quarta-feira, 29 de julho de 2026

Turismo social articulado – o que é? (Salto Veloso, Arroio Trinta, Iomerê, Ibicaré...)

 



                                                                   Iomerê

        



Arroio Trinta




                                                                            Salto Veloso 


                                                                                  Ibicaré

       Turismo social articulado – o que é? – Uma forma de desenvolvimento de atividade econômica e cultural , como fonte geradora de trabalho e renda, é o turismo. Praticamente todas as cidades estão com ações visando a implementar programas que possam incrementar o turismo em seu território. Mas tudo precisa ir muito além do discurso e da propaganda. Bem mais do que produzir vídeos caros e pouco úteis, há como as pessoas de cada cidade produzirem o material de divulgação para que seja editado em canais de youtube e no Instagram. Aliás, o que existem de vídeos horríveis, longos e mal filmados é um exagero.

       Uma das minhas predileções é ver vídeos no youtube, com temas políticos, econômicos e culturais.  Nesse sentido, pesquiso as pequenas cidades de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Aliás, nos canais, há muitos vídeos mal produzidos, por gente que só pensa em likes. Mas há outros bons, que mostram a história e os atrativos culturais das cidades, esses muito importa aos turistas. 

       Há três semanas, visitei, em companhia do ex-Prefeito Sérgio Durigon, assessor do Senador Esperidião Amin, umas cidades que me encantam, mas que há muito não visitava: Salto Veloso, Arroio Trinta e Iomerê. (Na volta, passamos pela bucólica Pinheiro Preto e por Tangará). Recebidos pelos prefeitos Nereu Borga e Antônio Serighelli, e pela prefeita Luci Peretti. Cada uma das cidades tem o seu potencial para o turismo, seu charme, seus atrativos e pessoas que muito prezam a cultura. A proximidade com Treze Tílias ainda poderá gerar muitos dividendos para aqueles municípios.

       Salto Veloso tem uma economia bem consolidada, bons lugares para visitação e um povo hospitaleiro. Salto Veloso tem a força da herança italiana e Iomerê é uma cidade bem organizada. Um dos atrativos é o prédio onde se situa a Prefeitura Municipal, que foi seminãrio camiliano e onde meu pai morou na início da década de 1930, quando foi seminarista. 

       Ibicaré é uma cidade organizada e com fortíssimo potencial. As pessoas de lá não são muito otimistas com relação ao turismo, mas está no principal corredor de acesso a Treze Tílias e isso favoreceria muito a atividade. Tem a fama de ser a Capital Catarinense do Rodeio, o que é muito justo. Frequento Ibicaré regularmente, compro no comércio local e tenho minha constatação que é um município que pode ganhar muito em turismo, com ínfimos investimentos. Aquela rua que é um atalho desde a SC 135 para ir a Treze Tílias, passando na frente da Prefeitura, poderia ganhar flores e plantas ornamentais. E toda a extensão, deste a sede municipal, até Gramados dos Leite, da mesma forma. 

   

       O café colonial da Comunidade de Nossa Senhora de Lurdes – Simplesmente fantástico, aconteceu no sábado, 11, no salão comunitário ligado à Capela dos Bairros Boa Vista e Monte Belo.  Uma variedade extensa de comidas doces e salgadas, café, leite, chás e sucos. Produtos coloniais e muita coisa confeccionada no próprio local pos senhoras e senhores da comunidade. Anualmente é ali promovido e até falta espaço pra tanta gente que comparece. Um dos eventos gastronômicos que orgulha Joaçaba. Ponto de reencontro de amigos e muito congraçamento. Parabéns aos organizadores.


Euclides Riquetti - Escritor - www.blogdoriquetti.blogspot.com 


 

terça-feira, 28 de julho de 2026

Partilhar sonhos de luz





 Partilhar sonhos de luz


Busque a realização de seus sonhos

Não deixe que nada a  atrapalhe

Busque-os com seu rosto risonho

Pois sem eles a vida pouco vale.


