domingo, 27 de setembro de 2026

Seus pés descalços


 





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Pés descalços
Acariciam as calçadas
Abandonadas.
Corações em percalços
Com batidas descompassadas
Retumbam em almas maltratadas
Rejeitadas, mutiladas.


Pés nus buscam caminhos de luz
E pisam na relva umedecida
Adormecida
Sustentando o corpo que seduz.

O corpo que atrai
E que distrai
Furta meus pensamentos pecaminosos
Libidinosos...
E me mergulha nas águas
Me afoga nas mágoas.

Algo me atira às incertezas do momento
Que vaga lento, lento
Como a nau que vai
E se perde no infinito
Bonito...
Bonito, mas cheio de ruelas obtusas
Confusas
Como eu!

Euclides Riquetti

Muralhas também desabam

 


 

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Muralhas também desabam

Muralhas também desabam com os tremores
Como desabam os corações despedaçados
Cimento e pedras quando amassam as flores
Ferem qual lágrimas em rostos desesperados.

A turbulência nos céus amedronta os viajores
As turbulências da alma nos atormentam
A fúria dos mares apavoram os navegadores
As desilusões nos abatem e nos violentam.

Caminhos desertos maltratam e torturam
Como o sol ardente nos queima e devora
Quando vozes sufocadas apenas sussurram.

Mas quando as luzes do amor nos acenam
E a força da esperança brilha e se renova
Nos campos do sul flores amarelas vicejam.

Euclides Riquetti

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No sábado de sol e de cor

 



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   No sábado de sol e de cor
Sábado de sol e de cor
Dia de alegria desmedida
De andar livre na vida
Nada de trizteza, nem dor.

Sábado com muita euforia
Dia das doces sensações
De dar asas às emoções
Nada de melancolia.

Sábado dos corpos sarados
Dos corações atirando setas
Dos corações sendo flechados.

Dia de comemoração
Nas almas de todos os poetas
Que escrevem com amor e paixão!

Euclides Riquetti

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Águas salgadas de Marte - poema

 


 


 





Diz a N.A.S.A
Que em Marte tem
Água salgada!

Não sei se ali vão erigir hotéis
Nem se construirão bordéis
Se asfaltarão as estradas!

Não sei se alojarão profetas
Nem sei se será destino de poetas
Se haverá noites e madrugadas!

Dizem que a água aparece na primavera
Corre nas encostas no verão
E, no outono, vai desaparecendo

Eu não tenho tempo pra ficar na espera
Não posso esperar um tempão
Pois que irei envelhecendo...

Enquanto isso, escrevo poemas arretados
Enquanto correm as águas de setembro
Enquanto me inspiro e relembro.
E os ventos arrancam telhados
Das eiras e das beiras
Como na última quinta-feira!

Euclides Riquetti

sábado, 26 de setembro de 2026

Geração Jovem Guarda - Nossa resiliente e agitada juventude! (Fomos rebeldes, sim!)

 




Boas lembranças...reprisando!

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  Roberto Carlos, Vanderléa, Erasmo Carlos

         No início da década  de  60, o então jovem município de Capinzal, no Baixo Vale do Rio do Peixe, era composto também pelos territórios de seus distritos de Ouro, Dois Irmãos e Barra Fria. Em 1963, no dia 23 de janeiro, Ouro emancipou-se de Capinzal, abrangendo em seu território os outros dois distritos.  No mesmo ano, no dia 11 de novembro, concedeu emancipação aos mesmos, que se tornaram, respectivamente, Dois Irmãos e Lacerdópolis, sendo que o primeiro, adiante, passou a chamar-se Presidente Castelo Branco.

