sábado, 24 de janeiro de 2026

Todos os mares do mundo

 



Todos os mares do mundo são seus
Desde os calmos aos mais bravios
Os que nascem nas geleiras e são frios
Todos os seus mares buscam os meus!

O mais perto de você, o mar Atlântico
Um oceano de águas e das paixões
De areias claras, de nítidas sensações
Que animam o poeta no tom romântico.

Os mares que povoam as madrugadas
Que ocupam seu pensamento jovial
São todos seus no seu espaço natural.

Então, sempre que estiver acordada
Fortaleça-se em mim, leia as estrelas
Que na noite escura você pode vê-las!

Euclides Riquetti

Um pedacinho de teu coração


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Quero que me dês
Um pedacinho de teu coração
Ou, quem sabe, talvez
Um amor com ilimitada paixão.

Quero que tu leias
Alguns dos poemas que te fiz
Os que escrevi nas areias
E os que viraram canção raiz.

Quero que tu me digas
Que tudo valeu muito a pena
E que tudo nesta vida
Não é ficção, nem cinema.

Quero que acredites
Em tudo o que quero dizer:
Viver para amar sem limites
Viver a vida com prazer!

Então, me dá um pedacinho
Um pouquinho de teu coração
Para eu guardar com carinho
Com carinho, amor e paixão!

Euclides Riquetti

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Poema para sábado à tarde e noite!


 


 


 




Engraçado...
Hoje me pareceu...
Como se fosse
Um dia de sábado!
E amanhã seria domingo
Um dia muito lindo!

Ora, meu pensamento faz calendários
Cria dias imaginários
Conforme sua conveniência...

Meus interesses se sobressaem
Enquanto as pessoas se distraem
E fogem da subserviência...

Fogem dos controles a lógica
Da vida metódica
O medo da mudança...

Mas há horas que se procuram
Novos e animadores horizontes:

Os horizontes que inspiram o poeta
Ele e sua pena indiscreta
Que corre sobre os papéis
Com versos amenos ou...
Cruéis!

Mas o poeta acanhado
Dá o seu recado:
O mundo é apenas uma passagem
E é preciso ter coragem
Para os novos desafios
Sejam nos dias chuvosos
Seja nos dias de estio.

E, não sei por que motivo
Mas há algo aqui comigo
Que me induz e impulsiona
A dizer que o que aprisiona
A ninguém faz bem.

E que todos os dias possam ser como os sábados
Com os pensamentos motivados
A pensar que o amanhã seja mais um domingo
Sempre adorável, sempre muito bem vindo!

Apenas assim...

Euclides Riquetti

Por que sinto saudades?

 




Por que sinto saudades?

Sinto saudades porque minha vida teve bons momentos
Sinto saudades porque eu a sinto, simplesmente
Porque tenho um passado
Porque tenho um presente.

Sinto saudades porque sou um ser humano
E, por isso mesmo, tenho sentimentos
Sinto saudades porque,  na longa caminhada
Para chegar a este instante e a este lugar
Tive muita estrada a percorrer, muitos lugares por quais  tive que passar.

Sinto saudades porque já sonhei demais
E porque, sonhando, realizei aquilo que almejei, que desejei
Porque, lutando, tudo o que eu queria  eu conquistei
E, se houvesse sido frustrado, isso não me motivaria a sentir saudades.

Sinto saudades porque pessoas bonitas passaram em minha vida
Algumas se foram e me deixaram marcas e registros
E cada uma delas me deixou algo que me faz delas lembrar.

Sinto saudades porque tive uma infância bem vivida
Alegre, difícil, mas divertida!

Sinto saudades porque  a distância existe
Uma distância abismal ou temporal, mas existe
E, se houver distância sem haver saudades
É porque faltou-nos algo na composição de nosso ser.

Sinto saudades porque eu a sinto, simplesmente...
Sinto saudades
Muitas saudades... de você!

Euclides Riquetti

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O "Sabonete" e a "Orora" - humor saudosista dos tempos de Porto União da Vitória!

 


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O "Sabonete" e a "Orora" - humor saudosista dos tempos de Porto União da Vitória!



          O ano era 1972. Plena juventude, cidade nova, novos amigos, morada nova. A vontade de conhecer novos lugares, novos ambientes. Fiz grande amizade com o Sabonete, meu colega de República Esquadrão da Vida e de Letras na  Fafi. Ex-seminarista e muito bem empregado, costumávamos sair juntos nos finais de semana para "explorar a cidade". Fomos ao Aeroporto José Cleto e conseguimos tirar fotos ao lado de um avião. Fomos ver o "Cristo", no alto do Morro, em União da Vitória, que estendia seus braços e olhar sobre o Rio Iguaçu e as cidades gêmeas. Andávamos a pé, gastávamos nossos sapatos.