Procure realizá-los com sabedoria

Com a astúcia e a calma necessária

A luta pelos sonhos que contagiam

Não deve ser isolada ou solitária.


Buscar os sonhos mas não deixar

Que eles se sobreponham ao real

Realidade e sonhos,  um belo par

Caminhando juntos em especial.


Quero viver os seus sonhos azuis

Contar na noite as estrelas do céu

Quero viver os seus sonhos de luz

Partilhar sonhos de luz e de véu.


Euclides Riquetti


Deixe-me, ao menos, beijar suas mãos





Deixe-me, ao menos, beijar suas mãos
Talvez sentir o calor de sua pela morena
Quem sabe, sentir o som de seu coração
Acariciar o seu corpo, acariciar apenas...

Deixe-me escutar quando você respira
Alisar seus cabelos curtos e castanhos
Inspirar-me em seu olhar que me inspira
Contemplar seu sorriso e seus encantos.

Deixe-me navegar no mar de sua mente
Absorver o que anda em sua imaginação
Perceber tudo o que sua alma pura sente
E caminharmos firmes no mesmo chão!

Deixe-me deixar-lhe pequenos recados
Com palavras simples, frases elaboradas
Recados do amor sentido e preservado
Registros de nossas vivências passadas!

Euclides Riquetti



Deixe-me, ao menos, beijar suas mãos
Talvez sentir o calor de sua pela morena
Quem sabe, sentir o som de seu coração
Acariciar o seu corpo, acariciar apenas...

Deixe-me escutar quando você respira
Alisar seus cabelos curtos e castanhos
Inspirar-me em seu olhar que me inspira
Contemplar seu sorriso e seus encantos.

Deixe-me navegar no mar de sua mente
Absorver o que anda em sua imaginação
Perceber tudo o que sua alma pura sente
E caminharmos firmes no mesmo chão!

Deixe-me deixar-lhe pequenos recados
Com palavras simples, frases elaboradas
Recados do amor sentido e preservado
Registros de nossas vivências passadas!

Euclides Riquetti

O perfume das flores

 


 


Flores para Jardim: Modelos de Flores e Jardins para Inspirar Vocês


Não me importa qual o perfume das flores
Todas elas me atraem  e me seduzem
Não importa quais sejam as suas cores
Mas sim os encantos que produzem...

Não importam quais as mãos que as plantaram
Todas o fizeram com amor e com carinho
Não importa com quais  águas as regaram
Ou se tenham ramos ternos  ou de espinhos...

Importa-me, sim, que sejam flores, apenas isso
Que possam deleitar-nos com sua doce singeleza
E que possam sorrir  com todo o garbo e todo o viço...

Flores de todas as cores, matizes e perfumes
Flores que inspiram os poetas por sua beleza...
Flores que te entrego porque tu  me seduzes...

Euclides Riquetti

Como nos desertos

 



 Como nos desertos

Ventos e areias me ferem os olhos
E meu coração cheio de imbróglios
Entrega-se aos rumos mais incertos...

Como se num inverno
O frio inibe meus movimentos
E fico paralisado como se os ventos
Me tornassem um corpo de gelo eterno...

Como se não houvesse luz
Escondo-me nas trevas misteriosas
Nas estradas mais longas e perigosas
Nos caminhos pelos quais você me induz...

Como se não houvesse nada
Nem um amanhã risonho a me esperar
Ou um barco com o qual navegar
Sou uma alma perturbada...

Mas espero por um novo dia
Por seu sorriso terno e cativante
Por flores perfumadas com alegria
Pelo seu abraço contagiante.

Apenas por isso, nada mais!

Euclides Riquetti

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Não me deixe só

 


 


 


Não me deixe só

Não me deixe só
Perdido em devaneios
Sonhando com seus olhos meigos
Não me deixe só!

Nunca me diga não:
Cuide para que eu não fique sem chão
Ajude-me a ser luz na noite escura
Ajude-me,  você e sua alma pura
A ser o claro na escuridão
E não me diga não!