          Naquela metade da década, logo após esses acontecimentos políticos, surgia no Brasil  a Jovem Guarda, começando a aparecer  no cenário musical Roberto Carlos (o "Brasamora"),  Erasmo Carlos ( o "Tremendão") , Vanderléa ( a "Ternurinha"), Vanderley Cardoso (o "Bom Rapaz"),  Jerry Adriani (o "Coração de Cristal"), e Martinha, como principais expressões. Havia o Agnaldo  Rayol (o "Rei da Voz"), o Agnaldo Timóteo, que fazia sucesso com "Meu Grito", o Caetano Veloso, que adiante saiu-se bem com "Alegria, Alegria",  o Chico Buarque, com "A Banda", e o Ronie Von (o "Pequeno Príncipe"), com "A Praça". O Sérgio Reis, também da mesma geração, projetava-se com "Coração de Papel". Depois, virou cantor sertanejo. Havia outros, os preferidos pelos adultos, que nós, teenagers, chamávamos de "Velha Guarda".


         A Juventude e os teens curtiam muito as feras daquela hora, deixávamos os cabelos bem compridos, usávamos calças "boca-de-sino", uma camisas xadrez, de gola bem alta. As mulheres usavam "bomlon", arrumavam os cabelos à La Doris Day, e a charmosa Leila Diniz saiu para a praia grávida usando biquini, uma afronta aos costumes da época. Ah, leitor (a), tu deves ter sabido de todos esses acontecimentos, ou tomastes conhecimento deles algum dia. Foi uma época marcante de minha vida e da maioria de meus amigos.

          Pois bem, naquela época, o Colégio Mater Dolorum apresentava o seu novo e imponente prédio. Nós estudávamos lá, a sua quadra de esportes era um terrão com pedras, onde se jogava caçador e vôlei. Lembro bem que o colega Milvo Ceigol, irmão do Neivo, perdeu parte de seus dedos numa serra elétrica, na Marcenaria de seu tio Orestes Albino Fávero e, com os dedos cheios de mercúrio, gaze e esparadrapo, teimava em ser escalado para jogar vôlei. Depois, havia uma mesa de pingue-pongue, onde estrelavam a Vênus Siviero, a Marlene de Lima, a Ana Shiley Bragatto (agora Fávero, que quando perdia uma jogada esboçaba um sorrisinho delicado e afastava-se suavemente da mesa). Havia uma interna, a Rita, que era muito bonita, e que o pai a visitava de vez em quando, com um jipão. Os alunos de primário usavam calça de cor cáqui e camisa azul, as meninas saia e blusa dessas cores.  As alunas do Normal usavam saias bordô e camisas marfim. No Padre Anchieta, estudavam somente rapazes, camisa branca e calça azul. E a onda, na época, erta ouvier "iê, iê, iê". No ginasial, os rapazes no Anchieta e da garotas no Mater. É, não podia misturar menino com menina. E, no primário, quando alguém fazia bagunça, a primeira pena era ser colocado a sentar-se ao lado de uma menina.(Que humilhação, que vergonha...). E, os casos mais graves, eram levados para terem seu nome registrado no "Livro Negro" (Que medo!...). E diziam que os mais "fortes e disciplinados", iriam assinar o "Livro de Ouro". Nunca vi nem um nem outro, mas acho que existiam, não sei se sob as chaves da Irmã Marinela, da Irmã Fermina, da Irmã Terezinha. Esta, diziam que iriam dirigir a caçamba Ford, amarela, comprada para o transporte do material da construção do novo prédio. Mas o motorista acabou sendo, mesmo, o Lóide Viecelli.



          Enfim, nós, que vivemos e nos encantamos com nossos ídolos da época, também fizemos parte da história de nossas escolas, de nossas cidades. E, agora, espalhados pelo Brasil, vemos a geração que nos sucedeu buscando espaços também em outros países. Cada um vai fazer sua história onde acha que deve fazer. O mundo mudou mais do que podíamos imaginar. Mas as tecnologias permitem que nos aproximemos. Fomos resilientes, agitados e rebeldes. Mas estamos ainda aqui!

          É impossível esquecer de uma época tão boa de minha vida. E, certamente, também tua, leitor (a)!

Euclides Riquetti
15-06-2012

Chuveiro dividido

 


 


Chuveiro dividido


Chuveiro dividido
Coração bandido...
Coração quebrado
Sofrido, mutilado
Coração sofrido!