        Mas também gostávamos de ir a Bailes no Clube Apollo, do qual ficamos sócios. E, nos domingos, tarde dançante no 25 de Julho. Imperdível.  De vez em quando, uma saidinha para São Miguel, em Porto União. E, naquele tempo, só entrávamos lá de terno e gravata. Ainda bem que tínhamos nossos ternos fa formatura do então Segundo Grau. No final do domingo, o Cine Ópera. Tudo para compensar a semana de muito estudo na Faculdade e no Yázigy, onde fazíamos Inglês para desenvolver nossa fluência na conversação.

          Mas tínhamos tambérm nosso lado "sinistro" das coisas. Só que o sinistro da época era bem light, soft. Era um sinistrinho brando... No domingo, iamos ao Estádio Enéas Muniz de Queiroz ver o Iguaçu, torcer. " Chuta, Joaquim! Corre, Rotta! Corta, Chavala! Defende, Roque! Juiz ladrão!!! Muita gritaria, reclamação com o juiz. E, em muitos de nossos sábados, a ida para as gafieiras, levados pelos "mais antigos", que sabiam tudo disso, eram experientes no assunto e na ára.  Tinham lá o Primavera, que era um "meia-boca", o Farinha Seca, o Boneca do Iguaçu, ao lado da ponte férrea, e o Poeira. Estes três eram "boca inteira". 

          Éramos muito tímidos, mas nossos companheiros nos encorajavam e acabávamos indo para "dar uma espiadinha". Lembro bem de uma vez que nos levaram para o Boneca do Iguaçu. O Sabonete, que era muito "liso", tinha alta formação religiosa. O apelido, uma conformação fonética e semântica, contando seu sobrenome e sua inteligência. Como bom de "argumento", sabia Latim e Grego,   ia na frente e pedia para que deixassem "dar uma olhadinha", sem pagar entrada. Cheio de falas,  prometia que se gostássamos pagaríamos ingresso e ficaríamos, viraríamos fregueses. Ao contrário, iríamos para casa.

          Pois que em nossa primeira incursão, tão logo passamos por uma cortina de fumantes, adentramos ao salão e lá tinha de tudo. Cheiro de cerveja e conhaque. Cadeiras de várias cores e modelos, mesas de múltiplas cores e estampas. E genrosas senhoras,  de todos os padrões: altas, baixas, esquálidas, obesas, loiras, morenas, ruivas. E os homens: de todos os padrões: pobres, ricos, feios, bem feios, mais feios, carecas, mais carecas, obesos, bem obesos, solteiros (nós e mais alguns) e... casados! Mais casados do que solteiros! Todos tinham bons motivos para ali starem.

          Até aí tudo bem não fosse o susto do Sabonete: "Vamos sair já daqui! Não podemos ficar! Tá louco, cara!... O meu chefe tá aqui. O que ele vai pensar de mim? Vai pensar que eu sou um depravado. E estou no estágio probatório... - Argumentei que quem tinha que se preocupar era o chefe dele, "bem casado", que estava ali fazendo festa, amassando uma "bem fornida, teúda e manteúda". Mas não teve jeito, o Sabonete ficou apavorado, dando graças a Deus que o chefe não o viu. Ainda bem que entramos na "condi"!sem pagar o ingresso!

          Passado o susto, demos umas caminhadas pelas ruas centrais,  olhamos as vitrinas da Loja do Zípperer, da Loja Olga, dos Domit, das lojas do Magazine Jacobs, passamos pelo Bar do Bolívar no outro lado dos trilhos, vimos os cartazes dos filmes do Odeon, do Ópera e do Luz, este bem perto de casa. Ainda passamos pela  Willy Reich, bem pertinho de casa. Era época do "Sesquitecentenário da Independência" e estavam inaugurando a transmissão de TV em cores no Brasil, até transmitindo a "Mini Copa" de Futebol. Nos embasbacamos com a beleza das imagens coloridas no aparelho.