Não me deixe só
Perdido em indagações
Em dúvidas e desilusões
Não me deixe só...

Nunca me diga não:
Cuide para que eu não me torne  um vilão
Ajude-me para que sempre me sinta protegido
Ajude-me para  que não eu não seja um  bandido
A ser a força que brota  do amor
E  não me diga não!

Não me deixe só
Não me diga não
Ajude-me por amor, não por dó
Ajude-me a tornar feliz o meu coração!

Ajude-me:
Não me deixe só!!!

Euclides Riquetti

Uma Crônica do Antigamente - bons tempos de "The Beatles

 

"

 



          Sobre ser antigo ainda há muito a dizer. E, se tu ainda não o és, ainda o serás. Pode ter toda a certeza. Escrevi há 14 anos e pouco, mas ainda vale!

          O ator Jim Sturgees tem 30 anos, nasceu em Londres. Em meio ao "fog londrino". E, nem por isso virou "foggy". Foi aceito para alguns filmes nos Estados Unidos. A Evan Rochel Woods nasceu no Canadá, tem 24 anos, onde tem neve em todos os invernos. No Canadá. Aqui tem sol em todos os verões, em todos os meses do ano. A dupla estrelou o musical  "Across the Universe", em que se apaixonam. Interpretam canções dos Beatles, o garotos de Liverpool que nos encantaram, a nós, antigos, e ao mundo, no início dos anos 60. Foram condecorados pela Rainha Elisabeth, da Inglaterra.

          A Gabriela é muito educada. E bonita. Toca piano. E nos deliciamos com os acordes que ela tira dele. De graça para nós, seus vizinhos, que escutamos, (e nos deliciamos), sem sair de casa! E toca belas músicas clássicas. O Heitor toca violino. O Fernando Spessatto tira belas composições de seu teclado. Ele  e o Heitor, juntos, são imbatíveis. O Pablo Rossi está melhorando sua condição de pianista no exterior, é um catarinense que nos orgulha muito.

          Uma mulher que tem o nome Gilberta Tedeschi pouco nos  diz. Mas se, seu prenome for Carla, aí a coisa melhora. Se disser que tem Bruni no primeiro sobrenome, tu já começas a pensar coisas. E,  se descobrires que ela é filha de mãe e pai músicos, industriais, ricos, e que foi modelo de sucesso e cantora, tem o italiano como língua materna, fala e canta em inglês e francês, é atriz, tem 54 anos, estudou na França e na Suíça, cursou a Sorbone, tu já concluis que é ela mesma, a fera,  casada com o Presidente da França, o Sarcozi: Carla Bruni, que não chegou onde chegou apenas por ser bonita, mas por ter alguns talentos e por ter frequentado as melhores escolas do mundo, orgulha os italianos e é bem quista pelos franceses.

          O Negão toca gaita.O Valdir Bonato também.  O Loide Viecelli também ajudava a animar as quadrilhas do Mater Dolorum nos invernos de minha adolescência. O velho Todeschini tocava uma Todeschini, lá na "Siap", que convencionaram chamar de Parque, mas que a maioria chama de Siap. Tem uma Senhora, amiga, lá na Linha Sete, que convencionaram chamar de Santa Lúcia, que toca gaita.

          Ah, o Michel Teló também toca gaita. O Borghetti toca gaita-ponto. O Luan Santana nem precisa de gaita, só canta. Outros tocam por ele. Eu nem toco flauta, porque respeito os outros. Não toco flauta nem em flamenguista. Só quero que percam os jogos para o Vasco, mas não temos tido muito êxito contra eles.