Coração em chamas
Coração que ama...
Coração eloquente
Sempre tão valente
Coração te chama!

Chuveiro delicioso
Coração teimoso
Coração que chora
Porque foi embora
O coração choroso!

Coração atleta
Coração de moleca
De mulher bonita
De moça catita
Coração sapeca!

Euclides Riquetti

Turismo – a prática que vai além do discurso e da propaganda (Monte Sião, Holambra, Atibaia...)

 



       O turismo que encanta – O turismo é uma atividade econômica que cresceu e ainda vai crescer muito. Novas concepções sobre viver bem a vida foram aparecendo e as pessoas já viram que só trabalhar para o diabo dar risada pouco vale, pouco importa. E, assim, conforme vamos amadurecendo, vamos mudando nosso pensamento e nossos hábitos. Durante minha vida viajei pelos livros, me encantei com a História e as histórias. Mentalizei costumes, angariei conhecimento, melhorei minha expressão verbal e não-verbal. Somei a experiência acadêmica, a laboral e a aprendizagem cotidiana e formei meus conceitos. Vivi a vida ousadamente, agora vivo moderadamente, mas vivo.

       Temos viajado bastante, conhecido muitos lugares, visitado e revisitado outros. Alguns lugares nos são vendidos pela propaganda e, quando os visitamos, nos decepcionamos. Alguns, de outra forma, nos trazem boas lembranças e no desfiam a voltar. Falo dos Lençóis Maranhenses, com toda a beleza e exuberância natural, do Pôr-do-Sol da Praia do Jacaré, e da histórica cidade de Ouro Preto, esta em Minas Gerais. Costumes, cultura, arte, história e gente do bem! Também registro boas memórias de Santiago e do Monte Nevado, o Casillero del Diablo, Val Paraíso, Buenos Aires e sua Recoleta, Assunción e alguma coisa de Montevideo.

       O Centro-Oeste Brasieiro, com o Pantanal, Rio Bonito, Caldas Novas de Goiás e mesmo Brasília, com sua arquitetura imponente, me encantaram. Mas temos as belezas naturais do Sul, com as serras dos litorais do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. As maravilhas das praias catarinenses, a Serra Gaúcha, Vila Velha, Faxinal do Céu, o Rio Iguaçu, que me traz as mais saudosas memórias de Porto União da Vitória, na energia de minha juventude.

       Mas, o último fim de semana me foi memorável. Revisitamos algumas cidades do Centro-Norte de São Paulo, como Holambra e cercanias, e depois Atibaia, e Monte Sião, em Minas Gerais, passando por Águas de Lindoia e Bragança Paulista, em excursão organizada pela Classe Viagens, companhia com a qual tenho feito algumas boas viagens. Estive em Monte Sião em 1994, quando concluí minha Pós-Graduação em Gramáticas da Língua Portuguesa, Capital Brasileira do Tricô. Houve uma forte evolução em sua atividade fabril, há muitas confecções a bom preço, comerciantes de nossa região fazem compras lá.

       Em Holambra, para onde voltei depois de uma década, uma fantástica exposição de flores, a Expo Fora, um evento magnífico, que vai muito além das flores. Senti uma proximidade com Treze Tílias e Piratuba,  onde a tradição cultural, com suas danças típicas é de alta relevância. Milhares de carros no estacionamento, uma centena de ônibus e vans, gente de tudo o que é lado, brasileiros e estrangeiros, muita gente aqui do Sul. Organização impecável uma engrenagem muito bem movida e azeitada.