          Chegamos em casa e contamos para o Frarom sobre a decepção que o Sabonete teve ao encontrar seu chefe, um exemplo de chefe, um homem honrado, lá com sua teúda amarrada ao pescoço no "Boneca".
E ele veio  com essa: "Olha, cheguei agorinha. Fui dar uma olhadinha no "Poeira", mas nem entrei. Só dei uma esticada de pescoço pela porta.  Estava no intervalo, porque lá a dança já começa pelas oito horas. E o vocalista da bandinha estava dando um aviso: "Queremos dizer para a sociedade portuniense que aqui comparece  que temos em nossas mãos uma aliança de casamento que foi encontrada no chão de nosso tradicional salão, tendo se grudado na sola do sapato de borracha daquele amigo ali, ó..." E ninguém se manifestou, ninguém que estava lá queria mostrar seu verdadeiro estado civil, "casado". Com  o precioso objeto  na mão, pegou-o entre os dedos  e foi adiante: "Olha, aqui estão  gravadas  as iniciais da dona dessa preciosa jóia: Começa com " Ó", deve ser da... "Oróra"! E lá não havia Ororas nem Auroras...

          Nem precisou ele continuar com a história. Ríamos mais do jeito com que ele nos contava das histórias do que com a graça que traziam.  E começava uma rodada de histórias e piadas que nos faziam esquecer das tristezas. Tudo muito divertido. Melhor que ter ido ao bailinho! Diversão com economia de dez cruzeiros. Dava para pagar a lavadeira na semana.

          E o respeito entre o Sabonete e o Chefe dele nunca foi abalado...

Euclides Riquetti
17-05-2013

Milhares de poemas e crônicas no seu
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FAFI - Letras - Inglês -  turma de 1975

Na harmonia do universo

 



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Pássaros azuis prateados vagam na noite enluarada
Seguem o caminho onde passam os cavalos alados
A estrela maior cintila soberana na manta sagrada
Que cobre o sol ausente e o esconde no outro lado.

Cantigas saudosas flutuam em leves ondas sonoras
E em alfa e centauro flertam com o cruzeiro do sul
Navegam, discretas, nas mentes ágeis e prodigiosas
E afagam as almas puras que rondam todo céu azul.

Partículas estáticas se desprendem dos astros soltos
Que se perdem no ar e se espalham pelo céu infinito
E se curvam diante das divindades e ídolos revoltos.

E, na harmonia do universo meus olhos te procuram
Buscam encontrar teu corpo moreno e o rosto bonito
Pois no leste e no oeste os sonhos nascem e perduram!

Euclides Riquetti

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Quando meu sorriso encontra o teu

 


 





Quando teu sorriso sai pelas janelas
E vai buscar as flores meigas da manhã
Vai encontrar crianças, velhos  nas ruelas
As sempre-vivas verdes e amarelas
Se deliciar nos campos verdes das maçãs...

Quando meu sorriso encontra teu sorriso
Meu rosto tenso das agruras do universo
Sabe que encontrou aquilo que eu preciso
Que chegou perto do jardim do paraíso
Que escrevi nas prosas, que cantei nos versos.

E quando vejo os mil sorrisos que reluzem
Em cada canto da cidade em que tu cantas
Rostos divinos com olhares que me induzem
Corpos esbeltos que me atraem e me seduzem
Minha alma exulta e meu coração se encanta.

Sorrisos, ah, sorrisos, tão bonitos quanto o teu
Sorrisos que navegam pelos céus, que vêm encontrar o meu!


Euclides Riquetti

Nas incertezas do tempo...

 




Fotos de Sereias


Flutuam nas águas serenas as sereias
Prateiam-se nos lustros raios solares
E, depois, vêm deitar-se nas areias
Vêm deleitar-se nas orlas dos mares.

Cantam, as sereias, os cantos líricos
Dançam, as sereias, as coreografias
Desfilam, nas areias, corpos líricos
Cantam canções de amor e nostalgia.

Enquanto as garças e  gaivotas voam
Os grunhidos espalham-se nas dunas
Nos rochedos, nossos gritos ecoam
Planam nos ares suas brancas plumas.

E se ocultam nas incertezas do tempo
As dores mais fortes e inimagináveis
Enquanto olho o mar e te contemplo
Nas lembranças suas, inapagáveis...

Euclides Riquetti

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Dançar ao sabor do vento

 





Dançar ao sabor do vento
E ao embalo de uma canção
De um vento que afaga o rosto
Dançar com muito gosto
Com alegria no coração...

Dançar a música dos sonhos
Dançar ao embalo dos versos
Perder-se na imaginação
Transpor barreiras da ilusão
Andar pelo universo!