          O Teló arrumou uns padrinhos: O Neymar, jogador bem marqueteado; o Cristiano Ronaldo, jogador português que atua  na Espanha, e está enfernizando os ouvidos deles, lá. Ainda bem que eles nem entendem bem aquelas letras chulas, bregas, que mais desdizem do que dizem. O Luan Santana tem uma rede de TV que é sua madrinha, faz sucesso. O Negão, Olindo Esganzerla, nosso, tocava de graça. O Bonato  ainda ganhou uns dinheirinhos que lhe possibilitaram montar sua vidraçaria. O Todeschini morreu pobre, mas feliz. O Loide também foi morar no andar de cima. Tem o Tio Valério, meu vizinho, que  dedilha o teclado com maestria, animou os bailinhos de antigamente no interior do Ouro e em Nova Petrópolis.

          Acho que os compositores, aqui, têm contra si o Sol que,  em vez de iluminá-los, cozinha-lhes os miolos, e dali saem muitas composições que não nos orgulham em nada. Lá com o "fog" ou a neve, os cérebros se ativam para coisas mais "bem elaboradas".

           Ouvir canções dos Beatles, principalmente tendo o privilágio de conhecer suas letras, onde há canções de protestos, clamor pela paz e a propagação do amor, mesmo num rock pesado (para a época, pois agora isso já é clássico), e comparar com as bobagens gravadas atualmente no Brasil dispensa comentários. "Dear Prudence, see the sunny sky", (Querida Prudence, veja o céu ensolarado) cantaram Lucy  e Jude (Evan e Jim), no "Across the Universe". E eu, antigo que sou, lembrei de "Lucy in the  sky with diamonds", "Hei Jude", "Imagine", "Help" (I need somebody=Eu preciso de alguém) . E até chorei...

Euclides Riquetti
22-01-2012        

No campo dos girassóis (eu te encontrei)

 


 


 



Procurei-te nas manhãs azuis de meu imaginário
Nas manhãs de ontem, de hoje e de amanhã
Procurei-te nas granas deliciosas da romã
Que têm o terno gosto de teus lábios...

Procurei-te por debaixo de teus tenros lençóis
Nos gramados, bosques e colinas
Procurei-te em todas as praças e avenidas
Mas só te encontrei no campo dos girassóis...

Procurei-te,  mulher do sorriso contagiante
Que alimenta meus sonhos e pecados
E te encontrei moça, mulher, amada e amante...

Encontrei-te, fonte de meus sonhos e desejos
Encontrei-te,  musa de meus versos declamados
Encontramo-nos, eu, os girassóis e nossos beijos.

Euclides Riquetti

Toca o sino o sineiro...você vai voltar!

 


 


Resultado de imagem para foto de sino de igreja

Toca o sino o sineiro
Lá no campanário.
Ouvem-no o carpinteiro
O frei do seminário
O filho do pedreiro
O público funcionário.

Toca o sino anunciando
Com dor e pesar
Que em algum lugar
Alguém foi andando
Subiu para o outro andar
Alegre e cantando.

E, na terra, ficarão entes
Tristes e a chorar
Nas tardes quentes
Quando o verão chegar
Enquanto outros, contentes
Continuarão a sonhar!

Mas agora, no inverno
O moçoilo olha, na janela
Num encantamento eterno
De quem muito espera
De gravata e de terno
A vinda da primavera....

Enquanto isso, o sineiro
Continua a tocar
O sino, prazenteiro
Para poder anunciar
Para o vilarejo inteiro
Que você vai voltar...


Para mim...

Euclides Riquetti

Caem lágrimas do céu

 



Resultado de imagem para imagens céu escuro em Joaçaba sc

Caem lágrimas do céu e dos olhos meus
Pois eu choro a dor de meu maior lamento
O choro de meu indisfarçável sofrimento
Choram os crédulos, os crentes e os ateus...

Choram os anjos, como choram os arcanjos
Das divas e sereias, das virgens os gemidos
E assim choram as águias os seus prantos
Lamentam as gaivotas pelo voo perdido...

Cobrem o céu as nuvens densas e escuras
Os raios de sol se acanharam e fugiram
Prometem mais águas vindo das alturas...

E eu me perco nas lembranças, eu reflito
Já não seco minhas lágrimas que sumiram
Olho pro céu enegrecido e apenas medito...

