", levo com ele um bom papo. Pois ele me contou que, na época em que era Prefeito, o Breda levou um Buick, carro formidável e fabricado em Detroit, para que fizesse uns reparos, deixasse "nos trinques".  O moço Fritz abriu o porta-malas e descobriu, enrolado numa manta, um reluzente rifle. Disse-lhe o Breda que era para caçar "bichos grandes". Ficaram muito amigos. O Breda deixou fama como atirador.

          Ao término do mandato, Breda voltou para Maringá, onde continuou a trabalhar com negócios próprios e, em 2007, foi morar na Agronômica, em Florianópolis. Em muitos encontros promovidos pelo SEBRAE em que participei, conversei e obtive informações sobre ele com um rapaz casado com uma de suas netas. Até lhe mandei um CD do Grupo Píccola Itália Del Oro, para que escutasse. Há um ano não tinha mais notícias dele. No sábado, 13 de abril, recebi a informação de que ele havia falecido. Aguardei que sites regionais trouxessem notícias sobre o fato, mas nada descobri. Apenas o site de uma Funerária da Capital indicava a hora do sepultamento, no Jardim da Paz, em Florianópolis. Também não soube que tivessem decretado Luto Oficial na cidade onde foi Prefeito. Ontem, o DC trouxe em seu obituário uma nota sobre seu falecimento, colocada por familiares. E vi no facebook uma postagem do Dr. Lourenço Brancher mencionando isso. E comentários de amigos que lamentam que as pessoas que fizeram a história das cidades sejam facilmente esquecidas.

          Aos amigos e familiares do Breda, aquele rapaz alto e elegante, chapéu de feltro, paletó cinza, que governou Capinzal e se constituiu num  dos grandes pilares de sua História, manifesto minhas mais sinceras condolências. Foi muito gratificante ter ouvido das pessoas que o conheceram sobre seus feitos e sua habilidade como administrador público. Sempre o admirei. E, nas vezes que falei com ele ao telefone, senti a firmeza de uma pessoa de sentimentos nobres, humilde, bom caráter, e com alto espírito público: "Grande Horácio Heitor Breda"!

Euclides Riquetti
22-04-2013

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Belos, puros, sentimentais...

 

 



Belos, puros, sentimentais...

Existem pessoas especiais, muito especiais
Que marcam os lugares por onde passam
Deixando rastros que muito  nos atraem
Rastros de perfume a da seiva que exalam...

Existem, sim, corpos que flutuam
Divindades carnais que nos levam a pecar
Almas negras, cinzas, brancas, que cultuam
O singelo hábito de me fazer sonhar.

Ah, existem, sim, corações que flecham
Corações que flecham e que são flechados
Corações abertos que nunca se fecham.

Flechas que buscam alvos bem especiais
Alvos que retribuem quando são flechados
Belos, puros, sentimentais...

Euclides Riquetti

Uma ousadia oculta que me incendeia





Cessam, na noite, os densos raios solares

Ilumina-se a lua e nosso planeta azulado

Elementos cósmicos cobrem os lares

Celestial desenho é ricamente detalhado

Alimentos à alma que sobrevoa os mares. 


Todas as notas das músicas do fresco vento 

Praias arenosas de um chão que se estende

Celebrando sonhos de cada pensamento

Pelos rumos curvos que a razão não entende

Brancas rosas desafiam meus sentimentos.


Sacodem-se as folhas da minha laranjeira 

Acodem os anjos minhas súplicas e anseios

Nas tardes de inverno me inspira a amoreira

Retinta meus instintos seu moreno seio

Uma ousadia oculta que me incendeia!


Euclides Riquetti

01- 07--2027














Conflitos da alma

 


 


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Conflitos da alma
Conflitos da alma nos geram dores
Marcas indeléveis, vãs, duradouras
Sofrimentos que vêm de desamores
Nos deixam cicatrizes imorredouras.

Conflitos da alma nos enfraquecem
Aniquilam, mutilam e deprimem
Muitas vezes até nos enlouquecem
Geram danos que não se redimem.