Dançar em tempos difíceis
Dar a si a alegria imensa
Ficar num lugar escondido
Sonhando o sonho pretendido
Buscando a felicidade intensa!

Euclides Riquetti

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Professor André Bocheco - dignidade, honradez, espiritualidade e substância!

 

  

Professor André Bocheco - dignidade, honradez, espiritualidade e substância! 

       Tomei conhecimento, nesta quarta-feira, 21,  do falecimento do professor André Bocheco, morador de Bombinhas - SC. onde foi velado e sepultado.  André foi professor em Capinzal, (No Colégio Mater Dolorum e no Cenecista Padre Anchieta), em Herval d ´Oeste e Joaçaba. Uma pessoa digna e honrada. Deixa a esposa Eloí e dois filhos, Gibran e Otávio. Em André, generosidade sempre foi substância! Foi nascido em Santa Felicidade, bairro de Curitiba. Veio de uma família católica, eram em 11 irmãos, agora todos falecidos, estando no plano espiritual. 

   Conheci o André no final da década de 1960. Atuava no Seminário Nossa Senhora dos Navegantes, em Ouro, perto de nossa casa. Era cognominado de "Costinha"!, por causa  de sua semelhança física com o humorista famoso na televisão brasileira. Suas falas eram acompanhadas de gestos com as mãos. Tinha no rosto um sorriso jovial e terno. Liderava os seminaristas, tanto nas atividades de estudos quanto no trabalho da Chácara dos Padres. Também conduzia os meninos até a Igreja Matriz São Paulo Apóstolo, em Capinzal, onde participavam das celebrações das santas missas. André foi se engajando nas atividades da nossa Igreja e tornou-se um líder respeitado entre a juventude de Capinzal e Ouro. Liderava movimentos jovens, era muito dinâmico. Liderança que se estendeu à área da Educação também.  

       Aquele rapaz magro e alto deixou os cabelos crescer, evoluiu muito e tornou-se professor. Foi diretor do Colégio Cenecista Padre Anchieta em meados da década de 1970, depois foi morar em Joaçaba, onde trabalhou no Colégio Santíssima Trindade e na antiga FUOC (hoje UNOESC), e Colégio Mello e Alvim, em Herval d´ Oeste. até o tempo em que sua família transferiu sua residência para Joaçaba e, adiante, para o litoral de Santa Catarina, na Grande Florianópolis. 

       André se tornou um marido e pai exemplar, um cidadão de bom trato, um vizinho empático e prestativo. Lembro que, em 1977, quando fomos morar em Duas Pontes, hoje Zortéa, ele vinha muito para aquela vila, com seu fusca vermelho alaranjado,  para trabalhar na chácara da família, que se localizava onde se implantou o Loteamento dos Santos.

         Sua esposa, Eloí Elisabete (Santos) Bocheco, professora e escritora, publicou a seguinte manifestação:

" André Bocheco "combateu o bom "combate, completou a carreira , guardou a fé".
Partiu para o plano espiritual onde irá continuar a sua jornada evolutiva. Estamos devastados mas confortados porque, cremos que será recebido com muito amor pelos irmãos espirituais. Sempre foi correto, ético, justo e extremamente bondoso.
Gratidão por todo amor que dedicou à família, amigos, alunas e alunos, vizinhos e a qualquer pessoa que por seu caminho cruzou nesta encarnação."

Os antigos amigos de Capinzal e Ouro se manifestaram no grupo de whattsapp da APROC. Ana Tessaro: "Nosso querido professor"! ; Lúcia Baretta Dambrós: "Nunca esqueceremos de seu legado"! ; Jerônimo Santana: "Sua inteligência, delicadeza e serenidade no trato do dia a dia, das questões da Educação, foram legados que marcaram..."; Tobaldini: "Meus sentimentos ao meu Mestre, Orientador e Incentivador na caminhada da vida"; Neivo Ceigol: Via nas pessoas a capacidade e entregava o poder. Grande pessoa. Aprendi muito ao seu lado".; Heidi"Deixou boas lembranças".; Maria Lucinda: "Um excelente professor de didática. Paciente e soube nos orientar para a vida"; Abelardo: "Deus conforte os familiares. Nossos sentimentos de pesar"; Inelves Lehmkul: "Nossos sentimentos aos familiares deste grande amigo, quase irmão!; Maria Ivete Calza: "Deus o receba com muita luz"; Prof. Ciro Toaldo: "As ricas recordações vão continuar gravadas em minha memória"; Neusa Moraes: " André, grande mestre"!; Antônio Maria Hermes: " Sentimentos de pesar pelo falecimento do grande amigo e colega André".
Em diversas mídias seu nome e o de seus familiares foi exaltado. André é merecedor de nosso aplauso e de nossas orações. Cada um, ao seu modo, expressa a admiração por ele e os sentimentos pela perda. Aos familiares, o carinho e o apreço de nossa família.

