terça-feira, 20 de outubro de 2026

Ambição, sangue e prepotência – para onde vamos? (com homenagem aos meus amigos do Vale do Rio Iguaçu)

 


 


                                           Foto: acervo do Grupo Kalena - Porto União da Vitória

       A guerra da Rússia contra a Ucrânia, compreendidas as suas causas históricas, nos trará efeitos danosos, prejuízos que somente serão recuperados em décadas de reconstrução, tanto pelas perdas materiais em razão de bombardeios da primeira em território da segunda, quanto pelos danos morais, pela dor, pelo sentimento de impotência, tanto de ucranianos como de russos.

       Convivi com descendentes de ucranianos, poloneses e russos nos meus tempos de universidade, em União da Vitória e Porto União. Vinham acadêmicos de Rio Azul, Mallet, Irati, Rebouças, São Mateus do Sul, Paula Freitas e Paulo Frontin, Cruz Machado, Porto Vitória,   Canoinhas e Mafra.  Eram pessoas dóceis, afáveis, com boa conduta pessoal e moral. Gente honesta, cujos pais ou avós vieram de seus países de origem durante a Primeira Guerra Mundial, e continuaram vindo até então, meio século e pouco depois. Pessoas trazem parentes, que vão ficando, estudam, trabalham, conhecem muito de agricultura, ajudam a alimentar o mundo. Não existe desarmonia entre eles, frequentam os mesmos meios escolares, sociais e de trabalho.

       Hoje, pensar nas famílias com quem convivi, nos meus colegas queridos, lembrar da maneira como falavam, de seus costumes, daquilo que aprendi com eles, faz-me sentir-me emocionado. Trabalharam e estudaram, invertendo a ordem atual da atividade humana. Criaram-se frequentando suas igrejas, seus clubes, influenciaram as gerações atuais. E, aqui, rendo minha homenagem aos que participavam e os que participam das lides da Igreja Ucraniana, em União da Vitória, pelas suas pessoas e até mesmo pela capela que edificaram, que se situa ali após o campo do Ferroviário, a Paróquia de São Basílio Magno. E os que participam do Clube Ucraniano de União da Vitória, localizada ali na Marechal Deodoro, na ida do Centro para o campo do Ferroviário, pertinho deste. Minha homenagem ao Grupo de Folclore Ucraniano Kalena, que está prestes a completar 53 anos de atividades culturais, executando a dança ucraniana com maestria, tendo, inclusive, participado de festivais na Ucrânia e nos Estados Unidos, em agosto e setembro de 2010.

        Quanta cultura, tradição e talento em suas comemorações. Banda e fanfarras com exibições estupendas nos desfiles do Sete de Setembro. Uma vez, com seu grupo Kalena, vieram a Capinzal, trazidos pela professora Seila Eliane Ribeiro e o Luiz Alcides Dambrós, e sua trupe, para participação no evento “Babados em Arte”, um dos mais concorridos e badalados da História do Vale do Rio do Peixe. Também, mais recentemente, apresentaram-se aqui em Piratuba.  Só quem conhece a capacidade de recuperação moral dos descendentes de ucranianos e poloneses, principalmente, sabe que a Ucrânia vai se recuperar em médio e longo prazo.

       A guerra poderia ter sido evitada. Bastaria que Putin não fosse tão ambicioso e que Zelesnki não fosse tão prepotente. O primeiro, dá asas à sua ambição, nutrida desde quando seu pai era cozinheiro das autoridades comunistas russas, até a chegada ao cargo máximo em seus país, que pretende governar até 2036. E o outro, o ator que imitava presidentes, que virou um deles, que não soube administrar a questão separatista com habilidade, não abrindo a possibilidade de plebiscitos ou referendos.