Conflitos, mesmo que com cuidados
Podem deixar feridas muito fundas
Mágoas que formarão o mau legado
Deixarão as marcas mais profundas.

Fazei, ó Deus, com que a harmonia
Se instale em cada um de nós dois
E que nuvens do amor e de alegria
Jamais nos permitam viver sós!

Euclides Riquetti


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Meu lado bem Paraná



 



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Meu lado bem Paraná
Eu tenho dentro de mim um lado bem Paraná
E sei bem quando angariei, sei bem como aconteceu
Foi algo que não morreu, de quando morei por lá
E ficou dentro de mim esse meu lado Paraná!

Ficou dentro de minha alma, gravou-se  na minha  memória
Misturou-se com meu sangue o vinho que fui tomar
Não me esqueço dos bons tempos ali em União da Vitória
E dos amigos que fiz, quando ali  fui estudar.

Pesquei no Rio Iguaçu, nadei em suas águas brandas
Li poemas do Furlani e os romances do Zé  Cleto
Tive aulas com Nelson Sicuro, professor naquelas bandas
E com o Geraldo Feltrin aprendi um  Inglês esperto.

Agora,  depois de décadas,  ali volto em meu pensamento
Pras dragas retirando areia e no fundo a verde paisagen
Lembranças da ponte do arco que resta  através do tempo
Do Cristo no alto do morro, protegendo a bela cidade.

Dos poetas herdei a veia que me tornou compositor
Com os colegas da Fafi eu aprendi a me portar
Nas danças dos domingos à tarde eu fui encontrar o amor
E tornei-me um verdadeiro Bicho do Paraná!

Euclides Riquetti

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terça-feira, 30 de junho de 2026

Buscar-te na noite, embalado ao vento...

 


 


 



O vento que move as folhas das aroeiras arredias
É o mesmo que me acaricia com seu dileto açoite
Que me traz as estrelas e o frescor da noite
Após as chuvas ditosas do final do dia...

O vento que beija teus lábios de vermelho maçã
É o que me inspira na noite sedutora
Que me acalma com sua aragem redentora
E alenta meu corpo e minha alma sã.

Ah, noite de verão que meus medos esconde
No aguardo do outono que derruba a folha
Noite para pensar em quem está longe.

Pensar, sim, viajar pelo ignoto  firmamento
Que essa seja a nossa melhor escolha
Buscar-te  na noite, embalado ao vento...

Euclides Riquetti

Deixa que o perfume dos ventos te acaricie

 


 

 



Deixa que o perfume dos ventos te acaricie
Afague tua pele e beije teus  lábios que eu tanto desejo
Erice  teus cabelos macios  e aplaque  teus medos
Permite  que o perfume dos ventos se delicie...

Deixa que a brisa da noite refresque teu corpo fogoso
Apalpe teus seios, teus braços, com toda a ternura
Que leve pra ti  os aromas  e toda doçura
E que a noite se transforme em algo sublime  e gostoso.

Deixa-te navegar na distância numa  viagem bonita
Ultrapassar as barreiras que te impedem de ser feliz
Voa pelos ares da mente na imensidão infinita

Deixa  que teu rosto receba o carinho de minhas mãos
E sente  o seu  toque sensual que você sempre quis
Deixa-te trazer até mim, embalada pelo som da minha canção!

Euclides Celito Riquetti

A deusa, a sereia, a musa...


 







Desenha a natureza o verde dos coqueirais
Desenha o céu o azul nas manhãs ensolaradas
Desenham o mar os recifes e os negros corais
Desenham o dia as brancas nuvens alvejadas.

O sol do ouro alaranjado doura a  morena pele
E o caminhante beija  o vento na manhã divina
A onda espumante que banha acaricia, não fere
O corpo que desafia minha  imaginação felina...

Desenha-se, no mar,  o mais perfeito dos cenários
A imensidão oceânica que colore e perfuma
E se transforma no mais sagrado dos sacrários.

Louva-se, no mar, a brisa que enternece a alma
Louva-se, no mar, a deusa, a sereia, a musa
Louva-se, no mar, o seu sorriso que seduz e acalma...