Euclides Riquetti

sábado, 25 de julho de 2026

O sol reclamou da lua




Resultado de imagem para imagens do sol e d lua

O sol reclamou da lua
Por ter-lhe tomado o espaço
E o dourado se escondeu
Perdeu o lugar que era seu
Pois se tornou opaco
E ela  continuou nua!

O sol nem chegou a se zangar
Pois havia muitos lugares
Onde pudesse acampar...

O sol nem chegou a lamentar
Pois encontraria outros lares
Onde pudesse brilhar...

Então o sol ameno
Pediu à lua o seu perdão
E os dois se deram um beijo
Um beijo com muita paixão
Cheio de amor e desejo
E a lua foi banhar-se
Foi, sozinha, refrescar-se
Na noite de sereno!

Então o sol se refez astro
Fez-se estrela grandiosa
E continuou a iluminar o espaço!

E a lua dos namorados
Ficou ali, toda formosa
Para inspirar os apaixonados!


Euclides Celito Riquetti

O inefável silêncio do amor

 


 


 



Resultado de imagem para foto jardim com mulher


O amor é inefavelmente silencioso
Difícil de ser descrito ou definido
É um sentimento que se fortalece
Que vem pequeno e depois cresce
Vai tomando uns rumos incontidos
E vai se tornando grande e formoso!

O amor é sentimento que encoraja
É capaz de tornar um fraco valente
E acalmar o mais intrépido humano
Torna humilde o poderoso soberano
Ou alegra o ser triste e descontente
Desafia um acomodado pra que aja!

O amor pode agir com leve sutileza
Ou nas atitudes muito barulhentas
Navegar em mares de total calmaria.
Para agir não escolhe hora nem dia
Nem manhãs azuis e tardes cinzentas
Na tenda da plebeia ou da princesa.

Euclides Riquetti

Há uma dor em mim...





Resultado de imagem para imagem homem triste



Há uma dor em mim:
Algo inimaginável, inconcebível
Mas que me faz sofrer e me aflige
Não sei por que isso tem que ser assim
Mas há uma dor em mim!

Há um desconforto em mim:
Algo que me incomoda e preocupa
E de que não tenho nenhuma culpa
Mas há essa dor assim
É uma dor que está dentro de mim!

E, se o tempo cura as nossas feridas
As mais consistentes, as mais doloridas
Pois que este passe!
E, que nas novas jornadas a serem vividas
Venha o vento que anima e que você me abrace!

Apenas isso!

Euclides Riquetti

sexta-feira, 24 de julho de 2026

O dia em que minha vida virou ao avesso - 42 anos depois! (Dias de muita dor...)

 



 





Em pé: Valdomiro Correa, treinador; Zucco,
Altair Secchi, Ademir Rech, Euclides Riquetti
(eu mesmo..., o mais alto de todos), 
Vicente Gramázzio, Malmir (Mazzo) Padilha.
Agachados: Domingos dos
Santos (Mingo Balbina), Valêncio de Souza,
Braguinha Ramos, Carmelino Nora e Sérgio
Scarton. Meus companheiros da época, eu
tinha 31 anos.
Valdomiro, Zucco e Sérgio são falecidos)

          O dia 22 de julho de 1984 me é inesquecível. Tinha tudo planejado: jogar bola, ir a uma festa, descansar para na segunda trabalhar. Levantei-me cedo, peguei a sacola com minhas chuteiras, despedi-me da família e fui para o Estádio do Arabutã. Era o dia mais frio do ano,  um domingo.  Tivéramos duas semanas de férias escolares e, no dia seguinte,  haveria o reinício das aulas. Queria aproveitar bem meu domingo. Depois do jogo, me encontraria com a família e amigos numa festa de batizado.