Euclides Riquetti e família - www.blogdoriquetti.blogspot.com
23-01-2025

Menino matreiro... - Poema composto há 30 anos!

 


 




Fabrício com a esposa Luana - filho e nora


Corre pra lá
Vira pra cá
Pula que pula
Volta a pular
Criança marota
Criança feliz
Adora nas plantas
Fazer seu xixi.
 Sobe que sobe
Desce que desce
A noite vem logo
O céu escurece
Sorri como o sol
Sorriso matreiro
Mordendo o lençol
E o seu travesseiro.
Canta que canta
Cantigas de roda
Se finge de santa
Criança dengosa
Me conte  piada
Me conte menino
Você vai traçando
Seu jeito ladino.
Dorme que dorme
Bonito menino
Come que come
Vagar, vagarinho
Você é o anjo
Que me faz feliz
Você é o sonho
Que eu construí.

(Composta quando o Fabrício
tinha 8 anos) - Agora está com 
38 anos, é pai de Ângelo, 8, e de Beatriz,
5. Moram em Chapecó - SC

Euclides Riquetti
(09-03-1995)

Vem beber do cálice da paixão

 








Vem beber no cálice da paixão
Vem beber do vinho que nos excita
Vem beber de minha alma e de meu coração
Vem beber-me  com tua boca bonita...

Vem, e traz com ela teu corpo sedutor
Os teus olhos amendoados
Delicados...
A tua pele macia
E tua  voz de poesia...

Traz também as tuas mãos carinhosas
As tuas pernas formosas
O teu rosto divinal
O teu corpo colossal.

Vem beber de meus sonhos
De meus lábios risonhos
Vem banhar-te em meu suor
Declamar-me versos de cor.

Vem. Te espero...
Vem beber no cálice da paixão!

Euclides Riquetti

Quando a chuva molhou as roseiras






Quando a chuva molhou as minhas roseiras
E as gotículas pousaram sobre a tenra folha
Os  cravos bailaram, serenos, nas fileiras
Ali dispostos, solitários, sem ter quem os colha.

Jazem, felizes e exalam seu perfume masculino
A excitar o mais erótico pensamento
A mesclar-se em meio ao frescor matutino
Com seu doce aroma de encantamento.

Cravos e rosas, uma comunhão singular
Na manhã que chegou um tanto acabrunhada
Rosas e cravos, lembranças sutis a me atiçar.

Sonhos, lembranças, paixão e beleza
Na tarde que te deixa deslumbrada
Lembranças, sonhos, majestosa realeza.

Euclides Riquetti
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Lembranças...

 








É fácil falar do vento, que rima com o pensamento
Do ar, que vem do mar
Da flor, que revela o amor
Do sentimento, que remete no tempo...

É fácil falar do inverno, do amor eterno
Da desmedida paixão
Que explode no coração
E que leva do céu ao inferno!...

É fácil falar da terra, da alegria da primavera
Da planta que cresce
Do broto que floresce
Dos longos anos de espera!

É fácil falar de um porto e de um olhar absorto
Do dia do verão quente
Que queima a pele da gente
E do cansaço que mata o corpo!

É tudo muito belo !!!
Formosa inspiração !!!

Difícil
É lembrar de cada estação
Dia, mês, ano...
De cada beijo profano
De cada momento mundano
De corpo e alma em profusão...

E em cada olhar
Em cada pensar
Em cada lembrar
Querer que tu voltes
E não te ver voltar!...

Euclides Riquetti
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Mais do que um sonho... uma agradável lembrança! (Crônica de saudades - "Guerino, de guerreiro")

 


 



          Uma das coisas boas de minha vida é sonhar! Fechar os olhos, imaginar, navegar, sonhar... Passar por sobre fronteiras sem passaporte, sem documento: apenas com sorte! A sorte de encontrar seres que estão com a gente, que estarão, ou que já estiveram perto de nós, junto de nós...
  