Euclides Riquetti

Beijo com sabor de canela


 




Dê-me um beijo com sabor de canela
Um beijo bem gostoso, bem adocicado
Quero sentir as sensações que revela
Um beijo ardente, um beijo demorado.

Dê-me um abraço carinhoso, apertado
Abraço delicioso, quente e  sensual
Deixe-me sentir o seu corpo perfumado
Abraço terno, que me levanta o astral.

Dê-me a alegria de senti-la e assim
Sentir a alegria de quem dá e recebe
Sentir você bem juntinho de mim.

Beijos, abraços, o que mais querer
Se são os prazeres que você me concede?
Beijos e abraços, que me fazem viver!

Euclides Riquetti

segunda-feira, 29 de junho de 2026

De corpo e de alma

 




 

 

 

Passam os dias
Passam outros e outros
Vem nova semana
Vem outra, outra ainda
Longa, morosa, infinda:
Só tu não vens!

E chega um novo mês
Para animar
Meu coração já insano
Enquanto fico a  esperar
Que comece um novo ano
Que venham outros, muitos talvez, outra vez.

Passa o tempo, inclemente
Num repente!
Só não passa a dor no coração
De  quem  perdeu  algo precioso
Forte, imedível, inimaginável...
Passa simplesmente.

A vida corre  e o tempo passa
Enquanto sento na praça
Na espera da sorte
Que deveria vir do norte
Mas não vem...
Nem do Sul, nem de lá, nem de cá!

Todo o meu conforto
É imaginar-te em mim pensando
Acreditar que não me esqueceste
Que não te arrependeste
De ter sido minha de alma...
E de corpo!

Euclides Riquetti

Oração ao Monge São João Maria

 


 


 

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Estátua de João Maria, no Morro da Cruz, em Porto União - SC

Nas plagas de Taquaruçu
Nas grutas do Vale do Peixe
Nos morros e planaltos do Sul
E onde que a memória deixe
Ou nas raízes do Iguaçu
Neste chão catarinense
Os revoltosos exclusos
Mexeram com as almas das gentes.

Cruzes espalhadas nos morros
As fontes benzidas das águas
Gemidos pedindo socorro
Corações cheios de mágoas
O velho do cajado e do gorro
Pés descalços e mãos calejadas
São João Maria do bom povo
Abençõe minhas simples palavras.

O manto de trapo que cobre
Um corpo esguio e indefeso
Esconde as origens de um nobre
Que tem por justiça o desejo
São João Maria a esses  pobres
Dá tua bênção, teu conselho
Abençoa os caminhos em que corre
O rejeitado sertanejo.

Monge João Maria da oração
Olha pro céu anilado
Que tomou-me a casa e o pão
Que fez de mim um coitado
Dá alimento ao meu coração
Que anda nos caminhos jogado.

E, entre anjos e arcanjos
Nas imensidões de um além
Perdoa até mesmo os tiranos
Paz para eles também
São João Maria, Homem Santo
Homem que lutou pelo bem
Que reine a harmonia em todo o canto
E que Deus nos diga amém!


Euclides Riquetti

O mar colossal

 



O mar é colossal
Move-se em suas ondulações francas
Gera e extingue as espumas brancas
De água e de sal.

O mar é imenso e colossal
É um oceano de águas turbulentas
Que balamça as mais  doces emoções
Que se quebram nas ondas que chegam lentas
Aos pés, corpos, peles, almas e corações.

O mar que me traz dos tempos de criança
As mais ternas lembranças
É o mar de todas as idades.

O mar que nos manda a brisa generosa
É aquele que embala a alma esperançosa
E que nos faz sentir saudades... saudades... saudades!

Euclides Riquetti

domingo, 28 de junho de 2026

Memórias de Cadichon

 



Porque Burro, mesmo, é quem não tem sensibilidade para a Arte Literária!

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          Quando estou a pensar no passado, e isso me inspira a escrever, procuro lembrar de situações que marcaram minha vida ou a de outras pessoas de minhas relações  e amizade. Entrei para o primeiro ano do antigo primário com 8 anos feitos, tinha vergonha por ser mais velho do que os outros. E passei por três professoras, Judite Marcon, que foi substituída por Mariza Calza, e depois Noemi(a) Zuanazzi, pois mudaram-me de sala, colocando-me numa turma um pouco mais adiantada.