       Meu professor de Latin, o multititulado Leo Host, nos mostrava, no início da década de 1970, na FAFI, que plebs seria o povo e cito a manifestação ou citação deste. O site “ETIMOLOGIA”, traz as definições de plebiscito, que aqui cito para o leitor compreender melhor o termo: “Um plebiscito consiste em colocar um tema específico como questão perante o conjunto da sociedade para conhecer o sentimento da maioria, permitindo orientar o caminho dos g

      Sangue derramado, ucranianos em fuga, população russa também sofrendo em razão das sanções econômicas impostas por países do Ocidente, inflação alta, falta de itens básicos de sobrevivência, guerra de informações, a maioria oriundas da capacidades de os governos ucraniano e russo de criarem as narrativas que lhes interessam. Todos continuam perdendo, mesmo que houver um cessar fogo sempre haverá quem o burle e a encrenca vai continuar por muito tempo ainda.

Euclides Riquetti – Escritor – www.blogdoriquetti.blogspot.com


Março de 2022

Um horizonte azul cor do céu

 




Há um horizonte azul a nos esperar
E corpos que  flutuam embalados em canções
Nas ruas da terra , através das gerações.
No azul da cor do céu, no  azul da cor do mar.

Há um horizonte azul  a nos amparar
Em todas planícies verdes deste mundo
Nos mares que cobrem do sol  rotundo
E ombros que me esperam pra chorar.

Havia um horizonte azul no teu olhar
Que me buscou entre os andantes do universo
E um doce abraço teu a me chamar:

Agora, em cada nova manhã de invernos e verões
O Poeta   te exalta  em prosa e verso
Ó  musa de meus encantos e paixões!

Euclides Riquetti

De minhas "crônicas de antigamente" - Com Ana Raio e Zé Trovão em Treze Tílias

 


 




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De minhas "crônicas de antigamente" - Com Ana Raio e Zé Trovão em Treze Tílias


          Conheci o Jayme Monjardim quando eu tinha 37 anos. Por força de meu cargo público,  era instado, constantemente,  a participar de eventos que reuniam "gente fina". Alguns me consideravam "da fina" e me convidavam. Com isso,  conheci muita gente importante, até famosa. (Há pessoas importantes e isso não significa que sejam famosas, como você, leitora, por exemplo, que mora em meu coração). Num aniversário meu, havia, coincidentemente, um evento no Clube Floresta, em Ouro, e uma convidada muito especial: Márcia Kiatkoski, Miss Brasil. Era uma paranaense de Curitiba e ganhei dela um beijinho "de sobrinha", no rosto, e uma abraço pelo aniversário.

          De outra feita, estavam filmando a novela "História de Ana Raio e Zé Trovão", em Treze Tílias, e, na condição de Prefeito em Ouro, fui convidado pelo Rudi Holwailler, Prefeito de lá, para participar do Baile dos Artistas. Fomos com a Vera e o Caio Zortéa, nossos amigos "de verdade". Lá,  conhecemos o Monjardim, que era marido da bela Ingra Liberatto, a "Ana Raio", que fazia par com o Zé Trovão, o magnífico Almair Satter (Ando devagar porque já tive pressa...). Ai, que vontade de chorar!...

          São 22 anos que se passaram. Agora, depois de muitos trabalhos na TV e de dirigir "Olga", no cinema, o Jayme Monjardim volta à telona com uma adaptação de " O Tempo e o Vento". (Vai ser de chorar de emoção). O nome já diz tudo, e o saudosismo fica intenso nessas ocasiões, principalmente para nós que já subimos uns 60 degraus para chegar no "deck" da maturidade. E, sabem quem estará estrelando o filme: nada mais nem ninguém do que Fernanda Montenegro, Thiago Lacerda e, sabem quem? Marjorie Estiano!!!

          Na primeira vez que referi a ela, falei que ela tinha o talento da Fernanda Montenegro, que era poprroqueira, que virara atriz, que apenas o talento a deixava bonita. Agora, já estou convencido: Ela é bonitaça! E está mais madura, mais experiente.  Vai fazer muito sucesso. O Diretor do filme , o Jayme, é filho do André Matarazzo e da cantora Maysa. Aposte: a produção vai ser sucesso nacional e internacional.