          Sonhar é meu, seu, nosso direito! Sonhar de dia, de noite, de pé, deitado, de qualquer jeito! Mas sonhar... E ensejar para que nossos sonhos se tornem realidade. Os sonhos, por si, nos possibilitam a vivência de realidades possíveis e impossíveis... Dentre estas, a de ter junto conosco pessoas que nos foram muito queridas e nos deixaram. Na noite de domingo, revivi momentos com meu querido pai. Deixou-nos num sábado, 18 de junho de 1977. Tinha 55 anos. Nascera  Guerino Richetti, virou Riquetti. Guerino de "guerreiro"!

          Posso asseverar que sou muito parecido com ele. Uma cópia, um clone. Meu jeito de me movimentar, de mover minhas mãos, de olhar para as pessoas, de ficar com o pensamento visivelmente distante. Os mesmos hábitos: Ler, ler muito, informar-me. Herdei isso dele. Quando nasci, lá no Leãozinho, então comunidade de Rio Capinzal, ele estava lendo "Os Sertões", de Euclides da Cunha. Quando escrevia, desenhava as palavras. Letra firme, uma verdadeira caligrafia. Estudou Latim , Filosofia, Francês, Italiano, aprendeu a tocar piano. Conhecia muito de História, de Geografia, de Matemática. Notas altas nos tempos de Seminário, o São Camilo, da Vila Pompeia, em São Paulo. Notas altas no "Normal", para habilitar-se ao magistério, no Mater Dolorum, em Capinzal, onde concluiu seu curso em 1963. Estava com 40 anos...

          No domingo, mais um belo e agradável sonho. Sonhei que eu estava com uma amiga,  ajudando-a  a fazer a decoração para um ambiente de um evento cultural. Amarrávamos panos brancos entre colunas, provavelmente para mais  uma daquelas "Noite do Canto, Arte e Poesia", que costumávamos organizar com os amigos poetas da APECOZ (Associação dos Poetas de Capinzal, Ouro e Zortea). Saudades disso também... Meu pai chegou, parecia mais alto do que era, embora tivéssemos a mesma altura: 1,83 metros. Estava com calças e camisa de manga longa, uma cor escura, uma combinação de preto ônix com preto dark. Sapatos pretos, bem lustros, como era de seu costume. Boina.  Mas as maiores e melhores lembranças dele tenho-as com ele usando camisa branca e calça preta ou marinho.

          A aproximação dele veio natural, parecia que estava verdadeiramente ali. Elegante, inteligente, culto, charmoso. Assim eu o via e é assim que eu o vejo e quero ver nos meus sonhos. Ele veio e disse que estava com um pouco de pressa, precisava dar aulas de Matemática... E saiu... Fique muito contente em vê-lo. Estava bem. Acordei-me sobressaltado, mas feliz. Eu o vi mais uma vez. Ele não era professor dessa disciplina, mas ensinou-me a fazer contas de medidas agrárias e volumes. Área de quadrados, retângulos, triângulos. Para este, dizia: "base vezes altura, dividido por dois".  E fazia desenhos em papéis para eu entender. Para madeiras em toros: "raio ao quadrado vezes o PI (3,1416),  vezes altura..."  Aprendi isso antes de me ensinarem na escola. E, com 10 anos, eu fazia cálculos das roçadas e carpidas que os familiares do saudoso Sebastião Feliz da Rosa, o "Velho Borges", e seus filhos João e Dário empreitavam. Vinham lá em casa para que meu pai calculasse. E ele me punha na a fazer as contas: alqueires, quartas de terra...

          Ora, misturo sonhos, lembranças e saudades. Saudades, porque isso é inerente à condição humana: quem não as sentir, não tem história, não tem passado, não tem sensibilidade. Lembranças, porque elas nos trazem alegrias. E se confundem com as saudades.  E sonhos! Ah, esses sim! Sonhos  que   me permitem revivenciar realidades impossíveis. Como a de ter, perto de mim, pessoas que só podem vir com o sonho...

Euclides Riquetti
11-11-2014

Como a mordida da maçã - a caliência de seus lábios vermelhos!



 

Como a mordida da maçã


(A caliência de seus lábios vermelhos)


Eu quero ser como a sua mordida na maçã
Sentir a caliência de seus lábios vermelhos
Seus dentes brancos refletidos num espelho
Ou a avermelhada grana da fresca romã...

Eu quero ser de suas frases as reticências
O pensamento interrompido, a sua dúvida
O gostoso néctar das ameixas e das uvas
Ou breves hiatos de sua vida em turbulência...