          Ali, ao lado do Estádio, havia uma sede recreativa onde seria realizada a festa do batizado da Aquidauana, uma bebezinha,  filha do compadre Neri Miqueloto e da Zenete. Fui o primeiro a chegar ao campo. Havia neblina e frio, muito frio. A promogênita deles, que atualmente cursa um doutorado nos Estados Unidos.

          Nove horas e já estávamos em campo. O treinador Valdomiro Correa deu-me a camisa branca com  mangas vermelhas, número 4,  jogaria como quarto zagueiro, fazendo dupla com o Fank.  Normalmente eu jogava com a 2, na lateral direita. Nesta atuou  o Mantovani, que era apelidado de "25". Era o mais maduro da turma. Na esquerda, o Mingo Balbina. Eu tinha 31 anos e estava em plena forma física. E me achava velho... Tinha ossos fortes, minha mãe sempre dizia que me deu muito cálcio quando criança. E eu achava que jamais pudesse machucar-me, era muito corajoso nas jogadas, não tinha medo de que algo me pudesse acontecer...

          Placar ainda em branco e nossos adversários fazendo pressão. Formávamos linha de impedimento, já tínhamos um ótimo entrosamento e sempre que jogávamos, nos  adiantávamos quando o adversário iria lançar a bola. Deixávamos os desavisados sempre impedidos. Nossa média de idade era bem acima da deles e tínhamos que dispor de nossa esperteza para enfrentá-los. E, num desses lances, quando saímos, um de nossos jogadores deu condição legal de jogo para os adversários. O Tita, de 16 anos, muito habilidoso e veloz, recebeu a bola e saí atrás dele. Quando ele entrou na grande área e ia fazer o gol, alcancei-o e dei toda a força possível para cortar a bola. Nesse instante, veio o goleiro, meu companheiro, num carrinho, e me atingiu. Foi um estouro. Disseram-me o Mafra, o Marcon e o Nito Miqueloto, meus companheiros, que pareceu um tiro de revólver 38. Senti que algo de muito ruim me havia acontecido. Eu não queria acreditar: O que iriam dizer meus familiares? Como iria dar aulas no dia seguinte?

         Meu colegas vieram acudir-me. Estavam apavorados. Olhei para minha perna direita e o pé estava desgovernado. A perna dobrou-se, apenas a pele mantinha o pé preso ao meu corpo. Uma fratura na Tíbia, duas no Perônio, e os ossos esfacelados. Uma senhora contusão! Tiraram minhas chuteiras, minhas meias. Uniformizados,  não conseguiam achar as chaves dos carros para levar-me ao hospital. Ficaram todos atrapalhados. Vi o Irineu Miqueloto (saudoso...), que viera de Ponta Grossa para o batizado de sua sobrinha, pedi para que me socorresse,  e ele, apavorado, no alambrado, procurava nos bolsos as chaves de seu carro, e nada! Até se esquecera de que não estava de carro lá.  Havia deixado o carro com a esposa e nem se lembrava disso.  Estavam todos desorientados...

          Enfim, os amigos Vilson Farias, atual Vice-prefeito de Capinzal, e o Alvanir Mafra, com o Fusca deste, resolveram que deveríamos ir de imediato para o hospital, no fusca. Colocaram-me no banco traseiro,  o Mafra dirigia e o Farias me dava apoio moral. Iríamos direto pra Joaçaba, onde haveria ortopedista no Hospital Santa Terezinha.

          Na estrada, eu olhava para o espelhinho retrovisor e via que estava pálido, meus cabelos molhados, o rosto muito suado. Não sentia dor, ainda, porque estava com o corpo muito quente, havia  corrido muito e por mais de meia hora. Não me conformava por aquilo estar acontecendo comigo...