          Quando assistíamos aos filmes no "Cine Glória" ou no "Cine Farroupilha", em Capinzal, e éramos "teens", não imaginávamos que um dia nos tornaríamos "razoavelmente antigos". E quem nos trazia as alegrias era o Armando  Viecelli, depois o colega Eraldo Markus, com  quem estudei minha "Contabilidade", na CNEC. Hoje, veio a TV, a redenet, os mais fornidos (não estou dizendo fornicados...), já têm ipad, iphone, etc. Mas, todas essas maravilhas nos permitem acesso rápido à informação. E, quando nos damos conta disso, percebemos o quanto já somos vividos, antigos! Mas podemos dizer que, em nossa cidade, tivemos muitos privilégios: uma juventude muito bacana, oportunidade de estudar, cinema, boates, amigos, amigas...

          É, acho que nossa geração  viveu a época melhor da História. Estivemos na linha divisória do convencional para o avançado. Apeveitamos os tempos bucólicos e estamos presenciando a era dos alcoólicos, em que se bebe cerveja como água. Ser antigo me permite analisar, friamente, todas as transformações que acontecem, cada vez em maior velocidade.

Euclides Riquetti - um seu criado
14-03-2012

Diamante cor de rosa

 


 


 





As mais belas flores desabrocharam
Na manhã ensolarada e juvenil
Quando já era outubro primaveril
E as rosas vermelhas me encantaram.

Surpreendeu-me a roseira bem viçosa
Engalanada em seu vestido escuro
Espalhando seu encanto mais puro
Com seu fulgor de diamante cor de rosa.

Esse mesmo diamante que admiro tanto
Me anima, me instiga, me desperta
Poe minha alma negra bem alerta
Devolve-me as lágrimas de meu pranto...

Ora, eu não quero apenas te contemplar
Prefiro-te basalto do que diamante
Quero-te mais amada do que amante
Quero-te ao meu lado e não num altar!

Euclides Riquetti

O sol e a poesia

 



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O sol e a poesia


O sol da manhã negou-se a me trazer a poesia
Não me deixou sorver os seus raios dourados
E não me trouxe a minha tão esperada alegria
E meus desejos de te querer foram abortados.

O sol veio, deu o ar de sua graça e foi embora
Partiu a brilhar para outro ser que não fosse eu
E eu fiquei procurando reavê-lo em toda a hora
Tentando buscar o lugar onde ele se escondeu.

O sol, aquele mesmo sol que já nos alimentou
Que nos deu a energia, a força e o maior vigor
Simplesmente veio, sorriu e logo se ausentou...

Sim, o sol nos anima, nos motiva e nos inspira
Quero que volte para me inspirar a te compor
Um poema novo, como ar que a gente respira.

Euclides Riquetti

www.blogdoriquetti.blogspot.com 

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Sonhar

 

 



                                                                


Sonhar...

Andar com pés descalços nas dunas

Buscar o aconchego das brumas

E encontrar o mar!


Poder sonhar, sim, o sonho infinito

Sonhar com um mundo agradável e bonito

Pisar por sobre as areias e as folhas

São nossas escolhas!


Sonhar, apenas sonhar e nada mais

Buscar horizontes azulados

Que cobrem os mares ondulados

Não desanimar jamais!


Imaginar canções

ler poemas

Ter emoções

Enfrentar os dilemas

E os problemas, enfim...


Bem assim!


Euclides Riquetti

A voz que veio da lua

 




A voz que veio da lua
E que chegou mansa e suave
Veio pelos trilhos do vento
Ou então pelas pedras da rua
Talvez embarcada numa nave
Que flutuou no firmamento...

A voz que veio na noite
Trouxe-me paz, me acalmou
Deu-me o sono reparador.
Fez como a água em seu açoite
Que na minha pele se lançou
E que amainou minha dor...

Tua voz veio na noite estrelada
Sussurrar em meus ouvidos
Trazer-me do gozo o gemido
Fazer-me a carícia esperada.

E então meu sonho te abraçou
Te beijou...
Te amou!