Eu quero ser a nota da canção que você canta
Naqueles momentos de saudade, nostalgia
Pra devolver a você toda aquela alegria
Ser seu esteio, o seu norte, a sua segurança...

Eu quero, mesmo, é fazer parte de sua vida
Ser como a água que sempre mata sua sede
A mão que a afaga quando deita na sua rede
A resposta a suas questões não respondidas!

Euclides Riquetti

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O Seminário Nossa Senhora dos Navegantes: boas lembranças! - crônica de memórias

 




          Vivi minha infância muito presente no Seminário Nossa Senhora dos Navegantes, no então Distrito de Ouro, município de Capinzal.  Havia um Frei lá, João, depois o Frei Otávio, que eram os responsáveis pela educação inicial dos nossos futuros padres. Um  casarão que pertencera à Família Penso fora adquirido pelos Padres Capuchinhos e, com ampliações, comportava o Seminário. Os meninos estudavam no Mater Dolorum, até concluir o Primário. Depois iam para Riozinho, na região de Irati, no Paraná. Mais adiante, o Padre Adelino Frigo e o Victorino Prando estiveram na sua Direção.

      Lembro que o Martin Mikoski e o André Bocheco eram os braços direitos dos diretores nas décadas de 1960 e 1970.  Lideravam os meninos nas lides da roça, do estudo e das orações. Tomaram outros rumos, foram exercer outra vocação que não a do sacerdócio. Depois veio o Frei Orlando, que dirigia o jeep azul e a Ford, levando os seminaristas para trabalhar na granja deles. O esforçado Frei Orlando, compositor do Hino a Nossa Senhora dos Navegantes tornou-se sacerdote. Era uma alma bondosa. Continua sendo uma figura muito carismática. Com sua voz ressonante, enche os espaços das Igrejas onde canta.

          Eu tinha muitos colegas de aula que eram do Seminário. E também um primo. Tinham suas horas de estudos, as de orações e meditação, e ainda ajudavam na Granja dos Padres. Uma Senhora, Dona Aurora, era a mãezona de todos eles. Era uma matrona forte e respeitada, impunha respeito em talvez umas cinco dezenas de meninos afoitos.

          Aos domingos, iam para alguma comunidade, a pé, para jogar futebol. Lembro que o Luiz Frigo corria muito, tinha as pernas compridas e reclamava do juiz, normalmente um Frei.

          Quando a Festa de São Paulo Apóstolo  se avizinhava, eram colocados a pintar estatuetas de gesso do padroeiro, que eram trazidas de Curitiba. A batina marrom, um manto verde, o rosto marfim. Era mais ou menos isso. E havia alguns acabamentos que eram feitos pelo Frei João, para que o serviço ficasse bem feito. Ainda hoje há, em algumas casas no interior, exemplares desse São Paulo Apóstolo, que era benzido e vendido no Dia da Festa, 25 de janeiro, ou no domingo mais próximo. 

          No Colégio, os meninos eram bulidos, sistematicamente, por muitos dos colegas. Eles tinham umas características que os diferenciavam de nós, como por exemplo, na fala: Nós dizíamos "pra" e eles diziam "para". O Frei exigia que aprimorassem sua fala. Nós achávamos que aquilo era coisa de granfino. E diziam os esses nos plurais. E as declinações certas ao final dos verbos. Na sala eram comportados e isso nos deixava intrigados porque tinham mais prstígio do que nós que fazíamos nossas  inocentes  baguncinhas.  No futebol, eram melhores do que nós, porque em seu tempo livre, jogavam muita bola. Faziam petecas com palha de milho e penas de galinhas que eram uma maravilha. Tinham seu material escolar organizado, bem mais do que o meu, que não posso me citar como exemplo para ninguém, tamanho era meu desleixo. Por tudo isso os colegas buliam com eles.

          Eu ia diariamente ao seminário, era quase um deles. Algumas vezes me tentava a dizer que queria estudar para me tornar padre, mas  sabia que não tinha nenhuma aptidão ou vontade para isso. Acho que era por causa da companhia dos amigos. Aqueles que terminavam o primário iam para Irati e nós ficávamos muito tristes, pois só vinham para casa ao final do ano. Tinham que ficar lá em provação. Acho que isso levava  muitos deles a desistir de seu intento.