          Em menos de meia, hora estávamos nas ruas centrais de Joaçaba, onde não haia asfalto ainda. Quando o carro trafegava sobre sobre os paralelepípedos do calçamento, os ossos pareciam espinhar os músculos e doía muito, muito. No Hospital Santa Teresinha, fui posto na numa maca, e o médico Dr. Marino, ortopedista, colocou uns saquinhos de areia nos lados da perna, imobilizando-a. Como que se  a mão de Deus tirasse a dor, senti-me aliviado. Veio o raio-x, o gesso, envolvendo toda a perna até a bacia. Não havia necessidade de cirurgia, graças a Deus. Apenas 90 dias no gesso. Levaram-me para casa. Eu estava chateado porque minha família não pudera participar da festa da Aquidauana. mas não sentida dores. Até que passou o efeito da anestesia,  quando passei por dores insuportáveis. Ligaram para o hospital e indicaram-me injeções para alviar a dor que um rapaz, meu aluno, o Neodir Zanini, veio aplicar, junto com o pai dele, o Nadir. jovem, trabalhava na Farmácia São Pedro.  A dor  ia e voltava...

         À noite, demorei para dormir. Depois sonhei. Sonhei que estava numa bela tarde de sol, lá no mesmo campo, jogando futebol, mas na lateral esquerda, com a camisa 6. Jogando contra o Clube 4 S de Linha Sul, marcando o Joãozinho Baretta, um primo. Ele estava de camisa verde e eu marcando-o.
Muitos dias com dores, passei os primeiros vendo na TV as Olimpíadas de Los Ângeles, torcendo pelo Brasil, em especial pelo goleiro Gilmar Rinaldi, que defendeu até pênaltis. E nos deu a Medalha de Prata. O Gilmar foi nosso companheiro de bola no campinho, ali no Ouro, quando vinha passar as férias na casa de sua irmã, a Matilde, que era nossa inquilina. Jogava no Inter, depois jogou no São Paulo, na Udinese, num clube do Japão e no Flamengo.

          Seis meses depois, estava eu de volta aos campos. Mudei meu jeito de jogar, mais cauteloso, usando menos a força e mais a inteligência. Percebi que nosso corpo tem limites, esta foi minha lição. E consegui correr atrás da bola por mais 25 anos, apenas com 3 meses de interrupção em 98, quando estourei menisco e ligamentos, pondo até parafuso de titânio no joelho esquerdo, que está ali até hoje. Estou até pensando em voltar a jogar,  agora na Primavera...

          Realmente,  aquele domingo, 22 de julho de 1984, meu mundo ficou de pernas pro ar. Mas sobrevivi!

Euclides Riquettii

O Sol Oriente (Meu sol é você)

 

 



Meu sol é você
O Sol que nasce vermelho no meu horizonte azulado
É a pintura divinal pelas mãos supremas  concebida
É um sol que rebenta  atrás do verde que o sustenta
E se pendura  no céu da manhã que é vinda.

O sol nasce para todos
Pra mim, pra ti, pra nós.
Difunde seus raios de fogo ao alvorecer
Recolhe-os, cansados, no meu entardecer.

E, em nossa noite, vai inundar as ásias
E, em nossa madrugada, clarear as europas
Para, pouco depois, alçando as douradas  asas
Dizer-nos Bom Dia e colorir as américas.

O sol nasce para todos
Para nós, para elas, para eles
Lírica, plana, ou ondulada etérea
A natureza viva espera por ele.

Esse mesmo sol que bronzeia peles morenas
Fere as peles alvas
Mas é nosso Sol
Com seus raios que nos abençõam, ou nos maltratam.

Nosso Rei Sol que vem do Oriente
É o mesmo que enseja  as premonições dos profetas
E que atiça a inspiração e as emoções dos poetas
É o Leste Sol que fortalece a gente.


E, na sua imobilidade
Conduz nossa mão delicada
Para, com leveza e suavidade
Desenhar sílabas, escrever palavras.

O sol que inspira meus poemas
Que apenas dita meus versos
Assim, sem nenhum estratagema
Far-me reunir os fragmentos dispersos.

E eu vou compondo meus escritos
Frases, versos, poemetos
Inspirado em seus raios benditos
Comporei, sim, eu te prometo...

Prometo pra ti...
Apenas para ti!

Euclides Riquetti