Te amou de verdade!

Euclides Riquetti

Quando o silêncio da madrugada nos acorda


 


 




Quando o silêncio da madrugada nos acorda
E nos mergulha numa insólita inquietude
Ficamos como a taça de vinho que transborda
Tristeza na alma, coração em plena solitude.

Quando o silêncio da madrugada nos invade
E nos incita ao desejo do abraço amoroso
Há uma força que me induz e me persuade
A buscar seu  beijo doce, quente e prazeroso.

Quando chega a manhã clara de céu límpido
E se tem a certeza de que o sol vai brilhar
Uma sensação de alegria me invade o íntimo.

Então, veremos que tudo na vida vale a pena
Enquanto  se tiver algo bom por que se lutar
Enquanto vier inspiração para meus poemas.

Euclides Riquetti

Corpos e almas que se esculpem...

 



 




Corpos que se esculpem e se queimam

Imersos nas brasas da paixão

Corpos que se jogam nas areias

Corpos que se estendem pelo chão...


Almas que se julgam e se penam

Imersas nos pecados, na ilusão

Almas que insurgidas se condenam

Almas enegrecidas de carvão...


Corpos que se vestem de vaidade

Belos, formosos, sedutores

Com almas que se esquivam da verdade

Belos, charmosos, pecadores...


Corpos que se deitam em falso chão

Almas que se atormentam na  razão

Vidas que navegam em  incertezas...

São corpos que envelhecem cedo,  cedo

São almas que levitam,  sem sossego

São vidas que flutuam nas correntezas.


(E se vão embora!...)


Euclides Riquetti

Dona Iracema Maestri Bazzo - A Dama do Cafezinho Gostoso - reedição em homenagem!



 


 


Dona Iracema Maestri Bazzo - A Dama do Cafezinho Gostoso - reedição em homenagem!


          Ouro perdeu, nesta sexta-feira, uma pessoa muito querida por todos os que a conheceram: Dona Iracema, esposa do já falecido Ivo Luiz Bazzo, que foi Prefeito daquela cidade por dois mandatos. Trabalhei para ele, na condição de Secretário de Administração, em 1981 e 1982. Na época, criei laços de amizade com toda a família Bazzo, a quem prezo muito. Aprendi com eles que a seriedade e a honestidade são condições básicas para o exercício da atividade pública.

          Filha de Jacob Maestri, comerciante, Dona Iracema foi uma mulher perfeita para sua época: a dona de casa prendada que acompanhava, discretamente, a vida do marido. E olha que ser esposa do Seu Ivo, não era tarefa fácil. Ele sempre foi agitado militante da UDN, seu partido desde moço. Na casa deles se passaram muitos acontecimentos políticos. Adiante, a família fez parte dos quadros da ARENA e os partidos que a sucederam: PDS, PPR, PPB, PP.

          Importantes nomes da política catarinense estiveram na casa deles. E é aí que vem a figura de Dona Iracema, uma pessoa de corpo franzino, humilde, mas muito ligada em tudo: muito informada acerca dos acontecimentos locais, estaduais, no Brasil  e no mundo.  E tinha opinião sobre tudo! Quando chegavam pessoas no casarão (no antigo e no novo...) na Rua Presidente Kennedy, ela os recebia com seu inigualável cafezinho. Era adentrar pela porta e sentir o cheirinho gostoso que vinha do bule no fogão a lenha.  Para o Deputado Gilson dos Santos, amigo e companheiro sempre presente na vida deles, fritava ovos, que ele devorava com misturas.

         E olha que na saleta destinada a receber as visitas, com janela para as ruas, e uma placa de  fundador da UDN na parede, rolavam altos papos de política. Eu mesmo,  junto com ele, tomei café ali com gente da expressão de Jorge Bornhausen, Esperidião e Ângela Amin, Vilson Kleinubing, Gilson dos Santos, Odacir Zonta, e muitos outros. Seguramente que, antes disso, eles receberam Nelson Pedrini, Antônio Calos Konder Reis e outros ícones. No início da década de 1950, o casal e os familiares hospedaram o jovem Horácio Heitor Breda, por seis meses, para que pudesse habilitar-se a concorrer a Prefeito em Capinzal. Breda viera de Maringá, conviveu com eles e foi eleito Prefeito.