          Certa vez houve uma briga no Colégio e a minha turma de amigos ficou dividida, uns contra e outros a favor deles. Eu era a favor, pois aqueles meninos não incomodavam ninguém, mas havia uma cisma de alguns contra eles. Lembro que os contra eles desciam o morro rapidamente,  ao final da aula, antecipando-se aos seminaristas,  e amarravam as guanxumas  que havia ao lado dos carreiros para que, quando eles corressem, caíssem. E, depois, armavam uma algazarra para vê-los correr e caírem. Para nós, aquilo era divertido, não levam mais do que uns esfolões. Tinha um que era bravo, o Paulo Rosalem, que virou padre e soube que ele faleceu recentemente, em Capinzal.

           E muitos deles acabaram saindo  e tornando-se bons professores. Aliás, muitas das universidades do Oeste e Meio Oeste de Santa Catarina foram bem sucedidas porque ex-seminaristas tornaram-se professores delas, chegando ao Doutorado ou Pós-doc. E tornaram-se  diretores, reitores até. Mas também rechearam o mercado com profissionais liberais. Ou na área pública. A seriedade com que eram cobrados no estudo lhes deu uma base sólida de conhecimentos que lhes permitiu galgar escalas acima com relativa facilidade.

          Tenho boas lembranças daquelas tardes em que eu ia com um irmão pequeno participar das brincadeiras com os seminaristas.

          O Seminário Nossa Senhora dos Navegantes foi desativado, assim como os demais da região. Seus prédios são ocupados por escolas particulares, centros de administração pública e de múltiplo uso. Foi assim em Ouro, Luzerna, Ibicaré e Iomerê. No Paraná, em Ponta Grossa, um deles hoje abriga a Universidade Federal Tecnológica do Paraná.

          Nossa região, em razão de sua colonização italiana, era povoada de seminários. Os pais sonhavam em ter um filho Padre. Os filhos viam no Seminário uma maneira de sair de casa e estudar. E já valia para eles a regra de que "o futuro a Deus pertence". Talvez o Vaticano não tenha conseguido ter o número de propagadores do Evangelho que esperava, mas o certo é que muitos colégios e faculdades ganharam excelentes professores, ajudando a dar um ton de maior qualidade à nossa educação. Graças a Deus,  e não em nome de Deus...

Euclides Riquetti
28-01-2013

O inefável frescor do vento - soneto

 


 



O inefável frescor do vento


Um inefável frecor do vento

Lufa através de minha janela

Na noite chuvosa e singela

De nosso tempo!


Um indizível pensamento

Me transporta pelo universo

E me deixo levar por versos.

Através do firmamento.


Quero chegar e te abraçar

Perder-me em meus desejos

Em teu corpo mergulhar.


Quero então experimentar

O delicioso sabor dos beijos

Que terás para me dar!


Euclides Riquetti


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No silêncio escuro da noite


 


 


No silêncio escuro da noite


O silêncio escuro da noite provoca os sentimentos

Enquanto tu dormes o teu sono angelical

E os anjos abençoados dissipam teus tormentos

Enquanto eu os procuro no espaço sideral!


No silêncio escuro da noite enegrecida

Os anjos velam pelo teu sono e te protegem

Zelam por teu corpo, pela tua alma e pela tua vida

Enquanto que a orquestra universal eles regem.


No silêncio harmônico do universo santo e calmo

Espalha-se uma terna e silenciosa melodia

Secundada pelo doce canto daquele antigo salmo

Que de minha voz tímida  tu já ouviste um dia.


Mas, na claridade do dia que vem tão prazeroso

E que dissipa a escuridão pela noite trazida

Reina teu sol dourado, jaz gigante e formoso

E tu te deleitas em cada minuto, cada hora vivida!


 

Brancas Gaivotas flutuam no ar

 


 


 




Brancas gaivotas flutuam no ar
E mergulham no mar...
É um grande mar oceano
Que balança, soberano
E desenha o reflexo solar!

O azul do Sul, do céu claro
Não precisa nenhum reparo...
O verde da imensidão, infinito
E o barco abençoado, bendito
Projetam um espetáculo raro!

Na tarde bela de abril
Passa morena-jambo, passa loira bronzeada
E fica-me a lembrança gravada
Da nuvem descansada
No céu pintado de anil!

Poeta pintor das almas alheias
Pinta corpos esbeltos, jogados no chão
Num belo cenário de contos de sereias
Pinta os pés desnudos que alisam as areias
E os pensamentos se ancoram no porto ilusão.

É tudo assim
É um mar sem fim
É uma verdadeira beleza
É nossa pródiga natureza
São lembranças que levo pra mim!...

Euclides Riquetti


Praia de Canasvieiras, Florianópolis, 12 de abril de 2010.

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