       No domingo, a Festa das Flores e dos Morangos em Atibaia, A cultura japonesa presente, as maravilhas em plantas e frutas que os descendentes dos nipônicos preservam e multiplicam. Uma festa menor do que a de Holambra, mas que também está muito bem organizada e oferece os produtos aos visitantes com a prática de preços menores, Na chegada você não se entusiasma porque o acesso e a parte frontal do parque de exposições não estão à altura do que você encontra lá dentro. Mas, depois, quanto encantamento! A exposição das flores é muito mais bonita do que a de Holambra. Doces variados, licores e vinhos, mudas de plantas, flores, e todo aquele comércio peculiar das feiras. A comida típica japonesa, as danças de sua cultura, tudo muito encantador, somando-se à amabilidade das pessoas que nos recebem.

       O nosso turismo precisa ir além do discurso e da propaganda. Em termos de turismo, nossas cidades precisam aprender muito ainda!  Quem não viaja, não conhece. E não tem muitas condições de propor e incentivar empreendimentos.

        KN, tão liso quanto o jundiazão! O Ministro do STF Kássio Nunes Marques não é diferente de Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino. Os quatro são mais lisos do que jundiá. Gilmar Mendes, o decano, que era tido como  juiz garantista, se perdeu na toada e desafinou-se da realidade. Alexandre de Moraes, então, deve todas as explicações que nós, brasileiros, queremos dele. Flávio Dino também tem muito a explicar e parte de suas decisões, políticas, podem e devem ser contestadas. Nunes Marques, que seria “do contra”, também está atolado através de um filho seu. Que gente inescrupulosa!

       O que as esposas e os filhos dos Ministros do STF têm que os outros não têm? Você, leitor, leitora, sabe tanto quanto eu! Você não deve ter político de estimação, pois que certamente, de uma ou outra forma, vai se decepcionar com ele. Poucas vezes me surpreendi com amigos da área, mas as decepções foram muitas. Os anos de vivência e convivência me permitem analisar isso com frieza.

       O Lula e a Janja “tropicando” em Santa Catarina – Foram mal, ambos, nos seus discursos em Florianópolis. Ambos usam sua origem para fazer política, mas só perdem com isso!

Euclides Riquetti – Escritor – www.blogdoriquetti.blogspot.com


Um grande abraço aos novos amigos que fizemos nos quatro dias

de passeio por lugares encantadores. 

Compor-te poemas na noite silenciosa

 



Compor-te poemas na noite silenciosa

Encontrar teu belo rosto na imaginação

Desejar teu corpo de mulher vaidosa

Poder rezar para ti uma pequena oração. 


Idealizar sonhos possíveis já sonhados

Beijar teus lábios de rosa, voluptuosos 

Relembrar de momentos do passado

Cenários que nos encantam, graciosos!


Declamar-te sonetos com novas rimas

Estrofes com versos de jovial romance

Versos com palavras românticas e ricas

Pintar-te em cores de todas as nuances.


Desejar-te mais um dia muito auspicioso

Uma manhã azul, uma tarde ensolarada

Todos os afagos em teu corpo delicioso 

Carícias sensuais em tua pele bronzeada!


Deus salve o sol!


Euclides Riquetti

Madrugada de um sábado primaveril

26-09-2026

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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

No porto do sol

 


 


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No porto do sol
No porto do sol, pisando nas areias brancas
Olhando para o mar das ondas espumantes
Imaginando os prazeres mais eletrizantes
Componho poemas para as almas santas.

No porto dos desejos, dos sonhos projetados
Vejo,  nas sombras, a sua silhueta desenhada
Enquanto, nas estrelas,  na noite enluarada
Navega, pelo infinito, a paixão exacerbada.

Despem-se os pensamentos que se embalam
Na manhã azul, da inspiração derradeira
Em que as palavras brotam e se propagam.

E que,  em cada porto, em cada ancoradouro
Eu lá possa encontrar minha  musa verdadeira
Com seu sorriso bonito, divino, e duradouro.

Euclides Riquetti

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Fui Poemar ... na beira do mar!

 


 





Poemar



Fui poemar
Fui rabiscar umas letras
Na beira do mar
Fui poemar.

Poemei versos rimados
Poemei poemas e poemetos
Compus poemas em tercetos
Tentei alexandrinos compassados...
Compus o que a alma me pediu
Compus o que meu coração permitiu
Mas compus!