          Não  há como não associar a vida de Dona Iracema à do marido. Dividiram, juntos, as alegrias e as tristezas, as vitórias e as derrotas. Cuidaram da Nona Lúcia e do Egídio Balduíno, o Titi, que ficou paraplégico desde a adolescência. Uma pequena grande mulher, uma mulher de muita fibra. Um coração de bondade numa mãe que criou seus filhos Ivoney, Ione, Ivonete e Ionice,  dando-lhe os melhores ensinamentos morais dentro dos princípios da cristandade. Dona Iracema, a grande companheira do Seu Ivo, nossa amiga pessoal, a quem devotamos muita admiração, foi morar no céu. Foi reencontrar o esposo e a filha amada, Ivonete, nossa comadre, que nos deixou prematuramente.

          Na última vez que a visitei, já estava um tanto debilitada, mas mostrou satisfação em me ver. Senti que ela já não tinha mais a energia de sempre, pois a perda do esposo e da filha a abalaram muito,  embora não fosse de queixar-se.

          Que a família Bazzo tenha a plena certeza de que ela partiu sentindo-se amada e respeitada por todos vocês. E, igualmente, pela nossa família Riquetti. Temos amizade muito sincera  e verdadeira com os todos os descendentes do casal. Fomos verdadeiros amigos em todas as horas e em todos os dias. Uma amizade que se solidificou nos últimos 35 anos.

Um carinhoso abraço em todos e o desejo que possa ter, junto de Deus e dos familiares  que partiram antes, a felicidade eterna!

Euclides Riquetti

Nem todas as rosas são vermelhas



 




Rosas, amo-as e lhes tenho devoção
De todas as cores, de todos os matizes
Amam-nas as donzelas e as meretrizes
Amam-nas princesas e imperatrizes
Sim, amam-nas com paixão!

Nem todas as rosas são vermelhas
Nem tudo o que brilha no céu são estrelas!

As rosas são as flores da nobreza
Perfumam e exalam encantamento
Imagens que se fixam no pensamento
Odores que se espalham pelo firmamento
A propagar o seu charme e sua beleza!

Nem todas as rosas são vermelhas
Nem tudo o que brilha no céu são estrelas!

Ofereço-lhe as rosas e as estrelas
Os perfumes e os brilhos que deleitam
Os jardins e as noites que elas enfeitam
Os laços de amor que em nós se estreitam
Rosas champanhe, brancas e vermelhas!

Euclides Riquetti

domingo, 18 de outubro de 2026

Versos jogados ao vento

 


 



Versos jogados ao vento

Desprotegidos e desconexos
Versos jogados ao tempo
Que flutuam dispersos...

Versos sem rimas e sem consequências
Palavras escritas sem consentimento
Joagadas ao vento...
Estrofes escritas sem alma, sem nenhum sentimento:
Apenas palavras e versos solteiros
Sem um poema hospedeiro
Sem endereço certo
De um poema perdido nos caminhos do universo...

Versos procurando sentido e razão de ser
Versos procurando quem os queira ler
Mas tu não os vês
E ninguém  os lê.

Versos órfãos de autores e de leitores
Que, no anonimato
Escrevi e te mandei
Que se desintegraram dos meus sonetos
E de meus poemetos
Mas que teimam em te  procurar
Nos caminhos do vento!