          Na nossa condição e capacidade de julgar, da época, fazíamos a separação: Primeiro Ano Fraco e Primeiro Ano Forte. Neste, os alunos que cursaram o jardim da Infância. Naquele, "nosotros". Então, após alguns meses de aula, eu já estava razoável em leitura e escrita, então fui para a turma que estava além do a, e, i, o, u. Nós não estávamos errados em nossos conceitos...

          No segundo ano, em 1962,  lá pela metade do ano letivo, eu já lia bem, com alguma fluência, sem solavancos. Eu era muito privilegiado,  tinha professor em casa, meu pai, que estudou no Seminário São Camilo em São Paulo, até o primeiro ano de Folosofia. Então, eu já olhava as velhas revistas O Cruzeiro, mais as figuras do que as matérias. E, para as férias, as freiras, (provavelmente a Irmã Firmina ou a Terezinha)   disseram que quem fora bom aluno poderia levar um livro da Biblioteca para ler.

          Seriam  dias de encantamento ter um livro para ler. Retirei um volumoso para minha idade: 256 páginas, uma versão brasileira de uma obra da Condessa de Ségur, nascida em São Petersburgo, na Rússia, em 1799, com o nome de Sophie Rostopchine, mas que aos 18 anos foi para Paris, onde só publicou seu primeiro livro aos 58 anos de idade, em Francês. E adotou o sobrenome de seu marido.Eu peguei a nossa versão  de "Les Mémoires d´un âne", "Memórias de Um Burro".

           Fui para casa de meu padrinho, no Leãozinho, então município de Capinzal, para passar minhas férias de inverno, e com a ajuda das filhas dele, Catarina e Delcia, consegui ler tudinho. Elas me ajudavam a entender as sílabas complexas. Lembro que a personagem principal era um Burrinho, Cadichon, muito injustiçado no início, mas que ao longo da trama salva a menina Paulina e consegue ralizar outrs feitos, ganhando respeito e notoriedade, até.

          Quinze anos depois, em 1977, quando eu já lecionava em Duas Pontes, hoje Zortea, ao participar de um encontro de formação lá no Mater Dolorum entrei na Biblioteca e vi que todos os livros antigos tinham sido encapados. Havia centenas deles. Pedi se tinham "Memórias de Um Burro" e disseram-me que não sabiam. Pedi licença, fui para a prateleira, apanhei um daqueles com capa em papel pardo e abri: Era o primeiro livro que eu li. Fiquei emocionado, retirei-o, li e reli, contei pra todo mundo.
          Cadichon me ensinou que o dinheiro tem alguma  importância no contexto da vida, , mas não é a salvação para tudo. Ainda, que ter amor e amizade são itens fundamentais para vivermos bem. Ser honesto nos garante respeito e o respeito abre-nos as portas com facilidade. Vale a pena ser honesto. Era mais ou menos isso que me ensinava. E eu morria de pena dele porque fora muito maltratado.

          Deste este primeiro livro lido, o  hábito pela leitura colou em mim. Leio de tudo. Não costumo ler modismos, leio a literatura que me dê interesse. Revistas, jornais, folhetos e jornaizinhos de igrejas, rótulos de produtos, placas de sinalização, legendas de noticiários, textos nos sites. Cadastrei-me e tenho senha de alguns sites da grande imprensa nacional. Comento, sempre que julgo conveniente, nos sites locais. Comento. Sou moderado, sigo a linha socrateana que me deu a frase que está no do epitáfio de meu pai: "In médio virtus".

          Hoje, eu o indicaria para muitas pessoas:  gestores públicos,  agentes políticos, profissionais liberais, ambientalistas, engenheiros, veterinários, agrônomos, psicólogos, estudantes e meus colegas professores. E a todos aqueles que acham que a formação acadêmica já lhes deu tudo de que precisam.

         Principalmente, recomendo para pessoas sensíveis. Estas têm, nelas, um pouquinho de Cadichon.

Euclides Riquetti
04-03-2013