Fui poemar
Numa manhã com sol.
Encontrei nuvens chuvosas
Ondas volumosas
Gaivotas que voavam,  ruidosas
Pranchas que surfavam, silenciosas.

Fui poemar
Lembrei, poemei, amei
Amei, lembrei, poemei
Poemei olhando pro mar
E encontrei você
No meu imaginar
Lá no mar...


Euclides Riquetti

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Uma atitude pro coração



 



Busque encontrar-me

Busque localizar-me:

Vai pelo google maps

Use o seu canal internet

E comece a  procurar-me.


Vai, enquanto você pode

Dê pra você um sacode

Dispa-se de preconceitos

Faça o que tem de direito:

Um coração nunca dorme!


Então, tome uma decisão

Uma atitude pro coração

Saia da sua longa letargia

Procure pra você alegria

Viva por amor, por paixão!


Euclides Riquetti

Quando os olhos se encontram

 




Quando dois pares de olhos se encontram

Eles fazem espocar algumas faíscas da paixão

Há duas almas que nunca se amedrontam

Há dois corpos que se fundem em profusão.


Olhares furtivos, tênues, afável cumprimento

Ou algo a explodir com a força da imaginação

Quem sabe  estoques de amor em movimento

Reservas de afeto, simples desejo, ou ilusão!


Se a timidez inibe o sorriso, esconde o brilho

E os gestos se moderam, mas não disfarçam

Pareces uma canária que não consegue o milho.


Instintos despertados, talvez fortes ímpetos 

Ou quem sabe as rotas  que as mentes traçam

A poesia é a arte, a expressão do meu íntimo.!


Euclides Riquetti

Madrugada de 25-09-2027

Em tempos de Primavera



quinta-feira, 24 de setembro de 2026

O vazio da alma

 









O vazio que há em mim
Também há em ti.
É como um céu sem estrelas
É quando é  impossível vê-las
É como um mar sem fim.

O vazio que está em mim
Também está em ti.
É como uma árvore sem folhas
É como não ter escolhas
E não saber de onde eu vim.

O vazio que há em nós
É o vazio dos sós.
É como a rua sem gente
É como o espelho sem lente
Ou as renas sem trenós.

O vazio de cada alma
É inerte como a alga
É a hora sem o minuto
É a água sem o duto
É a sentença sem ressalva.

E eu penso em ti...

Euclides Riquetti

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Noites sem estrelas (Ao meu pai..) - Eu já poetava em 1993!

 






Dias sem pássaros, noites sem estrelas
Dias de densas nuvens, o vento a volvê-las
Noites tão escuras, luar contido, ausente
Fazem dos meus sonhos futuro sem presente...

Dias de chuva forte, sem sol, sem luz no céu
Dias sem esperança, cinzento mausoléu
De alguém que foi distante, buscando seu destino
Tombando para sempre, subindo ao céu divino.

Conforto-me em saber que fez o bem na terra
Que pela sua bondade fará novos amigos
No céu que é manto azul, é flor da primavera
Verá,  mais uma vez, seus entes tão queridos.

E entre dias sem lindas noites, noites sem dias lindos
Eu fico recordando, pensando nos já findos
Em que você se foi, naquele longo inverno
Buscando nova vida, buscando o Pai Eterno!

Euclides Riquetti
Composto em julho de 1993.

O vazio da alma

 








O vazio que há em mim
Também há em ti.
É como um céu sem estrelas
É quando é  impossível vê-las
É como um mar sem fim.

O vazio que está em mim
Também está em ti.
É como uma árvore sem folhas
É como não ter escolhas
E não saber de onde eu vim.

O vazio que há em nós
É o vazio dos sós.
É como a rua sem gente
É como o espelho sem lente
Ou as renas sem trenós.

O vazio de cada alma
É inerte como a alga
É a hora sem o minuto
É a água sem o duto
É a sentença sem ressalva.

E eu penso em ti...

Euclides Riquetti