Euclides Riquetti

Sheila Elisabeth Arnt Gonçalves - homenagem à querida colega da FAFI

 



       



       Em 1972, quando cheguei a União da Vitória e ingressei no curso de Letras/Inglês da então FAFI, fui, aos poucos, me identificando com todos os meus colegas. Éramos 62 acadêmicos numa mesma sala. Alguns vinham menos vezes para o curso, utilizavam-se de um meio de frequência reduzida, pois moravam em outras cidades. Eu era o mais jovem dos homens e havia duas colegas que eram bem jovens, estavam com 17 anos, a Maria de Fátima Caus (Morgan), de Porto União, e Sheila Elisabeth Arnt (Gonçalves), de Clevelândia. As duas se tornaram minhas grandes amigas. A primeira foi minha madrinha de casamento e a segunda, Sheila, acabou desistindo do curso, pois já era noiva, contraindo matrimônio com o médico Doutor José Léo Gonçalves, que atuava aqui em Treze Tílias. 

       Em 1977 vim morar em Zortéa e, 3 anos depois, em Ouro. Em 2008 vim para Joaçaba. Mas sempre fiquei muito antenado em meus colegas de faculdade, pois tenho as melhores recordações possíveis deles todos. Alguns foram desistindo durante o curso, outros, depois de nossa formatura, em 28 de novembro de 1975, no Clube Concórdia, tomaram rumos diferentes. Sei que o colega Francisco Gaulosky tornou-se prefeito de Paulo Frontin e acabou falecendo. César Loyola Flenik tornou-se prefeito de Iradi e está naquela região. Lily Braun mora em União da Vitória, Esoani Parísio Lona Cleto faleceu recentemente, Maria Costa Godoi (Farias) mora em Porto União, tem um filho padre.  Osvaldo João Jasinsky ficou em São Mateus do Sul, Janete Bauer Gatz no litoral catarinense, Francisco Samonek na Amazônia, Maria de Lourdes Reisdoerfer (Brehmer) em Mafra, Lineu Eli Bilinski em Porto União, Emelin Domit (Lusa) em Curitiba, Sônia Maria Ortiga foi para o litoral, Diva Jung para São Bento do Sul, Marlene Bachinski e Ivane Zacarias em São Mateus do Sul, Maria Inês  Horski von Lindsengen em Canoinhas, Suely Masnik (Martini) no litoral catarinensee, Jair Francisco  Lusa no litoral, Janete Santos em Curitiba,  Celeste Ritter em União da Vitória, Mineo Yokomizo morou em várias cidades e está em Clevelândia, Floriano José da Costa Guérios em Curitiba. Com a Fátima Caus e seu marido Paulo Sérgio Morgan tive vários contatos depois que vim embora. 

       Fiquei umas duas décadas sem contato nenhum com a Sheila. Soube que ela casou-se com o Dr. Léo e morava em Treze Tílias. Uma vez  eu estava num supermercado aqui em Joaçaba e avistei uma senhora de boa presença, acompanhada de 5 crianças. Olhamo-nos e perguntei: "Você não é a Sheila, lá da Faculdade de Letras, de União da Vitória?"   E ela respondeu com outra pergunta: "Você não é o Euclides"? Foi muita alegria e muita conversa. Ela falou que três das crianças eram dela e uma era sobrinha. Depois emendou: "Tenho um filho na Faculdade, em Curitiba. Ele fez cursinho no Positivo! Sabe que ele foi aluno do nosso colega Floriano?" "E falamos muito do nosso amigo Floriano, que era fera em inglês, falamos dos outros colegas e nos despedimos.

       Ao chegar em casa, falei para minha esposa: "Hoje eu encontrei uma colega dos tempos da Faculdade, a Sheila, que agora mora em Treze Tílias. É professora e trabalha naquela cidade, numa escola profissional. A Miriam falou; "Como é ela?" Fiz a descrição e a esposa me disse. "Conheço a Sheila, já participei de vários encontros com ela em Joaçaba". Eu conhecia e Sheila, ela conhecia minha esposa e não sabiam que eu era o marido da Miriam. Nem eu sabia que elas se conheciam...

       Alguns anos depois, estive em Treze Tílias com dois amigos, como convidado. Fomos de helicóptero, que pousou no campo de futebol. Enquanto eles foram tratar de política na Prefeitura, fui a uma escola ali perto e não é que acabei encontrando a Sheila trabalhando la? Contei-lhe que eu era o marido da Miriam e ela fficou muito contente.

       Passaram-se mais alguns anos e houve um evento na SOCAP, quando a AMMOC - Associação dos Municípios do Meio-Oeste Catarinense, através de seu presidente Rudi Olwheiler, Prefeito de Treze Tílias, homenageou os prefeitos e ex-prefeitos da entidade representativa dos municípios. Fomos na condição de ex-prefeito e ex-primeira dama de Ouro para receber a homenagem. A mesa que nos foi destinada para sentarmos teria  para mais um casal. Pois bem, para nossa surpresa, o casal Dr. Léo Gonçalves e a esposa Sheila! Muita coincidência! Foi uma alegria para todos nós. 

       Há poucos anos, aqui no Hotel Joaçaba, um hospede me pedia informações sobre como ir a Treze Tílias. Fui explicando a ele, que era de São Paulo e vinha visitar um amigo médico em Treze Tílias. Era o Dr. Léo e Sheila. Falei que os conhecia e ele me colocou para falar ao telefone celular com o Léo. 

       Ontem, dando minhas costumeiras bisbilhotadas nos sites da região, descubro, no da Troícal FM, daquela cidade, que a Sheila faleceu em 31 de agosto do ano passado. Ficou 33 dias na UTI do HUST, aqui em Joaçaba, para reccuperar-se de sequelas da Covid e veio a falecer. Fiquei chocado! Minha amiga de exatos 50 anos atrás tinha perdido para a cruel Covid 19, que tantas vítimas fez pelo mundo. Nascida em 02 de novembro de 1954,  na cidade de Erechim, Rio Grande do Sul, (onde nasceu também minha esposa), casada com José Léo Gonçalves, médico renomado na região, tiveram 5 filhos, Alexandre, leiza, João Manoel, Thelma e  José Léo. Eles tinham também 7 netas. Trabalhou como educadora no serviço público e no privado, lecionando Língua Portuguesa, aposentou-se em 2015, mas continuou a apoiar as pessoas como sempre o fez. Perfeccionista, organizou e participou de eventos culturais, foi grande incentivadora de seus alunos, oferecendo-lhes seu carinho pessoal e seu modo gentil de ensinar.  

       A comunidade, de uma forma peculiar e carinhosamente, prestou-lhe as merecidas hpomenagens. Deixou um legado importante para sua cidade e em todos os lugares por onde passou. Seus filhos e netas são o melhor exemplo para as famílias de uma sociedade. Educados e gentis, são a representação do sorriso meigo da querida Sheila. 

      Deus abençoe todos os familiares e amigos que ficaram lamentando sua partida. 

Euclides (Celito) Riquetti e Família

08-04-2022

Num poema, no brilho do luar

 


 




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Olhe para o universo vasto e estrelado
Contemple a beleza deste nosso céu
Olhe para o teto imenso e enluarado
Que se veste  com este santo véu.

Olhe para a beleza do medalhão prateado
Que compõe o cenário que nos cobre
Olhe todo este mundo santo e encantado
Que nos presenteia com seu retrato nobre.

Olhe, intensamente, para nunca mais esquecer
E marque cada canto de nosso belo espaço
Guarde, carinhosamente, enquanto você viver.

Abra sua janela, busque-me em algum lugar
Receba, com toda a paixão,  meu carinhoso abraço
Que lhe mando num poema, no brilho do luar.

Euclides Riquetti

O abraço que não ganhei

 



O abraço que não ganhei

O perfume que não senti

O amor que eu não vivi

O beijo que não te dei

Foi quase ao anoitecer

Me fez falta, podes crer!


A rosa que fotografei

Aquela da cor amarela

Ou seria branca a cor dela?

Que no recado colei

Ainda restou perfumada

Na mente bem gravada..


Com a saudade eu fiquei

Está segura, controlada

Mas não ficará guardada

Tu sabes, eu também sei

Só tu poderás libertá-la

Só eu te poderei dá-la!


Euclides Riquetti

Amanhecer de 18-10-2026